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  • Icesp ofereceu estrutura para testar droga contra câncer

    Icesp ofereceu estrutura para testar droga contra câncer

    O Instituto do Câncer de Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp) ofereceu sua estrutura para testar clinicamente a fosfoetanolamina, distribuída na USP de São Carlos e supostamente capaz de curar o câncer. Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp, afirma que entrou em contato tanto com os pesquisadores da USP quanto como seu reitor, Marco Antonio Zago. Este se mostrou interessado, mas Hoff ainda não recebeu uma resposta dos cientistas de São Carlos.
     
    A cápsula é alardeada como cura para diversos tipos de câncer, mas ainda não passou por testes em humanos necessários para testar sua eficácia. Ela não tem registro na Anvisa e seus efeitos nos pacientes são desconhecidos. “O necessário agora é um estudo clínico, em vez de sair distribuindo o produto”, afirma Hoff. “Naturalmente não precisa ser feito conosco,mas acho que, se um produto apresenta evidências pré-clínicas interessantes, deve ser avaliado da maneira estabelecida internacionalmente.” Nesta terça-feira, o presidente eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Gustavo Fernandes, teve uma reunião com o ministro do STF Luiz Edson Fachin, que concedeu uma liminar que liberou a entrega das cápsulas a um paciente do Rio de Janeiro.
     
    “O ministro acha que o Supremo não é o lugar para discutir e que a Justiça tem que participar, mas que é um assunto relacionado as entidades médicas e cientificas. Acho que ele tem razão.” O ministro tem ressaltado que sua decisão foi “excepcional” e não abre precedente para que outros pacientes em situações diferentes consigam acesso às cápsula.
     
    Debate 
     
    A TV Folha promoveu nesta terça-feira um debate sobre a fosfoetanolamina. Mediado pela repórter especial Cláudia Collucci, o encontro teve como convidados o médico Drauzio Varella, colunista da Folha, e o farmacêutico Adilson Kleber Ferreira, coautor de seis pesquisas com a substância publicadas em revistas científicas internacionais entre 2011 e 2013. “O que a gente chama de câncer não é uma doença só.
     
    É impossível que uma droga seja útil contra todos os tumores”, afirmou Drauzio. “Em 40 anos de profissão, nunca vi um tratamento alternativo curar o câncer.’” “Se funciona para camundongo então funciona para outras espécies? Não utilizamos essa lógica nem na medicina veterinária.” Ferreira concordou com a necessidade de cautela na distribuição de medicamentos.
     
    “Precisamos de um plano para conter esse caos de gente indo a São Carlos em busca da droga, com acompanhamento médico”, disse.
     
    Questionado se daria a substância a um parente terminal de câncer, Ferreira foi enfático: “Não”. Para Drauzio, os conselhos de medicina precisam se posicionar, já que muitos médicos estão orientando pacientes a buscarem a Justiça para obter a droga.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Hackers chineses buscam segredos da saúde dos EUA

    Hackers chineses buscam segredos da saúde dos EUA

    Hackers na China penetraram na segunda maior seguradora de saúde nos EUA para compreender como é estruturado o sistema de atendimento médico nos EUA, em meio aos esforços de Pequim no sentido de proporcionar atendimento de saúde a uma população em envelhecimento. Essa é a conclusão a que chegaram investigadores americanos.
     
    A revelação apresenta uma nova possível faceta do ataque cibernético contra a Anthem, que em fevereiro divulgou que a violação de seu banco de dados havia comprometido as informações pessoais de quase 80 milhões de segurados.
     
    A Anthem e outras empresas do setor de saúde foram invadidas na mesma época, afirmaram pessoas a par dos casos. A seguradora Premera disse em março ter sido vítima de hackers, que se apropriaram de informações sobre cerca de 11 milhões de pessoas.
     
    À medida que a população chinesa torna-se mais rica e mais exigente, questões relacionadas com assistência médica estão passando a ser um dos temas mais politicamente delicados com que Pequim se defronta.
     
    A China comprometeu-se a fornecer acesso universal a atendimento de saúde de qualidade para todos os cidadãos a partir de 2020. Mas há intensa insatisfação com o custo e a qualidade dos cuidados de saúde, o que tem provocado muitos ataques contra pessoal médico e um fosso crescente e politicamente perigoso entre ricos e pobres no que diz respeito a acesso a atendimento de saúde.
     
    Os ataques cibernéticos que, acredita-se, têm origem na China são um assunto espinhoso para as relações do país com os EUA.
     
    Dados de saúde tornaram-se algumas das informações mais valiosas que podem ser vendidas no mercado negro da internet, fazendo do setor um alvo popular para os hackers. Oitenta e um por cento dos executivos do setor de saúde dizem que suas empresas foram alvo de tentativas de ataque cibernético nos últimos dois anos, segundo um relatório da KPMG.
     
    Pessoas familiarizadas com a investigação envolvendo a Anthem acreditam que o desejo de obter acesso a propriedade intelectual e segredos comerciais foi a justificativa para o ataque. O banco de dados da Anthem, que inclui muitos funcionários do governo americano, também poderia ser útil para as agências de inteligência chinesas.
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • USP pode sofrer sanção se distribuir `pílula do câncer`

    USP pode sofrer sanção se distribuir `pílula do câncer`

    A Universidade de São Paulo (USP) corre o risco de sofrer sanções severas caso passe a fabricar as pílulas de fosfoetanolamina sintética para distribuição. O alerta é feito pelo diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa. Segundo ele, a distribuição da substância pode ser considerada ilegal por não ter passado por testes clínicos, não ter aprovação da agência federal e não ser produzida em um laboratório de medicamentos. Atualmente, a universidade produz as pílulas apenas para os casos de solicitação jurídica. A USP informou que não vai se pronunciar sobre o caso.
     
    A pílula com suposta ação contra o câncer vinha sendo produzida no Instituto de Química da USP de São Carlos, onde foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores liderados pelo químico Gilberto Orivaldo Chierice, hoje professor aposentado. Mesmo sem ter passado pelos testes exigidos pela legislação, foi fornecida gratuitamente a interessados até o dia 29 de setembro, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vetou a distribuição.
     
    No dia 8 deste mês, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em favor de uma pessoa que solicitou judicialmente o acesso à droga, levando o TJ-SP a voltar atrás e desencadeando uma chuva de liminares pela liberação. A universidade recebia, na semana passada, de 40 a 50 pedidos diários com base em liminares. “Como por enquanto a USP parou a fabricação (para distribuição), tudo fica como está. Mas se a universidade voltar a fabricar a pílula, seguramente pode-se fazer uma inspeção sanitária e fechar o laboratório”, disse Barbosa ao Estado.
     
    O diretor da Anvisa, no entanto, admite que o caso é complicado, já que a própria agência não considera que a substância seja um medicamento, o que pode dificultar as sanções. “Do ponto de vista da legislação brasileira, a pílula não é um medicamento, porque só são consideradas dessa forma substâncias que passaram pelos testes clínicos e foram aprovadas pela Anvisa. E a agência só exerce sua função regulatória quando há testes clínicos, ou seja, quando há ensaios em humanos, o que não foi feito.” Dessa forma, segundo Barbosa, a pílula tem permanecido em uma espécie de zona cinzenta da legislação.
     
    “Mas, se for encarada como medicamento, é completamente ilegal: foi produzida em local não autorizado para fabricação de produtos para uso em humanos (em um laboratório de química) e foi distribuída para a população, como se fosse uma espécie de ensaio clínico informal, sem autorização da Anvisa nem das comissões de ética”, afirmou. “Um laboratório produtor de medicamentos que vende drogas sem registro sofre sanções gravíssimas, incluindo o fechamento. Mas é verdade que, nesse caso, não se trata de um medicamento nem de um laboratório de medicamentos.” 
     
    Crime
     
    Barbosa afirma que o artigo 273 do Código Penal caracteriza claramente como crime vender, distribuir ou entregar para consumo produto medicinal falsificado ou adulterado sem registro no órgão de vigilância sanitária competente. “A USP deveria interpelar esses pesquisadores e, se os resultados de seus estudos são promissores, ela deve estimular a realização dos testes clínicos. ”A decisão do Supremo, no entanto, complicou a situação da universidade, segundo Barbosa.
     
    “A USP decidiu acertadamente suspender a produção quando tomou conhecimento do caso. Mas a decisão do STF, sem base na ciência nem nas regras de pesquisa, causou uma confusão. É preciso proibir a distribuição da pílula. A ordem do STF mandando produzir algo fora das regras legais criou uma situação complexa”, disse.
     
    Depois de liberar a pílula para um paciente do Rio, obrigando a USP a fornecer a substância, o ministro do STF Luiz Edson Fachin alegou que a decisão foi excepcional, em razão de um “paciente cuja narrativa foi que estava em estado terminal”. Para Barbosa, porém, essa explicação pode ter sido fundamentada em um equívoco. “A confusão do STF é que ele considerou a pílula um medicamento em fase experimental, o que não é.” Segundo Barbosa, Fachin pode ter considerado a aplicação da pílula como um caso de “uso compassivo”, um princípio que permite liberar um medicamento sem o registro da Anvisa.
     
    “Esse princípio se aplica quando temos um medicamento novo e promissor, já na última fase de testes clínicos, destinado a pacientes com doenças graves que não tenham alternativas de terapia com medicamentos registrados. Mas isso não se aplica à pílula de fosfoetanolamina, que nem mesmo chegou à fase de testes clínicos.” 
     
    Desespero
     
    A reitoria da USP não quis comentar o caso e declarou apenas que reitera anota oficial publicada no dia 14, na qual afirma que “a pílula não é remédio” e que estuda “a possibilidade de denunciar, ao Ministério Público, os profissionais que estão se beneficiando do desespero e da fragilidade das famílias e dos pacientes”.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Pílula inteligente avisa quando paciente ingere medicamento

    Pílula inteligente avisa quando paciente ingere medicamento

    A pílula inteligente contém um transmissor eletrônico, que tem o tamanho de um grão de areia. Depois de ser engolida, ela vai para o sistema digestivo e é dissolvida pelo suco gástrico. Quando isso acontece, os ácidos presentes no suco entram em contato com o transmissor eletrônico – que é feito de cobre e magnésio. 
     
    Isso gera uma reação de oxirredução, em que o magnésio doa elétrons para o cobre, criando uma corrente de energia, conduzida pelo meio ácido. O transmissor entra em ação e envia pulsos elétricos para um sensor – um pequeno adesivo, que a pessoa deve colar na barriga. O sinal é verificado e enviado para o smartphone do paciente e do seu médico, avisando se a pílula foi tomada.
     
    A nova tecnologia, que se chama Proteus e ainda aguarda aprovação da agência reguladora norte-americana, FDA, é um meio de garantir que os pacientes realmente estão ingerindo os medicamentos com a frequência recomendada, já que estudos apontam que aproximadamente metade das pessoas não toma os medicamentos de acordo com a orientação médica.
     
    Fonte: Guia da Farmácia Online
  • Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas?

    Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas?

    Antes de novos medicamentos serem colocados à venda, testes clínicos avaliam seu desempenho na comparação com o de remédios inertes conhecidos como placebos. Mas pesquisas mostram que, nos últimos 25 anos, a diferença de eficácia entre medicamentos reais e falsos diminuiu – mais nos Estados Unidos do que em outros países. Os americanos são mais suscetíveis ao efeito placebo, ou há outra explicação para isso?
     
    O fenômeno em que pacientes se sentem melhor simplesmente porque acreditam que um tratamento os ajudará é conhecido como efeito placebo. Para testar o efeito placebo, são realizados testes clínicos em que alguns participantes recebem a droga real e outros recebem placebo – normalmente, os participantes não sabem qual remédio estão tomando.
     
    A eficácia do medicamento é determinada pela diferença entre o efeito placebo – o quanto pacientes neste grupo se sentem melhor – do efeito do medicamento. Para que um remédio seja colocado à venda nos EUA, ele precisa superar a performance do placebo por uma margem significativa.
     
    Mas parece que isso está ocorrendo cada vez menos, porque o efeito placebo está aumentando gradualmente. Testes mostram que alguns conhecidos medicamentos para depressão e ansiedade teriam dificuldades em passar em seus testes clínicos se fossem testados novamente em 2015.
     
    Essa tendência virou uma grande dor de cabeça para a indústria farmacêutica. Muitas drogas fracassaram nos testes clínicos finais – medicamentos que, a essa altura, já tinham consumido mais de US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento.
     
    Ninguém sabe por que o efeito placebo está aumentando, mas um novo estudo da revista científica Pain (“Dor”) pode ajudar a descobrir respostas.
     
    Ao analisar dados de 80 testes de medicamentos para dor neuropática, os pesquisadores, coordenados por Jeffrey Mogil, da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), descobriram que a tendência estava sendo puxada por estudos conduzidos nos EUA – onde se verificou que os participantes pareciam sentir melhoras pelo simples fato de estarem participando desses testes, independentemente de terem tomado o remédio ou o placebo.
     
    Mas o que faz com que americanos sejam mais suscetíveis ao efeito placebo?
     
    No topo da lista das possíveis explicações está o fato de que, ao contrário de alguns outros países, a propaganda de medicamentos dirigida diretamente ao consumidor é permitida nos EUA.
     
    O efeito placebo está ligado à expectativa dos pacientes, e os anúncios podem estar tendo efeitos nas mentes de pacientes tomando remédios, mesmo como parte de um teste clínico.
     
    A hipótese preferida de Mogil, entretanto, não tem relação com propaganda mas com o fato de os testes americanos terem se tornado maiores e durarem mais tempo que os feitos fora dos EUA.
     
    Para ele, as farmacêuticas provavelmente esperavam que testes maiores e mais ambiciosos fossem mais eficientes para demonstrar os efeitos reais das drogas, mas pode ter acontecido o contrário.
     
    Um teste ambicioso que envolve altos gastos pode gerar toda uma série de pequenos fatores que, juntos, acabam dando espaço à crença dos pacientes de que estão participando de um processo benéfico. O mero fato de criar um logotipo para um teste, por exemplo, pode fazer a pessoa se sentir mais otimista.
     
    Mogil acredita que empresas americanas costumam contratar mais organizações de pesquisas para realizar o teste. Pode ser que os funcionários que trabalham para essas empresas sejam mais simpáticos que os ocupados pesquisadores que conduzem testes acadêmicos. Só isso já é outro fator que pode fazer as pessoas se sentirem melhor.
     
    “Houve uma pressão para reunir dados, para não ter dados faltando”, diz John Farrar, um neurologista e epidemiologista da Universidade da Pensilvânia.
     
    “Então presta-se muito mais atenção aos pacientes, há muito mais contato com pacientes para se certificar que preencham os formulários corretamente, e houve um aumento no que é dito sobre a atividade da droga – eles falam mais sobre a ciência por trás dela, como pode funcionar, etc. E tudo isso leva, potencialmente, a grandes expectativas em pacientes.”
     
    Tendência preocupa farmacêuticas
     
    Mas Farrar acrescenta que os fins lucrativos das empresas de pesquisa podem estar fazendo com que recrutem pessoas que não deveriam estar fazendo testes em princípio. Um médico procurando participantes pode encorajá-los a classificar seus sintomas como mais graves do que eles realmente são para que possam participar do teste.
     
    “Também houve um aumento do que chamamos de 'pacientes profissionais' – pacientes que se candidatam a testes clínicos porque descobrem que podem fazer dinheiro com isso”, diz Farrar.
     
    Em ambos os cenários, após serem aceitos para os testes, os pacientes podem começar a dar relatos mais precisos sobre seus sintomas, que podem ser considerados como respostas positivas a placebos.
     
    Farrar defende mudanças no formato dos testes para reduzir o efeito placebo, como mais controle ao recrutar pacientes, ser mais específico sobre critérios de seleção e acrescentar um terceiro grupo aos testes, que tomaria um medicamento já aprovado – se este grupo e o grupo que recebe o novo medicamento não superarem o placebo, os pesquisadores saberiam que o teste é falho.
     
    Também há uma tentativa de diminuir, por meio de conversas com pacientes, suas expectativas sobre fazer parte de um teste. Qual a melhor forma de fazer isso? “Diremos a verdade a eles”, diz Nathaniel Katz, presidente da Analgesic Solutions, uma consultoria que ajuda farmacêuticas a evitar fracassos em testes.
     
    Sua empresa também treina funcionários que participam de testes para evitar “linguagem corporal otimista inapropriada”, como colocar o braço ao redor do paciente, apertar sua mão ou olhá-los nos olhos. “Isso aumenta as expectativas”, diz Katz.
     
    Mas ele acrescenta que, se você diminuir muito as expectativas dos pacientes você certamente irá minimizar o efeito placebo, mas você também pode diminuir o efeito do medicamento sendo testado.
     
    Isso foi demonstrado em uma experiência no ano passado feita por Ted Kaptchuk na Escola de Medicina de Harvard. Ele deu a pacientes com enxaqueca o remédio Maxalt ou placebo. Mas eles foram divididos em três subgrupos. Os grupos receberam seu envelope com um dos três selos: “Maxalt”, “Placebo” ou “Maxalt ou placebo”.
     
    “Quando dávamos a eles placebo e o envelope dizia Maxalt, a resposta positiva foi muito boa”, disse Kaptchuk à BBC. “Quando demos Maxalt e dissemos que era placebo, a resposta foi a mesma, o que significa que, só por mudar as palavras no envelope, podemos fazer o placebo tão eficaz quanto o medicamento.”
     
    O desafio, na visão de Kaptchuk, é achar uma forma de traduzir o extraordinário poder do placebo na prática diária do dia a dia. Enquanto pesquisadores tentam diminuir as expectativas dos pacientes, médicos fora dos laboratórios deveriam poder tirar proveito dessa fabulosa força da imaginação para ajudar seus pacientes.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Artrite reumatoide exige tratamento rápido

    Artrite reumatoide exige tratamento rápido

    Dor, inchaço e rigidez nas articulações. Atenção aos sintomas clássicos da artrite reumatoide (AR), porque o diagnóstico precoce pode evitar as deformidades provocadas por essa doença crônica e inflamatória, que compromete articulações e costuma causar desgaste ósseo, incapacitando os pacientes de executarem mesmo tarefas simples.
     
    Para que a identificação aconteça mais cedo, é importante saber que não se trata de uma doença de idosos, um dos mitos relacionados à enfermidade. A idade média em que os brasileiros recebem o diagnóstico é 39 anos, auge da vida produtiva. Segundo Rina Giorgi, diretora do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, epidemiologicamente, antes dos 50 anos, a doença atinge três mulheres para cada homem.
     
    Nos últimos anos, a abordagem sobre o mal passou por uma revolução. Essa se deve não só à chegada de medicamentos, mas também a uma mudança de estratégia. A nova estratégia é a chamado treat to target, em que o alvo é a remissão da doença, já que ainda não existe cura. “E, para isso, o grande problema não é o remédio, que está na rede pública. O problema é o acesso ao especialista para o diagnóstico. O paciente custa a chegar ao reumatologista e, até lá, fica passando por vários médicos”, lamenta Giorgi. Ainda é muito comum que a população, em caso de dor, procure o ortopedista, sendo que as dores músculo-esqueléticas (relacionadas aos músculos e às articulações) podem ser da área de atuação da reumatologia.
     
    Pesquisa realizada pela empresa Pfizer com 3.649 pacientes de 13 países, incluindo o Brasil, revela que, mesmo para as pessoas já diagnosticadas, é um desafio obter informações corretas sobre a doença. O levantamento — que faz parte da iniciativa internacional RA NarRAtive (Rheumatoid Arthritis), parceria de um painel global de médicos e organizações de pacientes — alerta sobre as consequências do diagnóstico e da adesão ao tratamento tardios. “Quanto mais cedo for diagnosticado, mais rapidamente o paciente poderá ser tratado, diminuindo a atividade da doença, prevenindo danos irreversíveis, aliviando a dor e melhorando a qualidade de vida”, explica Rina Giorgi.
     
    O público feminino representou 67% dos entrevistados, dos quais 37% tinham entre 18 e 44 anos; 32% tinham entre 45 e 54 anos; 21%, entre 55 e 64 anos; e 11%, 65 anos ou mais. Vinte por cento dos pacientes brasileiros relataram ter AR grave. Tendo em vista a complexidade da doença, 95% afirmaram ter alguma preocupação ligada à patologia, principalmente quanto ao impacto sobre a qualidade de vida e à extensão dos danos provocados nas articulações. A maioria dos pacientes (55%) reclamou do estigma decorrente da doença, que também acaba interferindo na vida profissional. Isso porque, segundo a pesquisa, o medo de sofrer discriminação desestimulou 19% a procurar emprego. Outros 22% não buscam apoio emocional na família, e 17% evitam se socializar com parentes e amigos.
     
    Remédios
     
    Um dos aspectos avaliados na pesquisa foi a adesão ao tratamento. Quase 60% dos pacientes o definem como bem-sucedido quando o inchaço e a inflamação nas articulações diminuem. Setenta e nove por cento gostariam de tomar menos remédios, e 67% desejam dispor de mais opções. Além disso, sete em cada 10 desejam mudar algo nos remédios existentes. As principais alterações se referem à eficácia no alívio dos sintomas (29%), ao número de eventos adversos (24%) e à frequência para tomar o medicamento (25%).
     
    Segundo Rina Giorgi, há hoje quatro classes de medicamentos para artrite reumatoide, as chamadas drogas modificadoras do curso da doença reumática, também conhecidas como DMARD, que controlam o processo inflamatório. Essas podem ser sintéticas, sintéticas alvo-específicas, biológicas e biossimilares.
     
    As drogas alvo-específicas orais são uma classe nova. O citrato de tofacitinibe está disponível no Brasil há poucos meses. Administrado por via oral, o medicamento tem um mecanismo inovador, inibindo uma proteína importante nos processos inflamatórios característicos da enfermidade. Além disso, é o primeiro tratamento oral, não biológico, do tipo DMARD. A droga é indicada para pacientes adultos com AR moderada a grave que tiveram intolerância ou não responderam de forma adequada às terapias realizadas com outros DMARDs, sintéticos ou biológicos. Hoje, estima-se que pelo menos 30% dos pacientes com a doença estejam nessa condição.
     
    Segundo Lícia Mota, presidente do Comitê de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), do Serviço de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), o tratamento deve começar meses ou mesmo semanas depois da manifestação da doença para que seja possível prevenir as sequelas, depois irreversíveis. “Se o paciente chegasse ao reumatologista precocemente, conseguiríamos fazer o diagnóstico e logo tratá-lo, mas, muitas vezes, ele se automedica com corticoides e anti-inflamatórios. Ele não muda o curso de evolução da doença, a dor nem passa e ele perde a janela de oportunidade, que é iniciar o tratamento em até 12 semanas”, lamenta. A maior parte das deformidades vem exatamente nos primeiros anos da doença.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Cientistas revelam como genoma forma ‘novelos’ no núcleo de células

    Cientistas revelam como genoma forma ‘novelos’ no núcleo de células

    Com suas mais de três bilhões de “letras” moleculares, o genoma humano, se pudesse ser esticado, cobriria uma distância de cerca de dois metros. Espremido no microscópico núcleo de nossas células, no entanto, ele é obrigado a formar milhares de laços e novelos para caber neste exíguo espaço. Esta estruturação ajuda a explicar, por exemplo, por que alguns genes, embora linearmente distantes, têm forte influência no funcionamento uns dos outros, já que ela promove sua aproximação, seja na “ponta” dos laços ou dentro dos novelos. Mas como nosso DNA sabe onde começar a formar e terminar estes laços e novelos permanecia um mistério para os cientistas, finalmente solucionado graças ao trabalho de uma equipe de pesquisadores de diversas instituições americanas.
     
    Responsável por mapear pela primeira vez, no ano passado, os cerca de dez mil laços e novelos que o genoma humano forma no núcleo celular, a equipe de cientistas liderada por Erez Lieberman Aiden, do Centro para Arquitetura do Genoma da Faculdade Baylor de Medicina, no Texas, já tinha identificado uma espécie de código inscrito em nosso DNA. Este estaria presente nos dois extremos de praticamente todas estas estruturas, geralmente nas posições do considerado “DNA lixo”, isto é, que não guarda instruções para a produção de proteínas. Agora, eles também demonstraram que é possível manipular e introduzir estas pequenas sequências de menos de 20 pares-base — as “letras” do genoma compostas de pares das moléculas citosina (C), adenina (A), guanina (G) e timina (T) — do código para controlar onde e como nosso genoma forma estes laços e novelos, destruindo, movendo ou criando novas estruturas do tipo.
     
    COMO AS ALÇAS DE UMA MOCHILA
     
    Segundo os cientistas, a descoberta representa um importante avanço nas técnicas de manipulação e engenharia genética ao permitir que agora eles trabalhem também em três dimensões e não apenas na estrutura linear do genoma, como é feito atualmente. Além disso, aumenta a compreensão sobre doenças provocadas por falhas neste processo, que atrapalham a comunicação entre genes, e abre caminho para o desenvolvimento de possíveis tratamentos para elas. Por fim, como o genoma de praticamente todas nossas células é igual, a posição e formato desses laços é parte fundamental para determinar sua função, indicando quais genes devem estar mais ou menos ativos de forma que elas atuem, por exemplo, como células do músculo cardíaco, da pele ou dos ossos, algo cujo entendimento será essencial na eventual criação de futuras terapias com células-tronco.
     
    — Durante meses, não tínhamos ideia do que os nossos dados (sobre o código) significavam na verdade — conta Aiden, autor- sênior de artigo em que os pesquisadores descrevem a descoberta, publicado na edição do ontem do periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). — Então, um dia, percebemos que tínhamos a solução na mão. Fomos capazes de usar nossos conhecimentos de como os laços se formam na natureza para manipular o genoma artificialmente. Isso significa que, pelo menos em princípio, podemos corrigir erros na estruturação em 3D do genoma modificando apenas umas poucas letras do código genético, sem perturbar o DNA em volta delas.
     
    Ainda de acordo com os cientistas, o código que regula a formação dos laços e novelos do genoma funciona ao obrigar o DNA a se ligar com uma proteína batizada de CTCF. Esta atua como as pequenas peças de plástico usadas para ajustar o tamanho das alças de uma mochila, num processo físico conhecido como extrusão. Numa das pontas, o curto código de pares- base está inscrito no DNA num sentido, instruindo onde a cadeia genética deve começar a ser “puxada” para criar o laço, enquanto no outro extremo a sequência aparece ao contrário, determinando onde o processo deve ser interrompido.
     
    — A extrusão é o processo que usamos para manipular os ajustes plásticos de nossas mochilas: nós alimentamos as correias da alça de cada lado e elas formam um laço — explica Adrian Sanborn, aluno de graduação no laboratório de Aiden na instituição texana e um dos primeiros coautores do estudo. — Mas o genoma é muito mais longo que as alças de uma mochila, então o processo continua, e mais e mais da correia é adicionado, formando um laço cada vez maior. A chave de tudo é que este processo de extrusão para quando atinge um local com a CTCF. E é por isso que modificar o código é essencial para controlar todo o processo.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Varejo reduz desconto e remédios sobem ainda este ano

    Varejo reduz desconto e remédios sobem ainda este ano

    Os reajustes no preço dos remédios chegarão antes do esperado para o consumidor. A pressão de custos, como energia e água, e a valorização do dólar encareceram a matéria-prima importada. Com isso, o desconto oferecido a distribuidores e varejistas do setor será cortado, segundo informou diretores de indústrias brasileiras à Folha de S. Paulo. “Nos próximos sessenta dias você vai ver que os descontos na porta da farmácia devem desaparecer. A conta vai para o bolso do contribuinte”, disse Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, sindicato que reúne as principais farmacêuticas do país.
     
    A alta nos preços costuma acontecer em abril, logo depois de o governo liberar os aumentos. Com o aumento antecipado, o resultado será uma pressão adicional à inflação deste ano. Quase 90% dos princípios ativos usados nos remédios são importados. “Quando o câmbio era favorável, a indústria adotava uma política agressiva de descontos porque a competição era muito forte. Enquanto o câmbio estiver neste patamar alto, é legítimo que a indústria vá ao distribuidor negociar e reduzir esse desconto”, disse Paulo Bernardo, diretor da Interfarma, associação que reúne as multinacionais.
     
    Desde 2003, quando foi definida uma política de controle de preços, o teto dos valores de tabela determinados pelo governo não costuma chegar ao consumidor. Isso acontece porque a concorrência entre empresas sempre estimulou a prática de descontos. No entanto, a crise fez com que esse procedimento ficasse para trás. “Isso o aumento será repassado para o preço. A farmácia não tem muita margem de manobra”, diz Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, associação que reúne grandes redes.
     
    Fonte: Veja Online
     
  • Número de pintas no braço pode sinalizar propensão a câncer de pele, indica pesquisa

    Número de pintas no braço pode sinalizar propensão a câncer de pele, indica pesquisa

    Se uma pessoa tem mais de 11 pintas no braço, ela pode ter um risco maior que a média de desenvolver câncer de pele do tipo melanoma, de acordo com um estudo britânico recém-publicado por pesquisadores do King's College London.
     
    O estudo, publicado no British Journal of Dermatology, concluiu que as pintas do braço são uma boa amostra do total de pintas do corpo. Quem tem mais de 11 pintas no braço direito tem mais chance de ter mais de 100 pintas no corpo inteiro – e, consequentemente, possui risco maior de desenvolver um melanoma.
     
    Os pesquisadores orientam levar em conta as pintas do braço – circulares, uniformes, de coloração marrom escura -, e não as sardas, que são mais clarinhas e muitas vezes temporárias.
     
    A pesquisa usou dados de 3 mil gêmeos no Reino Unido.
     
    Para os pesquisadores, clínicos gerais poderiam usar essa técnica para identificar pacientes com um risco maior que a média de desenvolver melanoma – tipo de câncer de pele menos comum, porém mais letal que o não-melanoma.
     
    Segundo o Instituto Nacional do Câncer, houve estimados 5,8 mil novos casos de melanoma no Brasil em 2014, e 182 mil de não-melanoma.
     
    Mas a presença de pintas não significa que a pessoa necessariamente terá câncer, apenas que seu risco de desenvolver a doença é maior e que ela deve tomar mais precauções, como usar protetor solar com frequência.
     
    E é bom lembrar que a maioria das pintas é inofensiva. Devemos ficar atentos quando nossas pintas ganham coloração e formas assimétricas, quando elas aumentam de tamanho ou quando elas ficam inflamadas, sangram, formam casquinha ou causam coceira, informa o Sistema Público de Saúde britânico.
     
    Os melanomas geralmente são pontos na pele que começam a se tornar escuros e a crescer. Podem aparecer em um ponto novo da pele ou sobre uma pinta pré-existente, que começa a mudar de forma e cor. Por isso, o risco do melanoma está relacionado ao número de pintas que o paciente tem.
     
    Sardas e pintas
     
    Os pesquisadores do King's College London estudaram um grande grupo de gêmeas por um período de oito anos, coletando informações como tipo de pele, sardas e pintas.
     
    Após repetirem o teste em um grupo menor de 400 homens e mulheres com melanoma, eles chegaram a essa maneira rápida e fácil para medir as chances de um paciente ter câncer de pele.
     
    Mulheres com mais de sete pintas no braço direito tiveram uma probabilidade nove vezes maior de ter mais de 50 pintas no corpo todo.
     
    Já aquelas com mais de 11 pintas no braço direito tinham uma probabilidade maior de ter maior de 100 pintas no corpo, significando que elas têm um risco maior de ter melanoma.
     
    O principal responsável pelo estudo, o professor Simone Ribero, do departamento que pesquisa gêmeos e epidemiologia genética, disse que “as conclusões podem ter um grande impacto na assistência básica de saúde, permitindo que clínicos gerais estimem de maneira mais precisa o número de pintas de um jeito bastante rápido, em uma parte mais acessível do corpo”.
     
    Para a coautora do estudo, Veronique Bataille, contar as pintas do braço pode “acender um alerta” na cabeça do médico e fazer com que ele encaminhe os pacientes a especialistas.
     
    Claire Knight, diretora de informação da organização Cancer Research UK, disse que o estudo é útil, mas salientou que menos da metade dos melanomas se desenvolvem que pintas pré-existentes.
     
    “É importante saber o que é normal para sua pele e informar ao médico eventuais mudanças no tamanho da pinta, ou na cor ou ainda em seu formato”, disse. “E não se deve apenas olhar para o braço – melanomas podem surgir em qualquer parte do corpo. São mais comuns no dorso dos homens e nas pernas das mulheres.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Droga contra HIV em estudo poderia ser administrada a cada seis meses

    Droga contra HIV em estudo poderia ser administrada a cada seis meses

    Um composto que ainda está sendo testado em laboratório pode trazer uma nova perspectiva para o tratamento da Aids. Com o uso de nanotecnologia, uma equipe de cientistas da Universidade de Nebrasca e de Rochester, nos EUA, criou um antiviral que poderia ser administrado apenas uma ou duas vezes por ano.
     
    A droga é uma combinação de uma nova substância e um produto nanoformulado, que evita sua eliminação pelos rins e ajuda a conter o HIV. Eles seriam administrados no lugar dos inibidores de protease, que devem ser tomados todos os dias pelos pacientes infectados.
     
    Em células humanas do sistema imunológico e também em ratos, os resultados foram positivos. Os resultados aparecem na revista  Nanomedicine: Nanotechnology, Biology and Medicine.
     
    A grande vantagem de se administrar um remédio apenas a cada seis meses seria evitar esquecimentos e falta de aderência por parte dos pacientes, algo que prejudica o tratamento e pode até contribuir para a geração de vírus mais resistentes.
     
    Fonte: Uol Saúde