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  • Estudo liga excesso de peso a risco de dez tipos de câncer

    Estudo liga excesso de peso a risco de dez tipos de câncer

    Risco de tumor de útero foi o que mais se elevou, segundo a pesquisa mais abrangente já feita sobre a relação entre obesidade e risco de câncer.
     
    O excesso de peso eleva o risco de desenvolver dez dos tipos de câncer mais comuns, de acordo com o mais abrangente estudo já realizado sobre a relação entre obesidade e câncer, publicado na Grã-Bretanha.
     
    Em um artigo na revista de medicina “Lancet”, os cientistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine afirmam que o país teria 12 mil casos de câncer a menos por ano se ninguém estivesse acima do peso.
     
    Se os níveis de obesidade continuarem a aumentar, estimam os pesquisadores, 3,7 mil novos diagnósticos de câncer serão feitos anualmente.
     
    A pesquisa monitorou alterações na saúde de cinco milhões de pessoas que vivem na Grã-Bretanha durante sete anos.
     
    Os autores descobriram uma relação direta entre o aumento de peso – de 13 a 16 quilos em adultos – e o crescimento do risco de desenvolver seis tipos de câncer.
     
    O câncer de útero foi o que teve o maior aumento de risco. Depois vieram vesícula, rim, colo do útero, tireoide e leucemia – que teve o menor aumento do risco.
     
    “Houve uma grande variação no efeito do IMC sobre diferentes tipos de câncer”, disse Krishnan Bhaskaran, que coordenou a pesquisa.
     
    “Por exemplo, o risco de câncer de útero aumentou substancialmente com um IMC maior. Para outros tipos de câncer, vimos um aumento mais modesto no risco ou nenhum efeito. Essa variação indica que o IMC deve afetar o risco de câncer por meio de um número de diferentes processos, dependendo do tipo de câncer.”
     
    Pessoas com altos índices de massa corporal (IMC, calculado com base no peso e na altura) também foram mais propensas a desenvolver câncer do fígado, cólon, ovários e câncer de mama pós-menopausa.
     
    Mas os efeitos do aumento de peso para esses tipos de câncer ficaram menos claros e foram influenciados por fatores individuais, tais como a menopausa.
     
    Embora a obesidade esteja associada ao desenvolvimento de tipos de câncer mais comuns – que representam 90% dos cânceres diagnosticados no Reino Unido-, os pesquisadores dizem que alguns não mostraram nenhuma relação com o peso.
     
    Além disso, alguns indícios sugerem que um IMC maior está associado a uma chance menor de desenvolver câncer de próstata.
     
    O especialista Tom Stansfield, da organização Cancer Research UK, disse que a pesquisa deixa “clara” uma relação entre excesso de peso e riscos de desenvolver câncer.
     
    “Manter um peso saudável reduz o risco de câncer, e a melhor maneira de fazer isso é com uma dieta equilibrada e exercícios regulares.”
     
    Fonte: Bem Estar
  • Risco cardíaco aumenta depois que a mulher entra na menopausa

    Risco cardíaco aumenta depois que a mulher entra na menopausa

    Hormônio feminino estrogênio também age como protetor do coração.
    Entenda por que a 1ª e a última menstruações podem vir antes do tempo.
     
    Na vida da mulher, existem duas fases muito marcantes: a primeira e a última menstruações. Esses são momentos de grandes transformações corporais, que também deixam as emoções à flor da pele. A menarca (primeira menstruação) ocorre por volta dos 12 ou 13 anos, e é quando o corpo sofre várias mudanças e começam as visitas ao ginecologista. Já a menopausa (última menstruação) chega normalmente após os 45 anos. Mas, em algumas mulheres, esses dois períodos podem vir precocemente.
     
    Depois da menopausa, o coração feminino exige ainda mais atenção. Isso porque o hormônio feminino estrogênio, entre outras funções, atua como um protetor do sistema cardiovascular. Depois que ele se esgota, portanto, podem começar os problemas, segundo o cardiologista Otavio Gebara. Por isso, é importante visitar um especialista regularmente.
     
    De acordo com a ginecologista Helizabeth Salomão, também é importante fazer exames de rastreamento mamário, como ultrassom, a partir dos 35 anos e ficar sempre atenta no autoexame à presença de qualquer cisto, nódulo ou algo diferente. No caso da mamografia, ela deve ser feita após os 40 ou 50 anos, dependendo de cada caso e do histórico familiar.
     
    Entre os motivos que levam uma mulher a parar de menstruar antes do tempo, estão: tabagismo, laqueadura tubária (ligadura das trompas), histerectomia (retirada do útero), retirada dos ovários, quimioterapia, medicamentos para disfunções na tireoide ou diabetes, e histórico familiar. Os principais sintomas da menopausa são: irregularidade menstrual, ausência de desejo sexual, ressecamento vaginal, calorões (fogachos), irritabilidade, ansiedade, depressão, suores noturnos, insônia, cansaço, incontinência urinária, dores de cabeça, perda de memória, aumento de peso e perda de força muscular e de massa óssea (risco de osteoporose).
     
    Gebara também citou outros fatores de risco cardiovascular para a mulher, como hipertensão, tabagismo, obesidade, sedentarismo, colesterol, diabetes e histórico familiar. E Helizabeth destacou a necessidade de reposição hormonal nos casos de menopausa precoce para aliviar os sintomas, desde que não haja nenhuma contraindicação.
     
    Já em relação à menarca precoce, os fatores que contribuem para isso são: genética, alimentação, alterações hormonais e obesidade.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Anvisa liberou 37 importações de pasta derivada da maconha

    Anvisa liberou 37 importações de pasta derivada da maconha

    De abril a agosto deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a importação excepcional de pasta derivada da maconha, o CBD (canabidiol), para 37 pessoas –de um total de 59 pedidos.
     
    Segundo a agência, o prazo médio de autorização, a partir do protocolo do pedido, é de uma semana.
     
    O CBD ganhou destaque, este ano, com pedidos para importação de famílias de crianças com doenças graves, como síndromes raras epiléticas. A diretoria da Anvisa chegou a discutir retirar o CBD da lista de substâncias proibidas no país, como forma de facilitar a importação.
     
    A discussão foi suspensa, sob o argumento de que não há, atualmente, nenhum produto no mundo que contenha apenas CBD –todas as conhecidas carregam um pouco de THC, substância que continua proibida no país. Assim, simplesmente retirar o CBD da lista de proibidas não alteraria o atual processo de liberar os produtos de forma individual e excepcional.
     
    A discussão só deverá voltar à direção da Anvisa após as eleições. Possivelmente, o assunto será estudado por uma equipe de especialistas, o que pode adiar ainda mais a eventual decisão.
     
    Até lá, a Anvisa orienta que pessoas interessadas em importar excepcionalmente a droga encaminhem à agência o pedido com os documentos necessários –prescrição médica, laudo médico, termo de responsabilidade e formulário de solicitação de importação para medicamentos controlados.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Canadá vai fornecer vacina experimental contra ebola para África

    Canadá vai fornecer vacina experimental contra ebola para África

    Medicamento não faz parte de tratamento desenvolvido por farmacêutica.
    Governo anunciou que irá doar até mil doses, mantendo lote para pesquisa.
     
    O Canadá vai doar uma pequena quantidade de uma vacina experimental contra o Ebola desenvolvida em seu laboratório estatal à Organização Mundial de Saúde (OMS) para uso na África, afirmou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (12).
     
    A decisão de doar a vacina foi tomada depois que a OMS disse nesta terça-feira que era ético oferecer medicamentos não testados para pessoas infectadas pelo vírus.
     
    O governo canadense vai doar entre 800 a 1.000 doses da vacina, com o número final dependendo da quantidade que Canadá reterá para pesquisa e ensaios clínicos. O governo também vai manter um pequeno volume caso seja necessário usar no mercado interno.
     
    A ministra da Saúde, Rona Ambrose, disse que ofereceu a vacina à diretora-geral da OMS, Margaret Chan.
     
    Os EUA também trabalham em uma vacina, e a OMS e os governos envolvidos discutem o possível uso na África, disse à Reuters o vice-chefe de saúde pública da Agência de Saúde Pública do Canadá, Greg Taylor, em uma entrevista antes do anúncio canadense.
     
    O Canadá tem apenas cerca de 1.500 doses da vacina para animais, que inventou há alguns anos, e precisaria de quatro a seis meses para produzir uma grande quantidade, disse. A vacina do governo é um produto separado do tratamento que está sendo desenvolvido pela farmacêutica canadense Tekmira Pharmaceuticals.
     
    “Vemos isso como um recurso global, algo que temos de colocar sobre a mesa global para dizer… como podemos fazer melhor uso desse recurso? Estamos tentando fazer isso o mais rápido possível”, disse Taylor, falando de Ottawa.
     
    O surto de Ebola é o maior e mais mortal do mundo. Até o momento, 1.013 pessoas morreram, a grande maioria em Guiné, Libéria e Serra Leoa.
     
    A vacina canadense, que a agência licenciou para comercialização à empresa norte-americana BioProtection Systems, uma unidade da Newlink Genetics, provou ser eficaz em animais, mas nunca foi testada em seres humanos, disse Taylor.
     
    Na semana passada, a NewLink afirmou que a BioProtection tem um contrato com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para que sejam realizados estudos a fim de desenvolver testes da vacina em humanos.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Estudo indica que partículas de ouro tornam tratamento contra câncer mais efetivo

    Estudo indica que partículas de ouro tornam tratamento contra câncer mais efetivo

    Partículas de ouro podem ajudar a melhorar o tratamento do câncer no cérebro, segundo uma pesquisa da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.
     
    Cientistas conseguiram fazer esferas de ouro muito pequenas e as cobriram com medicamentos usados na quimioterapia.
     
    Quando as minúsculas partículas foram inseridas no centro das células do tumor, estas células pararam de se replicar e muitas delas morreram.
     
    Os pesquisadores esperam que o estudo possa levar a uma forma de enfrentar casos de câncer agressivos cujos tratamentos são mais difíceis, como no caso dos tumores no cérebro.
     
    Câncera letal
     
    O glioblastoma multiforme é a forma comum de câncer no cérebro e também a mais letal.
     
    Há tratamentos para este tipo de câncer, mas a eficácia deles é limitada. A maioria das pessoas morre dentro de um prazo de cerca de cinco anos depois do diagnóstico.
     
    Mas, agora, os pesquisadores de Cambridge criaram nanoesferas – partículas que são 4 milhões de vezes menores do que um fio de cabelo humano cortado na transversal.
     
    No centro destas nanoesferas, estão partículas minúsculas de ouro, cercadas de camadas de cisplatina, um remédio usado em quimioterapia.
     
    Os cientistas testaram as nanoesferas em amostras de tumores no cérebro extraídas de pacientes durante cirurgias.
     
    Em testes realizados nestas amostras de tumores humanos, as esferas pareciam aumentar a eficácia da radioterapia e da quimioterapia tradicionais, melhorando as chances de todas as células do tumor serem exterminadas.
     
    As células cancerosas receberam, então, uma dose de radioterapia, semelhante à dose dada nos tratamentos hoje disponíveis.
     
    A radioterapia não apenas atacou as células do tumor, mas também estimulou os eletrons no centro de ouro das nanoesferas. Estes eletrons desencadearam uma quebra no material genético (DNA) dentro do câncer.
     
    Este processo também levou à liberação do remédio de quimioterapia que cobria as nanoesferas, permitindo que a cisplatina agisse no tumor enfraquecido pela radioterapia.
     
    Efeito 'duplo'
     
    Vinte dias depois deste procedimento, os cientistas observaram que não havia mais células de câncer viáveis nas amostras tratadas.
     
    Mark Welland, do St. John's College, da Universidade de Cambridge, trabalhou na pesquise e, para ele, o efeito observado foi “duplo”.
     
    “Ao combinar esta estratégia com materiais que agem sobre células cancerosas, poderemos desenvolver uma terapia para o gliobastoma e outros tipos mais desafiadores de câncer no futuro”, disse.
     
    “Precisamos atingir células de câncer diretamente com mais de uma forma de tratamento ao mesmo tempo”, disse Colin Watts, um neurocirurgião envolvido no estudo.
     
    “Isto é importante, pois alguns tipos de câncer são mais resistentes a um tratamento do que a outro”, acrescentou.
     
    Os cientistas esperam começar os testes em humanos em 2016 e estão trabalhando nas primeiras experiências envolvendo outros tipos de tumores.
     
    Fonte: BBC BRASIL
     
  • Brasileiro consome mais que o dobro do sal recomendado pela OMS

    Brasileiro consome mais que o dobro do sal recomendado pela OMS

    Apesar do alardeado resultado de um acordo entre o governo e a indústria, que reduziu o teor de sal nos alimentos, o consumidor brasileiro ainda consome mais que o dobro da substância recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
     
    Os altos índices de presença de sódio – elemento contido no sal – preocupam o governo brasileiro e motivam iniciativas de saúde pública para monitorar o consumo, reduzir os índices já na fabricação e promover mudanças de hábitos.
     
    Cerca de metade dos brasileiros (48,6%) avalia seu consumo diário de sal como “médio”, segundo dados compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através a pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).
     
    A percepção equivocada preocupa médicos e autoridades, já que o país estima que o consumo médio do brasileiro seja de 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro dos 5 gramas diários recomendados pela OMS.
     
    Não por acaso, o governo estima que um quarto da população sofra de hipertensão arterial, uma das consequências do excesso de sódio na dieta.
     
    O excesso de sal na alimentação está ligado ao aumento no risco de doenças como hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças renais.
     
    Doenças crônicas não transmissíveis, como essas, são responsáveis por até 63% das mortes no mundo e 72% no Brasil, e um terço dos óbitos ocorre em pessoas com menos de 60 anos, indica o Ministério da Saúde.
     
    Acordos
     
    O consumo moderado de cloreto de sódio, ao lado de uma alimentação saudável e prática de exercícios físicos, já é uma recomendação tradicional do Ministério da Saúde e dos médicos.
     
    A partir de 2011 o governo federal passou também a celebrar acordos com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) para reduzir gradativamente as quantidades de sal presentes em alimentos industrializados.
     
    O governo divulgou o primeiro resultado desta iniciativa na terça-feira. Entre 2011 e 2012, cerca de 1,3 mil toneladas de sódio foram retiradas apenas de três classes de alimentos (pães de forma, bisnaguinhas e massas instantâneas).
     
    O acordo possui outras 13 categorias de alimentos, ainda não testados. Em 2012, outro pacto incluiu na lista temperos, caldos, cereais matinais e margarinas vegetais, e mais dois documentos foram assinados posteriormente, agregando ao grupo empanados, hambúrgueres, três tipos de linguiças, mortadela, apresuntados, queijo mussarela, requeijão e sopas instantâneas.
     
    A meta é reduzir em 28,5 mil toneladas a presença de sódio na mesa dos brasileiros até 2020, para se adequar à recomendação da OMS.
     
    Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da Abia, Edmundo Klotz, comentou o processo. “Não foi fácil, mas por ser uma redução gradual, ao longo dos anos, foi possível acompanhar e amadurecer a ideia na indústria”, disse o empresário.
     
    “Em 2007 já havíamos reduzido as gorduras trans, agora o sódio. No futuro serão as gorduras e o açúcar. A tendência é produzirmos alimentos mais saudáveis”, afirmou.
     
    “E há países copiando nosso modelo, que não é de proibição, mas sim de redução voluntária gradual. Argentina, Chile, e até nações europeias estão seguindo a ideia.”
     
    Educação nutricional
     
    Para Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a ideia é muito bem-vinda, e a participação das indústrias alimentícias dá um peso muito maior à iniciativa.
     
    O especialista, no entanto, diz que há mais medidas que podem ser tomadas, sobretudo no campo da educação nutricional.
     
    “O caráter voluntário desse programa é bom, porque a história mostra que as proibições não dão certo. Mas podemos fazer mais. Ações nas escolas, com as crianças, seriam bem-vindas, explicando sobre os malefícios do sal. As pessoas também deveriam refletir sobre esse hábito de ter o saleiro em cima da mesa, o que ainda é muito comum no Brasil”, avalia.
     
    Ribas relembra que o sal é um mineral importante e que a presença do iodo, essencial para a saúde da glândula tireoide, é uma razão para o seu consumo. A questão é o excesso. O especialista chama a atenção para o sal light, com 50% menos sódio, que já está disponível no mercado brasileiro.
     
    “Cada país tem seus hábitos, seus costumes. Há lugares que acrescentam molhos, pimentas. No Brasil é o sal. O brasileiro gosta de tudo bem doce ou bem salgado, acha que assim tem mais sabor. Mas com o tempo a própria população vai exigir alimentos mais saudáveis.”
     
    O Ministério da Saúde e a Abia devem divulgar nos próximos meses os dados relativos à redução de sódio nos outros alimentos que integram os acordos.
     
    Fonte: BBC BRASIL
  • Pessoas com escoliose terão genoma mapeado

    Pessoas com escoliose terão genoma mapeado

    Foi durante o banho que a mãe de Gabriela Cristina Marques Braga percebeu que a menina tinha um desvio na coluna. Gabriela tinha 8 anos. Três coletes ortopédicos foram usados para amenizar o problema, sem sucesso. Aos 14 anos, Gabriela passou por uma extensa cirurgia para corrigir a curvatura na espinha, que já tinha atingido 75 graus, e lhe causava dores nas pernas e dificuldades para respirar. Gabriela sofria de escoliose idiopática (sem causa definida).
     
    Para tentar entender o que causa essa deformidade – e por que em algumas pessoas a evolução é mais rápida –, médicos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) iniciaram pesquisa para mapear geneticamente os pacientes, em busca de marcadores que indiquem que a progressão será mais acelerada.
     
    “Não sabemos por que a escoliose idiopática ocorre. Sabemos que há uma característica hereditária, por isso faremos um estudo da suscetibilidade genética para entender as características da escoliose com forte progressão”, afirma o ortopedista Luiz Cláudio Schettino, chefe do Centro de Cirurgia da Coluna do Into, coordenador da pesquisa.
     
    Ele explica que a doença pode aparecer em qualquer fase da vida, mas é mais frequente no período de formação óssea, na adolescência. A coluna vai encurvando e chega a ganhar o formato da letra S.“A curva causa grande transtorno e pode levar à insuficiência respiratória e cardíaca, se ocorrer na região da coluna torácica; ou provocar dores, quando está na região lombar.” Pinos e parafusos. A cirurgia é indicada a partir dos 45 graus de curvatura–uma prótese de titânio é fixa da com pinos e parafusos ortopédicos, combinados com hastes,para a certara de formidade e alinhar a coluna.
     
    Gabriela passou por uma operação de 6 horas, recebeu 18 parafusos e 2 hastes e ficou de repouso – seis meses sem atividade física. Aos 15 anos, fica feliz por poder andar ereta. “Minha coluna era um S.Quando eu usava colete, as pessoas faziam piada na escola, diziam que eu era um robô. Eu tirava (o colete) porque ficava com vergonha.
     
    Antes da cirurgia, já não podia correr porque sentia dor nas pernas e muita falta de ar. Agora posso andar reta”, diz a adolescente, que foi liberada,na semana passada, para fazer exercícios.
     
    Schettino acredita que um dos benefícios de se encontrar o marcador genético é permitir a intervenção precoce. Ao longo do estudo, 600 pacientes diagnosticados com escoliose idiopática terão o DNA analisado.
     
    A pesquisa está em fase de coleta de saliva e deverá ser concluída em três anos.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Cientistas americanos criam tecido tridimensional semelhante a cérebro

    Cientistas americanos criam tecido tridimensional semelhante a cérebro

    Material pode ser usado para simular reação cerebral a drogas em estudos.
    Estrutura imita separação entre a substância branca e cinzenta do cérebro.
     
    Bioengenheiros do Centro de Recursos de Engenharia de Tecidos na Universidade Tufts, em Boston, criaram um tecido tridimensional semelhante ao tecido presente no cérebro de ratos, que poderá ser usado para simular as respostas cerebrais a drogas em estudos científicos.
     
    A descoberta, financiada pelo Instituto Nacional de Imagens Biomédicas e Bioengenharia (NIBIB) dos Estados Unidos, foi publicada na edição desta semana da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”).
     
    Já era possível cultivar neurônios em laboratório para observar seu comportamento. Porém eles só se desenvolviam em duas dimensões, o que impedia a reprodução da complexa estrutura cerebral.
     
    O novo tecido é composto de dois biomateriais: uma estrutura esponjosa feita de proteína de seda e um gel com base de colágeno. Neurônios de ratos foram instalados nessa estrutura esponjosa e o gel, disposto no centro da estrutura, permitiu que os axônios (prolongamentos dos neurônios) crescessem através dele.
     
    Depois de alguns dias, os neurônios formaram redes ao redor dos poros da estrutura esponjosa. Os axônios se projetaram através do gel para se conectar com os neurônios do outro lado do poro. Isso fez com que o tecido imitasse a separação entre a substância branca e a substância cinzenta que compõem o cérebro.
     
    “Esse trabalho é um feito excepcional”, diz Rosemarie Hunziker, diretora do programa de engenharia de tecidos do NIBIB. “Ele combina uma compreensão profunda da fisiologia do cérebro com um grande e crescente conjunto de ferramentas de bioengenharia para criar um ambiente que é ao mesmo tempo necessário e suficiente para mimetizar o funcionamento do cérebro”.
     
    O novo tecido pode se manter vivo no laboratório por mais de dois meses. Para testar a eficácia da técnica, os pesquisadores já usaram o material para testar as mudanças químicas e elétricas cerebrais que ocorrem em resposta a uma droga e as mudanças provocadas por uma lesão.
     
    “Bons modelos permitem hipóteses sólidas que podem ser testadas exaustivamente. A esperança é que o uso desse modelo possa levar a uma aceleração de terapias para disfunções cerebrais, assim como oferecer um jeito melhor de estudar a fisiologia normal do cérebro”, acrescentou Rosemarie.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
  • OMS enfrenta dilema ético sobre quem receberá tratamento para ebola

    OMS enfrenta dilema ético sobre quem receberá tratamento para ebola

    Em encontro nesta segunda-feira, profissionais discutem liberação de droga que está sendo usada em americanos.
     
    Após o aparente sucesso de um tratamento de ebola feito em médicos americanos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reúne especialistas em ética nesta segunda-feira, em Genebra, para discutir se é certo usar remédios que nunca foram testados em humanos -e, neste caso, quem deve receber o medicamento, já que a oferta é limitada.
     
    A decisão da OMS é complexa. Se a organização não aprovar o uso do medicamento por ele ainda ser experimental, pode enfrentar acusações de ter restringido o uso de droga com potencial de salvar vidas a trabalhadores de saúde de países ricos.
     
    Por outro lado, liberar o uso da droga pode trazer acusações de que a maior organização de saúde do mundo autorizou experimentos com medicamentos potencialmente prejudiciais em parte da população mais pobre do mundo.
     
    Dois profissionais de saúde americanos infectados pelos vírus aparentemente melhoraram após receber doses deste medicamento. A melhora nos seus quadros, porém, também pode estar ligada às condições de tratamento nos EUA, para onde foram levados.
     
    No domingo, autoridades espanholas autorizaram o uso da mesma droga para um sacerdote espanhol infectado pelo vírus na Libéria, que foi levado para Madri.
     
    Não há nenhum tratamento ou vacina conhecidos para o ebola.
     
    Na discussão na OMS, será preciso antecipar o que poderá acontecer se o medicamento for adotado mas se provar ineficaz ou até mesmo prejudicial, de acordo com o especialista em ética médica Daniel Sokol, do 12 King's Bench Walk Chambers, de Londres.
     
    “É preciso discutir como a mídia e a comunidade local irão reagir e as consequências dessa reação para as vítimas, profissionais de saúde e outros, e como deve ser o processo de seleção de candidatos ao tratamento”, disse.
     
    A preocupação com os danos que um tratamento mal-sucedido podem causar se explica porque já existe uma desconfiança em relação a profissionais de saúde, o que prejudica a contenção da epidemia.
     
    No passado, muitos profissionais de saúde foram contaminados, e os hospitais, sem condições adequadas de infraestrutura, ajudaram a propagar a doença.
     
    De acordo com Sokol, na epidemia de 1995 em Kikwit, na República Democrática do Congo, a relação entre o hospital e mortes de ebola era tão clara que gerou um boato de que os médicos estavam assassinando os pacientes que haviam roubado diamantes de minas locais.
     
    Já na epidemia de Uganda, moradores acreditam que pessoas brancas roubavam parte do corpo das vítimas para lucrar. Médicos ocidentais eram vistos como suspeitos e acreditava-se que estavam trazendo a doença.
     
    Em janeiro de 2002, um grupo de especialistas teve que fugir da vila de Mekambo, no Gabão, ao ser ameaçado por moradores.
     
    Estigma
     
    A desconfiança em relação aos profissionais estrangeiros vem desde o início do século XX, quando os colonizadores desprezavam os costumes locais. Quando houve uma epidemia de doença do sono no então Congo Belga, os moradores, obrigados a tomar remédios de cuja eficácia duvidavam, se revoltaram.
     
    Além da desconfiança em relação a profissionais de saúde, há ainda a questão do estigma que aqueles que se curam do ebola carregam. Apesar de não existir um remédio em uso para a doença, o corpo dos pacientes pode reagir sozinho e combater o vírus.
     
    Em epidemias anteriores, afirma Sokol, alguns sobreviventes não foram aceitos de volta em sua comunidades. Outros não conseguiram mais encontrar trabalho ou foram abandonados por seus parceiros. Após a epidemia de 2000/2001 em Uganda, as casas de alguns sobreviventes foram queimadas.
     
    “É contra esse passado complexo historicamente, culturalmente e socialmente que os especialistas em ética terão que tomar uma decisão. As normas de ética médica, como a permissão para tratamento, também podem ser diferentes lá, e existe o perigo de transpor normas ocidentais para culturas diferentes”, afirma.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Consumo de Ritalina no Brasil cresce 775% em dez anos

    Consumo de Ritalina no Brasil cresce 775% em dez anos

    São Paulo – Em dez anos, a importação e a produção de metilfenidato – mais conhecido como Ritalina, um de seus nomes comerciais – cresceram 373% no País. A maior disponibilidade do medicamento no mercado nacional impulsionou um aumento de 775% no consumo da droga, usada no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Os dados são de pesquisa do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
     
    O remédio é usado sobretudo em crianças e adolescentes, os mais afetados pelo transtorno. Para especialistas, a alta no uso do medicamento reflete maior conhecimento da doença e aumento de diagnósticos, mas também levanta o alerta de uso indevido da substância, até por pessoas saudáveis que buscam aumentar o rendimento em atividades intelectuais.
     
    Em sua tese de doutorado pela UERJ, defendida em maio, a psicóloga Denise Barros compilou os dados dos relatórios anuais sobre substâncias psicotrópicas da Junta Internacional de Controle de Narcóticos, órgão vinculado às Nações Unidas. De acordo com o levantamento, o volume de metilfenidato importado pelo Brasil ou produzido em território nacional passou de 122 kg em 2003 para 578 kg em 2012, alta de 373%.
     
    A pesquisadora cruzou os dados da produção e importação e do estoque acumulado em cada ano, dado também disponível nos relatórios, para chegar aos prováveis índices anuais de consumo. De acordo com o levantamento, foram 94 kg consumidos em 2003 contra 875 kg em 2012, crescimento de 775%.
     
    Dados mais recentes obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmam a tendência de alta. Segundo o órgão, o número de caixas de metilfenidato vendidas no Brasil passou de 2,1 milhões em 2010 para 2,6 milhões em 2013.
     
    “Houve um aumento da divulgação da doença e do número de pessoas que passaram a ter acesso ao tratamento, mas há outro fator importante, que é uma maior exigência social de administrar a atenção.
     
    A especialista lembra ainda que há casos de adultos sem o transtorno que tomam o metilfenidato para melhorar a concentração e o foco nos estudos. “Isso é comum entre concurseiros, vestibulandos, estudantes de Medicina. Pouco se fala sobre isso no Brasil, mas nos Estados Unidos e em algumas partes da Europa, esse uso inadequado já é tratado como um problema de saúde pública.”
     
    Diagnóstico
     
    Para o psiquiatra infantil Rossano Cabral Lima, professor da UERJ, a alta no consumo é motivo de alerta porque o diagnóstico de TDAH nem sempre é acompanhado de uma investigação aprofundada das possíveis causas do comportamento incomum da criança.
     
    “Apesar de a medicação ser importante em alguns casos, o diagnóstico rápido de TDAH e o tratamento medicamentoso parecem ter se tornado a solução mais rápida e fácil de vários problemas, sem que a origem deles seja analisada a fundo”, diz. “Não se questiona se a inquietude da criança pode estar relacionada a alguma questão da escola, se é uma resposta a algo que ela não está sabendo lidar.”
     
    Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, afirma que, apesar da alta no consumo, ainda há milhares de brasileiros com TDAH sem tratamento. “Com o crescimento do acesso à medicação, estamos talvez começando a adequar a proporção de pessoas com o transtorno e pacientes tratados. Mas hoje, infelizmente, ainda temos subtratamento de TDAH.”
    O especialista cita um estudo publicado em 2012 na Revista Brasileira de Psiquiatria que apontou que apenas 19% dos brasileiros com TDAH fazem o tratamento com medicação.
     
    Fonte: Uol Saúde