Turbinagem celular cura doença autoimune

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Uma nova técnica de turbinagem de células fora do organismo pode ser a cura de doenças autoimunes, condição em que o organismo é atacado pelo próprio sistema imunológico.
 
A novidade está em um estudo realizado na Universidade da Pensilvânia (EUA) e publicado recentemente pela revista científica “Science”. Nas doenças autoimunes, as células de defesa passam a reconhecer componentes do próprio organismo como patógenos e atacá-los. Os tratamentos atuais requerem supressão de toda a imunidade, deixando o organismo suscetível a infecções.
 
O estudo foi baseado em uma doença chamada pênfigo vulgar, que causa bolhas na pele e nas mucosas (como boca e garganta), e que pode levar à morte. No Brasil, existe um tipo de pênfigo, conhecido como “fogo selvagem”.
 
Os pênfigos são doenças causadas pela alteração de um subgrupo de linfócitos B que, durante a condição, produzem anticorpos contra uma proteína que funciona como “cola”,a desmogleína. A consequência é o descolamento de porções da pele, fazendo com que apareçam as bolhas.
 
Com a nova técnica proposta, os pesquisadores reprogramam um grupo de linfócitos T para que eles reconheçam e eliminem especificamente as células B anormais. Dessa forma, o sistema imunológico passa a corrigir suas próprias falhas.
 
O tratamento para pacientes com doenças autoimunes ainda deve demorar para ser aplicado na prática. No estudo, a técnica foi testada apenas em camundongos.
 
“Nossa próxima meta é usar essa tecnologia para curar o pênfigo em cachorros”, diz uma das autoras da pesquisa, Aimee Payne. Poucos animais, além dos humanos, desenvolvem a doença.
 
“Se nós pudermos tratar e potencialmente curar esses cães, será um importante avanço na medicina veterinária, e também irá encorajar médicos e pacientes a fazerem testes clínicos dessa promissora técnica”, afirma.
 
Payne diz que, caso a tecnologia se mostre eficaz, poderá ser utilizada como tratamento para qualquer doença autoimune mediada por anticorpos. Ela cita como exemplos a miastenia grave (fadiga acelerada nos músculos) e a neuromielite óptica (inflamação do nervo óptico).
 
Fonte: Folha de S.Paulo

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