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  • Cura da hepatite C pode estar próxima

    Cura da hepatite C pode estar próxima

    Adotado desde novembro em Porto Alegre, um novo medicamento contra hepatite C está revolucionando o tratamento da doença, com índices de cura acima de 90% em nível mundial. Hoje, Dia Mundial de Combate à Hepatite, o número de pacientes é tímido – dos 6 mil atendidos no Serviço de Atendimento Especializado (SAE-Hepatites) de Hepatites Virais da Capital, apenas 300 estão sendo tratados com o novo remédio. A perspectiva, contudo, é aumentar a oferta, conforme disponibilização do Ministério da Saúde.
     
    Os primeiros lotes vieram em novembro, mas a maior remessa chegou em março para o Rio Grande do Sul. “Em pouquíssimo tempo, conseguimos inserir 300 pacientes no novo tratamento, que pertence à classe de agentes antivirais diretos. São medicamentos muito superiores aos usados anteriormente, mais seguros, com menos efeitos colaterais e a possibilidade de encurtar o tempo de tratamento de um ano para três meses”, destaca Eduardo Emerin, coordenador do SAE-Hepatites. No Estado, há de 3 mil a 4 mil pessoas em tratamento ou aguardando liberação da nova medicação.
     
    O novo tratamento é oferecido gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, só beneficia pessoas com casos mais avançados da doença. Ao contrário do anterior, esse remédio pode ser usado em quem passou por transplante de fígado. O médico precisa prescrever o medicamento e o Estado autorizar. Nesse processo, são avaliadas as características específicas do paciente.
     
    Ainda não há dados oficiais sobre o resultado dos medicamentos nos pacientes de Porto Alegre, pois a grande maioria começou o tratamento em março e encerrou em junho. Entre julho e setembro, será feito um monitoramento para averiguar se a hepatite C está curada. Porém, como os remédios já são utilizados em outras partes do mundo, se sabe que a taxa de cura é de mais de 90%. “Antes, tínhamos uma média de cura de 40% e muitos efeitos colaterais”, recorda o coordenador do SAE-Hepatites.
     
    Segundo Emerin, a maior parte das pessoas será curada de hepatite C, portanto o medo daquele tratamento tradicional, longo, cheio de efeitos colaterais e até mesmo com risco de morte será perdido. “As pessoas precisam procurar os postos de saúde para fazer o teste da hepatite C. O grande problema, hoje, é que a maioria dos pacientes não sabe que tem a doença e acaba descobrindo apenas quando se agravam os sintomas e já avançou para cirrose ou câncer de fígado”, observa. A estimativa é que uma em cada 100 pessoas tenham hepatite C.
     
    A doença é silenciosa, normalmente sem sintomas. A hepatite C é a segunda maior causa de cirrose, sendo a primeira a ingestão de bebidas alcoólicas.
     
    Fonte: Jornal do Comércio Online (RS)
  • Comitê internacional diz que sarampo está eliminado no Brasil

    Comitê internacional diz que sarampo está eliminado no Brasil

    Após enfrentar um surto de sarampo no Ceará em 2015, o Brasil completou neste mês um ano sem novos casos da doença, informou a Opas/OMS (Organização Pan-Americana de Saúde) nesta terça-feira (26). Com isso, a circulação do sarampo foi considerada interrompida no país.
     
    A vacinação, no entanto, continua sendo necessária e recomendada como principal estratégia para evitar uma reintrodução da doença no Brasil.
     
    A análise sobre a eliminação do sarampo foi feita durante visita da presidente do Comitê Internacional de Avaliação e Documentação da Eliminação do Sarampo, Merceline Dahl-Regis. Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é que o país receba até o fim deste ano um certificado internacional da OMS (Organização Mundial de Saúde) que reconhece o fim da transmissão do sarampo em todo o continente americano.
     
    O certificado, porém, já era esperado desde o ano passado. Mas um surto da doença no Ceará, iniciado a partir de um caso importado (adquirido em outro país), atrasou os planos e colocou o governo em alerta. Ao todo, houve 1.052 casos confirmados de sarampo em 38 municípios do Estado entre dezembro de 2013 e julho de 2015, segundo a secretaria estadual de Saúde. A situação exigiu uma força-tarefa emergencial em conjunto com entidades de saúde para intensificar a vacinação nas áreas de maior transmissão.
     
    Desde julho de 2015, o país não registra novos casos. Segundo o ministério, o país vinha tendo forte redução dos casos de sarampo desde os anos 2000, quando iniciou um plano para eliminação da doença e teve os dois últimos surtos autóctones (com transmissão local), no Acre e Mato Grosso do Sul. Em 2013, no entanto, casos importados levaram a novos surtos locais da doença no Pernambuco e no Ceará. O Ministério da Saúde diz considerar que foram surtos “isolados” e diz que, na época, já havia sido constatada a interrupção da transmissão no restante do país.
     
    Para o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), o anúncio da eliminação do sarampo é uma notícia a ser comemorada, porque mostra a eficácia das políticas de vacinação em grande parte do país nos últimos anos. Ele ressalta, no entanto, que a população não pode descuidar da proteção.
     
    “Essa declaração por si só não isenta ninguém de se vacinar”, reforça. “Nesse mundo globalizado, com tantas viagens, a reintrodução da uma doença é fácil. Se deixa parte da população desprotegida e se vem um indivíduo de fora com a doença, encontra aqui um `pool` de suscetíveis capaz de fazer com que o vírus volte a circular. Isso só aumenta a responsabilidade de manter o Brasil como zona livre do sarampo. Isso não nos deve deixar relaxados. Temos que manter altos índices de cobertura vacinal”, completa.
     
    VACINAÇÃO
     
    Apesar do reconhecimento do fim da transmissão da doença no Brasil, surtos de sarampo ainda ocorrem em outros países do mundo, segundo o Ministério da Saúde.
     
    Com isso, o país terá agora o desafio de manter as estratégias de prevenção e controle da doença para sustentar o fim da transmissão. Hoje, a vacina contra o sarampo faz parte do calendário de imunização no SUS e é ofertada em duas doses, uma aos 12 meses e outra aos 15 meses. Quem não recebeu a vacina nesse período deve ir a uma unidade de saúde para receber a proteção. “Adultos que não receberam também podem e devem ser vacinados”, diz Kfouri.
     
    A Opas/OMS também recomenda que turistas e atletas que venham para eventos como a Olimpíada se vacinem contra o sarampo e rubéola pelo menos duas semanas antes de viajar. A medida, além da proteção ao turista, visa evitar novos casos importados de sarampo no Brasil.
     
    O sarampo é uma doença viral aguda grave e altamente contagiosa. Os sintomas mais comuns são febre alta, tosse, manchas avermelhadas, coriza e conjuntivite. A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de secreções expelidas pelo doente ao tossir, falar ou respirar.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Palestra sobre PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA IBRAS

    Palestra sobre PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA IBRAS

    O IBRAS e o CRF-AL convidam todos a participarem da palestra sobre PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA.
     
    Será fornecido CERTIFICADO de participação.
     
    Palestrante: Prof. Antônio Mendes
     
    Data: 22/07/2016
    Horário: 19h às 22h
    Local: CRF-AL
    Contato: I-BRAS: (42)99926668
             João Neto: (82)996039110
     
    Entrada: 1Kg de alimento não perecível
  • Inscrições para pesquisas sobre o Zika são prorrogadas até 10 de agosto

    Inscrições para pesquisas sobre o Zika são prorrogadas até 10 de agosto

    O prazo para pesquisadores e cientistas inscreverem projetos que contribuam na prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções causadas pelo vírus Zika e doenças correlacionadas foi prorrogado até o dia 10 de agosto. O edital prevê no total R$ 65 milhões para o desenvolvimento de estudos em nove linhas de pesquisas relacionados ao assunto.
     
    As inscrições estão abertas desde o dia 10 de junho e encerrariam nesta segunda-feira (25). Com a alteração, a data da divulgação dos resultados no Diário Oficial da União e na página do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) será a partir do dia 4 de outubro. Já a contratação das propostas aprovadas será realizada a partir de 18 do mesmo mês. Os projetos serão financiados dentro de três faixas de recursos: até R$ 500 mil, de R$ 500 mil até R$ 1,5 milhão e de R$ 1,5 milhão até R$ 2,5 milhões.
     
    O edital é uma parceria entre os ministérios da Saúde; da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e Educação, que destinaram, respectivamente, R$ 20 milhões; R$ 15 milhões e R$ 30 milhões. O recurso faz parte das ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia, lançado pelo Governo Federal em dezembro de 2015.
     
    Para participar, os pesquisadores devem encaminhar os projetos pelo site do CNPq juntamente com o Formulário de Propostas online, disponível na Plataforma Carlos Chagas. O projeto deve estar inserido dentro de uma das nove linhas temáticas de pesquisas relacionadas ao vírus Zika. São elas: desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas; desenvolvimento e avaliação de repelentes e de imunobiológicos; inovação em gestão de serviços em saúde; imunologia e virologia; epidemiologia e vigilância em saúde; estratégias para controle de vetores; desenvolvimento de tecnologias sociais e inovação em educação ambiental e sanitária, além de Fisiopatologia e clínica. Os estudos devem ser concluídos dentro do prazo de 48 meses.
     
    PESQUISAS – Até o momento, o Ministério da Saúde já se comprometeu com cerca de R$ 130 milhões para o desenvolvimento de vacinas, soros e estudos científicos para as doenças causadas pelo Aedes aegypti.
     
    Também foram liberados R$ 11,6 milhões para o desenvolvimento de vacina contra o vírus Zika pela Fiocruz. Do total, cerca de R$ 6 milhões (US$ 1,5 milhão) serão destinados para projetos de cooperação bilateral para pesquisas sobre o vírus Zika e microcefalia entre a Fiocruz e o National Institutes of Health (NIH). Os outros R$ 5,6 milhões serão para o desenvolvimento da vacina contra o vírus Zika.
     
    Outra pesquisa para a vacina contra Zika está em desenvolvimento pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) em parceria com a Universidade Medical Branch do Texas, Estados Unidos. Os testes pré-clínicos (em primatas e camundongos) foram antecipados e serão realizados já em novembro deste ano. O estudo conta com o investimento de R$ 10 milhões.
     
    Para financiamento da terceira e última fase da pesquisa clínica da vacina contra a dengue do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde investirá R$ 100 milhões. Desse total, R$ 66 milhões já foram encaminhados ao instituto. O restante será transferido no mês de agosto.
     
    RENEZIKA – Lançada em maio deste ano, a Rede Nacional de Especialistas em Zika e doenças correlatas (Renezika) já conta com mais de 100 especialistas nacionais e internacionais. Os grupos de trabalho têm contribuído, por exemplo, na definição da Síndrome Congênita associada à Zika, na elaboração de diretrizes para estimulação precoce das crianças acometidas, bem como na avaliação de tecnologias diagnósticas e de controle do vetor. A expectativa é que as lições aprendidas com o vírus também levem a respostas rápidas e eficazes às futuras ameaças.
     
    Por Victor Maciel, da Agência Saúde
    Atendimento à Imprensa
    (61) 3315-3174 / 3580 / 2351 / 2745
     
    Fonte: Agência Saúde
  • Substância conhecida como pílula do câncer é testada em seres humanos

    Substância conhecida como pílula do câncer é testada em seres humanos

    Começaram nesta segunda-feira (25), em São Paulo, os primeiros testes em seres humanos da polêmica pílula do câncer. Os primeiros resultados ainda vão demorar mais de seis meses para sair. 
     
    Dez pacientes, com tumores diferentes vão receber três doses diárias da pílula durante dois meses. Se os pacientes não tiverem efeitos colaterais, o grupo vai ser ampliado com mais 200 voluntários. Se em cada grupo, pelo menos três doentes apresentarem resultados positivos, acrescenta-se mais 80 em cada grupo e vai ampliando, podendo chegar a um máximo de mil voluntários.
     
    O anúncio do início dos testes em humanos foi feito na semana passada. “Pretende-se dar todas as chances de a droga mostrar eficiência. Por exemplo, ela pode não ser eficiente num câncer de mama, mas pode ser num melanoma, pode não ser num melanoma, mas pode ser num câncer de pulmão”, fala o secretário de Saúde de São Paulo, David Uip.
     
    “Respeito a opinião dos colegas que acham que talvez não se devesse levar adiante o estudo, mas eu acho que o investimento é muito pequeno em relação ao ganho total para a sociedade, quer seja o produto benéfico ou não”, explica presidente do Instituto do Câncer, Paulo Hoff.
     
    A fosfoetanolamina é uma substância que está sendo produzida em laboratório desde a década de 1980, por um pesquisador aposentado, da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos. A droga já foi testada em animais de pequeno porte. 
     
    Em uma pesquisa tradicional, a próxima etapa deveria ser o teste em animais de grande porte. Só depois, em seres humanos. Mas várias pessoas entraram na Justiça para receber a pílula do câncer, mesmo sem testes. Os pesquisadores dizem que mais de 20 mil pessoas já consumiram a droga.
     
    Mesmo se tudo der certo, os pesquisadores não arriscam fazer uma previsão de quando a pílula vai para o mercado. “É fácil saber quando uma coisa não funciona. A gente sabe num período mais curto, mas quando ela é eficiente, você precisa saber o tempo de uso de de acompanhamento para saber que de fato foi eficiente”, fala a diretora de oncologia, Pilar Diz.
     
    Fonte: G1 – Jornal Hoje
  • Zika pode afetar

    Zika pode afetar

    Dezenas de milhares de bebês podem nascer com os severos transtornos associados ao vírus da zika durante a atual epidemia na América Latina e no Caribe.
     
    No total, 93,4 milhões de pessoas podem ser infectadas com o vírus da zika durante a atual epidemia, entre elas 1,65 milhão de mulheres grávidas, segundo o estudo publicado nesta segunda-feira (25) pela revista “Nature Microbiology”.
     
    Um total de 80% das infecções são benignas ou passam inadvertidas, destacam os autores. No entanto, advertem que “dezenas de milhares” de recém-nascidos podem sofrer com as malformações associadas ao zika, ou seja, microcefalia e outros transtornos neurológicos.
     
    Estas previsões constituem um teto, ou seja, o pior dos cenários possíveis. Alex Perkins, pesquisador da Universidade de Notre Dame (Indiana), admitiu que suas estimativas apresentam uma quantidade enorme de incertezas.
     
    Segundo elas, o Brasil lidera a quantidade de infectados previsíveis com 37,4 milhões de pessoas, seguido por México (14,9 milhões), Venezuela (7,4), Colômbia (6,7), Cuba (3,7), Haiti (2,9), Argentina (2,7), República Dominicana (2,6) e outros 15,6 milhões divididos por outros países da região.
     
    “A principal preocupação com o surto da zika na América Latina é o dano causado aos fetos quando as mães são infectadas”, comentou Jimmy Whitworth, da Escola de Medicina Tropical de Londres. “Esse estudo utiliza modelos informáticos para concluir que 1,65 milhão de grávidas podem se infectar durante esta epidemia”.
     
    Estima-se que atualmente há 5,42 milhões de gestações anuais em todas as regiões afetadas.
     
    DESAFIOS
     
    Até o momento, 1.700 casos de microcefalia associada ao vírus da zika foram comprovados no Brasil. O estudo fornece um panorama prospectivo de propagação da doença, examinando seu provável impacto em níveis muito localizados, em zonas delimitadas a cinco quilômetros quadrados.
     
    “Esse estudo ressalta o tamanho do desafio que a epidemia do vírus da zika representa à sociedade e aos serviços sociais da América Latina. Todos estes recém-nascidos afetados e seus familiares precisarão de acesso a cuidados”, comentou Whitworth.
     
    O vírus, que se propagou no Brasil, na Colômbia e no Caribe desde o fim de 2014, essencialmente através da picada do mosquito Aedes aegypti, provoca na maioria dos casos uma infecção leve.
     
    Mas quando a infecção ocorre durante a gravidez pode afetar o cérebro do feto e provocar microcefalia.Também pode causar transtornos neurológicos, como a síndrome de Guillain-Barré, doença que provoca paralisia e que pode causar a morte do paciente. Não existe até o momento nenhuma vacina contra o vírus da zika, que com menor frequência também pode ser transmitido sexualmente.
     
    DADOS
     
    Para realizar sua inquietante previsão, os pesquisadores levaram em conta especialmente a imunidade adquirida pela população, que inicialmente era totalmente vulnerável à infecção. Essa “imunidade de grupo” ocorre quando a quantidade de pessoas imunizadas supera certo patamar e atua como uma barreira contra o vírus em nível coletivo.
     
    Os autores do estudo utilizaram projeções matemáticas para analisar os dados reais de infecção da população graças a testes sanguíneos, se inspirando nas informações arrecadadas em epidemias anteriores de dengue e `chikungunha”:http://temas.folha.uol.com.br/aedes/chikungunya/chikungunya.shtml#s04e01.
     
    A epidemia atual do vírus da zika deve se extinguir em dois ou três anos na América Latina e no Caribe, segundo um estudo britânico publicado pela “Science”. Outra epidemia de grande amplitude pode voltar a aparecer, mas não antes de dez anos, atingindo uma geração que nunca tenha sido exposta ao vírus.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Proteção contra o Alzheimer pela flora intestinal

    Proteção contra o Alzheimer pela flora intestinal

    Os antibióticos surgem como um potencial caminho para o enfrentamento ao Alzheimer. Em um experimento com ratos, cientistas dos Estados Unidos detectaram que o medicamento diminuiu o acúmulo da proteína beta-amiloide, ligada ao desenvolvimento da doença neurodegenerativa em humanos. Para os estudiosos, alterações na flora intestinal provocadas pela ação do remédio seriam responsáveis pelo benefício. A afirmação reforça as recentes evidências da relação estreita entre a microbiota e o cérebro.
     
    “Estamos explorando bastante esse território, a forma como o intestino influencia a saúde do cérebro. Essa é uma área em que as pessoas que trabalham com doenças neurodegenerativas têm se interessado cada vez mais porque ela pode influenciar a estrada que percorremos em busca de tratamentos”, explicou, em comunicado à imprensa, Sangram Sisodia, professor de neurociências da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo, divulgado na última edição da revista Scientific Reports.
     
    Na análise, os cientistas focaram em duas substâncias relacionadas ao Alzheimer: a amiloide, uma proteína presente no cérebro; e a microglia, um conjunto de células cerebrais que desempenham funções essenciais no sistema imunológico e no sistema nervoso central e que, para especialistas, está relacionado ao declínio cognitivo causado pela doença. Ratos receberam altas doses de antibióticos ao longo de seis meses e um grupo de controle, não. Depois, uma análise genética de bactérias presentes no intestino das cobaias mostrou que a quantidade de micróbios presentes era praticamente a mesma em todas elas, mas a diversidade da flora intestinal das tratadas com o medicamento tinha subido drasticamente.
     
    Os antibióticos também diminuíram o acúmulo das proteínas amiloides na cobaias e aumentaram a atividade da microglia, o que significa uma defesa maior do corpo contra a doença neurodegenerativa. Os cientistas acreditam que as alterações detectadas podem servir de base para futuras descobertas ligadas ao Alzheimer. “Não propomos que o uso a longo prazo de antibióticos seja um tratamento, o que é absurdo por diversas razões, mas o que esse estudo faz é nos permitir explorar ainda mais essa área, já que mudar a população microbiana do intestino mostrou, em camundongos, uma queda de amiloide”, ressaltou, em comunicado, Myles Minter, pesquisador no Departamento de Neurobiologia da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo.
     
    Sisodia ponderou ainda que o Alzheimer começa a alterar o organismo no paciente por muito tempo, ultrapassando etapas da vida. “Nós sabemos que há mudanças que ocorrem no cérebro e no sistema nervoso central de 15 a 20 anos antes do surgimento dos sintomas. Temos de encontrar formas de intervir quando um paciente começa a mostrar sinais clínicos. Se pudermos aprender como as mudanças nas bactérias do intestino afetam o início e a progressão ou como as moléculas interagem com o sistema nervoso, poderíamos usar essa base para criar um tipo de medicina personalizada”, cogitou.
     
    Outros desafios
     
    Para Cláudia Barata Ribeiro, neurologista do Hospital Prontonorte, em Brasília, e presidente da regional do Distrito Federal da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), o trabalho norte-americano utiliza informações conhecidas na área médica para buscar mecanismos que possam ajudar a combater o Alzheimer. “A alteração da microbiota pelo uso de antibióticos é algo que sabíamos. O grande ponto de destaque desse trabalho é a constatação da diminuição de placas amiloides, que seguem solúveis no cérebro sem causar problemas, mas, quando se acumulam, podem interferir nas sinapses, estando associadas, assim, ao Alzheimer e a outras doenças neurodegenerativas. Outros medicamentos foram criados com o objetivo de diminuir essas placas, mas nenhum deles funcionou bem”, detalhou.
     
    Segundo Cláudio Roberto Carneiro, coordenador de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN), um dos passos decisivos é descobrir o mecanismo que leva à alteração na flora intestinal pelo medicamento testado pelos norte-americanos. “O objetivo seria criar um remédio que não causasse efeitos colaterais, como o antibiótico em excesso. Os próprios autores frisam o quanto ele não é uma opção de tratamento. Trata-se de uma hipótese que precisa de mais aprofundamento, de muito mais pesquisas”, defendeu o especialista.
     
    Para Carneiro, o estudo norte-americano tem que ser visto como mais uma tentativa de entender melhor como a doença de origem desconhecida pode ser tratada. “O acúmulo de amiloide é realmente maior em pacientes que sofrem com Alzheimer, mas temos pessoas com essa substância em excesso que tem uma memória boa. Muitos especialistas também têm relacionado o Alzheimer com o acúmulo de glicose, que pode estar associado ao diabetes tipo 3. Resumindo, ainda precisamos saber muito mais sobre essa enfermidade para combatê-la com sucesso.”
     
    A neurologista Cláudia Barata Ribeiro indica algumas áreas que merecem investigação. “Outro ponto a ser explorado é como essas placas interferem no organismo. Isso porque essa proteína precisa se conectar a um receptor para que o efeito negativo ocorra, independentemente da sua presença. O foco precisa estar também na interação entre eles, precisamos conhecer todos os mecanismos envolvidos”, listou.
     
    Os autores do trabalho darão continuidade à pesquisa e acreditam que uma análise científica mais ampla do funcionamento do organismo humano possa render ainda mais frutos. “Ao juntar ideias de áreas que, por muito tempo, foram estudadas separadas, as possibilidades são realmente incríveis”, opinou Minter.
     
    “Não propomos que o uso a longo prazo de antibióticos seja um tratamento, o que é absurdo por diversas razões, mas o que esse estudo faz é nos permitir explorar ainda mais essa área, já que mudar a população microbiana do intestino mostrou, em camundongos, uma queda de amiloide”
     
    Myles Minter, pesquisador no Departamento de Neurobiologia da Universidade de Chicago e um dos autores do estudo.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Pernilongo pode transmitir zika, mostra estudo

    Pernilongo pode transmitir zika, mostra estudo

    Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco detectaram a presença do vírus zika em pernilongos (Culex quinquefasciatus) coletados no Recife. O mesmo grupo já havia provado, com estudos em laboratório, que o Culex – e não apenas o Aedes aegypti – é também capaz de transmitir o vírus. Mas o novo estudo identificou pela primeira vez pernilongos infectados com zika na natureza.
     
    A pesquisa foi coordenada por Constância Ayres, do Departamento de Entomologia da Fiocruz de Pernambuco. De acordo com ela, na região metropolitana do Recife, onde o estudo foi feito, a população do Culex é 20 vezes maior do que a de Aedes.
     
    “Na primeira etapa, analisamos a competência do Culex para replicar o vírus em sua glândula salivar. Os estudos foram feitos em laboratório, em circunstâncias artificiais, analisando desde a infecção do pernilongo até a liberação do vírus em sua saliva. Nesta nova etapa, coletamos o mosquito em campo e identificamos pela primeira vez a espécie infectada pelo zika na natureza”, disse Constância ao Estado.
     
    A coleta dos mosquitos foi feita com base nos endereços dos casos relatados de zika nas cidades do Recife e Arcoverde. A equipe de pesquisadores examinou cerca de 500 mosquitos.
     
    Na etapa de laboratório, os mosquitos foram alimentados com sangue e vírus, permitindo o acompanhamento do processo de replicação do vírus no inseto.
     
    Cada mosquito foi dissecado para a extração do intestino e da glândula salivar. Quando o mosquito se alimenta, de acordo com a cientista, o sangue vai direto para o intestino, onde há a primeira barreira para a infecção. “Depois há a barreira de escape no intestino.
     
    Em seguida, ele deve infectar a glândula salivar, depois escapar e sair pela saliva, para depois ser transmitido”, explicou.
     
    Caso a replicação do zika chegue à glândula salivar, significa que o inseto é potencial transmissor. A partir do terceiro dia após a alimentação artificial, segundo ela, já foi possível detectar o vírus nas glândulas salivares dos pernilongos.
     
    Segundo Constância, serão necessários novos estudos para avaliar o potencial da participação do Culex na disseminação do vírus.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Testes com

    Testes com

    A fosfoetanolamina sintética, também conhecida como “pílula do câncer”, começará a ser testada em seres humanos pela primeira vez a partir de segunda-feira, em São Paulo.
     
    Na primeira fase da pesquisa, dez pacientes com câncer serão avaliados. Se não forem detectados efeitos colaterais graves, mais 200 pessoas serão igualmente distribuídas entre dez grupos de tipos diferentes de tumor. Serão, então, 21 participantes por grupo, que devem começar tomando três comprimidos ao dia. A equipe envolvida nos testes acredita que em seis meses poderá atestar a eficácia da pílula.
     
    Os pacientes escolhidos serão convocados até hoje e já estavam cadastrados para fazer tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Não participarão pessoas em fase terminal da doença nem em tratamento com quimioterapia, para que o sistema imunológico esteja intacto.
     
    Ao lado do secretário estadual de Saúde, David Uip, e do vice-presidente do Instituto do Câncer, Paulo Hoff, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou o início dos testes e afirmou que espera, com o início das pesquisas, uma redução no número de liminares e mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça para distribuir o composto a pacientes.
     
    Conforme O GLOBO antecipou na edição de ontem, o governo de São Paulo já recebeu cerca de 800 mandados judiciais determinando a distribuição da substância a pacientes com câncer.
     
    O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações vem financiando estudos sobre a fosfoetanolamina na Universidade Federal do Ceará. Os últimos resultados da pesquisa demonstraram que a substância não foi capaz de reduzir tumores em roedores criados em laboratório. Mas testes em humanos ainda não foram realizados.
     
    — Acreditamos que no momento que, se tem mais de 20 mil pessoas que fizeram uso do produto e um grande interesse popular, é uma obrigação que nós resolvamos de uma vez por todas a questão sobre se o produto realmente é eficiente no tratamento do câncer ou não — observou Hoff.
     
    Em dois meses já se terá uma avaliação do resultado. Se de cada 21 pacientes três apresentarem resultado positivo, haverá mais 800 pacientes na segunda fase, ou seja, mais 80 em cada grupo, até que o número chegue a mil. Foram investidos R$ 580 mil na compra das pílulas para os testes.
     
    — Estamos com bastante esperança que isso possa trazer avanços no tratamento das neoplasias — afirmou Alckmin.
     
    Em caso de efeitos colaterais, o teste será reiniciado, diz Hoff. — Se for determinada toxicidade grave, o estudo terá que ser encerrado e voltar um passo atrás para achar a dose de segurança — explicou.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Zika e dengue podem ter interação perigosa

    Zika e dengue podem ter interação perigosa

    Quando se encontram, os vírus da dengue e da zika interagem de maneira perigosa,mostra novo estudo da revista “Science” que fez testes in vitro e em roedores. Os resultados apontam que quem já teve zika pode ter uma infecção de dengue pior que o esperado.
     
    Trata-se do efeito conhecido como potencialização dependente de anticorpos (anti body-dependentnhancement, ou ADE): anticorpos, em vez de neutralizar e promover a aniquilação de um vírus, acabam se ligando a ele de uma forma “frouxa”, permitindo que ele se reproduza sem dificuldades no interior de células do organismo.
     
    Esse fenômeno biológico vem sendo estudado jáhá algum tempo e é uma das explicações mais plausíveis para o aparecimento das febres hemorrágicas em uma segunda (ou terceira ou quarta)infecção pelo vírus da dengue.
     
    Quatro é o número limite de infecções por um motivo: só há quatro subtipos do vírus da dengue (DENV1 a DENV4).Geralmente, há uma predominância de um em cada epidemia, o que não impede que os demais também circulem na mesma época.
     
    A esse notório quarteto de vírus, juntou-se o vírus da zika (ou ZIKV)—até pouco tempo atrás restrito à África e à Ásia. Só há um subtipo dele e ainda não se sabe exatamente como ele entra nessa ciranda dos flavivírus relevantes para a saúde pública. Para entender melhor essa interação, pesquisadores de diversos países estudaram 119 tipos de anticorpo de quatro doadores infectados pelo vírus da zika —dois deles haviam pegado dengue também.
     
    Boa parte dos anticorpos (41) atacou uma proteína não estrutural (chamada NS1) que é produzida por células infectadas pelo vírus da zika enquanto ele tenta driblar o sistema imune. A NS1 funciona como “bomba de fumaça”, enganando o organismo enquanto o vírus se multiplica.
     
    Anticorpos contra essa proteína podem ser úteis em testes diagnósticos que diferenciem dengue de zika. O organismo também produziu anticorpos contra a proteína E, que forma a cápsula de proteína que envolve o vírus.
     
    Em testes in vitro, os cientistas viram que o plasma (fração do sangue onde estão os anticorpos) de pacientes que já foram infectados pelo DENV3 ou pelo ZIKV potencializou a ação do DENV1. Esse seria um indício de que uma infecção prévia poderia significar um risco de uma doença mais severa.
     
    Estudos anteriores já haviam feito testes semelhantes e alertado para essa possibilidade. Desta vez, no entanto, os pesquisadores deram um passo a mais no quesito complexidade ao fazer testes em roedores.
     
    Anticorpos de alto poder de neutralização (particularmente eficazes em se ligar aos vírus), tanto anti zika quanto antidengue, acabaram piorando a doença causada pelo DENV2 nos bichos —que morreram após cinco dias.
     
    VACINA 
     
    A caracterização do efeito de potencialização dependente de anticorpos (ADE) representa mais um obstáculo para os fabricantes de vacinas contra dengue e zika.
     
    Ao deixar um “buraco” na imunidade contra a zika,uma vacina contra os quatro vírus da dengue poderia deixar os imunizados mais predispostos a casos graves de zika, ligada a casos de microcefalia e outras más-formações em bebês, além da síndrome paralisante de Guillain-Barré.
     
    Para Jorge Kalil, professor titular da USP e diretor do Instituto Butantan,o risco dessa potencialização existe, mas isso não invalida a busca da vacina contra a dengue, que está em fase final de estudos no órgão.“Dengue mata muito mais que zika”, diz.
     
    Ele faz a ressalva de que ainda não há estudos que comprovem que esse efeito em humanos. “O raciocínio é lógico, mas, em biologia, tudo tem que ser demonstrado.” Segundo Kalil, a vacina contra a dengue poderia minimizar o risco de uma pessoa, já infectada com o zika, morrer por causa de uma infecção por dengue.
     
    A menor gravidade da infecção por zika justificaria, segundo Kalil,imunizar imediatamente a população contra a dengue assim que houver vacina disponível. “Temos que pensar no nível da saúde pública para saber quem tem risco de ter dengue e quem se beneficiaria mais dessa vacina”, afirma Kalil.
     
    O professor diz ainda que o desenvolvimento das vacinas no país está atrasado por causa da redução de verbas federais. “É muita burocracia para se obter o dinheiro em uma situação de emergência, e sem dinheiro a gente não consegue fazer nada.” A Sanofi Pasteur, empresa que está produzindo a primeira vacina contra a dengue aprovada no país, diz estar preparada para prosseguir com as análises da possível potencialização dos efeitos dos vírus em estudos que serão feitos após a venda da vacina, baseados em relatos.
     
    Estudo indica fim de epidemia em 3 anos
     
    Um estudo publicado na edição da revista “Science” desta quinta (14) diz que a epidemia de zika pode estar a caminho do fim e acabar de vez em três anos.
     
    Os resultados se baseiam nos dados até o momento obtidos de transmissibilidade e de ciclo da doença —o período de infecção dura cerca de 11 dias e pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma.
     
    O fato de muita gente pegar a doença, que pode ser transmitida também por via sexual e transfusão sanguínea, além da picada de mosquitos aedes, pode favorecer o aparecimento do fenômeno “imunidade de rebanho”.
     
    Na Polinésia Francesa, por exemplo, que teve um surto do vírus entre 2013 e 2014, estima-se que 66% da população tenha sido infectada.
     
    Com boa parte das pessoas apresentando anticorpos anti zika (e é possível que qualquer brasileiro tenha tido a doença), essa imunidade de rebanho funcionaria como um escudo, dificultando que mesmo pessoas que nunca tiveram o vírus o adquiram.
     
    Este argumento é o mesmo explorado por algumas pessoas de movimentos anti vacina, comuns nos EUA mas que também existem no Brasil. O problema é que,além de sempre haver algum risco de contágio,quando muitas pessoas confiam apenas na imunidade do rebanho, abrindo mão da própria proteção, as infecções podem encontrar caminhos e se restabelecerem.
     
    O esperado é que a próxima grande epidemia do vírus da zika ocorra em dez anos, por causa da nova geração de pessoas que vai nascer eque ainda não estarão imunizadas contra o vírus.
     
    Para reverter esse cenário, uma possibilidade é o uso de vacinas anti zika, ainda em desenvolvimento. Com a pressão resultante do surgimento de casos de microcefalia e outra más-formações em fetos de mães que tiveram zika, é bastante provável que nos próximos anos —ou seja, antes da provável próxima grande epidemia—as vacinas já estejam disponíveis.
     
    Por outro lado, os autores do trabalho desta cama imprevisibilidade do surto—mesmo tratando-se de um vírus conhecido há 70 anos.
     
    Um destes fatores de imprevisibilidade pode ser o fenômeno El Niño, que bagunça o clima no mundo,aumentando,por exemplo,a temperatura e a quantidade de chuvas na porção sul da América do Sul.
     
    “A escalada do vírus da zika após longo período como uma doença de aparente pequena importância mostra quão pouco nós realmente entendemos sobre a distribuição global de flavivírus família de vírus que abrange os vírus da zika e da dengue e outras doenças transmitidas por vetores”, escrevem os autores.
     
    As chances de permanência (endemia) da zika dependem também da capacidade de o vírus sobreviver em animais que não o homem —estudos brasileiros em macacos mostraram que esse ciclo silvestre é factível no país. Mesmo com a dificuldade de prever pandemias, os autores dizem que é possível melhorar a velocidade para detectar doenças e dar uma resposta a elas.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo