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  • Caso Talidomida fez aumentar rigor ao aprovar remédios

    Caso Talidomida fez aumentar rigor ao aprovar remédios

    Um pronunciamento do presidente americano John Kennedy alarmou o mundo em 2 de agosto de 1962. Não se tratava de nada relacionado aos soviéticos e à crise dos mísseis que eclodiria dois meses depois. O inimigo desta vez atuava livremente dentro de milhares de lares nos Estados Unidos, consumido por mulheres em busca de conforto contra os enjoos da gravidez: a talidomida.
     
    Naquele dia, Kennedy fez um apelo para que as mães se desfizessem de todos os frascos de comprimidos do remédio e confirmou-se o que era apontado há tempos. A talidomida era causa de um boom de nascimento de crianças com a má-formação congênita focomelia, que afetava sobretudo braços e pernas.
     
    Criado como calmante em 1954 pelo laboratório alemão Grunenthal, o medicamento era vendido em todo mundo sob vários nomes comerciais. No Brasil, as marcas Sedalis, Sedin e Slip existiam desde o fim da década de 1950 e começaram a ser recolhidas após a repercussão do pronunciamento de Kennedy, enquanto nos EUA desde novembro do ano anterior a substância estava vetada pelo Departamento de Saúde. O caso foi um marco no endurecimento dos testes para a aprovação de novos medicamentos.
     
    Enquanto isso, muitas americanas grávidas passaram a viajar para a Suécia para realizar abortos, com medo de gerar crianças deficientes. Mesmo com a comprovação dos danos do remédio, a justiça americana não autorizou os abortos. O Vaticano também anunciou que não aprovava a interrupção da gravidez por esse motivo.
     
    Em Liège, na França, uma mãe que matou a filha que nasceu com problemas decorrentes do uso do remédio foi absolvida por um júri. Estima-se que cerca de 15 mil crianças nasceram em todo o mundo com sequelas provocadas pela substância, que passou a ser aprovada como medicamento controlado, pois é muito eficiente em tratamentos de doenças como a hanseníase.
     
    Nos anos 70, houve mobilização por indenizações e reparos. No Brasil, no começo dos anos 80 conseguiu-se estabelecer pensão vitalícia para cerca de 100 pessoas identificadas como vítimas.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Filhos podem herdar obesidade do pai pelo esperma, diz estudo

    Filhos podem herdar obesidade do pai pelo esperma, diz estudo

    O peso de um homem também afeta a informação hereditária contida no esperma. E isso pode ser a chave para uma explicação biológica sobre o fato de filhos de pais obesos serem mais propensos à doença. A relação foi divulgada em um estudo publicado ontem, na revista científica “Cell Metabolism”.
     
    Segundo a pesquisa, as células de esperma de homens magros e obesos possuem diferentes marcas epigenéticas, notadas em regiões de genes associados ao controle do apetite. Para realizar o estudo, foram feitas, numa primeira etapa, comparações entre 13 homens magros e dez obesos.
     
    Na fase seguinte, os investigadores monitoraram seis homens submetidos à cirurgia de perda de peso para verificar como isso afetou seu esperma. Foi observada uma média de cinco mil mudanças estruturais no DNA do esperma, entre o momento antes da cirurgia e um ano depois.
     
    Apesar das descobertas, os cientistas afirmam que ainda é preciso compreender o que significam essas diferenças no DNA e seus efeitos sobre os bebês. Mas eles reforçam que isso é uma evidência de que o esperma carrega informações sobre a saúde de um homem.
     
    — Nossa pesquisa pode levar a uma mudança de comportamento, particularmente sobre os hábitos do pai na preconcepção — diz o principal autor do estudo, Romain Barrès, professor associado da Universidade de Copenhague.
     
    Segundo ele, os esforços dessa natureza são muito concentrados nas mulheres, quando os pais também deveriam receber atenção. — É de conhecimento comum que, quando uma mulher está grávida, ela deve se cuidar, evitando, por exemplo, bebidas alcoólicas e contato com poluentes. Mas, se a implicação do nosso estudo é válida, essas recomendações devem ser adotadas por homens também.
     
    Barrès se inspirou em um estudo de 2005, que mostrava como a disponibilidade de alimentos para as pessoas que viviam em uma pequena vila sueca, durante um período de fome, estava correlacionada com o risco de seus netos desenvolverem doenças cardiometabólicas. O estresse nutricional dos avós provavelmente foi transmitido via marcas epigenéticas, que podem ser adições químicas na proteína que envolve o DNA, grupos de metil que mudam a estrutura do DNA, uma vez anexado, ou moléculas chamadas pequenos RNAs. PRÓXIMOS PASSOS E as marcas epigenéticas podem controlar a forma como os genes são expressos, o que também já foi identificado como capaz de afetar a saúde da prole em insetos e roedores.
     
    — Já sabemos que essas mudanças epigenéticas acontecem em camundongos e ratos — diz Barrès. — Mas precisamos descobrir se isso também acontece nos seres humanos e se este é um importante impulsionador para mudar nossas características.
     
    Para saber mais sobre a conexão epigenética entre os descendentes, o laboratório de Barrès está agora atuando em colaboração com uma clínica de fertilidade para estudar diferenças epigenéticas em embriões descartados, gerados a partir do esperma de homens com vários graus de peso corporal. Isso será possível porque, por lei, na Dinamarca, depois de cinco anos, os embriões devem ser descartados e podem ser usados para a pesquisa.
    Outros dados comparativos serão tomados a partir do sangue do cordão umbilical das crianças. Mas, neste caso, vai demorar algum tempo até que os cientistas consigam acumular um grande grupo de participantes.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Governo muda critério de microcefalia

    Governo muda critério de microcefalia

    O governo federal vai mudar os critérios para a definição de casos de microcefalia. A decisão, que começou a valer ontem em Pernambuco e nos próximos dias deverá ser estendida para todo o território nacional, reduz de 33 para 32 centímetros o perímetro cefálico do bebê considerado portador da má-formação.
     
    Na prática, menos pacientes serão considerados como casos“suspeitos”, mas os números atuais não serão revistos. “Estávamos até agora pecando pelo excesso. Adotávamos uma marca mais rígida do que a Organização Mundial da Saúde (OMS), que há anos considera microcefalia apenas bebês com perímetro cefálico igual ou inferior a 32 centímetros”, afirmou a secretária executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco, Luciana Albuquerque.
    O Estado lidera as estatísticas de notificação de casos da microcefalia, cuja relação com o zika vírus já foi confirmada.
     
    Até a semana passada, eram 646 casos e 1.248 no País. “Verificamos que somente uma pequena parte dos pacientes que estão entre 32 e 33 centímetros apresentava calcificações, uma espécie de cicatriz que se forma no cérebro depois dos processos infecciosos”,disse Angela Rocha, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Não estamosrelaxandooscritérios. Agora, poderemos saber melhor o perfil dos bebês que de fato têm a má-formação relacionada com o zika”, afirmou.
     
    A mudança dos parâmetros começou a ser discutida há uma semana, em uma reunião de especialistas organizada pelo Ministério da Saúde, em Brasília.
     
    Acompanhamento
     
    Além da alteração do critério, Pernambuco anunciou ontem que vai acompanhar as gestantes com suspeita de zika. A medida também deverá ser estendida para outros Estados para tornar mais ágil a identificação e o acompanhamento dos bebês com microcefalia.
     
    Em Pernambuco, as mulheres que apresentarem sintomas de zika – manchas pelo corpo, coceira, febre – serão encaminhadas para um serviço de referência. Elas farão exames e, na última fase da gestação, a partir da 32.ª semana, serão submetidas a um ultrassom. Atualmente, um exame já é garantido, mas o período em que é feito fica a critério do médico.
     
    Agora, havendo suspeitas de microcefalia, a mulher fará mais de um exame. “É na fase final da gestação que podemos avaliar com mais precisão se o bebê tem ou não a má-formação”, disse Angela. A gravidez não é considerada de risco e,mesmo que identificada a microcefalia do feto, a gestante continuará na rede básica. A mudança terá efeito sobretudo no atendimento do bebê.
     
    Uma vez diagnosticado, a ideia é deixar planejados exames e atendimentos necessários. O protocolo de Pernambuco também prevê a oferta de uma assistência psicológica para gestantes. O acompanhamento também será útil para reunir informações que poderão ser usadas por autoridades sanitárias.
     
    Minas
     
    A Secretaria Estadual de Saúde de Minas informou ontem que investiga as causas de 11 casos de microcefalia.A intenção é verificar se a má-formação do crânio tem relação com o zika vírus. “Esta investigação é um processo que envolve diagnóstico não somente do zika,mas de outros agentes que podem ser responsáveis pela má-formação. A gente precisa fazer um diagnóstico laboratorial com um painel ampliado”, disse Rodrigo Said, superintendente de Vigilância Epidemiológica. Ele afirmou que ainda não há confirmação de que o zika esteja circulando no Estado.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Dilma diz que investirá em vacina contra o vírus zika

    Dilma diz que investirá em vacina contra o vírus zika

    Durante discurso na 15ª Conferência Nacional de Saúde, a presidente Dilma Rousseff disse que o país investirá em tecnologia para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika, que está relacionado a casos de microcefalia no país – 1.248 casos da doença já foram registrados, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no final de novembro.
     
    “Nós vamos usar de todos os elementos, até da tecnologia para procurar vacinas que sejam comercializáveis, para erradicação [da doença]”, disse a presidente.
     
    Dilma afirmou que uma grande mobilização está sendo feito para tentar conter o avanço da doença e os casos de microcefalia. “Nós estamos mobilizando os agentes de saúde, toda a estrutura da Defesa Civil, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, para nos ajudar nessa ação de prevenção do vírus zika”, disse.
     
    Para a presidente, a questão precisa ser tratada com muita seriedade também pela população. “Espero falar mais forte à consciência das pessoas para que não deixem haver água parada”, afirmou, referindo-se ao mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, que se desenvolve em água limpa e parada.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Saiba os cuidados que as grávidas e lactantes têm que ter com o zika

    Saiba os cuidados que as grávidas e lactantes têm que ter com o zika

    O zika vírus e a sua relação com os casos de microcefalia têm feito mulheres adiarem a gestação, mas tem gerado, principalmente, uma preocupação grande de quem já está grávida e de quem amamenta após pesquisadores dizerem que a contaminação também pode ocorrer por meio do leite materno.
     
    O médico Moisés Chencinski, pediatra e membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo, diz que na Polinésia Francesa, onde houve um surto de zika em 2013, os médicos encontraram partículas do vírus no leite materno, mas ainda não está claro se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido.
     
    A infectologista Rosana Richtmann, presidente da Comissão de Controle de Infecção da Maternidade Santa Joana, diz que o bebê de uma mulher com hepatite C, por exemplo, não tem risco aumentado de pegar a doença porque mama no peito.
     
    O pediatra explica que até agora não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. “Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o zika vírus for encontrado”, ressalta.
     
    GESTAÇÃO
     
    Médicos explicam que a mãe infectada com zika vírus pode transmitir para seu recém-nascido durante todo o período da gestação. A obstetra Dolores Nishimura diz que especula-se que seja pior a infecção no primeiro trimestre da gravidez. “As más formações são piores, mas ninguém sabe qual o impacto da infecção nos outros trimestres ao certo. Por ser uma doença que apareceu agora, não tem como falar que não vai acontecer nada se pegar no segundo ou terceiro trimestre. Não tem tratamento, é uma vez que o feto é atingido, não tem o que se fazer”, comenta.
     
    Ela diz que o melhor a se fazer é prevenção e, principalmente, evitar locais onde há grandes epidemias de dengue e do zika.
     
    A obstetra Juliana Sandler explica que a ultrassom morfológica do primeiro trimestre já deveria identificar algum indício de infecção viral grave. “O morfológico do segundo trimestre mais ainda, mas ao descobrir não há nada o que fazer”, comenta. Juliana, assim como a maioria dos médicos, recomenda que as mulheres adiem por enquanto os planos de engravidar. “O ideal é esperar pelo menos até o final do período das chuvas, em abril do próximo ano”, aconselha.
     
    Para quem já está grávida, as médicas aconselham a evitar viajar para as regiões onde há mais casos de zika e dengue e tomar vários cuidados como usar repelente e evitar focos de água parada, que ajudam a proliferar o mosquito aedes aegypty.
     
    1 – REPELENTES
     
    Os médicos recomendam que grávidas usem repelentes apropriados durante toda a gestação. Em geral, repelentes para crianças e bebês são também seguros para grávidas.É preciso lembrar de reaplicar cremes e sprays a cada seis horas. Use produtos que tenham as seguintes substâncias: Icaridina,  dietiltoluamida (DEET) e o IR3535
     
    Se for usar protetor solar ou maquiagem, passar o repelente sempre por último.
     
    2 – CUIDADOS NATURAIS
     
    As grávidas também podem usar os repelentes naturais feitos à base de álcool e cravo-da-índia. Uma receita comum é deixar cravos-da-índia mergulhados em álcool por pelo menos quatro dias, e depois misturar o líquido com um óleo suave, como óleo para bebê. Velas de citronela e óleos essenciais de citronela, eucalipto ou cravo também ajudam a manter os mosquitos longe de casa.
     
    3 – ÁGUA PARADA
     
    Mosquitos se reproduzem em água parada, por isso, é importante colocar areia nos pratos das plantas e trocar com frequência a vasilha de água de animais. Não deixe acumular água em pneus, canos ou calhas.
     
    Se você armazena água da chuva para reaproveitá-la, tape o recipiente e não guarde por mais de uma semana.
     
    4 –  ROUPAS
     
    Use roupas claras, e, de preferência, mangas longas e calças. As cores escuras tendem a atrair os mosquitos. Opte por tecidos leves, como o algodão e use o repelente em formato de spray em cima das roupas também.
     
    5 – CHEIROS
     
    Aromas florais ou adocicados de frutas tendem a atrair mosquitos. O melhor é usar produtos sem cheiro ou que afastem os mosquitos, como lavanda, citronela, capim-limão ou cravo.
     
    6 – TELAS E MOSQUETEIROS
     
    Coloque telas mosqueteiras em portas e janelas. A grande vantagem das telas é poder deixar a casa aberta e ventilada dia e noite, sem se preocupar com uma “invasão'' de mosquitos. Os mosquiteiros também são ótimos para serem instalados na cama das grávidas e também nos berços.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Zika já faz mulheres adiarem a gravidez

    Zika já faz mulheres adiarem a gravidez

    Preocupadas com a relação entre o zika vírus e os casos de microcefalia, mulheres que moram em São Paulo e as que vêm à capital paulista para fazer reprodução assistida estão adiando os planos de gravidez. Já as gestantes começam a redobrar os cuidados com o Aedes aegypti.
     
    Uma mulher de 40 anos, que não quis ser identificada, estava tentando engravidar naturalmente havia um ano e, desde a metade de novembro, iniciou um tratamento em uma clínica de reprodução. Com os informes sobre a microcefalia, resolveu adiar os planos. “Tenho acompanhado desde as primeiras notícias e continuei o tratamento até o momento em que o embrião ficou pronto. Mas decidi aguardar para fazer a transferência do embrião, porque a situação está muito incerta. Vou acompanhar as pesquisas para decidir.”
     
    Moradora de João Pessoa (PB), a dentista Pricila Pereira, de 38 anos, tentou engravidar em uma clínica em novembro deste ano, mas o resultado deu negativo. Com a situação dos casos de microcefalia mais crítica, resolveu não avançar nas tentativas. A Paraíba é o segundo Estado com mais casos da má-formação, totalizando 248 registros, conforme o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde. “Como moro no Nordeste, vou esperar para ver como vão ficar as próximas pesquisas e vou deixar para o ano que vem. Vou adiar sem data marcada, sem planejar.”
     
    Apesar de ter tomado a decisão, Pricila afirma que está desapontada com o fato de a doença ter interferido em seu sonho de ser mãe. “É um transtorno. Muitas mulheres já têm dificuldade para engravidar com o tratamento e é mais um problema para pensar. É prejudicial.”
     
    Eduardo Motta, ginecologista e sócio-diretor da Huntington Medicina Reprodutiva, diz que o número de mulheres de São Paulo que adiaram o plano de engravidar ainda é inexpressivo, mas há mais casos entre as futuras gestantes que vêm do Nordeste. “Ainda não tem o pânico em São Paulo, mas todas querem informações. Acredito que 20% das mulheres do Nordeste pensam em desistir”, diz, levando em consideração as pacientes da clínica.
     
    Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Arboviroses e infectologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, recomenda que as mulheres repensem os planos de engravidar neste momento. “Devemos aconselhar todas as mulheres que querem engravidar que esperem que essa situação seja elucidada de forma adequada.”
     
    Cuidados
     
    Grávida de 4 meses, a gerente de pesquisa de mercado Simone Queiroz, de 33 anos, aplica repelente a cada seis horas e não usa mais vestidos. “Eu e outras grávidas estamos até querendo que esvaziem a piscina do prédio.”
     
    A publicitária Paula Thomaz, de 38 anos, redobrou os cuidados em casa. “Como tenho dois cachorros, estou trocando a água e procuro não acumular o lixo. Sei que não tem nada na minha casa, mas tenho medo dos vizinhos.”
     
    Paula também está apostando nos repelentes. “Não coloquei tela nas janelas. Se piorar, penso em colocar.” (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Em 2 anos, vírus atinge 9 países das Américas

    Em 2 anos, vírus atinge 9 países das Américas

    São Paulo – O zika vírus chegou à América há menos de dois anos e já atinge nove países do continente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O rápido avanço está registrado no alerta mundial para as infecções divulgado na terça-feira, 1. Ao todo, 22 países no mundo já relataram casos desse “primo” da dengue. Segundo o relatório, até fevereiro de 2014 não havia nenhum caso confirmado de infecção pelo vírus nas Américas. 
     
    O primeiro registro no continente aconteceu naquele mês, na Ilha de Páscoa, província do Chile que fica no Pacífico, a 3.700 quilômetros da costa do país. Depois de 15 meses, em maio de 2015, o primeiro caso foi notificado no Brasil. Em outubro houve o primeiro registro na Colômbia. No mês seguinte, foram confirmados os primeiros casos em outros seis países: Paraguai, Venezuela, Suriname, El Salvador, Guatemala e México.
     
    Segundo outro relatório publicado em outubro pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos Estados Unidos, além dos países latino-americanos, casos de transmissão do zika vírus foram registrados também em países da África, da Ásia e da Oceania, além de ilhas do Oceano Pacífico.
     
    Na África, houve casos de pacientes infectados em Camarões, Burkina Faso, República Centro Africana, Costa do Marfim, Nigéria, Senegal e Uganda. Na Ásia, houve registros de transmissão do vírus no Camboja, na Indonésia, na Malásia, nas Filipinas, na Tailândia e no Vietnã. Na Oceania e no Pacífico, o vírus foi registrado nas Ilhas Cook, na Micronésia, na Polinésia Francesa, na Nova Caledônia, nas Ilhas Salomão e em Vanuatu.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • De dengue a zika: Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?

    De dengue a zika: Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?

    No mundo, ele é chamado de mosquito da febre amarela. No Brasil, é conhecido como mosquito da dengue – e, mais recentemente, também da zika e da chikungunya. Considerado uma das espécies de mosquito mais difundidas no planeta pela Agência Europeia para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), o Aedes aegypti – nome que significa “odioso do Egito” – é combatido no país desde o início do século passado.
     
    A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Isso ocorre principalmente com a chegada do verão, quando a maior intensidade de chuvas favorece sua reprodução.
     
    Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue, em curso desde o meio do ano.
     
    Foi confirmado pelo governo federal que o zika vírus está ligado a uma má-formação no cérebro de bebês, a microcefalia, que já teve neste ano ao menos 1.248 casos registrados em 311 municípios em 14 Estados, a maioria deles no Nordeste.
     
    O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no país no ano passado, quando este vírus chegou ao Brasil e se espalhou com a ajuda do mosquito.
     
    E, apesar de a febre amarela ter sido considerada erradicada de áreas urbanas brasileiras em 1942, casos de contaminação foram confirmados em cidades de Goiás e no Amapá em 2014.
     
    “O Aedes aegypti está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus”, afirma Felipe Pizza, infectologista do hospital Albert Einstein. “Entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças.”
     
    Eficiência na transmissão de vírus
     
    Alguns fatores contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus. Entre eles estão, segundo especialistas, sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem.
     
    Surgido na África em locais silvestres, o mosquito chegou às Américas em navios ainda na época da colonização. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação.
     
    “Ele se especializou em dividir o espaço com o homem”, afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.
     
    “O mosquito prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem.”
    Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador
     
    Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica.
     
    Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média.
     
    “Outros vetores não têm essa capacidade de resistir ao ambiente”, afirma Pizza, do Albert Einstein. “Por isso ele está presente quase no mundo todo, a não ser em lugares onde é muito frio.”
     
    Flexibilidade na proliferação
     
    Um aspecto que também favorece a reprodução é o fato de a fêmea colocar em média cem ovos de cada vez, mas não fazer isso em um único local. Em vez disso, ela os distribui por diferentes pontos. “Quando tentamos exterminá-lo, é muito grande a chance de um destes locais passar despercebido”, diz Carvalho.
     
    Também se trata de um mosquito flexível em seus hábitos de alimentação. O Aedes aegypti é, geralmente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia.
     
    “Mas ele é oportunista. Se não tiver conseguido se alimentar de dia, vai picar de noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só vai estar quando o sol começa a se pôr”, afirma a bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
     
    Além disso, o mosquito costuma ter como alvos mamíferos, especialmente humanos. Como explica a agência europeia, mesmo na presença de outros animais ele “se alimenta preferencialmente de pessoas”.
     
    Simbiose
     
    Por ser um mosquito urbano que fica em contato constante com o homem, ser muito adaptável e ter um apetite especial por sangue humano, o inseto se tornou um eficiente vetor para a transmissão de doenças.
     
    “Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos”, afirma Erico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Eles (vírus) conseguiram no Aedes aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa.”
     
    Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto. Valle, do IOC/FioCruz, explica que, no caso da dengue, por exemplo, após o Aedes aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.
     
    “São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia ele precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive”, diz Valle.
     
    “O aglomerado urbano, com muitos locais de criadouro e muitos alvos para picar, faz com que o mosquito viva mais, favorecendo o processo de infecção”
    Denise Valle, bióloga
     
    A bióloga destaca ainda que se trata de um mosquito especialmente arisco: “Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas”.
     
    Exterminá-lo também é difícil. Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Aedes aegypti é “muito resistente”, o que faz com que “sua população volte ao seu estado original rapidamente após intervenções naturais ou humanas”.
     
    No Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes no século passado. Na década de 1950, o epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra ele no combate à febre amarela. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do Aedes aegypti.
     
    Mas, como o mesmo não havia ocorrido em países vizinhos, o mosquito voltou a ser detectado no fim dos anos 1960. Foi erradicado novamente em 1973 – e retornou mais uma vez três anos mais tarde. “Hoje não falamos mais em erradicação. Sabemos que isso não é possível”, diz Valle, do IOC/Fiocruz.
     
    “O país é muito grande e tem muitas entradas para o mosquito. Também há muito mais gente vivendo em cidades, e a circulação de pessoas pelo mundo com a globalização aumentou muito. Os recursos humanos e financeiros para exterminá-lo seriam enormes.”
     
    Uma forma comum de combater o mosquito, a de dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como “fumacê” –, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso.
     
    “Na maior parte das vezes, isso é jogar dinheiro fora e gera mosquitos mais resistentes. Hoje, levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida e, em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo”, afirma Valle. “E os químicos usados no controle de larvas não estão disponíveis para a população.”
     
    Carvalho, da Fiocruz Minas, ressalta ainda que 80% dos criadouros são encontrados em residências, e que realizar a prevenção e exterminar focos do Aedes aegypti não é fácil.
     
    “Quando temos uma epidemia, é mais simples conseguir o apoio da população, mas, fora deste período, é mais complexo sensibilizar as pessoas para a questão”, afirma o entomologista. “Por tudo isso, acho muito complicado falar em erradicação. Talvez a melhor palavra seja controle.”
     
    Mosquitos transgênicos
     
    Uma abordagem nova vem sendo testada na Bahia e em São Paulo. Machos transgênicos do Aedes aegypti são liberados na natureza e, no cruzamento com fêmeas comuns, geram larvas que morrem antes de atingir a fase adulta, o que, com o tempo, reduz a população do mosquito numa determinada área.
     
    Responsável por testes realizados desde maio em Piracicaba, no interior paulista, a empresa Oxitec informou que os resultados estão sendo analisados por sua equipe técnica e que ainda não há uma previsão de quando serão divulgados.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • Ministério prevê alta de casos de microcefalia na Bahia e no Ceará

    Ministério prevê alta de casos de microcefalia na Bahia e no Ceará

    O baixo número de notificações registradas de microcefalia em dois dos três Estados mais populosos do Nordeste –Ceará e Bahia– chama a atenção do Ministério da Saúde. Como houve epidemia de zika vírus nos dois locais, a pasta espera por um aumento de casos informados nas próximas semanas.
     
    Até o dia 30 de novembro, foram 62 casos notificados nos dois Estados –menos, por exemplo, que o menor Estado nordestino, Sergipe, que tem 78 casos suspeitos.
     
    Hoje, Pernambuco tem 646 das notificações do país. Segundo o Ministério da Saúde, apesar do alto número, a percepção rápida e uma maior eficiência no sistema de notificação são apontadas como possíveis causas da liderança pernambucana. Prova disso é que, nas últimas duas semanas, por exemplo, Estados como Paraíba e Alagoas –que tinham pouco casos– passaram a acompanhar suas redes de maternidades e viram os números de microcefalia crescerem rapidamente.
     
    “Como esse vírus está espalhado pelo Nordeste, chama a atenção Ceará e Bahia, que têm um número muito pequeno de notificações em face a sua população”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro. “Se ele é transmitido por um vetor que existe no país inteiro, a tendência é que essa anomalia possa ser transmitida em outros Estados e outros países.”
     
    Questionado se acreditava em subnotificações na Bahia e Ceará, Castro afirmou que prefere esperar. “Vamos torcer que não exista, que seria uma gravidade muito maior do que já é essa gravidade.”
     
    Estados explicam
     
    Questionada, a Secretaria de Saúde do Ceará admitiu que mais casos devem ser notificados em breve, já que, no Estado, o pico da epidemia de zika ocorreu em maio. “O nosso corte de bebês com possibilidade de ter microcefalia está começando a nascer (em caso de prematuros) e ou ainda está por nascer”, explicou.
     
    Já a secretaria da Bahia informou apenas que o número de casos está dentro da normalidade. “Este ano são 13 casos confirmados. Há 37 casos suspeitos”, disse.
     
    A pasta baiana afirmou ainda que, por meio da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde, “está atenta à situação e realiza verificações regulares junto às maternidades e, neste ano, em virtude da incidência de zika virus, está em apuração se os casos estão relacionados com a respectiva doença.”
     
    Dados de casos suspeitos por Estado
     
    – PE: 646 
    – PB: 248
    – RN: 79
    – SE: 78
    – AL: 59
    – BA: 37
    – PI: 36
    – CE: 25
    – RJ: 13
    – TO: 12
    – MA: 12
    – GO: 2
    – MS: 1
    – DF: 1
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Pílula da USP: Conheça a polêmica sobre o uso de remédios não testados

    Pílula da USP: Conheça a polêmica sobre o uso de remédios não testados

    A recente polêmica envolvendo o uso de uma nova substância contra o câncer – aparentemente bastante promissora, porém não testada – reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados por pacientes, sobretudo aqueles mais vulneráveis, os doentes terminais.
     
    Na última semana, a prestigiosa revista científica Nature entrou na polêmica. Em editorial, a publicação criticou a liberação da fosfoetanolamina no Brasil, depois que o Supremo Tribunal Federal, em resposta a uma liminar, obrigou a USP a fabricar e distribuir o medicamento antes dos testes clínicos em seres humanos.
     
    Segundo a revista, “a controvérsia no Brasil sobre o acesso a uma suposta cura do câncer pode criar um precedente perigoso”. A molécula desenvolvida na USP vinha sendo distribuída em forma de comprimidos experimentais para pacientes com câncer terminal, sem nunca ter passado por todas as fases exigidas de teste. Na verdade, ela foi testada com sucesso apenas em camundongos.
     
    Talidomida
     
    A exigência de maior controle sobre a toxicidade de novas drogas em todo o mundo surgiu no início dos anos 60, depois de uma tragédia que marcou toda uma geração e levantou um intenso debate mundial sobre a segurança dos medicamentos.
     
    A talidomida chegou ao mercado em 1957 como um poderoso sedativo eficaz contra ansiedade, insônia e tensão. A droga havia sido testada em camundongos e se revelara totalmente inócua. Tão inócua que os médicos não tiveram nenhuma dúvida em indicá-la para grávidas. O novo remédio acabou se revelando especialmente eficiente contra enjoos matinais – típicos dos primeiros meses de gestação – e foi receitado em larga escala para gestantes.
     
    Na verdade, como logo ficou claro após o uso em massa, a talidomida é extremamente tóxica. Tão tóxica que se calcula que dez mil crianças tenham nascido em todo o mundo com deformidades físicas graves causadas pela droga – a substância faz com que os membros superiores e inferiores não se desenvolvam propriamente.
     
    A tragédia foi tão grande que a droga acabou sendo proibida em todo o mundo. “A talidomida tinha sido testada em fêmeas de camundongos grávidas e não se mostrou tóxica”, conta o coordenador do Programa de Pós-graduação em Bioética da Universidade de Brasília (UnB), Volnei Garrafa, que também é integrante do Comitê Internacional de Bioética da Unesco. “E fez o estrago que fez.” Ocorre que – e os cientistas descobriram isso da pior forma possível – muitas substâncias que não se revelam tóxicas em camundongos, por exemplo, podem se mostrar danosas para outros mamíferos. E mesmo aquelas que são inócuas para vários animais, podem se revelar extremamente tóxicas para os seres humanos.
     
    E foi a partir dessa constatação que se estabeleceu boa parte do protocolo de testagem de medicamentos em voga até hoje. Por isso, uma nova droga, para ser aprovada, precisa ser testada em pelo menos três diferentes animais e também nos seres humanos – em nada menos que quatro fases. É um processo caro e, muitas vezes, extremamente frustrante para os pesquisadores envolvidos, sobretudo em um país de recursos científicos escassos como o Brasil. Mas necessário para a segurança da população, na opinião de vários especialistas, e também para a viabilidade econômica do sistema público de saúde.
     
    Fosfoetanolamina
     
    A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida em 1990 por Gilberto Orivaldo Chierice, professor de Química da USP – São Carlos. As cápsulas eram produzidas e distribuídas gratuitamente por ele a pacientes na própria universidade.
     
    O uso da fosfoetanolamina se tornou uma polêmica com dimensão nacional no mês passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou o seu uso como medicamento experimental, depois de um pedido de um paciente. A liminar derrubou uma decisão anterior do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia suspendido o fornecimento do remédio a 1.400 pacientes de câncer na cidade de São Carlos.
     
    A situação chegou a tal ponto que o governo decidiu intervir e, agora, finalmente, começou a testar formalmente a molécula em laboratórios credenciados em cinco Estados no país. Na semana passada, o secretário de Saúde de São Paulo anunciou que o Estado vai testar a substância em mil pacientes.
     
    O drama de pacientes terminais impedidos de tomar um remédio que, supostamente, poderia ajudá-los, causou impacto na população e fez com que muita gente saísse publicamente em defesa da liberação da droga. Por que negar a um paciente que vai morrer de qualquer forma essa chance?
     
    A questão, porém, é um pouco mais complexa. Cientistas da área médica são contundentes em afirmar que é uma irresponsabilidade autorizar acesso público a drogas que não foram testadas em seres humanos. “Não há segurança para o paciente”, diz Volnei Garrafa. “Porque não sabemos como a droga se comporta no ser humano, quanto tempo leva para ser eliminada pelo organismo, os efeitos colaterais, as interações medicamentosas.”
     
    A dosagem dos remédios, lembram os especialistas, também é determinada pelos testes. Muitas vezes uma dosagem baixa pode ser totalmente ineficaz, enquanto uma dose alta é tóxica. A dose exata de cada remédio é crucial para o seu melhor aproveitamento. O período durante o qual a substância é consumida também é importante.
     
    “Como médico, não posso prescrever drogas que não tenham passado por todos os testes. Não é porque um paciente está à morte que podemos deixar de lado todos esses critérios e indicar uma substância não testada, sobre a qual não conhecemos nada”, afirma o coordenador das Unidades de Terapia Intensiva do complexo hospitalar Américas, no Rio, Victor Cravo. “Até porque isso poderia abreviar o tempo de vida do paciente ou fazer com que ele tenha uma morte em agonia, não tem como saber o que pode acontecer.”
     
    O pesquisador Amílcar Tanuri, do Laboratório de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pesquisa diferentes compostos para o tratamento da Aids, concorda com o colega. “Existem protocolos para o tratamento do câncer, mesmo para pacientes terminais, para alívio da dor, por exemplo”, diz Tanuri. “Uma substância não testada pode ser tóxica e fazer com que esse paciente perca qualidade de vida.”
     
    Um outro problema sério, como apontou o editorial da Nature, é o risco de pacientes optarem pelo tratamento experimental e abandonarem as terapias consagradas cientificamente com medo de interferências. “A triste verdade é que a droga provavelmente não é um milagre”, sustentou a revista. Além do efeito nocivo para os pacientes, o uso de drogas não testadas poderia ter um impacto extremamente negativo no sistema de saúde, como alertam os especialistas.
     
    A fosfoetanolamina é apenas uma das moléculas promissoras no combate ao câncer e a outras doenças letais, como a Aids. Existem milhares de outras. “Eu mesmo estou trabalhando com um fitoterápico que está se revelando muito promissor contra o HIV”, diz Tanuri. “E provavelmente não terei como levar à frente a pesquisa.” Dos milhares de compostos promissores, poucos passam por todas as fases necessárias e chegam ao final do processo. Segundo a Nature, nos Estados Unidos, por exemplo, apenas uma em cada dez drogas que passam na primeira fase dos testes chega a ser aprovada na FDA – a agência de drogas e alimentos, responsável pela liberação de novas substâncias.
     
    O editorial lembra que a fosfoetanolamina sequer chegou à primeira fase dos testes. “O Estado só pode gastar dinheiro com o que é sabidamente eficaz”, diz Cravo. “Infelizmente, o país não tem estrutura para testar todas as potenciais drogas, ele quebraria.”
     
    Fonte: G1 – Bem Estar