Author: admin

  • Consumir leite pode adiar avanço da osteoartrite em mulheres

    Consumir leite pode adiar avanço da osteoartrite em mulheres

    As mulheres que consomem leite com frequência, seja integral ou desnatado, podem atrasar o desenvolvimento da osteoartrite nos joelhos, segundo um artigo publicado nesta segunda-feira (7) pela revista “Arthritis Care and Research”.
     
    Uma equipe de pesquisadores liderada por Bing Lu, do Hospital Brigham e de Mulheres em Boston, Massachusetts, observou 2.148 participantes (1.260 mulheres) vítimas da osteoartrite, e analisaram suas dietas no início do estudo e, novamente, 12, 24, 36 e 48 meses depois.
     
    A osteoartrite é uma doença degenerativa das articulações e causa dor e inchaço na mão, no quadril e no joelho. Os pesquisadores observaram o progresso da doença nessas pessoas mediante radiografias da área entre a metade do fêmur e a morna.
     
    De acordo com os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, a osteoartrite afeta quase 27 milhões de maiores de 25 anos de idade nesse país. No caso do joelho é mais frequente e grave entre as mulheres do que entre os homens.
     
    Os estudos médicos indicam que as lesões nas articulações, o excesso de peso e a obesidade, além do uso repetitivo das articulações, por exemplo, em alguns esportes ou ocupações trabalhistas, são fatores de risco para a osteoartrite.
     
    Mas os cientistas não determinaram com clareza por que e como a osteoartrite progride.
     
    “O consumo de leite desempenha um papel importante na saúde dos ossos”, escreveu Lu. “Nosso estudo é a pesquisa mais ampla que já se fez do impacto do consumo de lácteos na progressão da osteoartrite do joelho”.
     
    Em um editorial, Shivani Sahni e Robert McLean, do centro de Pesquisa do Envelhecimento, no Instituto Hebraico de Idade Avançada – vinculado à Universidade de Harvard – afirma que “com o envelhecimento da população e o aumento na expectativa de vida é urgente encontrar métodos eficazes para lidar com a osteoartrite”.
     
    No estudo, os pesquisadores aumentaram a ingestão de leite de zero a menos de três copos por semana, depois de quatro a seis copos e, finalmente, a mais de sete copos por semana. Cada copo continha cerca de 230 mililitros.
     
    À medida em que aumentavam a dose, a lacuna nas articulações das mulheres diminuiu 0,38 milímetros, 0,29 milímetros, 0,29 milímetros e 0,26 milímetros respectivamente.
     
    “Nos homens, não observamos uma associação significativa entre o consumo de leite e as diminuições do largo de espaço na articulação”, afirmam os autores.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • SUS inclui novos procedimentos para tratamento de doença renal crônica

    SUS inclui novos procedimentos para tratamento de doença renal crônica

    Portaria do Ministério da Saúde publicada nesta segunda-feira (7) no Diário Oficial da União inclui na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) novos procedimentos para o tratamento de pacientes com doença renal crônica.
     
    Os procedimentos incluem exames como dosagem de sódio, dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH), dosagem de tiroxina (T4), ultrassonografia do aparelho urinário, cultura de bactérias para identificação, hemocultura e eletrocardiograma.
     
    Em março, uma portaria do ministério ampliou o atendimento à pessoa com doença renal crônica. A partir deste ano, serviços de nefrologia, que atendiam apenas pacientes em estágio avançado, podem se habilitar também para o atendimento de pacientes em estágios iniciais, com acompanhamento ambulatorial e realização de exames periódicos.
     
    A doença renal crônica se caracteriza pelo mau funcionamento dos rins, responsáveis por filtrar e tirar impurezas do sangue. Dados do governo indicam que o problema é silencioso, já que cerca de 70% dos pacientes que entram para diálise não sabiam que estavam com a doença. Em parte dos casos, é preciso passar por um transplante de rim.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais; veja mitos e verdades

    Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais; veja mitos e verdades

    Não são poucas as pessoas que se tornam adeptas habituais de remédios ditos 'inofensivos', em busca de respostas rápidas para problemas corriqueiros de saúde. E correm riscos, pois a automedicação, na maioria das vezes, é perigosa. Embora alguns remédios apresentem, de fato, poucos riscos, e sua compra é facilitada por estarem 'do lado de fora' do balcão da farmácia, é preciso cautela.
     
    “Tal conjunto de fatores acaba predispondo ao uso até mesmo abusivo de algumas drogas. Todavia, como nenhuma é de fato isenta de ameaças, eventualmente acontecem adversidades”, salienta o cirurgião geral Lucas Zambon, diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente. Ele explica que, como esse tipo de acontecimento fica “diluído” entre o grande número de pessoas que tomam tais remédios, há uma falsa sensação de segurança.
     
    Com ele concorda o neurologista da USP (Universidade de São Paulo), Flávio Augusto Sekeff Sallem, alegando que fármacos são drogas que agem em vários sistemas do corpo. “Remédios não são produtos”, enfatiza.
     
    No Brasil, de acordo com a IMS Health, consultoria especializada em dados de saúde, o item mais comercializado em 2012 foi o descongestionante nasal Neosoro (cloridrato de nafazolina), que contém até página em redes sociais como o Facebook (“Clube dos viciados em Neosoro”).
     
    Embora não esteja associado a nenhuma enfermidade grave como o câncer, o descongestionante pode aumentar a carga sobre o coração. Por isso, deve ser utilizado com precaução em pacientes que usam determinados medicamentos ou que apresentam deficiências cardíacas – hipertensão, arritmias, disfunções no coração. Não é livre de riscos e não deve ser empregado por períodos prolongados sem orientação médica.
     
    Os dez mais
     
    Depois do Neosoro vem Puran T4 (hormônio tireioidiano levotiroxina sódica), Salonpas (analgésico e anti-inflamatório salicilato de metila), Ciclo 21 (anticoncepcional, genérico etinilestradiol + levonorgestrel), Microvlar (anticoncepcional, etinilestradiol + levonorgestrel), Buscopan Composto (analgésico e antiespasmódico, escopolamina), Rivotril (anticonvulsivante e ansiolítico, clonazepam), Dorflex (analgésico, cipirona ou orfenadrina), Glifage (antidiabético metformina) e Hipoglós (pomada para assaduras).
     
    Sallem ainda cita outros bastante usados como Neosaldina (combinação de mucato de isometepteno, dipirona e cafeína, utilizada no alívio das dores de cabeça), Cialis (disfunção erétil, tadalafila,) Dipirona sódica (analgésico e eficaz na febre) e Metoclopramida (náuseas e vômitos).
     
    Dados 'internacionais'
     
    Em relação ao consumo mundial, em uma lista de janeiro de 2012, Neosoro (descongestionante nasal) aparece encabeçando a lista como o remédio mais vendido no planeta. Porém, atualmente, há quem diga que outro, desta vez empregado para redução dos níveis de colesterol, é o campeão: Lipitor, fabricado pela farmacêutica norte-americana Pfizer. Seu princípio ativo é a atorvastatina.
     
    Importante: há diferença na lista de medicações mais consumidas sem receita médica, e as com prescrição médica, explica Sallem.  “Em vários países do mundo, como nos Estados Unidos e no Canadá, há necessidade da receita para drogas tão comuns como a atorvastina, já que a legislação é mais severa”.
     
    Há também variações entre as nações pesquisadas. De acordo com o site The Richest, as mais comercializadas sem receita, as chamadas OTC, ou over-the-counter (medicações de balcão, em tradução livre) nos EUA são: xarope para gripe (princípio dextrometorfan), descongestionante nasal (hidrocloreto de pseudoefedrina), antialérgico (cetirizina), Nicorette (usado como substituto do cigarro para se parar com o vício), ibuprofeno + relaxante muscular, dimenidrato (para vertigem e tontura), TruBiotics (suplemento probiótico restaurador da flora intestinal bacteriana), vitaminas (suplemento nutricional masculino), codeína (para dor) e comprimidos de cafeína (para pacientes com sonolência excessiva durante o dia).
     
    Soluções a curto prazo
     
    Sobre o ansiolítico Rivotril, Sallem sustenta que se trata realmente de uma das medicações mais consumidas no Brasil, mas não se encontra nas listas das mais usadas no mundo. “Sua fama se deve, entre outros fatores, à propaganda feita sobre o produto, ao conhecimento médico a respeito do mesmo e aos seus efeitos. É usado no tratamento da ansiedade e da insônia, situações comuns entre nosso povo. Seus principais concorrentes são o Lexotan (bromazepam), Frontal (alprazolam) e Olcadil (cloxazolam)”.
     
    Já a obesidade se tornou uma epidemia mundial e preocupa os órgãos de saúde pública, sendo considerada uma doença multifatorial. O aumento da oferta de alimentos processados, o estresse e o sedentarismo estão entre outros fatores causadores do problema. 
     
    “Em geral, as mulheres são consumidoras em potencial de medicamentos para emagrecer, nunca estão satisfeitas com o corpo e desejam sempre perder um ou dois quilos. No Brasil, sendo um país tropical onde existe uma exposição maior do corpo, estar em forma é uma questão de aceitação social”, observa a farmacêutica bioquímica Fernanda Chalabi, com título de especialista em Manipulação Alopática pela Anfarmag (Associação Nacional das Farmácia de Manipulação) e farmacêutica Coordenadora Técnica de Marketing da Farmácia de Manipulação Officilab.
     
    “O Brasil é um dos países onde o consumo de moderadores de apetite bate recordes”, destaca Sallem. Ele lembra que existem três principais grupos de remédios para emagrecer: anorexígenos, sacietógenos e inibidores de absorção de gorduras. Os anorexígenos inibem o apetite, e têm em sua composição substâncias conhecidas como anfetaminas (que podem ser perigosas). O segundo grupo age no estímulo da sensação de saciedade: o indivíduo sente fome, mas com uma porção menor de alimentos fica satisfeito.
    Já o terceiro atua na inibição da absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida, entretanto só ajuda se a pessoa come pouco (se come muito, os 30% que deixam de ser absorvidos podem não ser suficientes para a perda de peso).
     
    “Trata-se de mais uma consequência do estilo de vida atual e de uma sociedade que quer soluções milagrosas e de curto prazo”, destaca o clínico geral Lucas Zambon, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HCSP). “Para controlar a ansiedade e perder peso, por exemplo, o ideal é você mudar seu estilo de vida, adequando sua alimentação e realizando atividade física periódica. O problema é que a maioria ou não quer ou não consegue impor tais alterações em seu cotidiano, optando por uma alternativa que ofereça, supostamente, um resultado mais rápido. Aí, quando querem perder peso, correm para alguma medicação 'facilitadora'”.
     
    Em relação aos 'emagrecedores' de uma maneira geral, há risco de gerarem efeitos colaterais cardíacos, como arritmias, além de predisposição ao desenvolvimento de quadros depressivos ou de psicose, entre outros. “O Xenical é bastante procurado para uso ainda, pois até pouco tempo podia ser comprado sem receita. Recentemente, porém, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) obrigou a necessidade de receita para compra. As vantagens do Xenical são mais do ponto de vista médico, dado o perfil de efeitos colaterais menos graves do que de outros medicamentos utilizados para emagrecer. Seus sinais se referem mais ao próprio trato digestivo, como diarreia, flatulência e dores abdominais”, diz Zambon.
     
    Dependência química
     
    Quando há dependência química, o medicamento começa a fazer parte do metabolismo do indivíduo. “Geralmente, são remédios ou drogas ilícitas que conferem sensação de prazer e bem-estar agindo no Sistema Nervoso Central, mas com grandes danos ao organismo. A retirada de uma droga desse tipo promove sintomas característicos de abstinência e deve ser tratado como doença”, enfatiza Fernanda Chalabi.
     
    Para o neurologista Flávio Sallem, algumas medicações podem se relacionar com algum grau de dependência química, como os opiáceos e opioides (morfina, dolantina e meperidina). Já outras, como antidepressivos, antipsicóticos e esteroides, trazem o perigo de sintomas muitas vezes graves com sua parada abrupta, o que não caracteriza dependência química.
     
    “Não deve ser confundida a dependência com o fenômeno de tolerância, observado com os benzodiazepínicos (famosos 'faixas preta'). Neste caso, com o passar do tempo e uso do fármaco, o paciente vai necessitando de doses cada vez maiores para conseguir o mesmo efeito que antes ocorria com porções menores da medicação. Isso ocorre por alterações químicas na membrana da célula”, afirma Sallem.
     
    Existem dois tipos principais de dependência química: a que se refere a drogas lícitas e a relacionada a drogas ilícitas. “Apesar de ser um aspecto importante, a diferença não é apenas de cunho legal. No caso das drogas lícitas, o efeito entorpecente existe em graus variados, mas tende a ser menor do que o das drogas ilícitas. Como exemplo, dificilmente alguém comete um crime devido ao uso de ansiolíticos (medicações que podem causar dependência com uso prolongado)”, salienta o psiquiatra e professor da Unifesp Moacyr Alexandro Rosa, diretor do Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação (Ipan).
     
    Já o uso de cocaína e similares mais facilmente se incorpora a comportamentos inadequados ou criminosos. “Novamente chamo a atenção de que não é uma questão de legalidade. O álcool (substância lícita) também se associa a atitudes perigosas”, diz Rosa, acrescentando que a automedicação com substâncias que causam dependência é mais rara, pois a compra destas requer receita médica especial. Isso não impede, mas limita bastante o problema.
     
    Problemas emocionais
     
    O indivíduo liga a sensação de conforto ao seu uso e, por isso, deixá-lo provoca quadros de ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração e mal-estar. “É a dependência psicológica agindo, sem dúvida”, diz a bioquímica Fernanda Chalabi. O nível educacional parece ter influência significativa, porém há outros gatilhos.
     
    “Muitas pessoas com nível elevado têm o hábito da automedicação. Achar que a pessoa que atende na farmácia sabe diagnosticar e orientar é um erro gravíssimo. Muitas vezes nem é farmacêutico e, mesmo este, apesar de seu conhecimento em farmacologia, não tem formação médica”, alerta Rosa.
     
    Importante: existe um quadro psiquiátrico clássico chamado de hipocondria, no qual as pessoas acreditam ter uma doença grave. “Nestes casos, pode haver automedicação ou não. Muitas vezes, procuram diversos médicos, pois nenhum consegue 'descobrir' sua doença”, afirma Rosa.
     
    Fernanda Chalabi completa dizendo que, num país carente como o nosso, com saúde pública deficiente e planos de saúde caros e sem padrão de atendimento, o estado psicológico é muito importante. “É como se as condições do paciente melhorassem só porque ele está 'tomando alguma coisa'. É o chamado efeito placebo, ou seja, mesmo que o fármaco não seja indicado corretamente ou na dose certa, o simples fato de estar ingerindo já produz um efeito positivo”.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Anvisa esclarece sobre importação de medicamentos sem registro no Brasil

    Anvisa esclarece sobre importação de medicamentos sem registro no Brasil

    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou nesta sexta-feira (4) nota sobre a importação de medicamentos sem registro no Brasil. O comunicado veio um dia depois que a 3ª Vara Federal do Distrito Federal autorizou uma mãe a importar um remédio com princípio ativo do Canabidiol, substância derivada da maconha. O medicamento não tem venda permitida no país.
     
    Segundo a Anvisa, medicamentos sem registro no Brasil podem ser importados por pessoa física. O procedimento é possível por meio de pedido excepcional de importação para uso pessoal. Os pedidos devem ser protocolados na agência, onde serão analisados pelos técnicos que levam em conta aspectos como a eficácia e a segurança do produto e se eles estão devidamente registrados em seus países de origem ou em outros países.
     
    A importação, conforme a  Anvisa, também é possível em relação a medicamentos classificados como substância de uso proscrito, como é o caso da maconha. “A sua importação pode ser solicitada para uso pessoal. Também é possível que uma empresa interessada solicite o registro do produto no Brasil. Nas duas situações, os pedidos são analisados pela área técnica da Anvisa”, informou.
     
    A agência destacou ainda que, até o momento, não registrou nenhum pedido de registro de medicamento com substância proscrita, nem pedido de importação para uso pessoal.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Justiça autoriza uso de derivado de maconha para criança epiléptica

    Justiça autoriza uso de derivado de maconha para criança epiléptica

    O juiz Bruno César Bandeira Apolinário, da 3ª Vara Federal do Distrito Federal, autorizou uma mãe a importar um remédio com princípio ativo do canabidiol, uma das substâncias derivadas da maconha. O medicamento não tem venda permitida no Brasil, e é importado ilegalmente por Katiele Fischer para tratar crises convulsivas da filha, de 5 anos. A decisão ocorre menos de uma semana após o lançamento de uma campanha na internet que ajudou a divulgar o caso. 
     
    Com base na melhora da menina com o tratamento alternativo e com o aval dos médicos, o magistrado decidiu proibir a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de impedir a importação do medicamento. Mas destaca que a decisão só vale para o caso específico.
     
    Na decisão, o juiz ressaltou que ao liberar o uso do canabidiol para a menina, não está fazendo apologia ao uso terapêutico da maconha ou à liberação para qualquer fim, no Brasil. “Neste momento, pelos progressos que a autora [menina] tem apresentado com o uso da substância, com uma sensível melhora na qualidade de vida, seria absolutamente desumano negar-lhe a proteção requerida”,afirmou.
     
    Katiele Fischer é mãe de uma menina de 5 anos, que nasceu com uma doença rara, denominada encefalopatia epiléptica infantil. Desde os primeiros anos de vida, a criança tem dificuldades no desenvolvimento motor, evoluindo com retardo mental. Esgotados os tratamentos convencionais, com indicação médica, os pais recorreram a um tratamento alternativo com uso do canabidiol, substância extraída da planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha.  Com o tratamento, a menina não teve mais crises convulsivas, cuja frequência variava de 30 a 80 vezes por semana.
     
    Apesar do sucesso no tratamento, os pais têm que importar o medicamento ilegalmente dos Estados Unidos, onde o canabidiol é legalizado e usado no tratamento terapêutico de doenças. No Brasil, a Anvisa não permite a comercialização.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Farmanguinhos obtém registro de dois medicamentos estratégicos para o SUS

    Farmanguinhos obtém registro de dois medicamentos estratégicos para o SUS

    O Instituto de Tecnologia de Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Instituto Oswaldo Cruz obteve registros de dois medicamentos considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS): um antirretroviral que associa dois princípios ativos em um único comprimido e é empregado no combate à Aids; e outro para tratamento do excesso de hormônio feminino prolactina, responsável pelo estímulo à produção de leite.
     
    Os dois medicamentos vão atender às necessidades do SUS. O antirretroviral do tipo 2 em 1 combina o fumarato de tenofovir desoproxila com a lamivudina, cada substância com 300 miligramas (mg) na composição. Já o cabergolina, indicado para o tratamento da hiperprolactinemia, tem apresentação de 0,5 mg. Os registros dos dois medicamentos foram publicados no Diário Oficial da União de segunda-feira (31).
     
    A produção dos dois medicamentos é fruto de parcerias de desenvolvimento produtivo pelas quais, enquanto o Farmanguinhos recebe a tecnologia de produção dos medicamentos, uma empresa farmoquímica nacional adquire a tecnologia para a produção do insumo farmacêutico ativo.
     
    A parceria é considerada pela coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, Kátia Miriam, como estratégica para o fortalecimento do setor. No caso do antirretroviral, a pesquisadora disse que a formulação, chamada dose fixa combinada, traz dois grandes benefícios: “Além de melhorar a adesão, já que se trata de dois fármacos em um único comprimido, o custo é mais baixo”.
     
    O antirretroviral será fabricado pela própria Farmanguinhos em parceria com a empresa Blanver. Na avaliação da gerente do projeto de transferência de tecnologia, Maristela Rezende, a produção do 2 em 1 na Farmanguinhos, além de garantir o fornecimento do medicamento para a rede pública de saúde, poderá propiciar uma economia de cerca de R$ 215 milhões aos cofres públicos, ao longo dos cinco anos do acordo.
     
    A produção do cabergolina, por sua vez, resulta de uma parceria de desenvolvimento produtivo envolvendo a Fundação Baiana de Pesquisa Científica, Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), pela qual cada instituto atenderá à metade da demanda nacional. Além de tornar disponível o medicamento na rede pública, a iniciativa contribuirá para descentralizar a produção da indústria farmacêutica para o Nordeste.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Critério para aceitar doação de sangue varia em relação a parceiros sexuais

    Critério para aceitar doação de sangue varia em relação a parceiros sexuais

    Quando uma pessoa vai doar sangue, passa por uma entrevista e responde a perguntas íntimas, como o número de parceiros sexuais com que se relacionou nos últimos meses. Essa medida é determinada pelo Ministério da Saúde e tomada para diminuir ao máximo os riscos de doenças transmitidas para quem receberá o sangue durante a transfusão. Mas os critérios para considerar um candidato apto ou não a doar podem variar nos centros de coleta do país, conforme consulta feita pelo UOL.
     
    Um doador que pode ser considerado apto em Minas Gerais, por exemplo, pode ser barrado no Paraná. Foi por essa situação que Bruno Vangel e um casal de amigos, que prefere não se identificar, passaram ao se candidatarem recentemente à doação de sangue no Hemocentro do Hospital Universitário de Londrina.
     
    O casal, atendido primeiro, passou pela triagem realizada pela médica do hemocentro. De acordo com eles, entre outras perguntas, ambos tiveram que responder se estavam em um relacionamento estável. A resposta foi afirmativa e o casal foi considerado apto para o procedimento.
     
    Com Vangel, no entanto, a situação foi um pouco diferente. Doador de sangue há quase 10 anos, já sabia das condições para doar e se sentia preparado para a coleta. Durante a triagem, a médica perguntou se ele tinha parceira fixa e a resposta foi negativa. Em seguida, questionou se havia tido mais de uma parceira no ano passado. A resposta, nesse caso, foi positiva. Logo em seguida, a médica informou que ele estava inapto para realizar a doação.
     
    Indignado, Vangel questionou a recusa. “A responsável pela triagem me informou que apenas pessoas com parceiros fixos no último ano estariam aptos para a doação. Eu ainda questionei se o número de doadores havia caído, mas ela informou que não, pois a maior parte das pessoas que doam seriam casadas ou possuiriam parceiros fixos”, relata.
     
    O casal que acompanhava Vangel se sentiu incomodado com o critério – afinal, eles estão juntos há apenas quatro meses e, no ano passado, também poderiam ter tido mais de um parceiro. No entanto, isso não foi levado em consideração. Um deles, inclusive, dividiu com a médica a insegurança de ter alguma doença infecciosa, já que havia terminado um casamento recentemente e não tinha certeza se havia sido traído. A médica, ainda assim, o considerou apto.
     
    Tânia Anegawa, diretora do Hemocentro em Londrina, explica que cada instituição tem seu manual de normas e estabelece a quantidade de parceiros considerada de risco para cada doador. “No caso do nosso hemocentro, consideramos que mais de dois parceiros sexuais no período de seis meses torna o indivíduo inapto temporariamente”, esclarece.
     
    Vangel foi considerado inapto em Londrina, mas seria aceito no Centro de Hemoterapia e Hematologia do Rio Grande do Sul (Hemorgs), de Porto Alegre, e na Fundação Hemocentro de Brasília, por exemplo, caso tivesse tido menos de três parceiros sexuais no período de 12 meses.
     
    Já no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), em Curitiba, o candidato que tiver mais de dois parceiros diferentes nos últimos doze meses é considerado inapto temporariamente. Ainda há a ressalva de que a pessoa deve estar com o mesmo parceiro há, no mínimo, seis meses.
     
    O Centro de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba), em Salvador, e o Instituto Brasileiro de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), no Rio de Janeiro, não se baseiam em um número fixo para a quantidade de parceiros. Ambos afirmam utilizar uma triagem rigorosa e, a partir das perguntas e detalhes de cada situação, tornam um candidato apto ou não para a doação.
     
    Por meio de sua assessoria de imprensa, a Fundação Pró-Sangue – Hemocentro de São Paulo, em São Paulo, declarou que prefere não divulgar a quantidade de parceiros ocasionais permitidos, pois pode induzir os candidatos a mentirem durante a triagem. Para eles, é uma questão de segurança que a seleção seja realizada de forma criteriosa e aprofundada.
     
    Legislação e variações
     
    A Portaria 2.712 do Ministério da Saúde, publicada em novembro de 2013, que estabelece os serviços de hemoterapia, torna inapto para doação de sangue, por 12 meses, o candidato que tenha se exposto a determinadas situações, como pessoas que tenham feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas; que tenha feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos; e homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou com as parceiras sexuais destes.
     
    No entanto, a portaria não especifica o número parceiros sexuais por período que é considerado comportamento de risco, explica Sandra Garcia Bueno, psicóloga e responsável pelo núcleo de doadores no Hemorgs, em Porto Alegre (RS). Durante a triagem, o médico responsável precisa investigar o passado desse doador e, assim, julgá-lo apto ou não a doação.
     
    A falta de determinação da quantidade de parceiros gera algumas falhas no sistema de triagem, opina Fausto Trigo, médico hematologista e hemoterapeuta. Para ele, a partir do momento que cada instituição faz sua interpretação sobre o que é comportamento de risco, não há uniformidade na triagem como um sistema. “A legislação brasileira é muito boa, mas alguns pontos polêmicos não são estabelecidos e precisariam ser padronizados. Uniformidade gera esclarecimento”, opina Trigo.
     
    O hematologista considera que o fato de não ter relacionamento estável coloca o candidato numa situação de risco, mas lembra que isso é relativo: “Caso a pessoa seja casada, mas tenha amantes, por exemplo, ela possui um comportamento de risco”.
     
    Já Tânia Anegawa também ressalta que essa liberdade é necessária para que cada unidade adapte a quantidade de parceiros à realidade de cada região brasileira. Essa é uma estratégia, segundo ela, para não reduzir a quantidade de doadores em todo o país.
     
    Janela imunológica
     
    O fator que leva os centros de coleta a questionarem ao status de relacionamento do doador nos meses anteriores à coleta é a janela imunológica. Essa expressão se refere ao período que o organismo leva, a partir de uma infecção, para produzir anticorpos. É por meio deles, no exame de sangue, que se identifica a doença em um paciente.
     
    A diretora do Hemocentro de Londrina acredita que seis meses são suficientes para que eventuais vírus contraídos já tenham se manifestado e possam ser identificados nos exames a que todo sangue coletado é submetido. Mas Trigo ressalta que as janelas imunológicas são variadas para cada tipo de doença.
     
    O uso de preservativo também é algo considerado questionável nos centros de coleta pesquisados pela reportagem. Todos eles consideram que relações com preservativo também são consideradas de risco.
     
    Apesar do uso da camisinha ser estimulado em campanhas de sexo seguro, Anegawa explica que a forma como o preservativo é usado pode ser considerada inadequada. “O uso é questionável porque nem todo mundo coloca a camisinha durante o coito. E nesse momento, já pode haver a contaminação”.
     
    Doações no país
     
    De acordo com o Ministério da Saúde, são coletadas no Brasil cerca de 3,6 milhões de bolsas por ano, o que corresponde ao índice de 1,8% do parâmetro estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entretanto, o Ministério da Saúde trabalha para chegar ao índice de 3%.
     
    Em 2012, com mudança da idade mínima para doação de 18 para 16 anos (com autorização do responsável) e em 2013, da idade máxima de 67 a 69, houve a abertura para 8,7 milhões novos voluntários. 
     
    Fonte: Uol Saúde
     

     

  • A volta do vírus mais letal

    A volta do vírus mais letal

    O surto do misterioso e letal vírus Ebola que já matou 78 pessoas na Guiné é “sem precedentes”, segundo um especialista da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) que trabalha na região.
     
    De acordo com o profissional, o surgimento de focos em diferentes locais do país torna o controle da disseminação muito complicado.
     
    Na última sexta-feira, o vírus chegou à capital, Conacry, uma cidade com dois milhões de habitantes.
     
    É a primeira vez, desde que o vírus foi identificado, em 1976, que o Ebola chega a uma cidade desse porte.
     
    O Ebola provoca uma grave febre hemorrágica que mata em poucos dias, às vezes em algumas horas. Trata-se do agente infeccioso mais letal já enfrentado pelo homem.
     
    Sua letalidade pode chegar assustadores 90%.
     
    No caso desta epidemia, a mortalidade está na casa dos 60% — um percentual, ainda assim, extremamente alto.
     
    — Estamos enfrentando uma epidemia de magnitude nunca vista antes em termos de distribuição dos casos — afirmou o médico Mariano Lugli, coordenador do MSF na Guiné, em entrevista à BBC.
     
    — Do ponto de vista geográfico, essa disseminação é preocupante porque complica demais a tarefa de controlar a epidemia.
     
    PEDIDO PARA NÃO FAZER SEXO Equipes de MSF e da própria Organização Mundial de Saúde (OMS) aumentaram seus efetivos na região, na tentativa de deter a doença.
     
    O surto começou numa região remota do sul do país, Nzerokore, mas as autoridades levaram seis semanas para identificar a doença, que acabou chegando à capital e à vizinha Libéria.
     
    O cantor senegalês Youssou Ndour cancelou um show marcado para sábado, em Conakry. Embora já estivesse no país, ele contou para a BBC que desistiu de se apresentar porque “não era uma boa ideia reunir milhares de pessoas em um local fechado”.
     
    A maioria da população está se mantendo isolada, em casa, com medo da doença.
     
    Números divulgados ontem pelo Ministério da Saúde da Guiné confirmaram 78 mortes em 122 casos registrados como “suspeita de Ebola” desde janeiro — uma taxa de letalidade de 63%.
     
    Deste total, 22 já foram confirmados como Ebola em testes de laboratório.
     
    A Libéria registrou sete casos, incluindo quatro mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
     
    Os primeiros confirmados foram de duas irmãs, uma das quais tinha voltado da Guiné.
     
    O ministro da Saúde da Libéria pediu às pessoas que parem de fazer sexo, de se beijar e mesmo de apertar as mãos, uma vez que o vírus é transmitido por fluidos corporais.
     
    As pessoas vêm sendo alertadas também a não realizarem ritos tradicionais de sepultamento — que incluem a lavagem do corpo do morto — sob risco de contraírem a doença e disseminarem o vírus.
     
    Os sintomas incluem febre alta, fraqueza, dor de cabeça, vômitos, sangramento e problemas renais graves.
     
    Serra Leoa também registrou cinco casos suspeitos, mas nenhum deles foi ainda confirmado.
     
    Por precaução, o Senegal, outro país vizinho da Guiné, fechou sua fronteira terrestre.
     
    A OMS, no entanto, ainda não emitiu alerta de viagem.
     
    Embora o vírus venha aparecendo em surtos ocasionais desde que foi isolado pela primeira vez, em 1976, na República Democrática do Congo, ele ainda é considerado bastante misterioso.
     
    As origens da doença, por exemplo, permanecem desconhecidas.
     
    Tampouco há uma terapia específica para combatêlo. E os motivos que levam à deflagração dos surtos ainda são pouco conhecidos.
     
    Novas linhagens surgiram recentemente.
     
    A última grande epidemia de Ebola aconteceu em 2007-2008 na República
     
    Democrática do Congo.
     
    À época, 187 das 264 vítimas morreram, uma taxa de mortalidade superior a 70%.
     
    VÍRUS É CONSIDERADO ARMA BIOLÓGICA
     
    Na mesma ocasião também houve uma epidemia separada no distrito de Bundibugyo, em Uganda, em que foi identificado o novo subtipo que leva o nome da localidade.
     
    Lá, 42 dos 131 doentes morreram.
     
    O Centro de Controle de Doença (CDC) dos EUA mantém um laboratório e um grupo de cientistas em Uganda para estudar o Ebola, além de outros vírus letais e febres hemorrágicas que volta e meia surgem naquela região da África.
     
    O Ebola foi recentemente listado pelo governo americano como uma arma biológica em potencial e uma ameaça.
     
    Fonte: O Globo
  • Cirurgia bariátrica é tratamento mais eficaz contra diabetes em obesos

    Cirurgia bariátrica é tratamento mais eficaz contra diabetes em obesos

    A cirurgia bariátrica, que consiste em restringir a absorção de alimentos, é de longe o método mais eficaz para controlar o diabetes tipo 2 em pessoas obesas ou com sobrepeso – é o que mostra um estudo divulgado nesta segunda-feira (31), que acompanhou pacientes durante três anos.
     
    Cerca de 80% dos 23 milhões de norte-americanos com diabetes também têm sobrepeso ou são obesos, segundo os autores da pesquisa. O estudo clínico foi o mais amplo e de maior duração já realizado, e foi apresentado durante a conferência anual do Colégio Norte-Americano de Cardiologia (ACC), em Washington.
     
    Os 150 participantes, com idades entre 41 e 57 anos no momento do recrutamento, sofriam de diabetes tipo 2 não controlada. O grupo, 66% composto por mulheres, foi dividido aleatoriamente em três sub-categorias.
     
    O primeiro foi submetido a um tratamento médico intenso, que combinava exercícios, dieta e medicação. O segundo recebeu tratamento anti-diabetes e foi submetido à cirurgia de de bypass gástrico, que reduz o estômago em 2 a 3% de seu volume original mediante a criação de uma derivação no trato digestivo para reduzir a absorção de nutrientes pelo intestino delgado.
     
    Por último, o terceiro grupo – além do tratamento com medicamentos – sofreu uma gastrectomia, que consiste numa incisão no estômago para reduzir seu volume.
     
    O objetivo do estudo, batizado “Stampede”, era comparar a eficácia dos três enfoques para o controle do diabetes mantendo uma taxa de açúcar no sangue superior a 6% em média, durante três meses.
     
    Os participantes tinham uma taxa média de glicose de 9,2% antes de começar o estudo.
     
    “Diabesidade”, uma verdadeira epidemia
     
    Três anos após as intervenções, somente 5% dos integrantes do primeiro grupo – tratado apenas com medicamentos – foram capazes de controlar o diabetes, contra 37,5% dos que se submeteram à cirurgia de bypass gástrico e 24,5% daqueles que fizeram a diminuição de estômago.
     
    “Vemos pessoas que tinham a vida devastada pelo diabetes, e três anos mais tarde este estudo mostrou que a cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz, com maiores efeitos positivos duradouros para pessoas com obesidade de grau II e III”, disse Sangeeta Kashyap, endocrinologista da Clínica Cleveland (Ohio, norte dos Estados Unidos), um dos principais autores da pesquisa.
     
    “Mais de 90% dos pacientes submetidos a uma das cirurgias bariátricas conseguiram perder 25% de seu peso e controlar o diabetes sem necessidade de recorrer à insulina ou a múltiplos anti-diabéticos”, explicou.
     
    Em comparação, os participantes do primeiro grupo, tratados apenas com uma terapia convencional, reduziram somente 4% de seu peso.
     
    O estudo mostra também que a cirurgia permite melhorar a qualidade de vida dos pacientes e diminuir a necessidade de tomar medicamentos para controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol se comparados aos tratados com a terapia convencional.
     
    Assim, os participantes submetidos a um procedimento bariátrico tomavam significativamente menos remédios cardiovasculares e contra o diabetes. O estado mental dos voluntários também apresentou uma notável melhora.
     
    Os médicos ressaltam que, apesar dos grandes benefícios, a cirurgia bariátrica não está isenta de riscos, já que pode acarretar em complicações como sangramento, infecção e embolia.
     
    Nenhuma complicação importante foi observada entre as 100 pessoas que foram submetidas a uma intervenção durante o estudo, segundo os autores da pesquisa. Após um ano, os problemas mais frequentes foram sangramentos e desidratação.
     
    A obesidade, que afeta mais de um terço dos adultos nos Estados Unidos, é o principal fator desencadeador do diabetes tipo 2. As autoridades sanitárias falam de uma verdadeira epidemia, à qual deram o nome de “diabesidade”.
     
    Segundo a Associação Norte-Americana de Diabetes, caso a tendência atual continue, um em cada três adultos norte-americanos será diabético em 2050.
     
    O estudo também foi publicado na versão online da revista New England Journal of Medicine.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estados Unidos já testam exames alternativos à colonoscopia

    Estados Unidos já testam exames alternativos à colonoscopia

    Uma das alegrias de se completar 50 anos é que seu médico passará a recomendar uma colonoscopia. Muitas pessoas têm pavor do exame, no qual um tubo é inserido no reto em busca de cânceres e anormalidades que podem prenunciar a doença.
     
    Mesmo assim, a aceitação cresceu tremendamente. Em 2010, 55% dos norte-americanos com idade entre 50 e 65 anos fizeram o exame, quase três vezes a mais do que o índice de 2000, e a cifra foi ainda mais elevada, 64%, entre as pessoas com mais de 65 anos.
     
    Tantos exames parecem estar compensando. A incidência de câncer intestinal em pessoas com mais de 50 anos caiu 30% nos últimos dez anos, e as mortes declinaram, segundo relatório publicado na semana passada pela Sociedade Americana do Câncer.
     
    Índices elevados
     
    A notícia é boa, mas não o bastante, asseguram especialistas. Ainda existe gente demais morrendo: 50.310 devem morrer neste ano, em conjunto com 136.830 novos casos. A incidência e o índice de morte são significativamente mais elevados em negros do que em brancos, por motivos não completamente compreendidos. O menor poder aquisitivo entre os negros parece responder por parte da diferença, mas não por toda.
     
    Essa é uma doença que pode com frequência ser curada quando encontrada nos primeiros estágios. É também um dos poucos tipos de câncer que pode ser prevenido, com o uso da colonoscopia para encontrar e remover crescimentos anormais, chamados pólipos adenomatosos, potencialmente cancerosos. É possível detectar aproximadamente 95% dos cânceres e pólipos grandes por meio da colonoscopia, mas pólipos menores podem ser facilmente ignorados.
     
    Boa parte das mortes acontece em pacientes que não fizeram exames, segundo a Sociedade, a qual estima que perto de 23 milhões de norte-americanos com idades entre 50 e 75 anos não estão sendo examinadas.
     
    Um problema: a colonoscopia é cara, custa centenas ou milhares de dólares, dependendo da remoção dos pólipos e da região dos Estados Unidos em que é realizada. O sistema de saúde pública e alguns planos de saúde pagam o exame por completo, mas não a remoção de pólipos. Às vezes, o paciente recebe uma conta inesperada de centenas de dólares.
     
    A colonoscopia também exige que a pessoa perca um dia de trabalho e a tome fortes laxantes, e o procedimento apresenta riscos reais, ainda que pequenos, de hemorragia ou lesão no intestino.
     
    Com todos esses pontos negativos, a colonoscopia pelo menos não precisa ser tão frequente – somente uma vez a cada dez anos na maioria dos casos, se não forem encontrados pólipos. Quem tiver pólipos ou outros fatores de riscos costuma ser aconselhado a fazer o exame com maior frequência.
     
    Outros exames
     
    Existem outros exames, como os que procuram sangue nas fezes ou examinam a parte baixa do intestino. Porém, não são muito populares, pois é preciso manejar amostras de fezes ou introduzir instrumentos no reto. E esses exames devem ser feitos anualmente, programação que muita gente não segue.
     
    No entanto, os médicos acreditam que se mais métodos se tornarem disponíveis, mais pessoas encontrarão um exame que possam tolerar.
     
    Na semana passada, um estudo sobre um novo tipo de exame de fezes foi publicado no “New England Journal of Medicine”. O Cologuard, como é chamado, procura o DNA de células intestinais espalhadas nas fezes em busca de alterações que possam indicar câncer. Caso sejam encontradas anormalidades, recomenda-se que o paciente faça uma colonoscopia.
     
    O objetivo do estudo era comparar o método do DNA com o exame do sangue existente nas fezes, chamado imunoquímico fecal. Aproximadamente 10 mil pessoas com risco médico de câncer intestinal fizeram os dois exames e, em seguida, passaram por uma colonoscopia. Então, os dois foram comparados à colonoscopia.
     
    A colonoscopia encontrou 65 casos de câncer, o de DNA detectou 92% desse total. O exame de DNA também detectou 42% dos 757 pólipos com potencial canceroso encontrados pela colonoscopia. O antigo exame de fezes não se saiu tão bem, detectando 74% dos cânceres e 24% dos pólipos.
     
    Contudo, o exame do DNA teve mais resultados de falso positivo do que o de fezes, somando 13% contra 5% do segundo. Ou seja, 13% dos pacientes saudáveis receberiam um alarme falso e seriam encaminhados à colonoscopia.
     
    Ao contrário do atual exame de fezes, que utiliza uma escova para coletar um pouquinho de fezes do vaso sanitário, o de DNA exige que os pacientes enviem até 300 gramas de fezes ao laboratório. O kit do exame inclui um recipiente ajustável à abertura do assento do vaso.
     
    “Não tem como errar”, afirmou Kevin Conroy, presidente da Exact Sciences, fabricante do Cologuard.
     
    Não disponível
     
    O exame ainda não está disponível, mas um grupo de consultores da FDA, agência norte-americana reguladora de alimentos e medicamentos, ficou de avaliá-lo e votar sua aprovação. Esse grupo também vai analisar um exame de sangue capaz de detectar 70% dos cânceres de cólon. A decisão final da FDA sairá num instante posterior.
     
    O médico Robert A. Smith, diretor de controle do câncer da Sociedade Americana do Câncer, disse que o exame de DNA das fezes é uma boa ideia porque as pessoas precisam de todas as opções possíveis. A entidade e outros institutos de saúde anunciaram uma campanha para aumentar o índice de exame de 50% para 80% até 2018, e Smith afirmou que a ideia de um novo tipo de exame poderia ajudar.
     
    Porém, o médico David A. Rothenberger, chefe de cirurgia da Universidade do Minnesota, mostrou-se preocupado com o fato de o teste de DNA só ter encontrado 42% dos pólipos. Segundo ele, a grande vantagem da colonoscopia é a capacidade de impedir o câncer por completo ao encontrar os pólipos que, então, podem ser removidos.
     
    Às vezes, o índice de detecção geral de um exame pode ser aumentado se ele for realizado com certa frequência, por exemplo, uma vez por ano, o que é recomendado no exame de fezes normal. Porém, o intervalo ideal entre exames do Cologuard não é claro. O preço também não foi definido, mas pode ficar ao redor de US$ 500, disse Conroy. O exame de fezes comum custa US$ 25.
     
    Mesmo que o novo exame seja aprovado, ele não substituirá a colonoscopia nem o presente exame de sangue, o qual as pessoas podem preferir por ser mais barato e por exigir uma amostra bem menor.
     
    Todos os resultados positivos no teste de DNA serão encaminhados à colonoscopia. E esta será recomendada para pessoas com risco elevado por causa de histórico familiar, pólipos já encontrados ou outros problemas, disse Smith.
     
    Fonte: Uol Saúde