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  • OMS faz alerta e pede que todos os países monitorem zika

    OMS faz alerta e pede que todos os países monitorem zika

    Genebra – O escritório central da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, na Suíça, assume o combate do zika vírus e pede que governos de todos os continentes monitorem e informem a entidade sobre eventuais casos da doença ou de microcefalia. No total, pelo menos 18 países já identificaram casos. Mas, para a OMS, o temor é de uma proliferação ganhe força nas próximas semanas.
     
    “Estamos pedindo que todos os governos monitorem a situação e notifiquem a OMS sobre eventuais casos”, disse Christian Lindmeier, porta-voz da entidade. Essa foi a primeira vez que a organização na Suíça se pronunciou oficialmente sobre o caso. Até agora, todas as perguntas e mesmo os trabalhos eram realizados apenas pela Organização Pan-Americana de Saúde.
     
    A transferência de competências para Genebra significa, segundo os funcionários, que existe o temor de uma proliferação para outros continentes e que a doença ganhou uma dimensão maior no “cenário global”. “Já temos casos em Cabo Verde, ilhas na Oceania e não sabemos como é que a doença viaja, se uma pessoa pode contaminar outra e qual é a fonte do vírus”, disse o porta-voz.
     
    Por enquanto, a OMS não faz uma recomendação para que grávidas deixem de viajar ao Brasil. Mas alerta que todos os turistas devem “se proteger com métodos tradicionais, como repelentes, camisas de manga larga”. Segundo Lindmeier, aos governos a recomendação é de que se combata a água parada e se elimine o mosquito. 
     
    A OMS admite que, diante dos poucos casos no passado que resultaram em sérios problemas, uma vacina jamais foi desenvolvida. “Trata-se de um vírus desconhecido. Não sabemos quantos casos de zika existem. Não sabemos de onde ele vem. Normalmente, ele causa uma doença leve e apenas 25% dos casos mostra algum tipo de sintoma”, disse. “Estamos monitorando a proliferação em 18 países na América”, admitiu. 
     
    A OMS ainda não conseguiu estabelecer uma relação direta entre a microcefalia, que já atingiu 3,5 mil casos no Brasil, e o vírus. Mas afirma estar “trabalhando” ao lado das autoridades brasileiras e americanas para fazer avançar as pesquisas e “entender a ligação entre os dois casos e para estabelecer as causas”. 
     
    Segundo a entidade, 46 mortes foram registradas, com sete casos laboratoriais confirmados. Cinco deles foram identificados pelo Centro de Controles dos Estados Unidos, com casos envolvendo brasileiros. “A origem da microcefalia precisa ser investigada. É um aumento desconhecido”, admitiu o porta-voz.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Droga para evitar HIV é tão segura quanto aspirina, dizem pesquisadores

    Droga para evitar HIV é tão segura quanto aspirina, dizem pesquisadores

    Pesquisadores norte-americanos afirmam que o uso de remédios para prevenir a infecção pelo HIV é tão seguro quanto a administração de aspirina para pacientes com risco cardíaco.
     
    A equipe, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revisou os principais estudos sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP), que consiste no uso diário do medicamento Truvada, um tipo de antirretroviral, por pacientes que têm comportamento sexual de risco e usuários de drogas injetáveis.
     
    Os pesquisadores concluíram que a ocorrência de problemas renais ou ósseos graves entre quem toma o Truvada é tão frequente quanto os sangramentos e mortes causados pelo uso diário de aspirina. Os resultados foram publicados no periódico Open Forum Infectious Diseases. A equipe espera que os dados sirvam de estímulo para médicos e pacientes que temem a terapia pelos efeitos colaterais possíveis.
     
    No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a mensagem de que todo indivíduo com risco de se expor ao vírus deveria fazer o tratamento profilático. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano também divulgou que um entre quatro gays ou bissexuais, bem como um em cada cinco usuários de drogas injetáveis e um em cada 200 heterossexuais deveriam considerar a PrEP. No Brasil, a profilaxia pré-exposição ainda possui caráter experimental.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • I Simpósio de Farmácia Hospitalar do Agreste e Sertão Alagoano

    I Simpósio de Farmácia Hospitalar do Agreste e Sertão Alagoano

    SIMPÓSIO FARMÁCIA HOSPITALAR DO AGRESTE E SERTÃO
     
    PROGRAMAÇÃO
     
    8h Credenciamento
     
    9h Abertura – A importância do trabalho do farmacêutico no âmbito hospitalar/SBRAFH – Dra. Lizete Gomes Vitorino Filha
     
    10h Mesa redonda: Estruturação e Organização da Farmácia Hospitalar
     
    • Comissão de Padronização e Comissão de Farmácia & Terapêutica –  Dra. Janaína Cabral Borges 15’
    • Construção do Guia Farmacoterapêutico  – Dr. Emerson Cunha de Oliveira e Dra. Emília 15’
    • Organização da CAF e Farmácias Satélites – Dra. Lizete Gomes Vitorino Filha 15’
    • Fracionamento – Dra. Lizete Gomes Vitorino Filha 15’
     
    Debate 15'
     
    11:15h Minha prática na farmácia hospitalar – Dra. Janaina Cabral Borges
     
    11:45h Vencendo desafios na farmácia hospitalar – Cadeia logística – Dr. Johnathan Emmanuel Leite Gonçalves
     
    12:15h  Almoço
     
    14h Responsabilidade na dispensação de medicamentos – Dra. Janaína Cabral Borges
     
    15h Coffee Break 
     
    15:15h Mesa redonda: Farmácia Clínica
     
    • Reconciliação Medicamentosa – Dra. LizeteGomes Vitorino Filha 15'
     
    • Avaliação clínica em unidades críticas:
     
    UTI – Dra. Janaína Cabral Borges 15'
    Oncologia – Dra. Emília 15'
    TNPT – Dr. Emerson Cunha de Oliveira 15'
    Uso de medicamentos via sonda – Dr. Johnathan Emmanuel Leite Gonçalves 15'
     
    Debate 15'
     
    16:30h Por que o farmacêutico é um investimento para o hospital?  – Lizete Gomes Vitorino Filha 30’
     
     
    Inscrições no CRF/AL Maceió e Arapiraca
    Data: 16/01/2016
    Local: Auditório do Planetário em Arapiraca
    Valor: 1 pacote de fraldas geriátricas 
  • Associação de laboratórios diz que preços dos medicamentos podem subir com altas do ICMS em 12 estados

    Associação de laboratórios diz que preços dos medicamentos podem subir com altas do ICMS em 12 estados

    Os aumentos das alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre medicamentos em 12 estados do país pode impactar os preços ao consumidor final. A afirmação foi feita nesta quinta-feira pela Interfarma, que reúne 55 laboratórios e responde por 80% dos medicamentos de referência do mercado e também por 33% dos genéricos produzidos por empresas que passaram a ser controladas pelos laboratórios associados.
     
    Segundo a entidade, hoje, os medicamentos no Brasil têm 34% do preço composto por tributos. “O aumento da carga tributária pode forçar uma redução dos descontos oferecidos no varejo, especialmente porque a indústria farmacêutica também está sendo impactada por outros custos, como a desvalorização do Real e o preço da energia”, afirmou, em nota. A Interfarma diz, porém, que não é possível saber o quanto aproximadamente os preços dos medicamentos subiriam para o consumidor, pois “o quanto cada indústria reduzirá o desconto é uma decisão estratégica dela, afinal há também o risco de perder mercado, especialmente nesse momento em que o desemprego aumenta”.
     
    A maioria dos reajustes é de 1,2%, sendo que no estado do Rio de Janeiro o imposto passará de 19% para 20% (reajuste de 5,2%) a partir do dia 28 de março. Com isso, segundo a Interfarma, o setor teme que sejam necessários abatimentos nos descontos.
     
    Fonte: Extra Online
     
     
     
  • Ministério lança manual para microcefalia

    Ministério lança manual para microcefalia

    Os cuidados que devem ser dispensados para crianças com microcefalia, do nascimento até os 3 anos, são tema de um manual lançado ontem pelo Ministério da Saúde. Voltado para profissionais, o material traz orientações que permitem a preparação de um programa de estimulação precoce, considerada essencial para o melhor desenvolvimento de bebês.
     
    A má-formação, considerada rara, teve uma explosão de casos no País desde setembro.Dados do Ministério da Saúde mostram que até semana passada foram registrados 3.530 casos suspeitos da doença, distribuídos em 724 municípios, de 21 Estados. Estão também em investigação 46 mortes.
     
    Diante do aumento da demanda, o Ministério da Saúde decidiu ampliar o número de centros credenciados para fazer o atendimento. Desde dezembro, 12 unidades foram credenciadas. Há a expectativa de que outras 65 sejam incluídas no Sistema Único de Saúde. O secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame,estima que,com a ampliação do número de casos, será preciso aumentarem R$5 milhões a verba destinada para o atendimento de pacientes. De acordo com a pasta,atualmente existem 1.543 serviços de reabilitação.
     
    Como o Estado informou ontem, será lançado também um curso a distância para capacitar fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas, psicólogos e médicos.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Conselho de medicina amplia critérios para cirurgia de obesidade

    Conselho de medicina amplia critérios para cirurgia de obesidade

    O CFM (Conselho Federal de Medicina) ampliou as indicações para que pessoas com obesidade moderada possam fazer a cirurgia de redução de estômago.
     
    Antes, uma resolução da entidade afirmava que quem tinha IMC (índice de massa corporal) acima de 35 só poderia fazer uma cirurgia bariátrica se tivesse diabetes, hipertensão, apneia, colesterol, doenças das articulações ou “outras doenças”.
     
    Agora, um novo texto descreve e amplia essa categoria “outros”. A lista de doenças que podem levar à indicação da cirurgia para quem tem IMC acima de 35 ganhou 21 doenças, incluindo problemas cardiovasculares, depressão, disfunção erétil, infertilidade, asma grave e refluxo gástrico.
     
    “Esse `outros` podia incluir qualquer coisa, mas não é qualquer coisa que vamos tratar com cirurgia bariátrica”, diz Ricardo Cohen, médico que participou da elaboração da resolução e é coordenador do centro de obesidade e diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “E quem tinha, de fato, outra doença associada à obesidade e precisava da cirurgia, não tinha a liberação dos planos de saúde.”
     
    Para Bruno Geloneze, endocrinologista da Unicamp, não há risco de o rol maior levar a um aumento de cirurgias desnecessárias. “Pelo contrário. O texto anterior dava margem para indicações imprecisas. Agora está tudo bem discriminado.”
     
    Almino Ramos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, afirma, que desde 2010, novos estudos foram elaborados e, portanto, a adequação era necessária.
     
    As mudanças já valem a partir desta quarta (13), inclusive na rede pública. Ramos afirma que 95% das pessoas com obesidade moderada que precisavam da operação se encaixavam nos critérios anteriores. Com as mudanças, o número de cirurgias pode aumentar de 5% a 10% –anualmente, são cerca de 100 mil cirurgias bariátricas no país, segundo o médico.
     
    A indicação clássica da cirurgia, que é para pessoas com obesidade grave (IMC acima de 40), permanece.
     
    A nova resolução também estabelece que, quando o paciente tiver entre 16 e 18 anos, um pediatra deve fazer parte da equipe profissional para comprovar que a curva de crescimento do adolescente está completa.
     
    Além disso, o texto deixa claro que, antes dos 16 anos, a cirurgia bariátrica deve ser considerada experimental. “Não existe nenhum trabalho mostrando benefício e segurança da operação nessa faixa. Talvez haja exceções, mas não pode ser algo feito em série”, diz Cohen.
     
    No mesmo tema, o CFM deixa claro o que é uma técnica experimental e quais são as técnicas aceitas.
     
    NOVO CRITÉRIO
     
    Seis entidades médicas do país já enviaram ao CFM um texto pedindo uma nova modificação: que a obesidade deixe de ser o principal critério para a indicação da cirurgia de redução de estômago.
     
    Elas criaram um conjunto de indicadores (chamado escore de risco) que levam em conta as doenças do paciente e definem se ele é candidato à cirurgia, independentemente do IMC.
     
    “A prioridade é o risco, e o IMC sozinho não define isso. Uma pessoa com um IMC menor, de 36, por exemplo, pode ter também hipertensão, diabetes e histórico de infarto. Não é só acúmulo de peso, mas também de doenças que conta. Essa é uma segunda frente de discussão com o CFM”, diz Ramos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Anvisa aprova novos medicamentos e vacina

    Anvisa aprova novos medicamentos e vacina

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registros a novos produtos. Um dos avais diz respeito à vacina contra a poliomielite 1, 2 e 3 produzida pela Fundação Oswaldo Cruz. Será a primeira vez que uma empresa pública brasileira fabricará o produto.
     
    A Anvisa também publicou a concessão do registro a mais um medicamento genérico ainda inédito no mercado brasileiro. Trata-se do Exemestano, um antineoplásico indicado para o tratamento de mulheres na pós-menopausa, com câncer de mama inicial. O medicamento ajuda a reduzir o risco de o câncer se alastrar para a outra mama.
     
    O Exemestano será fabricado pelo laboratório Accord. O genérico inédito cria novas alternativas para médicos e pacientes e estabelece uma concorrência um um mercado até então sem concorrência.
     
    Outra novidade é o registro do antineoplásico Tafinlar, cujo nome do princípio ativo é mesilato de dabrafenibe. Trata-se de um produto novo indicado para o tratamento de pacientes com melanoma metastásico. Será fabricado pelo Laboratório Glaxosmithkline Brasil.
     
    Fonte: Portal Brasil
  • Por que cirurgia bariátrica reduz apetite por açúcar?

    Por que cirurgia bariátrica reduz apetite por açúcar?

    Alguns tipos de cirurgias bariátricas, como a com bypass gastrointestinal, realizada para o tratamento de obesidade mórbida e diabetes – por meio da qual é feito um desvio para redirecionar o alimento do estômago para a parte inferior do intestino delgado do paciente –, podem causar a diminuição do apetite pelo açúcar, já observavam especialistas na área.
     
    Um estudo realizado por pesquisadores da Yale University, dos Estados Unidos, em colaboração com colegas de outras intistituições americanas, além da China e do Brasil, constatou que esse tipo de cirurgia bariátrica é capaz de causar essa inibição por afetar o funcionamento do cerébro, reduzindo a liberação do neurotransmissor dopamina, associado ao prazer e à recompensa.
     
    O estudo, publicado na revista Cell Metabolism e destacado pela revista Nature, teve a participação da pesquisadora Tatiana Lima Ferreira, do Centro de Matemática, Computação e Cognição (CMCC) da Universidade Federal do ABC (UFABC).
     
    A pesquisadora obteve uma Bolsa no exterior da FAPESP para realizar pesquisa na Yale University, no laboratório coordenado pelo pesquisador brasileiro Ivan Eid Tavares de Araújo, responsável pelo estudo.
     
    “Já se sabia que cirurgias bariátricas, como a com bypass, causavam a perda do apetite por alimentos doces, mas ainda não era conhecido qual o mecanismo por trás disso. O estudo pode ajudar a compreender como ocorre a interação entre o cérebro e o estômago de pacientes submetidos a esse tipo de procedimento”, disse Ferreira à Agência FAPESP.
     
    A fim de avaliar o potencial que o açúcar tem de desencadear hábito ou dependência por seu consumo crônico, os pesquisadores realizaram um experimento em que, inicialmente, expuseram um grupo de camundongos durante 13 dias a determinadas quantidades do carboidrato por eles autoadministradas ao lamber o bico de um bebedouro com um líquido açucarado.
     
    Para analisar se esses animais que ingeriram cronicamente açúcar continuavam a buscar o carboidrato mesmo depois de satisfazer sua saciedade, eles realizaram um segundo experimento: injetaram diretamente no estômago dos camundongos uma quantidade equivalente de açúcar àquela autoadministrada no primeiro experimento e os expuseram novamente ao bebedouro com líquido açucarado.
     
    Os pesquisadores observaram que os animais continuaram a lamber o bico do bebedouro com líquido açucarado para consumir mais açúcar.
     
    “O experimento demonstrou que a administração crônica de açúcar induziu um comportamento habitual nos animais. Isso não ocorreu com outro grupo de camundongos expostos cronicamente a adoçante”, comparou Ferreira, referindo-se a um terceiro experimento realizado pelo grupo.
     
    Os pesquisadores começaram a investigar o que acontecia no encéfalo dos camundongos que autoadministraram a ingestão de açúcar.
     
    Os resultados das análises indicaram que durante a autoadministração de açúcar ocorria um aumento da liberação de dopamina em uma região específica do cérebro dos animais, o estriado dorsal.
     
    “Observamos que os circuitos cerebrais envolvidos com o comportamento compulsivo por açúcar são bastante similares aos relacionados com a dependência de drogas”, disse Ferreira.
     
    O próximo passo dos pesquisadores foi verificar se camundongos expostos cronicamente ao açúcar e submetidos à cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal também desenvolviam o hábito de ingerir o carboidrato.
     
    O procedimento de alteração da rota gastrointestinal realizado nos camundongos, semelhante ao feito em humanos – em que é feita uma conexão direta do estômago com uma parte inferior do trato gastrointestinal, chamada jejuno –, suprimiu a compulsão dos animais por açúcar ao reduzir a liberação de dopamina na região cerebral do estriado dorsal induzida pela ingestão do carboidrato, afirmou Ferreira.
     
    “Mesmo expostos cronicamente ao açúcar, os camundongos submetidos à cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal passaram a não apresentar mais o comportamento de querer sempre mais açúcar em razão da diminuição da liberação de dopamina no estriado dorsal”, explicou.
     
    “Provavelmente, a compulsão por açúcar não está associada ao sabor doce, mas à caloria do carboidrato”, avaliou.
     
    Reativação do hábito
     
    A descoberta de que a cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal é capaz de diminuir o apetite por açúcar ao reduzir a liberação de dopamina na região cerebral do estriado dorsal estimulou os pesquisadores a realizar um outro experimento em que reativaram o hábito de consumir o carboidrato por camundongos submetidos ao procedimento por meio da estimulação dos receptores dopaminérgicos.
     
    Por meio de uma técnica avançada de neurociência, chamada optogenética – em que é injetado um vírus em uma região específica do cérebro para fazer com que os neurônios daquela região cerebral expressem uma proteína sensível à luz –, os pesquisadores conseguiram ativar neurônios que expressam receptores dopaminérgicos no cérebro dos animais.
     
    Com isso, os animais aumentaram o consumo de substâncias adocicadas, derrubando os efeitos da cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal.
     
    “Conseguimos induzir o comportamento de hábito de consumir açúcar mesmo nos camundongos que foram submetidos à cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal e que só tinham ingerido adoçante pela simples ativação da via dopaminérgica na região do estriado dorsal”, afirmou Ferreira.
     
    Os pesquisadores também constataram que, por outro lado, lesões nos neurônios que expressam receptores dopaminérgicos na região do estriado dorsal do cérebro dos animais são capazes de abolir o comportamento compulsivo por açúcar.
     
    Fonte: Portal Exame
  • Desvendado mecanismo celular da demência

    Desvendado mecanismo celular da demência

    O Alzheimer é uma das doenças com maior incidência na população idosa. A cura para o tipo mais comum de demência ainda não existe, mas pesquisadores têm se dedicado a descobrir como ela é desencadeada no cérebro. Segundo eles, essa é a melhor saída no sentido de um tratamento eficaz. Com esse objetivo, pesquisadores da Inglaterra realizaram experimentos em ratos e observaram elementos cerebrais distintos ligados à memória e à localização nas cobaias com demência. Os investigadores do estudo, publicado hoje na revista internacional Journal of Neuroscience, acreditam que os achados podem ser semelhantes ao que ocorre no corpo humano, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas terapias para enfermidades neurodegenerativas.
     
    A ideia da pesquisa surgiu a partir dos resultados de um estudo anterior apontando a existência de células no cérebro ligadas à localização espacial (leia Para saber mais). “Em 2014, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia foi dado a John O’Keefe, Edvard Moser e May-Britt Moser. Juntos, eles têm descrito o sistema de navegação do cérebro — composto pelas células de lugar e células de grade. No entanto, não havia um entendimento real de como esses sistemas são interrompidos na demência, que é o que nos propusemos a descobrir”, contou ao Correio Jon Brown, pesquisador da Universidade de Medicina de Exeter, no Reino Unido.
     
    No primeiro experimento, os cientistas analisaram o córtex entorrinal de ratos, onde estão as células de grade. Essa região é associada a funções como a formação de memória e a navegação. Os pesquisadores descobriram que células de grade têm padrões diferentes: ficam mais concentradas na parte superior do córtex entorrinal. Para eles, esse gradiente de cima para baixo, com diferentes escalas, contribui para o senso de direção.
     
    Depois, a equipe comparou a atividade no córtex entorrinal de roedores saudáveis com o de cobaias que tinham demência e descobriu que as escalas distintas não estavam presentes nos animais do segundo grupo, o que poderia provocar falhas na navegação natural desses bichos. “Essa é uma descoberta animadora, porque é a primeira vez que a atividade das células da grade é associada ao aparecimento da doença”, destacou Brown.
     
    Em humanos
     
    Na segunda etapa da investigação, foram analisadas as células de lugar, localizadas no hipocampo — estrutura ligada à aprendizagem e à memória. Os cientistas observaram que, nos ratos com a doença neurodegenerativa, essa região sofria perturbações ligadas à sinapse (a comunicação entre os neurônios) e às funções celulares, o que prejudicaria a memória. Os dois achados, sustenta a equipe, poderiam ser observados em humanos devido à semelhança entre os dois organismos.
     
    “Há bastante evidências as quais sugerem que a fisiologia básica de navegação espacial é similar em humanos e roedores, embora haja uma probabilidade de haver algumas diferenças também. Curiosamente, um outro grupo publicou um estudo em pacientes com um risco genético de contrair a doença de Alzheimer e encontrou alterações em funções das células de grade. Isso sugere que estamos no caminho certo com os estudos em roedores”, destaca Brown.
     
    Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico (RJ), avalia que o estudo britânico mostra dados conhecidos quanto às células de grade e às células de lugar, mas destaca que os pontos até então desconhecidos poderão fazer diferença em pesquisas futuras. “Embora saibamos que existem esses modelos de células, não se tinha a percepção da concentração. Nesse estudo, vemos que as células de grade estão mais presentes na parte superior da região entorrinal. Com essas informações, as chances de surgirem novas opções terapêuticas são maiores”, explica.
     
    Cláudia Barata Ribeiro, neurologista, fisiatra e presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física (ABBR-DF), também acredita que detalhes mostrados no estudo britânico poderão ajudar no desenvolvimento de intervenções mais eficazes. “É importante saber que, no córtex entorrinal, temos uma camada mais densa dessas células e onde ela está, já que isso pode influenciar em problemas de localização, um dos sintomas do Alzheimer”, diz.
     
    Ribeiro conta que, anos atrás, em estudos com Parkinson, foi visto que faltava dopamina em uma região específica do cérebro, o que interferiria na doença. “Agora, temos novos dados sobre essas camadas distintas. Isso pode ser mais um passo em direção a novos tratamentos”, complementa.
     
    Necessidade de mais estudos
     
    A incidência do Alzheimer tende a aumentar devido ao envelhecimento da população. Um dos maiores levantamentos já feitos sobre a enfermidade — conduzido pelo centro de pesquisa londrino Alzheimer’s Disease International (ADI) — mostra que ela atinge 35,6 milhões de pessoas no planeta, e a previsão é de que esse número chegue a 65,7 milhões em 2030 e a 115,4 milhões em 2050.
     
    “Trata-se de uma preocupação no mundo inteiro porque, com a longevidade, existe um aumento no número de casos de doenças que provocam a demência, sendo o Alzheimer o mais frequente desse problema. Por isso, é importante que surjam mais pesquisas como essa”, destaca Cláudia Barata Ribeiro, presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física (ABBR-DF).
     
    Os autores do estudo britânico divulgado hoje no Journal of Neuroscience também defendem mais dedicação científica ao tema. “A demência é um dos maiores desafios da saúde do nosso tempo e ainda temos muito a aprender sobre as suas causas, bem como sobre como nosso cérebro funciona. Essa pesquisa faz progressos em ambas as áreas. É um pequeno passo ao longo da estrada para novos diagnósticos, tratamentos e terapias”, destaca Jon Brown, pesquisador da Universidade de Medicina de Exeter.
     
    O trabalho dos pesquisadores terá continuidade. “Usando esses e outros modelos de ratos com demência, pretendemos investigar alguns dos mecanismos celulares e a sináptica detalhada que fazem com que ocorra essas perturbações aos sistemas de navegação do cérebro”, adianta. (VS)
     
    “Ainda temos muito a aprender sobre as suas causas (da demência), bem como sobre como nosso cérebro funciona. É um pequeno passo ao longo a estrada para novos diagnósticos, tratamentos 
    e terapias”.
     
    Fonte: Correio Braziliense
     
  • Será que só o zika é o culpado pela microcefalia?

    Será que só o zika é o culpado pela microcefalia?

    Quase dois meses se passaram desde que o Ministério da Saúde estabeleceu a associação entre o vírus zika e o aumento de casos de microcefalia que atinge Estados do Nordeste, mas cada vez mais surgem dúvidas se o zika, sozinho, é o responsável pelas graves lesões cerebrais que atingem mais de 3.000 bebês no país.
     
    Em entrevista coletiva na última sexta (8), pesquisadores do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), da USP, levantaram hipóteses de que há mais caroço nesse angu do que a gente imagina.
     
    Algumas dúvidas básicas: por que o vírus não aumentou a incidência de microcefalia no oeste da África, o seu berço? Ou por que, no Brasil, os casos de microcefalia se concentram majoritariamente em Pernambuco se, pelas estimativas do Ministério da Saúde, há outras regiões com mais incidência de zika, entre elas São Paulo?
     
    Uma das respostas mais esperadas é se o vírus zika que circula no Brasil, já sabidamente vindo da Ásia, sofreu alguma mutação no DNA que o tornou capaz de provocar danos nas células nervosas.
     
    Os pesquisadores do ICB estão realizando experimentos com camundongos para tentar reproduzir o que ocorre no sistema neurológico dos bebês. Querem saber, por exemplo, se os danos são causados diretamente pelo vírus ou por algum tipo de reação do sistema imunológico.
     
    Também estudam a interação do zika com os vários subtipos do vírus da dengue que circulam no país. Citam o exemplo da dengue hemorrágica, que pode ocorrer quando uma pessoa é infectada por dengue pela segunda vez, em que há uma reação violenta de células imunes contra células invadidas pelo vírus.
     
    Uma hipótese dos cientistas é que o zika esteja provocando uma reação imune desse tipo, mas com efeito mais grave no feto do que na grávida que contraiu o vírus. Há também a suposição de que, talvez, nem seja o zika o responsável pelos casos de microcefalia, mas isso é pouco provável nessa altura. Um bom texto sobre o risco das correlações apressadas foi escrito pelo médico Luis Cláudio Correa, autor do blog “Medicina Baseada em Evidência”. 
     
    O fato é que enquanto todos os holofotes estão no zika e na microcefalia, a dengue já chegou com tudo em São Paulo e no interior. Vários infectologistas relatam aumento de casos em seus consultórios e hospitais, mas os dados epidemiológicos consolidados ainda devem demorar um pouco para serem divulgados. O verão promete.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo Online