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  • Número de doadores de órgãos no Brasil tem queda no 1° trimestre

    Número de doadores de órgãos no Brasil tem queda no 1° trimestre

    Notificações de potenciais doadores caiu 1,4% e doadores efetivos, 0,8%.
    Dados são da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
     
    O Brasil registrou uma leve queda no número de doadores de órgãos no primeiro trimestre de 2015, informou a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) nesta segunda-feira (11).
     
    Entre janeiro e março deste ano, foi registrada uma queda de 1,4% na notificação de potenciais doadores e de 0,8% no número de doadores efetivos em comparação com o ano de 2014.
     
    No período, foram feitos 1.862 transplantes de órgãos no país, 7.853 transplantes de tecidos (como pele e córnea) e 433 transplantes de medula.
     
    O número de transplantes renais caiu 7,6% e o número de transplantes hepáticos, 0,7%. Os transplantes cardíacos tiveram queda de 1% e os de pâncreas, de 24%.
    Já o número de transplantes de pulmão aumentou 19%.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • ESPECIALIZAÇÃO EM FARMACOLOGIA CLÍNICA

    ESPECIALIZAÇÃO EM FARMACOLOGIA CLÍNICA

    ESPECIALIZAÇÃO EM FARMACOLOGIA CLÍNICA COM ÊNFASE EM PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA PELO IBRAS
     
    Segunda turma da pós-graduação em Farmacologia Clínica com ênfase em PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA. O valor da pós será de 24 vezes de 300 reais (esse valor só poderá ser feito em uma turma com 50 inscritos). Em cima desse valor será aplicado o desconto de 10% para pagamento em dia e para quem for inscrito no CRF.As inscrições começam na quarta feira (14/01), no CRF-AL. O valor da matrícula será de cem reais, mas para quem estiver em dia com o CRF-AL terá um desconto de 15% na matrícula. Caso não seja atingido o número suficiente de inscritos para a abertura da turma, o valor será devolvido integralmente.

     

  • Cientistas forçam vírus HIV a se expor às defesas do organismo

    Cientistas forçam vírus HIV a se expor às defesas do organismo

    Embora os seguidos avanços dos medicamentos antirretrovirais estejam colocando o HIV, o vírus causador da Aids, na defensiva, evitando que boa parte dos soropositivos desenvolva a doença — e, em alguns casos, reduzindo a carga viral a ponto de não ser mais detectada por exames —, ele ainda consegue se “refugiar” no interior de algumas células do sistema imunológico, mantendose inativo, escapando do ataque dos remédios e das defesas do organismo. São os chamados “depósitos” do HIV, que, uma vez interrompido o tratamento, permitem que o vírus volte a se replicar, e configuram um dos principais obstáculos atuais na busca por uma cura definitiva da Aids. Agora, porém, cientistas no Canadá encontraram uma possível maneira de forçar o HIV a se “abrir” e se expor a esses ataques, em mais um passo nessa luta.
     
    — Descobrimos que as pessoas infectadas com o HIV-1 (o principal subtipo do vírus, que afeta cerca de 35 milhões de pessoas no mundo) têm anticorpos naturais com o potencial de matar as células infectadas — conta Andrés Finzi, pesquisador da Universidade de Montreal e líder do estudo, publicado ontem no periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). — Tudo que precisávamos fazer era dar um “empurrãozinho”, adicionando uma pequena molécula que funciona como um abridor de latas e força o vírus a expor regiões reconhecidas pelos anticorpos. Estes, então, formam “pontes” com algumas células do sistema imunológico, dando início ao ataque.
     
    TERAPIA DE “CHOQUE E MORTE”
     
    Em estudo anterior, também publicado este ano, a mesma equipe de cientistas demonstrou que alguns pacientes com o HIV-1 podiam eliminar as células infectadas quando duas proteínas do vírus, chamadas Nef e Vpu, eram desativadas por mutações genéticas. O problema é que, em sua forma “selvagem”, o HIV ainda contém essas proteínas, que agem como seus “guarda-costas”. Assim, os cientistas decidiram buscar uma maneira de enganar esses defensores. Para isso, adicionaram uma molécula às superfícies das células dos pacientes infectados, chamada JP-III-48, que imita a proteína CD4. Localizada na superfície dos linfócitos T, essa proteína é a “porta” usada pelo HIV para invadir as células do sistema imune e infectá-las, mas depois é eliminada por ele justamente para evitar que elas sejam reconhecidas como doentes pelas defesas do organismo.
     
    — A solução (cura da Aids) é desenvolver uma terapia de “choque e morte” — explica Finzi. — Precisamos reativar os depósitos de HIV para forçar o vírus a sair de seu esconderijo e, então, matar as células infectadas.
     
    Fonte: O Globo
  • Ministro da Saúde descarta vacina contra a dengue em curto prazo

    Ministro da Saúde descarta vacina contra a dengue em curto prazo

    São Paulo – O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou na segunda-feira, 4, que, embora defenda a antecipação de testes da vacina contra a dengue, o imunizante não estará disponível em curto prazo. “Criar na população brasileira a esperança de que nós teremos nas próximas semanas ou nos próximos meses uma vacina é equivocado”, disse o ministro em evento em São Paulo. 
     
    No mês passado, o Instituto Butantã protocolou um pedido de antecipação da última fase de testes da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para 2016. “Não é para sair vacinando. É para fazer a parte 3, que é a fase clínica”, explicou o governador Geraldo Alckmin (PSDB).
     
    Segundo Chioro, a análise deverá ser feita “com a maior prioridade possível”. “Entretanto, não podemos queimar etapas.”
     
    Análise
     
    A Anvisa afirmou, em nota, que os prazos estão em dia e que deverá dar uma resposta ao pedido do Instituto Butantã até o fim deste mês.
     
    Mesmo que liberada a nova etapa, o instituto não poderá antecipar o uso da vacina entre a população. “A solicitação feita pelo Butantã em nenhum momento faz tal tipo de pedido. O uso experimental da vacina terá de ser feito em voluntários, que terão de ser acompanhados”, diz a Anvisa.
     
    O prazo de análise é de 45 dias, em casos prioritários. O instituto ainda não concluiu a fase 2 de estudos. O fim desta etapa será em junho. O órgão analisa também pedido de imunizante desenvolvido pela Sanofi. A fase 3 foi iniciada em 2010 e a empresa espera pelo registro do produto. 
     
    Fonte: O Estado de S. Paulo.
  • Exame de sangue detecta até 86% de casos de câncer de ovário precocemente

    Exame de sangue detecta até 86% de casos de câncer de ovário precocemente

    Um estudo britânico sugere que exames de sangue regulares podem detectar 86% dos casos de câncer no ovário de forma precoce.
     
    Exames feitos durante dez anos em mais de 46 mil mulheres britânicas sugerem que este tipo de tumor pode ser detectado em um estágio inicial da doença.
     
    O câncer de ovário pode ser fatal pois, frequentemente, é diagnosticado muito tarde.
     
    A doença é de difícil de ser diagnosticada pois seus sintomas – dores abdominais, inchaço persistente e dificuldades para se alimentar – também são comuns em outros males.
     
    Mas exames de sangue podem detectar variações nos níveis da substância CA125, produzida por tumores no ovário.
     
    Para o estudo, o grupo de pesquisadores britânicos UK Collaborative Trial of Ovarian Cancer Screening fez exames de sangue anuais em mulheres que já tinham passado pela menopausa.
     
    Os cientistas checavam alterações nos níveis do CA125 durante os testes. Quando os níveis subiam, as mulheres eram encaminhadas para mais exames, incluindo um ultrassom.
     
    Os resultados dos testes, publicados na revista especializada “Journal of Clinical Oncology”, mostraram que 86% dos casos de câncer foram detectados a partir dos exames de sangue.
     
    “(O resultado) É bom, mas o importante é se detectamos o câncer cedo o bastante para salvar vidas, esperamos ter feito isto”, disse à BBC o professor Usha Menon, do University College de Londres, que participou da pesquisa.
     
    Os dados sobre os casos de morte entre as 46 mil mulheres examinadas serão divulgados ainda em 2015.
     
    Maior projeto
     
    Estudos anteriores questionavam o benefício de promover exames para detectar câncer no ovário. Mas, este estudo, o maior já realizado do tipo no mundo, visa justamente chegar a uma conclusão final sobre o tema.
     
    Os testes foram realizados de 2001 a 2011 – agora foram divulgados os resultados preliminares, que se mostraram promissores.
     
    O método dos cientistas, de monitorar o CA125, determina o que pode ser considerado como nível alto da substância para cada mulher individualmente.
     
    Este método parece ser duas vezes mais eficaz do que tentativas anteriores que usavam os mesmos parâmetros para todas as mulheres. A abordagem personalizada pode ser útil também para detectar outros tipos de câncer, como o de próstata.
     
    O professor Usha Menon disse que mesmo os tumores que se mostraram mais agressivos puderam ser detectados bem antes do que normalmente seriam -, aumentando as chances de sobrevivência do paciente.
     
    O Comitê de Exames da Grã-Bretanha está acompanhando de perto esta pesquisa e poderá até rever como são feitos os exames no país uma vez que os resultados totais da pesquisa sejam divulgados.
     
    “Estes resultados iniciais animadores podem, no futuro, formar a base de um programa nacional de exames para câncer de ovário”, afirmou Patrick Maxwell, do Conselho de Pesquisa Médica britânico.
     
    Outros especialistas estão mais cautelosos.
     
    “Um exame de sangue para descobrir se mulheres correm o risco de desenvolver câncer no ovário é uma perspectiva animadora, mas este trabalho ainda precisa ser testado nas mulheres para ver se pode salvar vidas”, afirmou James Brenton, especialista em câncer de ovário da instituição de caridade e pesquisa britânica Cancer Research UK.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Informações sobre PDPs já estão disponíveis no site da Anvisa

    Informações sobre PDPs já estão disponíveis no site da Anvisa

    As informações sobre Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) para medicamentos e produtos para a saúde já estão disponíveis no site da Agência. Com isso, já é possível obter dados sobre visitas técnicas, reuniões e publicações voltadas para o tema.
     
    As PDPs visam ampliar o acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do fortalecimento do complexo industrial do país. O objetivo principal é financiar o desenvolvimento nacional para reduzir os custos de aquisição dos medicamentos e produtos que atualmente são importados ou que representam um alto custo para o sistema. As parcerias são realizadas entre duas ou mais instituições públicas ou entre instituições públicas e empresas privadas, buscando promover a internalização da produção. Também está incluído no escopo das PDPs o desenvolvimento de novas tecnologias.
     
    A Anvisa é responsável pelos processos de inspeção das empresas e pelo registro dos produtos cujas tecnologias são objeto de transferência no âmbito das PDPs. As parcerias são firmadas entre as instituições e o Ministério da Saúde, sendo que, a partir da formalização dos Termos de Compromisso, a Anvisa inicia o acompanhamento por meio da coordenação dos Comitês Técnicos Regulatórios (CTRs). Cada comitê tem por objetivo o acompanhamento de uma determinada instituição que receberá a tecnologia a ser transferida.
     
    Dúvidas
     
    Questionamentos e sugestões relacionadas ao tema podem ser encaminhadas para a coordenação dos CRTs via e-mail [email protected].
     
    Confira abaixo mais informações sobre o assunto
     
     
    Link para consulta
     
  • Vacinação contra gripe começa em todo país; grávidas e idosos devem tomar

    Vacinação contra gripe começa em todo país; grávidas e idosos devem tomar

    Brasileiros que fazem parte dos chamados grupos prioritários –crianças (entre seis meses e cinco anos), idosos (a partir de 60 anos), gestantes e puérperas (mulheres que tiveram filhos nos últimos 45 dias), indígenas, funcionários do sistema prisional e detentos, pessoas com doenças crônicas e os profissionais de saúde pública– poderão tomar a partir desta segunda-feira (4) a vacina contra o vírus influenza, causador da gripe, na rede pública de saúde. A campanha vai até 22 de maio.
     
    A vacina é contra a gripe A H1N1, da pandemia de 2009, e outros dois tipos do vírus influenza, o A (H3N2) e o B. 
     
    Além delas, também estarão disponíveis vacinas contra difteria e tétano e a pneumocócica 23-valente, contra pneumonia, meningite e bacteremia/septicemia (infecção generalizada do sangue). Estas são para idosos hospitalizados ou que moram em asilos e casas de repouso e pessoa com doenças crônicas (cardiovasculares, pulmonares, renais, diabetes mellitus, hepáticas e hemoglobinopatias) ou imunodeprimidas (transplantados, com neoplasias e infectados pelo HIV), que devem levar uma prescrição médica especificando o motivo da indicação da dose.
     
    Serão disponibilizadas 54 milhões de doses para a imunização de 49,7 milhões de pessoas. Segundo o ministro da Saúde, não faltará dose em nenhum posto de saúde brasileiro.
     
    Em razão das temperaturas mais baixas registradas na região Sul, alguns postos em Caxias (RS) e em Uruguaiana (RS) ficaram sem vacina porque, segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, esperavam receber número reduzido de pessoas em busca da imunização.
     
    “É uma acomodação do processo de vacinação, mas todos os 49 milhões de brasileiros têm a sua vacina garantida”, disse.  
     
    “A vacinação contra o Influenza é fundamental para evitar complicações decorrentes da gripe e doenças graves, como pneumonia”, afirma Helena Sato, diretora de Imunização da secretaria de Saúde de São Paulo, que pretende vacinar 11,8 milhões de paulistas, ou 80% das 14,7 milhões de pessoas que são o público-alvo da campanha.
     
    Segundo ela, a vacina, produzida pelo Instituto Butantan, órgão ligado à pasta, não causa gripe, pois “é composta apenas de partículas do vírus que são incapazes de causar qualquer infecção”.
     
    “A vacinação é extremamente segura. Há um alerta apenas para pessoa com alergia a ovo de forma severa e que devem procurar o médico para ter orientação adequada”, ressaltou Chioro.
     
    Neste ano, o Dia D da campanha será no sábado (9), das 8h às 17h. De segunda a sexta, os postos de saúde fixos ficarão abertos no mesmo horário. É importante levar aos postos de saúde o cartão de vacinação e um documento de identificação.
     
    Após a aplicação da dose podem ocorrer, de forma rara, dor no local da injeção, eritema (sinal clínico, presente em várias patologias, caracterizado por uma coloração avermelhada da pele ocasionada por vasodilatação e enrijecimento. Os efeitos costumam passar em 48 horas.
     
    A transmissão dos vírus influenza acontece por meio do contato com secreções das vias respiratórias, eliminadas pela pessoa contaminada ao falar, ao tossir ou ao espirrar. A doença também pode ser transmitida pelas mãos e objetos contaminados.  
     
    Os sintomas da gripe incluem febre, tosse ou dor na garganta, além de dor de cabeça, dor muscular e nas articulações. Já o agravamento pode ser identificado por sintomas como falta de ar, febre por mais de três dias, piora de sintomas gastrointestinais, dor muscular intensa e prostração. (Com Agência Brasil)
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo busca forma de prever câncer antes de mal se manifestar

    Estudo busca forma de prever câncer antes de mal se manifestar

    No futuro, um simples exame de sangue seria capaz de diagnosticar o câncer anos antes de a doença começar a se manifestar num indivíduo. Essa é a aposta de um grupo de pesquisadores americanos, que desvendou um padrão que ocorre antes de a doença se desenvolver nos chamados telômeros, estruturas presentes nas “pontas” dos cromossomos e que protegem o DNA de mutações prejudiciais.
     
    Os telômeros encurtam cada vez que uma célula se divide e vão diminuindo ao longo da vida no processo natural de envelhecimento. Porém, disfunções nessas estruturas acarretam doenças ligadas ao avanço da idade, como câncer, mal de Alzheimer e de Parkinson. Por isso, descobrir como preservá-los pode ser a chave para a longevidade, e este é o foco de pesquisas ao redor do mundo.
     
    PADRÃO PARA VÁRIOS CÂNCERES
     
    No estudo das universidades de Northwestern e Harvard, os cientistas observaram diversas medidas de telômeros do sangue por um período de 13 anos, em 792 pessoas, das quais 135 foram diagnosticadas com diferentes tipos de tumor, incluindo próstata, pele, pulmão, leucemia e outros.
     
    Nesse grupo, os pesquisadores notaram que os telômeros encurtavam mais rápido em indivíduos que depois desenvolveram câncer. Em média, a diferença do comprimento dos telômeros entre os potencialmente doentes e os saudáveis era de 15 anos. Em seguida, o acelerado processo simplesmente parava entre três e quatro anos antes do diagnóstico.
     
    Segundo os pesquisadores, esse padrão — de encurtamento rápido seguido de uma estabilização — poderia levar a um novo biomarcador preditivo para o câncer. Esses resultados foram publicados num estudo na “EBioMedicine”, um novo periódico da Elsevier em colaboração com as revistas científicas “The Lancet” e “Cell Press”.
     
    — Esta é a primeira vez que se registra o comportamento específico dos telômeros antes do desenvolvimento do câncer — afirmou Lifang Hou, autora principal do estudo e professora de medicina preventiva da Universidade de Northwestern. — Notamos este padrão em uma ampla variedade de cânceres, portanto o teste certo poderia ser usado para diagnosticar todos eles.
     
    Pela lógica, os cientistas esperavam que as células de pacientes com câncer iriam se dividir descontroladamente, reduzindo progressivamente os telômeros até chegar à autodestruição. Mas, no estudo, eles notaram que não é isso que ocorre: o câncer interrompe o encurtamento para se espalhar pelo corpo. Segundo Lifang Hou, descobrir como o tumor faz isso poderia servir de base a uma nova terapia que provocasse a autodestruição das células cancerígenas, sem prejudicar as saudáveis.
     
    Fonte: O Globo
  • Os

    Os

    Tirando aquelas que podem ser colhidas do solo, quase todas as drogas recreativas um dia estiveram na farmácia. Em 1886, um anúncio da Pharmacya Ypiranga em A Província de S. Paulo trazia uma série de medicamentos e preços. Entre produtos mais exóticos, como pastilhas de nitroglicerina (mil réis a caixa), 10 gramas de cocaína com 20% de pureza saía a 25 mil réis. “Cannabinona”, na mesma dose, 5 mil réis. Não havia heroína, mas essa podia ser encontrada no exterior desde 1874. Em 1894, um anúncio mais sucinto dizia: “Soffreis dores nos dentes ou nos ouvidos? Usa e as inofensivas – Gottas verdes de cocaína de Chaves – que as alivia em um minuto”.
     
    “Desde o século 18, o desenvolvimento de novas drogas ocorreu sob um pano de fundo de investigação e aplicação farmacológica, com substâncias tradicionais baseadas em plantas primeiro melhoradas, depois superadas por produtos sintéticos”, afirma o historiador cultural Mike Jay, autor de High Society: The Central Role of Mind-Altering Drugs in History, ScienceCulture (em tradução livre Alta sociedade: O papel central das drogas que alteram a consciência na história, ciência e cultura).
     
    Nem tão inofensivas O uso recreativo era óbvio em alguns produtos da época, que não só ofereciam suas propriedades “curativas”, como seu sabor. Em seus primórdios, a Coca-Cola era vendida em farmácias como um tônico, contendo uma quantidade – 9 miligramas por garrafa – de cocaína. E nem era a única bebida: os vinhos de cocaína, como o então famoso Vin Mariani, tinham doses bem mais generosas.
     
    Na virada do século, era crescente a preocupação com o fato de a cocaína não ser tão “innofensiva” assim. Em 1891, Ernst von Fleischl-Marxow, amigo de Sigmund Freud, morreu de overdose, e o pai da psicanálise parou de recomendá-la aos pacientes. Nos anos 1890, A Província de S. Paulo registrava notícias sobre crimes ligados ao uso de cocaína. A Coca-Cola removeu a droga de sua fórmula em 1903, passando a usar folhas “vazias” da planta, já processadas pela indústria. Continua a fazer isso até hoje, com plantações legais nos Estados Unidos.
     
    Ao longo da década de 1910, a percepção pública sobre o uso de drogas foi mudando. Em 1914, os Estados Unidos aprovaram o Harrison Act, banindo opiáceos e cocaína de venda pública. O Reino Unido seguiu o exemplo em 1920. O Brasil, em 1921. A maconha viria depois, 1930 por aqui – num caso raro, antes dos Estados Unidos, que a baniriam em 1937.
     
    Novidades de laboratório 
     
    Essas primeiras proibições não foram, obviamente, o fim das drogas recreativas. O surgimento das drogas sintéticas causou um eterno cabo de guerra entre usuários e governos – quando o uso de uma droga vinda de laboratórios se torna popular, seguem-se as proibições.
     
    No que, cada dia mais, muitos veem um esforço fútil. “O impulso fundamental para alterar nossa consciência de formas significativas, mas controláveis, é, parece, parte de nossa programação natural”, diz o historiador Mike Jay.
     
    As anfetaminas foram primeiro sintetizadas na época da cocaína de farmácia, em 1887, pelo químico romeno Laz?r Edeleanu. As metanfetaminas um pouco depois, em 1893, pelo japonês Nagai Nagayoshi.
     
    Por décadas, elas despertaram pouco interesse. Isso durou até a Segunda Guerra, quando se tornaram “rebites” para soldados de ambos os lados. E levaria, nos anos 1950, a uma explosão em seu uso, com receita médica, o que matou gente célebre, como Carmen Miranda e Marylin Monroe.
     
    Ainda assim, elas seguiram legais por décadas – o Brasil só proibiu a metanfetamina em 1998. Outros tipos de anfetamina seguiram sendo vendidos na farmácia até 2011, como tratamento para perda de peso. O ecstasy (MDMA), outra droga da mesma classe, foi proibido nos Estados Unidos em 1984 (no Brasil, em 1998, pela mesma norma da Anvisa que baniu as metanfetaminas).
     
    Uma história macabra Uma droga sintética está no cerne de uma das maiores revoluções culturais da história. Na década de 60, a dietilamida de acído lisérgico (LSD) se tornou popular entre os jovens, após ser propagandeada como uma experiência redefinidora da vida por figuras como Aldous Huxley e Timothy Leary. Ela foi legal até 1970 – e proibida no auge de sua popularidade.
     
    O LSD foi sintetizado em 1938 pelo cientista suíço Albert Hoffman, que a vida inteira defendeu seu uso como o “remédio da alma”. Nos anos 1950, a CIA conduziu uma série de estudos secretos, o MK-Ultra, especulando sobre o uso do LSD como um “soro da verdade”, para extrair confissões de inimigos políticos. Sem o consentimento ou conhecimento, a agência drogou milhares de pessoas entre 1953 e 1964, de frequentadores de prostíbulos a militares e seu próprio pessoal, incluindo cientistas.
     
    A experiência de tomar LSD sem saber nunca era agradável. Logo no começo do projeto, o bioquímico Frank Olson caiu da janela do 13º andar, depois de ter seu café drogado pela manhã. O MK-Ultra só veio a público graças a uma reportagem do New York Times de 1974. O escândalo levaria a uma indenização de 750 mil dólares à família de Olson, e a desculpas formais do presidente Gerald Ford e da CIA, no ano seguinte.
     
    A pressão dos intelectuais e os resultados oficiais pífios não foram suficientes para arrefecer a Guerra às Drogas, decretada pelo presidente Richard Nixon em 1971. Ela segue firme e forte, mesmo com suas inúmeras controvérsias, como o encarceramento de classes desfavorecidas, os altos custos em operações policiais e a instabilidade nos países produtores.
     
    A exceção é a maconha, cujas restrições vêm sendo relaxadas desde os anos 1990. Curiosamente, o processo, que levou à liberação completa no Uruguai e nos estados americanos de Washington e Colorado, no ano passado, começou por suas vantagens medicinais, ministrada a pacientes sob quimioterapia ou tratamento de Aids. No mesmo ano, a Anvisa liberou o canabinol para uso medicinal, após diversos processos de pacientes que queriam importar o produtos, alguns dos quais morreram antes de recebê-los. É um raro caso em que a droga recreativa entrou na farmácia – não saiu dela .
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Genoma humano mudou os caminhos da medicina

    Genoma humano mudou os caminhos da medicina

    Em 1990, quando o Congresso americano deu sinal verde para o Projeto Genoma Humano, liberando US$ 4 bilhões para o Instituto Nacional de Saúde e para o Departamento de Energia, a ciência entrou em outro patamar. A partir daquele momento, o homem começava a ser traduzido em suas estruturas mais básicas. Abria-se uma imensa gama de possibilidades, de onde se esperavam explicações para doenças até então incuráveis, diagnósticos antecipados que permitissem terapias profiláticas e produção de tecidos para substituir partes do corpo doentes (as chamadas terapias com células-tronco).
     
    O que até então era considerado ficção hoje foi incorporado à medicina de ponta. Em 2012, o ator Reynaldo Gianecchini, diagnosticado com câncer linfático, foi submetido a um autotransplante de células-tronco. Nesse procedimento, o paciente é o próprio doador. As células mãe são retiradas da medula óssea, armazenadas e tratadas com várias doses de quimioterapia. Depois, são devolvidas saudáveis ao corpo do paciente, por meio de um cateter, como se fosse uma simples transfusão de sangue.
     
    Em 2013, uma das mais belas atrizes do cinema, Angelina Jolie, retirou os seios como medida profilática contra o câncer de mama – mais tarde ela retiraria também os ovários. Jovem e saudável, ela se submeteu às cirurgias depois de tomar conhecimento de uma pesquisa genética pela qual tinha 87% de chances de desenvolver câncer de mama, a doença que vitimou sua mãe. O Estado publicou em primeira página a manchete: “Angelina Jolie retira seios e provoca debate”. E alertava os leitores: “Especialistas recomendam ponderação na hora de decidir pelo procedimento”.
     
    Três bilhões de blocos 
     
    Conhecer o histórico genético ficou até simples. A televisão popularizou o “teste de DNA”, para saber a paternidade de crianças. Mas agora é possível fazer um exame de sangue e, em uma ou duas semanas, ter a análise completa das características genéticas de um indivíduo. A notícia do anúncio dos resultados do Projeto Genoma: salto científico Biochip: análise de 18.394 genes; tecidos normal e canceroso. Antes de o Projeto Genoma começar, o Estado alertava para seu impacto Anos antes do início das pesquisas, quando o Projeto Genoma era apenas uma possibilidade, o Estado publicou um artigo comparando a dimensão da pesquisa do genoma humano com a ida do homem à Lua. “Genoma significa a soma completa de todas as informações hereditárias de um ser vivo. Uma vez decifrado, os cientistas vão poder curar pelo menos 3.500 doenças.” O jornal, que sempre noticiou os avanços mais importantes da ciência, chamava atenção para a seriedade do encaminhamento das pesquisas. Na época, James Watson, um dos autores que decifraram 
    a estrutura do DNA em forma de dupla hélice e vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 1962, foi nomeado diretor do projeto, dando ainda mais peso ao estudo.
     
    A missão dos pesquisadores era compilar as 3 bilhões de bases de 46 cromossomos humanos em 15 anos, a um custo de US$ 200 milhões a cada 12 meses. O projeto uniu a comunidade científica internacional em um esforço único. Laboratórios japoneses, chineses e canadenses foram os primeiros a se debruçar no sequenciamento das bases cromossômicas. Em 2001, o Estado noticiava que o Brasil era o primeiro país do Hemisfério Sul a contribuir com o Projeto Genoma Humano. “Só no cromossomo 22, nossos cientistas descobriram 200 genes novos, um terço a mais que o total já encontrado.” racterísticas genéticas do paciente – o processo ajuda na identificação de câncer e de possíveis problemas neonatais, além de poder determinar a resistência e a alergia a determinados tipos de remédio.
     
    “É um dado muito importante porque o brasileiro tem uma cultura de recomendar remédio, mas a resposta às drogas não é a mesma”, afirma Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo. Em 2014, mais de 20 mil pessoas sofreram reações adversas a medicamentos só no estado de São Paulo. Quando o mapa físico do genoma humano ficou pronto em 2005, 10% dos genes estavam identificados. Desde então, a decodificação genética ganhou velocidade.
     
    “Até pouco tempo, se havia uma suspeita de doença, era necessário olhar gene por gene. O homem tem 20 mil genes diferentes – não dava para chegar a um diagnóstico”, diz Mayana. “Com as novas técnicas de sequenciamento é possível fazer uma radiografia completa do caso.” Decodificação Frederick Sanger desenvolveu os primeiros métodos de decodificação do DNA na década de 1970. Dez anos depois, o primeiro instrumento automático apareceu no mercado com capacidade de decifrar de 700 a 1.000 fragmentos de DNA por vez. Com 3 bilhões de blocos de DNA compondo cada genoma humano, o projeto requeria milhares de cientistas e cada sequenciador custava em torno de US$ 1 milhão. Entre 2001 e 2014, os novos instrumentos baixaram o custo do processo para R$ 5 mil.
     
    Hoje há softwares específicos, como o YouScript, que ajudam a prever a dosagem ideal e o efeito cumulativo de um determinado medicamento com base na genética. Identifica quando fatores genéticos afetarão a metabolização do medicamento, se o paciente está em risco de uma interação adversa e qual dosagem ou droga alternativa pode ser prescrita.
     
    Há outras ferramentas disponíveis 
     
    A Knome oferece um sistema de “plugplay” que combina hardware e software de interpretação genômica. O Illumina permite ao cliente inserir sua sequência de DNA em um sistema de análise. Já o 23Me precisa de uma simples amostra de saliva para descobrir a propensão a doenças e detalhes de seus ancestrais. 
     
    Custa US$ 99
     
    O processo é tão popular que pode ser encomendado pela internet: o kit do teste e o resultado chegam à casa do interessado pelo correio.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo