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  • USP descobre tratamento mais eficaz para doença de Chagas

    USP descobre tratamento mais eficaz para doença de Chagas

    Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 3 milhões de pessoas possuem doença de Chagas no país e a maioria já na fase crônica, quando órgãos como coração e esôfago começam a inflamar e inchar. 
     
    O problema é que 40% dos pacientes abandonam o tratamento nos primeiros dez dias porque o benznidazol, único medicamento usado contra a moléstia, provoca muitos efeitos colaterais. Com base nessa constatação, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP) conseguiram desenvolver uma substância cinco vezes mais eficiente que a atual e, principalmente, menos tóxica ao ser humano.
     
    Modificações 
     
    O pesquisador João Santana da Silva explica que o resultado foi obtido a partir de modificações na estrutura molecular do próprio benznidazol, usado no tratamento da doença de chagas há 40 anos. O remédio atua no sentido de eliminar da corrente sanguínea o Trypanossoma Cruzi – parasita transmitido pelo inseto conhecido como barbeiro. “Para esse bicho sobreviver, ele precisa de uma quantidade enorme de redes enzimáticas. Então, a ideia é fazer algo que iniba essas vias e não faça mal ao hospedeiro, que no caso é o homem, o paciente,” diz o pesquisador. 
     
    Silva afirma que, na fase inicial, a doença de chagas tem sintomas como febre e mal-estar, o que faz com que seja confundida com enfermidades mais simples. Caso não seja tratado de forma adequada, o paciente pode desenvolver a fase crônica, quando o parasita se hospeda nos tecidos e causa o crescimento de alguns órgãos.  “Por isso, a maioria das pessoas que se infecta não fica sabendo, só vai descobrir que é chagásico quando tiver a sintomatologia da fase crônica, que varia de três a 10 ou até 15 anos”, diz o pesquisador. 
     
    Atualmente, a forma de eliminar o parasita do corpo e diminuir os sintomas é pela ministração do benznidazol – único medicamento aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entretanto, o remédio não é eficaz na fase crônica e causa muitos efeitos colaterais como enjoos, dores estomacais e tontura. O resultado é que cerca de 40% dos pacientes abandonam o tratamento logo no início. “Uma das nossas estratégias para eliminar o parasita é modificar o benznidazol e transformá-lo em uma substância mais eficaz e menos tóxica”, afirma Silva. 
     
    Novo medicamento 
     
    Os testes in vitro constataram que a nova molécula é capaz de matar o parasita, sem ser tóxica para a célula humana. O próximo passo, que terá início nas próximas semanas, é testar uma quantidade maior da substância em camundongos. Só a partir destes resultados, será possível iniciar os testes em seres humanos. “Como a gente não utiliza nenhuma droga diferente das que já existem, é fácil ir para a indústria farmacêutica. Não é uma droga nova, mas uma nova abordagem. Já estamos no meio do caminho.” 
     
    O pesquisador afirma, no entanto, que esse tipo de estudo não atrai a maioria dos laboratórios farmacêuticos e acaba ficando nas universidades, porque a doença de Chagas é considerada uma moléstia negligenciada, ou seja, endêmica em populações de baixa renda. 
     
    Exemplo disso é que 80% dos infectados estão em comunidades de baixa renda, afastadas dos grandes centros urbanos, na região norte do país. 
    “A importância para a indústria farmacêutica é pequena porque, se existir uma droga para matar o parasita, certamente terá que ser barata. Não tem interesse comercial. Portanto, quem acaba correndo atrás disso são as universidades”, explica Silva, destacando que só a USP em Ribeirão Preto tem quatro descobertas patenteadas sobre o tema.
     
    Fonte: CFF
     
  • Ministério estuda meios para reduzir fila de transplante de medula óssea

    Ministério estuda meios para reduzir fila de transplante de medula óssea

    Hoje, há cerca de 200 pacientes com doadores compatíveis, mas sem leito.
    Ministério propõe remanejamento de pacientes e aumento de vagas.
     
    Atualmente, existem no Brasil cerca de 200 pacientes com indicação receber um transplante de medula que já encontraram doadores compatíveis no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), mas que não se submeteram ao procedimento por falta de vagas adequadas nos hospitais.
     
    O Ministério da Saúde anunciou, na últimas semana, que está estudando medidas para diminuir o tempo de espera por um transplante desse tipo. Elas devem ser postas em prática no início do ano que vem, de acordo com Heder Murari Borba, coordenador do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). As medidas devem incluir o aumento do número de leitos para esse tipo de transplante, além da criação de um sistema coordenado pelo próprio Ministério para remanejar pacientes entre diferentes regiões do país.
     
    O anúncio foi feito no XVIII Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), que aconteceu no final da semana passada em Belo Horizonte.
     
    O Brasil fez, em 2013, 1.813 transplantes de medula óssea, dos quais 1.144 foram autólogos (o paciente recebe sua própria medula, depois que ela passa por um tratamento) e 669 foram alogênicos (o paciente recebe a medula de um doador). Dos transplantes alogênicos, 220 foram não aparentados (o doador é localizado no Redome e não na família do paciente). Este último é o procedimento mais complexo, para o qual os pacientes têm de esperar mais tempo.
     
    Com a atual estrutura, levaria cerca de um ano apenas para realizar os 200 transplantes dos pacientes que já aguardam na fila. Segundo a médica hematologista Lúcia Silla, presidente da SBTMO, pacientes chegam a esperar mais de 30 meses a partir do diagnóstico para fazer esse tipo de transplante.
     
    Mudanças
     
    O governo estuda fazer com que o oferecimento de leitos para transplante de medula óssea seja coordenado pelo Ministério da Saúde. Desta forma, quando um paciente conseguir um doador compatível e não houver vaga no centro onde ele é tratado, a pasta poderá localizar outro centro em outra parte do país que possa receber o paciente para que ele faça o procedimento no menor tempo possível.
     
    Além disso, o Ministério pretende ampliar o número de leitos nos 29 centros que já oferecem esse transplante de alta complexidade. Borba explica que, por leito, entende-se não só a vaga, mas também toda a estrutura de atendimento e a equipe multidisciplinar necessárias para esse tipo de transplante. A intenção do ministério é aumentar a capacidade para 400 transplantes de medula óssea não aparentados por ano.
     
    Gargalo
     
    Borba explica que, atualmente, o gargalo dos transplantes de medula óssea no Brasil não é mais encontrar um doador compatível (cerca de 80% dos pacientes encontram um doador no Redome), mas conseguir uma vaga para transplante em um dos 29 serviços cadastrados para realizar esse tipo de procedimento.
     
    O Redome é o maior banco público de doadores de medula, com 3,4 milhões de doadores cadastrados. “Isso é resultado de um programa eficiente de captação e doadores. De repente, o governo ficou muito focado na captação de doadores, mas isso não foi acompanhado do crescimento da estrutura física para transplante de medula óssea”, diz Lúcia.
     
    Por esse motivo, o ministério busca limitar o número de doadores no país, e focar as buscas de novos doadores em grupos genéticos específicos que ainda não estejam bem representados no Redome, como índios e negros. Segundo Borba, aumentar o número de doadores no público em geral não significaria necessariamente aumentar as chances de os pacientes encontrarem doadores compatíveis.
     
    “Não adianta ter mais doadores, se o paciente não tiver onde transplantar. Neste momento, temos que focar nossa atenção e nosso recurso na necessidade de leitos, não de doadores”, diz Lúcia.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Entenda o que é a esclerose lateral amiotrófica

    Entenda o que é a esclerose lateral amiotrófica

    Doença, que ainda não tem cura, causa perda do controle muscular.
    Famosos participam de campanha para arrecadar doações para associação.
     
    Famosos de todo o mundo estão participando do “desafio do balde de gelo”, uma campanha que pretende chamar a atenção para um mal degenerativo que, em 2013, acometia até 15 mil pessoas no Brasil: a esclerose lateral amiotrófica (ELA), também conhecida como doença de Lou Gehrig.
     
    A campanha desafia personalidades a jogarem um balde de água gelada na cabeça ou fazer uma doação de US$ 100 a ALS Association – associação americana que financia pesquisas para encontrar a cura da doença e também serviços para pacientes.
     
    De caráter progressivo, a ELA afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo e causa a perda do controle muscular.
     
    Um dos portadores da doença mais conhecido mundialmente é o físico britânico Stephen Hawking, de 72 anos, que descobriu o problema aos 21 – quando os médicos chegaram a dizer que ele teria apenas alguns anos a mais de vida.
     
    Hawking não só superou as previsões sombrias dos médicos como, apesar das limitações físicas impostas pela ELA, se tornou um dos cientistas mais famosos do mundo.
     
    Além de ser uma doença ainda sem cura, a esclerose amiotrófica tem um diagnóstico difícil. São necessários cerca de 11 meses para detectar a doença.
     
    A dificuldade existe porque não há nenhum exame de laboratório que indique alguma substância no sangue ou marcador de precisão para detectar a doença.
     
    Sintomas
     
    Os pacientes costumam sentir como primeiros sintomas problemas para respirar, dificuldades para falar, engolir saliva ou comida, além da perda de controle da musculatura das mãos ou atrofia muscular da perna. O raciocínio intelectual e os sentidos do corpo permanecem normais.
     
    Após os primeiros sintomas, o paciente tem, em média, uma sobrevida de três anos e meio. Como consequência dos problemas no funcionamento dos músculos da respiração, os pacientes podem ter infecções pulmonares que levam à morte.
     
    Estima-se que apenas 10% dos casos de esclerose lateral amiotrófica tenham causas genéticas. A doença é mais comum em pessoas entre 50 e 70 anos e é muito rara a ocorrência em jovens.
     
    Os únicos tratamentos que existem buscam retardar a evolução da doença. No Brasil, há medicação oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas segundo especialistas na doença, na maioria dos casos ela só é fornecida quando o paciente já perdeu cerca de 50% dos neurônios motores.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Japão desenvolve exame de sangue para detectar 13 tipos de câncer

    Japão desenvolve exame de sangue para detectar 13 tipos de câncer

    Projeto tem custo estimado de 57 milhões de euros; prazo é de 5 anos.
    Método ainda pode ajudar na detecção precoce de doenças degenerativas.
     
    O Centro Nacional de Câncer do Japão espera concluir, no prazo de cinco anos, o desenvolvimento de um método que permita o diagnóstico precoce de 13 tipos de câncer mediante um simples exame de sangue.
     
    O projeto, com custo estimado em 57 milhões de euros, visa contribuir especialmente com a detecção precoce do câncer de mama, estômago, esôfago, pulmão, fígado, vesícula, pâncreas, colo, ovário, próstata e bexiga.
     
    O método também pode ajudar na detecção precoce de doenças degenerativas como o Mal de Alzheimer.
     
    Trata-se de verificar a presença no sangue de micro-ácidos ribonucleicos (microARN), cujo aumento indicaria o desenvolvimento de um câncer. Mais de 2.500 variedades destas moléculas foram descobertas no corpo humano e podem servir de “marcadores” para detectar diferentes tipos de câncer, em um método muito mais rápido que a atual bateria de exames.
     
    Várias equipes de pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos já analisam o papel dos microARN nos casos de diversos tipos de câncer, mas os japoneses esperam chegar mais longe nas investigações, que ainda não permitiram elaborar um teste comercial.
     
    O programa é dirigido pela Organização Japonesa de Novas Energias e Tecnologias Industriais (Nedo), que apoia pesquisas em diversos âmbitos, com o apoio de várias empresas, entre elas Toray Industries e Toshiba, que têm grandes ambições na área médica.
     
    O projeto é baseado em dados obtidos com 65 mil pacientes através do Centro Nacional do Câncer. “Se conseguirmos desenvolver o primeiro teste mundial de alta precisão no Japão, isto poderá aumentar em vários anos a esperança de vida das pessoas e contribuir para o desenvolvimento das indústrias japonesas”, disse Tomomitsu Hotta, presidente do centro, citado pela agência Kyodo.
     
    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer matou 8,2 milhões de pessoas em 2012. Os mais letais são de pulmão, estômago, fígado, colo e mama.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
  • Ministério da Saúde desmente boato sobre caso de ebola no Brasil

    Ministério da Saúde desmente boato sobre caso de ebola no Brasil

    Texto que originou boato diz que nigeriano teria morrido de ebola no Brasil.
    Até o momento, não há casos suspeitos ou confirmados da doença no país.
     
    O Ministério da Saúde divulgou uma nota, nesta sexta-feira (15), para esclarecer que não há casos suspeitos ou confirmados de ebola no Brasil. A divulgação foi uma resposta a um boato que, segundo o Ministério, tem circulado por meio das redes sociais e de mensagens no aplicativo Whatsapp.
     
    O texto que deu origem ao boato afirma que um nigeriano teria sido internado no Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA), em São Luís, com sintomas de ebola, e que teria morrido dias depois.
     
    Neste sábado, o HUUFMA também divulgou nota afirmando que não existe nenhum caso de paciente internado na instituição com o vírus ebola. “A informação divulgada pelas redes sociais é inverídica, com intuito de causar pânico na população”, afirma o comunicado, assinado pela assessoria de comunicação do HUUFMA.
     
    A nota do Ministério da Saúde lembra que, de acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os países acometidos pelo surto do vírus ebola são Guiné, Libéria e Serra Leoa. “Como a doença é transmitida pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, a transmissão para outros continentes é considerada como pouco provável”, afirma a pasta.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Nova lei faz com que farmácia passe a ser unidade de assistência à saúde

    Nova lei faz com que farmácia passe a ser unidade de assistência à saúde

    Lei foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta segunda.
    Farmacêutico deve estar presente em período integral no estabelecimento.
     
    A presidente Dilma Rousseff sancionou, nesta sexta-feira (8), a lei que dispõe sobre exercício e fiscalização das atividades farmacêuticas. A decisão foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial da União nesta segunda-feira (11). Com a Lei 13.021/14, a farmácia passa a ser uma unidade de assistência à saúde, e não apenas um estabelecimento comercial.
     
    Uma das novidades da lei é a determinação de que o farmacêutico deve estar presente nas farmácias durante todo o horário de funcionamento. A lei anterior determinava que era obrigatória a presença permanente de um “técnico responsável”, mas não especificava qual deveria ser a formação desse profissional. A partir de agora, somente o farmacêutico poderá exercer a responsabilidade técnica.
     
    “Esta é uma vitória dos farmacêuticos e uma contribuição da nossa classe para a saúde do povo brasileiro”, disse o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, em nota publicada pelo site do conselho. De acordo com o órgão, o projeto de lei tramitou durante quase 20 anos no Congresso Nacional.
     
    A lei estabelece também que o proprietário da farmácia não poderá desconsiderar as orientações técnicas do farmacêutico e que cabe a esse profissional esclarecer os pacientes sobre os benefícios e riscos do uso de fármacos, assim como informar sobre possíveis interações medicamentosas.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Droga recupera cabelo em 5 meses em pacientes com doença autoimune

    Droga recupera cabelo em 5 meses em pacientes com doença autoimune

    Alopecia areata provoca queda de cabelo em regiões delimitadas.
    Droga já usada para tratar câncer do sangue conseguiu reverter queda.
     
    Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram que uma droga já utilizada para tratar um tipo de câncer do sangue é capaz de recuperar o cabelo de pacientes com a doença alopecia areata em apenas cinco meses. A alopecia areata é uma doença autoimune em que os linfócitos T – células de defesa do organismo – atacam os folículos capilares, provocando queda de cabelo.
     
    Os resultados do uso do medicamento em três pacientes foram publicados na revista científica “Nature Medicine” neste domingo (17).
     
    Para chegar ao resultado, primeiro os cientistas estudaram a doença em camundongos e identificaram o conjunto de linfócitos T responsável pelo ataque aos folículos capilares na doença. Em seguida, estudaram quais vias do sistema imunológico que poderiam ser inibidas para evitar o ataque aos folículos.
     
    Foram testadas em camundongos duas drogas de uma classe conhecida como inibidores da via JAK. Nos roedores, os medicamentos ruxolitinib e tofacitinib foram capazes de bloquear essa via imunológica e reverter a queda de pelos em cinco meses. O efeito das drogas mostrou-se duradouro, já que persistiram mesmo depois do fim do tratamento.
     
    A droga ruxolitinib – já usada nos Estados Unidos para o tratamento de mielofibrose, um tipo de câncer do sangue – foi testada também em humanos, em um pequeno estudo clínico. Resultados preliminares mostram que, em três desses pacientes, o medicamento foi capaz de restaurar totalmente a queda de cabelo provocada pela doença em um período de cinco meses.
     
    “Nós estamos apenas começando a testar a droga em pacientes, mas se a droga continuar a ser bem sucedida e segura, ela terá um intenso impacto positivo nas vidas das pessoas com essa doença”, diz Raphael Clynes, do Centro Médico da Universidade de Columbia, um dos líderes da pesquisa.
     
    A médica Angela M. Christiano, também autora da pesquisa, afirma que a alopecia areata é frequentemente encarada como uma doença que simplesmente altera a aparência dos pacientes, sem provocar outros problemas. Ela discorda: “Pacientes com alopecia areata estão sofrendo profundamente, e esses resultados marcam um avanço significativo para eles. A equipe está totalmente comprometida em avançar rumo a novas terapias para uma necessidade não atendida.”
     
    Fonte: Bem Estar
  • Remédio mais eficaz contra a trombose

    Remédio mais eficaz contra a trombose

    Durante o tratamento de pacientes que sofreram trombose arterial, há uma preocupação em torno do risco de sangramento. Remédios prescritos na terapia podem afetar as plaquetas, células do sangue responsáveis pela cicatrização, provocando a complicação. Buscando soluções para esse transtorno, cientistas de uma instituição norte-americana desenvolveram uma droga que evita as hemorragias e reduz consideravelmente as chances de problemas causados pelo infarto do miocárdio, consequência da trombose arterial. A droga foi testada com sucesso em animais pequenos e pode, no futuro, ser utilizada em humanos.
     
    “Analisamos os pacientes em tratamento do infarto agudo do miocárdio que foram submetidos a restauração do fluxo de sangue das artérias bloqueadas com o padrão atual de tratamento. Mas esse procedimento não impediu completamente que a trombose fosse recorrente nem ofereceu proteção satisfatória contra lesões cardíacas. Os fármacos antiplaquetários usuais também aumentaram o risco de hemorragia”. destaca. Douglas Moeckel, do Centro de Pesquisa Cardiovascular de Washington e um dos autores do estudo publicado na revista científica Science Translational Medicine.
     
    Em busca de um efeito mais completo no sistema circulatório, a equipe criou a enzima AFT102, desenvolvida com base em uma célula encontrada em mosquitos, que possibilita aos insetos sugar o sangue sem gerar acúmulo de plaquetas. Os testes foram feitos com cachorros e ratos e apresentaram um resultado positivo. “O tratanlento nos animais com lesões simuladas diminuiuem 81% o tamanho do infarto o que é bastante significativo, sem aumentar o sangramento”, destacou Moeckel.
     
    “A APT102 atua sem afetar plaquetas. Assim, elas seguem totalmente funcionais e capazes de formar coágulos fisiológicos para parar a hemorragia. Alem disso, diminuem a perda vascular”, complementa Ridong Chen, também autor do trabalho e chefe-executivo da empresa farmacêutica APTTherapeutics.
     
    Para comparar os efeitos da nova enzima com os de remédios utilizados no tratamento padrão, os pesquisadores testaram a APT102 com a dopidogrel drotária muito utilizada contra o infarto do miocárdio. Os resultados da combinação, porém, não foram tão satisfatórios. “Cães que receberam dopidogrel apresentaram hematomas frequentes em locais de cirurgia até o fim das infusões, além de apresentarem sangramentos”, destaca Moeckel.
     
    RECUPERAÇÃO AGILIZADA
     
    “A capacidade de um medicamento agir eliminando o trombo arterial formado e evitando sangramentos é uma conquista valiosa na área cardiológica, pois contribui para que pacientes que sofreram com infarto do miocárdio se recuperem com mais agilidade”, explica Alberto Fonseca, cardiologista intervencionista do Hospital do Coração do Brasil. “Quando temos o trombo na artéria, é necessário desobstruí-lo o mais rápido possível para não causar sequelas. Ao injetar os medicamentos, substâncias tóxicas que estavam acumuladas na região se dissolvem e podem entupir a circulação. Com medicamentos mais completos, essa intervenção pode ser feita de fornia mais eficaz”, explica.
     
    Fonseca ressalta, porém, que é preciso aprofundar os estudos com a nova enzima até se chegar a uma aplicação clínica. “O que foi feito por esses pesquisadores foram exames pró-clínicos com animais de pequeno porte. Precisamos desses mesmos dados em humanos”, frisa. O especialista estima que, caso o desempenho seja repetido, seria possível reduzir em 80% os danos causados por um infarto. “Isso impediria severamente as chances de um novo infarto, além de outros problemas cardíacos gerados por essa intervenção”. complementa.
     
    Para Cyrillo Cavalheiro Filho, hemoterapeuta e chefe do Laboratório de 1 do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, o trabalho dos cientistas de Washington segue uma tendência de estudos da área circulatória em busca de drogas mais completas para tratamentos envolvendo o sistema sanguíneo. “Uma redução de 80% é alta e pode ser de grande importância no futuro. É difícil sabermos se um estudo com animais pode evoluir com os mesmos resultados a humanos, mas trata-se de algo animador, lá temos outras drogas além do dopidogrel que estão ficando mais completas, mas quanto mais eficaz esse medicamento se tornar, melhor para a área medica”, comemora.
     
    Os autores acreditam que a nova droga poderá, inclusive, ser prescrita contra outros problemas de saúde. “Nós publicamos um artigo em 2009 mostrando que a APT102 impediu a hemorragia induzida pela inflamação associada à lesão pulmonar agudal, que gera um edema pulmonar. Vamos dar continuidade ao trabalho e esperamos formar uma parceria com outras empresas para realizar ensaios clínicos em humanos”, destaca Chen.
     
    Fonseca acredita que pode ser possível estender a aplicação do medicamento, já que o mecanismo de eliminação de outros tipos de trombo é semelhante. “Cada trombose precisa de um cuidado necessário. No coração, ela gera infarto: na cabeça pode provocar acidente vascular cerebral (AVC): nas pernas, causa a trombose venosa. A função do medicamento seria a mesma, mas outros pontos devem ser levados em conta.” Segundo Cyrillo Filho, outros institutos de pesquisa internacionais também buscam medicamentos que possam melhorar o tratamento dos diferentes tipos de trombose. “Temos drogas, principalmente relacionadas à trombose venosa profunda que têm sido desenvolvidas por grandes laboratórios e que são bem aceitas pela comunidade médica. Hoje, nos EUA, há pacientes sendo tratados com um tipo de xarope que tem sido eficaz”, completa.
     
    Fonte: Estado de Minas
  • Vacina contra chikungunya mostra-se eficaz em primeiro teste em humanos

    Vacina contra chikungunya mostra-se eficaz em primeiro teste em humanos

     
    Vacina experimental foi testada em 25 adultos saudáveis nos EUA.
    11 meses após vacina, eles tinham anticorpos suficientes para protegê-los.
     
    Uma vacina experimental contra o vírus chikungunya mostrou-se eficaz no primeiro teste com humanos, feito com 25 adultos saudáveis nos Estados Unidos. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infeciosas (NIAID), que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Os resultados foram publicados na edição desta semana da revista científica “The Lancet”.
     
    A nova vacina é composta de partículas semelhantes a vírus (ou VLP, na sigla em inglês). Essas partículas imitam os efeitos no sistema imunológico que seriam provocados pelas partículas do vírus de verdade. Mas não podem causar infecção porque não têm o material genético do vírus. Resultados anteriores, feitos em macacos rhesus, já tinham sido promissores, protegendo os animais de infecções.
     
    Para o teste clínico, os voluntários receberam de duas a três doses da vacina, em diferentes dosagens, ao longo de 20 semanas.
     
    “Onze meses após a vacinação, os níveis de anticorpos eram comparáveis àqueles observados em pessoas que se recuperaram depois de uma infecção natural de chikungunya, sugerindo que a vacina VLP pode oferecer proteção de longo prazo contra o vírus. A vacina também gerou anticorpos contra múltiplos genotipos do vírus, sugerindo que ela poderia ser efetiva contra quaisquer cepas do vírus”, disse a líder do estudo Julie Ledgerwood, do NIAID.
     
    “Atualmente, não temos vacinas licenciadas ou drogas aprovadas para essa infecção debilitante, que causa febre e artrite severa e intensamente dolorosa”, completa Julie.
     
    Entenda o vírus
     
    A infecção pelo vírus chikungunya provoca sintomas parecidos com os da dengue, porém mais dolorosos. No idioma africano makonde, o nome chikungunya significa “aqueles que se dobram”, em referência à postura que os pacientes adotam diante das penosas dores articulares que a doença causa.
     
    Em compensação, comparado com a dengue, o novo vírus mata com menos frequência. Em idosos, quando a infecção é associada a outros problemas de saúde, ela pode até contribuir como causa de morte, porém complicações sérias são raras, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
     
    Como as pessoas pegam o vírus?
     
    Por ser transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, e também pelo mosquito Aedes albopictus, a infecção pelo chikungunya segue os mesmos padrões sazonais da dengue, de acordo com o infectologista Pedro Tauil, do Comitê de Doenças Emergentes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
    O risco aumenta, portanto, em épocas de calor e chuva, mais propícias à reprodução dos insetos. Eles também picam principalmente durante o dia. A principal diferença de transmissão em relação à dengue é que o Aedes albopictus também pode ser encontrado em áreas rurais, não apenas em cidades.
     
    Onde o vírus está circulando?
     
    De acordo a OMS, o vírus já vinha circulando nos últimos anos pela África e pela Ásia, principalmente no subcontinente indiano. Mais recentemente,  foram identificados casos na Europa. Em dezembro do ano passado, a doença chegou ao Caribe – a primeira ocorrência de surto nas Américas. Até o momento, não existe registro de nenhum caso transmitido dentro do Brasil.
     
    O chikungunya tem subtipos diferentes, como a dengue?
     
    Diferentemente da dengue, que tem quatro subtipos, o chikungunya é único. Uma vez que a pessoa é infectada e se recupera, ela se torna imune à doença. Quem já pegou dengue não está nem menos nem mais vulnerável ao chikungunya: apesar dos sintomas parecidos e da forma de transmissão similar, tratam-se de vírus diferentes.
     
    Quais são os sintomas?
     
    Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações. Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.
    Em média, os sintomas duram entre 10 e 15 dias, desaparecendo em seguida. Em alguns casos, porém, as dores articulares podem permanecer por meses e até anos. De acordo com a OMS, complicações graves são incomuns. Em casos mais raros, há relatos de complicações cardíacas e neurológicas, principalmente em pacientes idosos. Com frequência, os sintomas são tão brandos que a infecção não chega a ser identificada, ou é erroneamente diagnosticada como dengue.
    Segundo Barbosa, é importante observar que o chikungunya é “muito menos severo que a dengue, em termos de produzir casos graves e hospitalização”.
     
    Tem tratamento?
     
    Não há um tratamento capaz de curar a infecção, nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas. Se as dores articulares permanecerem por muito tempo e forem dolorosas demais, uma opção terapêutica é o uso de corticoides.
    De acordo com Tauil, da SBI, os serviços de saúde brasileiros já estão preparados para identificar a doença. “Provavelmente quem vai receber esses casos são reumatologistas. Já escrevemos artigos voltados para esses profissionais, orientando-os a ficar atentos a pessoas provenientes de áreas em que há transmissão”, diz o infectologista. Pessoas que apresentarem os sintomas citados e estiverem voltando de áreas onde existe a transmissão do vírus, como o Caribe, devem comunicar o médico.
    Apesar de haver poucos riscos de formas hemorrágicas da infecção por chikungunya, recomenda-se evitar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) nos primeiros dias de sintomas, antes da obtenção do diagnóstico definitivo.
     
    Como se prevenir?
     
    Sobre a prevenção, valem as mesmas regras aplicadas à dengue: ela é feita por meio do controle dos mosquitos que transmitem o vírus.
    Portanto, evitar água parada, que os insetos usam para se reproduzir, é a principal medida. Em casos específicos de surtos, o uso de inseticidas e telas protetoras nas janelas das casas também pode ser aconselhado.
     
    Fonte: Bem Estar
     
  • Epidemia de ebola já matou 1.145 pessoas, diz OMS

    Epidemia de ebola já matou 1.145 pessoas, diz OMS

    Serra Leoa, Libéria, Guiné e Nigéria registraram mortes. 
    Número de casos reportados subestime real dimensão da epidemia.
     
    A epidemia de ebola que atinge quatro países da África Ocidental já matou 1.145 pessoas, segundo balanço divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta sexta-feira (15).
     
    Nos últimos dois dias foram registradas 76 novas mortes. Segundo a agência da ONU, o número de casos suspeitos e confirmados da doença chegou a 2.127 nos quatro países afetados – Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.
     
    A OMS disse em um comunicado nesta quinta-feira (14) que “os funcionários presentes nas zonas de epidemia recolheram provas que demonstram que o número de casos reportados e o de mortos subestimam amplamente a magnitude da epidemia”.
     
    Diante desta situação, “a OMS coordena um aumento maciço da resposta internacional (diante da epidemia) com o apoio individual de diversos países, agências de controle de doenças e agências das Nações Unidas”.
     
    A OMS afirmou que os centros americanos de controle e prevenção de doenças irão equipar os países afetados com computadores para poder ter uma visão em tempo real da evolução da epidemia.
     
    “A epidemia poder durar um certo tempo. O plano operacional de reação da OMS será realizado ao longo dos próximos meses”, ressaltou a organização.
     
    Fonte: G1 Saúde