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  • Aspirina pode ajudar no tratamento de tumores no cérebro, aponta estudo

    Aspirina pode ajudar no tratamento de tumores no cérebro, aponta estudo

    Um dos medicamentos mais comuns das farmácias pode ser a chave para tratar tumores cerebrais, de acordo com estudo realizado pelo Brain Tumor Research, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. Pesquisadores da instituição descobriram que a aspirina em uma versão líquida pode ser até 10 vezes mais eficiente do que as drogas usadas atualmente.
     
    Em laboratório, os especialistas desenvolveram uma fórmula a base de aspirina acrescida de dois ingredientes não revelados em uma versão líquida. Chamado de “IP1867B”, o fármaco ajudaria a romper uma barreira de proteção do cérebro que impede os medicamentos de atacarem o tumor. Nos testes realizados, tanto o composto quanto os ingredientes separados se mostraram 10 vezes mais eficientes no combate às células cancerosas de adultos e crianças.
     
    Apesar de não revelar o nome dos outros dois componentes da formulação, os pesquisadores garantem que todos já são aprovados para uso clínico e que eles não afetam as células normais do órgão.
     
    — Este é um potencial divisor de águas para a investigação sobre tumores cerebrais e mostra claramente o que a pesquisa sustentável é capaz de alcançar. É a ciência como esta que nos permitirá, eventualmente, encontrar uma cura para esta doença devastadora que mata mais crianças e adultos com menos de 40 anos de idade do que qualquer outro câncer — disse a diretor do Brain Tumor Research, Sue Farrington Smith.
     
    Novos testes devem indicar se a fórmula poderá ser testada em pacientes que sofrem com a doença.
     
    Fonte: Zero Hora Online
  • IBGE: 11 milhões usam remédios para dormir

    IBGE: 11 milhões usam remédios para dormir

    Mais de 11 milhões de brasileiros — o equivalente a 7,6% da população — usam medicamentos para dormir. O índice é um dos destaques do último volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgado ontem pelo IBGE, e revela o mesmo percentual de pessoas em depressão. Especialistas entrevistados pelo GLOBO acreditam que existe uma relação entre estes dados.
     
    Diretora da Associação Brasileira de Sono, Andrea Bacelar ressalta que o brasileiro dorme cada vez menos. Um adulto deveria repousar por até oito horas, segundo ela, mas descansa menos de seis. — A privação de sono gera cansaço, compromete a produtividade, aumenta a chance de acidentes e a irritabilidade — enumera. — A longo prazo, torna os indivíduos mais sujeitos a doenças como depressão, hipertensão, diabetes e obesidade.
     
    O levantamento, realizado entre pessoas com 18 anos ou mais, separou os entrevistados em três categorias: ocupados, desocupados e fora da força de trabalho, grupo formado majoritariamente por idosos, mas também por estudantes e pessoas que não estão procurando emprego.
     
    Uma em cada dez pessoas fora da força de trabalho tem diagnóstico de depressão. O mesmo registro foi realizado em 7,5% das desocupadas e em 6,2% das ocupadas. Já os medicamentos para dormir são consumidos por 12,6% dos indivíduos que não procuram emprego, 5% dos empregados e 4,3% dos desempregados. 
     
    VULNERABILIDADE A OUTRAS DOENÇAS 
     
    Os dados sobre depressão foram coletados a pedido do Ministério da Saúde. Fátima Marinho, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis da pasta, sublinha os efeitos do transtorno mental sobre outras enfermidades:
     
    — A depressão é uma das maiores motivadoras da perda de saúde, seu efeito sobre o sistema imunológico nos deixa vulneráveis a outras doenças — explica. — Nos últimos anos, tornou-se a principal causa de aposentadoria no Brasil, as pessoas estão deixando o mercado ainda em idade produtiva, e suas consequências também atingem o sono: os deprimidos dormem mais rápido, mas acordam no meio da noite.
     
    Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva destaca que 10,1% das mulheres entrevistadas revelaram ter depressão — o contingente é ainda maior a partir da meia idade —, enquanto apenas 3% dos homens admitiram ter a doença.
     
    — A mulher, por questões hormonais, tem maior vulnerabilidade à depressão, e também costuma procurar tratamento. O homem tem preconceito — compara. — Ainda assim, a subnotificação é expressiva em ambos os gêneros, porque as pessoas acreditam que combatem seus problemas tomando medicamento para sintomas como insônia e ansiedade.
     
    O IBGE também contabilizou a ocorrência de outras doenças. De acordo com a pesquisa, 15,7% das pessoas com emprego têm hipertensão arterial, quase o dobro do número registrado entre os desempregados (8,2%). E um em cada dez ocupados afirmaram ter taxa alta de colesterol, mesmo problema declarado por 7,1% dos indivíduos desocupados. Já as dores crônicas nas costas, uma das principais causas para ausências no trabalho, afligem 16,3% dos brasileiros ocupados e 12,2% dos desocupados, segundo a pesquisa.
     
    Diretor científico da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, Paulo Renato Fonseca diz que os problemas lombares têm relação com vários males. — Existe relação com sedentarismo, obesidade, trabalhos que exigem a força bruta por mais de dois terços do tempo — conta. — Entre os idosos, está vinculada à artrose e à perda da massa muscular.
     
    Segundo Fátima Marinho, a maior incidência de enfermidades em indivíduos ocupados, comparada à vista em desocupados, é fruto do acesso facilitado das pessoas inseridas no mercado de trabalho a exames médicos: — Nossa meta não deve ser apenas que a população viva mais. A longevidade deve ser acompanhada de qualidade de vida.
     
    Fonte: O Globo
  • Uber da saúde quer revolucionar medicina com doutores que vão visitar você em casa

    Uber da saúde quer revolucionar medicina com doutores que vão visitar você em casa

    O Docway, um aplicativo lançado ano passado em Curitiba e que acaba de chegar a São Paulo, permite que se chame um médico com a mesma facilidade de pedir um táxi. Para usar, basta baixar o aplicativo (disponível para Android e IOS), cadastrar-se, encontrar um médico da especialidade (e do preço) desejada(o) e agendar a consulta. Em caso de emergência, o usuário não escolhe o médico, mas o aplicativo garante que um especialista vai bater na sua porta em no máximo três horas (nesse caso o preço é fixo: 200 reais). “Além de ser muito prático, a gente acredita que o sistema serve para resgatar o contato humano entre médicos e pacientes, renovando a tradição de visitas domiciliares”, diz Fábio Tiepolo, CEO da Docway.
     
    Por enquanto, há cerca de de mil médicos cadastrados. Cada um deles define o tamanho da área na qual atua na cidade, o preço da consulta e disponibiliza sua agenda. Marcar consulta é muito simples. O pagamento é feito pelo próprio aplicativo – por cartão de crédito – e, se o paciente tiver plano de saúde, pode pedir reembolso. O Docway é especialmente útil para encontrar médicos de família, pediatras, clínicos gerais e obstetras – especialidades que se beneficiam mais do atendimento domiciliar.
     
    Ao final de cada consulta, o paciente avalia o médico – mas, infelizmente, essas avaliações não ficam disponíveis para os próximos usuários. “O Conselho Federal de Medicina proíbe que se divulgue esses dados”, diz Tiepolo. “Mas nosso algoritmo favorece os médicos que fazem mais atendimentos e os mais bem avaliados – esses aparecem na frente quando alguém faz uma busca”. O CEO garante que médicos consistentemente mal-avaliados serão descadastrados.
     
    Tiepolo diz que o número de médicos está crescendo rápido. “Hoje o SUS paga 12 reais por uma consulta. Um plano de saúde privado paga 30. Vale muito mais a pena para um médico cobrar R$ 100 ou R$ 150 para atender alguém em casa”, diz. A Docway fica com uma fatia de 15%.
     
    Muitos dos especialistas cadastrados são médicos jovens, que ainda não têm consultório próprio ou ligação com algum hospital. Mas há exceções. “Outro dia conheci um médico mais velho que se cadastrou e fui conversar com ele. Ele disse que tinha nostalgia do início da carreira, logo que se formou, quando visitava pacientes em casa, era convidado para um cafezinho…”
     
    Além de Curitiba e São Paulo, o sistema já foi lançado em Belo Horizonte e Manaus – mas já há alguns médicos cadastrados em 40 cidades diferentes. Ainda este ano, ele irá se expandir para Goiânia, Florianópolis, Porto Alegre e Salvador. No próximo mês, algumas novidades estão previstas. “Vamos integrar o Docway ao Uber, para que um médico possa ir à consulta de Uber, e o preço da corrida já seja automaticamente acrescido ao da consulta.” Além disso, será possível marcar consultas de emergência, com apenas uma hora de antecedência. Hoje o Docway agenda 200 consultas por mês – Tiepolo projeta crescer 70 vezes ainda em 2016 e chegar ao final do ano com 14 mil consultas/mês.
     
    Fonte: Super Interessante Online
  • Luz no combate a infecções decorrentes de diabetes

    Luz no combate a infecções decorrentes de diabetes

    A Beone Technologies, startup fundada por pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE), se prepara para lançar no mercado um tratamento que utiliza a radiação da luz para curar infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos.
     
    O objetivo é dar alívio a pacientes que sofrem com feridas de difícil cicatrização, como as causadas por diabetes. Mais eficiente e barato que o tratamento convencional, o método é usado em conjunto com uma pomada cicatrizante desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. Assim, proporciona em 15 dias a cura de feridas expostas há até dois anos, e sem risco de efeitos colaterais, afirma o cofundador Caio Guimarães.
     
    A ideia surgiu em 2014, quando o cientista fazia estágio no Wellman Center, laboratório especializado nos efeitos da luz sobre a saúde humana, ligado à Universidade de Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
     
    Lá, participou de um grupo que estudava como matar bactérias resistentes em 62 minutos, usando apenas frequências de luz. O equipamento ocupava espaço e era caro: cerca de US$ 50 mil. Além disso, não se mostrou eficaz nos tecidos mais profundos de pele.
     
    Pensando em uma versão mais eficiente e acessível, Guimarães desenvolveu uma espécie de lanterna de LED com microagulhas de fibra ótica. O protótipo emite o mesmo feixe de luz do equipamento grande, mas é capaz de penetrar nas partes mais difíceis do tecido – e custou apenas US$ 30.
     
    De volta ao Brasil, o jovem pesquisador, eleito no ano passado pela revista Forbes como um dos 30 brasileiros abaixo de 30 anos mais influentes no País, resolveu dar andamento ao projeto com o reforço de um time de professores pesquisadores da UPE. Juntos, ajustaram o foco e começaram a trabalhar na adaptação da tecnologia para o tratamento de doenças e infecções.
     
    Como ponto de partida, decidiram tratar complicações de diabetes, como as feridas de difícil cicatrização – uma das principais causas de amputações nos pacientes.
     
    Cada tipo de infecção demanda uma exposição de luz diferente. Por isso, o grupo se concentrou inicialmente em um único problema de saúde para estruturar a startup. A ideia é, posteriormente, desenvolver versões aplicáveis no tratamento de outras doenças.
     
    Na prática
     
    Pesquisas comprovam a reação de determinadas bactérias quando expostas a diferentes intensidades de luz. Segundo Guimarães, a luz azul, por exemplo, produz um efeito mais bactericida, e a vermelha tem capacidade de modular a biologia das células e promover uma regeneração.
     
    Para o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, Fadlo Fraige Filho, embora o estudo sobre os efeitos da luz no combate a bactérias não seja algo novo, a proposta da Beone de adaptar o processo para que se torne comercial e acessível é válida. “O método é um excelente apoio para o tratamento de úlceras diabéticas e varicosas, além de ser muito mais barato se comparado com alternativas como tratamentos com hormônios”, diz o especialista, que é professor titular de endocrinologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, São Paulo.
     
    Impacto social
     
    A Beone foi concebida para ser um negócio social, ou seja, uma empresa autossustentável, que oferece produtos e serviços que visam solucionar problemas da população de baixa renda que o poder público não resolve sozinho. “Não queremos criar uma empresa apenas para vendê-la depois. Queremos melhorar e salvar vidas”, afirma Guimarães.
     
    No plano da startup está, primeiramente, disponibilizar máquinas em hospitais para tratamento em grande escala. O primeiro protótipo deverá ficar pronto em agosto de 2017 e os primeiros pacientes tratados serão do hospital Agamenon Magalhães, em Recife.
     
    Numa segunda etapa, a equipe pretende desenvolver um produto que possa ser usado em casa, pelo próprio paciente. Isso pode levar alguns anos, já que a aprovação de um equipamento desse tipo seria condicionada a testes e análises de diversos órgãos.
     
    Ambição global
     
    A empresa foi lançada na edição deste ano da Campus Party e agora segue em aceleração pela Yunus Negócios Sociais Brasil. “Com o projeto rodando dentro de hospitais, usaremos o lucro do tratamento das feridas para investir em mais pesquisas e mais tecnologias para a cura de outras doenças”, diz Guimarães.
     
    O CEO da Yunus Negócios Sociais Brasil, Rogério Oliveira, diz que a startup tem potencial para se tornar o primeiro grande negócio social global com origem no Brasil. “Acreditamos que, em alguns anos, possa não só estar ocupando bastante o mercado brasileiro, mas se tornando também uma empresa global, com uma solução de impacto social para o mundo todo a partir do Brasil”, diz. A BeOne espera criar até versões que possam ser utilizadas em outras áreas, como a indústria de bebidas. Guimarães diz que a luz poderia substituir, por exemplo, antibióticos usados no controle da fermentação da cachaça, proporcionando ao produtor uma economia significativa de recursos.
     
    Fonte: DCI
     
  • Bactéria da hanseníase se

    Bactéria da hanseníase se

    A bactéria da hanseníase se“disfarça”de vírus para enganar o sistema imunológico e se espalhar com maior facilidade pelo corpo humano, aponta um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio.
     
    A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de vacinas e de novas terapias para a doença. Hoje, o tratamento com antibióticos é longo,mas consegue curar.
     
    Conhecida no passado como lepra,a hanseníase é um doença de pele contagiosa — principalmente por saliva e secreções das vias aéreas — que pode também atacar o sistema nervoso periférico, os olhos e até outros órgãos.
     
    O estudo é desenvolvido desde 2010 pela bióloga Anna Beatriz Robottom. Em sua tese de doutorado, ela mostrou que a Mycobacterium leprae, bactéria responsável pela hanseníase, libera partes de seu DNA ao infectar a célula de alguém.
     
    Normalmente, ao identificar o material genético estranho, o sistema imunológico ativa os sistemas de defesa do corpo. Mas é aí que se encontra o segredo da hanseníase.
     
    A liberação de DNA dentro da célula é um comportamento comum de infecções virais. Quando a hanseníase “finge” que se trata de uma infecção viral, o combate à doença é feito de maneira errada. “A bactéria prepara aquele ambiente como se tivesse a capacidade de reprogramar o meio intracelular, tornando-o um nicho favorável à sua proliferação”,diz Milton Moraes, orientador do estudo e chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz.
     
    Em geral, quando um tipo de resposta imunológica é ativado, outras modalidades são inibidas.Por isso, ao tentar se defender de um vírus, o corpo fragiliza as barreiras contra bactérias. A resposta do sistema imunológico é enviar enzimas para tentar quebrar o DNA viral que se encontra nas células. “Mas, como a bactéria tem uma parede espessa,a presença dessas enzimas não faz cócegas nela”, disse Moraes.
     
    Um dos pontos centrais no comportamento de defesa do corpo contra vírus, bactérias e até mesmo o câncer é a produção da molécula interferon do tipo 1. Os pesquisadores demonstraram que, no caso de infecção pela M. leprae, o interferon aumenta a atividade do gene OASL (central no controle da proliferação das bactérias nas células) e a eliminação do invasor é prejudicada.Isso significa aumento da viabilidade da bactéria dentro da célula.
     
    Além ajudar a trazer novas formas de prevenção e tratamento da hanseníase, a pesquisa pode facilitar a compreensão de outras doenças que afetam o sistema nervoso. “As estratégias que levam ao dano neural muitas vezes passam por vias comuns. Se entendo o mecanismo da hanseníase,isso pode me ajudar a entender melhor o diabetes e as doenças de Parkinson e Alzheimer”, diz Moraes.
     
    Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica “Journal of Infectious Diseases”.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Termômetros com mercúrio podem ser proibidos

    Termômetros com mercúrio podem ser proibidos

    A Anvisa abriu a Consulta Pública 207/2016 para proibir a fabricação, importação e a comercialização, assim como o uso em serviços de saúde, dos termômetros e esfigmomanômetros com coluna de mercúrio. A consulta foi publicada nesta segunda-feira (20/6), no Diário Oficial da União (DOU).
     
    O prazo para envio de comentários e sugestões ao texto da proposta de regulamentação será de 60 (sessenta) dias, a contar de 7 (sete) dias após a data de publicação.
     
    Os termômetros e esfigmomanômetros com coluna de mercúrio são os produtos que possuem uma coluna transparente, contendo mercúrio no seu interior, com a finalidade de aferir valores de temperatura corporal (no caso do termômetro) e pressão arterial (no caso do esfigmomanômetro).
     
    Como contribuir?
     
    A participação na Consulta Pública pode ser feita por formulário eletrônico.
     
    Acesse agora o conteúdo da Consulta Pública 207/2016.
     
    Esses equipamentos já possuem outras alternativas de mercado que não utilizam a coluna de mercúrio. Os termômetros e esfigmomanômetros digitais são produtos para a saúde de uso difundido no Brasil e possuem as mesmas indicações clínicas que os que contém mercúrio. Esses dispositivos também possuem a sua precisão avaliada compulsoriamente pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade e são ambientalmente mais sustentáveis.
     
    Os aparelhos retirados de uso deverão seguir a regulamentação vigente para descarte de resíduos sólidos: a política nacional de resíduos sólidos, estabelecida pela Lei 12.305/2010 e a RDC 306/2004, que dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.
     
    Convenção de Minatata
     
    A ação na retirada de comercialização do mercúrio dos termômetros e esfigmomanômetros faz parte do compromisso do Governo Brasileiro firmado na Convenção de Minatata. A Anvisa, assim como outros órgãos da administração pública, está comprometida com a Convenção de Minamata, onde 140 países, incluído o Brasil, firmaram compromisso para o controle do uso e redução de emissões e liberações do mercúrio para a natureza. Um dos compromissos é o banimento de produtos que contém mercúrio até 2020. A proibição da substância é uma tendência mundial.
     
    Contribuição em papel
     
    Em caso de limitação de acesso do cidadão a recursos informatizados será permitido o envio e recebimento de sugestões por escrito, em meio físico, durante o prazo de consulta, para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde, SIA trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050. As contribuições internacionais deverão ser direcionadas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Assessoria de Assuntos Internacionais (Aint), no mesmo endereço.
     
    Fonte: Anvisa
  • Como nasce um MIP

    Como nasce um MIP

    Todo medicamento inovador nasce com venda sob prescrição médica. Após cinco anos no mercado nacional, no momento da renovação de seu registro, o laboratório detentor do produto poderá solicitar a alteração para Medicamento Isento de Prescrição (MIP). O pedido passará por avaliação da área técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que poderá ou não ser deferido. Segundo a Anvisa, o processo de troca de categoria de registro para MIP leva um ano para ser finalizado, podendo acontecer antes ou depois, dependendo do caso.
     
    No Brasil, não existe uma lista de MIPs, mas, sim, a lista de Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (Gi-te), que determina quais categorias de fármacos podem ser isentas de prescrição. Todos os medicamentos cujos grupos e indicações terapêuticas não estejam descritos no Gite são de venda sob prescrição médica. A lista faz parte da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 138, de 2003, da Anvisa, que determina as regras para que o medicamento se torne um MIP. Na resolução, estão previstas, também, que as associações medicamentosas ou duas ou mais apresentações em uma mesma embalagem para uso concomitante ou sequencial, cujo grupo terapêutico e indicação terapêutica de pelo menos um de seus princípios ativos não estejam especificados no Gite, são de venda sob prescrição médica.
     
    Existe uma alternativa para o medicamento inovador ser registrado e comercializado no Brasil como MIP sem esperar o prazo de cinco anos de renovação do registro. Esse caso prevê que o produto já seja comercializado como MIP há mais de cinco anos nos Estados Unidos ou na Europa, com a respectiva aprovação das entidades reguladoras de medicamentos locais FoodDrug Administration (FDA), nos Estados Unidos, ou European Medicines Agency (EMA), na Europa, Sendo assim, o laboratório solicitante deverá juntar ao processo de registro na Anvisa dados de farmacovigilância e comprovantes de enquadramento na categoria de venda sem prescrição médica no país onde o produto é comercializado.
     
    PROCESSO CLARO
     
    Além desses procedimentos de registro, para que um medicamento seja aprovado pelas autoridades sanitárias como MIP deve ter um alto perfil de eficácia e, principalmente, segurança, que envolve características, como ba -xo potencial de toxicidade e risco (mau uso/abuso/intoxcação), reações adversas com causalidades conhecidas e reversíveis após a sua suspensão, baixo potencial de interações (medicamentosa e alimentar). “Para que seu uso seja seguro e consciente, sempre que o consumidor optar por usar MIPs, deve seguir as orientações da bula e rotulagem e ter em mente que, se os sintomas persistirem, a suspensão do medicamento ceve ser imediata e um médico deve ser procurado”, afirma a vice-presidente executiva da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Marli Martins Sileci.
     
    REGRAS INCERTAS
     
    Apesar da existência de normas específicas para troca de categoria de medicamentos para MIPs, persistem algumas dúvidas sobre o processo, como assinala Marli. “Atualmente, no Brasil, não há diretrizes claras que norteiam a mudança de um medicamento tarjado para MIP. Quando a empresa farmacêutica tem uma substância apta para a reclassificação ou switch ela deve submeter individualmente o pedido à Anvisa, que analisa e dá seu parecer. Não existe ainda um procedimento-padrão”, afirma a vice-presidente da Abimip. Segundo a executiva, 3 Anvisa está finalizando as discussões sobre a nova resolução dos MIPs e do processo de switch e deverá publicá-la no primeiro semestre deste ano. “A nova norma, alinhada com o cenário mundial, apresentará um modelo de regulação mais funcional que permitirá à agência uma avaliação sobre os pedidos de switch a partir de critérios estabeleci dos, baseados em uma documentação mais robusta no que se diz respeito ao perfil de segurança do uso do medicamento”, esclarece.
     
    De acordo com a Anvisa, conta muito também para que o medicamento se enquadre na categoria de MIP seu histórico no País. No momento da renovação de registro e com o pedido para reenquadramento como MIR são avaliadas as notificações médicas que o produto teve. Medicamento com notificações negativas, principalmente com efeitos adversos, dificilmente consegue a transferência. Efeitos adversos não previstos na bula pioram ainda mais a situação do produto. O Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária (Notivisa), da Anvisa, é o principal banco de dados utilizado para compilar esses casos. O sistema de informação é a ferramenta para a notificação e o monitoramento de eventos adversos relacionados ao uso de produtos sob vigilância sanitária. Nele, está o registro de problemas relacionados ao uso de medicamentos e produtos para a saúde, incidentes e eventos adversos, com o propósito de fortalecer a vigilância pós-uso das tecnologias em saúde. Profissionais de saúde e cidadãos podem relatar problemas diretamente no s/te do sistema. Segundo a Anvisa, há também uma rede de monitoramento em hospitais e centros médicos, que enviam à Agência possíveis efeitos adversos e outros problemas relacionados aos medicamentos. que são analisados pelos técnicos e são tomadas as providências necessárias.
     
    OBRIGATORIEDADE DA BULA
     
    Uma dúvida comum é se todos os MIPs precisam de bula. Segundo a Abimip, alguns dos MIPs são comercializados em carteias, o que faz com que muitos consumidores achem que eles não possuem bulas, faltando, portanto, informar sobre finalidade, forma de administração, entre outras. “Mas o que muitos não sabem é que, para esses MIPs vendidos em carteias, podem exigir a bula, que deverá estar disponível na farmácia, segundo as regras da Anvisa”, diz a Abimip. Se, mesmo assim, o consumidor tiver dúvidas quanto à finalidade e ao modo de utilização de um MIP, ele também pode pedir auxílio ao farmacêutico, sugere a Abimip.
     
    Na avaliação dos especialistas, o uso consciente dos MIPs age sobre a qualidade de vida e o direito assegurado ao usuário de atuar sobre a própria saúde, mas eles precisam seguir preceitos básicos. “Um fator crucial é que os MIPs não podem apresentar possibilidade de dependência”, destaca o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ), Marcus , Athila. “Os MIPs são indicados para doenças ou sintomas de baixa gravidade e autolimitados e são considerados de elevada segurança de uso, eficácia comprovada cientificamente ou de uso tradicional reconhecido, de fácil utilização e baixo risco de abuso”, complementa o assessor da diretoria do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio Grande do Sul (CRF-RS), Gabriel Freitas. Os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) são claros para o uso correto dos MIPs, lembra o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. “O uso responsável de MIPs consiste na prática dos indivíduos em tratar seus próprios sintomas e males menores com medicamentos aprovados e disponíveis sem a prescrição médica e que são seguros e efetivos quando usados segundo as instruções.”
     
    Qual o papel dos MIPs nas epidemias?
     
    Há pouco mais de cem anos, o Brasil, em particular a sua capital naquela época, Rio de Janeiro, passava por uma série de epidemias, a maioria delas provocada por problemas de falta de higiene e de saneamento básico – varíola, peste bubônica e febre amarela eram as mais graves.
     
    Na primeira década do século 20, foi necessária uma força tarefa para vencer os focos de transmissão. Encabeçada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, que dirigia o Departamento Nacional de Saúde Pública, a brigada vistoriava, em alguns casos à força, casas à procura de focos de mosquitos e de ratos. Em 1904, o governo federal obrigou os cidadãos se vacinarem, gerando imensa onda de protestos no que ficou conhecida como a Revolta da Vacina. Apesar dos reveses, Oswaldo Cruz conseguiu, em quatro anos, erradicar as principais epidemias, em particular a febre amarela.
     
    E um dos vilões daquela época era o mesmo Aedes aegypti, transmissor da febre amarela, que hoje atormenta o País, transmitindo zika e chikungunya, além da velha conhecida dengue. Em pleno século 21, o Brasil está novamente diante de graves epidemias, como a zika, causadora da microcefalia, anomalia que leva a redução da circunferência craniana de bebês, entre outras complicações, e à síndrome de Guillain-Barré, moléstia que atinge o sistema nervoso.
     
    Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, o País pode registrar mais de 1,5 milhão de casos ainda este ano, o que representa cerca de 50% dos casos de incidência do zika previstos para as Américas. Já a chikungunya é uma doença semelhante à dengue, com sintomas também parecidos: febre, mal-estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, apatia e cansaço. Porém, a grande diferença da chikungunya está no seu acometimento das articulações, pois o vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local.
     
    Já a dengue, que chegou a ser praticamente erradicada do País na década de 1950, com o controle do Aedes aegypri, devido a falhas na vigilância epidemiológica e a um modo desordenado de urbanização, retornou em 1976 e não parou mais de crescer. Segundo a Fiocruz, são mais de 15 milhões de casos registrados da doença desde seu retorno. Mas esse número pode ser bem maior, tendo em vista que muitos casos não foram notificados. De forma geral, toda região do Pais onde exista Aedes aegyptiestá sujeita a ter uma epidemia de zika, chikungunya ou dengue.
     
    As tentativas de controle das moléstias transmitidas pelo mosquito têm sido equivocadas, na visão de especialistas. “A falta de coordenação entre a vigilância epidemiológica, políticas de planejamento urbano e sanitário e estratégias de promoção da saúde estão na raiz do problema, assim como o uso de certos agentes químicos para controlar os mosquitos, tendo em vista seus efeitos sobre os seres humanos”, afirma a diretora de desenvolvimento profissional do Fórum Farmacêutico das Américas, organização que reúne associações farmacêuticas nacionais, a Organização Pan-Americana de Saúde e a Federação Internacional Farmacêutica, Josélia Frade.
     
    SURTO RECENTE
     
    Outro problema enfrentadoé a gripe H1NI, iniciado nos primeiros meses deste ano, sobretudo no estado de São Paulo, que registra mais de 80% dos casos do País. No total, foram apurados 1.365 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A/Hl N1 até meados de abril, segundo boletim do Ministério da Saúde. O mesmo documento informa que nesse período foram compiladas 230 mortes por H1N1. São Paulo teve o maior número de óbitos – 119, correspondendo a 51,7% das mortes do País.
     
    PAPEL DOS MIPS
     
    Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) podem ser a primeira linha de tratamento para determinadas condições de saúde, principalmente para doenças ou sintomas de baixa gravidade. No caso de enfermidades causadas pelos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti e a H1N1, eles podem ser utilizados oara atenuar sintomas, mas alguns cuidados precisam ser tomados, adverte o diretor técnico de clínica geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HGFMUSP), Dr. Arnaldo Lichtesntein.
     
    “Os sintomas iniciais da dengue são muito parecidos com os da gripe, sendo que ambas as infecções são muito comuns atualmente. Para a gripe, anti-inflamatórios a que a pessoa está acostumada podem ser o suficiente. Contudo, essa classe de medicamento é contraindicada para a dengue, pois pode piorar o problema de plaquetas, em especial no caso da dengue hemorrágica”, frisa.
     
    Para o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e médico infectologista do Hospital Albert Einstein, Dr. David Salomão Lewi, o mais importante é ter o diagnóstico correto. “Não se deve tomar qualquer tipo de medicamento sem ter um indicativo do problema, sobretudo nas moléstias transmitidas pelo Aedes aegypti. Em alguns casos, um analgésico pode ser administrado, mas sob orientação médica, para se evitar riscos, como o de hemorragia nos casos de dengue tratados com anti-inflamatórios.”
     
    O surto fora de época de H1N1 (a doença costuma acontecer no inverno) fez com que os estoques do oseltamivir acabassem das farmácias em abril último, principalmente no estado de São Paulo. Para evitar que isso também ocorra com MIPs utilizados nos casos de gripe, as farmácias devem reforçar o estoque de anti-inflama-tórios, analgésicos e soros, além de produtos, como álcool gel e vitaminas.
     
    “Para o paciente que está com sintomas de dengue, zika ou chikungunya, a indicação é o uso de soro para rei-dratação oral, além do paracetamol. Como preventivo, o farmacêutico deve recomendar ao paciente o uso de repelentes, mosquiteiros e monitorar possíveis focos de criação dos mosquitos”, diz o presidente da Farma & Farma, associada da Federação Brasileira das Redes Associativistas e ndependentes de Farmácias (Febrafar), Rinaldo Ferreira.
     
    Fonte: Guia da Farmácia
  • NOTA DE REPÚDIO

    NOTA DE REPÚDIO

    Em defesa dos farmacêuticos,  uma categoria de profissionais de saúde, de nível superior, com compromissos e condutas a serem cumpridas, o Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) repudia as declarações dadas pelo Ministro Interino da Saúde, Ricardo Barros, durante uma solenidade no estado do Paraná, no último dia 24 de junho em que considerou melhor ter médicos cubanos do que um farmacêutico ou a benzedeira para atender a população.

    O CRF/AL afirma que o ministro desconhece as atividades profissionais dos farmacêuticos, que tem como uma de suas funções prestar atendimento de saúde à população, dentro das prerrogativas que regulamentam a profissão. No caso do farmacêutico, nosso foco de trabalho é o medicamento e a correta orientação para que o seu uso seja racional.

    O posicionamento do ministro interino foi um desrespeito com a categoria que reúne mais de 200 mil profissionais no país e que durante décadas, lutou para garantir que a saúde seja, efetivamente, uma área de atuação multidisciplinar, que inclusive são preconizadas pelas diretrizes do SUS e que devem ter como foco o paciente e não a doença.

    Sendo assim, o CRF/AL afirma que continuará desenvolvendo suas atividades em defesa dos profissionais farmacêuticos, garantido as prerrogativas de atuação e reforçando a conduta de que o profissional de farmácia está apto para prestar atendimento de saúde auxiliando os médicos. E não medirá esforços para que o Ministro interino faça uma retratação pública pedindo desculpas aos farmacêuticos.

     

    CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DE ALAGOAS

  • A automedicação piora a dor

    A automedicação piora a dor

    A dor é um alarme emitido pelo organismo ao sofrer uma agressão, caso de queimadura, infecção, trauma ou tumor. Segundo o anestesista João Valverde Filho, coordenador do Centro de Dor do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, na dor aguda, o corpo libera substâncias que ativam os nervos periféricos. Eles conduzem um estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada; e, de lá, para o cérebro, a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema. Para que ocorra uma resposta de inibição natural ao desconforto, um estímulo também parte do cérebro, passa pela medula e chega ao local da lesão. A serotonina, as endorfinas e outras substâncias conhecidas como neuromoduladores podem excitar ou inibir a dor na medula espinhal pelo chamado sistema inibitório da dor, ou sistema supressor da dor.
     
    Nos casos em que o corpo não consegue naturalmente acionar esse mecanismo, é necessário recorrer às medicações analgésicas. “Quando as endorfinas (opioides produzidos pelo próprio organismo) não dão conta de resolver, usamos a morfina, um tipo de analgésico que amplifica o sistema inibitório da dor. Se no local, por outro lado, ocorre uma reação inflamatória ou um inchaço, é o caso de usar anti-inflamatórios para combater essa dor periférica. Remédios para dormir só acalmam e retiram a ansiedade e o sofrimento relacionados à dor, não agindo sobre ela. Para o alívio da dor, são necessários fármacos analgésicos e não ansiolíticos”, detalha Valverde.
     
    Mas quando não se consegue agir sobre a causa e tratar a dor aguda adequadamente, o sistema inibitório entra em estágio de fadiga. Isso ocorre porque o medicamento é insuficiente, ou a combinação de remédios, inadequada. O sistema inibitório da dor começa, então, a falhar, o que pode levar até mesmo à morte celular. “Os neurônios envolvidos nessas ligações ficam falhos e não permitem mais a passagem do sinal inibitório. Ou, pior, o sistema passa a funcionar de forma excitatória e, então, onde não haveria mais motivos para dor, pois não existe mais lesão, ela permanece cronicamente. Nesse caso, é como se a fibra nervosa sofresse uma subversão da ordem dos estímulos elétricos. Essas dores podem ser controladas por antidepressivos, anticonvulsivantes, morfina e outros, além de medidas físicas e procedimentos cirúrgicos”, explica o médico.
     
    Um exemplo de possível cronificação da dor é o herpes zóster. Oitenta e cinco por cento da população tem catapora. Como o vírus causador da doença fica armazenado na raiz do nervo, há a chance do desenvolvimento desse tipo de herpes, quando o sistema imunológico vai se enfraquecendo. Se tratado inadequadamente, na primeira semana, o herpes zóster evolui para uma dor crônica. “A passagem da dor aguda para a crônica ocorre em função de uma falha no sistema fisiológico inibitório da dor”, diz Valverde.
     
    Daí a importância do diagnóstico precoce e da abordagem correta. Mas, apesar de seu grande impacto na vida social e produtiva e na qualidade de vida, a dor costuma ser subvalorizada e mal tratada. Só o tratamento pode quebrar esse ciclo, mas ele preciso ser certo. Segundo Valverde, a maioria da população e dos profissionais de saúde ainda negligencia esse problema. “Há componentes biológicos, genéticos e culturais envolvidos nesse descaso. Muitas vezes, a pessoa se queixa e logo ouve que não é nada e que vai passar, ou ela vai à farmácia e compra um analgésico ou um anti-inflamatório por conta própria. Existe dor inflamatória, neuropática, visceral… Quando se toma remédio para uma dor que não se tem, o sistema inibitório entra em exaustão e se ganha uma nova dor. Não é qualquer analgésico, por exemplo, que consegue substituir a transmissão de estímulos de um neurônio para o outro. Se tratada inadequadamente, a dor vai se prolongando e se torna crônica”, alerta o especialista.
     
    Diagnóstico detalhado
     
    A principal ferramenta para avaliar algo subjetivo como a dor é conseguir que o paciente descreva detalhadamente a característica, a intensidade, a localização, os fatores de melhora e piora, além dos tratamentos anteriores ao problema. Uma escala numérica, que varia de zero a 10, pode ser utilizada para analisar o nível de desconforto. Quanto melhor o paciente explicar o que sente, mais facilmente o médico poderá indicar o tratamento adequado.
     
    Mas o diagnóstico não é fácil. Segundo o anestesista Roberto Paolinelli de Castro, presidente da Sociedade Mineira para Estudo da Dor (Somed), o corpo é formado de nervos da cabeça à ponta dos pés. A compressão de qualquer um deles pode gerar uma dor localizada ou irradiada, dependendo do tipo de comprometimento. Essa última, por não se manifestar no local afetado, também pode influenciar o diagnóstico.
     
    “Quando se tem uma causa bem estabelecida, orgânica, caso de uma cefaleia provocada por um aneurisma comprimindo um nervo do sistema central, é possível estabelecer o diagnóstico da causa. Essa dor também é mais factível de ser tratada porque se pode abordar a causa”, explica. O problema são as dores de etiologia pouco conhecida. Caso das enxaquecas, que não têm causa bem estabelecida. “Às vezes, o paciente tem o diagnóstico depois de passar por vários especialistas e exames”, explica. O médico conta que as queixas mais comuns nos consultórios são de dores lombares e cervicais, mais fáceis de serem identificadas, assim como a oncológica e a decorrente de hérnia.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Por que só 50 das 1.200 farmácias uruguaias começarão a vender maconha?

    Por que só 50 das 1.200 farmácias uruguaias começarão a vender maconha?

    Medida do governo uruguaio com maior repercussão internacional e marca do mandato do ex-presidente José Mujica, a compra e venda legal de maconha começa nesta terça-feira (21) sua caminhada com apenas 50 farmácias do país associadas ao plano para sua implementação.
     
    Os motivos expostos pelas três grandes organizações que representam as quase 1.200 farmácias que operam no Uruguai coincidem em vários pontos para justificar a não associação ao plano.
     
    Por um lado, argumentam que muitas farmácias do interior do país, ou seja, aquelas que não estão em Montevidéu, consideram que a venda de maconha em seus estabelecimentos pode afetar a imagem diante dos clientes com valores mais tradicionais, dado que estes não veem com bons olhos o consumo de cannabis de forma legal.
     
    Segundo disse à Agência Efe o presidente da Associação de Farmácias do Interior, Fermín Arguiñarena, há muitos estabelecimentos “que não querem ser os primeiros” a vender maconha.
     
    Além disso, no interior do Uruguai, onde, segundo ele, “as pessoas são mais conservadoras” e as populações são mais reduzidas, há “muitos clientes de toda a vida” que rejeitam a comercialização legal de cannabis.
     
    Nesse sentido, o presidente do Centro de Farmácias do Uruguai, Jorge Suárez, destacou que há pessoas que opinam que “uma farmácia serve para curar e não para adoecer”.
     
    Quanto às farmácias que não se inscreveram por este motivo, Arguiñarena estima que, uma vez que comece a venda, “com certeza mais estabelecimentos vão se inscrever”.
     
    Em segundo lugar, duas das três organizações dizem que, no momento que finalizou o período de inscrição para a venda de maconha, havia estabelecimentos que não cumpriam com as condições exigidas no âmbito sanitário ou de segurança, apesar de terem a intenção de participar do plano desde o início.
     
    Outro argumento que explicaria a baixa adesão ao projeto se encontra na insegurança, um assunto que nos últimos anos se transformou em uma preocupação para a sociedade uruguaia.
     
    Nesse sentido, o presidente da Câmara Uruguaia de Farmácias, Gonzalo Miranda, disse à Agência Efe que alguns estabelecimentos localizados em áreas de venda de droga declararam ter recebido ameaças de narcotraficantes, que consideram que a comercialização de maconha pode afetar seus negócios ilegais.
     
    Um dos argumentos do governo para aprovar a lei que permite a compra e venda legal de maconha é precisamente a luta contra o narcotráfico, embora a norma também tenha sido envolvido por uma perspectiva de saúde e de direitos.
     
    O Executivo, nas palavras do pró-secretário da presidência uruguaia e presidente da Junta Nacional de Drogas, Juan Andrés Roballo, considera que cerca de 50 farmácias inscritas é suficiente para iniciar uma etapa-piloto da implementação da lei.
     
    O governo também prevê que o número de estabelecimentos participantes irá aumentar com o tempo.
     
    Espera-se que dentro de dois meses a cannabis legal comece a ser comercializada no país. O governo licitou duas empresas (Iccorp e Simbiosys) para a produção de cannabis recreativa.
     
    Segundo disse Roballo, as colheitas estarão prontas nas próximas semanas e, segundo informam outras fontes, estariam sendo obtidas cerca de 300 gramas de maconha por cada planta.
     
    Por outro lado, ainda não houve o concurso de licença para a produção de cannabis terapêutica para abastecer o mercado interno, embora já haja empresas interessadas.
     
    De fato, segundo explicou à Agência Efe então o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Milton Romani, uma empresa israelense manifestou interesse em produzir maconha medicinal no Uruguai para sua exportação devido às facilidades legais.
     
    Para poder comprar maconha, os usuários deverão se registrar previamente no sistema e terão acesso a 10 gramas de cannabis por semana e um máximo de 40 por mês.
     
    Apesar do preço de venda ainda não ter sido estipulado, a estimativa é que o grama poderá ser adquirida pelo equivalente a cerca de R$ 4.
     
    Fonte: Uol Saúde