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  • Nova descoberta pode levar à cura de Alzheimer

    Nova descoberta pode levar à cura de Alzheimer

    Testada apenas em camundongos, uma substância química provou, pela primeira vez, ser possível impedir a morte de células do cérebro.

     

    A descoberta da primeira substância química capaz de prevenir a morte do tecido cerebral em uma doença que causa degeneração dos neurônios foi aclamada como um momento histórico e empolgante para o esforço científico.

    Ainda é necessário maior investigação para desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes. Mas os cientistas dizem que um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como Alzheimer, Mal de Parkinson, Doença de Huntington, entre outras.

    Em testes feitos com camundongos, a Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, mostrou que a substância pode prevenir a morte das células cerebrais causada por doenças priônicas, que podem atingir o sistema nervoso tanto de humanos como de animais.

    A equipe do Conselho de Pesquisa Médica da Unidade de Toxicologia da universidade focou nos mecanismos naturais de defesa formados em células cerebrais.

    Quando um vírus atinge uma célula do cérebro o resultado é um acúmulo de proteínas virais. As células reagem fechando toda a produção de proteínas, a fim de deter a disseminação do vírus.

    No entanto, muitas doenças neurodegenerativas implicam na produção de proteínas defeituosas ou 'deformadas'. Estas ativam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves.

    As proteínas deformadas permanecem por um longo tempo, resultando no desligamento total da produção de proteína pelas células do cérebro, levando a morte destas.

    Este processo, que acontece repetidamente em neurônios por todo o cérebro, pode destruir o movimento ou a memória, ou até mesmo matar, dependendo da doença.

    'Extraordinário'

    Acredita-se que esse processo aconteça em muitas formas de neurodegeneração, por isso, interferir nesse processo de modo seguro pode resultar no tratamento de muitas doenças.

    Os pesquisadores usaram um composto que impediu os mecanismos de defesa de se manifestarem, e por sua vez interrompeu o processo de degeneração dos neurônios.

    O estudo, divulgado na publicação científica “Science Translational Medicine”, mostrou que camundongos com doença de príon desenvolveram problemas graves de memória e de movimento. Eles morreram em um período de 12 semanas.

    No entanto, aqueles que receberam o composto não mostraram qualquer sinal de tecido cerebral sendo destruído. A coordenadora da pesquisa, Giovanna Mallucci, disse à BBC: 'Eles estavam muito bem, foi extraordinário.'

    'O que é realmente animador é que pela primeira vez um composto impediu completamente a degeneração dos neurônios.'

    'Este não é o composto que você usaria em pessoas , mas isso significa que podemos fazê-lo, e já é um começo', disse Mallucci.

    Ela disse que o composto oferece um 'novo caminho que pode muito bem resultar em drogas de proteção' e o próximo passo seria empresas farmacêuticas desenvolverem um medicamento para uso em seres humanos.

    O laboratório de Mallucci também está testando o composto em outras formas de neurodegeneração em camundongos, mas os resultados ainda não foram publicados.

    Os efeitos colaterais são um problema. O composto também atuou no pâncreas, ou seja, os camundongos desenvolveram uma forma leve de diabetes e perda de peso.

    Qualquer medicamento humano precisará agir apenas sobre o cérebro. No entanto, o composto dá aos cientistas e empresas farmacêuticas um ponto de partida.

    Estudo de referência

    Comentando a pesquisa, Roger Morris da King's College London, disse: 'Esta descoberta, eu suspeito, será julgada pela história como um acontecimento importante na busca de medicamentos para controlar e prevenir o Alzheimer.'

    Ele disse à BBC que uma cura para a doença de Alzheimer não era iminente, mas disse que está 'muito animado, pois é o primeiro teste feito em um animal vivo que prova ser possível retardar a degeneração de neurônios.'

    'O mundo não vai mudar amanhã, mas este é um estudo de referência.'

    David Allsop, professor de neurociência da Universidade de Lancaster descreveu os resultados como 'muito impressionante e encorajador', mas advertiu que era necessário mais pesquisas para ver como as descobertas se aplicam a doenças como Alzheimer e Parkinson.

    Eric Karran, diretor de pesquisa da organização sem fins lucrativos Alzheimer's Research UK, disse: 'Focar em um mecanismo relevante para uma série de doenças neurodegenerativas poderia render um único medicamento com benefícios de grande alcance, mas este composto ainda está em uma fase inicial.'

    'É importante que estes resultados sejam repetidos e testados em outras doenças neurodegenerativas, incluindo o mal de Alzheimer.'

    Fonte: Bem Estar

     

  • China cria vacina para combater encefalite japonesa, afirma OMS

    China cria vacina para combater encefalite japonesa, afirma OMS

    A OMS (Organização Mundial da Saúde) acaba de pré-qualificar, pela primeira vez, uma vacina produzida na China. O medicamento contra a encefalite japonesa deve ser administrado em apenas uma dose em crianças.

    Segundo a OMS, a infecção é causada por um mosquito que transmite o vírus da encefalite japonesa, relacionado à dengue, à febre amarela e ao vírus do Nilo.

    Casos

    Os humanos podem ser infectados com a picada do mosquito e ter uma inflamação no cérebro. Os casos são predominantes em áreas rurais, principalmente no sul e sudeste da Ásia, como China, Índia, Nepal e sudeste da Rússia.

    A OMS calcula que por ano, a encefalite japonesa mate entre 10 mil e 15 mil pessoas. E um estudo mostrou que entre 68 mil casos, pelo menos 30% tiveram sequelas neurológicas permanentes.

    Selo

    A pré-aprovação significa que a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) deu à vacina o selo de aprovação em termos de segurança e eficácia. A diretora da OMS, Margaret Chan, espera ver mais vacinas chinesas com a pré-qualificação da agência.

    Chan destacou ser uma novidade importante na proteção de crianças dos países em desenvolvimento. Não existe tratamento específico para a encefalite japonesa e a doença pode ser prevenida com vacinas de eficácia comprovada.

    Fonte: Uol Saúde

  • CCJ do Senado aprova proposta que destina 50% das emendas à saúde

    CCJ do Senado aprova proposta que destina 50% das emendas à saúde

    Atualmente, governo não é obrigado a pagar verba de emenda parlamentar.

    PEC do Orçamento Impositivo agora vai para o plenário do Senado.

     

    A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (9) a Proposta de Emenda à Constituição do Orçamento Impositivo, que obriga o Executivo federal a liberar recursos para emendas parlamentares de deputados e senadores. O texto já havia sidoaprovado pela Câmara em agosto e segue agora para análise do plenário do Senado.

    Atualmente, cada parlamentar pode indicar R$ 15 milhões em emendas parlamentares, mas a peça orçamentária representa apenas uma autorização e não é impositiva, podendo o governo cumprir ou não a previsão aprovada pelo Legislativo para gastos que não são obrigatórios, como os investimentos.

    No parecer, o relator da proposta, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), incluiu trecho que obriga a destinação de metade das emendas parlamentares à área da saúde pública, conforme exigência feita pelo governo federal.

    Na Câmara, por falta de acordo entre os deputados, a matéria foi aprovada sem estabelecer percentual específico reservado para a saúde.

    O parecer também estabelece a vinculação à saúde de 15% da receita corrente líquida (RCL) da União, somatório de toda a arrecadação tributária, excluídas as transferências constitucionais.

    Esse percentual deve ser alcançado no quinto ano de execução orçamentária sob a nova emenda, devendo aumentar progressivamente a cada ano, começando com a reserva de 13,2%.

    Fonte: G1 Saúde

     

  • Vacina contra malária pode chegar ao mercado a partir de 2015

    Vacina contra malária pode chegar ao mercado a partir de 2015

    Após o sucesso dos testes clínicos realizados em crianças africanas, a primeira vacina contra a malária pode chegar ao mercado já em 2015, informou nesta terça-feira (8) a farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK).

    De acordo com o grupo, que revelou os detalhes dos testes realizados nesta terça-feira (8), a vacina, conhecida como RTS,S, conseguiu reduzir pela metade os casos de malária em crianças entre 5 e 17 meses após receber a primeira imunização.

    Os testes em questão foram realizados a partir da colaboração de várias instituições acadêmicas da África, Europa e Estados Unidos, entre elas a Universidade de Barcelona, na qual trabalha Pedro Alonso, uma referência na luta contra a malária.

    Estima-se que cerca de 600 mil pessoas – a maioria menores de cinco anos – morrem a cada ano na África por conta deste mal que é produzido pelo parasita Plasmodium falciparum, cujos vetores são diversas espécies do mosquito do gênero Anopheles.

    Diante dos encorajadores avanços alcançados na Fase III dos testes realizados, a GSK informou que pedirá no ano que vem à Agência Europeia do Remédio (Ema) uma permissão para comercializar a vacina RTS,S.

    De acordo com a multinacional, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já indicou que pode recomendar a RTS,S no início de 2015 se a mesma receber um sinal verde da Ema.

    A GSK trabalha há anos em colaboração com a ONG Path, enquanto as provas citadas contaram com o financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates. Um porta-voz de GSK informou à Agência Efe que a farmacêutica forneceu US$ 350 milhões e a fundação Gates, por sua vez, outros US$ 200 milhões.

    Em relação ao acesso da população a este fármaco, o porta-voz ressaltou que a GSK comercializará a vacina a preço de custo.

    Os resultados destes testes clínicos serão apresentados na cidade sul-africana de Durhan durante um simpósio especializado, embora os mesmos tenham sido adiantados pela farmacêutica britânica.

    Os exames, que foram realizados em 11 centros de pesquisa em sete países africanos, buscou avaliar a eficácia desta vacina com relação à outras medidas tomadas para prevenir a doença, como o uso dos tradicionais mosquiteiros.

    Desta forma, as provas mostraram que, 18 meses após a primeira vacinação, as crianças de entre 5 e 17 meses experimentaram uma redução de 46% da doença, levando em conta que a mesma pode ser adquirida mais de uma vez.

    Ao mesmo tempo, as hospitalizações por malária apresentaram reduções de 42% durante esse período. Concretamente, os testes foram realizados em Gana, Burkina Fasso, Gabão, Quênia, Tanzânia, Malawi e Moçambique.

    “A África registra cerca de 600 mil mortes ao ano por malária, principalmente de crianças menores de cinco anos”, declarou Halidou Tinto, principal investigador e presidente do chamado Comitê de Ensaios Clínicos (CTPC, na sigla em inglês), que supervisiona a Fase III deste programa da RTS,S.

    “Muitos milhões de casos de malária enchem nossas salas em nossos hospitais. Estamos tendo progressos com os mosquiteiros e outras medidas, mas necessitamos de mais instrumentos para combater esta terrível doença”, completou o pesquisador.

    Desde os anos 90 os cientistas buscam uma vacina eficaz contra a malária, mas, com exceção da RTS,S, nenhuma conseguiu obter resultados encorajadores até o momento.

    Fonte: Uol Saúde

  • Estudo desafia consenso sobre enjoos

    Estudo desafia consenso sobre enjoos

    Em um laboratório na Universidade de Minnesota, Thomas Stoffregen coloca uma pessoa em uma “sala móvel”.

    A câmara tem piso de concreto e três paredes de mármore falso, que se inclinam para dentro cerca de 30 cm. Um movimento tão perturbador que geralmente desequilibra os adultos.

    Stoffregen usa o aparato para estudar a cinetose, o enjoo de movimento. Os indivíduos devem suportar oscilações nas paredes até que sintam tontura. A pesquisa também o levou a navios.

    “Ninguém jamais vomitou no laboratório, mas nos cruzeiros é outra história.”

    Ele acredita que o problema não surge no ouvido interno, mas sim em um distúrbio no sistema do corpo que mantém a posição. A ideia começa a ganhar um reconhecimento hesitante.

    “A maioria das teorias diz que, quando você sente enjoo em movimento, você perde o equilíbrio”, disse Robert Kennedy, da Universidade Central da Flórida. “Stoffregen diz que você fica enjoado porque perde o equilíbrio.”

    O enjoo em viagem é tão antigo quanto o transporte passivo. A palavra “náusea” deriva da palavra grega para “barco”.

    Sejam quais forem suas origens, Stoffregen disse que esse tipo de náusea pode piorar com a proliferação de equipamentos digitais.

    Apesar de sua predominância, Charles M. Oman, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, disse: “Houve relativamente pouca pesquisa sobre náusea, vômitos e enjoos na era moderna”.

    Ele acredita que a neurociência confirmará a explicação tradicional, de que o enjoo surge por um conflito no ouvido interno quando a percepção do movimento não combina com os padrões armazenados no cérebro.

    Geralmente se aceita que órgãos do ouvido interno funcionais são pré-requisito para o enjoo: um estudo publicado em 1968, por exemplo, descobriu que surdos não sofriam náusea em um barco estreito no mar com ondas de 12 metros.

    Stoffregen rejeita a teoria, que, segundo ele, não explica por que as mulheres têm maior tendência ao enjoo do que os homens ou por que é mais difícil para os passageiros suportarem o movimento do que para o motorista.

    Ele afirma que os seres humanos ficam nauseados em situações em que ainda não aprenderam estratégias para manter uma posição estável e, por isso, novos padrões de movimento devem ser aprendidos.

    Para o pesquisador, os tratamentos atuais fazem pouco mais que induzir a sonolência. Em um cruzeiro, ele estava em seu quarto, sofrendo a própria coisa que estuda, mas se recusou a fazer qualquer tratamento.

    “Sei que não funcionam para mim. Nem mesmo como placebo”, disse.

    Fonte: New York Times

  • Projeto busca descobrir vantagens do mapeamento genético para bebês

    Projeto busca descobrir vantagens do mapeamento genético para bebês

    Projeto americano vai sequenciar DNA de centenas de recém-nascidos.

    Objetivo é saber como usar dados sem preocupações desnecessárias.

     

    O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, nas sigla em inglês) anunciou, no mês passado, um investimento equivalente a mais de R$55 milhões em um projeto piloto que buscará responder até que ponto o mapeamento genético de um recém-nascido traz benefícios reais à saúde do indivíduo.

    O projeto, que será desenvolvido em quatro cidades, vem de uma inquietação que aumenta à medida que o sequenciamento genético passa a ser encontrado a preços cada vez menores: como usar as informações para benefício do paciente sem causar preocupações desnecessárias?

    Cientistas querem analisar se os pais de recém-nascidos deveriam ser informados apenas sobre as doenças típicas da infância ou se também deveriam saber que a criança carrega um gene que aumenta o risco do desenvolvimento de câncer de mama na fase adulta, por exemplo. Além disso, a ciência ainda precisa apresentar resultados satisfatórios que garantam que os falsos alarmes não superariam as situações em que a informação realmente poderia ser útil.

    Caso os resultados sejam satisfatórios em responder a essas perguntas, o sequenciamento genético – mapeamento total dos genes de uma pessoa – pode se tornar parte dos cuidados básicos ao recém-nascido.

    “Isso era algo que estava apontando no horizonte”, diz Alan Guttmacher, um pediatra e geneticista que está à frente da divisão de ssaúde da criança do NIH.

    Hoje, os 4 milhões de bebês nascidos anualmente nos Estados Unidos fazem o teste do pezinho, em que uma gota de sangue retirada do calcanhar da criança é testada para a presença de cerca de 30 doenças raras. Esse rastreamento identifica vários milhares de bebês afetados a cada ano a tempo de receberem tratamento precoce, capaz de prevenir a morte, danos ao cérebro ou outras deficiências.

    Um mapeamento genético completo seria capaz de ir bem além do teste do pezinho, permitindo a busca por centenas de outras condições: algumas que se desenvolveriam na infância e outras na fase adultas, algumas capazes de serem prevenidas e outras não.

    “Se eu realmente acreditasse que conhecer o genoma de uma pessoa permitiria transformar a medicina na próxima década, então eu iria querer começar a gerar esse tipo de informação no momento em que ela nasce, não?”, questiona o médico John Niederhuber, ex-diretor do NIH.

    No instituto de pesquisa coordenado por Niederhuber, na cidade de Falls Church, em Virgínia, os pesquisadores estão mapeando o genoma dos recém-nascidos, bem como o de seus pais e outros parentes para comparação. O objetivo a longo prazo é descobrir padrões genéticos que podem prever problemas de saúde complexos, desde prematuridade até distúrbios de desenvolvimento.

    Mas os exames experimentais devem encontrar também algumas mutações genéticas bem conhecidas por causarem doenças graves. Os pais devem escolher, com antecedência, se querem ser informados sobre esses achados ou não. Eles não receberão um relatório completo dos genes do bebê. Apenas aqueles que causam doenças que podem ser tratadas ou prevenidas são revelados ao médico da família.

    A enfermeira Holly Sloan não hesitou em inscrever sua filha Amelia no projeto de pesquisa, apesar de ter pensado bastante sobre como reagiria a uma notícia ruim.

    “Se fosse alguma coisa que pudéssemos prevenir por meio de dieta ou exercío, ou mudança do estilo de vida, poderíamos começar o mais cedo possível”, diz Holly. “Acho que sou do tipo de pessoa que prefere saber e lidar com a questão”. Cinco meses após o nascimento de Amelia, ela ainda não recebeu nenhum resultado preocupante.

    Das quatro equipes que participam do projeto, uma vai usar o mapeamento genético rápido para testar bebês doentes, em unidades de terapia intensiva. Outra vai atrás de detectar genes importantes para a infância, como aqueles realcionados a deficiências imunes que não são detectadas pelos rastreamentos atuais. Os outros dois projetos vão inscrever crianças saudáveis para verificar que tipo de informações os pais querem saber para o futuro de seus bebês.

    “Nem temos certeza se o sequenciamento genômico em recém-nascidos é realmente uma boa ideia”, diz um dos líderes do estudo, Jonathan Berg. Em vez de um único mapeamento, é possível que “usemos sequenciamentos-alvo em determinados momentos da vida de uma pessoa, quando aquela informação específica realmente for útil”.

    Fonte: Bem Estar

     

  • Dor fetal motiva debate sobre aborto

    Dor fetal motiva debate sobre aborto

    O debate científico sobre o período da gestação a partir do qual o feto é capaz de sentir dor fez com que grupos antiaborto nos EUA passassem a defender a criação de leis que proíbam o aborto 20 semanas depois da concepção, alegando que os fetos já sentem dor nessa etapa.

    Segundo esses grupos, estudos mostram que os fetos já podem sentir dor a partir da 20a semana de gravidez. Um dos cientistas citados acredita, no entanto, que os poucos abortos realizados após esse período ainda podem ser feitos de modo a se evitar a dor.

    As opiniões de alguns cientistas evoluíram com novas pesquisas. O doutor Nicholas Fisk, especialista em medicina materno-fetal no Hospital Real Brisbane e Feminino, na Austrália, disse que já considerou a dor fetal precoce “uma grande possibilidade”, mas que a pesquisa o convenceu de que ela não é possível antes de 24 semanas.

    Os defensores das leis da dor fetal também dizem que o uso pelos cirurgiões de anestesia e analgésicos em operações de fetos no útero é prova de que eles sentem dor.

    Entretanto, cirurgiões fetais dizem que as drogas são dadas por motivos alheios à dor, como relaxar o útero e bloquear efeitos prejudiciais da reação hormonal ao estresse do feto.

    Um cientista cujo trabalho é citado em apoio às leis é o doutor Kanwaljeet Anand, do Centro de Ciência da Saúde da Universidade de Tennessee, em Memphis. O doutor Anand disse que há a probabilidade de dor nos fetos de 18 a 24 semanas. Mas acrescentou que, para os “muito poucos” abortos que ocorrem depois dessa fase, existem técnicas que podem ser usadas para evitá-la.

    Como há muito que ainda não foi determinado sobre a dor, a maioria das discussões científicas acaba entrando no território da teoria.

    “Existe muito mais que não sabemos do que o que sabemos”, disse o doutor Mark Rosen, que em 2005 analisou muitos estudos sobre o tema, concluindo que a dor fetal é improvável antes de aproximadamente 27 semanas.

    O relatório disse que a sensação de dor exige conexões neurais com o córtex.

    Segundo Rosen, o córtex começa a surgir por volta da 23a semana, não está funcionalmente desenvolvido até a 26a semana e continua se desenvolvendo após o nascimento.

    Em 2010, um painel nomeado pelo Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido disse que “a maioria dos neurocientistas acredita que o córtex é necessário para a percepção da dor”, por isso “o feto não pode sentir dor em qualquer sentido antes” da 24a semana.

    Em 2012, o Congresso de Obstetras e Ginecologistas dos EUA concordou.

    Os defensores da lei da dor fetal afirmam que o córtex não é necessário para sentir dor e que o tálamo, que se desenvolve por volta da 20a semana, é suficiente. Mary Spaulding Balch, do Comitê Nacional pelo Direito à Vida, grupo antiaborto, cita um artigo de 2007 do neurocientista sueco Bjorn Merker. Ele inclui observações de crianças com hidranencefalia, nas quais a maior parte do córtex está ausente. O doutor Merker escreveu que elas pareciam sorrir e chorar e teorizou que “o consenso tácito sobre o córtex cerebral como 'órgão da consciência'” pode “estar seriamente errado”.

    Balch disse que essa pesquisa, envolvendo crianças de um a cinco anos, “é evidência convincente de que a criança sente dor já na 20a semana de gestação”.

    Mas o doutor Merker disse que sua pesquisa continha “indícios secundários” de dor fetal e que a política havia “contaminado” a questão.

    O doutor Anand disse que alguns adultos continuaram sentindo dor depois da remoção do tecido do córtex e outros tiveram a dor eliminada quando apenas os nervos do tálamo foram removidos.

    O doutor Rosen, professor emérito na Universidade da Califórnia em San Francisco, disse que a dor envolve “complexos ciclos de retroalimentação entre diferentes estruturas”, de modo que os receptores da dor devem se estender pelo cordão espinhal e o tálamo até o córtex.

    “Você pode fazer uma ligação telefônica, mas só depois que haja um cabo conectando nossos telefones”, disse. “Você pode dizer que os cabos já existem, mas ninguém ligou o serviço.”
    As teorias da dor fetal do doutor Anand surgiram de pesquisas que ele fez com bebês prematuros há cerca de 25 anos, que mostraram que os bebês que sofreram cirurgias sem anestesia tiveram reações hormonais ao estresse que impediram a recuperação. Ele disse acreditar que as reações refletiam a dor, possível em bebês tão prematuros quanto 22 semanas.

    Em 2004 o doutor Anand testemunhou sobre dor fetal em julgamentos sobre leis que proibiam procedimentos no final da gravidez, que seus adversários chamam de abortos de nascimento parcial. Em 2005, ele depôs diante de uma comissão do Congresso que avaliou a legislação sobre dor fetal.

    Recentemente, o doutor Anand disse que pretendia esclarecer a ciência, não apoiar opiniões contrárias ao aborto. Ele disse que as mulheres e os médicos devem tomar decisões sobre o aborto caso a caso.

    “Nos muito poucos abortos em que a dor fetal poderia ocorrer”, disse ele, “considere o que pode ser feito para evitar causar dor ao feto.”

    Um método comumente usado depois da 20a semana -injetar nos fetos ou no fluido amniótico medicação para parar o coração- seria uma “maneira compassiva de fazê-lo”, disse o doutor Anand.

    Os adversários do aborto discordam, comparando as injeções com infartos.

    O doutor Anand disse que se as injeções não puderem ser feitas ele recomendaria “alguma espécie de anestesia fetal”.

    Fonte: New York Times

  • Caminhar reduz o risco de câncer de mama, diz estudo

    Caminhar reduz o risco de câncer de mama, diz estudo

     

    Pesquisa mostra que andar uma hora por dia diminui em 14% as chances de sofrer da doença.

    Mulheres na pós-menopausa que andam uma hora por dia podem reduzir significamente o risco de terem câncer de mama, segundo um novo estudo publicado na revista científica “Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention”.

     

    O levantamento, que acompanhou 73 mil mulheres por 17 anos, descobriu que andar 7 horas durante uma semana diminui os riscos de contrair a doença. A equipe da Sociedade Americana do Câncer afirmou que esta foi a primeira vez que a redução de riscos foi especificamente ligada à caminhada.

    Especialistas britânicos disseram que o estudo é uma evidência de que o estilo de vida influencia o risco para o câncer.

    Outra pesquisa recente, feita pela organização beneficente Ramblers, mostrou que um quarto dos adultos anda mais de 1 hora por semana. E manter uma rotina de atividades físicas é um fator conhecido na redução do risco de contrair diversos tipos de câncer.

    Atividade recreacional

    O atual estudo acompanhou 73.614 mulheres, de 50 a 74 anos, recrutadas pela Sociedade Americana do Câncer entre 1992 e 1993 para monitorar a incidência da doença.

    As voluntárias responderam a questionários sobre sua saúde e sobre quanto tempo permaneciam ativas e participavam de atividades como caminhadas, natação e exercícios aeróbicos. Elas também registraram quanto tempo ficavam sentadas assistindo à televisão ou lendo.

    As mulheres preencheram os mesmos questionários em intervalos de dois anos, entre 1997 e 2009. Andar como única atividade recreacional foi o hábito mencionado por 47% das pesquisadas. Aquelas que andavam pelo menos 7 horas por semana tiveram uma redução de 14% no risco de câncer de mama, comparadas com aquelas que andavam apenas 3 horas ou menos por semana.

    A epidemiologista Alpa Patel, da Sociedade Americana do Câncer em Atlanta, na Georgia, que liderou o estudo, afirmou: “Dado que mais de 60% das mulheres relataram andar diariamente, promover a caminhada como uma atividade saudável de lazer pode ser uma estratégia efetiva para aumentar a atividade física entre as mulheres na pós-menopausa.”

    “Ficamos contentes em descobrir que, sem nenhuma outra atividade recreacional, apenas andar 1 hora por dia foi associado a um menor risco de câncer de mama nessas mulheres. Atividades mais longas e extenuantes reduziram ainda mais o risco”, destacou Alpa.

    A baronesa Delyth Morgan, executive-chefe da Campanha Contra o Câncer de Mama, completou: “Esse estudo adiciona mais evidências de que nossas escolhas de estilo de vida podem influenciar no risco de câncer de mama e mostra que mesmo mudanças pequenas incorporadas às nossas atividades cotidianas podem fazer a diferença. Sabemos que a melhor arma para superar o câncer de mama é a habilidade de interrompê-lo, em primeiro lugar. O desafio agora é saber como transformamos essas descobertas em ação e como identificamos outras mudanças de estilo de vida sustentáveis que nos ajudarão a prevenir o câncer de mama”.

    Fonte: G1 Saúde

  • Projeto reúne médicos e outros profissionais da saúde dispostos a doar horas de trabalho

    Projeto reúne médicos e outros profissionais da saúde dispostos a doar horas de trabalho

    Na escola, Mikael, 9, não conseguia fazer a lição. Cada vez que era chamado para escrever na lousa, ficava parado, mudo. Às vezes, chorava. As outras crianças riam.

    “Me zoavam o tempo todo. Não conseguia enxergar as linhas do caderno, ficava tudo bagunçado. Também não enxergava o que a professora escrevia na lousa”, conta.

    Euvacir Alves, a mãe, tentou marcar consulta no posto perto de casa, na zona norte de São Paulo, porém não havia oftalmologista. “Me mandaram entrar numa fila de espera, mas avisaram que não tinham previsão.”

    Há um mês, o problema do menino foi diagnosticado: nove graus de miopia no olho direito e oito graus no olho esquerdo. E resolvido com um par de óculos.

    A consulta e o tratamento do foram possíveis graças a um projeto social lançado em São Paulo, o Horas da Vida, que tem apoio de personalidades como o médico Drauzio Varella e o maestro João Carlos Martins. A iniciativa desembarca hoje no Rio.

    Por meio dela, médicos e outros profissionais da saúde doam horas disponíveis nas suas agendas para o atendimento gratuito de pessoas de baixa renda. Participam do projeto 150 médicos de 25 especialidades e outros cem profissionais da saúde, como psicólogos e fisioterapeutas.

    Os pacientes são triados por instituições que já desenvolvem trabalhos sociais em comunidades carentes. A Fundação Bachiana, do maestro Martins, que leva educação musical aos jovens de Paraisópolis, foi a primeira a apoiar o projeto.

    Segundo o clínico-geral e geriatra João Paulo Nogueira Ribeiro, fundador do Horas da Vida, a iniciativa veio da percepção de que, assim como ele, vários médicos já faziam de maneira informal atendimentos gratuitos.

    A ideia foi organizar a demanda. Médicos e profissionais da saúde interessados em se cadastrar no programa definem a quantidade de horas e a frequência do atendimento, feito nos seus consultórios particulares.

    Não há um critério definido para o acompanhamento do paciente. “A gente não consegue obrigar que o médico faça o seguimento a longo prazo, mas a maioria dos profissionais se sensibiliza com a causa e vai até o desfecho”, afirma Ribeiro.

    Não há atendimento de urgências e emergências e nem de casos que exijam cirurgias. “Precisamos de mais parceiros, como hospitais e planos de saúde, para atender casos de maior complexidade.”

    Para o oncologista Drauzio Varella, o projeto não resolve o problema da saúde pública paulista, mas pode ajudar pessoas que não conseguem consultas com especialistas.

    “Imagine o número de médicos em São Paulo. Se todos doassem uma hora, duas horas por semana, já seria de grande valia”, diz Varella.

    Entre os parceiros do Horas da Vida está o laboratório Dasa, que faz gratuitamente os exames para os pacientes atendidos pelo projeto.

    O oftalmologista Julio Abucham doa uma hora de consulta por semana e participa de outra iniciativa do programa, o Enxerga São Paulo, um mutirão que realiza exames de acuidade visual, teste de desvio ocular, entre outros.

    A ação também tem a Ótica Carol com parceira na doação de lentes e armações.

    O caso da aluna Graziele Caldeira, 10, da Fundação Bachiana, foi um dos que motivaram o mutirão. Com dez graus de deficiência visual, ela não conseguia ler as notas da partitura e também tinha dificuldades na escola.

    Julio Abucham lembra da reação de Mikael ao colocar os óculos pela primeira vez. “Ele deu um sorrisão maravilhoso, não dá para esquecer.”

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Nota de Falecimento

    Nota de Falecimento

    O CRF/AL (Conselho Regional de Farmácia do Estado de Alagoas) comunica, com pesar, o falecimento, do farmacêutico Pedro da Cunha Beltrão Filho.

    O presidente do CRF/AL, Alexandre Correia e toda a sua diretoria lamenta o ocorrido e oferece aos familiares as condolências, bem como os mais estimados préstimos.

    O sepultamento ocorrerá  nesta quinta-feira na cidade de Arapiraca.

    * 06/06/1958

    03/10/2013