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  • Infecções são causa de 30% das internações de quem tem câncer

    Infecções são causa de 30% das internações de quem tem câncer

    Um levantamento do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) mostra que 30% das internações de pacientes com câncer se devem a infecções generalizadas (também conhecida como sepse), o que equivale a cerca de 100 pacientes por mês na instituição.
     
    O objetivo do estudo é ressaltar a importância de os hospitais padronizarem o atendimento a quem tenha suspeita de sepse –isso acontece no Icesp, mas não em boa parte dos hospitais, o que deve fazer com que os números sejam ainda mais altos em outras instituições.
     
    Um dos problemas é que os sintomas são inespecíficos, o que significa que o diagnóstico nem sempre é imediato.
     
    No caso de pacientes com câncer, é especialmente preocupante. O organismo já é naturalmente imunologicamente mais frágil nesses pacientes, o que justifica tomar uma série de cuidados, como, por exemplo, lavar as mãos e ter bons hábitos de higiene.
     
    O choque séptico é a forma mais grave da sepse, quando a função dos órgãos já está comprometida. O índice de mortalidade no país é de 55%. Na Europa, América do Norte e Austrália o índice é de 25%, de acordo com a cardiologista especialista em UTI do Icesp, Ludhmila Abrahão Hajjar, que também é professora da Faculdade de Medicina da USP.
     
    TRATAMENTO DE CÂNCER
     
    O próprio tratamento contra o câncer podem aumentar o risco de infeção, explica o oncologista do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo Fernando Maluf.
     
    Isso porque técnicas como a quimioterapia e a radioterapia também podem agredir as células brancas do sangue ou provocar lesões locais, respectivamente.
     
    No primeiro caso, o organismo perderia a principal linha de defesa interna ao organismo. Já no segundo, as lesões funcionam como porta de entrada para germes.
     
    No entanto, as chances variam de acordo com o tipo de tumor. No caso de um câncer no sangue como a leucemia, por exemplo, a chance de a internação se dever a uma infecção é muito maior do que quando uma mulher está fazendo controle de metástase com uma quimioterapia, diz Maluf.
     
    No tratamento de alguns cânceres mais complicados, que apresentam risco de gerar infecção, podem ser administrados antibióticos profilaticamente e existe até um medicamento injetável que é capaz de estimular a produção de células brancas para proteger o organismo.
     
    Uma doença aumenta aumenta muito agressividade da outra, explica Ludhmila: um paciente com câncer tem uma chance maior de morrer.
     
    “O pior é que depois do choque séptico, a pessoa fica pelo menos 20 dias internada. O paciente fica débil, fraco, desnutrido e para voltar ao tratamento oncológico pode demorar de meses a anos.”
     
    A sepse atinge 400 mil pessoas anualmente no país e grande parte das pessoas morre por conta de uma demora em iniciar o tratamento –algumas horas podem fazer a diferença.
     
    Entre as possíveis causas da da infecção generalizada e do choque séptico estão infecções mal resolvidas, como a urinária, a gástrica ou mesmo uma pneumonia. Os pacientes que tenham infecções recorrentes também devem estar atentos e procurar um médico.
     
    A reação inflamatória provocada pelos micróbios acaba afetando o funcionamento de todos os órgãos, lesando os tecidos e prejudicando seu funcionamento normal. “O rim para, o fígado para é complicado”, diz a médica.
     
    CAMINHO DA INFECÇÃO
    Por que a sepse é um problema (também) para quem tem câncer
     
    30%
    é a fração de internações de pacientes com câncer por causa de infecções*
     
    55%
    é o índice de mortalidade de sepse no Brasil
     
    400 mil
    novos casos de sepse são relatados por ano no Brasil
     
    DICAS QUE VALEM PARA TODOS, COM CÂNCER OU NÃO
     
    > Lavar as mãos frequentemente
     
    > Procurar um médico no caso de infecções recorrentes
     
    > Não tomar antibióticos por conta própria
     
    Fonte: Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), Fernando Maluf (oncologista)
  • Saiba quais os riscos de tomar anticoncepcional

    Saiba quais os riscos de tomar anticoncepcional

    A auxiliar de cozinha Daniela Borges, de 23 anos, estava trabalhando em sua cidade, Itumbiara, Goiás, quando sentiu uma forte dor de cabeça acompanhada de tontura. Em seguida, parou de escutar com o ouvido esquerdo, começou a vomitar e sua visão embaçou. Em pânico, procurou um hospital, só que os profissionais demoraram para entender o que estava acontecendo. Primeiro pensaram em labirintite. Depois, cogitaram uma crise de sinusite ou até mesmo um derrame. Uma semana depois, finalmente se deram conta de que ela estava com uma trombose venosa cerebral, que, ainda bem, pôde ser controlada com medicamentos. Mas foi por pouco. “Se demorasse mais um dia, eu teria morrido”, relembra Daniela. Na apuração da causa do problema, todas as evidências encontradas apontaram para a pílula.
     
    O relato é assustador. Afinal, 61,6% das brasileiras tomam o comprimido regularmente para evitar uma gravidez, segundo o IBGE. Será que o método que revolucionou a humanidade de repente não é mais seguro? O temor entre as mulheres aumenta a cada depoimento nas redes sociais. O zumzum-zum é tanto que foi criada uma página no Facebook dedicada ao tema, a “Vítimas de Pílulas Anticoncepcionais — Unidas a Favor da Vida”, que já conta com mais de 58 mil seguidores. Os relatos mais chocantes, como o de Daniela, são de tromboembolismo — o surgimento de um coágulo na corrente sanguínea, que viaja pelo corpo até alcançar os pulmões ou o cérebro.
     
    Acontece que, apesar da sensação de alarme, não dá pra sair por aí condenando a pílula à fogueira. O tromboembolismo causado pelo anticoncepcional é um fenômeno raro. De acordo com uma publicação recente da Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá, independentemente do uso do remédio, a encrenca já atinge uma em cada 2 mil mulheres por ano. Se a pílula entrar no jogo, esse índice duplica, mas ainda é relativamente baixo. Para você ter ideia, a probabilidade de um episódio desses é bem maior em grávidas: a gestação aumenta em seis vezes o risco. Entre as mulheres que acabaram de virar mães, o perigo catapulta. A possibilidade é 80 vezes maior. “Sem dúvida o tromboembolismo é uma tragédia para as pessoas que passaram por ele, mas devemos ter em mente que a sua incidência por causa da pílula é muito pequena”, ressalta o médico Pedro Komlós, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.
     
    Em geral, o contraceptivo só desencadeia a complicação em uma conjunção de fatores. Na maioria das vezes, as mulheres já apresentam uma trombofilia, condição genética ou provocada por doenças autoimunes (como lúpus) que desequilibra o processo de coagulação do sangue. É claro que, nesses casos, a medida certa seria simplesmente não tomar a pílula. Ocorre que as pessoas raramente sabem da existência da disfunção. E, como a trombofilia não dá sintomas, fica difícil identificar quem está sob ameaça. Além disso, para que o coágulo apareça e cause transtornos, a mulher costuma passar por alguma circunstância que altere a consistência ou a velocidade do sangue. Pode ser uma pancada na perna, uma virose, ficar muito tempo sentada dentro do avião…
     
    O fato é que, embora não seja tão comum, o tromboembolismo é grave. O coágulo pode se formar nas veias da perna, se soltar e trafegar até o pulmão, gerando uma embolia, quadro tantas vezes fatal. Em algumas vítimas, como Daniela, o danado surge no coração e viaja ao cérebro, onde entope um vaso e corta o fluxo sanguíneo. A condição pode ser remediada, mas é capaz de deixar sequelas.
     
    E que parcela de culpa a pílula teria nessa história? Bom, seu envolvimento nesse desfecho ainda não foi totalmente elucidado. Numa tentativa de esclarecer a questão, o FDA, agência que regula a venda de medicações nos Estados Unidos, se uniu a universidades e se debruçou sobre dados médicos de 800 mil mulheres entre 2001 e 2007. Concluiu que os anticoncepcionais orais mais perigosos nesse sentido — quando existe predisposição, vale lembrar — são aqueles que combinam hormônios, isto é, juntam estrogênio e progesterona. Coincidentemente, esse é o tipo mais usado pelas mulheres.
     
    Na mesma análise, os especialistas descobriram que as pílulas mais novas, de terceira e quarta geração, têm uma probabilidade de duas a três vezes maior de patrocinar uma trombose. A maioria dos incidentes acontecia após sete a 12 meses de utilização. Tais resultados levaram a entidade a emitir um alerta, que repercutiu no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que os profissionais de saúde sejam mais criteriosos ao prescrever o anticoncepcional.
     
    Pare de tomar a pílula?
     
    Quando o médico detectou o tromboembolismo em Daniela, fez questão de ler em voz alta a bula do anticoncepcional: “Usuárias de qualquer contraceptivo oral combinado apresentam risco aumentado de eventos trombóticos venosos em comparação a não usuárias. A condição é fatal em 1 a 2% dos casos”. A garota ficou em choque. Ela não tinha a menor ideia de que corria perigo, muito menos de que era portadora de uma disfunção que o amplificava. Hoje, um ano depois, ela se pergunta por que não foi avisada. “Se eu soubesse, não teria tomado. Eu não posso mais trabalhar por causa das sequelas”, lamenta.
     
    Para impedir situações como essa, a orientação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é que, antes de receitar o anticoncepcional oral, os ginecologistas realizem uma entrevista e um exame físico detalhado. “Cabe ao médico, na consulta inicial, fazer todas as perguntas para avaliar os antecedentes pessoais e familiares da paciente, que indiquem possíveis riscos ou contraindicações ao uso de qualquer contraceptivo hormonal”, afirma Marta Franco Finotti, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo.
     
    Desde 2(X)4, a Organização Mundial da Saúde faz a mesma recomendação e ainda reforça que os ginecologistas devem alertar suas pacientes sobre possíveis complicações. Além dos “eventos trombóticos venosos”, há evidências de que o uso contínuo da pílula estimule, em algumas mulheres, o desenvolvimento de tumores benignos no fígado, por exemplo. Um estudo publicado no respeitado The New England Journal of Medicine em 2012 constatou que o anticoncepcional aumenta, ainda, a suscetibilidade a infartos e AVCs.
     
    Na prática, porém, nem todos os profissionais aderem à diretriz. De acordo com Jaque-line Neves Lubianca, ginecologista e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os médicos temem aterrorizar as pacientes com uma enorme lista de pequenos riscos em potencial, o que levaria ao abandono do método — sim, em números absolutos, os riscos são pequenos. Se isso acontece, seriam inflacionados os índices de gravidez indesejada no país, que já chegam a 30%, segundo a Fundação Oswaldo Cruz. Pior: pode-se abrir caminho a um aumento na busca por abortos, procedimento ilegal no Brasil e que envolve danos à saúde. “Temos de ser abrangentes na prescrição da pílula no intuito de disseminar e justificar a importância de um método contraceptivo, principalmente diante das adolescentes”, analisa Jaqueline.
     
    Mas não dá pra terceirizar a responsabilidade apenas para os médicos. Muitas vezes, as usuárias de pílula o fazem por conta própria, sem se submeter a uma consulta. Ana Calila Santos, de 29 anos, aprendeu essa lição da pior forma. Há seis meses, a comerciante de Conceição do Coité, na Bahia, também teve uma embolia cerebral desencadeada pelo anticoncepcional. Ela havia pedido uma indicação a uma amiga e comprou o medicamento sem receita. Como conseqüência, ficou 15 dias na UTI com fortes dores na cabeça e problemas de visão. “Eu não deveria ter feito isso, mas nunca imaginei correr qualquer risco”, diz Ana, que também compartilhou sua experiência no Facebook.
     
    Tanto Daniela quanto Ana gostariam de ter tido acesso a mais informações e acreditam que os profissionais deveriam solicitar o exame para detectar a trombofilia ou predisposição à trombose, que depende de uma amostra de sangue. O Ministério da Saúde garante que o exame faz parte da tabela do SUS e que fica a critério do médico indicá-lo caso haja suspeita. Os especialistas pedem, no entanto, muita calma nessa hora. A Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia discorda que o teste deva virar rotina. Em nota, a entidade pontua que o exame é caro e não determina de forma definitiva o risco de trombose. “Alterações genéticas que levam a essa condição são muito raras. Não faz sentido testar todo mundo”, argumenta Antônio Paulo Stockler, ginecologista do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense. O custo/benefício é maior, inclusive para a paciente, quando ela passa por uma consulta minuciosa.
     
    Ganhos e perda… de terreno
     
    O outro lado da moeda, quer dizer, da pílula, é que a versão combinada, a mais popular, também traz benefícios que não se restringem à prevenção da gravidez. “Ela controla o fluxo e a freqüência da menstruação, reduz sintomas da TPM, como cólicas, e ainda ajuda a evitar pelos e espinhas no rosto”, exemplifica o ginecologista José Bento, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Estudos indicam também que, na contramão das ameaças para alguns grupos, o anticoncepcional ainda protege grande parte delas de doenças graves. Um trabalho recém-publicado no The Lencet Oncology concluiu que, a cada cinco anos de uso, a medicação está associada a um risco 25% menor de câncer no endométrio. E cálculos do Instituto Nacional de Câncer americano sinalizam que meia década de utilização faz cair pela metade o risco de tumores nos ovários. Embora haja indícios preliminares de que a pílula, dependendo da formulação, eleve um pouco a probabilidade de câncer de mama, pesquisas sugerem proteção extra para o intestino.
     
    Apesar das vantagens e da praticidade, a pílula não é unanimidade em termos de preferência — e se observa uma tendência, da parte dos médicos, de priorizar os chamados métodos de longa duração, como o DIU (entenda mais sobre essas alternativas à esquerda). A demanda tem feito inclusive as farmacêuticas repensarem seu portfólio. A Bayer, curiosamente uma das maiores fabricantes de pílulas do planeta, acaba de lançar o menor sistema intrauterino do mundo.
     
    O mini-DIU, que tem duração de três anos, é instalado pelo ginecologista no consultório e, em função do tamanho pequeno, pode ser utilizado por mulheres que ainda não tiveram filhos. O DIU regular não costuma ser a preferência das jovens, uma vez que elas possuem o colo do útero mais estreito e isso gera dor quando o dispositivo é inserido. A novidade, já comercializada fora do país, ainda oferece baixas doses de progesterona, o que eleva seu perfil de segurança. Por aqui, ela aguarda liberação da Anvisa, e a expectativa é que chegue ao mercado nos próximos meses. Como se vê, a pílula definitivamente já não reina sozinha. Ela tem e terá seu espaço, mas convenhamos que, com mais opções (e uma boa indicação médica), é a saúde das mulheres que sairá no lucro.
     
    Fonte: Revista Saúde É Vital
     
  • Concentração de neurônios determina tempo de sono

    Concentração de neurônios determina tempo de sono

    A relação entre a densidade de neurônios e a quantidade diária de horas de sono pode ajudar a explicar como os mamíferos ganharam cérebros maiores, aponta um estudo da neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel.
     
    Tudo indica que o papel mais importante do sono é fazer uma faxina cerebral, recolhendo moléculas potencialmente nocivas. Ocorre que, quando um mamífero está acordado, o fluido que é responsável por carregar o “lixo” dos neurônios para longe deles só consegue alcançar uma área relativamente pequena do cérebro.
     
    Isso acontece, grosso modo, porque os neurônios do cérebro estão “inchados”. Quando o sono vem, é como se o tecido cerebral relaxasse, de maneira que ele é banhado pelo fluido de forma mais homogênea, facilitando a faxina.
     
    Pois bem: ao analisar 24 mamíferos, Suzana verificou que, em geral, bichos maiores e de cérebro mais avantajado eram os que dormiam menos.
     
    O detalhe crucial é que, nos grandalhões, o tamanho da superfície do cérebro era relativamente menor em relação ao córtex cerebral como um todo. Além disso, os neurônios tendiam a ser maiores também.
     
    Com neurônios maiores, menos células desse tipo podem ser empacotadas no mesmo espaço do cérebro, o que leva a uma circulação mais eficiente de fluido –realizando uma faxina mais eficiente à noite, com menos horas de sono. O estudo está na “Proceedings of the Royal Society B”.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Apneia do sono pode ser muitas vezes diagnosticada como depressão

    Apneia do sono pode ser muitas vezes diagnosticada como depressão

    Mais de 70% das pessoas que sofrem de apneia do sono apresentam sintomas de depressão. O que significa que, em muitos casos, o transtorno psiquiátrico na verdade é provocado por interrupções constantes na respiração durante o sono.
     
    A conclusão é de um estudo publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine e divulgado no siteMedical News Today.
     
    A apneia do sono é um problema frequente, que tem sido associado ao aumento do risco de hipertensão, doenças cardíacas, derrame e diabetes tipo 2. O tratamento mais comum é o uso de uma máscara de pressão positiva, a CPAP, que mantém as vias aéreas desobstruídas durante a noite.
     
    Pesquisadores da Universidade Western Australia avaliaram mais de 400 pacientes, dos quais 293 foram diagnosticados com apneia do sono. Desse total, 73% apresentavam sintomas de depressão, que eram mais intensos conforme a gravidade da apneia.
     
    Os 228 participantes que aderiram ao uso da máscara de pressão positiva relataram uma redução significativa nos sintomas depressivos depois de 3 meses de tratamento. Além disso, 41 pacientes que apresentavam pensamentos suicidas deixaram de manifestar o sintoma depois desse período.
     
    Os pesquisadores sugerem que os pacientes que sofrem de depressão devem conversar com seus médicos sobre eventuais alterações de sono, como ronco frequente e sonolência diurna. E é importante que os psiquiatras considerem a possibilidade de pedir um exame de polissonografia.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • ” da mente

    ” da mente

    Um homem com paralisia conseguiu recuperar parte do controle sobre as pernas e caminhar com apoio usando um aparelho que “lê” o cérebro, de acordo com cientistas.
     
    Depois de capturadas, as ondas cerebrais do paciente foram interpretadas por um computador, que então enviou estimulação elétrica aos músculos de sua perna.
     
    No estudo, feito nos Estados Unidos e publicado no “Journal of Neuroengineering and Rehabilitation”, o homem conseguiu andar um pouco menos do que quatro metros, com ajuda de um andador ortopédico.
     
    Especialistas elogiaram o trabalho preliminar, mas afirmaram que, para que a pessoa possa andar de forma independente, ainda é preciso descobrir como ela poderia manter o equilíbrio.
     
    Uma lesão na medula geralmente impede a transmissão de mensagens do cérebro para o resto do corpo. Mas, em princípio, o cérebro continua sendo capaz de criar essas mensagens, assim como as pernas ainda estão aptas a recebê-las.
     
    Os pesquisadores da Universidade da Califórnia usaram um sistema para conectar o cérebro do paciente ao computador e, com isso, transpor a lesão do homem, que havia perdido o movimento das pernas há cinco anos.
     
    Eles usaram uma touca de eletroencefalograma para ler a atividade cerebral do homem. Este tinha sido treinado a controlar um avatar em um jogo de computador.
     
    'ESTUDO INTERESSANTE'
     
    Após esta fase, foram colocados eletrodos nos músculos de sua perna e o paciente começou a treinar a execução de movimentos.
     
    “Mostramos que é possível restaurar o andar intuitivo, controlado pelo cérebro, após uma lesão completa na medula”, disse um dos pesquisadores, Dr. An Do.
     
    “Esse sistema não invasivo para estimular músculos da perna é um método promissor e um avanço em relação aos sistemas atuais de controle pelo cérebro, que usam realidade virtual e exoesqueletos robóticos.”
     
    Já Mark Bacon, da entidade Spinal Research, disse à BBC que este é um “estudo em estágio inicial interessante”.
     
    “É interessante porque ele se afasta do campo da realidade virtual ao ativar músculos de membros inferiores em um padrão de caminhada.”
     
    “Quanto a isso, houve sucesso. Mas caminhar de forma independente ainda está longe, até porque a questão de manter o equilíbrio não foi abordada.” 
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Deficiências no metabolismo lipídico podem estar envolvidas na patogênese da enxaqueca

    Deficiências no metabolismo lipídico podem estar envolvidas na patogênese da enxaqueca

    Uma nova pesquisa sugere que a enxaqueca pode estar associada a irregularidades no metabolismo de certos lipídeos, abrindo novos caminhos para a investigação de possíveis tratamentos e biomarcadores para a doença [1].
     
    A pesquisa foi publicada online no início de setembro no periódico Neurology e teve foco em um grupo de lipídios bioativos conhecidos como esfingolipídeos, que são componentes críticos de membranas celulares e também desempenham um papel na regulação da homeostase energética, apoptose e inflamação.
     
    Os pesquisadores do Johns School of Medicine destacam que distúrbios neurológicos como resultado de deficiências graves em enzimas que regulam o metabolismo de esfingolipídeos são descritos há muito tempo (por exemplo, a doença de Gaucher), entretanto estudos recentes têm sugerido que mesmo alterações sutis no equilíbrio de esfingolípidos podem estar envolvidas em demência, esclerose múltipla, obesidade, e dor.
     
    De maneira inovadora, em seu estudo, eles mostraram mudanças nos níveis esfingolipídios em pacientes com enxaqueca, implicando particularmente em dois subtipos de esfingolipídios: ceramida e esfingomielina.
     
    Segundo os autores os resultados sugerem que é possível que a enxaqueca seja um distúrbio neurológico “menor” do metabolismo de esfingolipídeos. Entretanto reiteram a necessidade de mais pesquisas, validando as associações de ceramida e esfingomielina com enxaqueca, bem como mecanismos que levam a essas associações… “Isso pode melhorar a compreensão da fisiopatologia da enxaqueca e possibilitar a identificação de novos biomarcadores da enxaqueca e drogas terapêuticas direcionadas contra vias esfingolipídios.”
     
    O estudo…
     
    Para o estudo, 52 mulheres com enxaqueca episódica (com média de 5,6 dias de dor de cabeça por mês) e 36 mulheres sem qualquer dor de cabeça foram submetidas a exame neurológico, estimativa de índice de massa corporal medido, e  coleta de amostras de sangue para a dosagem de vários esfingolipídeos.
     
    Os resultados mostraram que os níveis totais de ceramidas foram diminuídos em mulheres com enxaqueca episódica em comparação com aquelas mulheres sem cefaleia. Mulheres com enxaqueca tinham níveis de aproximadamente 6000 ng/mL vs cerca de 10.500 ng/mL para mulheres sem dor de cabeça. Cada aumento do desvio padrão dos níveis totais de ceramida foi associada a uma redução do risco de enxaqueca superior a 90%.
     
    Além disso, foram encontrados dois tipos de esfingomielinas com níveis aumentados em mulheres com enxaqueca, com cada aumento desvio padrão associado a risco 2,5 vezes maior para a enxaqueca.
     
    Os pesquisadores também testaram o sangue de uma pequena amostra aleatória de 14 dos participantes para um painel desses lipídios e foram capazes de identificar corretamente aqueles que tinham enxaqueca ou que eram controles sem dor de cabeça, com base nesses níveis de lipídios no sangue.
     
    Comentário
     
    A enxaqueca é uma condição debilitante, extremamente prevalente, com patogênese pouco conhecida. O estudo comentado indica que a condição pode estar relacionada a alterações “menores” no metabolismo de esfingolipídeos, em especial ceramida e esfingomielina. Essa descoberta, apesar do reduzido número amostral, abre portas para novas pesquisas, com foco em diagnóstico e novas linhas de tratamento.
     
    Referências
     
    Peterlin BL, Mielke MM, Dickens AM, Chatterjee S, Dash P, Alexander G, et al. Interictal, circulating sphingolipids in women with episodic migraine: A case-control study. Neurology [Internet]. Lippincott Williams & Wilkins; 2015 [cited 2015 Sep 13];10.1212/WNL.0000000000002004. Available from: http://www.neurology.org/content/early/2015/09/09/WNL.0000000000002004.abstract
     
    Fonte: https://farmaceuticoclinico.com.br/groups/view/5/topic_id:1492/show:topics
  • 5.000% a mais por uma droga contra AIDS e câncer

    5.000% a mais por uma droga contra AIDS e câncer

    No complexo e cada vez mais importante debate sobre os custos da saúde, acaba de surgir um personagem que vai galvanizar a atenção dos políticos e do público, e colocar o custo dos medicamentos no meio da campanha presidencial norte-americana.
     
    Martin Shkreli, de 32 anos, se tornou uma espécie de jovem Mr. Burns do mundo real — o símbolo da ganância desenfreada — depois que o The New York Times publicou ontem a estória da Turing Pharmaceuticals, a empresa de medicamentos fundada e dirigida por Shkreli, ex-gestor de um fundo de investimentos. Em agosto, a Turing comprou os direitos de comercializar uma droga chamada Daraprim, um remédio que existe há 62 anos e é usado para tratar crianças com toxoplasmose e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, principalmente pacientes com AIDS e câncer.
     
    Cada comprimido de Daraprim custava 13,50 dólares, até que a Turing aumentou o preço, da noite para o dia, para 750 dólares — meros 5.455% a mais.
     
    O Times foi atrás e descobriu que aumentos abusivos no preço de medicamentos estão se tornando a cocaína da indústria farmacêutica americana.
     
    Exemplo 1: A cicloserina é um medicamento usado para tratar um tipo de tuberculose resistente a vários tipos de drogas. Depois que foi adquirida pela Rodelis Therapeutics, o preço pulou de 500 dólares (a embalagem com 30 pílulas) para impagáveis 10.800 dólares. (A empresa ‘justificou’ ao NYT que precisava do aumento para investir mais e assim poder garantir o fornecimento.)
     
    Exemplo 2: Recentemente, a Valeant (uma das maiores farmacêuticas dos EUA) comprou duas drogas para doenças coronarianas: a Isuprel e a Nitropress. Imediatamente, os preços subiram 525% e 212%, respectivamente. Detalhe: a empresa que anteriormente detinha os direitos já havia quintuplicado os preços das drogas desde 2013, quando as comprou de seu proprietário anterior.Exemplo 3: Um antibiótico chamado doxiciclina foi de 20 dólares em outubro de 2013 para 1.849 dólares em abril de 2014.
     
    Hoje de manhã, a matéria do NYT explodiu na cena política americana. Hillary Clinton, a pré-candidata do Partido Democrata, tuitou que esse tipo de aumento abusivo é inadmissível e prometeu apresentar amanhã um plano para combater esta prática. O tweet de Hillary derrubou os preços de várias empresas farmacêuticas, e fez o índice Nasdaq despencar momentaneamente.
     
    No sistema de saúde americano, o programa federal Medicaid (que tenta garantir acesso à saúde para os mais pobres) e alguns hospitais conseguem comprar medicamentos com desconto, mas as seguradoras privadas, o programa Medicare e pacientes hospitalizados costumam pagar o preço de tabela.
     
    Shkreli, o Mr. Burns da estória, conseguiu piorar a situação com frases de sensibilidade ímpar. Explicando a explosão no preço da Daraprim à Bloomberg, ele disse: “Esta droga salva sua vida por 50 mil dólares. Isso ainda é uma barganha para as seguradoras. Neste preço, não é nem pra pensar.”
     
    Para o próprio NYT, posou de empreendedor fazendo a coisa certa: “Isso aqui não é uma companhia gananciosa tentando lesar pacientes. É a gente tentando continuar no azul.” (ele argumenta que, como os pacientes tendem a usar a droga ‘apenas’ por algumas semanas, o aumento não é um ‘big deal’.) Por essas e outras, já foi chamado no Twitter de ‘bloodsucker’ e ‘pharma-Hitler’.
     
    O problema é que Shkreli não tem credibilidade. De acordo com o Times, depois de lançar seu fundo de investimentos com vinte e poucos anos, Shkreli chamou atenção ao empregar uma tática que confirma seus limites éticos (ou a falta deles): ele fazia lobby junto à FoodDrug Administration (a agência do governo americano que aprova medicamentos) para que a agência não aprovasse drogas fabricadas por algumas empresas. Quais empresas? Aquelas contra as quais seu hedge fund apostava na Bolsa.
     
    Uma pessoa que conhece Shkreli disse à coluna que a comparação com Mr. Burns é um insulto… a Mr. Burns. Mas, como a Daraprim é uma droga de uso limitado — houve apenas 8.800 receitas nos EUA ano passado — Shkreli provavelmente vai se safar.
     
    O debate sobre custos médicos em geral (e de medicamentos em particular) está pegando fogo em todas as partes do mundo. Os fabricantes de medicamentos precisam de políticas públicas que não tolham a pesquisa e o investimento, já que as drogas não nascem do intelecto e boa vontade dos cientistas apenas, mas também do incentivo que os acionistas das empresas têm ao financiar as pesquisas.
     
    Mas casos como o de Shkreli e os outros listados pelo NYT jogarão a opinião pública (com razão) contra a indústria, e os justos provavelmente acabarão pagando pelos pecadores.
     
    Fonte: Veja Online
     
  • Prevenção no DNA

    Prevenção no DNA

    O mapeamento do genoma humano representou um avanço sem precedentes para a medicina. Hoje, sabe-se que fatores genéticos estão presentes em patologias das mais variadas especialidades médicas, seja determinando, seja contribuindo, em conjunto com outros fatores ambientais e não genéticos, para a eclosão de doenças. Esse conhecimento pode ajudar a evitar enfermidades antes mesmo da concepção, no caso de uma reprodução assistida. Há ainda importantes testes durante a gestação que preparam familiares e especialistas para uma atenção especial no parto.
     
    Segundo Marcos Aguiar, professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Serviço de Genética do Hospital das Clínicas, quando se pensa na genética em função da prevenção, a primeira coisa a se fazer é uma história familiar. “Por meio dela, sabemos se há risco aumentado para algumas doenças. Temos exames para identificar isso, embora ainda exista uma série de limitações”, diz
     
    Aguiar explica que, para a maioria das patologias, principalmente as mais comuns, ainda não se sabe exatamente como é a interação entre os fatores genéticos e os ambientais. “Já foram identificados, por exemplo, muitos genes relacionados ao diabetes, mas poucos daqueles que definem se a pessoa terá ou não a doença”, ressalta.
     
    Esses são os chamados genes de predisposição. “Quando a pessoa tem uma mutação, pode ter uma chance maior de desenvolver a doença. É preciso que fique claro que não significa que ela vai ter o problema. Trata-se de uma indicação de uma probabilidade maior”, ressalta Aguiar. Segundo o especialista, a grande questão é que a maioria das doenças, as mais comuns, não depende apenas de fatores genéticos, mas também dos externos.
     
    “No caso de um diabético, mais importante do que identificar os genes é fazer uma dieta adequada. O mesmo se aplica àqueles com histórico familiar de cardiopatias isquêmicas, como o infarto. Nessa condição, mais importante do que fazer um estudo genético é praticar exercício físico e ter uma dieta saudável”, exemplifica.
     
    Aguiar explica que a genética ajuda muito na identificação de grupos de risco. Como entre pessoas com um histórico familiar de câncer, já que existem alguns tumores malignos com natureza genética. “Se for encontrada uma mutação de gene, não significa que a pessoa necessariamente terá câncer. Uma mutação nos BRCA1 e BRCA2, por exemplo, indica uma maior probabilidade de a mulher ter câncer de mama e de ovário e de o homem ter câncer de mama e de próstata”, pondera.
     
    Mais indicados
     
    Quando procurar um geneticista? Para Aguiar, as situações mais comuns são quando existe uma doença genética bem estabelecida na família, como fibrose cística, anemia falciforme, síndrome de Down e outras máformações, além do câncer. Outra situação são casais que planejam engravidar e têm um filho, parente próximo ou são consanguíneos de alguém com má-formação.
     
    Mulheres com histórico de abortamento de repetição, que tiveram um filho natimorto e aquelas com mais de 35 anos também podem se beneficiar de uma investigação desse tipo. “O geneticista pode ajudar na prevenção para que os problemas não ocorram de novo ou informar sobre os riscos para que as pessoas tomem suas decisões reprodutivas”, explica.
     
    O Projeto Genoma Humano representou uma revolução em relação às gestações de risco, ao tratamento fetal e ao aconselhamento familiar. Segundo Anisse Chami, médica geneticista do Grupo Hermes Pardini e da Rede Mater Dei de Saúde, ao se pensar em genética e prevenção, é preciso considerar os cuidados maternos para evitar má-formações congênitas e doenças genéticas antes mesmo da gravidez.
     
    “O uso do ácido fólico evita defeitos do tubo neural, estrutura que forma o sistema nervoso central. O consumo de álcool durante a gestação pode causar graves e diversos problemas para o feto, culminando, inclusive, em um quadro chamado síndrome alcoólica fetal. Doenças maternas como lúpus eritematoso sistêmico, obesidade e diabetes melitus devem ser controladas, pois estão associadas a má-formações congênitas. Determinados medicamentos de uso controlado, muitas vezes, também requerem substituições por outros que não causariam problemas fetais”, lista Chami.
     
    Gravidez assistida
     
    Segundo Rívia Mara Lamaita, ginecologista especialista em infertilidade, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Centro de Reprodução Humana da Rede Mater Dei de Saúde, ainda entre os cuidados pré-gestacionais, existe a possibilidade de fazer um diagnóstico genético pré-implantacional (PGD). Nesse tipo de rastreamento, depois de identificada alguma doença genética na família do pai ou da mãe, pesquisa-se se alguns dos embriões candidatos à implantação têm a mesma mutação para que seja evitada a implantação de um embrião não saudável.
     
    A outra opção é o screening cromossômico pré-gestacional (PGS), que avalia casais com risco reprodutivo aumentado de ter anomalias cromossômicas por causa da idade, por exemplo. O acesso a esses exames, entretanto, ainda é pequeno — o PGS custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil, por exemplo. Por outro lado, eles podem garantir, se identificada alguma dessas situações, a possibilidade de fazer uma seleção de embriões com o objetivo de evitar uma doença gênica. “É possível ainda eleger o melhor embrião para uma gravidez saudável, o que também pode diminuir a incidência de gestação múltipla”, explica Rívia.
     
    Fonte: Correio Braziliense
     
     
     
  • Britânicos pedem permissão para alterar genes de embriões humanos

    Britânicos pedem permissão para alterar genes de embriões humanos

    Cientistas britânicos pediram permissão para alterar os genes de embriões humanos em experimentos destinados a descobrir mais informações sobre os primeiros estágios do desenvolvimento. O pedido aparece apenas alguns meses depois de pesquisadores chineses causarem furor internacional ao realizarem, pela primeira vez na História, um experimento em que modificaram genes de embriões humanos, abrindo calorosos debates sobre as questões éticas que envolvem o assunto.Desta vez, pesquisadores do Instituto Francis Crick, de Londres, pediram ao órgão regulador de fertilidade do governo britânico licença para realizar experimentos semelhantes. O departamento, por sua vez, confirmou o recebimento do pedido, que ainda será analisado.
     
    A pesquisadora, uma cientista de células-tronco chamada Kathy Niakan, salientou que a intenção é aplicar o experimento em reprodução humana e que seu objetivo é aprofundar a compreensão científica de como um embrião saudável se desenvolve.
     
    “Esse conhecimento pode melhorar o desenvolvimento do embrião após a fertilização in vitro e proporcionar melhores tratamentos clínicos para a infertilidade”, disse ela em um comunicado, acrescentando: “Quaisquer embriões doados seriam utilizados apenas para fins de pesquisa”.
     
    Cientistas de todo o mundo estão atualmente debatendo o potencial uso futuro da nova tecnologia genética conhecida como CRISPR- Cas9, que permite aos pesquisadores alterarem praticamente qualquer gene, inclusive em embriões humanos.
     
    Embora a tecnologia permita aos cientistas encontrar e alterar ou substituir defeitos genéticos, os críticos dizem que ela também tem o potencial de criar “bebês projetados” — um conceito amplamente desaprovado.
     
    PEDIDOS DE CAUTELA
     
    Em março deste ano, a revista “Nature” publicou um alerta de alguns dos pesquisadores mais respeitados na área, pedindo uma moratória em estudos que envolvam a manipulação genética de espermatozoides, óvulos e embriões humanos. O artigo foi assinado pelo presidente da Aliança para a Medicina Regenerativa, o cientista Edward Lanphier, e por outros quatro especialistas.
     
    Fonte: O Globo
  • A praga do diabetes

    A praga do diabetes

    O diagnóstico do diabetes na vida adulta geralmente está relacionado a uma dieta rica em açúcar e gorduras. Combinada a uma rotina sedentária, a má alimentação é uma condição propícia para o desenvolvimento da resistência à insulina, a substância responsável por equilibrar o nível de glicose no sangue. No entanto, mesmo alimentos saudáveis, como peixes e vegetais, podem ocultar um vilão pouco conhecido: pesticidas e outros compostos químicos que persistem por anos no solo e no organismo de animais e podem aumentar as chances de desenvolvimento de todos os tipos da síndrome metabólica em 61%.
     
    O número foi divulgado no encontro da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes, semana passada, em Estocolmo. Um grupo de cientistas analisou 21 pesquisas que estudaram a relação entre os pesticidas e o diabetes em mais de 66 mil indivíduos de diversos países. “Nós ficamos surpresos com a consistência dos resultados em diferentes subgrupos e com a análise de sensitividade, onde o risco relativo permanece alto”, afirmou ao Correio Evangelos Evangelou, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Imperial College, de Londres, e um dos autores do trabalho comparativo.
     
    Evangelou ressalta que os artigos analisados não explicam o mecanismo que pode ligar os pesticidas à doença. No entanto, ele também lembra que existem outros trabalhos experimentais — feitos com animais e em testes in vitro — mostrando que os pesticidas podem estimular a resistência à insulina, o que levaria ao desenvolvimento do diabetes tipo 2. Quando investigaram especificamente a influência desses contaminantes sobre a variação desse tipo de diabetes, os artigos apontaram para um aumento de incidência de até 64%. “Mas seria importante a realização de uma revisão sistemática dos mecanismos do desenvolvimento desse diabetes por meio dos pesticidas e contaminantes orgânicos em geral”, pondera o pesquisador.
     
    As análises não indicaram se a predisposição genética ou outros agentes ambientais agravam o efeito dos pesticidas sobre o metabolismo, mas alguns fatores indicam que os pacientes com maior índice de gordura corporal podem estar mais sujeitos ao diabetes causado pela exposição aos compostos tóxicos. Isso ocorre porque a insolubilidade dos pesticidas e de outros poluentes permite que eles fiquem armazenados por um longo tempo no tecido adiposo de humanos e animais.
     
    “No entanto, também encontramos uma alta concentração de poluentes no tecido adiposo de pessoas magras que tiveram uma grande exposição (a essas substâncias)”, explica Juan Pedro Arrebola, especialista e pesquisador da Universidade de Granada. Arrebola realizou em 2013 um estudo com 386 pacientes de um hospital de Granada, na Espanha, e notou que a presença de algumas substâncias tóxicas, como o DDT, pode aumentar as chances de desenvolver diabetes em até quatro vezes.
     
    Reação imunológica
     
    Os cientistas acreditam que esses compostos causem uma resposta imunológica que levaria ao problema metabólico. “Certos químicos podem exercer um efeito imunotóxico ao se ligarem aos receptores de estrogênio, o que induz uma inflamação crônica, reduz a função mitocondrial, leva à oxidação dos ácidos graxos e ao aumento da lipólise, todos fatores relacionados à síndrome de resistência à insulina”, explica Arrebola. Estudos também mostram que os pesticidas podem alterar a função das células beta que produzem a insulina. Isso significa que a intoxicação ao longo prazo poderia levar também ao diabetes tipo 1.
     
    Outro artigo do grupo de Juan Pedro Arrebola, publicado no fim do ano passado, demonstrou a relação de poluentes orgânicos com o diabetes gestacional. O estudo analisou 107 mulheres que tinham histórico da doença e demonstrou uma relação entre as concentrações de poluentes e a resistência à insulina desenvolvida pelo organismo da maioria das pacientes. Os pesquisadores acreditam que a condição subclínica talvez seja compensada pelo aumento da produção de insulina, o que explicaria a dificuldade em relacionar os níveis de glicose em jejum com os poluentes.
     
    Persistentes
     
    Entre as substâncias encontradas no organismo dos pacientes que desenvolveram diabetes, estão compostos como o DDT e o clordano, dois inseticidas que tiveram o uso banido na maioria dos países, mas que permanecem presentes em animais e seres humanos. Estão na lista dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs), que ganham esse nome justamente pelo longo prazo que levam para desaparecer. O DDT, por exemplo, leva até 30 anos para sumir de solos e águas contaminados. Já o clordano, que antigamente era usado para o extermínio de cupins, pode ser encontrado décadas depois de ser aplicado nas residências.
     
    Os peixes são considerados as maiores vítimas desses compostos, que acabam se concentrando em mares próximos a áreas industriais e nas regiões polares. Enquanto nos humanos os efeitos dos pesticidas ainda estão sendo compreendidos pelos cientistas, nos animais aquáticos, o fenômeno é bastante claro: as toxinas afetam a saúde reprodutiva desses bichos e prejudicam toda a cadeia alimentar em que estão envolvidos. Essas substâncias também são encontradas no tecido adiposo de vacas, em vegetais e em todo tipo de espécie que teve contato com um solo ou alimento contaminados.
     
    “Alguns desses compostos podem persistir por 15 a 20 anos no solo e partes deles são arrastadas pelas chuvas para o interior dos cursos d’água, que também os recebe por efluentes industriais, esgotos, sedimentos, atmosfera e contaminação direta”, explica a professora Sandra Rissato, do Departamento de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Rissato ressalta que é difícil ter uma noção clara dos níveis de POPs e de outros agrotóxicos nos produtos agrícolas consumidos no Brasil. “A dificuldade está no fato de que se trata de uma contaminação invisível. É praticamente impossível para o consumidor reconhecer um produto contaminado”, lamenta. Uma possível saída para os consumidores, sugere a especialista, é optar por produtos certificados de origem orgânica e procurar conhecer o histórico dos locais de cultivo.
     
    Mais suscetíveis
     
    De acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH), os profissionais que trabalham diretamente com a aplicação de pesticidas podem ter um risco 200% maior de adquirir a doença. O maior perigo à saúde identificado no estudo é do tricloforn, ainda usado para exterminar baratas e carrapatos. Esse inseticida pode aumentar as chances de desenvolver o diabetes em quase 250% para aqueles que tiveram ao menos 10 exposições à substância.
     
    PARA SABER MAIS
     
    Combate internacional
     
    Em 2004, entrou em vigor a Convenção de Estocolmo, que determina uma série de medidas a serem tomadas pelos países para a eliminação dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). O documento lista 12 substâncias que hoje têm a produção, a comercialização e o uso controlados em 160 países, incluindo o Brasil. A convenção determina que os governos promovam as melhores tecnologias e práticas para a gestão e a eliminação dos POPs, além de prevenirem sua proliferação. Por meio do acordo, são oferecidas opções tecnológicas inovadoras, além de apoio financeiro para a busca de alternativas de substituição dessas substâncias e o desenvolvimento sustentável.
     
    Fonte: Correio Braziliense