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  • Dilma sanciona lei do Mais Médicos em cerimônia no Planalto

    Dilma sanciona lei do Mais Médicos em cerimônia no Planalto

    Presidente disse que considera programa 'dos mais importantes' do governo

    Ela pediu desculpas a médico cubano que foi hostilizado em Fortaleza.

     

    A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta terça-feira (22) a medida provisória que institui o Mais Médicos, programa do governo federal que tem o objetivo de levar profissionais brasileiros e estrangeiros para atender a população em áreas carentes das periferias de grandes cidades e no interior do país. O texto foi aprovado por Câmara e Senado no início do mês.

    “É um programa que eu considero dos mais importantes do meu governo. E eu quero manifestar aqui publicamente o meu agradecimento à Câmara e ao Senado que, mais uma vez, demonstraram sua sensibilidade aos grandes problemas nacionais e também uma capacidade de compartilhar decisões que são cruciais e que são importantes para o país com o Executivo”, afirmou.

    O Ministério da Saúde poderá, a partir desta quarta (23), quando a lei for publicada no “Diário Oficial da União”, emitir registros provisórios para profissionais estrangeiros que ainda não obtiveram o documento. A possibilidade de o ministério conceder os registros foi incluída no texto da MP porque médicos estrangeiros contratados pelo programa estavam com dificuldades para conseguir os registros nos conselhos regionais de medicina. De acordo com o governo, em alguns casos os conselhos estavam exigindo dos profissionais estrangeiros documentos para obter o registro além daqueles exigidos pela MP.

    Ainda segundo o Ministério da Saúde, atualmente 196 médicos estrangeiros contratados pelo Mais Médicos estão no país sem poder atuar por falta do registro.

    Antes de começar seu discurso no evento, a presidente fez um pedido de desculpas ao médico cubano Juan Delgado, presente à cerimônia, que foi hostilizado em Fortaleza durante um ato contra o Mais Médicos. Na ocasião, em agosto, os estrangeiros que tinham chegado recentemente ao país foram xingados de “escravos” e “incompetentes” por manifestantes contrários ao programa.

    “Primeiro eu quero cumprimentar o Juan, não apenas pelo fato de ele ter sofrido um imenso constragimento quando chegou ao Brasil, porque do ponto de vista pessoal e em nome do governo, eu tenho certeza, do povo brasileiro, eu peço nossas desculpas a ele”, afirmou.

    Ela ainda dirigiu um agradecimento a todos profissionais que vieram de fora do país. Para ela, eles demonstram “imenso carinho” com o povo brasileiro.

    “Mais uma vez finalizo agradecendo aqueles que não trouxeram sua família, que estão com saudade e que demonstram imenso carinho ao povo brasileiro. Eles vieram nos apoiar, nos ajudar. Esse país vai ficar eternamente grato a vocês. Talvez essa participação de vocês seja a mais perfeita, a mais completa, não só forma de integração da América Latina e dos outros países, mas também é um atestado de cidadania brasileira”, disse Dilma.

    Fonte: Bem Estar

     

  • Campanha pede redução de impostos sobre remédios

    Campanha pede redução de impostos sobre remédios

    Uma campanha lançada neste mês quer pressionar o governo a reduzir os impostos –e, consequentemente, o preço– de medicamentos no Brasil.

    Quem está por trás da iniciativa é a Abrafarma (associação de redes de farmácias e drogarias) e a Interfarma (associação que representa a indústria farmacêutica).

    Segundo as entidades, o Brasil é um dos campeões de impostos sobre medicamentos, com uma carga tributária de 34%. A conta foi feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.

    O ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) abocanha a maior parte desse percentual. O tributo fica entre 17% e 19% do preço do remédio, dependendo do Estado. Em São Paulo ele é de 18%. Só no Paraná o imposto é mais baixo, de 12%.

    Em países como Portugal, Suíça e Holanda, os medicamentos são tributados em, no máximo, 10%, afirmam as associações. A média em outros países é de 6,3%, mas no Reino Unido e Canadá não há impostos sobre remédios.

    “Não faz sentido que remédio pague mais impostos que biquíni ou urso de pelúcia”, diz Antônio Britto, presidente da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).

    “A Constituição afirma que a tributação de um produto deve ser feita de acordo com sua essencialidade, mas acho que houve uma inversão das prioridades, já que automóvel tem imposto menor que medicamentos no país”, diz Pedro Bernardo, diretor da área de acesso da Interfarma.

    Cassio Zocolotti, diretor de consultoria tributária do grupo FBM, afirma que a redução de impostos estaduais e federais teria um impacto direto na diminuição do preço dos remédios para o consumidor final, já que, por força de lei, os valores desses produtos são determinados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

    “Impostos menores significariam maior acesso da população aos remédios, menos hospitalizações e menor uso de dinheiro público na saúde”, diz Britto.

    De acordo com Zocolotti, que não está envolvido com a campanha, a redução de impostos poderia aumentar a arrecadação, já que, com remédios mais baratos, o consumo deve crescer.

    Foi o que aconteceu no Paraná, que reduziu o ICMS para remédios em 2008: a arrecadação com medicamentos aumentou de R$ 50 milhões antes da mudança para cerca de R$ 170 milhões em 2010.

    A campanha está coletando adesões por meio de abaixo-assinados disponíveis em cerca de 6.000 farmácias do país. A iniciativa já conseguiu mais de 2 milhões de assinaturas desde o dia 1º.

    O próximo passo, segundo Britto, é entregar o resultado da campanha para senadores e deputados federais em novembro e pressioná-los a reduzir ou até eliminar os impostos de medicamentos.

    Outro objetivo é colocar em pauta alguns dos mais de 20 projetos de lei que defendem a redução de impostos dos medicamentos.

    OUTRO LADO

    Procurado pela reportagem, o Ministério da Fazenda afirmou que não estão previstos novos cortes de impostos sobre produtos, mas não se manifestou sobre a diferença entre a carga tributária dos remédios e a de outros produtos. A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo disse apenas que “por ora, é contra a redução”.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Planos de saúde terão que cobrir 37 remédios orais contra câncer em 2014

    Planos de saúde terão que cobrir 37 remédios orais contra câncer em 2014

    A partir de 2 de janeiro de 2014, todos os planos de saúde do país terão de cobrir 37 medicamentos orais para o tratamento em casa para diferentes tumores de grande prevalência entre a população, como câncer de útero, mama, ovário, testículo, estômago, fígado, intestino e rim. O reajuste nos valores dos planos por conta dessas inclusões, se houver, será apenas em 2015.

     

    No total, foram incluídos 87 novos procedimentos na lista que obrigatoriamente terá de ser oferecida pelos planos, como cirurgias por videolaparoscopia, menos invasivas, e o fornecimento de bolsas coletoras intestinais ou urinárias para pacientes ostomizados.

    A medida foi anunciada nesta segunda-feira (21) pelo Ministério da Saúde e pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Segundo o diretor-presidente da ANS, André Longo, o objetivo é dar mais conforto ao paciente e também reduzir os custos de internação em hospitais.

    A forma como será feita a distribuição dos remédios dependerá da operadora, que poderá entregá-los diretamente na casa do paciente, distribuí-los em algum centro ou por meio de reembolso. Segundo Longo, o reajuste das mensalidades dos planos por conta desses novos procedimentos só será conhecido em 2015. Ele explicou que a demanda por esses remédios e serviços será avaliado ao longo de 2014 e somente no ano seguinte é que se saberá se haverá algum impacto nos valores dos planos.

    A expectativa, porém, é que esse reajuste “não seja expressivo, muito menos abusivo”, de acordo com avaliação do diretor-presidente da ANS.

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que, “historicamente, a ampliação do rol nunca foi o motivo de impactar o reajuste de forma significativa”. O maio reajuste, disse, foi de 1,1% em 2010.

    Para Padilha, o fornecimento desses  medicamentos é uma forma de modernização do rol de procedimentos que 'dá mais qualidade de vida ao paciente'.

    “Com o avanço do tratamento do câncer, que pode ser feito fora do ambulatório, esses medicamentos biológicos dão uma maior chance de cura do câncer aos pacientes e cria um novo ambiente para o tratamento”, disse Padilha.

    Mais cirurgias e consultas

    Sessões de fisioterapia passam a ter cobertura obrigatória a partir do ano que vem. Candidatos a laqueadura, vasectomia, cirurgia bariátrica, implante coclear e pacientes ostomizados terão direito a 12 sessões com psicólogo por ano. Portadores de transtornos de personalidade também poderão usar 12 consultas anuais.

    Foi ampliado ainda o número de sessões de fonoaudiologia para diferentes casos e de consulta com nutricionistas para pacientes com sobrepeso, obesidade e ostomizados após cirurgias gastrointestinal. 

    O novo rol permitirá também o paciente fazer exames de Pet Scan, especialmente em casos de câncer de mama metastático e de esôfago e o exame de angiotomografia coronariana para pacientes de risco baixo e moderado.

    Os procedimentos escolhidos foram baseados em uma consulta pública que, segundo o ministro, teve recorde de participação: 7.340, destes 50% de consumidores.

    A medida deve beneficiar 42,5 milhões de clientes de planos individuais e coletivos e vale para todos os 1.090 planos médico-hospitalares e 407 odontológicos que atuam no Brasil.

    Padilha ressaltou ainda que os pacientes que tiverem problemas em conseguir autorização dos planos de saúde em relação aos novos procedimentos deverão reclamar no telefone de atendimento da ANS: 0800 701 9656. 

    A lista completa dos procedimentos está no site do Ministério da Saúde.

    Fonte: Folha de São Paulo

     

  • Estudo acha substância protetora contra alzheimer

    Estudo acha substância protetora contra alzheimer

    Uma substância mostrou, em testes in vitro, que é capaz de bloquear uma interação entre moléculas que leva à doença de Alzheimer.

    O achado é de um grupo de pesquisadores do A.C. Camargo Cancer Center, que acabam de publicar um novo estudo no periódico “Journal of Neuroscience”.

    Estudos anteriores (incluindo trabalhos desse mesmo grupo) já haviam demonstrado que a proteína príon, que ocorre naturalmente no cérebro mas é mais conhecida como a causadora de doenças como a da vaca louca e de Creutzfeldt-Jakob, também tem funções benéficas.

    Um desses benefícios ocorre quando a príon se une à proteína STI1: a parceria leva à proteção de neurônios contra agressões.

    O problema é que a proteína príon também “gosta” de fazer ligações tóxicas, como a que acontece com oligômeros beta-amiloides e que leva ao mal de Alzheimer.

    O que os pesquisadores fizeram agora foi usar a proteína STI1 para se ligar à príon e impedir sua união com a beta-amiloide.

    “Mostramos em diferentes modelos bioquímicos e celulares que somos capazes de bloquear a interação da príon com a beta-amiloide e que a união da príon com a STI1 reverte a toxicidade no neurônio”, afirma Vilma Martins, diretora de pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center.

    O próximo passo é testar a proteína STI1 em animais. Ainda é cedo para pensar no uso da substância em humanos, mas Martins diz acreditar que, se os testes em laboratório derem certo, a molécula poderia servir de molde para uma droga no futuro.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Impressão 3D ajuda médicos a planejar cirurgias de coluna e fazer diagnósticos

    Impressão 3D ajuda médicos a planejar cirurgias de coluna e fazer diagnósticos

    As promessas da impressão 3D para a medicina regenerativa –a construção de órgãos e tecidos para substituir partes danificadas do corpo– ainda estão em fase de pesquisa e longe da realidade dos consultórios médicos.

    Mas aplicações mais simples dessa tecnologia já começam a ajudar médicos a planejar procedimentos e a explicar a estudantes e aos seus próprios pacientes qual é a doença em questão e como será feita uma cirurgia.

    O neurocirurgião Joel Teixeira, dos grupos de dor e de coluna do Hospital das Clínicas e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, começou a usar a impressora 3D em seu consultório particular há cerca de um mês.

    Seis pacientes com problemas de coluna de difícil diagnóstico ou que precisariam passar por cirurgias tiveram suas vértebras e articulações reproduzidas pelo aparelho.

    Para criar o protótipo, impresso em plástico, o médico usou os dados da tomografia computadorizada dos seus pacientes. Os pixels em três dimensões foram convertidos por um programa de computador em um “objeto” 3D virtual, enviado à impressora, que traduziu as informações em camadas de plástico depositadas sucessivamente até formar a parte da coluna que interessava ao médico.

    “Aquele desastre de coluna é a minha”, diz, aos risos, o gerente de contabilidade Antonio Carlos Sousa dos Santos, 53, que foi submetido há quase duas semanas a uma cirurgia minimamente invasiva para fixar uma parte de sua coluna.

    Teixeira usou a réplica da coluna do gerente para se certificar de como a coluna do paciente estava se apoiando em uma das vértebras, que estava deteriorada, e para simular a fixação dos parafusos que seriam usados.

    ENXERGANDO ALÉM

    A vantagem, diz o médico, é especialmente para a cirurgia minimamente invasiva, que usa só pequenos cortes na tentativa de reparar a coluna. Nesse tipo de operação, o médico não enxerga a coluna inteira do paciente, só pequenos pedaços. Exames de imagem ajudam nessa navegação, mas “é fácil se perder”, segundo Teixeira.

    Segundo o neurocirurgião Manoel Jacobsen, professor da Faculdade de Medicina da USP e chefe do grupo de dor do HC, hoje, o comum é simular as cirurgias em modelos de coluna padronizados.

    O uso dos exames de imagem durante a cirurgia e a navegação por uma espécie de GPS que orienta o trabalho do médico também fazem parte dos procedimentos, em especial os pouco invasivos.

    Jacobsen afirma que já está sendo avaliada a compra de um equipamento de impressão 3D para uso na faculdade. “Essa tecnologia tem uso pertinente na educação de estudantes de graduação e de pós, além do treinamento dos cirurgiões e fisiatras.”

    João Amadera, fisiatra do Spine Center do HCor (Hospital do Coração), afirma que a função educativa dessas reproduções em 3D é válida, mas que a impressão com base na tomografia pode não reproduzir com exatidão a situação vivida na cirurgia. “O exame é feito de barriga para cima e a cirurgia, de barriga para baixo. Isso muda a posição da coluna.”

    O neurologista Jefferson Gomes Fernandes, superintendente de educação em ciências no hospital Oswaldo Cruz, diz que a instituição está incorporando essa tecnologia. “Para planejar a abordagem cirúrgica, a impressão 3D é muito útil. E o paciente vê o problema, pode levar aquilo para outro médico e ter uma segundo opinião.”

    AVANÇOS

    Fernandes diz que além dessa aplicação mais simples da impressão, o hospital planeja colaborar com pesquisas feitas pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) no campo da medicina regenerativa.

    A ideia é estudar a impressão de estruturas como cartilagens e suportes para o crescimento de células-tronco.

    Nos EUA, avanços nesse sentido vêm se acumulando. Em maio deste ano, por exemplo, médicos relataram o sucesso do implante de um brônquio impresso em 3D com plástico absorvível em um bebê.

    Silvio Duailibi, cirurgião-dentista, professor e pesquisador da Unifesp, estuda a criação de tecidos substitutos a partir de material biológico que, futuramente, poderá ser impresso em 3D.

    No Brasil, diz ele, essa tecnologia está em fase embrionária, mas é importante formar parcerias, como a que o laboratório onde ele trabalha está iniciando com o hospital Oswaldo Cruz, para que haja investimento na tecnologia.

    “Essa é uma área estratégica, que precisa de recursos públicos e privados.”

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Uso excessivo de Tylenol causa 150 mortes por ano nos EUA, diz ONG

    Uso excessivo de Tylenol causa 150 mortes por ano nos EUA, diz ONG

    Um levantamento feito pela organização sem fins lucrativos Pro Publica, dos EUA, mostra que, de 2001 a 2010, cerca de 150 americanos morreram por ano por intoxicação após o consumo de paracetamol, princípio ativo do analgésico Tylenol.

    Segundo a Pro Publica, que consultou dados dos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), essas mortes ocorreram por ingestão acidental de doses maiores do que as recomendadas na bula.

    O problema, diz a organização, é que a diferença entre a dose máxima por dia para adultos (4 g) e a quantidade que pode causar danos ao fígado é pequena, facilitando a overdose acidental.

    Outro problema é que a FDA (agência reguladora de remédios nos EUA) demorou muito para incluir na bula alertas importantes sobre o uso da droga, em especial para pessoas que bebem álcool regularmente ou tomam outros remédios.

    FÍGADO

    O paracetamol é metabolizado no fígado. Em caso de doses excessivas ou de pessoas desnutridas, que bebam álcool regularmente ou que tomem outros remédios, esse metabolismo produz uma substância tóxica que pode levar à falência hepática.

    No Brasil, segundo o hepatologista Raymundo Paraná, não há dados sólidos sobre intoxicações por paracetamol, mas a Sociedade Brasileira de Hepatologia está iniciando um estudo em oito centros de referência para doenças do fígado e em uma unidade básica de saúde para medir sua ocorrência.

    O hepatologista, que é professor da faculdade de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), afirma que a dose máxima do remédio deveria ser reduzida de 4 g por dia para 3 g.
    “É uma droga segura, mas se usada no limite terapêutico. Até 3 g por dia não causa problemas. Entre 3 g e 4 g já houve casos [de intoxicação] em pacientes que usavam outras medicações.”

    Ele destaca que o efeito colateral causado pelo paracetamol é previsível e proporcional à dose tomada, diferentemente dos problemas que podem ocorrer com o uso do analgésico que encabeça a lista dos remédios mais vendidos no Brasil, a dipirona.

    A droga já foi ligada a um problema raro que leva a medula óssea a parar de produzir células de defesa. Nos EUA e em alguns países da Europa, a dipirona não é vendida.

    Já para Aurélio Saez, diretor de relações institucionais da Abimip (associação de fabricantes de remédios isentos de prescrição), o fato de o Brasil e outros países onde a dipirona é vendida não terem números tão grandes de intoxicação por paracetamol fala a favor da dipirona.

    Mas ele lembra que nos EUA e em outros países com altas taxas de intoxicação por paracetamol, é comum o uso desse remédio em tentativas de suicídio.

    OUTRO LADO

    Em nota, a Johnson&Johnson, fabricante do Tylenol, afirma que, quando usado de acordo com a bula, o paracetamol tem “um dos melhores perfis de segurança entre os analgésicos isentos de prescrição”. Mas, como qualquer remédio, pode trazer riscos acima das doses recomendadas. “Os consumidores devem sempre ler a bula, não ingerir mais do que a dose recomendada e seguir sempre a orientação de um médico.”

    À Pro Publica, a FDA admitiu que houve demora em acrescentar alertas às bulas do Tylenol, mas que isso foi feito conforme a evolução das evidências científicas.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Um terço dos usuários de planos de saúde recorre ao SUS ou paga consulta

    Um terço dos usuários de planos de saúde recorre ao SUS ou paga consulta

    Tantos são os problemas e dificuldades enfrentados com planos de saúde no país que 30% dos usuários recorrem ao SUS (Sistema Único de Saúde) ou ao atendimento particular para receber cuidado médico adequado. É o que mostra uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (17), às vésperas do Dia do Médico.

     

    O levantamento indica que houve um aumento de 50% na procura de usuários de convênios por atendimento particular ou pelo SUS em relação à apuração anterior, feita no ano passado. Em 2013, 22% das pessoas que têm plano de saúde tiveram que recorrer ao sistema público, contra uma proporção de 15% registrada no ano passado. E 12% tiveram que arcar com o atendimento este ano, contra 9% em 2012.

    O maior crescimento na procura por outras opções de atendimento ocorreu principalmente na capital, entre as mulheres e entre os usuários com idade entre 25 e 34 anos.

    Metodologia

    A pesquisa foi realizada junto à população adulta do Estado de São Paulo que utilizou planos de saúde dos últimos 24 meses. Foram consultados homens e mulheres, com 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, que possuem plano ou seguro saúde como titulares ou dependentes.

    A amostra total é de 861 entrevistas, feitas em setembro deste ano. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

    Os entrevistados apontaram queixas como a dificuldade para marcar consultas e para realização de exames, cirurgias e procedimentos de maior custo, entre outros pontos.

    Entre os usuários, 79% relataram problemas. A APM diz que, projetando-se a proporção para os 10,4 milhões de usuários, há 8,2 milhões de pessoas com queixas. Cada pesquisado apontou mais de quatro problemas referentes ao plano de saúde.

    Queixas

    Questionados sobre a utilização de serviços e a percepção de problemas, 66% dos entrevistados reclamaram de dificuldades em consultas médicas e 47%, na realização de exames. Já o pronto atendimento, terceiro em uso, é o serviço com maior índice de problemas: 80% dos usuários apresentaram queixas.

    No item consultas médicas, demora na marcação (52%), médico que saiu do plano (28%), e demora na autorização da consulta (25%) são as queixas mais citadas pelos usuários.

    Quando aos exames e diagnósticos, as queixas são recorrentes para demora para marcação (28%), poucas opções de laboratórios e clínicas especializadas (27%), e tempo para autorização do exame ou procedimento (18%).

    Local de espera lotado é o principal problema apontado pelos usuários do pronto atendimento (74%).  Demora para ser atendido também é um aspecto importante, mencionado por 55% dos usuários. Outras reclamações citadas são demora ou negativa para realização de procedimentos necessários (16%), locais inadequados para receber medicação (13%) e negativa de atendimento (9%).

    Internações

    Quarenta e um por cento dos usuários que precisaram ser internados relataram problemas, o que foi projetado para um total de 800 mil pessoas. Do total, 30% reclamaram da falta de opções de hospitais; 12% de dificuldade ou demora para o plano autorizar a internação; e 8% da falta de vaga no hospital procurado.

    Dos 16% de usuários que passaram por cirurgia, um quarto relatou problemas como a demora na autorização (17%) e falta de cobertura para materiais especiais (9%).

    Entre os entrevistados, 15% já fizeram alguma reclamação, recurso ou notificação contra o plano de saúde. A negativa para cirurgia foi o motivo mais apontado pelos beneficiários que recorreram à Justiça.

    Fonte: Uol Saúde

     

  • Exame de sangue pode ajudar a detectar câncer de pulmão, afirma estudo

    Exame de sangue pode ajudar a detectar câncer de pulmão, afirma estudo

    Um exame de sangue experimental demonstrou ser promissor para a detecção do câncer de pulmão em estágio inicial e poderá ser um instrumento de diagnóstico mais preciso do que os escâneres e as biópsias invasivas, disseram pesquisadores nesta quarta-feira (16).



    Só um a cada cinco pacientes submetidos a cirurgia ou biópsia de uma pequena massa pulmonar detectada durante escâner de tomografia computadorizada (TC) pode realmente ter câncer e os especialistas afirmam que há grande necessidade de uma tecnologia melhor.



    “Levando em conta que os oncologistas recorrem frequentemente a biópsias e intervenções cirúrgicas que comportam riscos para determinar a natureza de uma lesão, há necessidade de (métodos de) diagnósticos que permitam evitar estes procedimentos”, destacou o pneumonologista Kenneth Fang, responsável pela divisão médica da Integrated Diagnostics (Indi), laboratório americano que patenteou o teste e é co-autor do estudo.



    O câncer de pulmão, o mais comum no mundo e um dos mais perigosos, mata 1,3 milhão de pessoas a cada ano segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O tabagismo é a causa principal.



    A prova experimental, descrita em um estudo na revista Science Translational Medicine, foi aplicada em 143 pacientes em três lugares diferentes dos Estados Unidos.



    Todos os pacientes tinham pequenas massas chamadas nódulos nos pulmões. Alguns apresentavam câncer em estágio 1, em outros casos tratou-se de tumores benignos.



    A partir da identificação de 13 proteínas no plasma, o teste determinou de forma precisa se os nódulos eram benignos em 90% dos casos. A prova se apoia em bioinformática, que permite analisar simultaneamente 371 potenciais marcadores de câncer de pulmão.



    “O estudo sugere ser possível detectar a assinatura molecular do câncer de pulmão ao medir a presença de múltiplas proteínas no sangue de um paciente”, explica Paul Kerney, encarregado científico de Indi e um dos principais autores do estudo.



    Os pesquisadores a cargo do projeto procedem do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York, a Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia e o Centro Médico da Universidade Vanderbilt.



    “Os médicos que tratam estes casos têm com frequência muitas dificuldades em decidir os passos a seguir, após terem detectado um nódulo no pulmão de um paciente, vista a dificuldade de saber se esta lesão representa ou não risco de ser cancerosa”, diz Fang.



    Um porta-voz da companhia declarou à AFP que uma versão comercial do teste deve estar disponível nos Estados Unidos este ano. Seu preço ainda não foi determinado, disse.



    Os nódulos de pulmão costumam ter entre 5 e 25 milímetros de comprimento. Os maiores têm mais possibilidades de ser cancerosos do que os menores.



    O procedimento padrão de tratamento atual implica comparar os raios X do tórax com escâner de TC ao longo do tempo e fazer uma biópsia em caso de suspeita de câncer.



    “Este trabalho não é mais que um começo, mas os princípios nos quais esta tecnologia de diagnóstico se baseia deveriam poder ser aplicados a outros cânceres e patologias”, concluiu Fang, abrindo o caminho para aplicações potenciais no futuro.

     
    Fonte: Uol Saúde
  • Médico será investigado por superdosagem de antibiótico

    Médico será investigado por superdosagem de antibiótico

    Porto Alegre – Ganhou repercussão nas redes sociais a imagem de um receituário médico preenchido por um profissional argentino, pertencente ao programa Mais Médicos, do governo, no qual uma dosagem de um antibiótico indicada ao paciente é três vezes superior à usual. O médico Juan Pablo Cazajus está registrado no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) com o número 38.128 e tem atendido numa Unidade Básica de Saúde (UBS) de Nova Tramandaí, em Tramandaí, no litoral norte do Estado.



    Cazajus médico receitou na semana passada a um paciente idoso, fumante, com infecção pulmonar, o antibiótico azitromicina de oito em oito horas. A dosagem seria prejudicial. “Dentro da nossa Farmacologia, esse antibiótico é receitado 500 miligramas por dia, no máximo por cinco dias. Ou seja, um comprimido por dia. Há uma superdosagem”, afirma o presidente do Cremers, Fernando Matos. Ele, que é cirurgião gastrointestinal, completa: “Nesse caso, é um medicamento controlado e tem de ser dado com cuidado, principalmente para crianças e idosos. Uma superdosagem poderá acarretar danos, tanto no fígado, como nos pulmões e no sistema gastrointestinal.” 



    O conselho abrirá uma sindicância para apurar o caso. “Queremos saber do médico a razão para essa dosagem, que aparentemente não tem o porquê de se fazer. Assim como ouvimos médicos brasileiros nesses casos, também temos de ouvir esse médico estrangeiro, pois a lei é única”, afirma. O secretário de Saúde de Tramandaí, Mário Morita, não atendeu aos telefonemas da reportagem. Já o Ministério da Saúde afirmou por nota que “um médico supervisor vinculado ao programa foi encaminhado ao local para acompanhar e avaliar a atuação do profissional”.



    De acordo com o Cremers, dados em branco no registro do médico argentino deixados pelo ministério dificultam a apuração da suposta irregularidade. “Até agora, o ministério não informou o endereço do médico na cidade, nem o do seu preceptor e do seu tutor, que seriam os médicos responsáveis por acompanhar o trabalho desse médico. Esses dados facilitariam muito para averiguarmos a situação.” Esses dados não constam em nenhum dos 45 registros de médicos do programa no Estado, diz Matos. Cazajus, assim como o paciente que teve o antibiótico receitado, não foram encontrados pela reportagem.

     
    Fonte: Estadão
  • Efeito da talidomida pode ter sido mais amplo do que se supunha, diz pesquisador

    Efeito da talidomida pode ter sido mais amplo do que se supunha, diz pesquisador

    Em vários países, grupos que nunca receberam indenização se mobilizam para entra com ações na Justiça.

     

    Estudos recentes indicam que a droga talidomida pode ter causado uma gama mais ampla de más-formações do que se imaginava.

    Como resultado, em vários países, indivíduos que nasceram com deficiências físicas e tiveram recusados seus pedidos de indenização estão agora exigindo que seus casos sejam reconsiderados.

    Criada pela companhia farmacêutica alemã Grunenthal, a talidomida começou a ser vendida em 1957, inicialmente como um sedativo leve. Depois, passou a ser receitada a mulheres grávidas, para combater o enjoo.

    Em 1961, já havia ficado claro que o remédio estava levando ao nascimento de bebês com problemas de formação graves, como o encurtamento de braços e pernas. Ainda em 1961, a droga foi retirada do mercado em vários países.

    Segundo números oficiais, cerca de 10 mil pessoas em todo o mundo nasceram com más-formações provocadas pela talidomida. Acredita-se que muitas mortes ocorreram ainda no útero.

    Hoje, a talidomida ainda é utilizada para tratar a hanseníase (lepra) e o mieloma múltiplo (um tipo de câncer).

    No Brasil – segundo país do mundo em casos de hanseníase, superado apenas pela Índia – milhões de comprimidos da droga são consumidos por milhares de pacientes. Recentemente, um estudo brasileiro vinculou 100 casos de bebês nascidos com deformidades à ingestão de talidomida.

    Nova pesquisa

    Em 1973, na Grã-Bretanha, após longas batalhes em tribunais, os distribuidores britânicos da Talidomida – a empresa Distillers – concordaram em compensar financeiramente as vítimas.

    O Thalidomide Trust foi criado, e mais de 400 crianças foram beneficiadas.

    No entanto, os critérios para a determinação dos casos que se qualificam para receber indenizações são, na opinião de alguns, inapropriados.

    Muitos indivíduos que nasceram com deformidades mas foram excluídos do grupo que recebe ajuda financeira para conviver com suas deficiências acompanham com atenção os estudos do pesquisador Neil Vergesson, da University of Aberdeen, Escócia.

    Vergesson vem observando os efeitos da talidomida no desenvolvimento de embriões de pintinhos e peixes.

    No passado, o especialista escreveu relatórios para advogados que representavam alguns dos pacientes excluídos da lista oficial de vítimas.

    Na década de 1960, especialistas decidiram que os fetos eram afetados pela droga durante um período muito curto da gestação – entre o vigésimo e o trigésimo-sexto dia após a concepção.

    Vargesson questiona essa teoria. E afirma também que a droga afeta indivíduos de maneiras diferentes.

    'Esse intervalo de tempo (durante o qual o feto seria sensível à droga) foi baseado em entrevistas com pais de crianças seriamente afetadas e está relacionado a danos externos e danos internos graves', disse.

    E acrescentou: 'Tendo em vista a diversidade dos danos em sobreviventes da talidomida e estudos em animais que mostram que em uma mesma ninhada cada feto é danificado de forma diferente, está claro para mim que a droga age de maneira diferente em cada indivíduo e embrião'.

    Para Vergesson, é possível que a talidomida provoque uma gama mais ampla de danos do que se imaginava.

    No entanto, ele admite que é difícil saber com exatidão que danos são esses.

    'Jamais saberemos a gama verdadeira (de efeitos da droga), é tão difícil voltar 55 anos e dizer, bem, vamos dar uma olhada nessas pessoas, porque na maioria dos casos, nem sabemos quem são essas pessoas'.

    O trabalho de Vergesson é polêmico e há especialistas que discordam de suas conclusões.

    Para alguns, porém, as pesquisas do especialista oferecem alguma possibilidade de justiça.

    Injustiça?

    O britânico Gary Grayson, da cidade inglesa de Ipswich, nasceu em 1961. Suas pernas tinham deformidades graves e foram amputadas antes de ele completar dois anos de idade.

    Poucos meses depois, ele passou a usar pernas artificiais.

    A mãe de Grayson tomou talidomida, mas ele nunca recebeu qualquer indenização.

    Médicos do Thalidomide Trust disseram que as deformidades que Grayson apresentava não eram típicas da talidomida.

    Ele não deixou que a deficiência atrasasse seu desenvolvimento e se saía bem na escola. Hoje, casado e pai de família, trabalha no Ministério da Defesa britânico.

    'Na minha juventude, nunca me considerei uma vítima'.

    Mas agora, depois de investigar mais a fundo seu próprio histórico médico, ele acha que tem provas suficientes para brigar na Justiça por uma indenização.

    Indenizações

    Várias firmas de advocacia vêm cuidando do caso de Grayson e de outras supostas vítimas – muitas delas britânicas. O grupo se autodenomina Thalidomiders.

    Em outros países, há mais processos estão em andamento.

    Na Espanha, 185 pessoas estão levando o fabricante alemão Grunenthal para o tribunal. Elas nunca receberam qualquer indenização da empresa.

    No ano passado, na Austrália, os distribuidores da droga concordaram em indenizar uma vítima, Lynette Rowe, de 50 anos. Mais casos são esperados ainda neste ano.

    No Brasil, vítimas da talidomida ganharam direito a indenizações pelo governo brasileiro em 2010. O governo foi responsabilizado porque, ao contrário de outros países, que retiraram a droga de circulação em 1961, o Brasil só suspendeu o uso do medicamento quatro anos depois.

    Segundo estimativas de 2010, 650 brasileiros se qualificavam para receber compensação financeira.

    Fonte: G1 Saúde