Author: admin

  • Burocracia e alto investimento dificultam estudo de pílula da USP no Brasil

    Burocracia e alto investimento dificultam estudo de pílula da USP no Brasil

    A polêmica sobre a fabricação e liberação da “pílula contra o câncer” da USP de São Carlos se resume a uma questão principal: Por que ela ainda não foi testada em humanos, como preconiza a Ciência, antes de ser distribuída para a população?
     
    Segundos os pesquisadores, o composto foi testado em humanos, mas sem os métodos obrigatórios por falta de apoio e verba da USP e de entidades de pesquisa. Estas, por sua vez, disseram não ter sido procuradas pelos cientistas. Agora, o ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação disse que vai investir R$ 10 milhões na pesquisa nos próximos 3 anos só a autorização pode levar até 1,5 ano para sair.
     
    Além da necessidade de altas verbas, a burocracia que envolve a liberação dos testes em humanos no Brasil faz o país perder a chance de virar polo de pesquisa de medicamentos e, por consequência, a chance de permitir que pacientes testem novas drogas que aumentem sua qualidade de vida. Enquanto nos Estados Unidos um teste clínico é liberado em 90 dias, no Brasil geralmente demorar mais de um ano, segundo especialistas.
     
    As cápsulas não podem ser consideradas remédio até terem registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e sua distribuição é considerada ilegal pela lei 6.360/76.
     
    Dispor de mais verbas públicas para estudos e diminuir a burocracia para testes em humanos seriam soluções para que pesquisas como essa de São Carlos fossem resolvidas como mais rapidez.
     
    Falta apoio
     
    Em audiência no Senado, Gilberto Chierice, criador da fosfoetanolamina sintética distribuída no interior paulista, disse que a substância foi testada em humanos pelo hospital Amaral Carvalho de Jaú, seguindo regras do Ministério da Saúde. Ele diz não ter documentos da pesquisa, que estariam com o hospital. Procurados pelo UOL, tanto o hospital quanto o ministério afirmaram desconhecer qualquer teste clínico com a substância.
     
    Já o pesquisador Marcos Vinicius de Almeida, da equipe de Chierice, disse que o grupo nunca conseguiu fazer os testes em humanos por falta de apoio da própria universidade e de entidades que poderia patrocinar o alto custo da empreitada.
     
    “Dentro da USP, a Anvisa, todos os mecanismos que tínhamos para tentar lançar os testes clínicos foram procurados. Mas nunca conseguimos pelos custos que isso envolve, uns R$ 25 milhões. Imagina um órgão como a Fapesp financiar todo esse processo” (Pesquisador Marcos Vinicius de Almeida)
     
    Depois que o caso tomou grandes proporções, com pacientes conseguindo liminares na Justiça para ter acesso à droga, o Ministério da Saúde anunciou que criará um grupo de trabalho para apoiar os estudos clínicos e a produção da fosfoetanolamina sintética.
     
    O Lafergs (Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul), do Rio Grande do Sul, também se prontificou a oferecer sua estrutura para os pesquisadores fazerem os testes em humanos, mas não possui dinheiro para financiar a pesquisa. Paulo Mayorga, diretor do Lafergs, espera poder contar com financiamento público e privado.
     
    Burocracia impede chegada de verbas
     
    Para especialistas consultados pelo UOL, o grande problema de se fazer pesquisas clínicas no Brasil, mais do que os custos que podem ser arcados pela indústria farmacêutica em parcerias com universidades ou por agências de fomento, está na burocracia envolvida.
     
    No Brasil, pode demorar até um ano a liberação de testes em humanos que deve ser feita pelo governo, enquanto nos Estados Unidos e em países europeus isso acontece em até 90 dias.
     
    De acordo com a Aliança Pesquisa Clínica Brasil, associação de pesquisadores e pacientes que trabalham para diminuir esse prazo, a morosidade no processo leva promissoras pesquisas brasileiras serem feitas fora do país, porque os patrocinadores geralmente farmacêuticas não querem perder dinheiro com a espera.
     
    O resultado disso é a fuga de investimentos e empregos na saúde e na capacidade de aprimorar tecnologias. Sem pesquisas de medicamentos por aqui, diminuem também as chances de pacientes com doenças como o câncer se voluntariarem em testes que podem ajudar no tratamento da doença, segundo o endocrinologista Luis Russo, membro do comitê gestor da Aliança Pesquisa Clínica Brasil.
     
    “É necessário que se diminua a burocracia dos tempos regulatórios, que se traga transparência e se amplie o direito da população brasileira, principalmente de voluntários de pesquisa. Mas, para isso, precisamos ter estudos clínicos aqui” (Luis Russo, membro do comitê gestor da Aliança Pesquisa Clínica Brasil)
     
    O prazo longo afugenta a indústria farmacêutica que é geralmente quem tem dinheiro para bancar os projetos. Segundo levantamento da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), no primeiro quadrimestre do ano, 16 estudos sobre câncer e outras doenças foram perdidos por sete empresas farmacêuticas que não quiseram esperar tanto tempo para a aprovação.
     
    “A diminuição dos prazos regulatórios ajuda a baratear a pesquisa já que com a burocracia faz você demorar mais e gastar mais. Enquanto isso, o Brasil perde pesquisa até para a Argentina, onde demora quatro meses para se aprovar”, diz Russo.
     
    O levantamento da Interfarma mostra, ainda, que a morosidade impacta a eficiência dos centros de pesquisa nacionais. Apesar de estar entre as dez cidades com mais instituições aptas a receber testes clínicos, a cidade de São Paulo usa menos de 50% dessa capacidade. São realizados uma média de 12 estudos em cada um dos 215 centros de pesquisa da capital paulista.
     
    Por que demora tanto?
     
    Para que um projeto de pesquisa clínica seja aprovado mundialmente, ele é submetido a duas etapas de avaliação: uma que passa por um comitê de ética e um de análise técnica. Em cada um são avaliados conceitos éticos e de segurança à saúde dos voluntários.
     
    No Brasil, no entanto, há três etapas somente para aprovação: duas comissões de ética e uma técnica feita pela Anvisa, o que aumenta o prazo da autorização. Quando os testes em humanos são aprovados, os pesquisadores podem, enfim, recrutar voluntários que passarão por outras quatro fases de testes.
     
    Na primeira etapa, os pesquisadores brasileiros enviam o projeto a um CEP (Comitê de Ética em Pesquisa) que o recebe e o analisa; essa etapa dura pelo menos 30 dias. Depois o projeto é passado para o Conep (Comitê Nacional de Ética em Pesquisa), que tem 60 dias para rever toda a papelada e pedir revisão. Caso haja necessidade de refazer algo, serão mais 60 dias para o Conep analisar. Por último, os pareceres das comissões chegam à Anvisa que tem pelo menos seis meses para avaliar.
     
    Depois da aprovação, não raro os pesquisadores brasileiros precisam importar os insumos para os testes, o que pode atrasar ainda mais o começo da pesquisa. Feito isso, aí sim começam as fases dos testes clínicos com voluntários (não pagos).
     
    Para Jorge Venâncio, médico e diretor do Conep, a diminuição do prazo já está nos planos do conselho, que nega que haja excesso de burocracia. Geralmente são necessários 30 dias para análise do CEP, que analisa 98% dos protocolos, e mais 48 dias para aprovação do Conep, em casos especiais, de acordo com o diretor.
     
    Segundo ele, nem todas as análises de projetos de pesquisa clínica chegam até o Conep justamente para evitar prazos muito longos. “Há uma certa razão quem está reclamando que a análise ética dupla é burocrática, mas não há excesso de burocracia. Em 2013 tínhamos análises de 65 protocolos por mês e uma fila de 830 protocolos. Atualmente analisamos 250 por mês, com fila de 260. Houve uma mudança qualitativa”, diz.
     
    Segundo o coordenador da Conep, o prazo estendido visa a segurança dos voluntários das pesquisas que são `cobaias` do processo. “A função do sistena CEP/Conep é defender o direito das pessoas que participam da pesquisa clínica, evitando danos ao voluntário e garantindo que ele continuará recebendo a droga quando confirmada a sua eficácia. Pesquisas que não garantem isso devem ser revisadas ou são vetadas”, afirma.
     
    Todos os voluntários devem assinar um termo de consentimento antes do começo dos testes. Voluntários de medicamentos geralmente são pessoas que já sofrem com a doença a qual o novo possível medicamento tenta tratar.
     
    Fases da pesquisa
     
    Na fase 1 do teste em humanos, até 80 pessoas são testadas para avaliar o quanto a substância é absorvida no organismo. Na fase 2, a substância é testada em até 300 pacientes com o objetivo de avaliar a eficácia e a tolerância do produto. Já na fase 3, acontece estudos em larga escala, na qual o efeito da nova droga é testado em comparação ao tratamento já reconhecido contra a doença.
     
    Se os testes mostrarem que a medicação tem poder de tratar ou curar uma doença, o resultado é submetido à Anvisa que tem mais 90 dias para analisar e conceder o registro necessário para ser comercializado. Depois desse momento, há uma quarta fase, após o lançamento do produto, quando se estuda o remédio em comparação a outros da mesma classe.
     
    Colocar um remédio no mercado envolve bilhões de dólares
    A falta de recursos públicos para as pesquisas clínicas também é um problema, especialmente na área de medicamentos, já que somente essa fase da pesquisa pode custar mais de US$ 100 milhões colocar um remédio no mercado envolve bilhões de dólares.
     
    Mais investimentos públicos ajudariam, inclusive, as instituições de fomento brasileiras a arcar com pesquisas clínicas, sem depender tanto da indústria farmacêutica. É neste ponto que o pesquisador Almeida bate ao dizer que o grupo não quer a interferência da indústria farmacêutica nos testes com a fosfoetanolamina.
     
    “A gente cede o produto para que sejam feitos testes, mas precisamos de algum laboratório cadastrado, que produzisse, e que os testes clínicos sejam feitos dentro de parâmetros sem a influência de laboratórios ou protocolos estrangeiros. Não gostaríamos em nenhum momento que esse produto tivesse que ser enviado para fora do país” 
    Pesquisador Marcos Vinicius de Almeida
     
    Órgãos de fomento não têm verba para estudo clínico
     
    A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) afirmou não ter uma verba específica para pesquisas clínicas, e disse que não foi procurada pelos pesquisadores. Por e-mail disse que “não financia ensaios clínicos em seres humanos, que têm como objetivo final avaliar a toxicidade, segurança e a eficácia de novos medicamentos em seres humanos, pois isso é feito em geral pelas empresas farmacêuticas”.
     
    Até outubro deste ano, o órgão recebeu mais de R$ 788 milhões do Tesouro Estadual para financiar pesquisadores do Estado.
     
    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também não tem uma verba específica para pesquisas clínicas, mas informou que a pasta repassa R$ 2 milhões via Finep (Financiadores de Estudos e Projetos) para a Unidade de Pesquisa Clínica em Neurologia e Neurociências do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense.
     
    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ter sido procurada pelos pesquisadores da USP São Carlos apenas para consulta, mas não para requerer o pedido para começar a pesquisa clínica.
     
    Em nota, a agência afirmou que “até o momento, não há qualquer pedido ou solicitação de anuência em pesquisa clínica para fosfoetanolamina junto à Anvisa. Também não há requerimento para avaliação de projetos contendo essa substância em programas assistenciais como uso compassivo e acesso expandido, ou seja, para acesso a produtos em fase de pesquisa”.
     
    Fonte: UOL
     
  • Confira o resultado das eleições 2015

    Confira o resultado das eleições 2015

    Maceió, 17 de novembro de 2015
     
    Clique aqui e confira o resultado das eleições para os cargos de conselheiros regionais titulares e suplente; diretoria do conselho regional e conselheiro federal.
     
    Assessoria de Comunicação CRF-AL
  • Após mosquito modificado, Piracicaba (SP) testa app que identifica o Aedes

    Após mosquito modificado, Piracicaba (SP) testa app que identifica o Aedes

    Depois de soltar mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados, que ajudam a conter a propagação da dengue, Piracicaba (a 164 quilômetros de São Paulo) implantou recentemente um projeto-piloto que usa armadilhas de captura e um aplicativo de celular para identificar e monitorar os mosquitos.
     
    A armadilha é composta por um recipiente com pouca água e uma lâmina com um atraente sintético, onde o mosquito –principalmente a fêmea– entra para botar, mas fica presa e morre. Já o app permite que o agente de saúde identifique imediatamente se o inseto preso na armadilha é macho ou fêmea e transmita em tempo real os dados para o centro de controle.
     
    De acordo com Bruna Natalina de Souza Martins, analista de relacionamento da Ecovec, responsável pela ferramenta, o conteúdo da armadilha é semanalmente retirado pelos agentes do combate à dengue e enviado a Belo Horizonte, onde a empresa está instalada, para analisar se a fêmea infectada transmitiria o sorotipo 1, 2, 3 ou 4 da doença.
     
    O aplicativo também tabula os dados captados em uma determinada região e faz uma escala de cores que vai do verde ao vermelho.
     
    “Se dentro da armadilha não for encontrada nenhuma fêmea com o vírus, o sinal é verde. Agora, se foram achadas três ou mais fêmeas com o vírus, o aplicativo aponta sinal vermelho, que significa que a situação pode ficar crítica”, disse Martins.
     
    Desde o dia 27 de outubro, 28 armadilhas estão instaladas nos bairros de Vila Fátima e Vila Monteiro, que já somam 153 casos da doença este ano. Os primeiros resultados devem ser divulgados nos próximos dias.
     
    Para a Prefeitura, os novos recursos servem para prevenir possíveis infestações. Os agentes de saúde, responsáveis pela instalação, manutenção e monitoramento das armadilhas, foram treinados para interpretar os dados do aplicativo, segundo a empresa.
     
    O projeto-piloto terá duração de três meses, sem custos para a Prefeitura. Depois disso, a Secretaria de Saúde avaliará a viabilidade de implantação em outros bairros.
     
    A ferramenta já é usada para prevenir a dengue em outras cidades. No Estado de São Paulo, o município de Santos contratou o sistema. Santa Vitória (MG), Porto Alegre (RS), Paraty (RJ) e Três Lagoas (MS) também utilizam o aplicativo.
     
    Segundo o último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde de Piracicaba, até o dia 8 de novembro, foram confirmados 3.662 casos de dengue na cidade, com 8.789 registros suspeitos notificados. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Após 30 anos de suspeitas, pesquisadores confirmam novo tipo de doença cardíaca

    Após 30 anos de suspeitas, pesquisadores confirmam novo tipo de doença cardíaca

    Há mais de 30 anos que especialistas da existência de uma nova doença cardíaca: uma alteração quase imperceptível na atividade elétrica do coração capaz de levar à morte. Agora, uma equipe da Sociedade Espanhola de Cardiologia (SEC) concluiu que, na verdade, trata-se de um transtorno que afeta pessoas mais velhas, a síndrome de Bayés, que pode ser detectada por um simples cardiograma.
     
    O médico Manuel Martínez-Selléz, da SEC, via com preocupação como pessoas portadoras dessa síndrome sofriam derrames cerebrais com mais frequência e tinham riscos maiores de demência e morte.
     
    Martínez-Selléz fez um estudo com 80 centenários e 269 septuagenários e demonstrou que trata-se de uma situação de pré-arritmia.
     
    “Agora sabemos que as pessoas que sofrem este bloqueio interauricular têm um batimento adiantado das aurículas. E sabemos que pode levar à arritmia”, disse Martínez-Selléz à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
     
    O bloqueio interauricular é um transtorno entre as aurículas do coração, duas cavidades na parte superior do órgão.
     
    “Trata-se de uma doença porque é uma alteração do circuito elétrico do coração, neste caso, do circuito elétrico das aurículas, que se associa a um risco demonstrado tanto de acidente cerebrovascular como de demência”.
     
    As pessoas com esta alteração têm facilidade para formar um coágulo na aurícula esquerda do coração.
     
    Diagnóstico melhor
     
    O fato de ser uma doença abre as portas para melhorar o diagnóstico de doenças cardíacas que surgem com a idade. A síndrome leva o nome do cardiologista Antonio Bayés de Luna.
     
    A Organização das Nações Unidas estima que haverá cerca de 400 milhões de pessoas acima de 80 anos no ano de 2050, o que será um desafio para a área da saúde.
     
    Para a equipe de pesquisadores, o principal aspecto positivo do estudo é melhorar o diagnóstico de idosos com este sintoma.
     
    “Estamos convencidos que os portadores desta alteração se beneficiarão de um tratamento antiarrítmico e anticoagulante que ajudará a prevenir o infarto cerebral e a demência”, disse Martínez-Selléz.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • TJ determina suspensão de fornecimento de

    TJ determina suspensão de fornecimento de

    O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo determinou a suspensão do fornecimento da substância fosfoetalonamina, nesta quarta-feira (11). Assim, foram cassadas todas as liminares de primeira instância que obrigavam a Universidade de São Paulo (USP) a fornecer as polêmicas pílulas que supostamente teriam algum efeito contra o câncer. Também foi proibido que juízes do Estado tomem decisões futuras sobre o assunto.
     
    A decisão foi tomada após recurso interposto pelo Estado de São Paulo, que compreendeu que a substância tem efeitos desconhecidos em seres humanos, não é considerada um medicamento e não possui o registro necessário perante a autoridade sanitária competente, podendo causar graves consequências aos pacientes.
     
    O desembargador Sérgio Rui afirmou que a liberação da substância sintetizada em laboratório não é prudente.”É irresponsável a liberação de substância sintetizada em laboratório, que não é medicamento aprovado e que vem sendo utilizada sem um mínimo de rigor científico e sem critério por pacientes de câncer que relatam melhora genérica em seus quadros clínicos, porque não foram realizadas pesquisas exaurientes que permitam estabelecer uma correlação segura e indubitável entre seu uso e a hipotética evolução relatada.”
     
    Mais de duas mil liminares já tinham pedido a droga, que era distribuída pela USP São Carlos. A USP recorreu, afirmando que não tinha condições de produzir o remédio em larga escala e que, além disso, não há pesquisas que atestem a eficácia da droga.
     
    Entenda
     
    Após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) no começo de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou a suspensão da distribuição das cápsulas do IQSC para quem conseguisse liminar na Justiça. A partir de então a USP estava obrigada a voltar a produzir e distribuir a fosfoetanolamina sintética. Com isso, o IQSC ficou sobrecarregado. 
     
    Oncologistas, a USP, o ICQS e os próprios pesquisadores alertam que a substância nunca foi testada em humanos, o que a inviabiliza como remédio. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável por registrar e permitir o comércio de qualquer medicamento no país, diz que a distribuição da droga é ilegal por nunca ter passado por testes clínicos.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Mortalidade materna caiu para quase metade em 25 anos

    Mortalidade materna caiu para quase metade em 25 anos

    O número de mortes de mulheres relacionadas com a gravidez caiu para quase metade no mundo em 25 anos, mas apenas nove países, incluindo Cabo Verde e Timor Leste, alcançaram os objetivos fixados pela Organização das Nações Unidas (ONU), mostram dados divulgados hoje (12).
     
    “O relatório mostra que no fim de 2015 a mortalidade materna terá caído 44% relativamente aos níveis de 1990”, afirmou Lale Say, coordenadora do Departamento de Saúde Reprodutiva e Investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
     
    “Trata-se de enorme progresso, mas o avanço é desigual entre os países, em diferentes regiões do mundo”, com 99% das mortes a envolver países em desenvolvimento, disse a especialista, em entrevista em Genebra.
     
    O relatório, publicado simultaneamente na revista médica britânica The Lancet, elaborado por agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial, informa que, em 2015, cerca de 303 mil mulheres morreram em consequência de complicações da gravidez ou até seis semanas depois do parto, contra 532 mil em 1990.
     
    “Isso equivale a um número global estimado de 216 mortes maternas por 100 mil nascidos-vivos, menos 385 em relação a 1990”, acrescenta o documento.
     
    Como parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – adotados em 2000 – os Estados-Membros da ONU comprometeram-se a reduzir a taxa de mortalidade materna em 75% em 2015, relativamente a 1990.
     
    Contudo, apenas nove países em todo o mundo cumpriram essa meta (Butão, Cabo Verde, Camboja, Irã, Laos, Maldivas, Mongólia, Ruanda e Timor Leste). Mais 39 países registraram “progressos significativos”, afirmou Lale Say.
     
    A melhoria mais relevante no plano mundial foi observada no Leste da Ásia, onde a taxa de mortalidade materna caiu de aproximadamente 95 para 27 por cada 100 mil nascidos-vivos.
     
    A África Subsaariana é responsável por duas em cada três mortes em todo o mundo. “No entanto, isso representa uma grande melhoria: a África Subsariana viu as mortes maternas caírem quase 45%” durante os últimos 25 anos, diz o relatório, citado pela agência France Press.
     
    “Garantir o acesso a serviços de saúde de elevada qualidade durante a gravidez e no nascimento da criança está ajudando a salvar vidas”, destaca.
     
    A ONU definiu agora o objetivo de reduzir o número de mortes maternas para menos de 70 em cada 100 mil nascidos-vivos até 2030. Mas atingir essa meta requer muito mais esforço, afirmou o diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a População (Fnuap), Babatunde Osotimehin.
     
    “Se falharmos em dar um grande impulso agora, em 2030 vamos nos deparar novamente com uma meta falha em relação às mortes maternas”, acrescentou.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Aberto processo eleitoral para escolha de conselheiros e Diretoria

    Aberto processo eleitoral para escolha de conselheiros e Diretoria

    CRF-AL criou página que vai abrigar todos os atos oficiais do pleito 
     
    O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Alagoas (CRF-AL) publicado no DOU de 02/07/2015, o Edital de Convocação de eleições para preenchimento de vagas de Conselheiros Regionais, Conselheiro Federal e respectivo Suplente e renovação dos cargos de Diretoria da entidade.
     
    O período de inscrições dos candidatos vai de 03 a 07 de agosto de 2015, na Sede do CRF-AL. As eleições ocorrerão durante 48 (quarenta e oito) horas ininterruptas, a partir de 12:00 horas de 9 de novembro de 2015 às 12:00 horas do dia 11 de novembro de 2015.
     
    O voto será exercido exclusivamente pela internet, sendo observada a inviolabilidade e o sigilo. A votação poderá ser realizada em qualquer computador ou aparelho com acesso seguro a internet, no endereço ou sítio eletrônico a ser oportunamente divulgado.
     
    Sempre na observância dos preceitos da transparência e da democracia, O CRF-AL criou uma área específica aqui neste site (https://wordpress.crf-al.org.br/files/downloads/MTkxMDQz.pdf) para abrigar todos os atos oficiais do pleito.
     
  • Supremo julgará fornecimento de medicamentos pelo Estado

    Supremo julgará fornecimento de medicamentos pelo Estado

    O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá analisar nesta quinta-feira uma questão que afeta fortemente os cofres públicos: o fornecimento de medicamentos e tratamentos médicos não listados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estão na pauta três recursos e uma proposta de súmula vinculante. Só para a União o impacto de uma derrota em todos os processos em andamento no Judiciário seria de R$ 2,08 bilhões, de acordo com o anexo “Riscos Fiscais” da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano.
     
    A proposta de súmula vinculante foi apresentada pela Defensoria Pública da União. O órgão defende a edição de texto sobre a responsabilidade solidária dos três níveis de governo (União, Estados e municípios) e a possibilidade de bloqueio de valores para o cumprimento de decisões – questão que foi definida apenas em repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
     
    Antes, porém, os ministros terão que finalizar julgamento de embargos de declaração da União contra a decisão sobre a responsabilidade solidária, proferida em março. No recurso, questiona, além do mérito, o fato de o Supremo ter definido a questão por meio do Plenário Virtual e por maioria de votos.
     
    Para o governo federal, como não houve unanimidade para reafirmação da jurisprudência, o processo deveria ser analisado novamente pelos ministros e de forma presencial. O julgamento dos embargos foi iniciado em agosto, com o voto do relator, ministro Luiz Fux, contrário à União.
     
    No caso, os ministros terão que definir inicialmente se cabem embargos de declaração contra decisão do Plenário Virtual e se, em caso de aceitação, o recurso deve ser analisado por meio físico ou eletrônico.
     
    Ainda estão na pauta dois recursos de relatoria do ministro Marco Aurélio. No primeiro, que tramita desde 2007, vão discutir se o Estado é obrigado a fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras para comprá-lo.
     
    De acordo com o relator, no caso a questão é saber se a liberação desses remédios pode, por seu custo, “colocar em risco” o atendimento de toda a população, que depende de algum medicamento, de uso costumeiro.
     
    O processo a ser analisado pelos ministros foi ajuizado por um paciente com hipertensão pulmonar contra o Rio Grande do Norte. Ao todo, 20 Estados e o Distrito Federal, além da União e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estão listados como interessados.
     
    No outro recurso, os ministros debaterão o fornecimento de medicamentos não registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O caso foi analisado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Os desembargadores entenderam que, apesar de o direito à saúde encontrar previsão nos artigos 6 e 196 da Constituição, não se pode obrigar o Estado a fornecer remédio sem registro na Anvisa.
     
    As questões, segundo afirmou ao Valor o ministro Marco Aurélio, devem ser analisadas com cautela “para não priorizar o interesse individual em relação ao coletivo”. “Às vezes, o juiz é pressionado pela sua consciência e autoriza o fornecimento de um dado medicamento. Porém, poderia ter indicado outro mais barato e com o mesmo efeito. Cabe ao STF ser o fiel da balança e dar a última palavra para orientar essa situação”, disse.
     
    É um movimento que não para de crescer, de acordo com o coordenador judicial de saúde pública da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) de São Paulo, Luiz Duarte de Oliveira. “O número de ações vem aumentando de 10% a 12% ao ano”, afirmou.
     
    A expectativa é de se fechar o ano com 20 mil novas ações e com desembolsos pelo Estado que somam cerca de R$ 1 bilhão. “É um movimento que preocupa. Há processos sem prescrição médica”, disse Oliveira, referindo-se a pedidos de fornecimento da “fosfoetanolamina sintética”, substância desenvolvida no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) para combate ao câncer.
     
    A Advocacia-Geral da União (AGU) entende, de acordo com nota enviada ao Valor, que “a melhor forma de concretizar o direito à saúde da população é com políticas públicas bem planejadas e executadas, e a judicialização do SUS traz riscos de desorganização e prejuízo à coletividade”.
     
    Apesar de a jurisprudência ser favorável aos pacientes, continua a demora para o cumprimento das decisões. Com o problema, o STJ discute a possibilidade de se fixar multa por descumprimento (veja STJ discute aplicação de multa por descumprimento de ordem judicial).
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • Pessoas sem sintomas de dengue podem infectar os mosquitos

    Pessoas sem sintomas de dengue podem infectar os mosquitos

    Pessoas sem sintomas podem passar vírus aos mosquitos. Um estudo liderado por unidades internacionais do Instituto Pasteur mostra que pessoas com dengue e que não apresentam qualquer sintoma da doença podem transmitir o vírus para mosquitos, caso venham a ser picadas. Assim, o inseto pode levar a dengue a outros seres humanos, renovando o ciclo de transmissão. Até hoje, de acordo com o estudo, consideravase que os assintomáticos tinham carga viral baixa demais para conseguir infectar mosquitos. Mas a pesquisa publicada ontem, na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), revela que esses pacientes são até mais infecciosos do que aqueles em que os sintomas se manifestam.
     
    — Uma hipótese para a eficiência dos assintomáticos em transmitir o vírus seria que a carga viral, embora menor, aumente dentro do mosquito — diz o infectologista Celso Granato, do Fleury Medicina e Saúde.
     
    A pesquisa destaca que os estudos anteriores sobre a transmissão de homem para inseto limitaram-se a pessoas com a doença aparente. No entanto, estima-se que 300 milhões do total de 390 milhões de infecções de dengue por ano, o que equivale a cerca de 75%, sejam clinicamente despercebidas ou semissintomáticas. Como essas pessoas não são internadas ou observadas por um médico, têm mais possibilidade de entrar em contato com o Aedes aegypti.
     
    O estudo reuniu um total de 181 participantes com o vírus detectável no sangue. Destes, 126 apresentavam sintomas da doença; 42 passaram a apresentar sintomas ao longo do estudo; e 13 não tinham qualquer manifestação e assim se mantiveram por pelo menos dez dias depois da pesquisa. Para realizar o experimento, os cientistas fizeram alguns Aedes aegypti se alimentarem do sangue dos participantes, tanto de forma direta — picando as pessoas — quanto indireta — com alimentador artificial.
     
    “Não só mais mosquitos foram infectados quando alimentados com o sangue dos participantes assintomáticos, mas também esses mosquitos apresentaram significativamente mais cópias de genoma viral em seus corpos do que aqueles infectados pelo sangue de participantes com sintomas”, diz o estudo.
     
    José Cerbino Neto, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), no entanto, pondera que não é possível tirar, a partir do estudo, conclusões que mudem a forma de controle da doença.
     
    — O experimento contou só com 13 assintomáticos, muito pouco. O resultado talvez ajude a alterar os modelos matemáticos que usamos para calcular os riscos de transmissão, mas, na prática, pouca coisa muda — diz.
    A pesquisa destaca que há 3,97 bilhões, em 128 países, sob risco de infecção por dengue, doença que mata mais do que qualquer outra que se origine de arbovírus — em que insetos participam do ciclo de transmissão.
     
    Fonte: O Globo
     
     
  • Tribunal libera importação de componente da maconha

    Tribunal libera importação de componente da maconha

    O Tribunal Regional Federal do Distrito Federal (TRF-DF) determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exclua por dez dias o Tetrahidrocanabinol (THC), um componente da maconha, da lista de substâncias proibidas no País. A decisão também autoriza a importação com fins medicinais e pesquisa de produtos à base de THC e de canabidiol (CBD) – que já foi liberado para uso controlado no Brasil.
     
    O juiz federal Marcelo Rebello também determinou que a Anvisa e o Ministério da Saúde “autorizem e fiscalizem pesquisas científicas da cannabis sativa”, nome científico da planta da maconha mais comum, “e de quaisquer outras espécies e variedades de cannabis, bem como dos produtos obtidos a partir dessas plantas”.
     
    O magistrado acatou, em caráter liminar, parte do pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF), ajuizado no ano passado. Os derivados da maconha têm sido pesquisados para o tratamento de doenças graves como a epilepsia refratária, o mal de Parkinson e a esclerose múltipla em vários locais. A Anvisa informou que ainda não foi notificada oficialmente do despacho do magistrado.
     
    Legalização
     
    A decisão representa uma mudança no Brasil na forma como é regulamentado o uso de derivados da maconha. Mas o juiz destacou que sua decisão se restringe apenas às aplicações com fins medicinais da maconha. Ele ressalta que a discussão da liberação da droga deve ser analisada pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Mesmo assim, Rebello pondera que a maneira “proibitiva” como o assunto vem sendo tratado no País atrapalha a vida de quem depende de medicamentos.“Nãoépossível permitir que a política do proibicionismo seja empecilho àconsecuçãodobem-estarindividual”, afirmou.
     
    Outra solicitação do MPF – ainda não apreciada – trata da importação provisória de sementes da cannabis com o propósito medicinal.Nos argumentos apresentados na ação, os procuradores enfatizam que o uso medicinal da maconha não é algo recente na história humana e não existe no mercado legal substâncias ou medicamentos totalmente seguros.
     
    Neste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a julgar uma ação que pode levar à descriminalização do uso da droga. Três dos 11 ministros já votaram pela descriminalização do porte de maconha para consumo próprio e dois decidiram que o mesmo deve valer para o plantio de até seis pés da planta. O julgamento foi interrompido em setembro por um pedido de vista do ministro Teori Zavascki.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo