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  • Cientistas da USP desenvolvem método para acelerar diagnóstico de leucemia

    Cientistas da USP desenvolvem método para acelerar diagnóstico de leucemia

    Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram um método que usa nanopartículas para fazer um diagnóstico mais rápido da leucemia, que está ainda em fase experimental, disseram nesta quarta-feira (23) os responsáveis do estudo.

    O pesquisador Valtencir Zucolotto, do grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia da USP, disse a jornalistas que “uns dos principais obstáculos no atendimento sanitário no Brasil é o diagnóstico e que com estratégias para que seja mais rápido e mais barato muitas vidas poderiam ser salvas”.

    A leucemia é o câncer mais complicado de localizar uma vez que não se forma um tumor sólido, mas as células cancerígenas ficam em circulação. Por isso, o processo de detecção é mais longo e implica em uma série de componentes necessários nos laboratórios, que representam um alto custo.

    Segundo Zucolotto, o método desenvolvido na universidade pública poderia ser uma alternativa para um diagnóstico rápido em pacientes com sintomas da doença, “uma primeira abordagem para ver se há necessidade de fazer exames mais completos”.

    Na pesquisa, os cientistas aproveitaram a produção excessiva de açúcares, própria das células cancerígenas, e a partir daí isolaram uma proteína, a jacalina (extraída da jaca, uma fruta) que é fortemente atraída por esses açúcares.

    Durante o estudo, a proteína foi revestida em uma nanopartícula, uma bola de ouro mil vezes menor que o tamanho da célula cancerígena. Depois, a proteína foi colocada em uma amostra de sangue do paciente afetado durante três horas, enxaguada e centrifugada e, finalmente, analisada.

    Dessa forma, as células cancerígenas são “identificadas facilmente” já que passam a ter uma coloração “fluorescente”, ao contrário das células saudáveis que não são modificadas.

    Apesar de a pesquisa poder significar um grande avanço na luta contra a leucemia, o trabalho ainda está no laboratório e os pesquisadores buscam apoio para transformá-lo “em uma opção real de diagnóstico”.

    Diante dessa situação, Fernando Augusto Soares, diretor de Anatomia Patológica do A.C. Camargo Cancer Center, expressou que o estudo está em um caminho “muito promissor”, mas que “ainda parece longe da aplicação”.

    Fonte: Uol Saúde

  • Japoneses criam aparelho para detectar câncer de mama em casa

    Japoneses criam aparelho para detectar câncer de mama em casa

    Mecanismo facilitaria a detecção de tumores em fase inicial.

    Pesquisadores de universidade buscam empresa para fabricar dispositivo.

     

    Cientistas japoneses apresentaram nesta quinta-feira (24) um dispositivo para detectar o câncer de mama na casa da paciente, aparelho que pode revolucionar a detecção da doença no estágio inicial.

    O dispositivo, produzido após oito anos de pesquisas pelo laboratório de engenharia médica Newcat da Universidade Nihon, tem a forma de uma bola que cabe na palma da mão.

    O aparelho possui um mecanismo captor de diodo emissor de luz LED e um fototransistor que, ao entrar em contato com o seio, detecta um eventual acúmulo de sangue, o que pode estar relacionado a um tumor cancerígeno, explicou o professor Mineyuki Haruta.

    Este pequeno instrumento permite a detecção prematura do câncer de mama, um fator decisivo que aumenta as probabilidades de cura.

    'O aparelho está pronto, mas somos uma universidade e não temos possibilidades de fabricá-lo e vendê-lo. Estamos buscando uma empresa que possa produzi-lo e comercializá-lo', disse Haruta. 'Esperamos que as mulheres possam utilizar algum dia este aparelho, a um preço inferior a 20 mil ienes (450 reais)', completou.

    Fonte: Bem Estar

     

  • Vacina brasileira surge como promissor tratamento contra câncer de próstata

    Vacina brasileira surge como promissor tratamento contra câncer de próstata

    Uma vacina desenvolvida no Brasil e que obteve resultados bem-sucedidos em testes com humanos promete ser um tratamento mais eficaz e barato que o lançado nos Estados Unidos em 2010 e até agora considerado referência para tratar o câncer de próstata.

    “Obtivemos taxas espetaculares de redução da doença e de diminuição da mortalidade por câncer de próstata”, disse à Agência Efe o pesquisador Fernando Kreutz, responsável pela inovação e proprietário do FK Biotec, o laboratório com sede em Porto Alegre que patenteou a vacina.

    O produto estimula o sistema imunológico a identificar e destruir as células cancerígenas e a previsão do laboratório é lançar a vacina em, no máximo, três anos.

    Apesar dos testes clínicos demonstrarem a eficácia da vacina no tratamento do câncer de próstata, os responsáveis da inovação consideram que também poderá ter resultados bem-sucedidos com outros tipos da doença.

    “Já fizemos pequenos estudos com a vacina para tratar câncer de mama, de pâncreas, de intestino e melanoma. O pequeno número de pacientes ainda não nos permite ter conclusões clínicas, mas nos impressionou uma resposta clínica parcial em um paciente com câncer de pâncreas, que é um dos mais agressivos e mortais, com um índice de sobrevivência de apenas três meses”, explicou Kreutz.

    O fármaco é desenvolvido a partir das células tumorais do próprio paciente e tem o objetivo de tratar pessoas que já foram diagnosticadas com câncer para evitar a reaparição da doença ou sua morte.

    “Trata-se de uma tecnologia que prevê o tratamento particular, já que cada vacina é elaborada a partir de células do paciente. Trata-se, além disso, de uma vacina terapêutica e não preventiva. Seu objetivo é tratar as pessoas com o tumor e não prevenir o surgimento da doença”, acrescentou o pesquisador.

    Os primeiros testes foram realizados em 107 pacientes com câncer de próstata em estado avançado, ou seja, já submetidos à cirurgia ou que já tinham retirado a próstata, que passaram por revisões periódicas durante cinco anos depois da vacinação.

    Enquanto em 85% dos pacientes vacinados foi impossível detectar o PSA cinco anos depois, essa porcentagem foi de apenas 48% entre os pacientes não vacinados. O PSA é a proteína utilizada como marcador nos exames para diagnosticar câncer de próstata.

    Entre os pacientes vacinados a taxa de mortalidade se reduziu a 9%, muito abaixo dos 19% registrados entre os não vacinados.

    “Neste tipo de câncer a taxa de mortalidade média é de um em cada cinco pacientes, mas com a vacina conseguimos reduzir as possibilidades de morte para um em cada 11 pacientes”, comemorou o proprietário do KF Biotec, que é vinculada a programa da Finep (empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação).

    Os testes clínicos, que agora entrarão em sua terceira fase com outros 416 pacientes, também demonstraram que o produto é seguro.

    De acordo com Kreutz, a vacina brasileira poderá ser uma alternativa a uma mais cara e menos eficaz lançada há três anos pelo laboratório americano Dendreon, cujo valor de mercado chegou a US$ 6 bilhões graças à inovação.

    Enquanto o tratamento americano é oferecido por US$ 91 mil por paciente, o brasileiro pode ser colocado no mercado por US$ 35 mil dólares no exterior e US$ 15 mil no Brasil, segundo seu criador.

    A outra vantagem é que enquanto o tratamento americano tem como alvo um único antígeno, o brasileiro foi desenvolvido para trabalhar com múltiplos antígenos, o que aumenta sua eficácia para destruir elementos estranhos e reduz as possibilidades de resistência.

    “A importância deste projeto é que, além de oferecer um novo tratamento oncológico no mundo com base na imunoterapia, estamos introduzindo uma tecnologia inédita no Brasil”, concluiu Kreutz.

    Fonte: Uol Saúde

  • Idosos doentes são dispensados de ir a órgãos públicos

    Idosos doentes são dispensados de ir a órgãos públicos

    Brasília – A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou na manhã desta quarta-feira, 23, um projeto que acaba com a obrigação de idosos, quando estiverem doentes, de comparecer a órgãos públicos para resolver assuntos de seu interesse ou referente a alguma demanda do próprio órgão. Caso não receba nenhum pedido de apreciação em plenário, a matéria, que altera o Estatuto do Idoso, segue direto para sanção da presidente Dilma Rousseff.



    Segundo a proposta, quando o órgão público tiver interesse na presença do idoso, deve providenciar atendimento por meio de uma visita domiciliar. Quando for algo de interesse pessoal, o idoso poderá indicar um procurador legal para representá-lo.



    O idoso poderá, ainda, solicitar perícia médica do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Isso poderá se dar pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS) “para expedição de laudo de saúde necessário ao exercício de seus direitos e tributários”. A perícia poderá ser realizada em hospital ou na residência, mediante apresentação de documentação médica que comprove a internação ou a impossibilidade de locomoção.

     
    Fonte: Uol Saúde
  • Vacinados contra gripe têm menos problemas cardíacos

    Vacinados contra gripe têm menos problemas cardíacos

    A vacina de gripe pode fazer mais do que prevenir a infecção. Uma pesquisa publicada no “Journal of the American Medical Association” mostra que pessoas vacinadas tiveram menos risco de sofrer problemas cardíacos no ano seguinte à imunização do que quem recebeu uma injeção com placebo.

    A relação valeu especialmente para quem tinha tido problemas cardíacos recentemente.

    “Se ainda há pessoas que por qualquer motivo não tomam a vacina ou acham que não precisam, essa é mais uma demonstração de por que ela ajuda”, afirmou Jacob Udell, líder do estudo, da Universidade de Toronto.

    Estudos anteriores mostram que pessoas que ficam gripadas têm maior risco de sofrer derrame, falência cardíaca e doenças cardíacas.

    A infecção pode causar inflamação pelo corpo todo e piorar problemas cardíacos preexistentes.

    O novo estudo analisou trabalhos anteriores com 6.735 participantes, a maioria na faixa dos 60 anos e um terço com histórico de doenças cardíacas.

    No total, 3% dos que receberam a vacina tiveram infarto ou derrame no período de um ano. Entre os não vacinados, 5% tiveram problemas.

    Entre as pessoas que haviam tido problemas cardíacos recentemente, a diferença foi maior.

    Cerca de 10% dos vacinados cardíacos tiveram problemas após a vacina, enquanto que 23% dos não vacinados sofreram eventos cardiovasculares.

    Fonte: Reuters

  • Gordura saturada não é a vilã para o coração, diz artigo

    Gordura saturada não é a vilã para o coração, diz artigo

    As gorduras saturadas da manteiga, do queijo e da carne vermelha não são tão prejudiciais para o coração como se pensava até agora, de acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira na revista “British Medical Journal” por Aseem Malhotra, um dos cardiologistas mais prestigiados do Reino Unido e especialista do hospital universitário de Croydon, em Londres.

    Em seu artigo, Malhotra afirma que o consumo de produtos com pouca gordura “paradoxalmente” aumentou o risco de ter doenças cardiovasculares.

    Segundo o especialista, as pessoas consomem todo tipo de produtos desnatados pensando que são melhores para a saúde e que ajudarão a perder peso, mas que, na realidade, muitos deles contêm grandes quantidades de açúcar adicionado.

    A explicação é que a indústria alimentícia substitui as gorduras eliminadas nos alimentos por açúcares e adoçantes, já que a comida livre de gordura não é tão saborosa, acrescentou Malhotra.

    No entanto, afirma o especialista, é necessário diferenciar as chamadas “gorduras trans” (encontradas em fast food, produtos de confeitaria e margarina), que são prejudiciais, e as gorduras do leite, do queijo e da carne, que não são ruins para a saúde.

    O especialista criticou a “obsessão” médica com os níveis de colesterol, que levou milhões de pessoas a tomarem remédios para reduzir a quantidade de gorduras prejudiciais no sangue.

    Para isso, o cardiologista recomenda que as pessoas com risco de sofrer doenças cardiovasculares façam uma dieta mediterrânea rica em peixes oleosos, azeite de oliva, verduras e frutos secos.

    “É hora de romper o mito do papel das gorduras saturadas nas doenças do coração” que esteve presente na indicação dietética e nas recomendações nutricionais durante quase quatro décadas, afirmou Malhotra.

    A teoria foi respaldada por outros especialistas como David Haslam, Chefe do Fórum Nacional sobre a Obesidade, que afirmou que a evidência científica está demonstrando atualmente que os carboidratos refinados e o açúcar são na realidade os culpados pelo aumento da gordura no sangue.

    Timothy Noakes, professor de ciências do esporte e da atividade física na Universidade da Cidade do Cabo, acrescentou que “o pior erro médico de nossa época foi considerar a alta concentração de colesterol no sangue como a causa exclusiva da doença cardíaca coronária”.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Resistência a remédios ameaça progresso global contra a tuberculose

    Resistência a remédios ameaça progresso global contra a tuberculose

    Os casos de tuberculose e as mortes pela doença diminuíram desde 2012, mas avanços no controle da infecção pulmonar estão sob ameaça pela crescente resistência aos medicamentos.

    Em seu relatório anual sobre a tuberculose, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que o mundo se encaminha para cumprir a meta da ONU de reverter a incidência a tuberculose até 2015 e reduzir sua mortalidade pela metade em relação a 1990.

    No entanto, 3 milhões de tuberculosos estão fora dos sistemas de saúde, e cepas bacterianas super-resistentes estão ameaçando o progresso.

    “Um número muito grande de pessoas está ainda deixando de ser atendido, e sofrendo como resultado disso”, afirmou Mario Raviglione, diretor do Programa Global de Tuberculose da OMS. “Elas não são diagnosticadas, ou não são tratadas, ou as informações sobre a qualidade do atendimento que elas recebem é desconhecida.”

    A tuberculose costuma ser vista como uma doença do passado, mas o surgimento na última década de cepas intratáveis com as drogas existentes fez desse um dos mais prementes problemas de saúde do mundo.

    De todas as doenças infecciosas, só a Aids mata mais que a tuberculose.

    Em 2012, estimadas 8,6 milhões de pessoas desenvolveram tuberculose, e 1,3 milhão morreram por causa da doença, incluindo 320 mil mortes entre pessoas portadoras do vírus da Aids, segundo o relatório de quarta-feira da OMS. Em 2011, havia 8,7 milhões de casos, e ocorreram 1,4 milhão de mortes.

    Raviglione disse que a insuficiência de recursos está no centro de todos os obstáculos para novos avanços no combate à tuberculose. A OMS diz que seriam necessários 7 a 8 bilhões de dólares por ano para uma reação completa à epidemia global de tuberculose até 2015, e que há uma escassez orçamentária de cerca de 2 bilhões de dólares.

    De acordo com o relatório, muitos programas são incapazes de atender grupos de difícil acesso –como sem-teto, miseráveis e indivíduos marginalizados–, por causa da existência de elos fracos naquilo que os especialistas chamam de “cadeia da tuberculose”, associando o diagnóstico adequado a um tratado de qualidade.

    A OMS estima que 75 por cento dos 3 milhões de casos desassistidos da tuberculose se concentrem em apenas 12 países, entre os quais África do Sul, Bangladesh, Índia e Paquistão.

    Segundo cálculos citados no relatório, 450 mil pessoas contraíram o bacilo resistente a múltiplas drogas em 2012. Esse problema foi detectado em 27 países, principalmente China, Índia e Rússia.

    Fonte: Uol Saúde

  • Lei que institui o programa Mais Médicos é publicada

    Lei que institui o programa Mais Médicos é publicada

    A partir da publicação, governo poderá fazer registro de estrangeiros.

    Sanção de Dilma ocorreu em evento no Planalto na terça-feira (22).

     

    A lei que cria o programa Mais Médicos, do governo federal, foi publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (23). Com a publicação, o Ministério da Saúde poderá emitir registros provisórios para profissionais estrangeiros que ainda não obtiveram o documento.

    A sanção da lei pela presidente Dilma Rousseff ocorreu nesta terça-feira (22), em cerimônia no Palácio do Planalto. O Mais Médicos tem o objetivo de levar profissionais brasileiros e estrangeiros para atender a população em áreas carentes das periferias de grandes cidades e no interior do país. O texto foi aprovado por Câmara e Senado no início do mês.

    A possibilidade de o ministério conceder os registros foi incluída no texto porque médicos estrangeiros contratados pelo programa estavam com dificuldades para conseguir os registros nos conselhos regionais de medicina. De acordo com o governo, em alguns casos os conselhos estavam exigindo dos profissionais estrangeiros documentos para obter o registro além daqueles exigidos pela MP.



    Ainda segundo o Ministério da Saúde, atualmente 196 médicos estrangeiros contratados pelo Mais Médicos estão no país sem poder atuar por falta do registro.

    De acordo com o ministro, Alexandre Padilha, já houve 360 mil consultas no primeiro mês do Mais Médicos.

    “Nós já tivemos 360 mil consultas médicas no primeiro mês do programa Mais Médicos. Por isso que nós queremos a atuação plena desses médicos, que estão preparados para fazer as ações de prevenção, orientação, mas de atender problemas de saúde da nossa população”, disse o ministro na sexta feira passada.

    Fonte: Bem Estar

     

  • Cientistas fazem crescer cabelo humano em ratos

    Cientistas fazem crescer cabelo humano em ratos

    Cientistas britânicos e americanos anunciaram o desenvolvimento de cabelo humano em laboratório, o que pode deixar homens e mulheres mais próximos do fim da calvície.

    Pesquisadores da Universidade de Durham, na Grã-Bretanha, e do Centro Médico da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos, desenvolveram o cabelo a partir de vários tipos de tecido capilar.

    O estudo publicado no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” não é conclusivo e demanda ainda mais pesquisa, segundo os acadêmicos.

    Medicamentos que inibem a queda e transplantes já estão disponíveis no mercado. A novidade da pesquisa é justamente o desenvolvimento do cabelo em laboratório.

    TÉCNICA

    Para a pesquisa, a equipe usou tecido da base do cabelo. Apesar do êxito em testes com animais, o experimento com os humanos não funcionou inicialmente.

    Toda vez que o tecido foi retirado da chamada papila dérmica (células que formam a base do folículo capilar), as células acabaram se transformando em pele ao invés de novos cabelos.

    O grupo então decidiu reunir as células em um esferóide 3D. Nesse caso, as células mantiveram sua “identidade capilar”.

    O tecido de sete pessoas foi usado junto a esferóides 3D. Eles foram então transplantados em tecido humano, enxertados nas costas de ratos.

    Após seis semanas, novos folículos capilares se formaram em cinco dos sete experimentos e novos pelos começaram a crescer.

    CAUTELA

    Para o professor Colin Jahoda, da Universidade de Durham, a pesquisa abre caminho para o fim da calvície, mas ainda é muito cedo para os calvos voltarem a sonhar com os cabelos.

    “Está mais perto, mas ainda há muito caminho pela frente, já que o que as pessoas querem cosmeticamente é o crescimento do cabelo no mesmo formato, no mesmo tamanho, tão grande quanto antes. Isso quase requer soluções de engenharia”, disse.

    Jahora disse que a calvície será tratável, mas prefere a cautela.

    “É dificil dizer exatamente quanto tempo isso vai levar, mas o fato de que já conseguimos isso só deve reavivar o interesse”, disse.

    Como um eventual tratamento deve incluir o transplante de células desenvolvidas em laboratório, a segurança é uma preocupação. Há o risco de infecção e do crescimento anormal das células, inclusive o risco de câncer.

    A primeira aplicação prática do estudo, no entanto, pode se dar no enxerto de pele em caso de queimadura, segundo Jahora.

    Para a professora Angela Christiano, da Universidade de Columbia, a pesquisa “tem o potencial de transformar o tratamento médico para a queda de cabelo”.

    Fonte: BBC Brasil

  • Veja testes que já não exigem cobaias e aqueles em que são necessárias

    Veja testes que já não exigem cobaias e aqueles em que são necessárias

    Cientistas dizem que fim de testes com bichos é projeto de longo prazo.

    Brasil tem projeto para produzir pele a ser usada em pesquisas.

     

    A invasão, na última semana, do Instituto Royal, em São Roque (SP), por ativistas que levaram do local cães e coelhos usados em testes levantou a polêmica sobre a necessidade do uso de bichos em experimentos.

    A ciência tem se esforçado para reduzir e, na medida do possível, eliminar o uso de animais em pesquisas biomédicas, em testes de segurança de produtos e no ensino e treinamento de estudantes.

    A maioria das instituições de pesquisa busca seguir, ao utilizar as cobaias, uma linha de princípios conhecida como “3R” – sigla que se refere aos termos em inglês replacementreductionrefinement – ou “substituição, redução e refinamento”, em português.

    Enquanto ativistas que lutam pelos direitos dos bichos pedem o banimento do uso de cobaias alegando existirem alternativas eficazes para substituí-las, cientistas ouvidos pelo  G1 afirmam que a substituição total dos testes em animais ainda está longe de se tornar realidade.

    G1 recorreu a especialistas e a instituições cujos trabalhos estão voltados para as questões éticas envolvendo os testes com animais para traçar um panorama de quais são os testes que, atualmente, já podem ser feitos sem animais, e quais ainda dependem das cobaias para a obtenção de resultados seguros.



    Olhos e pele

    Testes que buscam identificar a ação de medicamentos ou produtos cosméticos na pele ou nos olhos já possuem métodos validados que substituem o uso de animais.



    Para avaliar a irritação cutânea e a corrosividade de determinada substância em contato com a pele, não são mais necessários testes que expõem coelhos ou outras cobaias ao produto. Esses estudos podem ser feitos em pele humana reconstituída, ou seja, tecidos produzidos em laboratório por meio de cultura de células. 



    De acordo com o pesquisador Octavio Presgrave, coordenador do Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam), a aplicação desse método ainda apresenta um obstáculo no Brasil: o material utilizado na produção da pele reconstituída é importado e tem validade de apenas uma semana.

    Segundo Presgrave, o país já trabalha no desenvolvimento de um modelo brasileiro de pele reconstituída. Foi o primeiro projeto voltado exclusivamente para a substituição do uso de testes animais a receber apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).



    Testes de permeação cutânea, que avaliam a capacidade de determinado produto penetrar na pele, também podem funcionar com um sistema in vitro, ou seja, que envolve apenas a análise de células em laboratório e não o animal vivo.



    Experimentos de irritação dos olhos apresentam alternativas que substituem parcialmente o uso de animais. Em vez de submeter o animal vivo ao depósito de grandes quantidades da substância em seus olhos, é possível utilizar olhos de bois ou de galinhas que já foram abatidos para a alimentação.

    Temperatura

    De acordo com a organização britânica “Fundo para a Substituição de Animais em Experimentos” (Frame, na sigla em inglês), outro teste alternativo disponível é o que avalia se determinado produto é capaz de provocar o aumento da temperatura corporal. Se antes a única possibilidade era o uso de coelhos, hoje existe uma tecnologia para realizar esse experimento no sangue de voluntários humanos.



    Ainda segundo a Frame, testes de fototoxicidade, que verificam se o produto torna-se prejudicial quando a pele é exposta ao sol, também podem ser feitos sem o uso de cobaias vivas. Nesse caso, uma cultura de células de camundongos é exposta ao produto e à luz ultravioleta.

    Testes virtuais

    Modelos computacionais também podem substituir animais em testes para verificar a toxicidade de uma substância ou de que maneira ela será metabolizada pelo organismo. Isso pode ser feito pela análise de moléculas por programas de computador que permitem compará-las com dados referentes a outras moléculas. “São modelos de predição muito úteis quando se começa a pesquisa. Daí, parte-se para os métodos in vitro e, quando se usa o animal, ele não tem grande risco de ser exposto a substâncias muito tóxicas”, diz Presgrave.



    Alternativas ainda mais ambiciosas, como a simulação do funcionamento de um órgão completo, estão em desenvolvimento pelo “Instituto Wyss de Engenharia Inspirada pela Biologia”, ligado à Universidade de Harvard. O instituto desenvolve microchips capazes de simular a reação dos órgãos humanos a determinados produtos ou microorganismos. Segundo Presgrave, porém, a alternativa ainda não está disponível no país.



    Ensino

    O médico veterinário Marcelo Winstein Teixeira, membro da Comissão de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), observa que uma das áreas em que a substituição do animal tem ocorrido com sucesso no Brasil é a do ensino. Se antigamente universidades recorriam com mais frequência ao sacrifício de animais para a observação e prática de técnicas, hoje existem alternativas como vídeos, simuladores e ferramentas de realidade virtual disponíveis para os estudantes.



    Animais ainda são indispensáveis

    Enquanto a adesão a essas alternativas citadas é capaz de substituir o uso de animais em determinadas situações, os bichos ainda são imprescindíveis para demonstrar os efeitos do produto no organismo vivo como um todo, de acordo com os pesquisadores.



    A médica veterinária Denise Fantoni, presidente do Comitê de Ética em Experimentação da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, exemplifica: “Imagine que se está testando um fármaco para pressão arterial. Como o pesquisador vai avaliar esse efeito em um tecido, em uma célula? É preciso ter o organismo todo para saber se aquilo vai ser tóxico para outros órgãos”.

    Organismos inteiros

    Segundo a pesquisadora Ekaterina Akimovna Botovchenco Rivera, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório (SBCAL), métodos alternativos ainda não são capazes de simular a interação de todos os sistemas de um organismo vivo. Determinado fármaco que tem como alvo o fígado, por exemplo, pode trazer efeitos colaterais nos rins ou nos pulmões. 



    “Essas alternativas ao uso de animais são ferramentas que nos ajudam nas primeiras etapas da pesquisa. Mas chega um momento em que é preciso ter o organismo vivo”, diz Ekaterina.



    Mesmo na indústria cosmética, que é alvo frequente de campanhas internacionais que demandam o fim da experimentação em animais, ainda há testes que não podem ser feitos sem cobaias.

    Reprodução

    De acordo com o biólogo Frank Alarcón, representante no Brasil da organização Cruelty-Free International, que apoia o banimento total dos testes animais em cosméticos, ainda não existem instrumentos para avaliar o efeito de determinado produto na reprodução humana sem o uso de animais, por exemplo. “Reproduzir um sistema complexo como o gestacional ainda é um desafio, mas também é um desafio descobrir se o sistema gestacional de um camundongo equivale ao do ser humano”, diz.



    Em março deste ano, a União Europeia anunciou o banimento total da comercialização de produtos cosméticos testados em animais. “Alguns testes não podem ser feitos sem animais. Ainda assim, a União Europeia entende que somente através da proibição total, empurra-se a comunidade cientifica a desenvolver métodos alternativos”, completa Alarcon.

    Segundo Presgrave, a eliminação total do uso de animais em pesquisa é o objetivo final de órgãos como o Bracvam. Porém, o projeto pode levar ainda muitos anos para ser concretizado, já que todas as alternativas devem ser validadas cientificamente.

    Fonte: G1 Saúde