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  • Senado libera uso da fosfoetanolamina

    Senado libera uso da fosfoetanolamina

    Em menos de um minuto e sem qualquer discussão, o plenário do Senado aprovou ontem o projeto de lei que libera o uso de fosfoetanolamina para pacientes diagnosticados com tumores malignos. Assim como na Câmara, o texto passou em votação simbólica entre os senadores, quando não há registro nominal de votos, e seguirá para a sanção da presidente Dilma Rousseff.
    A liberação da substância acontece um dia depois de o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ter divulgado os resultados dos primeiros testes, mostrando que a pílula do câncer não contém fosfoetanolamina pura, como dizem seus criadores, e não mostrou eficácia contra células cancerígenas em testes in vitro.
    Pelo texto votado, fica autorizado legalmente o uso da substância para pacientes que apresentem um laudo médico comprovando o diagnóstico da doença e assinem um termo de consentimento. O projeto diz que o uso voluntário da fosfoetanolamina não exclui o direito de acesso a outros tratamentos contra o câncer. Atualmente, o uso da substância é proibido e o remédio não é reconhecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Também não estão claros os efeitos da fosfoetanolamina nos pacientes.
    A proposta aprovada permite a produção, importação, distribuição e prescrição “independentemente de registro sanitário, em caráter excepcional, enquanto estiverem em curso estudos clínicos” da substância. Somente agentes autorizados pelo governo poderão produzir e distribuir a pílula.
    Mais cedo, o senador Ivo Cassol (PP-RO) apresentou um requerimento de urgência da proposta, o que aceleraria a sua apreciação pelo plenário. Um dos principais defensores da substância, Cassol disse que o pedido contava com o apoio de 80% dos líderes partidários – e ele foi aprovado em plenário.
    O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defendeu a apreciação urgente do projeto pela necessidade de pacientes com câncer terem acesso ao componente químico. Na votação do mérito, ninguém se pronunciou – o Senado conta com dois ex-ministros da Justiça, o petista Humberto Costa (PE) e o tucano José Serra (SP).
    Reações
    O Conselho Federal de Medicina, a Associação Médica Brasileira e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica posicionaram-se contra a aprovação do projeto de lei, por ser “um risco à saúde pública”. As três entidades afirmaram, em nota, que a decisão dos parlamentares “faz o Brasil regredir décadas em sua escalada civilizatória”, pois eles “desprezaram a necessidade de realizar pesquisas clínicas” antes de liberar o medicamento. “É fácil entender que os pacientes com câncer e seus familiares percam as esperanças e passem a procurar soluções mágicas. Não podemos, porém, aceitar que as instituições também se curvem ao desespero e à irracionalidade”, escreveram.
    O Ministério da Saúde não se manifestou. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou ver “com preocupação” a aprovação do projeto, já que a fosfoetanolamina não passou “pelos testes que garantem sua segurança e eficácia”. Destacou que não há projeto protocolado para ensaios clínicos ou solicitação de registro da substância. Segundo a Anvisa, “liberar medicamentos que não passaram pelo crivo técnico seria colocar em risco a saúde da população e retirar a credibilidade da Anvisa e dos medicamentos fabricados no País”.
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Farmacêuticos atendem mais de 500 pessoas durante ação contra Aedes aegypti

    Farmacêuticos atendem mais de 500 pessoas durante ação contra Aedes aegypti

    Mais de 500 atendimentos, esse foi o resultado da ação realizada pelo Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) no último sábado, 19, no Maceió Shopping.  O presidente do Conselho em Alagoas, Alexandre Correia explicou a população ainda tem dúvidas sobre como combater o transmissor e evitar contrair as doenças. “As pessoas nos procuravam para diferenciar os sintomas da dengue, zika e chincunguya, bem como saber quem são os transmissores”, pontuou.
     
    De acordo com ele essa ação dos farmacêuticos é mais uma força tarefa no combate essa doença que tem crescido diariamente. “Esse é um trabalho que não para por aqui, os farmacêuticos de Alagoas estão envolvidos com essa causa e disponíveis para prestar atendimento tanto nas farmácias como no Conselho Regional”, confirmou.  Além das explicações, a população recebeu folder informativo com as explicações e sintomas da doença.
     
    Maria José apoiou a iniciativa do Conselho. “É muito bom ter esse atendimento aqui porque a gente pode tirar as nossas dúvidas com profissionais capacitados”, apontou. Ela elogiou que o local escolhido para essa divulgação, dizendo que é central e de fácil acesso para todos. “Entre as compras, a gente pode parar e aprender um pouco mais sobre essas doenças que tem atingido a toda população”, argumentou.
     
    Intitulada Farmacêuticos em ação: todos contra o Aedes aegypti, a campanha teve como objetivo transformar cada farmacêutico em um agente de combate ao mosquito e cada farmácia em um ponto avançado de ação contra as três doenças transmitidas pelo vetor e que são, hoje, um problema de saúde pública.
     
    Essa foi uma iniciativa do Conselho Federal de Farmácia que ganhou a participação dos conselhos regionais de Farmácia, da Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária (SBFC), da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) e da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh). Ela aconteceu simultaneamente em todo o país.
         
    ASCOM-CRF
  • Em cumprimento a ação judicial, Anvisa permite prescrição e importação de produtos com Canabidiol e THC

    Em cumprimento a ação judicial, Anvisa permite prescrição e importação de produtos com Canabidiol e THC

    Em cumprimento à decisão judicial proferida nos autos da Ação Civil Pública nº 0090670-16.2014.4.01.3400, proposta pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal e deferida pelo juiz Marcelo Rebello Pinheiro, da 16ª Vara/DF, a Anvisa publicou, nesta segunda-feira, a RDC 66/2016, que permite a prescrição médica e a importação, por pessoa física, de produtos que contenham as substâncias Canabidiol e Tetrahidrocannabinol (THC) em sua formulação, exclusivamente para uso próprio e para tratamento de saúde. Diante dos problemas que a decisão possa acarretar, uma vez que tanto o Canabidiol quanto o THC não possuem registros no Brasil e, portanto, não têm sua segurança e eficácia comprovadas, a Anvisa está adotando as medidas judiciais cabíveis para derrubar a ação.
     
    A Anvisa esclarece que muitos dos produtos à base de Canabidiol e THC não são registrados como medicamentos em seus países de origem, não tendo sido, portanto, avaliados por qualquer autoridade sanitária competente. Assim sendo, não é possível garantir a dosagem adequada e a ausência de contaminantes e tampouco prever os possíveis efeitos adversos, o que implica em riscos imprevisíveis para a saúde dos pacientes que os utilizarão, inclusive com reações adversas inesperadas.
     
    Atendendo à decisão judicial, a RDC altera o art. 61 e inclui adendos nas Listas “E” e “F2” do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/98, bem como altera o art. 3º e  revoga os artigos 5º e 6º da RDC 17/2015, passando a permitir a prescrição médica e a importação, por pessoa física, de produtos que contenham as substâncias Canabidiol e THC em sua formulação, exclusivamente para uso próprio e para tratamento de saúde.
     
    Para a importação desses produtos, é necessário atender a todas as determinações da RDC 17/2015. O paciente ou o seu responsável legal deverá solicitar à Anvisa, em formulário próprio, uma Autorização Excepcional para a importação e utilização do produto, apresentando prescrição médica, laudo médico e declaração de responsabilidade e esclarecimento assinada pelo médico e paciente/responsável legal. Os produtos a serem importados devem ser regularizados em seus países de origem, assim como o estabelecimento fabricante.
     
    A nova RDC também traz a previsão de utilização de possíveis medicamentos que venham a ser registrados pela Anvisa à base de THC, conforme legislação a ser publicada previamente à concessão de eventuais registros.
     
    A Anvisa ressalta que quaisquer outras ações, sem previsões legais e regulamentares, com relação às substâncias canabinóides e à planta Cannabis continuam proibidas no país e estão sujeitas a todas as penalidades previstas em legislação.
     
    Fonte: Anvisa
  • “Pílula do câncer” não age contra doença, apontam testes

    “Pílula do câncer” não age contra doença, apontam testes

    SÃO PAULO – Os primeiros testes com a substância fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”, realizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mostraram que a substância não é pura, como afirmavam seus criadores, e que ela não apresenta eficácia contra células cancerígenas em testes in vitro. 
     
    Os cinco primeiros relatórios foram divulgados pelo ministério na sexta-feira da semana passada, “com o objetivo de dar transparência aos estudos financiados pelo MCTI para esclarecer a segurança e eficácia da fosfoetanolamina”, segundo descrito no site oficial.
     
    “A informação era de que a fosfoetanolamina era pura, mas há cinco componentes na cápsula. Os resultados preliminares mostram que a fosfoetanolamina não tem atividade contra o câncer”, diz Luiz Carlos Dias, professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que atuou na pesquisa do MCTI na etapa de caracterização e síntese dos componentes da cápsula.
     
    Em novembro, o governo havia anunciado o investimento de R$ 10 milhões para a pesquisa. A substância, criada pelo professor aposentado Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, é distribuída há mais de 20 anos e não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada como medicamento.
     
    Segundo Dias, a quantidade de fosfoetanolamina por cápsula é de 32,2% e que outra substância presente na fórmula, chamada monoetanolamina, apresentou capacidade de reduzir a proliferação de células cancerígenas. “Um dos componentes tem uma pequena atividade, mas é muito marginal, menor do que a apresentada por tratamentos convencionais.”
     
    O ministério informou que os resultados são preliminares e que “não existe ainda um laudo conclusivo sobre a substância”.
     
    Testes
     
    Luiz Carlos Dias explica que ainda serão feitos testes in vivo, que devem incluir animais de pequeno porte, cujos resultados devem sair em um mês.  Outro ponto preocupante, segundo o pesquisador, foi o fato de as cápsulas não terem a mesma quantidade de substância. Em 16 amostras pesadas, a quantidade variava de 233 miligramas a 368 miligramas. O rótulo indicava que deveria haver 500 mg por cápsula. “Cada uma tinha uma quantidade. Isso indica um processo artesanal.” 
     
    A reportagem do Estado contatou os responsáveis pela elaboração da fórmula por e-mail, mas não obteve resposta até as 21 horas de desta segunda-feira.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Dengue e chikungunya são ameaças ao feto

    Dengue e chikungunya são ameaças ao feto

    Não é apenas o vírus da zika que pode causar problemas aos bebês. Estudos feitos em vários países, inclusive no Brasil, têm mostrado que a dengue e a chikungunya também trazem riscos aos fetos e aos recém-nascidos. A preocupação aumenta porque, pela primeira vez na história, o país convive com epidemias causadas pelos três vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.
     
    Uma gestante que contrai dengue na gravidez, por exemplo, tem 3,5 vezes mais chances de sofrer um aborto e quase duas vezes (1,7) mais risco de o bebê nascer prematuro. Os dados são de uma revisão sistemática recém-publicada na revista científica “Lancet”. O trabalho analisou 16 estudos (dos quais dois são brasileiros), que incluíram 6.071 gestantes de dez países— dessas, 292 tiveram dengue na gravidez.
     
    Em relação ao vírus da chikungunya, a Folha localizou na Medline (base de dados médicos) ao menos 18 estudos que tratam das implicações da infecção nos bebês. Seis deles se referem a relatos de casos de mães que foram infectadas pelo vírus dias antes do parto (quatro dias, em média) e que transmitiram a infecção a seus bebês. O contágio,que chega a taxas de 85%, não ocorre no útero, mas durante o parto (natural ou por cesariana).
     
    Entre os problemas apresentados pelos recém-nascidos estão dificuldade respiratória, hemorragias cerebrais, meningoencefalite (processo inflamatório que envolve o cérebro e as meninges) e paralisia cerebral. Também há relatos de mortes. No Brasil, ao menos dois casos de transmissão de mãe para filho do chikungunya foram relatados em estudo de pesquisadoresdaUFBA (Universidade Federal da Bahia). O trabalho aguarda publicação em revista científica.
     
    As mães tiveram sintomas de chikungunya doisdias antesdospartos, queocorreram em setembro e outubro de 2015 em Salvador (BA). Segundo a médica Lícia Moreira,professora de pediatria na UFBA e co-autora do estudo, os bebês (um casal) nasceram bem, mas depois evoluíram para hemorragia e dificuldade de respirar.
     
    “Um deles teve hemorragia intracraniana e digestiva, endocardite e precisou de válvula cardíaca. Ficou 37 dias na UTI. O segundo ficou 17 dias internado, 14 na UTI.” Ambos sobreviveram. A questão é que as evidências sobre o impacto dessas infecções na gestação são muito recentes e elas podem passar despercebidas.
     
    Sobre a dengue, o infectologista Esper Kallas, professor da USP, conta que recentemente atendeu uma paciente que, no terceiro trimestre de gestação, apresentou todos os sintomas de zika, como manchas vermelhas. O exame, porém, mostrou que ela tinha dengue. Após alguns dias,o bebê morreu. “Ainda não está no radar do médico se preocupar com os efeitos da dengue na gravidez. Precisamos dar mais atenção a isso”, diz Kallas.
     
    Para o infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo, o estudo do “Lancet” levanta a questão se mulheres que estão planejando engravidar deveriam ser vacinadas contra dengue. Outra preocupação, segundo ele,é com as gestantes que estão convivendo com as duas ou três viroses (dengue, zika e chikungunya) ao mesmo tempo. “Será que pode haver interação entre os vírus? Será que há alguma relação disso com as más-formações fetais?”, questiona.
     
    Chikungunya pode causar problemas neurológicos
     
    Crianças infectadas por chikungunya têm mais chances de apresentar déficit neuro cognitivo no futuro, apontam estudos feitos na ilha Reunião, localizada no meio do Oceano Índico. A ilha enfrentou surtos de chikungunya em 2004 e 2010 e foi uma das primeiras a alertar sobre a transmissão vertical (de mãe para filho).
     
    Em um desses estudos, publicado na revista científica “PLoS Neglected Tropical Diseases”,pesquisadores seguiram durante dois anos um grupo de 33 crianças infectadas pelo vírus no parto e o compararam com 135 crianças que não tiveram o contágio. Mesmo isolando variáveis, como idade gestacional ao nascer e ter sido ou não amamentadas no peito, após dois anos de seguimento,as crianças que tiveram chikungunya apresentaram três vezes mais chance de atraso no desenvolvimento neuro cognitivos, como dificuldade de coordenação e linguagem. O quadro foi pior nas que tiveram algum tipo de paralisia cerebral (16 casos).
     
    Segundo a pediatra Alicia Moreira, a ideia é acompanhar o desenvolvimento dos bebês infectados por chikungunya na Bahia. “Como não é um problema visível, como a microcefalia, as famílias tendem a não se preocupar.” Para ela, comunidade médica e científica está muito voltada para os casos de microcefalia associados ao zika mas também precisa estudar e acompanhar as gestantes e seus bebês infectados por chikungunya e dengue. “Agora que o Brasil começa a termais casuística de chikungunya é que vamos ter condições de avaliar os seus efeitos”, diz a pediatra Consuelo Silva de Oliveira, pesquisadora do Instituto Evandro Chagas, na região metropolitana de Belém (PA).
     
    TRÊS VÍRUS 
     
    Para ela, o que os estudos internacionais têm mostrado é que, com os três vírus circulando ao mesmo tempo, o país tem mais do que um desafio pela frente. “É uma tragédia mesmo. Um pode evoluir para óbito fetal, outro causa microcefalia e outro causa hemorragias.” Embora haja estudos relatando a transmissão do chikungunya nos primeiros trimestres da gestação, o maior impacto do vírus parece ser no final da gravidez.
     
    “O bebê nasce bem, mas depois de três, quatro dias, pode ter exantema manchas vermelhas, choro forte,apresentar hemorragias e com prometimento neurológico. É uma dramaticidade muito grande para recém-nascidos”, explica Consuelo.
     
    Segundo a médica, os pediatras precisam estar atentos para o risco da alta hospitalar precoce de bebês cujas mães tiveram chikungunya no final da gestação. A Sociedade Brasileira de Pediatria prepara um protocolo sobre os cuidados recomendados nesses casos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Números da zika

    Números da zika

    De partida é prudente assinalar que não se trata de arrefecer o alerta em torno da epidemia do vírus da zika no Brasil. Um estudo pioneiro sobre o laço entre a infecção e a microcefalia publicado na revista médica “Lancet”, no entanto, contribui para diminuir certo alarmismo desatado pela moléstia aqui e no exterior.
     
    Dados objetivos são bem-vindos para pôr na devida proporção temores e cautelas com doenças novas. Ganhou destaque um número que ajuda a prevenir pânico desnecessário: o risco de uma grávida infectada dar à luz criança com microcefalia é da ordem de 1%.
     
    Para comparar: a infecção de gestante por citomegalovírus envolve 13% de possibilidade de o feto desenvolver a malformação. No caso de rubéola (erradicada nas Américas), é de ao menos 38%.
     
    A cifra no artigo do “Lancet” se baseia em surto de zika ocorrido em 2013 e 2014 na Polinésia Francesa. Surgiu com a reavaliação dos registros médicos da época, que seguem padrões europeus; só se postulou o nexo entre essa arbovirose e a microcefalia durante a epidemia brasileira.
     
    Nada garante, claro, que se mantenha a mesma proporção de 1% no Brasil. Fatores ambientais ou genéticos podem bem influenciar a prevalência da malformação. De todo modo, ao menos o público passa a dispor de uma referência na qual ancorar suas expectativas.
     
    Embora pareça improvável que a taxa por aqui venha a divergir muito do que se apurou por lá, cabe ressaltar que alguns números anotados no Brasil –registrou-se suspeita de microcefalia em 2% de todos os nascimentos em Pernambuco– reforçam o imperativo de aprofundar estudos para estabelecer o padrão da doença no país.
     
    Uma consequência previsível da quantificação de risco publicada será refrear o impulso de muitas mulheres a praticar abortos ilegais, após contraírem o vírus da zika, antes de constatada microcefalia. Em paralelo, devem enfraquecer-se também as vozes em defesa de autorização judicial para interromper gravidezes nesses casos.
     
    Estima-se que haja no Brasil 2.400 casos de fetos e bebês com microcefalia causada pela zika. Não há como minimizar o drama que o número representa, mas tampouco se justifica conferir à epidemia uma dimensão que ela ainda não tem.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
     
     
  • Teste nos EUA aponta que vacina contra a dengue do Butantã contra doença é eficaz

    Teste nos EUA aponta que vacina contra a dengue do Butantã contra doença é eficaz

    Um teste feito pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) revelou que a vacina contra a dengue desenvolvida em parceria com o Instituto Butantã oferece proteção completa contra o vírus. A terceira e última fase dos ensaios clínicos da vacina começou em fevereiro e está sendo feita no Brasil pelo instituto. Os testes incluem a imunização de 17 mil voluntários humanos, que serão acompanhados ao longo de alguns anos.
     
    Em artigo científico publicado ontem na revista Science Translational Medicine, no entanto, os pesquisadores americanos apresentam os resultados de um teste clínico mais rápido e radical, ainda que realizado em pequena escala. Nesse modelo de testes, conhecido como “desafio em humanos”, os voluntários são imunizados e depois recebem uma forma amenizada do vírus para avaliar a eficácia da vacina.
     
    O estudo, feito por pesquisadores do NIH e da Universidade Johns Hopkins, também nos Estados Unidos, teve a participação de 41 voluntários que nunca tiveram dengue. A vacina foi aplicada em 21 voluntários e outros 20 receberam placebo. Seis meses depois, todos eles foram infectados com uma variante atenuada do sorotipo 2 do vírus – aquele cuja prevenção por vacinas é considerada a mais difícil entre os quatro sorotipos. Os voluntários que receberam placebo tiveram sintomas moderados da doença. Entre os que receberam a vacina, 100% ficaram completamente protegidos da infecção e não apresentaram qualquer sintoma.
     
    Segundo o diretor do Butantã, Jorge Kalil, o teste é bem-vindo e corrobora os resultados obtidos na fase 2 dos testes clínicos, feita pelo instituto. “É um estudo interessante e importante porque dificilmente as autoridades sanitárias brasileiras permitiriam que fizéssemos um teste do tipo desafio, usando o vírus vivo”, disse Kalil ao Estado.
     
    “O teste de desafio em humanos mostrou que todo mundo ficou protegido. Já conhecíamos esses resultados e eles nos deixaram muito animados.” De acordo com Stephen Whitehead, do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas do NIH e um dos autores do artigo, os dados obtidos no novo estudo já haviam sido considerados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando o órgão aprovou a realização da terceira fase dos testes clínicos. “Esses resultados subsidiaram a recente decisão das autoridades brasileiras para que o Instituto Butantã levasse adiante a terceira fase dos testes clínicos”, disse Whitehead.
     
    Zika
     
    A autora principal do estudo, Anna Durbin, da Universidade Johns Hopkins, afirma que o vírus amenizado,produzido pelos americanos, é capaz de infectar uma alta porcentagem dos voluntários sem causar sintomas mais graves da doença.
     
    Em geral, os pacientes apresentam apenas manchas na pele, mas não chegam a ter febre. “Ficamos agradavelmente surpresos ao verificar que essa vacina fornece proteção completa às pessoas imunizadas”, disse Anna. Segundo ela, com o sucesso do experimento, o grupo espera desenvolver o modelo de desafio em humanos para outros vírus, incluindo o zika. “Acreditamos que um teste-desafio em humanos pode ser desenvolvido para zika. Ele seria uma ferramenta para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra essa doença.”
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Farmacêuticos orientam população sobre doenças do Aedes aegypti neste sábado

    Farmacêuticos orientam população sobre doenças do Aedes aegypti neste sábado

    Neste sábado, 19 o Conselho Regional de Farmácia realiza uma ação de orientação a população maceioense sobre dengue, a chikungunya e a zika. Intitulada 'Farmacêuticos em ação: todos contra o Aedes aegypti', a campanha tem como objetivo transformar cada farmacêutico em um agente de combate ao mosquito e cada farmácia em um ponto avançado de ação contra as três doenças transmitidas pelo vetor e que são, hoje, um problema de saúde pública.
     
    Alexandre Correia, presidente do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas explica que os farmacêuticos irão oferecer a orientação correta aos pacientes sobre a prevenção e controle dessas doenças. “Estaremos com um stand no Maceió Shopping prestando esclarecimento sobre as doenças, bem como identificando pessoas com sinais e sintomas sugestivos, encaminhando casos suspeitos, prescrevendo terapias adequadas e quando pertinente acompanhando pacientes em tratamento”, pontuou.
     
    De acordo com o presidente, os farmacêuticos são os profissionais da saúde mais próximos e acessíveis à população. E historicamente, eles sempre desempenharam papel fundamental em grandes epidemias, como por exemplo, quando a gripe espanhola desembarcou no Brasil, em 1918. “Naquela época, a participação dos farmacêuticos  foi imprescindível não só do atendimento às vítimas e na pesquisa de alternativas de tratamento, como na definição de políticas públicas para o controle da doença”, argumentou.
     
    Alexandre disse ainda que no dia serão entregues um folder e um guia de bolso, com informações para a população sobre as doenças relacionadas ao Aedes aegypti. “. Não podemos nos furtar ao papel fundamental do farmacêutico na prevenção das doenças e na promoção da saúde. Participar dessa luta também é nossa obrigação como cidadãos”, concluiu.
     
    Essa é uma iniciativa do Conselho Federal de Farmácia que ganhou a participação dos conselhos regionais de Farmácia, da Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária (SBFC), da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) e da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh). Ela acontece simultaneamente em todo o país.
     
    Serviço
     
    O que: Orientação a população sobre doenças do Aedes aegypti
     
    Local: Maceió Shopping
     
     
    ASCOM-CRF
     
     
  • Abertas inscrições para curso sobre Gestão Pública em Saúde

    Abertas inscrições para curso sobre Gestão Pública em Saúde

    A Universidade Federal do Maranhão, integrante da Rede UNA-SUS (UNASUS/UFMA) abriu, na terça-feira (8), inscrições para o curso Processo de Trabalho na Gestão do SUS e a Importância do Planejamento em Saúde. Esse é o primeiro de cinco cursos que serão oferecidos na temática Gestão Pública em Saúde.
     
    As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site: http://www.unasus.ufma.br/gestao_publica/.
     
    O curso é autoinstrucional e possui carga horária de 45h. O objetivo é contextualizar os alunos participantes sobre os aspectos sócio-históricos do SUS, que determinaram a elaboração dos instrumentos de gestão que são de responsabilidade indelegável do gestor em seu processo de trabalho, destacando a importância do planejamento desses instrumentos. O público alvo são profissionais atuantes no SUS, prioritariamente os vinculados à Gestão Pública em Saúde, nos âmbitos federal, estadual e municipal, assim como acadêmicos em geral.
     
    Para tornar a aprendizagem mais dinâmica e intuitiva, o curso utiliza recursos multimídia em aplicativos, como vídeos, ilustrações e jogos. Pela plataforma, o aluno recebe feedback e comentários que reforçam respostas corretas, além de provocar a revisão e reflexão frente a erros cometidos pelo estudante, retomando os conteúdos não fixados.
     
    Fonte: UNA-SUS/UFMA
  • Risco de microcefalia causada pelo vírus da zika é de 1%, diz estudo

    Risco de microcefalia causada pelo vírus da zika é de 1%, diz estudo

    Qual é a chance de uma mulher grávida que foi infectada pelo vírus da zika ter um bebê com microcefalia? A resposta começou a ganhar contornos reais com a publicação de um estudo na noite desta terça (15) na revista médica inglesa “Lancet”.
     
    Pesquisadores investigaram o surto que aconteceu na Polinésia Francesa entre outubro de 2013 e abril de 2014, no qual 66% da população teve a infecção.Pelas contas dos pesquisadores, 95 a cada 10 mil mulheres infectadas no primeiro trimestre da gestação teriam um bebê com microcefalia —arredondando, o número fica na casa de 1%.
     
    Outras más-formações associadas ao vírus, como calcificaçõese degeneraçãoocular, não foram consideradas. Dos oito casos de microcefalia encontrados, cinco terminaram com abortos (na França e em seus territórios a prática é permitida no caso de doenças incuráveis). O perímetro cefálico, critério diagnóstico para a má-formação, foi avaliado durante um ultrassom no segundo trimestre.
     
    No final de 2015, quando houve grande aumento de casos de bebês microcefálicos no Brasil, a França disse desconhecer a relação do fenômeno com o vírus da zika, mesmo tendo havido um surto na Polinésia. O motivo: os abortos afastaram a relação para longe do radar. Após fazer uma busca mais cuidadosa, foi possível concluir que o risco de 1% de microcefaliano caso de uma infecção de uma grávida pelo vírus da zika.
     
    Para chegar à conclusão — feita a partir de um modelo matemático—, os cientistas tiveram de fazer algumas assunções,como: 1) todos os casos de microcefalias foram identificados; 2) o número de infecções pelo vírus é proporcional aos casos suspeitos no mesmo período e 3) a proporção de mulheres férteis infectadas é similar à de crianças soropositivas.
     
    Um dos motivos de os cientistas acreditarem na conta é a população pequena, na casa dos 270 mil habitantes espalhadas por arquipélagos e ilhas. Outro é que a Polinésia Francesa possui estatísticas e protocolos de saúde pública semelhantes ao da França —ou seja, confiáveis.
     
    Para o Brasil, o modelo não poderá ser aplicado diretamente.Uma das peculiaridades de cada local é a variável “taxa de ataque” (razão entre infectados e população exposta ao vírus).
     
    Nas contas oficiais esse número ficou em 66% na Polinésia e em 72% na ilha de Yap, na micronésia. No Brasil, ele já foi estimado em 10%, mas sabidamente o número pode variar em locais e circunstâncias distintos. “Pelo fato de ele ainda estar em curso, ainda há muitas incertezas no surto brasileiro, por exemplo a respeito do número exato de microcefalias ou do número de infecções por zika”, disse à Folha o principal autor do estudo Simon Cauchemez, do Instituto Pasteur (França). “Devemos tomar muito cuidado para não extrapolar os dados. Com o que temos, a experiência da Polinésia Francesa pode ser útil como ponto de comparação”.
     
    Para o virologista da Faculdade de Medicina de Rio Preto Maurício Nogueira, a estimativa deve tranquilizar as grávidas. O risco de 1% seria baixo. A realidade de alguns Estados do país se mostra mais grave, porém. Em Pernambuco, 2% do total de partos resultaram em bebês com suspeita de microcefalia,muito acima da taxa de 2 para 10 mil da Polinésia Francesa. Mesmo assim, “o estudo traz informação anti teoria da conspiração,para acalmaras pessoas que dizem que microcefalia por zika só tem no Brasil”, diz Nogueira.
     
    Resultado é um alento diante da histeria que tomou o país
     
    O artigo publicado na revista médica “Lancet” definindo o risco de microcefalia em casos de gestantes infectadas por zika é um alento diante da histeria coletiva que tomou conta do Brasil e do mundo.
     
    Nos últimos meses, as sucessivas imagens dramáticas de bebês microcéfalos e as falas das autoridades pintavam um cenário apocalíptico, “uma geração de sequelados”, nas palavras do ministro da Saúde,Marcelo Castro.
    Diante da perspectiva de gerarem bebês com inúmeras limitações, muitas mulheres têm recorrido ao aborto ilegal tão logo a zika é confirmada.
     
    A decisão é tomada no escuro, sem confirmação da microcefalia, já que as alterações cerebrais só aparecem a partir do segundo ou terceiro trimestre de gestação.
     
    Agora, com o novo dado, muitas das gestantes infectadas devem se perguntar: vale a pena eu abortar diante da chance de 1% de o meu bebê desenvolver microcefalia? A comparação com a síndrome da rubéola congênita, que pode causar más-formações fetais entre 38% a 100% dos casos, também coloca as coisas sob outra perspectiva. Mas só em tese. O vírus da rubéola está oficialmente erradicado do continente americano, enquanto o da zika está se espalhando feito pólvora.
     
    É bom reforçar que o estudo tem limitações, como não ter considerado outras possíveis complicações pelo zika, como calcificação e outras más-formações. Os resultados também estão um pouco distante da realidade de Pernambuco, onde 2% do total de nascimentos resultaram em crianças com microcefalia.Mas isso não desacredita o trabalho polinésio. Ao contrário, só reforça a hipótese de alguns de que possa existir um outro fator (genético, ambiental?), além do vírus da zika, associado a ao aumento das más-formações em Pernambuco e outros Estados do Nordeste.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo