Author: admin

  • Estudo europeu cria células produtoras de insulina capazes de curar diabetes

    Estudo europeu cria células produtoras de insulina capazes de curar diabetes

    Uma nova técnica para produzir células com capacidade de secreção de insulina foi apresentada ontem no encontro da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica. O desenvolvimento da tecnologia poderá ser usada em pacientes com diabetes, apenas do tipo 1.
     
    Com a doença, o sistema imunológico ataca e destrói erroneamente células beta do pâncreas, que são as responsáveis pela produção, armazenamento e secreção de glicose no sangue. Uma das terapias mais promissoras na luta contra a diabetes é a reposição destas células.
     
    — Até agora, os experimentos eram baseados em células de linhagem primitiva, como as célulastronco — destaca Isabela Bussade, professora de Pós- Graduação de Endocrinologia da PUC- Rio, que não participou do novo trabalho. — A novidade do estudo europeu é a reposição com uso exclusivo de células adultas, que proporcionam mais segurança, inclusive contra doenças como o câncer.
     
    REPROGRAMAÇÃO CELULAR
     
    Autor-chefe da pesquisa, Philippe Lusy também destaca a criação de um protocolo que atua diretamente sobre o DNA das células, mas sem causar mudanças estruturais nas áreas estudadas.
     
    — Nosso sistema de reprogramação celular abre portas para experimentos em outros campos científicos, empenhados em dar novos papéis às células prejudicadas após a apresentação de doenças — comemora.
     
    A tecnologia teria aplicação, por exemplo, em terapias para hipotireoidismo e doença de ovário. Estima- se que até um terço da população mundial seja diabética, embora somente 16% conheçam o seu diagnóstico. Um em cada dez casos é de diabetes tipo 1, cuja maior prevalência ocorre nos primeiros 20 anos de vida. Nas outras ocorrências de diabetes, o paciente é capaz de produzir insulina.
     
    — Antes da aplicação do experimento no ser humano, é preciso acompanhar ao longo de anos as células que são transformadas em nosso corpo — ressalta Isabela. — Por enquanto, o experimento está restrito a camundongos.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Pacientes com hepatite C reclamam da espera por novos medicamentos

    Pacientes com hepatite C reclamam da espera por novos medicamentos

    Imagine sofrer há 15 ou 20 anos com uma doença viral grave ou ser familiar de alguém que passe por esse sofrimento. Daí você descobre que novos medicamentos podem representar, na prática, a cura dessa moléstia, mas o custo desse tratamento pode chegar a R$ 546 mil.
     
    Se você é brasileiro pode contar, em tese, com o SUS (Sistema Único de Saúde) para financiar a compra desses medicamentos. Contudo, o que fazer se até mesmo essa ajuda parece demorar demais? Para um grupo de pacientes com hepatite C e seus familiares a ideia foi aderir a um grupo pela internet e exigir que o custeio desse tratamento aconteça o mais rápido possível.
     
    O “Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite” e o portal “Hepato”, que reúnem mais de 40 mil curtidores em todo o Brasil, questionam porque os medicamentos simeprevir, sofosbuvir e daclatasvir ainda não estão sendo distribuídos para os pacientes infectados com o vírus, mais de três meses após a aprovação de seu uso.
     
    Em junho, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) aprovou a incorporação dos três remédios que, segundo o Ministério da Saúde, tem seis meses como prazo máximo legal para serem distribuídos na rede pública de saúde.
     
    Mas apesar de não poder se falar ainda em atraso, para quem vê a própria vida ou a de um parente ameaçada de ser interrompida a qualquer momento, esperar mais três meses é uma hipótese considerada “absurda”.
     
    “Você saber que tem um medicamento que pode curar uma pessoa da sua família e não ter acesso é uma coisa absurda”, protesta Valéria Corrêa Mello. A mãe dela, a dona Arlete Talarico Corrêa Mello, 79, sofre com a enfermidade há quase 13 anos.
     
    “Ela já passou ao estágio de início de cirrose e no relatório médico dela diz que o risco de aparecer um câncer, a qualquer momento, é muito alto. Aí, esses remédios não vão fazer efeito nenhum”, conta.
     
    “Como minha mãe já é reincidente no tratamento, os remédios que ela precisa custam R$ 546 mil. Quantas pessoas no Brasil podem pagar? A maior parte dos pacientes precisa por menos semanas, 12 em média. A minha mãe precisa por 24 semanas. Só o simeprevir custa R$ 210 mil”, relata.
     
    23 ANOS DE LUTA
     
    O senhor Osvaldo Jorge Simões Buschi está há ainda mais tempo lutando contra a hepatite C e deposita todas as suas esperanças de cura nos três novos medicamentos. São mais precisamente 23 anos enfrentando a doença.
     
    “Eu sou portador do genótipo 1a, de hepatite C. E a hepatite C tem vários genótipos de vírus”, explica com a autoridade de quem conhece bem o inimigo microscópico.
     
    “O primeiro tratamento que eu fiz foi convencional, com interferon e ribavarina. Eram três aplicações semanais. Depois do convencional, veio o outro tratamento, que eu fui submetido por dois anos. Porém, essas medicações em si são paliativas. Tratam a causa, não procedem a cura. Essa, é a grande diferença. Os novos medicamentos curam e deixam o vírus indetectável”, relata.
     
    Ele deseja que os medicamentos sejam distribuídos o mais rapidamente possível. “O ministro Arthur Chioro prometeu. Fez um contrato com os laboratórios internacionais para providenciar os remédios via oral”, cobra.
     
    DE PACIENTE A ATIVISTA
     
    A luta contra a hepatite C, para Carlos Varaldo, foi muito além da busca pelo que muitos julgavam uma improvável cura, após ele receber a previsão de que teria apenas seis meses de vida.
     
    Não aceitando o prognóstico negativo, ele buscou os tratamentos mais inovadores e eficazes disponíveis na década de 1990. Acabou chegando à combinação entre interferon e ribavarina, tratamento que é padrão hoje.
     
    “Eu me tratei durante 21 meses. Tomando três injeções por semana e quatro pílulas por dia. No vigésimo mês, ainda estava positivo, mas acabei o tratamento e seis meses depois estava negativado sem vírus detectáveis no organismo e continuo assim até hoje”, comemora.
     
    “Tempos depois, uma amiga minha descobriu que tinha hepatite C. Mas ela não tinha como se tratar. Não tinha tratamento gratuito. Não tinha consenso em protocolo de tratamento no mundo. Então, surgiu a ideia de formar um grupo para conseguir que o governo desse atenção à hepatite. Na primeira reunião tínhamos 3 mil pessoas. Hoje temos 32.500 associados”, relata Varaldo, que hoje é presidente do “Grupo Otimismo”.
     
    Sobre os novos medicamentos, Varaldo expressa ao mesmo tempo satisfação e preocupação. Embora elogie como sendo inovadora a forma como o Ministério da Saúde negociou a compra desses produtos, ele critica a demora para que o tratamento efetivamente chegue à rede pública de saúde.
     
    “Qual o problema neste momento? No final de julho, foram assinados os contratos. Um medicamento, o daclatasvir, foi pago e já foi entregue. Está em Brasília. Os outros dois medicamentos, o sofosbuvir e simeprevir foram assinados os contratos. Em agosto, eles foram publicados no Diário Oficial, mas entrou a crise, entrou o ministro Joaquim Levy e se suspendeu o pagamento”, critica.
     
    “O pagamento tem que sair. Esse dinheiro está empenhado. Mas até hoje está tudo parado e esse é o grande medo. Com a mudança do ministro não sabemos o que vem por aí”, questiona.
     
    O DAF (Departamento de Assistência Farmacêutica), ligado ao Ministério da Saúde, teria acenado com a possibilidade de colocar os três novos medicamentos à disposição, a partir da 2ª quinzena de outubro, segundo Varaldo.
     
    OUTRO LADO
     
    De acordo com o Ministério da Saúde não se pode falar em atraso no caso da distribuição dos medicamentos daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir, apesar de justificada a ansiedade dos pacientes e familiares.
     
    “O Ministério da Saúde reforça que os três novos medicamentos (daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir) para tratamento de hepatite C estarão disponíveis na rede pública de saúde até dezembro, conforme anunciado pela pasta em julho deste ano. Cabe informar ainda que, como esses produtos foram incorporados no SUS em julho deste ano, a oferta está dentro do prazo previsto”, explica nota do ministério.
     
    Ainda segundo a pasta, “inicialmente, os medicamentos devem atender a cerca de 30 mil pacientes com dificuldades de cura com o tratamento já disponível. Entre eles estão pacientes em retratamento, com HIV, cirrose descompensada e que passaram por transplante”.
     
    O comunicado exalta também o fato de que “o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a incorporar a nova terapia, que trará um avanço importante na assistência dos pacientes com hepatite C, aumentando as chances de cura em mais de 90% e diminuindo o tempo de tratamento”.
     
    A compra dos três novos medicamentos, segundo o ministério, envolve R$ 500 milhões em investimentos. Por fim, a nota do órgão federal cita os medicamentos já disponíveis no SUS para tratar a doença. São eles:
     
    Alfainterferona 2b 3.000MUI
    Alfainterferona 2b 5.000MUI
    Alfapeginterferona 1A de 180 mcg
    Alfapeginterferona 1B de 80, 100 e 120 mcg
    Ribavirina 250mg
    Boceprevir 200mg
    Telaprevir 375mg
    Filgrastim 300 mcg
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
     
  • OMS defende tratamento precoce com medicamentos para todos os portadores de HIV

    OMS defende tratamento precoce com medicamentos para todos os portadores de HIV

    Todas as pessoas com HIV deveriam receber medicamentos antirretrovirais o mais rapidamente possível após o diagnóstico, o que significa que 37 milhões de pessoas no mundo inteiro precisariam estar em tratamento, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira.
     
    Ensaios clínicos recentes confirmaram que o uso precoce de medicamentes prolonga a vida das pessoas com o vírus da Aids e reduz o risco de transmissão da doença para parceiros, disse a OMS em um comunicado que estabelece um novo objetivo para seus 194 Estados membros.
     
    Sob as diretrizes anteriores da OMS, que limitavam o tratamento às pessoas cuja contagem de células imunes tivesse caído abaixo de um determinado limiar, 28 milhões de pessoas eram consideradas elegíveis para a terapia antirretroviral.
     
    Todas as pessoas em situação de risco “substancial” de contrair o HIV também devem receber a terapia preventiva, e não apenas os homens que fazem sexo com homens, disse a OMS.
     
    “Todo mundo vivendo com HIV tem o direito a um tratamento para salvar vidas. As novas diretrizes são um passo muito importante no sentido de garantir que todas as pessoas que vivem com HIV tenham acesso imediato a tratamento antirretroviral”, disse Michel Sidibe, diretor executivo da Unaids.
     
    A medida levará a um aumento acentuado na demanda por medicamentos antirretrovirais que normalmente são dados como um coquetel de três drogas para evitar o risco de o vírus desenvolver resistência.
     
    Os principais fornecedores de medicamentos para o HIV incluem a Gilead Sciences, a ViiV Healthcare, que é maioritariamente propriedade da GlaxoSmithKline, e vários fabricantes indianos de medicamentos genéricos.
     
    Fonte: Reuters Brasil
  • Célula-tronco é usada em cirurgia contra cegueira

    Célula-tronco é usada em cirurgia contra cegueira

    Cirurgiões do Reino Unidos fizeram uma operação pioneira com células-tronco embrionárias para curar a perda de visão. A intervenção, que só foi divulgada ontem, aconteceu no mês passado e teve como paciente uma mulher de 60 anos, que sofre de uma doença ocular degenerativa e não quis ser identificada. Ela passa bem.
     
    O professor Lyndon Da Cruz, do Hospital Moorfields Eye, de Londres, esteve à frente da operação, que consistiu em criar um “remendo” de células com base em uma célula extraída diretamente do epitélio da retina.
     
    O centro médico e os especialistas envolvidos esperam que até dezembro possam divulgar os resultados finais do experimento, avaliando se a perda de visão foi controlada. “Espero que no futuro muitos pacientes se beneficiem desse transplante de células”, ressaltou Da Cruz.
     
    Segundo a equipe médica, uma célula-tronco de um embrião doado e criado a partir de um tratamento de fertilização in vitro foi preparada em laboratório para criar o epitélio pigmentário retinal, uma capa de células pigmentadas que aparece na retina e alimenta as células visuais. A degeneração macular (DMRI, em português), da qual sofria a paciente, é responsável por 50% de todos os casos de cegueira ou perda de visão no mundo desenvolvido.
     
    Geralmente afeta pessoas com mais de 50 anos e prejudica tanto a visão de longe como a de perto, podendo impedir atividades como a leitura. Até 2020, o número de casos de DMRI pode chegar a 8 milhões, considerando quem tem mais de 65 anos.
     
    O atual programa de estudos foi estabelecido há dez anos com diversos órgãos, incluindo o Instituto de Oftalmologia da University College London (UCL) e o Instituto Nacional de Investigação da Saúde. Desde 2009, o experimento conta ainda com o apoio da gigante farmacêutica Pfizer. Ao todo, dez pacientes, que apresentam a versão “úmida” ou mais grave da doença, tendo risco de cegueira futura, devem ser tratados com a nova técnica e monitorados durante um ano.
     
    Larga escala
     
    Chris Mason, professor de Medicina Regenerativa na UCL, considera que o estudo é importante tanto pela possibilidade de tratar uma das principais causas de cegueira como pelos avanços na compreensão do uso de célulastronco embrionárias em tratamentos. “Se os ensaios forem bem-sucedidos, essa terapiapoderá tornar-se acessível em larga escala.”
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Disputa entre setores impede efetivação de política de descarte de remédios

    Disputa entre setores impede efetivação de política de descarte de remédios

    Há quase cinco anos, os principais atores do setor farmacêutico tentam entrar em acordo para regulamentar o descarte de medicamentos vencidos. Esses produtos não podem ser jogados no lixo comum causando o risco de contaminação de pessoas e do meio ambiente.
     
    A obrigação de criar um sistema de recolhimento e destinação final de produtos que possam causar danos à saúde e ao meio ambiente está prevista na lei 12.305, de 2010, mas até hoje não é cumprida. A partir de um decreto, também de 2010, esperava-se que um acordo entre governo e representantes da cadeia de medicamentos pudesse ser firmado com o objetivo de facilitar o descarte pela população.
     
    A disputa entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de remédios atrasa a criação de uma cadeia de recolhimento de medicamentos chamada de “logística reversa”. Por ela, o remédio faria o caminho contrário: do consumidor, voltaria à farmácia, que enviaria à distribuidora, que encaminharia para o fabricante do remédio, para que o produto possa ser incinerado e enviado a um aterro sanitário. Hoje, o descarte pode ser feito em algumas farmácias ou UBSs, mas não segue padrão e não há responsabilidades firmadas.
     
    Jogo de empurra
     
    Hoje, cerca de 700 farmácias brasileiras recebem e arcam com os custos da incineração dos medicamentos. A Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) critica a responsabilidade atribuída às farmácias. “Nosso papel, que é o papel do varejo em qualquer lugar do mundo, é interagir com o cliente, educá-lo e receber o resíduo, deixando-o a disposição do fabricante para que seja retirado”, afirma o presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto. “Apesar de algumas farmácias oferecerem o serviço de maneira voluntária, há locais em que simplesmente não há estrutura, e além disso, o custo de inicineração é bastante alto”, acrescenta.
     
    Mena Barreto culpa a indústria farmacêutica pelos entraves à criação da “logística reversa”. “Eles (a indústria farmacêutica) acham que assim que colocaram o remédio no mercado não é mais problema deles. Se o fabricante não estiver envolvido ou disposto a colaborar com o processo de destinar o medicamento de maneira correta fica inviável para o restante da cadeia”, disse.
     
    A diretora da associação que reúne os principais fabricantes de remédio do Brasil, a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), Maria José Delgado Fagundes, explica que as dificuldades de se firmar um acordo setorial se dão porque os medicamentos possuem características peculiares quando comparados aos outros produtos, o que dificulta o estabelecimento da logística reversa.
     
    “Há um problema complexo relacionado à logística, porque é um processo que necessita de um controle rígido do que é captado, desde o ponto de entrega até o final. Pode haver roubo da carga, fraude, e outros crimes”, afirma. Ela contou ainda que vários modelos já foram analisados pelo grupo de trabalho da comissão criada para analisar o caso, mas que não houve ainda consenso.
     
    Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os membros da cadeia produtiva de medicamentos atribuem uns aos outros as principais responsabilidades pelo gerenciamento dos medicamentos vencidos e “nesse contexto, as propostas tornaram-se divergentes”. “Nenhuma delas forneceu dados sobre a forma como deverá ser feito o recolhimento dos medicamentos, e se limitaram a conferir ao governo e aos outros proponentes as obrigações de efetuar a logística reversa dos medicamentos pós-consumo”, informou a pasta através de sua assessoria de imprensa.
     
    O Ministério do Meio Ambiente informou que continua dialogando com o setor farmacêutico para que um acordo setorial de âmbito nacional seja implementado.
     
    Fonte: UOL
  • Distribuição de cápsulas contra câncer é vetada

    Distribuição de cápsulas contra câncer é vetada

    O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu liminares que obrigavam a Universidade de São Paulo (USP) a fornecer a fosfoetanolamina sintética a 368 pacientes com câncer. O presidente do TJ, José Renato Nalini, alega não haver comprovação de que a substância produza efeito. A suspensão pegou de surpresa pessoas que se dirigiram ao campus da USP em São Carlos, interior de São Paulo, para retirar cápsulas. Advogados tentam rever a proibição. A suposta eficácia da fosfoetanolamina contra o câncer vem sendo discutida há 20 anos, desde que uma formulação foi desenvolvida pela equipe do pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, ex-professor da universidade.
     
    Durante mais de uma década, a fosfoaminasintética, como também é conhecida, foi distribuída gratuitamente. Em 2014, portaria do Instituto de Química da USP São Carlos suspendeu a entrega e pacientes foram à Justiça. A Anvisa informou em nota ser necessária a avaliação de ensaios clínicos antes de qualquer medicamento ser colocado para uso – o que não ocorreu.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Cresce demanda por genéricos, mas insumo mais caro reduz faturamento

    Cresce demanda por genéricos, mas insumo mais caro reduz faturamento

    A venda de genéricos vem crescendo acima da média do setor farmacêutico, impulsionada pela demanda dos consumidores que procuram economizar. Mas a alta acentuada do dólar nas últimas semanas pode atrapalhar o desempenho das fabricantes neste ano.
     
    Com a disparada do câmbio, o custo das farmacêuticas com matéria-prima, na maioria importada, tem pressionado mais as margens de lucro. “A demanda de genéricos tende a aumentar na crise, mas com insumo mais caro, parte do ganho é perdido”, explica o diretor executivo da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), Geraldo Monteiro.
     
    Apesar de ser mais barato, a categoria já registra uma desaceleração no ritmo de expansão, segundo a presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), Telma Salles. “Mesmo sendo um mercado que ainda cresce, percebemos que o consumo de medicamentos de maneira geral está menor neste ano”, diz. Diante disso, a Pró Genéricos já revisou a projeção de alta de 15% no volume de vendas para o ano. “A expectativa agora é manter o 12,3% de crescimento do primeiro semestre”, acrescenta.
     
    Outro fator que pode impactar o avanço dos genéricos é a possível retirada de aportes do governo ao programa de subsídio à compra de medicamentos Aqui Tem Farmácia Popular.
     
    A proposta encaminhada para o Congresso Nacional para o orçamento de 2016 prevê repasse zero para o Farmácia Popular, que neste ano deve receber R$ 578 milhões. O programa, em funcionamento desde 2006, permite a compra de remédios com desconto em farmácias credenciadas. “Se a proposta passar, esse corte afeta sim as fabricantes e esperamos que o governo reconsidere”, declara a presidente da Pró Genéricos. Ela esclarece que ainda não é possível estimar o impacto da medida sobre o setor, mas ressalta que os genéricos respondem por cerca de 80% dos produtos vendidos por meio do programa Farmácia Popular.
     
    Estratégia
     
    Enquanto isso, as empresas saem em busca de alternativas para reduzir o impacto cambial e manter competitividade. A EMS adotou algumas práticas para reduzir custos. Hoje, 95% da sua matéria-prima é importada. “Estamos num processo de redução de custos para tentar recompor a alta do dólar, inclusive buscando aumentar o volume de produção para ganhar economia de escala”, revela o diretor comercial da unidade de genéricos da EMS, Aramis Domont.
     
    A exportação, ainda pouco representativa no total comercializado pela farmacêutica, é apontada pelo executivo como uma das alternativas para manter a rentabilidade. “Como exportamos, o dólar alto favorece. Mas hoje apenas 2% do faturamento vêm dessas vendas. A ideia é que esse percentual cresça nos próximos anos”, afirma. Do total vendido para outros países, 90% é composto por genéricos.
     
    “Acreditamos que o dólar tende a se desvalorizar um pouco e não permanecer nesse patamar atual. Mas, se isso não ocorrer, precisaremos rever a nossa grade de custos e discutir a situação com o governo, que regula os preços no setor”.
     
    Com a redução dos custos e a ampliação da produção de genéricos, a EMS espera fechar o ano com volume de vendas 20% maior ante 2014.
     
    Já a paranaense Prati-Donaduzzi também vê nas exportações uma alternativa para manter a expansão no médio e longo prazo. De acordo com o vice-presidente da Prati, Eder Maffissoni, a empresa tem procurado novos mercados potenciais em outros países.
     
    “Queremos exportar para os Estados Unidos, sendo a primeira empresa a comercializar por lá medicamentos produzidos no Brasil”, conta. A previsão é que os genéricos da fabricante passem a ser exportados no meio de 2016.
     
    Maffissoni acredita que a operação pode ajudar a equilibrar o efeito do câmbio no faturamento da Prati. Ele reconhece, entretanto, que ainda levará tempo para que o volume de vendas para o mercado externo tenha relevância nos negócios para compensar o aumento dos insumos.
     
    Concorrência
     
    “Além disso, ainda há muita demanda retraída no mercado interno, por isso o Brasil segue como nosso foco”, comenta. Nos primeiros oito meses do ano, a Prati avançou 25% em faturamento, com o volume crescendo um pouco acima desse percentual. Segundo o executivo, essa diferença é reflexo do aumento da concorrência na categoria de genéricos, que tem levado a uma redução nos preços médios.
     
    “Percebemos, do início do ano para cá, uma leve queda nos preços. Isso tem uma relação direta com a concorrência maior este ano”, afirma.
     
    Na avaliação dele, a disputa por preço é mais agressiva entre as fabricantes nacionais, já que as multinacionais concorrentes têm políticas de precificação mais conservadoras.
     
    “Nossa principal estratégia para fazer frente a essa disputa tem sido investir em uma malha logística eficiente, para entregar o mais rápido possível as encomendas e ter a menor ruptura do mercado”, cita ele.
     
    Na Torrent do Brasil, o impacto da alta do dólar tem sido maior que nas fabricantes locais. A companhia importa 100% dos genéricos comercializados no País.
     
    “Temos um impacto direto no custo do produto, porém, apesar da margem apertada, mantemos os preços”, diz o diretor-presidente empresa, Tadeu Strongolli. A receita com vendas até setembro ficou 15% acima do previsto. A Torrent espera encerrar o ano com alta de 10% no faturamento.
     
    Fonte: DCI
  • Remédio contra diabetes reduz risco de morte cardiovascular

    Remédio contra diabetes reduz risco de morte cardiovascular

    Um novo estudo mostrou que a empagliflozina, medicamento utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2, reduz em 38% a probabilidade de morte por eventos cardiovasculares e em 32% por qualquer causa em pacientes com alto risco de complicações cardíacas. Os dados foram apresentados durante o Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes, realizado em Estocolmo, e publicados simultaneamente na revista científica New England Journal of Medicine.
     
    “Essa é a primeira vez na história que um medicamento antidiabético se mostra eficaz na redução de eventos cardiovasculares, que são a principal causa de morte destes pacientes”, diz o cardiologista José Kerr Saraiva, chefe do serviço de cardiologia do Hospital Universitário da PUC-Campinas e um dos autores do estudo. “Até agora, todas as pesquisas realizadas com outros medicamentos mostraram que eles não tinham nenhum efeito sob o risco cardiovascular ou, em um caso específico que foi inclusive retirado do mercado, aumentava esse risco. Por isso, esse estudo é um grande marco e foi recebido com muito ânimo pelos cardiologistas”, explicou.
     
    O estudo EMPA-REG descobriu que o Jardiance, nome comercial do medicamento, também mostrou que as hospitalizações por insuficiência cardíaca crônica caíram em 35%. Após três anos de acompanhamento, 10,5% dos participantes no grupo de Jardiance sofreram um infarto, AVC ou morreram por outras causas cardiovasculares, em comparação com 12,1% dos pacientes que tomaram o placebo. O que corresponde a uma redução relativa de 14% no risco destes eventos.De acordo com Saraiva, os resultados são ainda mais surpreendentes porque quase 80% dos participantes já utilizavam medicamentos para controlar o diabetes, a pressão arterial e o colesterol. Mesmo durante o estudo, estes pacientes puderam continuar os tratamentos.
     
    Sabe-se que a redução do açúcar no sangue (efeito dos medicamentos antidiabéticos) já tende a reduzir o risco cardiovascular. Entretanto, os autores do estudo acreditam o efeito benéfico de Jardiance na redução destes eventos esteja relacionada com outros efeitos do medicamento, como a capacidade em reduzir a pressão sanguínea, o peso e a rigidez arterial.
     
    Problemas cardiovasculares como ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e doença coronariana são as principais causas de morte de metade dos pacientes com diabetes tipo 2 ao redor do mundo. Isso acontece porque o excesso de açúcar no sangue traz serie de transtornos metabólicos que danificam o coração e os vasos sanguíneos. No caso de pacientes diabéticos que já correm um risco elevado de complicações cardíacas, como pessoas que já tiveram um AVC, infarto ou que têm artérias obstruídas -, a expectativa de vida se reduz em, em média, 12 anos.
     
    A empagliflozina é produzida em parceria pelas farmacêuticas Boehringer Ingelheim e Eli Lilly e pertence a uma classe de medicamentos chamada inibidores de SGLT2, que ajudam excretar o excesso de açúcar do sangue pela urina. Por isso, estes remédios são contra indicados para pacientes com problemas renais. Os efeitos colaterais incluem desidratação, baixo nível de açúcar no sangue e infecções urinárias. O tratamento está disponível no Brasil desde março e custa, em média, 185 reais por mês.
     
    Fonte: Veja Online
     
  • USP descobre molécula para `remédio inteligente` que reduz efeitos colaterais

    USP descobre molécula para `remédio inteligente` que reduz efeitos colaterais

    Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP), pode ajudar na produção de “remédios inteligentes”, mais precisos contra doenças e com menos efeitos colaterais. Segundo os pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), novas moléculas descobertas após sete anos de estudos podem reduzir a necessidade dos médicos em receitar vários medicamentos para evitar diferentes reações nos pacientes.
     
    A administradora de empresas Renata Barros levou meses para descobrir que as dores que sentia na cabeça eram provocadas pelo anticoncepcional que tomava diariamente. “Procurei até um oftalmologista, pensando que pudesse ser falta de óculos, mas minha ginecologista indicou o uso do anticoncepcional adesivo, dizendo que tem menor passagem pelo fígado, e realmente, faz dois meses que parei de tomar e melhorou”.Além desse tipo de reação provocada pelo anticoncepcional, outros efeitos colaterais foram observados por diversos estudos envolvendo o assunto. São comuns, por exemplo, anti-inflamatórios provocarem dores de estômago e antialérgicos causarem sonolência.
     
    “Quando você usa de quatro a cinco medicamentos a sua chance de ter reação adversa é praticamente 100%, então todo cuidado é pouco”, comentou a professora da Faculdade de Farmácia da USP, Julieta Ueta. 
     
    Células doentes
     
    Em laboratório, os pesquisadores encontraram uma maneira de os medicamentos atingirem somente as células doentes e não as saudáveis, que é o que desencadeia os efeitos colaterais. “É como se abríssemos uma torneira com água suja. O medicamento clássico simplesmente fecha a torneira e o que a gente está tentando desenvolver é um medicamento que feche a torneira, mas que permita que continue saindo a água e não a terra”, explicou o pesquisador Cláudio Costa-Neto.O grupo identificou novas moléculas sintéticas que quando testadas em receptores celulares causaram uma atividade de sinalização seletiva, atuando em vias benéficas e bloqueando vias de sinalização não benéficas, que poderiam causar os efeitos colaterais.
     
    “É uma chave ligando uma fechadura que consegue, quando girada, ativar aqueles sistemas de travamento, desenvolvendo um novo tipo de chave que selecione quais são as trancas que devem ser ativadas e quais não devem ser ativadas”, disse o pesquisador.
     
    De acordo com os pesquisadores, inicialmente o foco da pesquisa está em doenças cardiovasculares, que costumam exigir remédios de uso contínuo. A próxima etapa dos estudos é criar uma empresa para desenvolver tecnologia para produção dessas moléculas e ainda não há prazo para que esse tipo de medicamento esteja disponível nas farmácias. “Em alguns anos teremos um protótipo”, afirmou Costa-Neto.
     
    Fonte: G1
  • Governo zera repasse para Farmácia Popular em 2016

    Governo zera repasse para Farmácia Popular em 2016

    Brasília – O aperto nas contas vai atingir em cheio um dos programas prediletos da classe média na área de saúde, o Aqui Tem Farmácia Popular. A proposta orçamentária para 2016 encaminhada para o Congresso prevê repasse zero para a ação, que neste ano receberá R$ 578 milhões.
     
    Criado em 2006, o programa permite a compra em farmácias credenciadas pelo governo de medicamentos para rinite, colesterol, mal de Parkinson, glaucoma, osteoporose, anticoncepcionais e fraldas geriátricas. Os descontos chegam a 90%. Com a redução a zero os recursos, na prática essa política deixa de existir.
     
    Pela proposta encaminhada pelo governo ao Congresso, ficam mantidos o braço do programa chamado de Saúde Não Tem Preço (em que o paciente não precisa pagar na farmácia remédios para diabetes, hipertensão e asma) e as unidades próprias do Farmácia Popular.
     
    O problema, no entanto, é que o número de unidades próprias dessas farmácias, que já é pequeno, deve minguar mais em 2016. A previsão é de que não ultrapasse 460 postos de venda, em todo o País.
     
    “Foi uma medida necessária”, justifica a secretária executiva, Ana Paula Menezes. A primeira versão da proposta de orçamento encaminhada para o Congresso reservava para a Saúde um total de R$ 104 bilhões. “Não era a quantia dos sonhos, mas pelo menos a gente não estava morrendo afogado”, afirma a secretária. 
     
    Esse cenário, no entanto, mudou. A nova versão retira da área R$ 3,8 bilhões. A proposta enviada ao Congresso também enterra um acerto que havia sido feito dentro do próprio governo, para que o montante reservado a emendas parlamentares, cujo pagamento passou a ser obrigatório, fosse incorporado ao cálculo desse mínimo que o governo federal tem de desembolsar.
     
    Os problemas para o cálculo do orçamento na saúde não se resumem a esse ajuste, feito na primeira quinzena de setembro. Pela Constituição, tanto municípios, Estados quanto União têm reservar uma fatia mínima de seu orçamento para gastos em ações e serviços de saúde. 
     
    Para o cálculo do piso federal, a regra usada até o orçamento de 2015 era: o equivalente ao que foi desembolsado no ano anterior, acrescida a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Com a mudança, o governo federal tem de reservar para o setor o equivalente a 13,5% das receitas correntes líquidas.
     
    “Acreditamos que esse é um mecanismo de cálculo apropriado. O problema foi o comportamento da economia neste período mais recente”, disse Ana Paula.
     
    Se fosse aplicada a regra anterior, o mínimo para saúde neste ano seria de R$ 103,7 bilhões. Com a nova regra, o piso passa para R$ 100,2 bilhões.
     
    “Para compensar as perdas, havia ficado acertado que os recursos das emendas parlamentares, cujo gasto é obrigatório, não entrariam na conta. Mas isso mudou.”
     
    No formato encaminhado para o Congresso, ficam preservados os recursos para compra de medicamentos, vacinas. A opção da pasta, em vez de fazer cortes em várias ações e serviços de saúde, foi concentrar o enxugamento em dois pontos principais: farmácia popular e ações de média e alta complexidade. 
     
    Esta última rubrica concentra todos os recursos que são repassados para Estados e municípios pagarem hospitais conveniados com o Serviço Único de Saúde (SUS), hospitais universitários, filantrópicos, Santas Casas para pagamento de procedimentos de saúde, como cirurgias, internações. 
     
    Os recursos de média e alta complexidade também são usados para financiar despesas com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), serviços de análise clínica, exames de imagem. 
     
    A escolha do setor atingido não foi sem motivo. A área de média e alta complexidade conta com uma rede poderosa de defensores tanto no Congresso quantos nos Estados e municípios. Ao mirar nesta área, o Ministério da Saúde tenta encontrar entre parlamentares, governadores e prefeitos uma rede de apoio que não encontrou dentro do próprio governo e, com isso, tentar reverter o tamanho do corte.
     
    Fonte: Uol Saúde