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  • Ainda longe de um Brasil sem Aids

    Ainda longe de um Brasil sem Aids

    O ministro da saúde recém-demitido, Arthur Chioro, previu o colapso do SUS (Sistema Único de Saúde) em 2016. O atual, Marcelo Castro, disse que o que hoje está ruim vai piorar.
     
    O SUS vive sua pior crise desde que Congresso Nacional e governo aprovaram, no começo deste ano, emenda constitucional que reduziu o financiamento federal da saúde.
     
    Depois vieram a diminuição de repasses a Estados e municípios e a recessão que minou as fontes de financiamento da saúde dependentes de tributos ligados à atividade econômica.
     
    A ruína do SUS é agravada pelas desonerações e pela regulação frouxa, que beneficiam planos de saúde e hospitais privados –vide a abertura irrestrita do setor ao capital estrangeiro.
     
    A essas medidas que inviabilizam o sistema universal constitucional soma-se a ameaça de uma agenda ultraconservadora, que coloca em risco até mesmo políticas outrora exemplares. É o caso do combate à Aids, que mudou para pior.
     
    Relegada a especialistas, fora da mídia e da visibilidade pública, a Aids não é mais a causa excepcional que fez emergir a ousadia do ativismo, a inovação na prevenção, a coragem dos programas governamentais, o engajamento de profissionais e de redes associativas solidárias.
     
    O distanciamento de setores como educação, direitos humanos e trabalho é outro sintoma do encolhimento da luta contra a Aids no Brasil. Os retrocessos são também expressão do conservadorismo e do pragmatismo medíocre que imperam na política.
     
    Abandonou-se a abordagem dos determinantes sociais da epidemia –entre eles a violência, o preconceito, a homofobia– e deixou-se de promover os direitos e a dignidade das pessoas e populações mais afetadas.
     
    A autocensura do Ministério da Saúde, ao impedir campanha dirigida a jovens gays, precedida da suspensão de material que tratava de sexualidade nas escolas, selou a rendição à direita hidrófoba e aos religiosos fundamentalistas que, agora na Câmara dos Deputados, querem impedir o aborto de mulheres vítimas de violência sexual e definir como família apenas as relações entre homens e mulheres.
     
    A propaganda governamental alardeia a suposta estabilidade do número de casos e vende a ideia de que a doença será detida apenas com as novidades biomédicas.
     
    O início do tratamento passou a ser recomendado a todas as pessoas com HIV. O teste rápido está no SUS e o autoexame já pode ser adquirido em farmácias.
     
    Para pessoas que praticaram relações sexuais desprotegidas estão disponíveis antirretrovirais, que também já são recomendados para prevenção dirigida –por exemplo, homens que fazem sexo com homens e que têm dificuldades de usar a camisinha.
     
    Por causa de medicamentos eficazes, mais aceitos pelo organismo, uma pessoa infectada recentemente pode ter a mesma esperança de vida que uma pessoa sem HIV.
     
    Tudo isso –a chamada “prevenção combinada”– é um grande avanço, sem dúvida. Mas não é o que vai garantir um Brasil sem Aids no futuro.
     
    A volta da Aids com força total está evidente nas novas infecções, no aumento de mortes nas regiões Sul e Norte, na retomada dos comportamentos de risco e na baixa realização de teste de HIV entre populações mais vulneráveis.
     
    Pintar de cor-de-rosa a Aids, como fazem as autoridades, é uma farsa evidente. Hoje, quando se celebra o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, é preciso dizer que a epidemia não será vencida apenas com testes, pílulas e preservativos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Ministro diz que não faltarão recursos para contenção de casos de microcefalia

    Ministro diz que não faltarão recursos para contenção de casos de microcefalia

    O ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou nesta segunda-feira, 30, pouco antes de embarcar para Pernambuco, que “recursos não vão faltar” para a contenção dos casos de microcefalia no Brasil. Semana passada, o governador do Estado, Paulo Câmara (PSB), reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro para discutir medidas de controle da doença e saiu frustrado diante do silêncio em torno de uma eventual reforço de verbas.
     
    “Estamos mobilizados, tudo vai ser feito diante das necessidades”, disse Castro. Pernambuco registra até o momento 646 casos de microcefalia, má-formação que em 90% dos casos leva o bebê a ter deficiência mental. O avanço da doença, registrado em proporções nunca vistas em nenhuma parte do mundo, está associado à infecção da gestante pelo zika, um vírus transmitido pela picada do Aedes aegypti – transmissor também da dengue e da febre chikungunya.
     
    Pernambuco decretou emergência
     
    Em razão do aumento de casos, Pernambuco decretou emergência. Castro e uma equipe de especialistas do ministério desembarcam hoje em Recife para uma reunião. A ideia é começar por Pernambuco, detentor de quase metade dos casos de microcefalia no País, as ações do Grupo Estratégico Interministerial de Emergência (GEA), criado no período da H1N1 e reativado há uma semana. Formado por 17 ministérios, o grupo vai coordenar medidas de apoio às regiões afetadas pela epidemia e de prevenção da doença em todo o país. As ações do Exército para o controle do mosquito, por exemplo, devem começar pelo Estado.
     
    Na reunião de hoje estarão presentes também representantes do Ministério da Defesa e da Integração Nacional.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Pesquisa da UFPI estuda veneno do sapo para tratamento contra o câncer

    Pesquisa da UFPI estuda veneno do sapo para tratamento contra o câncer

    Professor diz que veneno tem potencial para combater células cancerígenas.
    Estudos apontaram resultados favoráveis para cura de outras doenças.
     
    Uma pesquisa desenvolvida por um professor do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí (UFPI) é mais uma esperança na busca pelo tratamento e a cura de alguns tipos de câncer. Os estudos são desenvolvidos com o veneno dos sapos e, segundo os pesquisadores, já foi possível encontrar grande potencial na substância produzida pelos anfíbios.
     
    A pesquisa é encabeçada pelo professor doutor Gerardo Magela e foi iniciada há cerca de quatro anos, quando o piauiense ainda lecionava na Universidade Federal de Mato Grosso. Lá, as pesquisas foram realizadas com sapos das espécies Rhinella marina e Rhaebo guttatus, encontrados no bioma amazônico. Há cinco meses na UFPI, ele resolveu incluir nos estudos o sapo Rhinella jimi, conhecido como cururu, encontrado na caatinga.
     
    De acordo com Magela, desde o primeiro ano as pesquisas com as espécies da região amazônica já começaram a dar bons resultados. Ele afirma que já foram testadas diversas atividades com o veneno dos sapos e sustenta que as substâncias biológicas encontradas no veneno dos anfíbios possuem grande potencial para combater células cancerígenas.
     
    “Nós já testamos muitas atividades e dentre elas a mais promissora é a atividade citotóxica, que foi testada frente à linhagem de células de câncer. Obtivemos bons resultados em um tipo de câncer chamado de glioblastoma, que ataca o sistema nervoso central, no câncer do colo do útero, de ovário e leucemia”, explicou o professor.
     
    Além da constatação do poder das substâncias contra as células de câncer, testes realizados em camundongos revelaram também que o material extraído do veneno dos sapos possui potencial medicamentoso frente à insuficiência cardíaca, malária e até a alguns tipos de fungos encontrados em espécies agrícolas como soja, feijão, milho e algodão.
     
    Apesar de liderar as pesquisas, Magela destaca que uma equipe multidisciplinar é envolvida no trabalho. Dois alunos de graduação em química da UFPI também participam. Os sapos são capturados e têm o veneno coletado por biólogos autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Após a coleta, o material é repassado ao professor, que estuda a constituição química, separa as substâncias dos venenos e as leva para grupos de pesquisa da área de farmacologia.
     
    “Nos testes observou-se um ataque às células cancerígenas. Os camundongos estavam com tumor e observamos uma regressão. Só que detectamos ataque das substâncias às células normais, indicando que não é seletivo como a maioria dos quimioterápicos. Esse ataque ainda é um desafio a ser superado. Temos que encontrar uma substância que mate as células de câncer e seja menos agressiva às normais. É possível que se faça modificações na estrutura dessas substâncias tentando minimizar esses efeitos colaterais”, falou.
     
    O professor explica que o veneno é retirado de uma glândula chamada de paratóide, localizada atrás dos olhos dos sapos. “Nessa glândula é onde está o acúmulo do veneno produzido pelos sapos. Tem outras espécies que possuem micro-glândulas que são distribuídas por toda a pele, que também podem estar sendo extraídas”, disse.
     
    Após a coleta do veneno, os sapos são devolvidos à natureza.
     
    Gerardo enfatiza que o Brasil possui uma biodiversidade de anfíbios muito rica e destaca que sua pesquisa serve até mesmo para alertar sobre a preservação desses animais.
     
    “Serve de alerta porque as pessoas geralmente jogam sal quando veem um sapo e isso vai entupir as glândulas, atrapalhar a respiração e o sapo vai acabar morrendo. É algo que não deve ser feito porque o sapo, além de servir para o controle biológico de pragas, poderá trazer grandes benefícios futuramente para o homem”, alertou.
     
    Apesar dos resultados promissores obtidos pela pesquisa, o professor ressalta que ainda vai levar algum tempo para que suas conclusões possam levar à produção de medicamentos contra o câncer ou outras doenças. Segundo ele, uma pesquisa para se desenvolver medicamento leva atualmente um tempo médio de 15 anos de duração.
     
    “Nós ainda estamos no início, fazendo atividades in vitro e atividades em camundongos. Até chegar nas fases de análises clínicas, para que possam ser desenvolvidos os medicamentos, ainda vai demorar. É um estudo que demanda um tempo grande”, afirmou.
     
    Sapo do Piauí
     
    Por enquanto, os resultados que apontam para efeitos promissores se referem às pesquisas com os sapos do bioma amazônico, iniciadas ainda no Mato Grosso e cujo prosseguimento está sendo dado no Piauí. Os estudos com o sapo cururu encontrado na caatinga já estão sendo colocados no cronograma da pesquisa, mas ainda serão iniciados.
     
    Mesmo assim, o professor destaca que alguns estudos na literatura mostram que o sapo encontrado no Piauí apresenta atividade citotóxica e contra os parasitas vetores da leishmaniose e da doença de chagas. Devido a isso, ele resolveu incluir a espécie da caatinga nas pesquisas e espera obter resultados ainda mais positivos com ela.
     
    “Cada espécie tem uma constituição química diferente. Ela pode ter substâncias diferentes ou substâncias iguais, mas em quantidades diferentes. Por isso é muito interessante a gente estudar o sapo daqui, porque a constituição química dele vai ser totalmente diferente e, quem sabe, seja melhor que a do sapo do Mato Grosso”, concluiu.
     
    Números da doença
     
    Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 12 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas todo ano com câncer e cerca de 8 milhões morrem em decorrência da doença. No Brasil, a estimativa era de 580 mil casos novos da doença para 2015.
     
    No Piauí, a estimativa era de 5.560 novos casos em 2014 para cada grupo de 100 mil habitantes.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
     
  • Valor da anuidade em 2016 está definido

    Valor da anuidade em 2016 está definido

    Durante a 437ª Reunião Plenária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), nesta quarta-feira, dia 25 de novembro, foi aprovado o valor das anuidades para 2016, conforme determina a Lei Federal nº 12.514/11.
     
    Não houve aumento, apenas a recomposição com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), previsto no referido dispositivo legal, para compensar a perda monetária verificada no período, que foi de 10,33%.
     
    As taxas e os emolumentos ficaram congelados, mantendo os mesmos valores praticados durante o ano de 2015.
     
    A decisão recebeu o apoio dos diretores de 24 conselhos regionais de Farmácia. Os valores das anuidades serão divulgados por meio de resolução a ser publicada nos próximos dias.
     
    É importante lembrar que, aos que optarem por efetuar o pagamento até o dia 31 de janeiro, a anuidade terá desconto de 10%. Para o pagamento até 28 de fevereiro, o desconto será de 5%.  Nos demais casos, estará garantido o parcelamento em, no mínimo, cinco vezes.
     
    Fonte: Comunicação do CFF
  • Dilma envia ministro e Defesa Civil para combater microcefalia em PE

    Dilma envia ministro e Defesa Civil para combater microcefalia em PE

    O ministro da Saúde, Marcelo Castro, e representantes da Defesa Civil desembarcam em Recife na próxima semana para definir uma linha de ação entre o governo federal e estadual contra o surto de casos de microcefalia no Estado. Essa foi uma das medidas acertadas entre a presidente Dilma Rousseff e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), após audiência realizada na manhã desta quinta-feira no Palácio do Planalto, com a presença de Castro.
     
    Paulo Câmara chamou a atenção para o aumento “exponencial” das notificações de microcefalia, que a Secretaria Estadual de Saúde ainda tenta identificar se estão associadas ao vírus zika.
     
    Segundo Câmara, Pernambuco concentra o maior número de casos no Nordeste, com 175 confirmações e mais de 480 notificações.
     
    De acordo com o governador, Dilma se comprometeu em assegurar recursos humanos e financeiros para desenvolver ações de prevenção e socorro. O objetivo prioritário é evitar uma epidemia, como ocorre com a dengue, nos primeiros meses do ano. “Precisamos tomar providências imediatas, começando agora”, disse Câmara.
     
    O governador já convocou todos os prefeitos de municípios pernambucanos para uma reunião de emergência na próxima segunda-feira. O governo fará uma campanha de comunicação, para alertar a população sobre os riscos de deixar água represada, que permite a proliferação de insetos.
     
    “A doença está concentrada no Nordeste, mas pode atingir outros Estados com velocidade preocupante”, disse Câmara. Dilma também cogita visitar locais afetados pela doença no Nordeste, depois de regressar de viagem internacional: na próxima semana, a presidente vai a Paris, na CoP-21, ao Vietnã e ao Japão.
     
    Fonte: Valor Econômico
  • São Paulo quer testar `pílula do câncer` em 5 hospitais estaduais

    São Paulo quer testar `pílula do câncer` em 5 hospitais estaduais

    Cinco hospitais da rede pública de São Paulo deverão testar em mil pacientes a fosfoetanolamina sintética, uma droga de eficácia ainda não comprovada contra o câncer. A informação foi divulgada ontem pela Secretaria estadual de Saúde. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) frisou que a suposta medicação, que vem sendo chamada de “pílula do câncer”, ainda não se enquadra nas exigências necessárias para testes em humanos.
     
    O monitoramento dos efeitos da droga está em fase de planejamento, mas já se sabe que os testes serão conduzidos pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e, de acordo com o secretário estadual de Saúde, David Uip, envolverá centros e hospitais de oncologia que tenham expertise em pesquisas clínicas. Além do Icesp, pacientes atendidos pelo Hospital do Câncer de Jaú (no interior paulista) deverão receber as pílulas.
     
    Desenvolvida por um professor aposentado do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) no município de São Carlos, a substância vem sendo produzida pela instituição, mas nunca foi submetida a testes em humanos. Mesmo assim, o governador Geraldo Alckmin anunciou, no começo desta semana, que oferecerá a droga à rede hospitalar e a laboratórios do estado.
     
    David Uip disse que a USP, assim como o professor aposentado Gilberto Chierice, criador da substância, estão sendo permanentemente informados sobre o andamento do projeto, já que a droga é patenteada.
     
    PEDIDO ESTÁ SENDO ELABORADO
     
    Pesquisadores estão finalizando o plano de testes, que deverá ficar pronto na próxima semana e será apresentado às comissões de ética dos hospitais e laboratórios selecionados. Porém, a Secretaria estadual de Saúde ainda não detalhou como será o pedido que fará à Anvisa para a liberação do uso da “pílula do câncer”.
     
    O número de pessoas que deverão participar dos testes já foi estabelecido, mas os critérios de escolha, não. — O projeto será encabeçado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. O trabalho está sendo desenhado e provavelmente terá vários braços, que ministrarão a pílula em tipos de câncer diferentes. Quando a minuta do projeto ficar pronta, a pesquisa passará pelo comitê ético de cada instituição participante e, sendo aprovada, poderemos começar os testes — disse Uip.
     
    Por meio de uma nota, a Anvisa informou que não recebeu qualquer solicitação da Secretaria estadual de Saúde de São Paulo. Além disso, a agência destacou que só aprova “testes de medicamentos que ainda se encontram em fase de ensaios clínicos se já tiver sido demonstrada sua segurança e apresentado resultado promissor quanto à eficácia”. De acordo com a Anvisa, a “pílula do câncer” não se enquadra nesses critérios.
     
    No mesmo comunicado, a Anvisa lembrou que a disponibilidade da droga deve seguir protocolos adotados por agências reguladoras internacionais e pelo Brasil. Embora já tenha dado início ao projeto, o secretário estadual de Saúde de São Paulo assegurou que nenhum teste será feito à revelia da Anvisa. Uip garantiu que a pesquisa com os mil voluntários só sairá do papel com a aprovação da agência federal. — Se a Anvisa negar, está negado. Quem manda é a Anvisa. A pesquisa vai passar por todas as fases de aprovação e comissões de ética. Ninguém fará nada contra as melhores práticas de pesquisa clínica. Somos absolutamente obedientes às regras — disse Uip.
     
    Recentemente, houve uma grande procura pela droga no campus da USP em São Carlos, mas a universidade só dava as “pílulas do câncer” a pessoas que apresentavam ordens judiciais para recebê-las. Mas, no último dia 11, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a suspensão total do fornecimento da droga, cassando todas as liminares que obrigavam a instituição a entregá-la. Além disso, juízes do estado foram proibidos de tomar decisões sobre o assunto.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Dilma promete visitar Estados do NE afetados por surto de microcefalia

    Dilma promete visitar Estados do NE afetados por surto de microcefalia

    Brasília – A presidente Dilma Rousseff se comprometeu a visitar, depois que voltar da sua viagem ao exterior, Pernambuco e outros Estados do Nordeste atingidos pelo surto de bebês com microcefalia. A promessa foi feita ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que foi recebido pela presidente no Palácio do Planalto nesta quinta-feira, 26.
     
    Segundo o governador, Dilma se mostrou muito preocupada com o aumento do número de casos e colocou o governo federal à disposição para ajudar a controlar a epidemia. “Eu senti da presidente todo o desejo de nos ajudar”, afirmou Câmara.
     
    Dilma escalou o ministro da Saúde, Marcelo Castro, para ir ao Recife na próxima Segunda-feira (30) e participar de uma reunião com prefeitos do Estado para discutir medidas conjuntas.
     
    Diante da suspeita de que o vírus da zika é o responsável pela epidemia, o foco imediato das ações será o combate ao mosquito Aedes aegypti, que também transmite a dengue.
     
    Pernambuco é o Estado com o maior número de casos de bebês com microcefalia. Segundo o governador, 175 já foram confirmados, mas há mais de 470 notificados. No Nordeste, já são mais de 800 casos.
     
    A preocupação com que o surto se espalhe por Estados de outras regiões fez com que o governo anunciasse, no início da semana, a criação de uma força-tarefa para definir ações práticas. O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, é o responsável por coordenar o grupo.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • A nova arma transgênica para acabar com a malária

    A nova arma transgênica para acabar com a malária

    Michelle Roberts
     
    Editora de Saúde do site da BBC
     
    Cientistas americanos criaram um mosquito geneticamente modificado que pode resistir à infecção por malária.
     
    Pesquisadores acreditam que, se os testes fora do laboratório forem bem-sucedidos, o inseto transgênico pode se tornar alternativa para impedir a transmissão da doença para os humanos.
     
    Usando um método conhecido como Crispr, os cientistas inseriram um gene no DNA de mosquitos que impediu a infecção pelo protozoário causador da malária.
     
    Quando os insetos procriaram, a prole herdou a mesma resistência dos pais, informou o estudo, publicado na revista científica PNAS.
     
    Em teoria, se esses mosquitos picarem as pessoas, a doença não seria transmitida, acrescentaram os cientistas.
     
    Cerca de 3,2 bilhões de pessoas ? ou metade da população mundial ? correm risco de contrair malária.
     
    Telas de proteção, inseticidas e repelentes podem ajudar a conter os insetos e medicamentos são administrados a quem contrai a doença. Ainda assim, a malária mata cerca de 580 mil pessoas por ano.
     
    'Papel primordial'
     
    Cientistas vêm buscando novos meios para combater a malária.
     
    A equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia diz acreditar que o mosquito transgênico poderia desempenhar um papel primordial em interromper a transmissão do vírus.
     
    Para criar o inseto transgênico, os cientistas usaram um tipo de mosquito encontrado na Índia, o Anopheles stephensi.
     
    De acordo com Anthony James, responsável pelo estudo, um novo código de DNA foi inserido no genoma do mosquito para torná-lo menos propenso a hospedar o parasita da malária.
     
    O DNA, que inclui os anticorpos que combatem o parasita, foi herdado por quase 100% de todo a prole dos mosquitos e por várias gerações.
     
    Os pesquisadores acreditam que as descobertas geram esperanças de que o mesmo método possa ser usado em outras espécies de mosquitos.
     
    Embora não seja a única solução para erradicar a malária, o inseto seria uma arma adicional, dizem eles.
     
    David Conway, especialista britânico da London School of Hygiene & Tropical Medicine, disse: “Não se trata de um produto acabado mas certamente parece promissor. Parece ser uma alternativa para este problemas por vias genéticas”.
     
    Outros cientistas pretendem usar mosquitos geneticamente modificados para deixá-los inférteis e, assim, erradicar a doença. Mas alguns especialistas temem que eliminar inteiramente os mosquitos pode gerar consequências inesperadas e não desejadas.
     
    Nesse sentido, substituir os mosquitos transmissores da doença por espécies inofensivas é uma alternativa potencial.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • Com tratamento preventivo, Aids não assusta mais San Francisco (EUA)

    Com tratamento preventivo, Aids não assusta mais San Francisco (EUA)

    Nadji Dawkins, 28, exibe um sorriso mais largo que a aba de seu boné. “Gosto de fazer amor do jeito como gosto de fazer amor”, ele diz. Traduzindo: sem preservativo. Antes esse era um comportamento de alto risco, mas nos últimos dois anos o jovem funcionário de correios passou a não se afligir mais quando ele “conhece alguém”. Ele adotou a PrEP, o tratamento de “profilaxia pré-exposição”, que consiste em um comprimido que permite que os soronegativos tenham relações desprotegidas sem correrem o risco de serem contaminados pelo HIV.
     
    Barbara Garcia é a diretora de serviços de saúde pública de San Francisco (EUA), uma senhorinha que supervisiona dois hospitais, 20 clínicas, 8.000 funcionários e um orçamento de US$2 bilhões (R$7,5 bilhões). Ela também gosta da PrEP. Desde 2012, a prefeitura passou a recomendá-la a pessoas que possuem comportamentos de risco.
     
    O número de contaminações pelo HIV diminuiu 30%, tendo permanecido estável em todos os Estados Unidos. “É um ponto de virada”, ela comemora. De fato, uma etapa tão significativa quanto a descoberta do vírus, em 1983, ou o surgimento das triterapias em 1996. “Uma nova era começou”, atesta Steve Gibson, diretor da clínica Magnet, um programa da San Francisco AIDS Foundation. “Chegamos ao estágio do fim do medo.”
     
    San Francisco respira aliviada, libertando-se após 30 anos sob o jugo do vírus. Na comunidade gay, a empolgação é palpável. Filas são formadas desde a manhã em frente à Magnet, no bairro do Castro, a “república gay” de San Francisco, onde tremula a bandeira arco-íris acima da estação do metrô, enquanto na calçada as passagens para pedestres levam as mesmas cores do arco-íris. “Por toda nossa vida a expressão mais íntima de nós mesmos se baseou no medo”, conta Steve Gibson. “Poder se libertar disso é uma experiência muito forte.”
     
    A clínica recebe de 40 a 70 pessoas a cada dia. O balanço anual foi de 10 mil pacientes em 2014 (ante 1.200 em 2003), 9.608 testes de HIV, e 700 soronegativos em tratamento PrEP, que já em sua primeira visita recebem uma caixa de 30 comprimidos Truvada, a pílula milagrosa que deve ser tomada uma vez por dia. Na Kaiser, a gigante dos seguros de saúde particulares que administra a principal clínica para HIV de San Francisco, com 3.000 pacientes, cerca de 1.000 homens estão inscritos para a profilaxia, com uma fila de espera de três semanas para uma consulta. “É como para os novos iPhones. Alguns acampam em frente à Apple Store para terem os primeiros, e depois todo mundo quer”, sorri o Dr. Brad Hare.
     
    Foco da revolução sexual dos anos 1970, San Francisco foi “o epicentro da epidemia”, lembra Barbara Garcia. A cidade norte-americana teve 25 mil mortos desde 1982, sendo 1.641 em 1992, o ano mais letal. Hoje, tem a ambição de reduzir o número de contaminações em 90% até 2020, sendo que conta com 16 mil pessoas que convivem com o vírus (58% das quais têm mais de 50 anos). A PrEP é essencial para esse plano. Dois estudos, um inglês (“Proud”), o outro francês (“Ipergay” ou PrEP “por demanda” que não requer uma ingestão diária de Truvada), demonstraram sua eficácia entre os homens que mantêm relações homossexuais. Em ambos os casos, o tratamento resultou em uma redução de 86% no risco de infecção.
     
    Perda de interesse pelos preservativos
     
    A PrEP foi aprovada pela FDA (a agência americana que regula os medicamentos) no final de 2012. No começo, os adeptos eram vistos como depravados, ou quase. Eles eram chamados de “Truvada whores” (“putas do Truvada”), e os homens escondiam seus frascos de medicamentos. Os preconceitos logo caíram. “A PrEP entrou na cultura popular, e chegou a ser mencionada em uma série de TV”, relata Ifeoma Udoh, diretora da clínica Crush de Oakland, que recebe um subsídio público de US$20 milhões para incentivar o tratamento entre jovens vindos das minorias.
     
    Entre os médicos também “havia reservas”, relata Stephanie Cohen da City Clinic, uma das três clínicas que participaram do primeiro estudo nacional nos Estados Unidos. “As pessoas trabalharam por anos com o modelo do preservativo como ferramenta de prevenção. Foi preciso uma mudança de cultura.” Mas os médicos notaram a perda de interesse pelos preservativos. “As pessoas nos perguntam por que não se usa mais o preservativo o tempo todo”, diz indignado Nathan Allbee, 36, de longa barba negra e uma pomba tatuada no braço. “Para aqueles que conseguem, ótimo! Mas não é o caso de todo mundo. A prova é que ainda houve 302 contaminações aqui no ano passado.”
     
    Cerca de 6.000 pessoas estão passando pela PrEP em San Francisco, o que faz da cidade uma espécie de laboratório mundial do tratamento. “Até então eu só tinha duas opções: ou usar camisinha o tempo todo, ou confiar em meu parceiro”, relata Nathan. “Com a PrEP, não tem mais a ver com o outro. Tem a ver comigo”. Os soronegativos assumiram o controle de sua segurança. Já os soropositivos se sentem menos banidos da comunidade. A PrEP “tirou o HIV das conversas”, afirma Matthew Sachs, 29, que optou por tomar o Truvada ainda que a infecção de seu parceiro seja indetectável no sangue, e portanto praticamente sem risco de contágio.
     
    O custo do tratamento é proibitivo –de US$8.000 a US$14 mil por ano (até R$ 52 mil), mas é coberto quase que integralmente pelas seguradoras. E, para aqueles que não possuem seguro, por um fundo de assistência financiado pela fabricante do Truvada, o laboratório Gilead.
     
    Os críticos estão preocupados com o risco de doenças sexualmente transmissíveis. Barbara Garcia, diretora da saúde pública, reconhece isso sem reservas. “Nós salvamos vidas, mas as infecções sexualmente transmissíveis estão em crescimento.” Nenhum estudo confiável mediu a incidência da PrEP. Segundo questionários coletados pela Kaiser, 42% dos usuários relatam uma redução no uso do preservativo. “Estamos testando as pessoas com muito mais frequência. É normal que estejam detectando mais infecções”, responde o Dr. Hare, da Kaiser.
     
    As estatísticas da clínica Magnet apontam um aumento de 32% nos casos de gonorreia em 2013 e de 20% nos de sífilis (1.014 casos em toda a cidade). Mas, como diz Nadji Dawkins, hoje o importante não é isso. “É claro que temos as DSTs. Mas o negócio sério sempre foi o HIV. Então nossa geração não precisa mais se preocupar com isso.”
     
    Fonte: Le Monde
     
     
     
     
     
  • ” em mil pacientes

    ” em mil pacientes

    Os testes para comprovar a eficácia da fosfoetanolamina sintética, substância que teria suposta capacidade de curar o câncer, devem ser realizados em cinco hospitais da rede estadual de São Paulo, com a participação de até 1 mil pacientes na pesquisa, segundo o secretário estadual da Saúde, David Uip.
     
    Os detalhes sobre o trabalho, que será encabeçado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), foram apresentados após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar que ofereceria a rede hospitalar e os laboratórios do Estado para a realização de testes clínicos.
     
    “A decisão é que vamos fazer um trabalho multicêntrico envolvendo centros e hospitais de oncologia que tenham expertise em pesquisa clínica. Pesquisadores estão desenhando esse trabalho que será apresentado nas comissões de ética dos hospitais selecionados. Quando aprovado, começará a pesquisa”, explica Uip. Além do Icesp, está prevista a participação do Hospital do Câncer de Jaú.
     
    Autorização
     
    O secretário informou que, paralelamente à elaboração dos padrões da pesquisa, será solicitada a autorização do responsável pela substância, o professor aposentado Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, e da própria universidade, pois a droga é patenteada.
     
    O número de pessoas que devem participar dos testes também já foi estabelecido, de acordo com Uip, mas os critérios de escolha ainda não foram definidos. “Os critérios de inclusão e exclusão serão feitos dentro do desenho que ainda não está pronto. A ideia inicial é de que vários braços (da doença) serão pesquisados, como câncer de pulmão, de bexiga, leucemia. Provavelmente, serão sete braços”, afirmou o secretário.
     
    Anvisa
     
    Uip não detalhou o pedido que o governador fará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por uma autorização especial para que alguns pacientes façam uso da substância antes da realização dos testes. “Ainda temos de estudar como fazer. Vou conversar com o governador. É um detalhe técnico. Temos de saber como será, porque o uso é individualizado, analisado paciente por paciente”, disse.
     
    A fórmula ainda não foi testada em humanos e não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ser distribuída como um medicamento comum. Uip disse que o objetivo do Estado é oferecer suporte para a realização da pesquisa. “Sou professor de Medicina e pesquisador. Então, defendo a pesquisa clínica. Vamos fazer uma pesquisa nos moldes daquilo que há de mais refinado na área”, concluiu.
     
    Fonte: Uol Saúde