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  • Veneno de cobra coral pode ajudar a tratar esquizofrenia, dizem cientistas

    Veneno de cobra coral pode ajudar a tratar esquizofrenia, dizem cientistas

    Pesquisadores tiveram êxito na análise do veneno de espécie da Costa Rica.
    Estudo foi publicado na revista da Academia Americana de Ciências, a PNAS
     
    Cientistas revelaram o mistério de como o veneno da cobra coral costa-riquenha causa convulsões em suas vítimas, uma descoberta que pode impulsionar pesquisas sobre esquizofrenia, epilepsia e dor crônica.
     
    O veneno inclui um par de proteínas chamadas micotoxinas (MmTX), que se acoplam aos poros nas células nervosas do cérebro e da medula espinhal, conhecidas como receptores GABA(A). Isto resulta em convulsões potencialmente mortais.
     
    O estudo foi publicado nesta semana na revista da Academia Americana de Ciências, a “PNAS”. “O que encontramos são as primeiras toxinas animais das que temos notícia”, disse Frank Bosmans, professor assistente de fisiologia e neurociência da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. “De longe, é o composto mais poderoso que ataca os receptores GABA(A)”. “Assim que aderem aos receptores, não os deixam”, prosseguiu.
     
    Descobriu-se que as MmTX se une aos receptores GABA(A) mais firmemente que qualquer outro composto conhecido. Quando isto ocorre, o poro do receptor se abre permanentemente e a célula nervosa não consegue se restabelecer e acaba falhando.
     
    Os especialistas esperam que estas descobertas ajudem a fazer avanços nos estudos sobre epilepsia, esquizofrenia e dor crônica, causados precisamente por falhas nos receptores GABA(A). “Os medicamentos para combater a ansiedade, como o diazepam e o alprazolam, também aderem nos receptores GABA(A), mas causam relaxamento no lugar de convulsões porque o fazem com mais folga”, disse Bosmans. O estudo foi financiado pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Estudo relaciona energéticos e bebidas açucaradas à hiperatividade

    Estudo relaciona energéticos e bebidas açucaradas à hiperatividade

    Pré-adolescentes que consomem bebidas energéticas ou muito açucaradas estão 66% mais propensos a ter sintomas de hiperatividade e transtorno de déficit de atenção, segundo um novo estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
     
    A pesquisa indica que o consumo dessas bebidas pode influenciar no desempenho escolar, reforçando a recomendação de que a quantidade de bebidas com açúcar deve ser limitada para crianças e préadolescentes. O presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio (Soperj), Edson Liberal, acredita que energéticos, que contém cafeína, além de altos níveis de açúcar, deveriam ser proibidos para menores de idade, assim como as bebidas alcoólicas.
     
    — A quantidade de cafeína em uma latinha é absurda. A substância muda o mecanismo de vigília e sono, o que afeta o crescimento e a aprendizagem. Ainda pode causar arritmia cardíaca e, a longo prazo, levar ao vício — alerta Liberal.
     
    A equipe de Yale, liderada pela professora Jeannette Ickovics, entrevistou 1.649 estudantes do ensino fundamental. A idade média dos participantes foi de 12,4 anos.
     
    — À medida que a quantidade de bebidas adoçadas aumenta, também sobe o risco de sintomas de hiperatividade e desatenção entre os alunos — afirma Jeannette.
     
    Algumas bebidas adoçadas e energéticos populares entre jovens contêm até 40g de açúcar, e especialistas da recomendam que as crianças consumam, no máximo, de 21g a 33g de açúcar por dia (dependendo da idade). Durante a realização do estudo, os alunos consumiram, em média, duas bebidas açucaradas por dia.
     
    Além de hiperatividade e desatenção, bebidas com açúcar têm uma forte relação com a obesidade infantil. Chefe do serviço de Nutrologia Pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ), Hélio Fernandes da Rocha avisa que o consumo excessivo pode levar também ao diabetes e ao aumento da pressão arterial.
     
    — O açúcar industrializado tem uma absorção rápida que provoca picos de reação do pâncreas, aumentando o nível de insulina. Se o consumo for frequente, pode levar a uma resistência à insulina, que é o primeiro passo para o diabetes — explica o nutrólogo.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Insulina inteligente poderia ser aprovada para diabetes

    Insulina inteligente poderia ser aprovada para diabetes

    Um tipo de insulina experimental “inteligente”, que atua por 14 horas, demonstrou avanços em ratos de laboratório e pode ser aprovada para provas em pessoas com diabetes tipo 1 em dois anos, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira (9).
     
    O produto, conhecido como Ins-PBA-F, e desenvolvido por bioquímicos da Universidade de Utah, se ativa sozinho mesmo quando os níveis de açúcar aumentam, segundo estudo publicado nas atas da Academia Nacional de Ciências americana.
     
    Testes em ratos com diabetes tipo 1 demonstraram que uma injeção pode, “repetida e automaticamente fazer diminuir o nível de açúcar no sangue depois de administrada aos ratos uma dose de açúcar comparável à que consomem na hora de comer”, destaca o estudo.
     
    A droga imita a forma como o organismo dos ratos comuns volta a níveis normais de glicemia (açúcar no sangue) após uma refeição.
     
    “É um avanço significativo na terapia com insulina”, afirmou o coautor do estudo, Danny Chou, assistente do professor de bioquímica da Universidade de Utah.
     
    “Nosso derivado de insulina parece controlar o açúcar no sangue melhor do que qualquer outra coisa disponível para pacientes com diabetes”, afirmou.
    As pessoas com diabetes tipo 1 precisam controlar estritamente seu nível de açúcar no sangue e aplicar manualmente injeções de insulina quando necessário.
     
    Qualquer erro ou lapso pode levar a complicações, que incluem doenças cardíacas, cegueira e, inclusive, a morte.
     
    O Ins-PBA-F é uma versão modificada quimicamente de um hormônio de origem natural.
     
    Diferencia-se de outros tipos de “insulina inteligente” em desenvolvimento, que usam barreiras baseadas em proteínas como géis ou revestimentos que inibem a insulina quando o nível de açúcar no sangue está baixo.
     
    Os primeiros testes em humanos poderão começar entre dois e cinco anos, assim que forem realizados mais testes de segurança de longo prazo em animais de laboratório.
     
    Fonte: A Tarde Online
     
  • Falta de transparência pode comprometer confiança nos genéricos

    Falta de transparência pode comprometer confiança nos genéricos

    Dá para continuar confiando nos genéricos? Várias pessoas me fizeram a pergunta nos últimos dias, após a reportagem Anvisa interdita parte da fábrica da EMS, maior farmacêutica do país. Eu digo que sim, até que me provem o contrário.
     
    Mas a desconfiança é compreensível. Afinal, quando a maior farmacêutica do país comete erros primários como os encontrados na inspeção da Anvisa e das vigilâncias sanitárias do Estado de São Paulo e de Hortolândia, onde fica a fábrica da EMS, fica a dúvida de como está a segurança do mercado de genéricos de uma forma geral.
     
    Os genéricos circulam nas farmácias brasileiras há 16 anos, mas ainda é comum gerarem desconfiança em relação a sua eficácia, principalmente, na classe médica. Pesquisas feitas pelo Ministério da Saúde e Anvisa já mostraram que 40% dos médicos têm algum tipo de insegurança e 20% deles dizem que não os prescrevem.
     
    Já entre a população, o grau de confiança é bem maior: 73%, segundo recente pesquisa Datafolha, encomendada pelo ICTQ (instituto de pesquisa e pós-graduação do mercado farmacêutico).
     
    Eu digo que confio nos genéricos porque sou consumidora desses medicamentos. Agora mesmo acabei de tomar um comprimido de levoflocacino (prescrito pelo médico, que fique bem claro) para combater uma sinusite que me derrubou.
     
    Mas confesso que o episódio EMS me incomodou, especialmente pelo silêncio da empresa, que só se manifestou por meio de uma nota vaga.
     
    Erros que levam ao recall de medicamentos acontecem com frequência, é só dar uma espiada no site da Anvisa.
     
    Agora, venhamos e convenhamos, é bastante incomum (ainda bem!) um almoxarifado que armazena toda a matéria-prima do laboratório estar numa temperatura de 46ºC (quando a norma é entre 15 e 28ºC). Ou a empresa usar ingredientes em desacordo com o determinado pela Anvisa ou ainda aumentar o lote de um medicamento em dez vezes e também não informar a agência reguladora.
     
    Diante disso, o esperado seria a farmacêutica vir a público e relatar o que motivou os problema apontados pelos agentes sanitários e as providências que tomou em cada caso. Por que a temperatura estava tão alta? O que levou a esse erro? O que foi feito para evitá-lo? E não me venham colocar a culpa no estagiário porque erros assim são, em geral, de processos, nunca de uma única pessoa. O mesmo vale para as outras irregularidades encontradas que levaram à suspensão e comercialização dos dois antibióticos.
     
    Os genéricos respondem hoje por quase 30% das vendas em unidades do mercado farmacêutico brasileiro. Em países como o Reino Unido, a participação é o dobro. Nos EUA chega a quase 80%, o que mostra que o nosso mercado tem ainda muito a crescer.
     
    No Brasil, o programa de genéricos não só aumentou o acesso da população aos tratamentos, já que agora consegue comprar remédios até 50% mais baratos em relação aos medicamentos de referência, como também fortaleceu a indústria nacional. Hoje, entre as maiores farmacêuticas, seis são brasileiras.
     
    Segundo a Anvisa, todos os medicamentos genéricos passam por rigorosos testes de qualidade antes de terem seu registro e comercialização autorizados. Também garante a mesma eficácia do medicamento de marca.
     
    Mas não dá para ignorar que quase um quarto da população brasileira ainda desconfia dos genéricos. Embora pontuais, episódios como esse envolvendo da EMS podem, sim, aumentar o grau de desconfiança se não houver transparência e respeito com o consumidor. É o mínimo que se espera.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Aplicativos ajudam campanha de conscientização sobre risco da Aids

    Aplicativos ajudam campanha de conscientização sobre risco da Aids

    Segundo pesquisa, 46% das pessoas na região Sudeste não preservativo.
    Campanha incentiva o uso do preservativo, teste e tratamento.
     
    O Ministério da Saúde vai realizar um campanha inédita para ajudar na prevenção à Aids neste carnaval. Além do uso do preservativo, neste carnaval os foliões terão dois aplicativos que ajudarão na conscientização da importância do uso do preservativo para prevenir a doença. A estratégia foi divulgada nesta segunda-feira (9) pelo Ministério da Saúde na quadra da escola de samba Mangueira.
     
    Segundo pesquisa do Ministério, 46% da população sexualmente ativa na região Sudeste não fez uso do preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais no último ano. Ainda segundo os dados, houve um crescimento significativo de pessoas que relataram ter tido mais de 10 parceiros sexuais na vida. Esse percentual subiu de 18%, em 2004, para 26% em 2008, chegando a 49% no ano de 2013, o maior percentual dentre todas as regiões brasileiras.
     
    A escolha dos aplicativos foi uma estratégia baseada no aumento desse número de jovens que, apesar do conhecimento sobre as formas de transmissão do HIV, continuam fazendo sexo sem preservativo. Os aplicativos promovem encontro de pessoas para encontros casuais a partir de localização geográfica. Para atingir o maior público possivel, a campanha  criou cinco perfis diferentes, que se identificavam como pessoas em busca de sexo sem camisinha. Durante a conversa, essas pessoas recebem mensagem direta sobre a importância da prevenção e sexo seguro. “O que mais preocupa são os jovens de 15 a 24 anos que assumiram uma prática sexual desprotegida apesar de saber quais são os riscos. 94% sabe que para prevenir a Aids é preciso usar camisinha, mas 46% admite fazer sexo sem preservativo com parceiro casual”, afirmou o ministro Arthur Chioro, ressaltando que esses dados evidenciam a importância de adotar outras estratégias além do uso do preservativo.
     
    Outra medida utilizada como forma de prevenção nessa campanha é o tratamento do HIV, onde o objetivo é tratar a doença imediatamente após a descoberta e não apenas quando os sintomas aparecem. A mensagem geral da campanha de carnaval deste ano é informar o jovem para se prevenir contra o vírus da aids, usar camisinha, fazer o teste e, se der positivo, comece logo o tratamento, reforçando o conceito “camisinha+teste+medicamento” de prevenção combinada. São 129 mil cartazes em quatro versões, segmentados para a população jovem, travesti e jovem gay. Displays com camisinhas serão instalados em aeroportos como o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e de outras cidades como Salvador e Recife. No Rio, o Ministério da saúde distribuirá  3 milhões de camisinhas no carnaval.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
     
     
  • ” cura mulher com síndrome rara

    ” cura mulher com síndrome rara

    Um rearranjo do DNA fez com que gene defeituoso fosse expulso do código genético de paciente
     
    Uma mulher com uma doença rara foi espontaneamente curada, um evento tão improvável que médicos o descreveram como o equivalente a ganhar na loteria.
     
    Ela sofria de hipogamaglobulinemia, caracterizada por uma falha no sistema imunológico e pela alta ocorrência de verrugas e infecções no corpo.
     
    Mas, segundo médicos americanos, ela foi curada há 20 anos após uma mutação acidental de seu DNA, quando ela tinha por volta de 30 anos de idade – hoje ela está na faixa dos 50 anos.
     
    Ao periódico científico Cell, um dos médicos disse que as chances de isso ocorrer são “astronomicamente baixas”.
     
    Sistema imunológico
     
    Pacientes com este mal têm um defeito em uma única seção do DNA. Seu organismo ainda fabrica células que formam o sistema imunológico, mas elas ficam retidas na medula óssea, onde são produzidas.
     
    Isso os deixa muito vulneráveis a infecções, especialmente ao vírus do papiloma humano, ou HPV. Além da ocorrência de verrugas, esta condição gera um maior risco de câncer.
     
    A mulher, que pediu aos médicos para não ter seu nome revelado, foi o primeiro caso de hipogamaglobulinemia registrado no mundo, há mais de 50 anos.
     
    Mas, aos 58 anos de idade, ela contatou uma equipe de pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos para fazer verificar se suas filhas tinham a mesma falha no DNA.
     
    Os testes deram positivo para duas de suas filhas, mas o médico quer realizou os exames, Philip Murphy, foi surpreendido com a revelação de que a mulher perdeu suas verrugas há 20 anos.
     
    Os pesquisadores buscaram entender, então, como este “caso miraculoso” ocorreu.
     
    'Notável'
     
    A origem da cura se deu a partir da mutação de uma única célula em sua medula óssea.
     
    Um evento conhecido como “estilhaçamento de cromossomas”, em que parte do DNA é rearranjado, fez com 164 genes fossem eliminados de seu código genético, entre eles o gene mutante que causava o problema.
     
    Se isso tivesse ocorrido em uma célula muscular, não teria feito diferença para a paciente. Mas o “estilhaçamento” ocorreu em uma célula-tronco que fabrica células imunológicas.
     
    Esta célula aos poucos tomou conta da médula óssea e foi o ponto de partida para que um novo sistema imunológico chegasse até sua corrente sanguínea.
     
    “É notável. Ela começou como uma menina azarada e acabou ganhando na loteria ao ter uma ocorrência tão rara – e a única conhecida no mundo até hoje”, afirmou Murphy.
     
    “Ela não tem mais verrugas, não é mais suscetível a infecções nem apresenta anormalidades no sangue. As chances disso ocorrer são extremamente baixas.”
     
    Murphy espera que uma maior compreensão sobre a doença possa levar a um tratamento ou a formas melhores de realizar transplantes de medula.
     
    Andrew Jackson, da Unidade de Genética Humana do Conselho de Pesquisa Médica, no Reino Unido, considera o caso uma “história científica interessante”.
     
    “Vejo muitos pacientes com doenças congênitas, e normalmente a regra é 'você tem que conviver com o que você nasceu'. Então, uma cura espontânea não é algo esperado”, disse Jackson.
     
    Ele explica que já houve “relatos similares” envolvendo outras condições, mas que houve conjuntamente trabalhos científicos excelentes que “permitiram entender biologicamente” o funcionamento destas síndromes.
     
    Jackson ainda acrescenta que seria importante avaliar a contribuição para a cura dos outros 163 genes afetados pelo estilhaçamento de cromossomas.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Amamentação, chave da saúde futura

    Amamentação, chave da saúde futura

    Logo após o nascimento, começa uma bela relação entre o bebê e os bilhões de micróbios que em breve irão colonizar o seu trato gastrointestinal. Em estudo publicado recentemente na revista “Frontiers in Microbiology CellularInfection”, pesquisadores da Escola de Medicina e da Faculdade de Artes e Ciências da Carolina do Norte descobriram que a dieta de um bebê durante os primeiros meses de vida tem profunda influência sobre a composição, a diversidade e a estabilidade do microbioma intestinal. Esses fatores, por sua vez, atuam na capacidade do organismo infantil de efetuar a transição do leite para alimentos sólidos, e pode ter efeitos na saúde a longo prazo.
     
    — Já o processo entre bebês que se alimentam também com fórmula pode ser mais dramático. Achamos que os microbiomas de bebês que não são exclusivamente amamentados podem contribuir para mais dores de estômago e cólicas — diz a coautora do estudo e professora assistente no departamento de biologia celular e fisiologia da UNC, Andrea Azcarate-Peril.
     
    A descoberta aumenta a percepção crescente de que o microbioma intestinal desempenha um papel importante para nos ajudar a digerir alimentos e combater patógenos, entre outras funções.
     
    — Este estudo fornece ainda mais suporte para as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros órgãos para que as mães amamentem exclusivamente durante os primeiros seis meses de vida do bebê — afirma Amanda Thompson, professora associada do Departamento de Antropologia e autora principal do estudo. — Podemos ver a partir dos dados que a inclusão da fórmula na dieta de uma criança muda as bactérias do intestino, mesmo se você também estiver amamentando.
     
    De acordo com a ginecologista e obstetra Wanessa Rezende, o leite materno tem enzimas que já são conhecidas da criança desde que ela está na barriga da mãe. Assim, quase todos os nutrientes do alimento são aproveitados pelo neném.
     
    — Diferente do leite animal, o materno é constituído por mais globulinas, que são proteínas de digestão mais fácil, do que caseínas (proteínas de difícil digestão). Assim, o leite materno vai fermentar menos, e a flora intestinal ficará mais preservada — explica. — Isso pode favorecer a introdução de outros alimentos.
     
    ENZIMAS AUXILIAM DIGESTÃO
     
    No estudo, a equipe de pesquisadores coletou amostras de fezes e informações sobre as dietas e saúde de bebês desde duas semanas de vida até 14 meses. Aplicando técnicas de sequenciamento de genomas em amostras de fezes, os cientistas deduziram os tipos e as funções das bactérias no microbioma do intestino dos bebês.
     
    O que surpreendeu Thompson e Azcarate-Peril foram as diferenças genéticas drásticas em amostras de fezes colhidas depois que os bebês começaram a comer alimentos sólidos. Os pesquisadores descobriram diferentes quantidades de cerca de 20 enzimas bacterianas em bebês exclusivamente alimentados com leite materno, contra 230 enzimas em bebês alimentados com fórmula e leite materno. Os microbiomas de bebês alimentados exclusivamente com leite materno tendiam a ser menos diversificados e foram dominados pela Bifidobacterium, um tipo de bactéria considerada benéfica para a digestão. Já aqueles alimentados com uma mistura de leite materno e fórmula tinham uma proporção menor do gênero.
     
    O estudo sugere, ainda, que a composição do microbioma pode afetar a capacidade de um bebê para digerir os alimentos no curto prazo e influenciar a saúde a longo prazo.
     
    — Os bebês que forem amamentados poderão ter menos riscos de síndrome metabólica, diabetes, obesidade e doença celíaca, causada pela intolerância ao glúten — diz Wanessa.
     
    Fonte: O Globo
  • Só 25% das mulheres acima de 50 anos fazem mamografia regularmente

    Só 25% das mulheres acima de 50 anos fazem mamografia regularmente

    Número de mulheres que fazem o exame ainda é muito baixo. 
    Mamografia é importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama.
     
    Apenas 25% das brasileiras, que têm mais de 50 anos, estão em dia com a mamografia. O número preocupa porque o exame é extremamente importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama, o tipo que mais mata mulheres no mundo todo.
     
    Aos 65 anos de idade, Neiza Pires conta que não faz o exame há três anos. “Ah, estou sempre deixando pra lá, eu nem sou de sair de casa”, diz.
     
    Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, o número de mulheres que fazem o exame ainda é muito baixo. O último levantamento divulgado pela instituição mostra que menos de 25% das brasileiras entre 50 e 60 anos fizeram mamografia pelo Sistema Único de Saúde em 2013, número que representa apenas 30% do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde para mulheres acima de 50 anos.
     
    “A mamografia ainda representa a principal estratégia para o diagnóstico precoce do câncer de mama. A grande importância dela é o fato de que quando se diagnostica a doença precocemente, é possível atingir metas de cura de até 95%. Toda mulher, a partir dos 40 anos, deve fazer a mamografia no intervalo de um a dois anos, periodicamente”, explica o médico mastologista Clécio Lucena.
     
    Elisete Magalhães está com os exames em dia. Ela faz a mamografia há 30 anos. “Minha mãe teve a doença e eu fiquei em alerta, então faço o exame religiosamente a cada seis meses”, diz.
     
    A mamografia é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é um exame que depende de indicação médica, como qualquer outro.
     
    O profissional vai indicar a mamografia de acordo com o histórico familiar, a idade ou a suspeita de alguma alteração na mama da mulher. Para quem tem entre 50 e 69 anos, a recomendação é fazer o exame com mais regularidade, já que essa é a faixa de maior risco.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Anvisa aprova regras para agilizar pesquisas clínicas com medicamentos

    Anvisa aprova regras para agilizar pesquisas clínicas com medicamentos

    A diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta quinta-feira (5) uma resolução que estabelece novas regras para autorização de pesquisas clínicas com medicamentos no país.
     
    A medida passa a estabelecer um prazo de 90 dias a até 180 dias para análise e aprovação de pedidos de pesquisas clínicas, ou seja, testes feitos em pacientes voluntários para medir a segurança, doses e eficácia de novos produtos.
     
    O prazo maior vale para medicamentos considerados de maior risco ou produzidos no país pela primeira vez. Já o menor, de 90 dias, vale para pesquisas já aprovadas em outros países.
     
    Nos casos de menor risco, caso a agência não se manifeste até o prazo de 90 dias, a pesquisa fica automaticamente liberada.
     
    Até então, não havia prazos definidos e o processo poderia demorar até mais de um ano –o que inviabilizava a produção de novos medicamentos no Brasil. Também foi aprovada uma resolução semelhante para dispositivos médicos, como próteses e stents, entre outros.
     
    Para José Carlos Moutinho, diretor da Anvisa, a mudança deve ampliar o número de pesquisas feitas no país e o futuro registro dos produtos. “E o Brasil vai entrar na rota dos principais países que têm ensaios avançados”, disse.
     
    A mudança também traz a possibilidade de ampliar o acesso da população a tratamentos experimentais, afirma Flávia Sobral, coordenadora do setor de pesquisas clínicas com medicamentos na agência.
     
    MENOS ETAPAS
     
    Além dos prazos, as novas regras também excluem a necessidade de uma nova chancela da agência reguladora a cada etapa da pesquisa.
     
    Pela novas regras, o grupo interessado na pesquisa deve apresentar um plano amplo de desenvolvimento do medicamento, incluindo as diferentes fases e protocolos de pesquisa propostos -até então, a agência analisava cada braço da pesquisa de forma isolada.
     
    Nelson Mussolini, do Sindusfarma, afirma que o país perdia espaço em pesquisas internacionais por conta da burocracia envolvida.
     
    Para ele, a previsibilidade de aprovação e até do futuro registro dos medicamentos é o principal benefício das novas regras. “Não existe inovação se não existir estudos clínicos rápidos e desburocratizados”, afirma. “Do jeito que estava, havia quem esperava mais de um ano e desistia. Havia um prejuízo muito grande, e o Brasil perdia mercado”, disse.
     
    A previsão é que as novas regras sejam publicadas no Diário Oficial da União em até duas semanas, quando passam a entrar em vigor.
     
    Processos anteriores, no entanto, ainda devem ser submetidos às regras anteriores. Hoje, a Anvisa tem 115 pedidos de pesquisas ainda sujeitos a análise, e recebe, em média, 120 novas solicitações por ano. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Vírus misterioso que paralisa crianças intriga médicos nos EUA

    Vírus misterioso que paralisa crianças intriga médicos nos EUA

    Médicos e pesquisadores dos Estados Unidos tentam decifrar um mistério: nos últimos seis meses mais de cem crianças e jovens do país foram vítimas de um ataque de paralisia repentina sem uma causa aparente.
     
    Os casos começaram em agosto e os sintomas são debilidade repentina em uma ou várias extremidades do corpo e a perda da mobilidade.
     
    Exames de ressonância magnética nestes pacientes mostram uma inflamação na massa cinzenta do cérebro.
     
    O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), em Atlanta, está investigando os casos registrados, os fatores de risco e possíveis causas do problema.
     
    Mas, até agora, o pouco que se sabe é que o CDC chamou a doença de mielite flácida aguda e que pode ter relação com um surto de enterovírus que ocorreu no país na mesma época em que foram registrados os primeiros casos.
     
    Debilidade e paralisia
     
    A mielite flácida aguda é uma doença neurológica que causa debilidade nas extremidades do corpo e, nos casos mais graves, paralisia.
     
    Os primeiros 12 casos ocorreram em agosto de 2014, no Hospital Infantil Colorado em Aurora, no Estado americano do Colorado. A partir daí foram 111 casos relatados em 34 Estados americanos.
     
    “De repente começaram a chegar ao hospital crianças com sintomas pouco usuais. Tinham debilidade muscular, perda da mobilidade das extremidades e rigidez no pescoço”, disse à BBC Mundo o médico Kevin Messacar, que trabalha no hospital.
     
    A idade das crianças afetadas por este surto era de, em média, sete anos.
     
    Quase todas as crianças foram hospitalizadas e algumas tiveram que ser ligadas a aparelhos para ajudar na respiração, mas todas já estão em casa, recebendo terapia de reabilitação.
     
    A maior parte dos pacientes também apresentava febre e problemas respiratórios antes da aparição dos sintomas neurológicos.
     
    Cerca de dois terços das crianças em observação melhoraram em uma média de 19 dias e apenas uma delas se recuperou totalmente.
     
    Causas?
     
    As causas específicas da mielite flácida aguda ainda estão sendo investigadas.
     
    Mas, os casos desta doença são parecidos com doenças causadas por vírus como o enterovírus (entre eles, o causador da poliomielite), adenovírus, vírus do Nilo ocidental e o vírus da herpes.
     
    Estas doenças podem ser resultado de uma série de causas, incluindo infecções virais, toxinas do ambiente, problemas genéticos e síndrome de Guillain-Barre, uma doença neurológica causada por uma resposta imune anormal a ataques contra os nervos do corpo.
     
    Os especialistas também investigam se os casos de mielite flácida aguda têm relação com as mais de mil infecções respiratórias, algumas delas graves, causadas pelo enterovírus D68 (EV-D68) nos Estados Unidos desde agosto de 2014.
     
    Os médicos epidemiologistas do CDC afirmam que, no ano passado, o EV-D68 foi o tipo predominante de enterovírus em circulação nos Estados Unidos.
     
    Para James Sejvar, neuroepidemiologista do CDC, a associação entre a mielite flácida aguda e o enterovírus seria coincidência.
     
    “Os casos de paralisia apareceram durante o surto do EV-D68. As curvas temporais das duas doenças coincidem: surgiram em agosto e o declive começou a ser notado ao final de outubro, começo de novembro”, disse Sejvar à BBC Mundo.
     
    Mas, os pesquisadores não descartaram a associação entre as duas doenças.
     
    “O que temos são provas circunstanciais. Não identificamos o próprio enterovírus EV-D68 na medula espinhal das crianças afetadas por esta mielite. Se encontrássemos algo assim, nos daria uma base mais sólida para estabelecer uma conexão entre as duas doenças”, disse Sejvar.
     
    Uma equipe do Hospital Colorado estudou os 12 casos de paralisia que chegaram ao centro entre agosto e outubro de 2014.
     
    Segundo a investigação citada pela revista especializada The Lancet, as amostras nasais de oito das 12 crianças afetadas tinham o enterovírus e cinco delas tinham o EV-D68.
     
    O que se pode fazer
     
    No momento, e devido à incerteza que cerca esta doença, não há tratamento específico.
     
    “Não conhecemos uma terapia eficaz para tratar a doença”, disse Kevin Messacar, do Hospital Colorado.
     
    “Até agora foi aplicada a terapia de reabilitação para que as crianças possam recuperar o máximo de mobilidade”, acrescentou.
     
    James Sejvar, do CDC, afirma que a fisioterapia é a única forma de tratamento, mas acrescenta que os pacientes demonstraram pouco progresso na recuperação.
     
    Além disso os especialistas do CDC recomendam manter as vacinas em dia e lembram os conselhos mais comuns como lavar as mãos com frequência usando água e sabão, evitar o contato mais próximo com pessoas afetadas pela doença e desinfetar superfícies tocadas com frequência.
     
    Fonte: Uol Saúde