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  • Mercosul fará compra conjunta de remédios

    Mercosul fará compra conjunta de remédios

    O Brasil vai passar a fazer compra conjunta de medicamentos com países do Mercosul. A estratégia, formalizada em um acordo assinado na sexta-feira, 11, em Montevidéu, no Uruguai, tem como objetivo reduzir o preço de remédios de alto custo que são usados em países do bloco. A primeira negociação começa no próximo mês, com quatro medicamentos: três indicados no tratamento de hepatite C e um para pacientes com HIV. A expectativa é de que a aquisição seja feita já em dezembro.
     
    “A centralização de compras no território brasileiro trouxe economia de até 70% em alguns produtos. Esperamos que, com a ampliação dessa estratégia, os benefícios sejam alcançados também pelos demais países do bloco”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Adriano Massuda. Desde 2010, a compra de medicamentos classificados como estratégicos passou a ser feita pelo governo federal. Até então, muitos produtos eram adquiridos por governos estaduais ou municipais, separadamente. A mudança trouxe uma redução do preço final. “Quando compramos uma quantidade maior, o poder de negociação é reforçado. E os preços caem.”
     
    A ideia é estender para medicamentos de alto custo, como os usados para pacientes com câncer, aids e doenças raras, um mecanismo de compra já usado com sucesso para a aquisição de vacinas. Atualmente, parte dos imunizantes é adquirida por meio do Fundo Rotatório, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). No caso dos medicamentos, a Opas também ficaria encarregada da compra, mas por meio de outro braço da organização, o Fundo Estratégico. “Países integrantes repassam os recursos para a Opas, que se encarrega da compra”, contou o secretário. 
     
    Massuda acredita que o novo formato não deva provocar resistência de indústrias farmacêuticas. “Há uma perspectiva para elas de ampliação de mercado”, avaliou. “E, para países envolvidos, uma redução de preços, algo que acaba ampliando o acesso da população aos produtos”, completou. Os quantitativos serão definidos governo a governo.
     
    A estratégia deverá ser estendida em 2016 para outros medicamentos. O acordo assinado nesta sexta por Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Equador e Suriname, prevê também a adoção de um banco de preços, com detalhes sobre as compras de medicamentos feitas pelos Ministérios da Saúde da América do Sul.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Proteína é usada para regenerar tecido cardíaco após infarto

    Proteína é usada para regenerar tecido cardíaco após infarto

    Cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, conseguiram regenerar tecidos cardíacos danificados em ratos e porcos que haviam sofrido infarto. O feito foi alcançado por meio da introdução de uma espécie de curativo de colágeno “colado” no órgão, a partir de técnicas de bioengenharia. A experiência chama atenção porque, até hoje, nenhum procedimento médico foi capaz de restaurar cicatrizes em tecidos cardíacos de mamíferos adultos.
     
    — Esta descoberta abre as portas para um tratamento completamente revolucionário — assinalou Pilar Ruiz-Lozano, professora da Universidade de Stanford e autora principal da pesquisa, publicada ontem no site da revista “Nature”.
     
    Em um ataque de coração, as células do músculo cardíaco, chamadas de cardiomiócitos, morrem devido à falta de fluxo sanguíneo. Substituir essas células é vital para que o órgão se recupere totalmente. E é isso o que faz a proteína Fstl1, recém-descoberta pelos estudiosos americanos. Secretada pelo próprio epicárdio — a camada externa do coração —, a substância ajuda no crescimento dos cardiomiócitos.
     
    A próxima etapa do estudo é iniciar os testes para verificar a segurança do procedimento em seres humanos.
     
    RETORNO DA QUALIDADE DE VIDA
     
    A expectativa de devolver a quem sofreu um ataque cardíaco a qualidade de vida que tinha antes, sem o risco aumentado de insuficiência cardíaca — quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue normalmente — e arritmia, anima pesquisadores brasileiros. Professor de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dirceu Rodrigues Almeida ressalta que, no Brasil, cerca de 200 mil pessoas morrem todo ano de arritmia, uma das principais consequências de ataques cardíacos.
     
    Ele explica que o uso de proteínas para regeneração de órgãos não é novo, mas a grande dificuldade sempre foi fazer a proteína chegar até o órgão e permanecer lá. — O mérito dessa nova pesquisa é ter conseguido criar um meio, por bioengenharia, de desenvolver um “curativo” que pode envolver a parte do coração que tem a cicatriz — avalia ele. — Como esse “curativo” é feito com um colágeno que não contém células, não há necessidade de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição. Com o tempo, o material é naturalmente absorvido pelo órgão. O que se busca, a partir disso, é tornar mínimos os danos de um infarto.
     
    Na realização do estudo, bastaram de duas a quatro semanas após a introdução da proteína para que as células musculares começassem a se proliferar e os animais progressivamente recuperassem a função cardíaca. — Muitos dos animais usados estavam tão doentes antes de começar o tratamento que teriam sido candidatos a transplante de coração — destacou a autora do estudo.
     
    Ataques cardíacos causam milhões de mortes por ano em todo o mundo. Apenas no Brasil, ocorrem em torno de 150 mil infartos a cada ano, dos quais entre 5% e 15% resultam em morte. Já nos EUA, são 735 mil casos por ano, e a expectativa é de que este número triplique até 2030.
     
    Fonte: O Globo
  • Coqueluche é transmitida a recém-nascidos por seus irmãos

    Coqueluche é transmitida a recém-nascidos por seus irmãos

    Um novo estudo descobriu que, atualmente, a forma mais comum de transmissão de coqueluche a recém-nascidos é através dos irmãos e não da mãe. Os pesquisadores determinaram a causa da transmissão de 569 bebês ocorrida de 2006 a 2013. 
     
    O pai foi o responsável por 10% das infecções, a mãe por 20,6% e os irmãos por 35,5%. A mãe foi a principal transmissora até 2008. 
     
    O estudo foi publicado há duas semanas no periódico Pediatrics.
     
    Os bebês podem receber a vacina DTPa (que também protege contra o tétano e a difteria) aos dois meses de idade, com mais quatro doses extras entre os quatro e os seis anos.
     
    A descoberta provavelmente é o resultado de uma diminuição da imunidade entre crianças e adolescentes que receberam a vacina.
     
    Como a doença pode ser transmitida por algum irmão vacinado da criança, é improvável que a estratégia de vacinar todas as pessoas que têm contato com o recém-nascido funcione para reduzir a transmissão entre os bebês muito jovens para serem vacinados.
     
    Tami H. Skoff, principal autora do estudo e epidemiologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDB), afirmou que a vacinação de gestantes continua sendo a melhor estratégia de prevenção da coqueluche.
     
    “A gestante deve receber uma dose da DTPa em cada gestação para fornecer proteção ao bebê. Além disso, todos que têm contato com o bebê devem tomar a vacina, inclusive as doses de reforço”, afirmou.
     
    Fonte: The New York Times
     
  • Em 2014, diabetes matou mais que HIV, malária e tuberculose somados

    Em 2014, diabetes matou mais que HIV, malária e tuberculose somados

    Os números são alarmantes. A cada 7 segundos uma pessoa morre vítima de complicações causadas pela diabetes no mundo. Em 2014, foram 4,9 milhões de mortes causadas pela doença. No mesmo período, 1,2 milhão de pessoas morreram vítimas de HIV, 584 mil perderam as vidas para a Malária e 1,5 milhão para a tuberculose, segundo os números mais recentes da OMS. Ou seja, a diabetes mata mais do que todas essas outras três doenças somadas.
     
    São esses dados que fazem o presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o escocês Michael Hirst, afirmar que a diabetes é o maior desafio que temos para enfrentar no sistema de saúde em todo o mundo. “Índices de doenças cardíacas estão caindo, câncer está sendo combatido, a tuberculose e a malária, também. Mas, quando falamos de diabetes, os números continuam crescendo cada vez mais. É uma doença que está em 'desenvolvimento' e deve ser combatida enquanto há tempo”, afirmou Hirst em entrevista ao BOL.
     
    Mais de 387 milhões de pessoas em todo o planeta são diabéticas. No entanto, 46,3% delas não sabem que têm a doença. No Brasil, mais de 12 milhões são diabéticos e 24% não recebeu o diagnóstico.
     
    Em 2035, estimasse que o número de diabéticos e pessoas em estágio pré-diabetes somados ultrapassem 1,1 bilhão de pessoas. No Brasil, no mesmo período, o número de doentes deve subir para 20 milhões.
     
    “Infelizmente, não há o que fazer para impedir o país de chegar a esse número. Para mudar este cenário, reverter os índices de crescimento, seria preciso uma quebra total de paradigmas, um trabalho muito forte de políticas públicas e uma mudança total no comportamento. É muito difícil”, afirma o endocrinologista Walter Minicucci, presidente da Sociedade Brasileira de
     
    Essa dificuldade existe porque o tipo mais comum de diabetes, que atinge 90% dos doentes, é o 2, causado principalmente por maus hábitos, podendo atingir qualquer pessoa, independentemente de haver histórico familiar ou não.
     
    A diabetes tipo 2 é resultado de um processo lento, diretamente ligado ao estilo de vida urbano que está cada vez mais presente no mundo. Falta de exercícios físicos, altos níveis de estresse, excesso de comidas industrializadas e, principalmente, obesidade, são as principais causas. Contribuem também alguns fatores genéticos – indianos, por exemplo, são mais suscetíveis à doença – e o envelhecimento natural do corpo, que pode reduzir a quantidade de insulina produzida.
     
    Existem ainda outros dois tipos de diabetes. O tipo 1 pode ser desenvolvido desde o primeiro ano de vida e é basicamente a incapacidade “natural” do pâncreas de produzir a insulina, substância “chave” que abre as células e permite que a glicose seja absorvida por elas e transformada em energia para “impulsionar” o corpo. Quando há falta ou ausência da insulina, seja por fatores genéticos ou maus hábitos, os níveis de açúcar no sangue aumentam, e a pessoa desenvolve a doença. Já a diabetes gestacional, que atinge mulheres grávidas, pode afetar seriamente o bebê se não houver tratamento
     
    Doentes cada vez mais jovens
     
    O que preocupa é que cada vez menos a idade tem sido um fator determinante para o desenvolvimento da doença. A Federação Internacional de Diabetes aponta que aproximadamente 86% dos novos casos foram diagnosticados nos chamados jovens adultos, pessoas com “20 e tantos” anos, que deveriam estar gozando de saúde plena e produzindo economicamente e socialmente.
     
    Esse índice é um indicador claro de como a “urbanização” da população está afetando diretamente o comportamento e a saúde das pessoas.
     
    Para médicos e especialistas, há apenas uma forma combater o problema. É preciso conscientizar as pessoas sobre a prática de exercícios físicos, os malefícios dos alimentos industrializados e os benefícios de hábitos saudáveis dentro e fora de casa. Cerca de 80% dos casos de diabetes tipo 2 podem ser prevenidos com essa mudança de comportamento.
    “É preciso valorizar vegetais e frutas frescas, reduzir a gordura, comer menos açúcar e fazer alguma atividade física ao menos três vezes na semana por 40 minutos”, explica o médico Walter Minicucci.
     
    A diabetes não tratada pode causar danos aos olhos, rins, fígado, nervos e grandes vasos vasculares, que podem causar perda de visão, derrames, amputações, insuficiência renal e levar à morte.
     
    Sintomas, diagnóstico e tratamento
     
    Entre os sintomas mais comuns da diabetes tipo 2, estão: sede constante, vontade excessiva de urinar, cansaço, visão embaçada e perda de peso. É comum pessoas passarem até mais de 10 anos sofrendo com as consequências da doença sem saber que têm o problema.
     
    “O problema é que o quadro clínico é muito lento. A pessoa bebe mais água, mas não percebe. A visão piora e acha que precisa trocar as lentes dos óculos. Normalmente, o diagnóstico é feito em um exame de sangue ao acaso”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Por isso é de extrema importância fazer exames de sangue periódicos.
     
    A taxa glicêmica deve ser de no máximo 125 mg/dL (miligramas por decilitro) em jejum pela manhã. Exames que apresentem números maiores do que o normal indicam a necessidade de tratamento.
     
    Se identificado muito no início, o tipo 2 pode ser controlado com dieta e exercícios. Há remédios que podem ajudar a controlar a doença, mas, caso o tratamento básico não seja eficaz, é possível controlar com injeções de insulina. “Mesmo que seja com insulina, se o tratamento for feito corretamente, não há motivo algum para haver qualquer complicação”, garante o médico Walter Minicucci.
     
    O endocrinologista também alerta que o quadro de pacientes fumantes é ainda mais delicado. Apesar de não haver relação direta entre o cigarro e o desenvolvimento da doença, Minicucci acredita que a mistura de ambos é uma “tragédia” mais do que dobrada. “Fumar piora toda a parte cardiovascular, aumenta as chances de amputação e de ataques cardíacos”, avisa o especialista.
     
    Produção de insulina
     
    Para entender mais sobre a diabetes e conhecer os tratamentos disponíveis, o BOL visitou as instalações da Novo Nordisk, na Dinamarca, entre os dias 27 e 29 de agosto, a convite da indústria farmacêutica. Com fábricas em seis países, inclusive no Brasil, na cidade de Montes Claros (MG), a empresa é a maior fabricante de insulina do mundo. A companhia é responsável por suprir mais de 50% da demanda do mercado.
     
    Em 2015, a Novo Nordisk deve investir cerca de R$ 600 milhões em pesquisa, desenvolvimento e ampliação das estruturas. “Uma insulina de melhor qualidade diminui as chances de picos hipoglicêmicos, um sono de melhor qualidade, uma ação mais estável e muito menos complicações”, afirma Mike Doustdar, vice-presidente executivo de Operações Internacionais.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Descoberta tornará possível estudo de vírus que protege contra aids

    Descoberta tornará possível estudo de vírus que protege contra aids

    Há mais de uma década, cientistas descobriram que um vírus chamado GBVC tem a misteriosa capacidade de reduzir a progressão da aids em indivíduos com HIV. Agora, um grupo de cientistas, com participação brasileira, desenvolveu um modelo em macacos que permitirá estudar a infecção pelo GBVC e desvendar qual é a estratégia do vírus para impedir o desenvolvimento da aids. O estudo foi publicado na quarta-feira, 16, na revista Science Translational Medicine.
     
    Em 2009, uma equipe liderada por Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), descobriu que há uma sinergia na interação entre os vírus GBVC e HIV. “É algo inusitado. O GBVC reduz a inflamação causada pela infecção do HIV. Ele funciona como uma espécie de vírus protetor”, disse Kallás à reportagem.
     
    No estudo atual, feito pelo grupo de Kallás em parceria com cientistas da Universidade de Wisconsin (EUA), os pesquisadores conseguiram desenvolver pela primeira vez um modelo que simula, em macacos, a infecção pelo GBVC.
     
    “Com o novo modelo, vamos poder estudar a infecção em experimentos e entender exatamente o processo de proteção usado pelo GBVC. Depois vamos investigar se esse processo pode resultar em novas terapias para a aids”.
     
    Além da proteção contra a aids, o GBVC tem outras características incomuns: ao contrário de outros vírus, ele não causa doenças, nem é eliminado do corpo do hospedeiro. Embora ele seja bastante comum – ocorre em até 8% da população mundial em geral e em até 25% das pessoas com HIV – pela falta de um modelo que permita estudar sua infecção em animais, ainda não se sabe como ele faz para impedir a progressão da aids. 
     
    Segundo Kallás, a descoberta do GBVC está associada a pesquisas sobre os vírus causadores da hepatite. Nas décadas de 80 e 90, muitos cientistas estudaram as causas das hepatites que não são provocadas pelos vírus A e B. 
     
    “No fim da década de 80 foi descrito o vírus da hepatite C. A partir daí, foram descobertos os vírus da hepatite Delta e hepatite E. Mais tarde, descobriram o que se pensava inicialmente ser o vírus da hepatite G. Mas este último vírus, muito frequente, não estava ligado à hepatite: era o GBVC”, explicou Kallas.
     
    Quando os cientistas ainda estavam estudando se o novo vírus tinha relação com a hepatite, examinaram registros sobre pacientes com aids para descobrir se ele interferia na progressão da doença. 
     
    Inesperado
     
    “Foi no início da década de 2000 que alguns estudos mostraram algo totalmente inesperado: a presença do GBVC não acelerava a progressão da aids – ao contrário, diminuía seu ritmo. Foi surpreendente descobrir um vírus que poderia ter um efeito benéfico de proteção do hospedeiro de outro vírus”, disse o pesquisador.
     
    A partir daí, tiveram início diversos estudos para descobrir como o GBVC protegia portadores de HIV. Diversas hipóteses foram levantadas, como uma competição entre os dois vírus, ou uma capacidade de bloqueio da infecção por HIV. Até que o grupo da USP conseguiu determinar pela primeira vez que o GBVC reduz a inflamação no organismo do hospedeiro. “É como se ele tivesse um efeito anti-inflamatório específico para as células mais inflamadas pela infecção do HIV. Publicamos um artigo em 2009 revelando esse mecanismo”, declarou. 
     
    Mais tarde, um grupo de cientistas da Califórnia, nos Estados Unidos, estudando dados de pessoas que tinham aids antes do desenvolvimento dos coquetéis, tiveram uma redução de 50% na infecção pelo HIV quando recebiam doações de sangue de pessoas infectadas com o GBVC.
     
    Depois dessas descobertas, Kallás começou a trabalhar com um colega da Universidade de Wisconsin, David O’Connor, que liderava um projeto de pesquisa em busca de vírus emergentes em Uganda, na África.
     
    Dispondo de técnicas de biologia molecular bastante sofisticadas, O'Connor coletou amostras de macacos selvagens em busca de novos vírus. 
     
    “Em seus ensaios de prospecção de novos vírus, ele descobriu que o vírus SIV – equivalente ao HIV em macacos – era relativamente frequente. E encontrou também com grande frequência os GBVC. Foi a partir daí que pensamos em estudar a concomitância desses dois vírus em macacos”, explicou Kallas.
     
    Quando O'Connor analisou os dados dos macacos que tinham GBVC, descobriu que todos estavam infectados por SIV. “Parecia que os dois vírus agiam juntos. Começamos então a trabalhar em um modelo de macacos para responder como o GBVC é capaz de proteger o hospedeiro.
     
    Os cientistas montaram então um modelo para infectar macacos em laboratório com o GBVC, algo que ainda não havia sido feito. “Além de descrever como a infecção aguda acontece, esse modelo sedimenta o que precisamos saber para fazer estudos experimentais para a infecção de SIV e GBVC nos macacos. Com isso esperamos entender com precisão os processos de proteção”, disse.
     
    Com um financiamento obtido junto ao governo dos Estados Unidos, os cientistas prosseguirão agora os estudos. O grupo de Wisconsin fará as observações em animais, enquanto o grupo de São Paulo reproduzirá os estudos nas amostras de sangue de pessoas que vivem com HIV, sabendo que uma em cada quatro delas estão infectadas também com o GBVC. 
     
    “Unindo os dados experimentais e clínicos, esperamos responder várias perguntas. Onde esses vírus se distribuem no organismo das pessoas? Se a infecção por GBVC vier antes ou depois da infecção por HIV o efeito é diferente? Será que esse efeito pode resultar em uma terapia que envolva injetar o GBVC em pacientes para reduzir a progressão da aids?.”
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Transferência de princípio ativo

    Transferência de princípio ativo

    Muitos dos medicamentos que tratam dor ou combatem alguma doença foram, originalmente, identificados em plantas que hoje correm risco de extinção ou são difíceis de cultivar. Em alguns casos, essas espécies ainda são a fonte primária para a elaboração das drogas. Para continuar obtendo os princípios ativos sem ameaçar a biodiversidade, uma equipe de cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveu um método inusitado. Eles identificaram o sistema utilizado para a fabricação das substâncias e o enxertaram em outra espécie para que ela também as produzisse. A ideia é, futuramente, explorar essa tecnologia no trigo, um cereal que cresce abundantemente sob qualquer tipo de condição climática.
     
    “As pessoas têm utilizado plantas para usar novos químicos e testado sua atividade há muito tempo”, diz Elizabeth Sattely, professora de engenharia química de Stanford e principal autora do estudo, publicado na revista Science. “O que nos surpreende é que, apesar de uma quantidade muito grande de produtos extraídos de plantas serem usados atualmente como medicamentos, ainda temos de cultivar a planta, isolar o composto e, só depois, transformá-lo em remédio”, observa.
     
    Sattely focou a pesquisa em um importante agente quimioterápico, o etoposide, utilizado no mundo todo para inibir o crescimento de diversos tumores, como câncer de pulmão e leucemia. Apesar do amplo uso, o único método atual de sintetizar o composto é por meio de extratos da mayapple-himalaia, uma planta que demora para crescer e só existe naturalmente a 4 mil metros acima do nível do mar, na montanha asiática que dá nome ao vegetal.
     
    No laboratório de engenharia química de Stanford, a pesquisadora usou uma nova técnica para identificar as proteínas que trabalham na “linha de montagem” da molécula utilizada na fabricação do medicamento. Depois, ela mostrou que essas mesmas proteínas podem produzir o composto fora da planta. Então, os cientistas transplantaram a “maquinária” para uma outra espécie vegetal, a folha de tabaco, de fácil cultivo. No futuro, o trigo poderá servir de base para os enxertos. “Tanto a planta quanto o trigo podem fornecer um ambiente controlado para a produção da droga. Esse trabalho poderá levar a novas formas de modificar padrões naturais de produção de substâncias usadas em medicamentos que são mais seguras ou efetivas que a fonte natural”, observa Sattely. “Uma grande promessa da biologia sintética é a capacidade de reproduzir sistemas naturais, mas, se não sabemos quais são as proteínas usadas, não podemos nem iniciar o empreendimento”, observa.
     
    No caso da mayapple-himalaia, uma série de proteínas trabalham dentro das folhas para produzir uma defesa química contra predadores. Essa substância, após algumas poucas modificações em laboratório, torna-se o popular quimioterápico. De acordo com a cientista, tudo começa com uma molécula nada ameaçadora. Quando a mayapple sente que será atingida, ela começa a produzir proteínas que fornecem o composto. Uma a uma, elas adicionam um pouco de química aqui, outro ali, subtraem alguns elementos e, no fim, a substância inicialmente inofensiva torna-se uma espécie de veneno contra os insetos predadores.
     
    O desafio era descobrir quais das muitas proteínas encontradas na folha da mayapple estavam envolvidas nesse padrão. Sattely começou com a constatação de que as “operárias” da linha de produção não se encontravam sempre na folhagem da planta. “É apenas quando a folha sofre um ferimento que a molécula é fabricada”, diz. E se a molécula só surge após um dano, as proteínas que a constroem provavelmente só apareceriam nessas situações. No fim, a cientista descobriu que, ao ser danificada, 31 novas proteínas surgem na folha. Depois de fazer combinações, Sattely chegou às 10 que, de fato, fazem parte da montagem molecular.
     
    Química aplicada
     
    O objetivo da pesquisa não é apenas mover a maquinária molecular de uma planta para outra. Agora que a cientista provou que o processo de fabricação da substância funciona fora da espécie original, Sattely quer enxertar as proteínas no trigo, que pode ser cultivado em grandes quantidades no laboratório para conseguir uma fonte mais estável no processo de produção de medicamentos. De acordo com ela, produzir remédios no cereal também fornece alguma flexibilidade que não está presente quando se isola uma droga diretamente de plantas. “Nós só podemos usar o que a planta nos dá”, justifica.
     
    Já no trigo, os cientistas podem modificar os genes para produzir proteínas com funções diversas. Com isso, seria possível melhorar a composição das drogas existentes. Sattely diz que o trabalho de Stanford é um bom exemplo de como a química pode ser aplicada aos problemas de saúde humano. Ela acredita que a técnica desenvolvida poderá ser usada em diversas outras plantas e medicamentos. “Meu interesse realmente é identificar novas moléculas e padrões de plantas que são importantes para a saúde humana”, diz.
     
    “A elucidação do padrão metabólico utilizado para a fabricação do composto mostra que o campo da biologia sintética já chegou muito longe”, avaliou a química Sarah E. O’Connor, do Departmento de Química Biológica do Centro John Innes, que não participou do estudo. Em um artigo publicado na Science, ela observou que, no futuro, os laboratórios poderão fabricar medicamentos de forma mais segura e estável. “Não apenas drogas anticâncer, mas para qualquer outra doença”, escreveu.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Pesquisa traz dados inéditos sobre vigilância sanitária nos estados e municípios

    Pesquisa traz dados inéditos sobre vigilância sanitária nos estados e municípios

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última semana os dados da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais e Municipais 2014, que pela primeira vez traz um suplemento relativo à organização da Vigilância Sanitária em estados e municípios brasileiros. A vigilância foi incluída a pedido da Anvisa como estratégia para conhecer melhor a estrutura da vigilância sanitária no país.
     
    Esta iniciativa é de grande importância para a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). O documento traz informações sobre a caracterização dos órgãos de vigilância sanitária e suas competências; formação e escolaridade do seus titulares e da força de trabalho empregada, com destaque para aspectos relacionados ao vínculo empregatício, nível de formação e qualificação. Outro questionamento feito durante a pesquisa foi sobre disponibilidade de canais que possibilitem a participação social, gestão financeira do órgão, processos integrados de trabalho e planejamento das ações.
     
    Os dados revelam que ao longo dos últimos 15 anos de definição do SNVS e criação da Agência, a vigilância sanitária no país se estruturou, ganhou importância dentro dos serviços ofertados pelo poder público e se consolidou como área fundamental para a melhoria de qualidade de vida. Os dados revelam também que, a despeito dos avanços, persistem desafios, sendo necessária grande articulação dos entes do SNVS para superá-los.
     
    Dados
     
    Em 2014, 5.559 municípios tinham pessoas responsáveis por realizar ações de vigilância, independente da existência de estrutura específica, com a qual contavam 5.448 cidades.
     
    A Integração e os arranjos institucionais para atender a necessidade de serviço da população demonstra a importância do conceito de Vigilância em Saúde na organização dos serviços. Em 3.548 (63,8%) o responsável pelas ações de vigilância sanitária era também responsável pelo menos por mais um serviço de vigilância em saúde. Dentre os serviços realizados nos municípios, o mais frequente era o serviço de vigilância ambiental (2.239), seguido pelo serviço de vigilância em saúde do trabalhador (1.679), e pelo serviço de controle de endemias (1.667). Em 268 municípios o responsável direto pelo serviço de vigilância sanitária respondia por todas as áreas tradicionais de vigilância em saúde.
     
    A consolidação da Vigilância sanitária como serviço de saúde presente na realidade brasileira pode ser demonstrada pela estrutura legal para o bom enfrentamento das situações de trabalho. Todos os estados informaram possuir Código Sanitário Estadual. Dentre os municípios, 66,2% (3.688) informaram aplicar a legislação estadual ou federal.
     
    Outro ponto abordado pela pesquisa pela sua importância para a gestão dos serviços foi a estrutura disponível para gerenciamento da informação para Gestão em Visa. De acordo as informações obtidas pela pesquisa, 5.225 municípios possuíam cadastro municipal de estabelecimentos sujeitos às ações de vigilância sanitária, porém, em 1.034 municípios, o cadastro não estava atualizado.
     
    O banco de dados e o relatório da MUNIC/ESTADIC encontram-se disponíveis no site do Ibge.
     
    Fonte: Anvisa
  • Ministério da Saúde lança versão digital do Cartão SUS

    Ministério da Saúde lança versão digital do Cartão SUS

    O Cartão SUS – que é a identidade do cidadão no Sistema Único de Saúde (SUS) – está agora a apenas um clique do cidadão e dos serviços de saúde de todo o país. O aplicativo, chamado Cartão SUS Digital, disponibilizará ferramentas importantes como o controle da aferição de pressão e medição de glicemia, o que é essencial para quem tem diabetes e hipertensão. Ao preencher as informações, a ferramenta mostrará, com auxílio de gráficos, os últimos registros de pressão máxima e mínima, bem como a evolução das taxas de glicemia. O aplicativo já está disponível para smartphones com sistema Android e a previsão é de que em novembro ele já esteja disponível na Apple Store.
     
     
    O cidadão também poderá indicar se possui alguma alergia, informar se faz uso contínuo de medicamentos, adicionar contatos de emergência e compartilhar as informações com médicos por quem estejam sendo acompanhados, o que permite traçar o diagnóstico e ofertar o tratamento mais adequado ao histórico do paciente. O aplicativo passará por atualizações nos próximos meses o que ampliará a oferta de serviços disponíveis.
     
    Segundo a pesquisa Mobile Report, da Nielsen IBOPE, 68,4 milhões de pessoas utilizam a internet pelo celular no Brasil. A ideia é que essas pessoas possam utilizar o aplicativo e, com isso, trazer economia aos cofres públicos. Isso porque, apenas em 2014, o Ministério da Saúde destinou R$ 4 milhões para a compra de mais de 13 milhões de mídias plásticas do cartão.
     
    O ministro da Saúde, Arthur Chioro, lembra que o acesso ao cartão por meio digital trará muitos ganhos a população. “Vamos aperfeiçoar cada vez mais o aplicativo de modo que seja possível ampliar a oferta de serviços disponíveis através da ferramenta, como a busca de serviços de saúde com auxílio de mapas, alerta de consultas marcadas na rede pública e até solicitar marcação de consultas pelo aplicativo”, explicou.
     
    Cartão SUS – Possibilita a identificação única dos usuários do SUS e, com isso, é possível reunir o conjunto de atendimentos realizados, onde quer que aconteçam. Hoje, todo brasileiro com CPF válido possui o número do Cartão Nacional de Saúde, como consequência da integração da base de dados do cartão (CadSUS Web) com a Receita Federal. O registro do conjunto de informações por meio da identificação do usuário é extremamente importante porque, a partir das informações reunidas, será possível acompanhar melhor a saúde dos pacientes e garantir uma atenção ainda mais adequada aos brasileiros que utilizam a rede pública de saúde. Além disso, será possível organizar ainda mais a rede de atendimento e a oferta dos serviços de saúde em todo o país.
     
    As unidades da rede pública de saúde devem prestar atendimento à população independentemente da apresentação do cartão. Se o paciente não tiver o cartão (digital ou em mídia plástica) ou mesmo o número, o registro pode ser feito no momento do atendimento. Isso vale tanto para as unidades públicas como privadas.
     
    Para descobrir o número do Cartão, o cidadão pode entrar no aplicativo, informando seu número de CPF e data de nascimento. Para quem ainda não possuir, o Cartão SUS é emitido pelas unidades de saúde pública que prestam atendimento ao cidadão nos estados e municípios. Desta forma, basta se dirigir a Unidade Básica de Saúde mais próxima da casa do cidadão para efetuar o cadastro. É necessário informar o nome do usuário do SUS, o nome da mãe, o sexo, raça e etnia, o município de naturalidade, a data de nascimento e o endereço.
     
    A partir do Cartão SUS, o Ministério da Saúde tem trabalhado na integração dos sistemas de saúde. Vários sistemas nacionais, dentre os quais, Sistema de Cadastro dos usuários do SUS (CadSUS Web), Portal do Cidadão, Sistema de Regulação (SISREG, CNRAC) e Sistema de Monitoramento do Câncer (SISCAN) encontram-se integrados à base do cartão.
     
    Fonte: Ministério da Saúde
  • Vacina contra meningite B está em falta

    Vacina contra meningite B está em falta

    São Paulo – Lançada em maio, a vacina que protege contra a meningite B já está esgotada em clínicas particulares do País. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo entrou em contato com cinco clínicas na capital e o cenário era o mesmo: a vacina estava em falta e a previsão é de que a imunização seja retomada somente em novembro.
     
    Em junho, a engenheira de alimentos Laís Zechineli, de 28 anos, conseguiu vacinar a filha Júlia, de 1 ano e 4 meses, mas encontrou dificuldades para ter acesso à segunda dose. “Disseram que estava em falta no Brasil inteiro. No domingo passado, o avô da minha filha fez exames e perguntou se tinha. Informaram que, para quem tinha tomado a primeira dose, eles reservaram a segunda. Foi assim que ela tomou.”
     
    A doença tem índice de letalidade de cerca de 30% e pode causar graves sequelas, como surdez e amputação de membros. “Com os casos no Sul (do País), imagino que deve ter acabado, mas os pais devem ficar tranquilos, pois não há registro de surtos”, diz Flávia Bravo, presidente da Regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Imunizações. O laboratório GSK, responsável pela vacina, informou que a alta demanda causou o desabastecimento. A empresa afirmou ainda que já deu orientações às clínicas para que gerenciem estoques. 
     
    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
  • A cada 3 segundos, uma pessoa é diagnosticada com demência

    A cada 3 segundos, uma pessoa é diagnosticada com demência

    Imagine o seguinte cenário: alguém lhe oferece um copo de suco de laranja e, de repente, você não tem mais ideia do que a expressão “suco de laranja” significa. A cada três segundos, uma pessoa no mundo começa a apresentar sintomas como este, estreitamente relacionados à demência. Hoje, são 46,8 milhões de pessoas vivendo com o problema, das quais 1,2 milhão estão no Brasil. E a estimativa para os próximos anos é alarmante: em 2030, devem ser 74,7 milhões de pessoas com demência no mundo, e, em 2050, esse número passará para 131,5 milhões. Os dados são do Relatório Mundial de Alzheimer, publicado ontem pela federação Alzheimer’s Disease International.
     
    A projeção para os próximos anos é feita a partir da rápida mudança ocorrida nos últimos tempos. De 2009 para cá, quase 12 milhões de novos casos surgiram. No Brasil, são cem mil a cada ano, dizem pesquisadores. — Geralmente, os sintomas aparecem depois dos 60 anos, mas o processo de demência começa cerca de três décadas antes. Como temos um número excessivo de neurônios, não sentimos. Só quando se chega ao limite é que se percebe — diz Wagner Gattaz, presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
     
    Demência é um termo geral para doenças que afetam o cérebro e as funções cognitivas. O mal de Alzheimer, que não tem cura, é a causa de 60% desses quadros. Em segundo lugar, vêm as doenças vasculares, provocadas por obesidade, diabetes e hipertensão, por exemplo. — Para tentar evitar o problema, é preciso se alimentar bem, praticar exercícios, manter o peso ideal, controlar o estresse, beber com moderação e não fumar — elenca o geriatra Rubens de Fraga Jr., conselheiro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia ( SBGG). — E, quanto maior o grau de escolaridade, menor a chance de desenvolver qualquer tipo de demência. O melhor exercício nem é fazer palavras cruzadas, mas ler, porque estimula muito mais o raciocínio e a fantasia.
     
    A IMPORTÂNCIA DO SOL
     
    O levantamento internacional destaca que 58% das pessoas com quadros de demência vivem em países em desenvolvimento ou pobres. A estimativa indica que, em 2050, esse índice chegará a 68%. A explicação vai ao encontro do que sugere Fraga Jr.: nações com baixo índice de educação, menos acesso à saúde e menos infraestrutura têm populações mais expostas às doenças que desencadeiam demência.
     
    — Pessoas que mantêm estabilidade emocional ao lidar com as dificuldades da vida e que exercitam continuamente a área do cérebro destinada à resolução de problemas têm menos chance de desenvolver demência — diz o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor da Unifesp.
     
    Ele também explica que o hormônio conhecido como vitamina D, sintetizado pela pele a partir da exposição ao Sol, ajuda a manter a vitalidade dos neurônios. Quem quase não toma sol, portanto, tem mais chance de ter demência.
     
    O relatório estima que o custo global do problema pode saltar para US$ 1 trilhão já em 2018 e, por isso, pede que os governos criem políticas públicas para tornar o diagnóstico e os possíveis tratamentos mais eficientes e baratos.
     
    Fonte: O Globo