Author: admin

  • Arma natural contra o diabetes

    Arma natural contra o diabetes

    Cientistas descobriram, no corpo humano, uma enzima capaz de reduzir efeitos tóxicos do excesso de açúcar. O achado pode abrir caminho para novos tratamentos contra o diabetes e a obesidade. Um time de cientistas canadenses descobriu, dentro do corpo humano, uma potencial arma contra as consequências nocivas do consumo exagerado de doces. Pesquisadores da Universidade de Montreal identificaram uma enzima capaz de reduzir os efeitos tóxicos do excesso de açúcar no organismo, fazendo com que o corpo absorva apenas uma quantidade benéfica de glicose. O achado pode abrir caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2 — aquele contraído ao longo da vida por causa, especialmente, de maus hábitos alimentares.
     
    Chamada de glicerol 3-fosfato fosfatase (G3PP, na denominação em inglês), a tal enzima tem papel-chave na regulação da quantidade de glicose que cada célula utiliza. Segundo os autores da pesquisa, publicada ontem na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, a G3PP está presente em todos os tecidos do corpo de mamíferos e pode ter um efeito “detox” no organismo, eliminando o excedente de glicose.
     
    Esta enzima é um dos principais agentes que participam da quebra das moléculas de açúcar dentro das células. Porém, esse processo sempre gera um subproduto — chamado de glicerol-3 fosfato — que, quando em excesso, é tóxico ao organismo: prejudica vários tecidos e danifica as células beta do pâncreas, que são as produtoras de insulina, hormônio que regula o nível de glicose no corpo. O que chamou a atenção dos cientistas canadenses foi a característica única da enzima G3PP de transformar o glicerol-3 fosfato em glicerol simples e retirá-lo da célula, impedindo, assim, que atinja os órgãos.
     
    — Quando a glicose está anormalmente elevada no corpo, o glicerol-3 fosfato derivado da glicose atinge níveis excessivos dentro das células. Este metabolismo exagerado pode danificar vários tecidos. Constatamos que a G3PP é capaz de repartir uma grande parcela deste excesso de glicerol-3 fosfato e desviá-lo para fora da célula, protegendo, assim, as células-beta produtoras de insulina e vários órgãos dos efeitos tóxicos gerados pelo alto nível de glicose — explica o cientista Marc Prentki, um dos autores do estudo.
     
    Segundo a pesquisa, o corpo não produz, naturalmente, uma quantidade de G3PP suficiente para inibir os efeitos do excesso de glicose que levam ao diabetes. A equipe quer descobrir quais são “as pequenas moléculas ativadoras de G3PP”, para desvendar o que exatamente impulsiona essa enzima a entrar em ação. O objetivo é, no futuro, desenvolver drogas para tratar distúrbios metabólicos, obesidade e diabetes tipo 2. Para que isso aconteça, porém, ainda faltam muitas pesquisas. De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, Olga Amancio, pode levar décadas entre a descoberta de uma molécula como esta e o lançamento de uma droga a partir dela.
     
    — É preciso ter outras pesquisas do mesmo grupo e de outras equipes até que essa descoberta se consolide. É um resultado muito interessante, e será ótimo se realmente servir para diabéticos. Mas ainda temos muitas perguntas a serem respondidas: será que esta enzima só funciona até certo ponto e é por isso que a gente engorda? Será que algumas pessoas, dependendo da herança genética, podem tirar mais proveito dessa enzima? São dúvidas que somente novos estudos esclarecerão — analisa Olga.
     
    Para Marc Prentki, não se pode negar que a pesquisa abre horizontes em relação à compreensão do metabolismo. — Desde a década de 1960, é muito raro encontrar uma nova enzima no coração do sistema metabólico em todos os tecidos de mamíferos, e é provável que esta enzima passe a fazer parte dos manuais de bioquímica — acredita o canadense.
     
    Segundo recomendação feita no ano passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de açúcar não deve ultrapassar 10% das calorias ingeridas diariamente, em uma dieta saudável, o que representa cerca de 50g. Neste cálculo, não entra o açúcar presente naturalmente em frutas, verduras, legumes e leite fresco. Ao contrário, o consumo desses alimentos in natura é estimulado pela OMS para toda a população, em todas as faixas etárias. A restrição a 10% se refere ao açúcar de produtos industrializados, como biscoitos, bolos e refrigerantes.
     
    — Em geral, entende-se que até 60% da dieta podem ser compostos por carboidratos, o que inclui os diversos tipos de açúcar. A preferência, claro, deve ser dada a ingredientes naturais — esclarece o endocrinologista Pedro Assed, pesquisador do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (Iede).
     
    De acordo com Assed, o grande malefício do excesso de açúcar no nosso corpo é um “estresse oxidativo no organismo”. — O indivíduo com diabetes tem mais risco de ter cegueira, doenças do coração etc. O processo de quebra de glicose é danoso a diversas partes do corpo. A grande ideia da pesquisa é que essa quebra passe a ser inofensiva.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Alta de microcefalia reacende debate sobre aborto legal

    Alta de microcefalia reacende debate sobre aborto legal

    Com 12 semanas de gestação, Joana (nome fictício) foi infectada pelo vírus zika. Sua cidade, no interior da Bahia, registrou um surto da doença em março de 2015. Na 30ª semana, um ultrassom morfológico mostrou que o feto tinha graves lesões cerebrais, como dilatação dos ventrículos (cavidades), calcificação e microcefalia.
     
    Diante do prognóstico de uma vida de muita limitação, ela o marido decidiram interromper a gravidez. O obstetra particular que a atendia desde o início da gestação indicou um outro colega para fazer o procedimento.
     
    No consultório, foi aplicada uma injeção de cloreto de potássio no coração do feto. Com o diagnóstico de “óbito fetal”, Joana foi levada a um hospital privado. Lá recebeu medicação para induzir o parto normal. Dois dias depois, ela recebeu alta.
     
    A história foi relatada à Folha pelo obstetra de Joana. “As lesões cerebrais eram gravíssimas, a criança teria sérios problemas físicos e mentais. Eles Joana e o marido não se arrependeram da decisão”, diz o médico, que não quer ser identificado.
     
    Também na condição de anonimato, outros dois obstetras que atuam na rede privada de Pernambuco e Paraíba relatam situações parecidas. Os casos configuram crime contra a vida. A gestante pode sofrer pena de detenção de até três anos. Já os médicos podem ser condenados a reclusão de até quatro anos, além de perda do registro profissional.
     
    Para especialistas, casos de feticídio (morte provocada do feto) por microcefalia podem estar ocorrendo de forma isolada e clandestina. “Pessoas que têm recursos e acesso à assistência podem fazer o aborto, como já fazem em outras situações, até para síndrome de Down. Mas ninguém fica sabendo. Para quem tem dinheiro no Brasil, as leis são diferentes”, afirma o ginecologista Olímpio de Moraes, professor na Universidade de Pernambuco.CASOS
     
    Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, há 3.174 casos suspeitos da microcefalia em recém-nascidos de 684 municípios de 21 Estados. Existem 38 óbitos de bebês sendo investigados. O Ministério da Saúde diz que esses óbitos se referem a bebês que nasceram vivos e morreram depois. Informa ainda que desconhece casos de abortos legais ou ilegais em razão de microcefalia.
     
    Para sete especialistas ouvidos pela Folha, o aumento de casos de microcefalia deverá reacender o debate sobre a ampliação do aborto legal no país para outras situações de más-formações graves.
     
    O Código Penal permite o aborto em casos de estupro e de risco à vida da mãe. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal autorizou a interrupção da gravidez de anencéfalos (fetos sem cérebro) sob o argumento de que os bebês não sobrevivem fora do útero.
     
    Segundo o obstetra Cristião Rosas, delegado do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), há várias síndromes genéticas incompatíveis com a vida, como Edwards e Patau, que merecem o mesmo tratamento jurídico dado aos casos de anencefalia. “Muitos juízes já autorizam o aborto nesses casos, mas são decisões individuais, dependem de cada um.”
     
    Uma dessas decisões foi a do juiz Jesseir de Alcântara, de Goiânia, que autorizou o aborto de um feto de 25 semanas com a síndrome de Edwards, doença que causa uma série de más-formações. O juiz considerou a morte “certa” e que não haveria procedimento médico capaz de corrigir as deficiências desenvolvidas pelo feto.
     
    Para o advogado Paulo Leão, procurador no Rio de Janeiro e membro do Movimento Brasil sem Aborto, interromper a gravidez no caso de microcefalia ou em qualquer outra má-formação é “inaceitável sob todos os pontos de vista”. “É eugenia.”
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Anvisa publica manual sobre registro eletrônico de medicamentos

    Anvisa publica manual sobre registro eletrônico de medicamentos

    A Anvisa publicou o novo Manual do Usuário do Peticionamento de Registro Eletrônico de Medicamentos .
     
    Com o Manual de Registro Eletrônico de Medicamentos, os usuários contam com o passo a passo do registro eletrônico de medicamentos.
     
    O processo de registro está descrito na resolução RDC 60/2014.
     
    O registro de medicamentos foi instituído em 20 de abril de 2013, por meio da resolução RDC 20/2013 que regulamenta o registro de medicamentos no Brasil por meio eletrônico.
     
    Fonte: Anvisa
     
  • Bactéria mortal é mais predominante do que se pensava, diz estudo

    Bactéria mortal é mais predominante do que se pensava, diz estudo

    Bangcoc, 11 Jan 2016 (AFP) – Uma doença bacteriana frequentemente mortal e difícil de tratar é muito mais predominante do que se pensava, matando dezenas de milhares de pessoas no mundo a cada ano – informaram pesquisadores nesta segunda-feira.
     
    A Melioidose, também conhecida como doença de Whitmore, há muito tem sido conhecido por ser endêmica em partes da Ásia Meridional e Oriental, no Pacífico e norte da Austrália.
     
    Mas uma nova análise por uma equipe internacional de pesquisadores sugere que a doença está presente também através de faixas da América do Sul e na África subsaariana e provavelmente presente em partes da América Central, sul da África e no Oriente Médio.
     
    “Nossas estimativas sugerem que melioidose é severamente sub-relatada nos 45 países em que é conhecida por ser endêmica e que a melioidose é provavelmente endêmica em mais 34 países que nunca relataram a doença”, afirmou, em relatório, a equipe de pesquisadores liderados pela Universidade de Oxford, o Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit (MORU) em Bangcoc e a Universidade de Washington em Seattle. 
     
    O documento foi publicado nesta segunda-feira na revista Nature Microbiology.
     
    É a primeira vez que os cientistas tentaram mapear a propagação global da doença utilizando modelagem computacional baseada em dados de surtos conhecidos que remontam a 1910 e vão até os dias atuais. 
     
    A doença, que frequentemente afeta a população rural de baixa renda que trabalha nos campos, é notoriamente difícil de diagnosticar porque 'imita' muitas outras infecções bacterianas, mas só responde a um punhado de antibióticos. Como resultado, o erro de diagnóstico é comum.
     
    A taxa de mortalidade – em torno de 70 por cento – é chocantemente alta, maior até do que a da gripe aviária H5N1.
     
    Os pesquisadores estimaram que mais de 89.000 pessoas das as 165.000 pessoas que pegaram melioidose em 2015 morreram da doença.
     
    Eles observaram que as mortes globais anuais da doença eram quase tão altas quanto as mortes por sarampo (95.000) e maior do que as mortes por leptospirose (50.000) e dengue (12.500) – “duas prioridades de saúde atuais para muitas organizações de saúde internacionais”.
     
    “A doença mata muitas pessoas e mata silenciosamente”, disse à AFP Direk Limmathurotsakul, chefe de Microbiologia do MORU e co-autor do relatório. 
     
    A doença é causada pela bactéria Burkholderia pseudomallei, que está presente no solo e pode entrar no corpo através de cortes na pele, bem como por meio de inalação.
     
    Na Tailândia, as vítimas mais frequentes são os produtores de arroz que trabalham por horas nos campos do cereal.
     
    Direk disse que o diganóstico de uma infecção por melioidose necessita de um trabalho de laboratório especializado, algo que coloca a Tailândia numa posição de vantagem em relação a seus vizinhos mais pobres como Vietnã, Mianmar e Camboja.
     
    Mas mesmo com os hospitais e laboratórios mais avançados da Tailândia, os números do próprio governo só mostravam sete mortes pela doença no ano passado, provavelmente uma grande subestimação, disse Limmathurotsakul. 
     
    “Esta é uma doença subestimada e sub-relatada”, disse Direk. “A bactéria é difícil de diagnosticar, difícil de tratar e resistente a muitos antibióticos. Precisamos de mais conscientização e ferramentas de diagnóstico”.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Pílula anticoncepcional não aumenta risco de malformações congênitas

    Pílula anticoncepcional não aumenta risco de malformações congênitas

    Tomar uma pílula anticoncepcional antes ou no início de uma gravidez não aumenta o risco de problemas congênitos graves no bebê, de acordo com um estudo britânico publicado nesta quinta-feira (7) no site da “Medical Daily”.
     
    Pesquisadores dinamarqueses e norte-americanos chegaram a esta conclusão –que contradiz os resultados de alguns estudos publicados no passado– depois de estudarem cerca de 900 mil nascidos vivos listados na Dinamarca entre 1997 e 2011.
     
    Cerca de 2,5% das crianças sofriam de problemas congênitos tais como como malformações do sistema nervoso (espinha bífida), do coração, do trato respiratório ou urinário, cabeça ou membros. Questões relacionadas a causas conhecidas, como a síndrome alcoólica fetal ou aberrações cromossômicas (incluindo originalmente trissomia 21) foram excluídos do estudo.
     
    Os pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health descobriram que crianças nascidas de mulheres que continuaram a tomar a pílula após o início da gravidez não tinham maior risco de malformações do que aquelas nascidas de mulheres que nunca tomaram a pílula ou tinham parado antes de engravidar.
     
    A maioria das mães estudadas (68%) tinham parado de tomar contraceptivos orais mais de três meses antes da concepção, enquanto 21% nunca tinham tomado a pílula. Apenas 8% tinha parado a contracepção oral menos de três meses antes da gravidez enquanto 1% continuou a tomar mesmo que já estivessem grávidas.
     
    Mas, em última análise, a taxa de malformações foi praticamente a mesma: cerca de 2,5% após o ajuste para fatores de risco como idade materna, nível de escolaridade ou renda, ou tabagismo durante a gravidez. Esses resultados devem “tranquilizar as mulheres que engravidaram enquanto tomavam contraceptivos orais ou apenas alguns meses depois de pararem de tomá-los”, dizem os autores.
     
    Segundo Brittany Charlton, da Harvard T.H. Chan School of Public Health, eles são ainda mais tranquilizadores já que são baseados em prescrições médicas e não nas declarações de mulheres, que podem ser menos confiáveis?.
     
    Nos anos 70 e 80, vários estudos em pequenos grupos de mulheres encontraram uma associação entre os contraceptivos orais (estrogênio ou progestina) e malformações cardíacas e dos membros. Essa associação, no entanto, não foi encontrada em estudos mais recentes.
     
    Hereditariedade, pesticidas, tabaco, álcool, radiação ionizante, obesidade, aberrações cromossômicas e agentes infecciosos são atualmente considerados os principais fatores de risco para defeitos congênitos.
     
    Tomar certos medicamentos também é tido como um fator de risco, o mais infame deles sendo a talidomida. Prescrito para mulheres grávidas contra a náusea nos anos 50 e início dos anos 60, a droga fez entre 10 mil e 20 mil vítimas, em sua maioria nascidas com membros amputados.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Saúde disponibiliza Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção das Hepatites Virais

    Saúde disponibiliza Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção das Hepatites Virais

    O Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção das Hepatites Virais, elaborado pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, já está disponível para os profissionais da área.
     
    O material foi elaborado com o intuito de ampliar as possibilidades para o diagnóstico das hepatites virais, tanto nos serviços de saúde, quanto nos laboratórios. Também tornará o processo mais ágil, além de orientar e subsidiar as condutas dos profissionais envolvidos no diagnóstico das hepatites virais. 
     
    O novo manual define fluxogramas para o diagnóstico em diferentes situações e localidades, nas quais a infraestrutura laboratorial esteja ou não disponível, permitindo o atendimento ideal a todos os cidadãos.
     
     
    Fonte: Agência Saúde
     
  • ” genes

    ” genes

    Ao que parece, a tripla hélice veio para ficar. Você já deve estar familiarizado com a dupla hélice, mesmo que não conheça o nome – trata-se da típica escadinha torcida formada pelo DNA. Acontece que a versão tripla dessa estrutura provavelmente é importante para controlar a ativação dos genes do nosso organismo, segundo novo estudo.
     
    Os dados, publicados em artigo no periódico “Nature Communications”, são, em parte, um prêmio para a persistência do pesquisador brasileiro Eduardo Gorab, do Instituto de Biociências da USP, que é coautor do estudo.
     
    Já se sabia há décadas que a tripla hélice podia se formar em laboratório, mas Gorab foi um dos cientistas que apostaram na possibilidade de que o fenômeno ocorresse espontaneamente “in vivo”, ou seja, em organismos vivos.
     
    O biólogo da USP também defendia que a tripla hélice deveria estar associada à regulação do funcionamento dos genes, coisa que a nova análise agora corroborou.
     
    COMPLEXIDADE
     
    As descobertas relatadas no artigo da “Nature Communications”, coordenadas por Chandrasekhar Kanduri, da Universidade de Gotemburgo (Suécia), estão intimamente ligadas aos níveis cada vez mais sutis de complexidade que os cientistas andam vendo no material genético.
     
    Nas aulas de biologia, as pessoas ainda aprendem o chamado “dogma central da biologia molecular”, segundo o qual o DNA, que contém os genes, serve de “receita” para a fabricação de RNA (uma molécula parecida, mas de fita simples, e não dupla).
     
    O RNA, por sua vez, funciona como molde para a produção de proteínas, as quais desempenham toda sorte de funções nas células dos seres vivos.
     
    Nada disso é mentira, a rigor, mas a questão é que o processo de funcionamento das células parece envolver inúmeros outros processos que não seguem o figurino do dogma central. O RNA, por exemplo, não atua apenas como moleque de recados do DNA, mas às vezes se volta contra seu suposto mestre e pode até “calá-lo” – para ser mais preciso, evita que o DNA seja “lido” e sirva de receita para proteínas.
     
    Entender tais detalhes é essencial para explicar, por exemplo, como um único óvulo fecundado dá origem a todos os tipos de células do corpo adulto, das que fazem o coração bater às que transmitem mensagens dos olhos para o cérebro, ou para elucidar como certas células enganam o controle de qualidade do organismo e se multiplicam de forma descontrolada, dando origem aos vários tipos de câncer. Todos esses fenômenos, afinal, estão ligados aos padrões de “liga” e “desliga” do DNA.
     
    RNA COMPRIDO
     
    Para chegar à possível função da tripla hélice, Gorab e seus colegas seguiram a pista deixada pelos chamados lncRNAs (sigla inglesa de “RNAs longos não codificadores”, ou seja, que não participam da produção de proteínas). Já se sabia que esse tipo de RNA é capaz de “silenciar” ou “desligar” certos genes, encaixando-se em regiões específicas do DNA.
     
    Ao analisar como um tipo de lncRNA fazia isso numa linhagem de laboratório de células humanas, derivadas de um tumor de mama, os pesquisadores verificaram que a molécula costumava se conectar a regiões do material genético com alta presença das “letras” químicas G (guanina) e A (adenina).
     
    A interação entre o RNA e o DNA levava à formação de uma tripla hélice híbrida (incluindo os dois tipos de molécula). E isso, por sua vez, recrutava para o local uma proteína especializada em “desligar” o DNA.
     
    Se as observações forem confirmadas, a formação da tripla hélice seria um processo importante para o “silenciamento” de muitos genes.
     
    Em tese, seria possível até utilizar o fenômeno para desligar genes associados a determinadas doenças, embora essa possibilidade ainda esteja distante. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Chikungunya avança 34% e já são 17.131 infecções

    Chikungunya avança 34% e já são 17.131 infecções

    A previsão de que o país enfrentaria neste ano uma tríplice epidemia está aos poucos se confirmando. Além de um aumento expressivo (e antecipado) de casos de dengue, o Brasil registra uma expansão importante das notificações de chikungunya. No último boletim nacional, foram 17.131 infecções, 34% a mais do que o apontado até a última semana de setembro. A doença também se espalhou. No período de dez semanas, o número de cidades afetadas subiu de 37 para 62.
     
    Somente em Pernambuco, já foram identificados 2 mil casos. “Estamos muito preocupados. Vivemos agora a ameaça de três doenças simultâneas, todas graves, que exigem respostas diferentes”, afirmou a coordenadora do Programa de Controle de Dengue, Chikungunya e Zika de Pernambuco, Claudenice Pontes.
     
    O Estado é um exemplo da rapidez na expansão do vírus. Na última semana de setembro, apenas três cidades pernambucanas conviviam com casos de chikungunya, doença transmitida pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. Em dezembro, esse número já havia saltado para 14. “No início, as infecções estavam concentradas na região do Agreste. Agora, se aproximam da região metropolitana”, diz ela. Embora o risco de morte seja menor, a doença pode atingir as articulações, tornar-se crônica e deixar o paciente por meses impossibilitado de executar tarefas simples, como vestir-se ou se alimentar. Pernambuco ainda convive com os maiores indicadores do país de microcefalia e registra mil casos suspeitos de zika. “É tudo junto e misturado”, diz Claudenice.
     
    Uma das maiores preocupações na região é a dificuldade de se combater os criadouros do mosquito transmissor das três doenças. São várias as cidades em que o abastecimento de água é racionado ou intermitente. “Nesses casos, não há o que fazer: as pessoas armazenam em casa, aumentando de forma expressiva o risco de criadouros”, avalia a coordenadora. Uma das medidas adotadas foi a distribuição de telas para serem usadas em tonéis e caixas d'água sem tampa.
     
    Em 2014, quando chegou ao país, a chikungunya foi identificada em 3.657 pessoas, residentes em oito cidades. Agora, os casos estão espalhados por Amazonas, Amapá, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
     
    Emergência
     
    A prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD), decretou estado de emergência na cidade do interior de São Paulo, por avanço da dengue. O município também registra dois casos positivos de zika vírus. O decreto foi publicado no Diário Oficial ontem. A cidade é a primeira do Estado a entrar em emergência, em 2016, em razão da incidência do mosquito Aedes aegypti.
     
    Os casos de dengue triplicaram de outubro para novembro e continuam em aumento progressivo. Nesta primeira semana de janeiro, há 60 novos casos diários confirmados em laboratório. “Esses números indicam que já estamos em epidemia”, disse o secretário municipal de Saúde, Stenio Miranda. A secretaria montou um plano municipal de contingência e a prefeitura vai recorrer à Justiça para ter acesso a imóveis fechados ou quando houver recusa para a entrada dos agentes. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Colaborou José Maria Tomazela)
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Seis vacinas terão novo calendário no SUS

    Seis vacinas terão novo calendário no SUS

    O Calendário Nacional de Vacinação, adotado na rede pública de saúde, terá mudanças neste ano. As alterações abrangem seis vacinas já ofertadas no SUS, mas que passam a ter novas recomendações de intervalo entre a aplicação das doses, além da ampliação da faixa etária recomendada.
     
    Para as crianças de até cinco anos incompletos, as mudanças ocorrem no tipo de produto e intervalos de aplicação das doses de quatro vacinas:a de poliomielite, a vacina pneumocócica 10-valente, a vacina contra hepatite A e a meningocócica C.
     
    A partir deste mês, a terceira dose da vacina contra a pólio passa a utilizar a vacina inativada, feita com vírus mortos, em vez da vacina oral, que é feita com vírus atenuados.
     
    Já a vacina pneumocócica 10-valente, que protege contra pneumonia e outras doenças, passará a ser aplicada em duas doses e um reforço: uma aos dois meses do bebê e outra aos quatro meses, seguida de um reforço a partir dos 12 meses.
     
    A imunização contra o HPV (papilomavírus), que causa diversos tipos de câncer genital, passa a ser aplicada em duas doses —antes eram três— para meninas de 9 a 13 anos. A alteração ocorre após a baixa adesão de adolescentes à segunda dose.
     
    Já a vacina contra hepatite B passa a incluir pessoas acima de 50 anos e idosos. A expectativa é que ela seja ofertada para o novo grupo ainda no primeiro semestre.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Notificação federal de zika deve mudar

    Notificação federal de zika deve mudar

    Brasília – O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, afirmou em entrevista que a pasta deverá analisar nos próximos dias os dados sobre zika coletados nos chamados laboratórios sentinela e, a partir daí, uma decisão será adotada sobre o formato de notificação da doença. “Considero promissora a ideia de adotarmos um modelo híbrido, que amplie o número de laboratórios que fazem as coletas, mas que não seja universal, como o que está sendo feito em Pernambuco e Bahia”, afirmou.
     
    Como não há um kit de diagnóstico que consiga identificar a presença de anticorpos de zika no sangue, o acompanhamento da infecção é feito por meio de centros avançados de pesquisa. Unidades de atendimento escolhidas pelo ministério ficam encarregadas de acompanhar o número de casos atendidos e fazer exames em parte dos pacientes para serem enviados para análise de especialistas. Os dados são analisados por amostras e depois projetados para toda população. A ideia de Maierovitch é ampliar esse número de espaços de coleta, para que essa amostra seja ainda maior.
     
    Ele reconheceu ser “tentador” partir para um formato de notificação compulsória, em que todos os casos suspeitos são notificados, desde que a presença do vírus seja comprovada na região. Esse é o modelo usado, por exemplo, para dengue e chikungunya, doenças transmitidas pelo mesmo vetor do zika vírus, o Aedes aegypti. 
     
    “Mas no caso da zika, em que 80% dos casos são assintomáticos e as queixas apresentadas pelos pacientes podem ser confundidas com outras doenças, essa avaliação pode ser questionável. Fica a impressão que podemos estar sempre enxergando apenas a ponta do iceberg”, completou.
     
    Ainda em análise
     
    A definição, que será tomada nos próximos dias, deverá analisar tanto os dados coletados nos centros sentinela quanto a experiência de Pernambuco e Bahia, que já adotaram a notificação universal. 
     
    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
     
    Fonte: Uol Saúde