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  • Os perigos relacionados ao uso de antibióticos

    Os perigos relacionados ao uso de antibióticos

    Pode-se dizer que Jacob Epstein, morador da Flórida (EUA) elegante e saudável de 88 anos, morreu no começo de maio por causa de um braço quebrado. Depois de passar por uma cirurgia para recolocar o osso no lugar, ele tomou um antibiótico para prevenir uma infecção pós-operatória, prática comum nos hospitais.
     
    Sua filha, Beth Fidanza, lembra que, em uma semana, seu pai teve uma diarreia causada por uma bactéria intestinal terrível chamada Clostridium difficile, ou C. difficile. Um outro antibiótico parecia ter acabado com a doença, mas, depois de alguns dias, ele desenvolveu uma combinação fatal de falência dos rins, pressão baixa e sangramento gastrointestinal.
     
    A morte de Epstein foi, na verdade, o resultado do uso inapropriado de antibióticos, que causaram o aumento de uma cepa agressiva e resistente a esses medicamentos da C. difficile, organismo responsável por cerca de 500 mil novos casos da doença e 30 mil mortes por ano nos Estados Unidos.
     
    A C. difficile é uma bactéria que forma esporos, produz toxinas e pode colonizar o intestino grosso e causar-lhe vários estragos, resultando em fezes líquidas e desidratação profunda. Os esporos são resistentes ao calor, ao ácido e aos antibióticos; podem ser lavados com sabão e água, mas não com os higienizadores de mãos que têm o álcool como base, comuns nas instalações de saúde. Dessa maneira, mesmo uma higiene não muito boa no banheiro é capaz de espalhar o organismo.
     
    “A C. difficile é encontrada no solo e na água, mesmo com cloro, e, em menor escala, contamina os alimentos. A maioria de nós ingere C. difficile todos os dias”, explicou em uma entrevista o doutor Dale N. Gerding, especialista de doenças infecciosas da Universidade Loyola, em Chicago.
     
    Na maior parte das pessoas, os micro-organismos que normalmente moram no intestino protegem contra a infecção por C. difficile, afirma ele. Isso, até que os antibióticos desregulem o equilíbrio saudável desses micro-organismos. Sem competição, os esporos da C. difficile podem germinar e se reproduzir sem alarde, e não apenas em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
     
    “A flora intestinal em um órgão saudável possui três características: um número grande de micro-organismos, um número grande de espécies diferentes e um crescimento da representação de certos filos bacterianos e diminuição na representação de outros. A ruptura de qualquer uma dessas características pode resultar em um aumento da susceptibilidade ao crescimento de C. difficile”, escreveu Maja Rupnik, no mês passado, no “The New England Journal of Medicine”.
     
    Desde o começo dos anos 2000, os hospitais têm relatado crescimentos drásticos no número de infecções severas de C. difficile, segundo documento escrito pelos médicos Daniel A. Leffler e Thomas Lamont, do Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston. A cepa mais agressiva predominante, NAP1, tem uma taxa de mortalidade três vezes mais alta do que as associadas com as formas menos virulentas comuns nas décadas passadas.
     
    “O fator de risco mais importante para a infecção por C. difficile ainda é o uso de antibióticos. Ampicilina, amoxilina, cefalosporina, clindamicina e fluoroquinolones são os antibióticos mais frequentemente associados com a doença, mas quase todos os antibióticos já foram conectados à infecção”, escreveram os médicos.
     
    Gerding explica que a maioria dos antibióticos “está sendo usada de maneira inapropriada, para coisas como infecções das vias aéreas superiores causadas por vírus”. Ele diz também que não foi provado que comer iogurte ou ingerir os probióticos disponíveis no mercado, enquanto a pessoa está tomando antibióticos, protege da infecção. Mas na Inglaterra, onde foi lançado um programa de uso mais criterioso de antibióticos, as infecções por C. difficile diminuíram.
     
    Os riscos e a gravidade da infecção por C. difficile, e o perigo de uma recaída, crescem com a idade. Em um estudo de um surto em um hospital de Québec, no Canadá, pessoas com mais de 65 anos tiveram dez vezes mais chances do que pacientes mais jovens de ter a infecção. Mesmo depois que os pacientes infectados melhoraram, cerca de 5% continuaram a ter sinais da variedade tóxica em suas fezes por seis meses e, se tomassem outro antibiótico durante esse tempo, a doença poderia voltar, afirma Gerding.
     
    Embora constantemente associadas com hospitais e outras instituições médicas, as infecções por C. difficile ocorridas fora desses locais “aumentaram dramaticamente na década passada e hoje podem somar até um terço dos novos casos”, segundo o relatório de Leffler e Lamont.
     
    Mas Gerding explica que, entre aqueles infectados fora dos hospitais, “cerca de 80% tiveram uma exposição recente a uma instituição de saúde”, por exemplo, uma clínica ou consultório médico, onde podem ter recebido uma receita para tomar antibióticos e ter sido expostos aos esporos.
     
    A boa notícia, diz ele, é que novas abordagens de tratamento estão se provando capazes de prevenir as recaídas — e no futuro podem diminuir também as infecções iniciais.
     
    Nesse mês no JAMA, Gerding e seus colegas descreveram um tratamento que usa uma cepa não produtora de toxinas da C. difficile em pacientes que estão se recuperando de uma infecção. Apesar de não ser uma solução permanente, as cepas continuam no intestino por um tempo suficiente para permitir que a flora normal e saudável volte a popular o órgão, o que reduz bastante o risco de recaída.
     
    Em outro tipo de abordagem, o doutor Israel Lowy, do Medarex, em Princeton, Nova Jersey (agora com a Regeneron Pharmaceuticals), a doutora Deborah C. Molrine, da MassBiologics da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts, e seus colegas demonstraram que anticorpos monoclonais criados para atacar as toxinas da C. difficile reduziram o risco de uma recaída de 25% para 7%. Mas essa também é uma medida paliativa para dar à flora intestinal tempo de se recuperar.
     
    Uma solução mais permanente sendo estudada hoje envolve uma vacina antitoxina injetável. Como demora semanas ou meses para que a proteção da vacina se torne efetiva, uma das medidas temporárias pode ser usada nesse período, explica Gerding.
     
    Tratamentos mais conhecidos como transplantes fecais de indivíduos saudáveis estão reservados para pacientes que passaram por muitas recaídas de C. difficile. Os pesquisadores estão tentando isolar os organismos mais efetivos presentes nas fezes de pessoas saudáveis, com a esperança de incorporá-los a uma cápsula que poderia ser tomada como tratamento ou preventivamente.
     
    Gerding prevê a possibilidade de que as pessoas que tomam um antibiótico possam simultaneamente receber uma dose de bactérias vivas terapêuticas capazes de prevenir a colonização por organismos perigosos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Castanha-do-pará retarda envelhecimento das células do cérebro, diz estudo

    Castanha-do-pará retarda envelhecimento das células do cérebro, diz estudo

    O consumo de uma castanha-do-pará diariamente ajuda a prevenir o envelhecimento das células do cérebro e manter ativas as capacidades de memória, planejamento e articulação da fala. A melhora se deve ao alto índice de selênio no alimento, que, ao ser absorvido pelas células, combate os radicais livres, moléculas responsáveis pelo envelhecimento das células.
     
    As conclusões fazem parte de um estudo realizado pela nutricionista Bárbara Rita Cardoso, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo). Durante seis meses, ela avaliou 20 pacientes diagnosticados com comprometimento cognitivo leve, ou seja, com uma perda de atividade cerebral leve. Acompanhada de um psicólogo que aplicou testes para avaliar o desempenho cognitivo dos pacientes, ela relacionou o aumento do nível de selênio com a melhoria das capacidades cerebrais.
     
    “No cérebro, quando as células 'envelhecem', acabam por ter suas funções prejudicadas e ficam mais vulneráveis à morte celular”, explica a nutricionista. O processo está intimamente relacionado com a degeneração dos neurônios e pode levar ao desenvolvimento do Alzheimer. Para retardar o envelhecimento, Bárbara escolheu estudar os efeitos da castanha, alimento já conhecido por armazenar uma grande quantidade de selênio.
     
    Com essa pesquisa, a nutricionista venceu o Prêmio Jovem Cientista do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), anunciado em 22 de maio. A premiação será realizada em junho.
     
    Agora, a pesquisadora dá continuidade aos estudos na Universidade de Melbourne, na Austrália. O projeto acompanha mil participantes com idade mínima de 60 anos para identificar fatores de risco relacionados ao Alzheimer. O projeto avalia os participantes há um ano e meio e é realizado há oito anos. O desafio de Bárbara agora é realizar testes para relacionar a falta de selênio com o Alzheimer.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Preservativos femininos têm Imposto de importação zerado

    Preservativos femininos têm Imposto de importação zerado

    Os preservativos femininos deixarão de pagar imposto para entrar no país. Resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) publicada hoje (27) no Diário Oficial da União reduziu 10% para 0% o Imposto de Importação do produto. Os equipamentos para parques temáticos também tiveram a tarifa zerada e deixarão de pagar 20% na importação.
     
    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a redução do imposto sobre as camisinhas femininas foi motivada pela política de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. Em relação aos parques temáticos, o governo estima que a medida gere investimentos de US$ 15 milhões e 1,5 mil postos de trabalho com a compra, a manutenção e a operacionalização dos equipamentos.
     
    Como as novas tarifas são diferentes das aplicadas nos demais países do Mercosul, os dois produtos tiveram de ser incluídos na lista de exceções à tarifa externa comum. Como a lista admite, no máximo, 100 categorias de produtos, dois itens – eixos e rodas ferroviárias e placas de barreiras com resinas sintéticas protetoras de pele com ou sem flange – tiveram que ser retirados da lista e voltaram a pagar tarifas normais.
     
    No caso dos eixos e rodas ferroviárias, a alíquota voltou a 14%. As placas de barreiras passaram a pagar 12%. Em outra resolução, a Camex prorrogou a redução a zero do Imposto de Importação do para-xileno, uma das principais matérias-primas da resina PET, usada em embalagens plásticas e fibras têxteis. A decisão valerá para uma quota de 90 mil toneladas com declarações de importação registradas até 25 de novembro. Normalmente, o produto paga 4% para entrar no país.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
     
  • Instituto Butantan busca voluntários para testar vacina contra dengue

    Instituto Butantan busca voluntários para testar vacina contra dengue

    Para acelerar a liberação da vacina contra a dengue no país, o Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e a Faculdade de Medicina da USP, estão à procura de 77 voluntários para completar a segunda fase de testes.
     
    Na primeira etapa, que já foi concluída, a imunização foi testada em 173 pessoas e obteve sucesso, segundo o instituto. “Os resultados de segurança já apresentados indicam que a vacina produzida pelo Instituto Butantan é segura e potencialmente eficaz, protegendo contra os quatro tipos de vírus com apenas uma dose”, afirmou o Instituto em nota à imprensa.
     
    De acordo com o órgão, os voluntários precisam estar em boas condições de saúde e ter entre 18 e 59 anos. Não há restrição para pessoas que já tenham sido infectadas pelo vírus da dengue. Mulheres grávidas não podem participar do estudo.
     
    A vacina é produzida em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), onde o vírus foi identificado. “Nas pesquisas realizadas nos Estados Unidos, os cientistas norte-americanos testaram o produto em mais de 600 pessoas e não foram observados efeitos colaterais importantes”, diz o comunicado.
     
    Junto a esta etapa, o Instituto Butantan já solicitou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a antecipação da terceira e última fase de testes clínicos em humanos.
     
    “A medida prevê que o processo de produção do imunobiológico seja adiantado em até dois anos. Esta fase ampliará a testagem para várias regiões do país e será testada em 17 mil voluntários”, ressaltou o boletim.
     
    Ainda segundo o órgão, os resultados de segurança já apresentados durante o estudo da segunda fase, associados aos resultados dos estudos realizados nos EUA com uma vacina semelhante, indicam que a vacina produzida pelo Instituto Butantan é segura e potencialmente eficaz, protegendo contra os quatro tipos de vírus com apenas uma dose. A vacina é produzida por um vírus atenuado, ou seja, o próprio vírus é modificado para que o corpo seja capaz de produzir anticorpos, mas sem desenvolver a doença.
     
    Os interessados em participar dessa etapa podem ligar para os telefones (11) 2661-7214 e (11) 2661-3344 ou enviar um e-mail para [email protected].
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • OMS busca plano global contra resistência crescente a antibióticos

    OMS busca plano global contra resistência crescente a antibióticos

    Os antibióticos foram uma das maiores invenções da medicina e salvaram milhares de vidas. Mas há um temor crescente quanto ao uso excessivo destes medicamentos, que está fazendo com que eles se tornem menos efetivos à medida que bactérias se tornam mais resistentes.
     
    A preocupação é que infecções que eram facilmente tratáveis com antibióticos voltem a ser uma grande ameaça à saúde.
     
    Nesta segunda-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde) inicia um encontro que tem entre seus objetivos criar um plano global para a contenção da resistência antimicrobiana.
     
    No mês passado, o órgão lançou um relatório alertando que 75% dos países não tinham um plano para evitar que vírus e bactérias resistam a medicamentos.
     
    Entre os 133 países consultados – entre eles o Brasil – , apenas 34 tinham projetos para conter a resistência. A OMS não detalhou quais.
     
    Entre 2000 e 2010, segundo estudo da Universidade de Princeton publicado na revista científica The Lancet, o consumo de antibióticos aumentou 36%. Os países dos Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – foram responsáveis por 76% desse aumento.
     
    Já a venda de antibióticos sem prescrição cresceu 50%.
     
    A OMS tem alertado que o mundo está se dirigindo a uma era pós-antibiótico, em que a maior parte da medicina moderna perde sua utilização.
     
    É da natureza de micróbios desenvolver resistência a drogas usadas contra elas.
     
    Se os remédios pararem de funcionar, infecções comuns como tuberculose podem voltar a matar. Cirurgias e tratamentos de câncer também dependem de antibióticos.
     
    Embora os antibióticos sejam muito discutidos, também há alertas sobre a resistência do HIV a medicamentos antivirais e sobre o parasita que provoca a malária, que está ficando mais resistente a tratamentos.
     
    Fundo
     
    Na semana passada, um relatório liderado pelo economista Jim O'Neill – famoso pela invenção da sigla Brics e que hoje é consultor do governo britânico – pediu que a indústria farmacêutica investisse US$ 2 bilhões em um fundo de inovação para o desenvolvimento de novos antibióticos.
     
    O'Neill afirmou que a resistência a antibióticos pode matar 300 milhões de pessoas prematuramente nos próximos 35 anos.
     
    “Podemos acabar morrendo de algo tão simples quanto um corte feito ao se barbear”, disse.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Vacina pode controlar pressão arterial por até seis meses

    Vacina pode controlar pressão arterial por até seis meses

    Pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, trabalham para desenvolver uma vacina que controlaria a pressão arterial por até seis meses. Ela é vista como promissora e pode ajudar os pacientes que precisam tomar remédios todos os dias para controlar a pressão do sangue. A vacina é importante porque muitos pacientes se esquecem de tomar o medicamento, além do custo do remédio de uso contínuo, que em alguns países não é oferecido pelos sistemas de saúde.
     
    Os pesquisadores desenvolveram esta vacina que ataca o hormônio chamado angiotensina II. Ele é o responsável por causar a constrição das veias, que aumenta a pressão do sangue e força o coração a trabalhar mais rápido.
     
    No estudo, os cientistas aplicaram a vacina em ratos com pressão alta por três vezes, com intervalos de duas semanas. A vacina baixou a pressão deles por até seis meses e ainda reduziu os danos no tecido do coração e das veias. Não houve registros de danos colaterais como no fígado, ou em outros órgãos. 
     
    A vacina funciona similarmente aos remédios de controle de pressão arterial, que ajudam as veias a relaxar e se abrir mais. Outros tipos de vacina similares já foram testadas, mas nenhuma teve o efeito duradouro como essa nem os baixos efeitos colaterais.
     
    O estudo foi publicado na revista científica Hypertension, da American Heart Association, no final de maio. Segundo o artigo, um desenvolvimento maior dessa pesquisa pode levar a um novo tipo de tratamento para hipertensão.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Cientistas usam vírus da herpes para curar câncer de pele

    Cientistas usam vírus da herpes para curar câncer de pele

    Uma versão geneticamente modificada do vírus que causa herpes pode curar câncer de pele, de acordo com pesquisadores.
     
    O vírus da herpes modificado é inofensivo para células normais mas, quando injetado em tumores, se replica e libera substâncias que ajudam a combater o câncer.
     
    Resultados de testes divulgados na publicação científica “Journal of Clinical Oncology” mostram que a terapia pode aumentar a sobrevivência dos pacientes por anos –mas apenas para alguns portadores de melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele. O tratamento ainda não foi licenciado.
     
    “Quando o vírus da herpes infecta uma célula ele cresce dentro dela e a faz explodir, infectando as células ao redor. Por isso a ferida, são as células morrendo na sua pele”, explica Richard Marais, do Cancer Research UK.
     
    “Eles modificaram o vírus de três maneiras. Primeiro, fizeram com que parasse de causar herpes. Segundo, fizeram com que crescesse apenas nas células cancerígenas. Por último, fizeram ele ser atraente para o sistema imunológico. Por isso, quando injetado em um tumor, ele mata o tumor e ativa o sistema imunológico, que caça outros tumores para matá-los”, conclui.
     
    Para ele, a técnica poderá ser usada, no futuro, para combater outros tipos de câncer. Tratamentos semelhantes de imunoterapia para melanoma já estão disponíveis nos Estados Unidos e na Europa, mas os pesquisadores acreditam que o vírus modificado, conhecido como T-Vec, poderia se somar a isso.
     
    Seria também o primeiro tratamento para melanoma que usa um vírus. O estudo é o maior teste aleatório de um vírus anticâncer e envolveu 436 pacientes de 64 centros nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e África do Sul que tinham melanomas malignos inoperáveis.
     
    “Há um crescente entusiasmo com o uso de tratamentos virais como T-Vec para o câncer, porque eles podem lançar um ataque duplo nos tumores – matando células cancerígenas diretamente e colocando o sistema imunológico contra elas”, diz o coordenador dos testes no Reino Unido, Kevin Harrington, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres.
     
    “E, como o tratamento viral pode ter como alvo células cancerígenas especificamente, há uma tendência a ter menos efeitos colaterais que a quimioterapia tradicional ou algumas das novas imunoterapias.”
     
    MAIS PESQUISA
     
    “Estudos anteriores mostraram que o T-Vec poderia beneficiar algumas pessoas com câncer de pele avançado, mas este é o primeiro estudo a provar um aumento de sobrevivência”, disse Hayley Frend, gerente de ciência da informação do Cancer Research UK.
     
    “O próximo passo vai ser entender por que apenas alguns pacientes respondem ao tratamento com T-Vec, para ajudar a identificar quais pacientes poderiam se beneficiar disso”, diz.
     
    De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil (25% dos casos), o melanoma –que é mais grave, devido à possibilidade de metástase– representa 4% dos tumores malignos de pele. Os riscos de desenvolver câncer de pele aumentam com a exposição a raios UV.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Estudo confirma risco alto de trombose em mulheres que tomam pílula

    Estudo confirma risco alto de trombose em mulheres que tomam pílula

    As pílulas anticoncepcionais mais recentes têm um risco aumentado de acidentes devido à trombose venosa (formação de coágulos) – confirmou um estudo publicado nesta terça-feira (26) na revista especializada “The BMJ Today”.
     
    Conduzida por pesquisadores britânicos, o novo estudo mostra que as mulheres que tomam contraceptivos orais combinados que contêm drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona têm um risco de trombose venosa quadruplicado em relação àquelas que não tomam pílula.
     
    O risco é quase duplicado (1,5 a 1,8 vez superior) em relação às mulheres que tomam contraceptivos orais de estrogênio mais antigos, que contêm levonorgestrel, noretisterona ou norgestimata.
     
    Na França, os riscos cardiovasculares das pílulas de nova geração à venda no mercado – também chamadas de pílulas de terceira e quarta geração – foram bastante explorados pela mídia no final de 2012 e início de 2013.
     
    A mediatização e um plano de ação das autoridades sanitárias levaram a uma redução de quase 25% das vendas destes comprimidos em favor das pílulas mais antigas, também chamadas de primeira e segunda geração.
     
    Os pesquisadores da Universidade de Nottingham trabalharam sobre duas grandes bases de dados médicos e traçaram uma relação entre o uso de contraceptivos orais e as tromboses venosas observadas nas mulheres com idades entre 15 e 49 anos.
     
    Foi possível mostrar que o número de tromboses a mais por 10 mil mulheres tratadas por ano foi menor (6 casos relatados) entre aquelas que tomam as pílulas mais velhas em comparação com aquelas (14 casos) que tomam desogestrel e ciproterona (encontrados na pílula Diane, por exemplo).
     
    Mas os pesquisadores também observam que o risco absoluto permanece baixo e que os contraceptivos orais são “extremamente seguros”, com um risco de trombose multiplicado por 3 para todas as pílulas combinadas, enquanto uma mulher grávida tem um risco multiplicado por dez.
     
    O estudo confirma os resultados de um estudo dinamarquês publicado em 2011 e um estudo abrangente do sistema de saúde francês, que tinha mostrado uma duplicação do risco de embolia pulmonar (a consequência mais grave da formação de um coágulo nas veias) em usuárias das pílulas de nova geração.
     
    A pedido da França, a Agência Europeia de Medicamentos (AEM) fez uma reavaliação dos riscos, mas concluiu que os benefícios dos anticoncepcionais de terceira e quarta gerações continuavam superiores aos riscos.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Rússia vive epidemia silenciosa de Aids

    Rússia vive epidemia silenciosa de Aids

    O termo “epidemia de Aids” é uma memória distante em lugares onde as taxas de infecção estão em queda há anos, como Austrália, Américas e a maior parte da Europa.
     
    Mas o termo seria adequado para descrever a situação na Rússia, apesar do silêncio das autoridades. Leia abaixo o depoimento do ex-ministro da Saúde britânico Norman Fowler (que ocupou a pasta entre 1979 e 1990, durante o governo de Margaret Thatcher), que visitou a Rússia e esteve em contato com várias instituições de saúde e autoridades.
     
    Durante anos, o país permaneceu calado sobre os seus níveis de infecção pelo vírus HIV. Mas um infectologista que trabalha nesta área há mais de 20 anos rompeu este silêncio e contou que a situação é uma “catástrofe nacional”.
     
    Vadim Pokrovsky, chefe do Centro Federal de Aids em Moscou, observou o grande crescimento dos números nos últimos anos.
     
    A Rússia tem cerca de um milhão de pessoas vivendo com o HIV e a taxa de infecção está crescendo ano a ano, diferente da situação da África subsaariana, onde a taxa de crescimento está desacelerando. E isto de acordo com os números do governo, que, quase todos concordam, subestimam a situação real do país.
     
    No ano passado, cerca de 90 mil russos contraíram o HIV, comparados com menos de 3 mil pessoas infectadas na Alemanha, que uma das menores taxas de infecção por HIV da Europa. O país tem metade da população da Rússia, mas 30 vezes menos casos de infecção.
     
    “Precisamos gastar dez vezes mais na prevenção. Precisamos de muito mais recursos e precisamos de algumas decisões políticas – e mudanças na lei em conexão com a metadona e as vidas particulares das pessoas”, me disse Pokrovsky recentemente.
     
    Diagnóstico e ideologia
     
    Um dos problemas é que a visão de Pokrovsky vai de encontro à política do governo e da cada vez mais poderosa Igreja Ortodoxa Russa.
     
    Em uma entrevista neste mês com a agência de notícias France Presse, Pokrovsky disse que a estratégia do Kremlin, de apostar na promoção de valores tradicionais da família, não conseguiu parar o vírus.
     
    “Nos últimos cinco anos de abordagem conservadora o número de pessoas infectadas pelo HIV dobrou”, afirmou.
     
    Quando Pokrovsky pediu a introdução de educação sexual nas escolas — se opondo ao comissário presidencial dos direitos das crianças, Pavel Astakhov, que é contra a medida — a chefe do comitê do Conselho de Saúde da cidade de Moscou, Lyudmila Stebenkova, chamou Pokrovsky de “típico agente trabalhando contra os interesses nacionais da Rússia”.
     
    Stebenkova afirmou ao jornal russo Kommersant que a abordagem de Pokrovsky apenas aumentaria o interesse das crianças por sexo e levaria a um aumento na infecção por HIV e outras doenças.
     
    “Ao invés de distribuir preservativos, devemos promover fidelidade sexual e famílias saudáveis – isto é muito mais eficaz”, disse.
     
    No entanto, os números sugerem outra coisa. Pokrovsky alertou as mulheres do país de que as chances de se casarem com um homem que tenha o HIV são altas.
     
    “Existem entre 80 e cem casos de infecção por HIV entre as mulheres por dia. Isto não é piada – é por dia. Elas são, na maioria, mulheres jovens entre 25 e 35 anos e estão no principal grupo de risco”, disse o especialista.
     
    Agulhas e metadona
     
    Quase 60% dos portadores do HIV na Rússia são usuários de drogas injetáveis e um outro grupo são os de parceiros sexuais destes usuários. O vírus HIV se espalhou como no incêndio em uma floresta através de seringas e agulhas contaminadas.
     
    Por isso, muitos países do mundo fornecem seringas ou distribuem metadona, que é tomada via oral, no lugar das drogas injetáveis.
     
    Quando fui ministro da Saúde na Grã-Bretanha esta política começou em 1987 e, desde então, os números de pessoas recém-infectadas por agulhas contaminadas foi reduzido para quase zero.
     
    Os mesmos resultados foram observados em vários países da Europa e na Austrália, que foi uma pioneira nestas políticas para reduzir os riscos nestes grupos.
     
    A Organização Mundial de Saúde vê a droga como essencial no combate à dependência da heroína, mas, na Rússia, qualquer um flagrado usando ou distribuindo a metadona pode ser condenado a até 20 anos de prisão.
     
    Autoridades de saúde contam exclusivamente com a “narcologia”, uma forma tradicional de tratamento que data da época em que Pedro, o Grande, tentava lutar contra o alcoolismo no país, no começo do século 18.
     
    Esta abordagem, na essência, consiste em isolar o usuário de drogas durante um mês para desintoxicação. Depois, ele passa pela reabilitação, incluindo palestras, grupos de autoajuda, fisioterapia, aconselhamento de dieta e assim por diante.
     
    O diretor do departamento de narcologia da Rússia, o médico Evgeny Brun, é contra o uso de metadona, pois, para ele, é uma droga que causa dependência.
     
    É verdade que a metadona causa dependência, mas vem de uma fonte confiável, o serviço público de saúde, em doses controladas e sem agulhas, o que em muitos casos permite que o usuário tenha uma vida razoavelmente normal e se mantenha no emprego.
     
    Mas o principal e o mais notório desse método russo é que não funciona.
     
    Dedicação
     
    Quando caminhei pelas enfermarias do Centro de Pesquisa e Prática em Narcologia de Moscou, não tive dúvidas da dedicação da médica chefe Elena Sokolchik.
     
    O hospital, nos arredores de Moscou, é considerado um dos melhores centros do país, apesar de apenas 10% ou 15% dos pacientes tratados aqui seguirem voluntariamente para a reabilitação.
     
    Elena visitou vários centros de reabilitação de usuários de drogas em outros países, mas não aprovou o que viu.
     
    “Quando uma usuária chega, junto com os filhos, a um centro onde ela pode conseguir metadona, sinto que é errado e hipócrita. Não quero que uma criança veja drogas viciantes distribuídas como se fossem remédio”, disse.
     
    A médica também afirmou que se orgulha de seu trabalho.
     
    “Posso dizer com certeza que, dos pacientes que passam pelo nosso programa de reabilitação, 48% ficam livres das drogas durante um ano, 35% conseguem dois anos e 8% ficam livres por oito anos”, afirmou.
     
    Mas estas estatísticas indicam que cerca de metade daqueles que passam pela reabilitação não ficam livres das drogas por um ano e não falam nada sobre os 80% a 90% dos que não ficam para a reabilitação. Pesquisas e mais pesquisas mostram que muitos pacientes logo voltam a injetar drogas e, mais uma vez, espalham o vírus.
     
    “Ninguém acredita quando falo que o governo russo não está fazendo nenhum trabalho de prevenção para dar um fim à epidemia de HIV”, disse Ana Sarang, diretora da Fundação Andrey Rylkov, pequena organização de caridade em Moscou dedicada a ajudar usuários de drogas.
     
    “Não há nenhum esforço para parar a epidemia entre pessoas que injetam drogas e, sem surpresa, a Rússia continua sendo um dos poucos países do mundo onde a epidemia de HIV ainda está crescendo.”
     
    Também não há apoio para as organizações de voluntários que tentam ajudar.
     
    Sarang afirma que a organização dela é a única fazendo trabalho de contenção de danos nas ruas de Moscou. Mas é uma organização que sobrevive com pouco dinheiro.
     
    Ponto positivo
     
    No entanto, há alguns pontos positivos. A alguns quilômetros de São Petersburgo há uma clínica para doenças infecciosas, construída no século 19 pelo czar Alexandre 2º e que agora funciona como uma unidade especial para crianças com HIV, algumas delas órfãs, outras, abandonadas.
     
    O trabalho dedicado dos funcionários dá às crianças os cuidados necessários – e ainda mudou a atitude dos que moram próximos.
     
    Na década de 1980, havia o temor generalizado de que o HIV poderia ser contraído pelo toque ou mesmo a proximidade com uma pessoa infectada. O presidente Boris Yeltsin chegou na receber um petição pelo fechamento da clínica para crianças – que chegou a ser fechada, mesmo que por apenas 24 horas. Mas, o hospital foi reaberto, o comportamento mudou e hoje muitas crianças são até adotadas.
     
    Outros preconceitos continuam: adultos com HIV são isolados. Prostitutas que levam preservativos são ameaçadas ou devem pagar subornos para a polícia.
     
    A recente legislação do governo contra o que vê como “promoção da homossexualidade” estimula o preconceito e dificulta a impressão de panfletos para o aconselhamento sobre sexo seguro.
     
    Muitos temem fazer o exame para descobrir se estão infectados por que temem a ameaça da discriminação.
     
    Talvez, por estas razões, Vadim Pokrovsky se mostra pouco otimista quanto à situação no país.
     
    “(Para) a vitória contra a infecção pelo HIV serão necessários outros 25 anos”, afirmou.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Medicamento chinês que desacelera Alzheimer entrará em testes clínicos

    Medicamento chinês que desacelera Alzheimer entrará em testes clínicos

    Cientistas tiveram resultados positivos em testes com animais.
    Fármaco teve efeito na melhora da memória e das habilidades cognitivas.
     
    Um medicamento elaborado por cientistas chineses que conseguiu resultados positivos na desaceleração do avanço do Alzheimer em animais entrará em breve em fase de testes clínicos, anunciaram os responsáveis pelo projeto.
     
    O fármaco, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Saúde e Biomedicina de Cantão da Academia Chinesa de Ciências, vem mostrando efetividade na melhora da memória e das habilidades cognitivas de animais, explicou o diretor da equipe responsável pelo projeto, Hu Wenhui, à agência estatal de notícias “Xinhua”.
     
    Após uma bem-sucedida experiência em porcos da Guiné, foi decidido que na fase seguinte de desenvolvimento deste composto, chamado AD16, serão feitos testes com humanos.
     
    O AD16 desacelera o avanço do Alzheimer, ao funcionar como um agente antineuroinflamatório que pode aliviar os danos causados pelas proteínas beta-amiloides nos neurônios.
     
    Os fragmentos desta proteína são acumulados no cérebro das pessoas que sofrem de Alzheimer, formando depósitos que impedem que as células possam se conectar entre si e transmitir os impulsos nervosos, o que acaba afetando suas habilidades cognitivas e sua memória.
     
    Fonte: Bem Estar