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  • Lotes de Cloridrato de Tramadol, do Laboratório Teuto, e de Metronidazol, da Halex Istar Indústria Farmacêutica foram recolhidos

    Lotes de Cloridrato de Tramadol, do Laboratório Teuto, e de Metronidazol, da Halex Istar Indústria Farmacêutica foram recolhidos

    O Laboratório Teuto comunica o recolhimento voluntário do produto Cloridrato de Tramadol 100mg, solução injetável com 60 ampolas de 2ml (embalagem hospitalar), lote 9069057, fabricado em 06/2015 e válido até 06/2017. A decisão foi tomada devido à identificação de uma ampola do medicamento Furosemida junto ao lote especificado de Cloridrato de Tramadol. Apesar da irregularidade ter sido constatada em apenas uma ampola, a qual já se encontra em posse do Laboratório Teuto, a empresa optou pelo recolhimento, tendo em vista a ocorrência de desvio de qualidade no lote. 
     
    A Halex Istar Indústria Farmacêutica LTDA também comunica o recolhimento voluntário do Metronidazol 5mg/100ml, solução injetável, lote 000009864, com validade até 01/2017. A retirado do lote se deu porque foi identificada uma bolsa de metronidazol dentro de um envelope impresso como ciprofloxacino.
     
    Fonte: Comunicação do CFF
     
  • Fiocruz comprova relação entre zika e doença rara

    Fiocruz comprova relação entre zika e doença rara

    Brasília – A Fiocruz de Pernambuco comprovou em pacientes brasileiros a relação entre zika vírus e a Síndrome Guilliam-Barré (SGB), uma doença autoimune rara que também apresentou aumento atípico nos últimos meses nos Estados do Nordeste. O achado aumenta o sinal de alerta em torno da infecção pelo zika, principal suspeita da epidemia de microcefalia identificada no País. O vírus, que chegou no Brasil este ano, está presente em 18 Estados, incluindo São Paulo e Rio.
     
    “A ligação da síndrome com o vírus é inequívoca”, avaliou o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e responsável pela identificação da chegada do zika vírus no Brasil, Kleber Luz. Questionado, o Ministério da Saúde disse que o assunto está sob investigação.
     
    Os resultados foram obtidos em trabalho feito pela pesquisadora Lúcia Brito, chefe do serviço de neurologia do Hospital da Restauração, de Pernambuco. A análise identificou a presença do zika no líquido espinal e no sangue de sete pacientes que apresentaram a SGB. As suspeitas sobre a relação entre a infecção pelo zika e a síndrome surgiram na Polinésia, quando pesquisadores identificaram um aumento do número de SGB logo depois de uma epidemia da doença.
     
    “A infecção pelo zika, por si só, pode ser branda. Mas ela tem potencial de provocar sérios problemas, tanto para fetos quanto para adultos”, avaliou o pesquisador da Fiocruz e coordenador da análise que comprovou a presença do zika nos pacientes com SGB de Pernambuco, Carlos Brito.
     
    O número de casos de SGB cresceu de forma expressiva no Nordeste do País entre abril e junho, pouco depois que os Estados apresentaram a epidemia de zika. No Rio Grande do Norte, foram 24 casos de SGB – quatro vezes mais do que a média histórica. Em Pernambuco, foram encontrados 130 casos, também um aumento expressivo diante dos indicadores tradicionais. A notificação aumentou ainda no Maranhão e Paraíba, com 14 e seis casos, respectivamente.
     
    Especialistas discutem agora com governo estratégias para tentar acompanhar o impacto da zika e as relações com SGB. Entre as propostas está criar um grupo para identificar, o mais rapidamente possível, primeiros sinais da SGB e encaminhar pacientes para tratamento. A ideia é também organizar um comitê de estudo para avaliar qual a evolução da SGB.
     
    A síndrome Guilliam-Barré afeta em média uma pessoa a cada cem mil habitantes. A reação geralmente ocorre depois de uma infecção provocada por bactéria ou vírus. Em alguns casos, terminada a infecção, o sistema autoimune do paciente sofre uma “pane” e identifica células do organismo como invasora e passa a atacá-las.
     
    O ataque das células de defesa provoca um processo inflamatório e a destruição da bainha de mielina, uma espécie de capa que recobre os nervos periféricos. O resultado é o bloqueio da passagem dos estímulos nos nervos, levando à paralisia.
     
    Um dos primeiros sinais da SGB é a fraqueza muscular, geralmente nas pernas. O processo pode evoluir, atingindo tronco e membros superiores. O maior risco é de a paralisia afetar também músculos respiratórios. A mortalidade da doença é considerada baixa. Uma parcela pequena de pacientes de SGB pode ficar com sequelas. Brito afirma que a maioria dos casos, a recuperação ocorre de forma tranquila. “É um processo longo, que pode levar até 90 dias. Muitos pacientes ficam internados”, contou.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Pílula contra o câncer

    Pílula contra o câncer

    Um editorial publicado nesta terça-feira (24) pela revista Nature, uma das mais importantes publicações científicas do mundo, abordou os riscos da fabricação e distribuição da chamada “pílula do câncer”, desenvolvida pelo Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos (SP). O texto afirma que “a triste verdade é que é pouco provável que a droga seja um milagre”.
     
    O texto ressalta que mesmo que as cápsulas de fosfoetanolamina sintética tenham algum benefício sobre pacientes que lutam contra o câncer, essa eficácia precisa ser comprovada e isso só acontece fazendo testes em humanos (o que não aconteceu ainda). O composto, mesmo sem ter passado pelos testes exigidos legalmente, começou a ser distribuído de maneira gratuita há alguns anos, mas no dia 29 de setembro o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) vetou essa distribuição. Uma batalha judicial se formou. De um lado, pacientes insistindo no uso do produto, de outro, tribunais ora permitindo, ora negando o acesso. O ministério da Saúde decidiu recentemente criar um grupo de trabalho para estudar a pílula, mas orientou as pessoas a não tomarem o composto.
     
    Segundo a revista, a cada dez novas drogas que passam pela primeira fase dos testes clínicos, apenas uma consegue a aprovação do FDA (Food and Drug Administration), agência do governo norte-americano que libera novos medicamentos. Em outras palavras, mesmo com os testes, poucas drogas são aprovadas como efetivas contra o câncer. 
     
    Além disso, para a revista um laboratório de uma universidade não é “nem uma planta farmacêutica, nem uma farmácia” e, por isso, não é obrigado a seguir os protocolos de produção de medicamentos. “Não há nenhuma supervisão para certificar o que está dentro das cápsulas de fosfoetanolamina sintética produzidas na Universidade de São Paulo. Nem os efeitos colaterais do composto nem a sua eficácia são monitorados sistematicamente”. A Nature classifica a situação vivenciada no Brasil de “extrema” e afirma ainda ser um “desrespeito com a importância das medidas de segurança” do processo de produção de medicamentos fornecer um composto desta maneira.
     
    Na semana passada, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou que a fase pré-clínica (aplicação da nova molécula em animais) da fosfoetanolamina sintética será concluída em sete meses, quando o material deverá ser encaminhado para análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Só depois dessa etapa é que a Anvisa vai determinar se o composto será administrado em voluntários humanos, que é a fase 1 do estudo clínico.
     
    SP vai pedir liberação da Anvisa
     
    Mesmo sem os testes em humanos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou nessa segunda-feira (23) que vai solicitar à Anvisa a autorização o uso da substância pelos pacientes até que ela tenha aprovação final do governo federal. O anúncio foi feito durante encontro com o professor Gilberto Orivaldo Chierice, do Instituto de Química da USP de São Carlos, que fabricou e distribuiu o composto por anos, no Palácio dos Bandeirantes.
     
    Alckmin também ofereceu hospitais do Estado, institutos de pesquisa e o laboratório do FURP (Fundação para o Remédio Popular) para auxiliar nas próximas fases dos estudos para a aprovação do uso do fosfoetanolamina sintética em pacientes com câncer.
     
    Fonte: Anvisa
     
  • O câncer em tempos de crise

    O câncer em tempos de crise

    Este mês, além de ser dedicado à conscientização sobre o câncer de próstata, com a estratégia do “Novembro Azul”, é marcado ainda pelo Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil (23) e pelo Dia Nacional de Combate ao Câncer (27).
     
    Discutir a importância de organização das redes pública e privada, a necessidade da prevenção e do diagnóstico precoce é uma das contribuições que a Fundação do Câncer quer trazer para este momento de reflexão.
     
    Em tempos de crise econômica, estados e municípios precisam estar atentos à importância de organizarem suas redes de saúde para oferecerem a prevenção e o diagnóstico precoce de câncer à população. É simples entender.
     
    Tratar pacientes em fase inicial é significativamente menos oneroso do que em estágios avançados da doença. Isso porque o tratamento do câncer, quando o tumor é detectado no início, apresenta resultados muito mais eficientes. E principalmente para o paciente o tratamento é geralmente muito menos agressivo.
     
    Mais do que nunca é necessário cuidar do uso adequado e racional dos recursos da saúde, primeiro porque a detecção precoce permite tratar melhor dos pacientes que apresentarem um diagnóstico de câncer.
     
    Os recursos são finitos, especialmente em cenário de aperto financeiro. Por isso, é preciso planejamento que considere este fator, apontando os grupos de risco e as áreas que necessitam de investimentos prioritários.
     
    Demora-se muito para detectar a doença no país – na maioria dos casos, o paciente é diagnosticado em estágio avançado, muitas vezes com o estado de saúde já agravado. É demorado também o acesso aos procedimentos cirúrgicos, quimio e radioterápicos.
     
    O controle do câncer exige planejamento de longo prazo. Para reverter esse quadro, estados e municípios devem desenvolver planos de atenção oncológica capazes de estruturar a rede de saúde ao longo de pelo menos uma década.
     
    Esses planos têm de definir ações, programas e projetos necessários à implantação de uma política de atenção oncológica em todos os aspectos da educação, promoção à saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, cuidados paliativos, sistemas de informação e regulação assistencial. A Fundação do Câncer desenvolveu metodologia para a elaboração e implementações de planos de atenção oncológica e tem apoiado estados e municípios na sua realização.
     
    O Brasil tinha 23,5 milhões de idosos em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que esse número subirá para 32 milhões em 2025. Em 2055, o país deverá ter maior parcela da população formada por pessoas com 60 anos ou mais do que jovens de até 29 anos.
     
    A preocupação é porque o câncer se manifesta com muito mais frequência entre os idosos. Por isso, a sociedade e o sistema de saúde devem preparar-se para cuidar desta enfermidade com foco nessa faixa etária.
     
    O planejamento oncológico deve levar em conta também o envelhecimento da população para sua base de diagnóstico. Num estado com maior número de idosos, por exemplo, esse estudo aponta metas necessárias para ampliar o diagnóstico precoce e a oferta de equipamentos de saúde. Nos estados com mais jovens, indica ações de prevenção importantes para evitar que o grupo nessa faixa etária desenvolva câncer.
     
    É importante destacar que um quarto da população brasileira (50.261.602 vínculos em setembro de 2015) possui plano de saúde. As operadoras de planos de saúde deveriam desenvolver iniciativas de prevenção e diagnóstico precoce – de forma mais efetiva – visando a controlar o câncer.
     
    Poderiam, por exemplo, realizar o rastreamento e o monitoramento em toda sua carteira de beneficiários para os tipos de câncer mais frequentes, como mama, colo uterino, próstata e cólon-retal.
     
    Neste tempo de crise temos –toda a sociedade– que buscar as melhores alternativas para o enfrentamento dessa doença. Necessita-se urgentemente que o poder público e empresas privadas revisem suas responsabilidades, pactuando ações concretas para a prevenção, a detecção precoce e o acesso rápido ao tratamento do câncer no Brasil.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Dilma monta força-tarefa para evitar que microcefalia se espalhe

    Dilma monta força-tarefa para evitar que microcefalia se espalhe

    Com o aumento dos casos de microcefalia em recém-nascidos no Nordeste, a presidente Dilma Rousseff anunciou nessa segunda-feira (23) a criação de uma força-tarefa em uma tentativa de evitar que o surto se espalhe por outras regiões do país.
     
    Em reunião da coordenação política, a petista anunciou a instalação de um gabinete interministerial para definir medidas emergenciais e pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Castro, que promova reuniões com especialistas e pesquisadores em saúde pública na tentativa de evitar a expansão da doença para o Norte e o Centro-Oeste.
     
    A principal desconfiança do Palácio do Planalto é de que o aumento de casos de malformação do crânio esteja relacionada com o zika vírus, transmitido pelo mosquito da dengue.
     
    O vírus circula atualmente em 14 Estados e, por isso, o governo federal acredita que a tendência é de que o aumento dos casos não fique circunscrito apenas ao Nordeste. Em três meses, 400 casos de microcefalia foram constatados.
     
    Campanha
     
    Em entrevista à imprensa, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, informou ainda que o governo federal lançará campanha informativa, em veículos radiofônicos e televisivos, para orientar a população sobre o aumento da doença e sobre medidas de combate ao mosquito da dengue.
     
    Segundo ele, se for necessário, o governo federal poderá remanejar recursos orçamentários para o Ministério da Saúde para o enfrentamento da microcefalia.
     
    “Não temos de criar nenhuma situação de alarde indevido, mas é ela preocupante e, portanto, a presidente pediu para que o ministro da Saúde tome todas as providências possíveis”, disse.
     
    Fonte: Valor Econômico / Site
  • Anvisa aprova produto biológico novo para tratamento de diabetes

    Anvisa aprova produto biológico novo para tratamento de diabetes

    A Anvisa deferiu o pedido de registro do produto biológico novo Eperzan® (albiglutida). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (23/11). A albiglutida pertence a um grupo de medicamentos chamados de agonistas do receptor GLP-1, que são utilizados para diminuir os níveis de açúcar (glicose) no sangue em pacientes adultos com diabetes tipo 2.
     
    O produto foi aprovado para o tratamento da doença quando a dieta e exercícios sozinhos não proporcionam controle glicêmico adequado em pacientes para os quais o uso de metformina é considerado inapropriado devido a contraindicações ou intolerância. Também possui indicação para terapia combinada com outros medicamentos hipoglicemiantes, inclusive insulina basal, quando estes, em conjunto com dieta e exercícios, não proporcionam controle glicêmico adequado.
     
    Fonte: Portal Anvisa
     
  • Anvisa aprova alteração de norma sobre produtos de degradação em medicamentos

    Anvisa aprova alteração de norma sobre produtos de degradação em medicamentos

    A Diretoria Colegiada (Dicol) da Anvisa aprovou, nesta sexta-feira (20), a alteração da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 58, de 2013. A norma estabelece os parâmetros para a notificação, identificação e qualificação de produto de degradação em medicamentos. As modificações devem ser publicadas em uma nova RDC nos próximos dias.
     
    As alterações foram propostas a partir de questões que surgiram ao longo da discussão da Consulta Pública nº 68, realizada em setembro do ano passado, sobre a publicação de um guia regulatório para obtenção do perfil de degradação, e identificação e qualificação de produtos de degradação.
     
    A nova norma atualiza e harmoniza as terminologias utilizadas, a fim de evitar a realização de testes desnecessários. Também propõe novos prazos de adequação para os produtos registrados, como detalhado abaixo:
     
    23/12/2015 – novos registros, novas concentrações e novas formas farmacêuticas;
    21/12/2017 – Grupo 1: Medicamentos com Mecanismo de ação associado à toxicidade;
    31/12/2019 – Grupo 2: Medicamentos de uso crônico; e
    31/12/2020 – Grupo 3: Restante dos produtos.
     
    O tema é de alta complexidade técnica e contou com a expertise de especialistas de diversas áreas da Anvisa, bem como de pesquisadores do setor regulado que se dedicaram na construção de uma regulação de alto embasamento científico.
     
    Fonte: Anvisa
  • Anvisa autoriza venda de teste para HIV na farmácia

    Anvisa autoriza venda de teste para HIV na farmácia

    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na manhã desta sexta-feira (20) uma resolução que autoriza a venda, em farmácias, de autoteste para detecção do vírus HIV. O modelo é similar aos testes vendidos nas farmácias para detectar a gravidez, em que a pessoa pode fazer o teste sozinha, em casa.
     
    Em geral, os modelos disponíveis de testes caseiros de HIV têm um pequeno bastão para coleta de fluidos da gengiva ou da mucosa da bochecha,usados para diagnóstico. Outros utilizam uma gota de sangue, com um pequeno furo na ponta do dedo. O resultado sai em até 30 minutos. Com a medida, empresas que fabricamos testes podem solicitar registro para venda dos produtos no Brasil, o que não era possível até então. 
     
    Segundo o diretor Renato Porto, a ideia é que o produto funcione como uma “triagem” de possíveis casos de infecção por vírus HIV. Hoje, a estimativa é que 20% das pessoas que vivem com HIV e Aids no Brasil ainda não foram diagnosticadas. “Isso abre a possibilidade para as pessoas fazerem seus testes e, tendo resultado positivo, fazer uma busca mais detalhada. A descoberta o quanto antes possível do HIV é importante para o tratamento”, diz Porto.
    A discussão sobre a liberação da venda de autoteste de HIV, porém, tem sido alvo de polêmica em diversos países.
     
    Um dos impasses é o receio de que resultados falso-positivos ou falso-negativos confundam e tragam prejuízos ao paciente, além de riscos para parceiros — como deixar de usar preservativo em relações sexuais. Outro questionamento frequente é como a pessoa irá reagir e quais os impactos emocionais de receber um possível resultado positivo sozinha, sem apoio de equipes especializadas.
     
    Para Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP, a oferta do teste tem impacto positivo muito maior em relação a potenciais riscos. “Embora haja esse imaginário de que a pessoa poderia tomar uma medida drástica, como suicídio, não há dados científicos que mostrem isso. As pesquisas mostram que o teste ajuda mais do que se deixado fora de alcance.” O infectologista Caio Rosenthal concorda. “Muito paternalismo em saúde pública não dá certo.A situação ideal é sempre fazer o teste ao lado de psicólogo e equipe de saúde. Mas isso não indica que é uma coisa ou outra. As pessoas que quiserem ainda podemfazero testeemumaunidade de saúde.” Segundo Kallás, a medida pode ajudar as pessoas que não se sentem confortáveis em fazer o teste em hospitais.
     
    “Hoje para fazer o teste é preciso procurar um centro de testagem ou hospital. Há quem não se enquadre nesses serviços e quer fazer o teste com privacidade”, diz. “Isso quebra uma barreira muito grande. Mais de 70% das pessoas que morrem hoje no Brasil por Aids são aquelas que fazem o diagnóstico tarde, quando a doença já se instalou”, diz.
     
    EXIGÊNCIAS 
     
    Na resolução, elaborada a partir de um pedido do departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde, a agência estabelece critérios para que os produtos sejam colocados no mercado. Uma delas é a exigência de que os rótulos tenham a informação de que o resultado pode ser alterado devido a fatores como a chamada “janela imunológica” — intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus da Aids e a produção de anticorpos no sangue. O período varia para cada pessoa — em geral, é de 30 dias.
     
    Empresas que fabricam os produtos também devem informar, na embalagem, um número de telefone com equipes 24h para dar orientações aos clientes após o resultado. Além do contato das empresas, os rótulos devem ter a informação também dos telefones de atendimento do SUS em caso de resultado positivo. “O teste é absolutamente seguro. Mas todos precisam entender que isso é uma triagem. Posteriormente,é preciso fazer a confirmação por um teste clínico”, diz. Além do Brasil,outros países que já autorizam a venda de auto-teste são Estados Unidos, Reino Unido e França.Nos EUA, um teste doméstico custa cerca e US$ 40 (cerca de R$ 150). Não há previsão de quando o produto chegarás às farmácias. Segundo Porto, dependerá da solicitação de registro por empresas interessadas.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Cientistas descobrem mutação que fortalece ainda mais as bactérias

    Cientistas descobrem mutação que fortalece ainda mais as bactérias

    Um grupo de cientistas anunciou a descoberta de uma mutação genética que fortalece as bactérias. Isso quer dizer que superantibióticos produzidos hoje podem não ser suficientes pra vencê-las.
     
    A Organização Mundial da Saúde diz que duas em cada três pessoas ainda acham que para curar uma gripe é preciso antibiótico. E, pior, uma em cada três acha que pode parar de tomar o antibiótico quando já está se sentindo bem.
     
    Tudo errado. E o uso equivocado desses remédios em pessoas e a utilização indiscriminada na criação de animais para consumo humano vêm aumentando a resistência dos micróbios.
     
    Erros assim contribuem para o alerta da pesquisa chinesa: depois de um século salvando milhões de vida, a era próspera dos antibióticos está ameaçada. Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo morrem anualmente infectadas pelas chamadas superbactérias. A última linha de proteção hoje em dia é um antibiótico com princípio ativo chamado colistina.
     
    “A colistina é atualmente a única opção de tratamento para pacientes infectados com bactérias super-resistentes”, diz Yohei Doi, médico da universidade de Pittsburgh e um dos autores do estudo.
     
    Agora surgiu a ameaça de que ela se torne ineficaz. Os cientistas detectaram uma mutação genética que causa resistência à colistina e que é facilmente transmitida entre bactérias comuns.
     
    As bactérias resistentes foram encontradas em porcos tratados com o antibiótico na China, em amostras de carne de porco crua e também em 16 pacientes que estavam em tratamento por infecção.
     
    A doutora Jean Patel é diretora da agência do governo americano para o controle de doenças. Ela diz que a descoberta dessa mutação na China gera uma grande preocupação para o mundo. Mas que a ameaça ainda está contida.
     
    Fonte: G1 – Jornal Nacional
  • Cenário é grave e microcefalia pode se espalhar pelo país

    Cenário é grave e microcefalia pode se espalhar pelo país

    À frente das investigações no Ministério da Saúde sobre o aumento de casos no Nordeste de recém-nascidos com microcefalia – malformação do crânio que pode levar a sequelas-, o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis, Cláudio Maierovitch, afirma que “o cenário pode ser pior do que se imagina”.
     
    Para ele, a tendência é que o surto se espalhe pelo país caso se comprove a relação com o zika vírus, transmitido pelo mosquito da dengue.
     
    À Folha, Maierovitch diz que está em discussão o acompanhamento de gestantes com sintomas de zika. Segundo o governo, o vírus circula em 14 Estados – mas não há dados de quantas pessoas foram infectadas.
     
    Folha – Em três meses, já são 400 casos de microcefalia. Como você avalia esse avanço?
     
    Cláudio Maierovitch – Estamos bastante preocupados porque em Pernambuco já podemos caracterizar uma epidemia e em outros Estados do Nordeste há uma tendência ascendente. É muito preocupante, porque parece algo que não atingiu o auge.
     
    Deve afetar outros Estados?
     
    A epidemiologia é péssima para fazer previsões, mas temos uma infestação grande do mosquito no Brasil inteiro. Vimos que a velocidade de infestação do zika é muito rápida. Não imaginamos que o vírus vai parar depois de ter circulado tão intensamente. Ele se alastra com facilidade, assim como dengue.
     
    Zika é a principal hipótese? Quais outras são investigadas?
     
    Ainda não é certo, mas é a mais forte. Há outras possíveis: relação com medicamentos, substâncias tóxicas e vários tipos de infecção. Essas causas, porém, teriam comportamento diferente. Se fosse transmitida por alimentos e água contaminada, não se alastraria tão rapidamente. Isso faz pensar em doenças transmitidas por vetores como mosquito. Também temos a coincidência temporal de zika no primeiro semestre e microcefalia no segundo. Ocorreram nas mesmas pessoas. Foi identificado o vírus no líquido amniótico de duas gestantes com bebês com microcefalia. Os eventos têm chance alta de estarem relacionados.
     
    Em junho, o governo decidiu que não havia necessidade de notificação de casos de zika. Foi uma decisão precipitada?
     
    Optamos por um modelo de vigilância sentinela que deixa de informar todos os casos -medida adotada quando a contagem total é tida como pouco importante. Isso tem vantagens e desvantagens. Uma das razões por optar por esse modelo é que, como uma doença nova, não havia técnicas disseminadas para diagnóstico. Mesmo que tivéssemos informação do número de casos, não ajudaria. Temos informações para prever possíveis casos.
     
    O Ministério da Saúde pretende mudar a forma de lidar com os registros de zika?
     
    No mínimo vamos mudar a comunicação de risco à população. Quando começamos a registrar o vírus, a informação que tínhamos era de uma doença branda, com complicações autolimitadas como manchas no corpo. Mais tarde tivemos informação de que complicações neurológicas como a síndrome de Guillain-Barré podiam não ser tão raras quanto o observado em epidemias anteriores. Agora vemos, caso se confirme a hipótese, situações graves relacionadas ao zika. Isso leva a uma postura diferente.
     
    Há alguma ação prevista?
     
    Estamos rediscutindo as campanhas de informação. Temos expectativa de que a população fique mais sensível às informações para combater o mosquito Aedes aegypti, que transmite zika.
     
    Alguns Estados farão notificação obrigatória de gestantes com sintomas de zika. O governo pode adotar a mesma medida nacionalmente?
     
    A prioridade é estabelecer a causa da doença. Mas está em discussão um projeto que acompanharia gestantes com exames seriados, para estabelecer o vínculo com o zika e enxergar a evolução da doença. Teremos uma reunião na semana que vem.
     
    Quando teremos confirmação da causa?
     
    Estimamos analisar as investigações em até um mês. Estados já investigam cinco mortes de bebês com microcefalia. Por enquanto o ministério ainda trabalha com informação de uma única morte. Mas é claro que o cenário pode se tornar mais grave do que a gente imagina.
     
    Acha que é possível contornar o avanço dos casos?
     
    Qualquer coisa que tenha acontecido numa gravidez que está em curso já aconteceu. Não é possível fazer nada para impedir o desfecho. Vamos discutir estratégias para intensificar a prevenção de possíveis causas.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo