Author: admin

  • Medicamentos de risco

    Medicamentos de risco

    Buscar a felicidade e a paz em uma pílula frente às agruras do dia a dia também pode levar uma pessoa bem mais perto da morte. Estudo publicado ontem no “American Journal of Public Health” identificou uma explosão no número de vítimas de overdose associada ao uso de medicamentos benzodiazepínicos, popularmente conhecidos como calmantes, nos EUA, entre 1996 e 2013. O número de mortes ultrapassou em muito o crescimento, também significativo, no consumo dessas substâncias no mesmo período.
     
    Sintetizados pela primeira vez no início da década de 1960, os compostos benzodiazepínicos trouxeram uma revolução na forma de lidar com distúrbios psíquicos. Chamados ansiolíticos, e também apelidados de “drogas da paz”, eles são receitados para tratar de ansiedade à insônia, passando por estresse, tristeza, fobias e outros transtornos de humor muito comuns na sociedade moderna. Com isso, eles logo se tornaram os medicamentos psicotrópicos (que agem no sistema nervoso central) mais usados no mundo. Embora sejam muito mais seguros que as opções anteriores, como os chamados barbitúricos ( que tiveram entre suas vítimas mais famosas a atriz Marilyn Monroe, morta em 1962), seu consumo indiscriminado, principalmente quando aliado ao uso de outras drogas lícitas e ilícitas, em especial álcool e analgésicos opioides, pode ser extremamente perigoso.
     
    Assim, segundo os pesquisadores liderados por Marcus Bachhuber, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, esses medicamentos estão por trás de nada menos que 31% das quase 23 mil fatalidades relacionadas a remédios condicamentos trolados no país em 2013, levando a uma taxa de 3,14 mortes a cada 100 mil adultos naquele ano, um aumento de mais de quatro vezes frente à 0,58 morte por 100 mil adultos registrada em 1996. Enquanto isso, nesses mesmos 18 anos, o número de prescrições subiu “apenas” 67%, de 8,1 milhões para 13,5 milhões.
     
    — Este é um problema de saúde pública que tem ficado fora do radar — alerta Bachhuber. — As overdoses de benzodiazepínicos têm aumentado numa taxa muito mais rápida do que a alta na prescrição dessas drogas, indicando que as pessoas as estão tomando de forma mais arriscada.
     
    Ainda de acordo com os pesquisadores americanos, outra explicação para a maior mortalidade associada aos benzodiazepínicos pode estar ligada à quantidade ingerida. Assim como muitas outras drogas psicoativas, legais ou não, esses compostos causam dependência e tolerância, ou seja, é preciso tomar mais para obter o mesmo efeito. Dessa forma, a quantidade total de benzodiazepínicos consumida nos EUA mais que triplicou no período da pesquisa, saltando de 1,1 quilo por 100 mil adultos em 1996 para 3,6 quilos em 2013, em cálculo que traduziu as dezenas de princípios ativos dessa classe de medicamentos na equivalência a apenas um deles, o lorazepam (vendido no Brasil com a marca Lorax).
     
    — A maior quantidade de benzodiazepínicos receitada aos pacientes sugere doses diárias maiores ou mais dias de tratamento, ambos fatores que também podem aumentar o risco de uma overdose fatal — destaca Joanna Starrels, coautora do estudo e também professora da faculdade de medicina nova- iorquina.
     
    No Brasil, não há estatísticas sobre as mortes relacionadas ao uso de mecontrolados, mas os números do consumo de benzodiazepínicos indicam que o problema aqui pode ser igual ou mesmo maior que nos EUA. E não é por menos. Distribuído no país sob a marca Rivotril, um desses compostos, o clonazepam, foi o sétimo remédio mais vendido em 2012 de acordo com a IMS Health, consultoria especializada em dados da área de saúde. Psiquiatra especialista em dependência química, Analice Gigliotti critica o que classificou como “exagero” na prescrição dessas substâncias, principalmente por médicos clínicos gerais.
     
    — Os benzodiazepínicos fazem parte do grupo dos famosos “remédios tarja preta”, que têm venda controlada e precisam ser prescr itos com um receituário especial — lembra Analice. — Mas às vezes eles são receitados de maneira indiscriminada, e os médicos que mais os prescrevem são os clínicos gerais. Os pacientes muitas vezes pedem aos médicos para continuar a tomar os medicamentos e alguns deles dão a receita sem se dar conta de que essas substâncias geram tolerância e dependência. E essas prescrições são muito comuns no Brasil, muito mais do que deveriam ser.
     
    PERIGO PARA DEPRESSIVOS 
     
    Ainda segundo a especialista, outro perigo pouco abordado quando na prescrição deste tipo de composto é seu efeito em pacientes predispostos à depressão, particularmente os que têm histórico familiar do distúrbio. Apesar de reconhecer que, no geral, os benzodiazepínicos são tão seguros que dificilmente o consumo mesmo de uma caixa inteira de um medicamento dessa classe de uma vez leva à morte se tomado sozinho, sua combinação com outras substâncias depressoras do sistema nervoso central, como o álcool, é, sim, potencialmente fatal.
     
    — Aí é mel na sopa, mão na luva, pois é algo com que uma pessoa pode se matar — alerta. — Apesar de não se saber qual a dose necessária para uma overdose em um paciente em particular, quem usa benzodiazepínicos com álcool certamente tem algum problema ou transtorno psiquiátrico importante e tendência ao uso de outras medicações, em misturas que elevam em muito o risco de morte.
     
    Fonte: O Globo
  • Mercado Aberto: Número de cirurgias plásticas pagas por plano mais que dobra em 5 anos

    Mercado Aberto: Número de cirurgias plásticas pagas por plano mais que dobra em 5 anos

    As operações plásticas no país custeadas por convênios médicos passaram de 87,2 mil, em 2009, para 189,4, em 2014 —um aumento 117% em cinco anos, segundo dados da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica). É a primeira vez que esses procedimentos crescem mais que os particulares, que subiram 91% nesse período, de 397,2 mil para 757,7 mil.
     
    Um dos principais motivos para a maior participação dos planos médicos, de acordo com a entidade, é a popularização das plásticas reparadoras, feitas para corrigir marcas deixadas por acidentes e doenças, como o câncer. Atualmente, há cerca de 600 mil novos casos de câncer ao ano, pelos dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer),e alguns tratamentos envolvem métodos invasivos. “Quase todas as operações por convênio são reparadoras. O paciente está mais consciente e, em muitos casos, é orientado pelo oncologista”, diz Luis Henrique Ishida, presidente regional da SBCP.
     
    Em muitos casos,o tratamento do plano já prevê a operação reparadora. “Como o convênio não pode negar esse procedimento ao contratante, os tratamentos para reparação,que eram 27% das cirurgias plásticas em todo o país em 2009, passaram para 40% em 2014.” Somadas, as intervenções por plano e as de pacientes particulares cresceram 95,5%. “No futuro, a tendência é que os procedimentos não estéticos aumentem ainda mais.A repercussão que eles têm na qualidade de vida do paciente faz com que mais médicos os indiquem.”
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Descoberta nova espécie de bactéria da doença de Lyme

    Descoberta nova espécie de bactéria da doença de Lyme

    Pesquisadores da Clínica Mayo em Minnesota, EUA, descobriram uma nova espécie de bactéria, transmitida por carrapatos, que causa a doença de Lyme. A nova espécie, provisoriamente chamada de Borrelia mayonii, por causa da clínica, foi encontrada apenas ao Norte do Meio Oeste americano, mas pode aparecer em outros lugares.
     
    Seis pacientes com a infecção foram identificados pelos pesquisadores com sintomas semelhantes aos causados pela Borrelia burgdorferi, até agora a única espécie conhecida ligada à doença de Lyme na América do Norte. Apenas um em seis pacientes teve as erupções na pele características da doença de Lyme e presentes entre 70% e 80% dos casos relatados. Três pacientes tiveram erupções mais espalhadas.
     
    A nova cepa aparentemente causa náusea e vômito, além dos sintomas típicos de Lyme, que incluem febre, dores de cabeça e no pescoço. Os pacientes que contraíram a nova bactéria também têm uma concentração maior delas no sangue que o esperado.
     
    Por enquanto, o tratamento com antibióticos normalmente usado para tratar a doença de Lyme parece ser eficaz contra a Borrelia mayonii.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Antibiótico pode causar disfunções neurológicas

    Antibiótico pode causar disfunções neurológicas

    Os antibióticos surgiram no século 20 para curar doenças até então incuráveis. Agora, porém, o grande combatente de infecções bacterianas desperta preocupação entre especialistas. Em artigo publicado na revista científica Neurology, cientistas dos Estados Unidos alertam que o medicamento pode provocar agitações corporais anormais, delírios e outras disfunções cerebrais.
     
    Para o estudo, os investigadores da Academia Americana de Neurologia (AAN) analisaram relatórios científicos disponíveis em bibliotecas virtuais e encontraram relatos de 391 pessoas que, após tratamento com antibióticos, sofreram problemas neurológicos. Desses pacientes, 47% manifestaram delírios ou alucinações, 14% tiveram convulsões, 15% demonstraram espasmos musculares involuntários, 5% sofreram perda de controle dos movimentos do corpo e 19% apresentaram exames neurológicos com alguma alteração negativa.
     
    Um total de 54 tipos de antibióticos provocaram os problemas — desde os muito prescritos pelos médicos, como as sulfonamidas, usadas no tratamento doenças inflamatórias intestinais, e a ciprofloxacina, que combate infecções no trato urinário; a antibióticos aplicados por via intravenosa, como a penicilina, que combate a sífilis e a gonorreia.
     
    Shamik Bhattacharyya, autor do estudo e também professor da Harvard Medical School, ressalta que mais pesquisas são necessárias para entender a fundo esse efeito adverso dos antibióticos. “Mas eles devem ser considerados como uma possível causa do delírio”, ressalta. Em 70% dos casos detectados no estudo, o exame de eletroencefalograma acusou atividade elétrica anormal do cérebro.
     
    Especificados
     
    Os pesquisadores conseguiram relacionar as disfunções cerebrais com o tipo de antibiótico usado. As convulsões, por exemplo, foram associadas à ingestão de penicilina e de cefalosporinas; usadas no tratamento de meningite, artrite, pneumonia e conjuntivite. Sintomas de psicose (perda de contato com a realidade) foram provocados por procaína penicilina, utilizada no combate à gengivite; por sulfonamidas, usada em infecções intestinas; por fluoroquinolonas, que trata otite; e por macrolídeos, que combate a gonorreia.
     
    Em todos esses casos, o surgimento dos sintomas foi rápido. Porém, uma vez que os antibióticos foram interrompidos, os efeitos colaterais sumiram em alguns dias. “O reconhecimento dos diferentes padrões de toxicidade poderia levar a um diagnóstico mais rápido. Espero que, com isso, possamos evitar os delírios e outras consequências negativas para as pessoas”, diz Bhattacharyya.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Brasil receberia maior parte dos US$ 56 milhões da OMS para combate à zika

    Brasil receberia maior parte dos US$ 56 milhões da OMS para combate à zika

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta terça-feira (16) um plano estratégico de resposta à epidemia da zika que prevê investimentos globais de US$ 56 milhões, cerca de R$ 225 milhões. Pelos critérios de distribuição dos recursos, o Brasil receberá a maior parte da verba –embora a divisão seja global, a prioridade é para países com presença do Aedes, da zika e de más-formações congênitas e só o Brasil preenche todos esses quesitos.
     
    Países que têm o mosquito, mas não têm a presença de zika, por exemplo, receberão recursos na área de vigilância e controle do vetor.
     
    Ainda não foi divulgado quanto o Brasil irá receber, mas a preocupação com a situação aqui é tão grande que a partir da próxima semana autoridades sanitárias de vários países, incluindo os Estados Unidos, virão ao país –além da diretora da OMS, Margaret Chan, que desembarca no dia 23.
     
    O principal objetivo do plano, segundo a OMS, é “investigar e dar respostas sobre a relação entre zika e microcefalia e outras complicações neurológicas”.
     
    Até agora, diversos estudos já ligaram o vírus à microcefalia, mas ainda não se sabe se a zika sozinha causa a microcefalia ou se estaria aliada a outro fator, por exemplo, algo que facilitasse sua entrada na placenta, para causar a má-formação. 
     
    As ações previstas para o Brasil envolvem vigilância, campanhas, controle do mosquito, cuidados médicos e pesquisa.
     
    Serão quase US$ 15,5 milhões para engajamento das comunidades e mais de US$ 14,2 milhões para assistência às pessoas afetadas. Mais US$ 7 milhões irão para vigilância (que inclui diagnósticos e monitoramento da microcefalia), US$ 6,4 milhões para controle do Aedes aegypti e US$ 6,3 milhões para pesquisas.
     
    O surto de microcefalia com possível relação com a zika fez a OMS declarar em 1º de fevereiro emergência de saúde pública mundial.
     
    De onde vem o dinheiro?
     
    A OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) financiarão US$ 25 milhões, enquanto US$ 31 milhões serão divididos entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) e outros parceiros.
     
    Mais R$ 500 milhões, de um fundo planejado para o ebola, podem ser destinados ao combate da emergência internacional causada pelo Aedes aegypti. E o Banco Mundial trabalha na formação de um fundo internacional de US$ 500 milhões para combate de pandemias que poderia ser utilizado no surto de zika.
     
    A ideia de criação do fundo da OMS começou a ser discutida no ano passado, em resposta ao surto de ebola, e ganhou nova urgência com a zika. A arquitetura financeira da iniciativa ainda está sendo discutida e deve envolver um misto de emissão de bônus, contribuição de países e instrumentos de seguro. 
     
    O embaixador da União Europeia, João Gomes Cravinho, anunciou ontem a abertura de uma linha de crédito de 10 milhões de euros para financiar pesquisas relacionadas ao vírus da zika. A ideia é que consórcios formados por institutos, incluindo brasileiros, inscrevam-se para participar da disputa. As regras serão publicadas em março e a expectativa é de que até julho os trabalhos escolhidos sejam divulgados. (Com Estadão Conteúdo e agências internacionais) 
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Relação entre zika e Guillain-Barré é mais evidente que zika e microcefalia

    Relação entre zika e Guillain-Barré é mais evidente que zika e microcefalia

    A relação entre o vírus da zika e a síndrome de Guillain-Barré é mais evidente do que a observada até agora nos casos de microcefalia, disse à reportagem Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).
     
    Segundo ele, até agora, o único país das Américas a registrar a má-formação no cérebro de bebês é o Brasil. Se nos próximos meses não aparecerem casos semelhantes em outras regiões, será preciso investigar outras razões para o problema.
     
    Se a zika provoca microcefalia, vamos começar a ver casos na Colômbia em junho, porque o vírus chegou lá em outubro
     
    “A evidência com Guillain-Barré é mais conclusiva. Há vários países com zika que estão relatando aumento da síndrome, como Brasil, El Salvador, Colômbia, Suriname, Venezuela e Polinésia Francesa”, ressaltou Espinal.
     
    Ele disse que é difícil estimar um prazo para a confirmação da relação causal entre zika e microcefalia, mas ressaltou que o quadro deverá ficar mais claro em abril, quando será divulgado um estudo de casos que está sendo feito no Brasil.
     
    Ainda que a situação seja menos conclusiva do que em relação à Guillain-Barré, ele observou que há evidências “muito sugestivas” apontando para a zika na origem da microcefalia.
     
    Na hipótese de esse vínculo não se comprovar, será necessário investigar se a má-formação é provocada por outros vírus ou pela influência de produtos tóxicos e químicos, afirmou Espinal.
     
    De acordo com ele, a zika já está presente em 26 países e territórios das Américas. Apesar de o vírus estar se movendo na direção norte, os Estados Unidos ainda não tiveram casos autóctones da doença e Espinal não espera que o país experimente uma epidemia. Em sua avaliação, a região ainda não viu o pico da doença, que deverá se espalhar para todos os países da América Latina e do Caribe.
     
    “Tudo ainda é um mistério”
     
    O diretor da Opas foi um dos participantes de seminário que reuniu nesta terça-feira (16) em Washington cientistas e médicos para discutir a epidemia de zika. Todos concordaram que há um déficit de conhecimento da comunidade científica em relação ao zika, vírus pouco estudado que esteve fora do radar das pesquisas até aparecer no Brasil, no ano passado.
     
    Desde sua descoberta, em 1947, até um surto na ilha de Yap, em 2007, haviam sido registrados apenas 14 casos da doença no mundo.
     
    “O que provocou o recente aumento? Nós não sabemos. Tudo ainda é um mistério para nós”, disse Ronald Rosenberg, responsável por doenças infecciosas do Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês).
     
    Em sua opinião, a prioridade para o Brasil é esclarecer a relação entre a doença e a má-formação do cérebro de bebês. “Todos os relatórios indicam que a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré aumentaram no mesmo período em que tivemos a epidemia de zika. Mas saber como essa conexão acontece é complexo”, observou.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Zika congênita, o mais novo desafio para os médicos

    Zika congênita, o mais novo desafio para os médicos

    Médicos estão ainda sem entender episódios de malformação cerebral e nas articulações ligados ao vírus na gestação. Bebês nascem por vezes com o perímetro encefálico normal, mas sem partes do cérebro, como o tálamo e o cerebelo. A síndrome vem sendo chamada de zika congênita. No sertão paraibano e na periferia de Campina Grande, grávidas relatam o drama de receber o diagnóstico de microcefalia dos bebês. O filho de Maria passou algumas horas no mundo. A mãe mal viu o menino. Ele morreu pouco após nascer. Maria é também menina. Tem 15 anos e não entende o que matou o seu bebê, o primeiro caso de que se tem notícia no Brasil de uma combinação de problemas que médicos e cientistas começam a chamar de zika congênita. Como Maria, eles também não compreendem quase nada e se assombram como o vírus pode causar tamanha devastação.
     
    — Foi nosso primeiro caso. Aconteceu em novembro, antes do alerta nacional sobre o zika. Sabíamos que a mãe tinha sofrido de zika. A criança era microcéfala, mas esse era só parte de seus problemas. A mãe não conseguia entender nada, ficou desesperada. E é desesperador ver uma tragédia tão grande assim e tentar consolar o inconsolável — explica a médica e pesquisadora Adriana Melo ao falar do filho de Maria, a menina cujo nome verdadeiro ela prefere omitir.
     
    VENTRÍCULOS CEREBRAIS AUMENTADOS
     
    A criança sofria de artrogripose severa, com pernas e coluna gravemente deformados. — Infelizmente, temos visto outros casos assim. Observamos um padrão na Paraíba que parece mais grave. Não sabemos o porquê. Há natimortos. Só na semana passada foram dois, com destruição do cérebro. Eles não eram microcéfalos. São diferentes de outros casos relatados no resto do país. Muito mais severos. O cérebro é praticamente todo líquido — frisa a médica, cujo grupo foi o primeiro a alertar para a existência de outras complicações, além da microcefalia.
     
    Casos como o de Guilherme, o bebê de outra moça do sertão. Foi do líquido amniótico de Guilherme que o zika foi isolado e sequenciado nesse meio pela primeira vez, pelo grupo integrado por Adriana, Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Ana Bispo, da Fiocruz .
     
    — Guilherme não era microcéfalo, tinha perímetro encefálico normal. Mas os ventrículos cerebrais estavam muito aumentados. Ele praticamente não tinha mais cérebro — diz Adriana. Guilherme não viveu nem 48 horas, e sua mãe voltou para Juazeirinho sem o filho nos braços. — Ela sabia que o menino tinha problemas muito sérios. Mas o queria ainda assim. Tentamos explicar que não viveria — conta a médica.
     
    Mas a moça na casa dos 18 anos, que prefere ser chamada de a “mãe do Guilherme”, não se conforma. Outra moça da mesma cidade e que também teve zika voltou para casa com a sua Catarina, que tem microcefalia. A complicação que afetou Guilherme e pelo menos outros seis bebês se chama, genericamente, ventriculomegalia grave. Ela acontece quando os ventrículos cerebrais são tão dilatados que outras partes do cérebro se atrofiam ou são inexistentes. O espaço é então preenchido por fluido. Em muitos casos, o perímetro encefálico é normal. A neurocirurgiã e diretora do Hospital Pedro I, Alba Gean Medeiros Batista, explica que esse é o distúrbio mais grave associado aos casos de zika na gestação. Algumas partes do cérebro podem ser praticamente inexistentes, como o tálamo, o bulbo cerebral e o cerebelo.
     
    — Temos o caso de um bebê cujo cerebelo está praticamente solto. Aqui em Campina Grande temos visto mais casos de ventriculomegalia do que de microcefalia ultimamente e não fazemos ideia do motivo. Também verificamos que danos no cerebelo são mais frequentes. Queremos poder identificar os casos que podem se agravar durante ou depois da gestação, mas não sabemos como. Nos faltam os testes mais básicos — destaca Alba.
    Adriana Melo se preocupa em especial com o caso de outra moça com 32 semanas de gestação:
     
    — Pelas ultrassonografias vemos que o bebê tem o perfil de um anencéfalo, parece não ter crânio. Tem deformidade da coluna causada pela artrogripose. Esse bebê não conseguirá, por exemplo, engolir porque para engolir você precisa ter cérebro. Não sabemos nem como lidar direito com a mãe. Praticamos aqui a terapia do abraço. É a única coisa que podemos oferecer.
     
    Segundo ela, são seis casos de ventriculomegalia e artrogripose ligados ao zika na gestação. Quatro crianças morreram e duas estão em gestação. — É uma síndrome que pode ser devastadora. O que estamos chamando de zika congênita tem uma variação enorme. E microcefalia, como disse num estudo, é só mesmo a ponta do iceberg — afirma Adriana Melo.
     
    A obstetra Bianca Nóbrega, que integra o serviço de atendimento a mães com zika e seus filhos no Pedro I, diz que as gestantes ficam em situação desesperadora. — Elas são em sua maioria muito pobres. Viajam por centenas de quilômetros para chegar aqui. Muitas vezes sem ter dinheiro para comer. Podemos oferecer lanche, carinho, mas não temos muito o que dizer para uma grávida que nos pergunta “meu filho vai ser um vegetal?” Eu sou mãe. É muito difícil — afirma Bianca.
     
    Segundo Alba, o acompanhamento das crianças cujas mães tiveram zika na gestação, mesmo que sem sintomas, precisa ser feito por pelo menos dois anos: — Há problemas que só vão surgir à medida que a criança se desenvolver.
     
    Fonte: O Globo
     
  • O marco zero do Alzheimer

    O marco zero do Alzheimer

    As pesquisas sobre o envelhecimento cognitivo concentram-se na forma como o declínio nas funções de regiões cerebrais influencia o raciocínio. Uma das mais recentes destaca o papel do sistema locus ceruleus (LC) nas condições cognitivas da velhice. Publicada na revista Trends in Cognitive Sciences, uma revisão de literatura conduzida por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) revela que essa região crítica e vulnerável pode ser o primeiro local afetado pela forma tardia da doença de Alzheimer (DA). Os autores acrescentam que é possível que o LC seja mais importante na manutenção cognitiva durante a velhice do que se estima hoje.
     
    A partir da investigação de estudos anteriores, o grupo liderado por Mara Mather oferece novas reflexões sobre alterações relacionadas ao envelhecimento em um neuromodulador chamado norepinefrina (NE). Conhecido pelo papel na excitação comportamental, no controle da frequência cardíaca e na pressão arterial, essa substância também regula a memória, a atenção e a cognição. Experimentos feitos com ratos mostraram que, quando liberado no LC, o NE protege os neurônios de fatores que matam as células e aceleram o Alzheimer, como a inflamação e a estimulação excessiva de outros neurotransmissores — substâncias químicas produzidas pelos neurônios.
     
    Do tamanho de um grão de arroz, o LC é a estrutura cerebral de maior densidade de neurônios noradrenérgicos — que interagem com a norepinefrina e outros neurotransmissores — e parece ser a primeira região em que surge o Alzheimer. Isso porque, diz Mather, a patologia tau — caracterizada por emaranhados de proteína encontrados em neurônios que sofrem a degeneração — se manifesta primeiro nessa região da cabeça. Embora nem todas as pessoas com esse acúmulo desenvolvam o tipo mais comum de demência, os resultados da autópsia indicam que quase todos os adultos têm indicações iniciais da patologia no LC.
     
    “Durante muito tempo, falou-se que o Alzheimer começava no córtex entorrinal, área do hipocampo mediada por neurônios que trabalham com a acetilcolina, substância relacionada ao funcionamento da memória. O que esse estudo mostra é que surge antes no LC. Quando os pesquisadores analisaram pesquisas com autópsias, constataram que jovens de 20 anos já apresentam anomalias nessa área, e apenas nela. Aos 40 anos, 100% das pessoas apresentavam algum grau de patologia”, esclarece o geriatra Otávio Castello, diretor do Departamento Científico da Associação Brasileira de Alzheimer, regional Distrito Federal.
     
    O achado também explica por que uma classe mais moderna de antidepressivos que atua nos noradrenérgicos oferece melhorias na memória e como esses medicamentos podem ter efeitos mais relevantes em pacientes com Alzheimer que os tradicionais. “Hoje, a maioria dos remédios para DA trabalha nas vias de acetilcolina. Até aqui, os médicos diziam que o problema era nessa substância, e isso é uma verdade, mas não completa: há problema também na noradrenalina. Isso significa que novos estudos de tratamentos podem ter como alvo regiões que não são tradicionalmente contempladas — o que, na prática, já está sendo feito. Esse estudo reforça essa percepção”, acrescenta Castello.
     
    Reserva cognitiva
     
    Os noradrenérgicos são liberados durante atividades mentais desafiantes, como aprender uma língua. “Educação e carreiras estimulantes promovem a reserva cognitiva, ou seja, o desempenho eficaz do cérebro durante o envelhecimento, apesar da invasão da patologia tau”, alerta Mather. “A ativação do sistema LC-NE pela novidade e pelo desafio mental ao longo da vida pode contribuir para essa reserva.”
     
    Bruna Mendonça Lima, neurologista do Hospital Santa Luzia, em Brasília, considera estudos como o norte-americano interessantes porque, apesar de não baterem o martelo, oferecem observações relevantes para o desenvolvimento de medicamentos e até mesmo exames que sejam preditores da doença. “Poderíamos, a partir desse conhecimento, desenvolver formas de diagnóstico precoce. Hoje, só podemos dizer se uma pessoa tem Alzheimer tardio quando ela já apresenta os sintomas”, opina a também membro da Academia Brasileira de Neurologia.
     
    Essa realidade, contudo, é distante, na visão de Cláudio Roberto Carneiro, coordenador de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. “Tudo é muito teórico. A gente já sabia dessa região e, agora, viram que ela sofre antes com a patologia. Embora seja relevante, tem pouco significado para a prática clínica hoje. Por enquanto, o trabalho oferece apenas perspectivas. As pessoas não devem se preocupar tanto, pois todos têm emaranhados de tau nessa área, mas nem todos terão Alzheimer. Precisamos de mais estudos para ter algo concreto com que trabalhar”, pontua.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • OMS garante que não há relação entre microcefalia e vacinas no Brasil

    OMS garante que não há relação entre microcefalia e vacinas no Brasil

    A Organização Mundial da Saúde emitiu nota ontem, segunda-feira, assegurando que os boatos associando vacinas para grávidas com o aumento de microcefalia no país são falsos. “As vacinas que a organização recomenda para as gestantes e que são oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) são seguras e eficazes”, diz o comunicado da organização.
     
    O esclarecimento veio depois de uma série de boatos sobre supostos casos de gestantes que tomaram vacinas vencidas ou vacina contra rubéola e tiveram bebês com a malformação do crânio.
     
    Na nota, a OMS esclarece que vacina contra a rubéola não está no calendário das grávidas e também que sua aplicação em mulheres que ainda desconheciam a gravidez não resultou em consequências negativas para o feto.
     
    Mais de 70 milhões de doses do imunizante já foram administradas em mulheres em idade fértil no Brasil.
     
    Segundo a organização, outras vacinas, como a contra o tétano neonatal e a contra a gripe também podem ser aplicadas em grávidas com segurança para o bebê. A OMS reforça a importância de a população seguir todo o calendário de vacinação.
     
    O Ministério da Saúde já havia desmentido os boatos e reforçado que as gestantes devem continuar tomando as vacinas destinadas a este público.
     
    Em agosto de 2015, o ministério começou a registrar o aumento inesperado de casos de microcefalia no Nordeste. No final de novembro, a pasta confirmou que os casos tinham origem na infecção de gestantes pelo vírus zika, que começou a ter circulação registrada no Brasil no ano passado.
     
    Fonte: Valor Econômico / Site
     
  • Governo do DF vai importar medicamento à base de canabidiol

    Governo do DF vai importar medicamento à base de canabidiol

    Para atender a uma determinação judicial, o governo do Distrito Federal vai adquirir medicamentos à base de canabidiol, substância presente na maconha. A decisão foi publicada segunda-feira, 15, no Diário Oficial do DF, dispensando a necessidade de licitação para importar o produto.
     
    O governo recebe propostas até as 17h de sexta-feira para importar, sob o menor preço e em caráter emergencial, suplementos alimentares à base de canabidiol, nos formatos seringa preenchida ou frasco. Pacientes de dores crônicas, Parkinson ou de epilepsias refratárias que desejarem importar o medicamento devem estar cadastrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
     
    De acordo com resolução do órgão, a importação deve ser solicitada “por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado, para tratamento de saúde”. Nenhum paciente pode ter em posse quantitativo que ultrapasse o necessário para um ano de tratamento.
     
    A Secretaria de Saúde do DF informou que a compra pode ser solicitada pela própria pessoa ou por intermédio do Sistema Único de Saúde – nesse segundo caso, a única possibilidade de adquiri-lo é via decisão judicial, “já que é um medicamento não padronizado, importado e sem registro na Anvisa”. Não há estimativa de custo do produto, cuja comercialização não é permitida em território brasileiro.
     
    Fonte: Correio Braziliense Online