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  • Para OMS, sul-americano deve cortar em 60% ingestão de açúcar

    Para OMS, sul-americano deve cortar em 60% ingestão de açúcar

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez nova recomendação ontem para que adultos e crianças reduzam substancialmente o consumo diário de açúcar – o Brasil é o maior produtor mundial do ingrediente. A entidade afirma que a América do Sul tem o consumo mais alto no mundo e deveria cortar em pelo menos 60% a ingestão diária de açúcar.
     
    A entidade global aconselha fortemente os países a manterem o objetivo atual para que o produto represente menos de 10% do aporte diário das pessoas. E destaca que “se possível“ as políticas nacionais devem levar a população a baixar a menos de 5% o açúcar no total calórico diário, para reduzir mais o risco de obesidade, diabete, cárie dentária e outras doenças.
     
    Isso significa que os adultos deveriam limitar seu consumo de açúcar a 50 gramas ou 12 colheres pequenas, mas “se possível” baixar mesmo para 25 gramas ou 6 colheres pequenas por dia.
     
    Atualmente todos os países excedem esses limites e o consumo de açúcar vem aumentado, ao invés de baixar, segundo a OMS. Na América do Sul, cada pessoa consome 131 gramas diárias em média, quase três vezes mais que a recomendação mais flexível da OMS.
     
    A organização afirma que os governos podem implementar a redução recomendada por meio de medidas que já vêm sendo adotadas por alguns países, como a taxação adicional sobre determinados produtos e a regulação do marketing de refrigerantes e outros alimentos e bebidas açucarados.
     
    Conforme a entidade, muito do açúcar consumido hoje é “escondido“ em alimentos processados que não são vistos como doces. Uma colher de ketchup, por exemplo, contém quatro gramas de açúcar. Uma única lata de refrigerante tem cerca de dez colheres pequenas de açúcar.
     
    A recomendação não se refere ao açúcar contido em frutas e vegetais ou naturalmente presente no leite, porque não há evidências de efeitos adversos decorrentes de seu consumo. Tampouco faz referência a produtos com adoçante artificial, como a Coca-Cola Zero.
     
    Em todo caso, a indústria de alimentos e de bebidas precisará reconsiderar e ajustar o uso de açúcar nos seus produtos, avisou o diretor de Nutrição e Saúde da OMS, Francesco Branca. Nas consultas para estabelecer a nova recomendação, a OMS recebeu 173 submissões com comentários de 24 governos, dezenas de indústrias e de outros setores.
     
    “O Brasil não fez objeções”, disse Francesco Branca, admitindo a surpresa com a posição do maior produtor e exportador mundial, mas considerando “excelente para nós, que focamos na saúde pública”.
     
    No caso específico do Brasil não haveria problema para entrar em conformidade com a futura recomendação, segundo fontes. O Ministério da Saúde tem feito acordos com a indústria alimentar no país para reduzir o uso de açúcar, sal e gorduras nos produtos.
     
    Quanto ao impacto do anúncio da OMS no consumo mundial de açúcar, aparentemente ainda é uma questão em aberto.
     
    Globalmente, o consumo aumentou 10% entre 2003 e 2013, de 58 para 63 gramas por pessoa por dia. Na América do Norte, é de 95 gramas; na Europa Ocidental, de 101 gramas; na Ásia, de 42 gramas; e na África Equatorial e do Sul, é de 30 gramas. Enquanto na Suécia e na Dinamarca o açúcar representa 12% das calorias diárias ingeridas por crianças, em Portugal atinge 25%.
     
    Nesse cenário, governos em todas as regiões têm aumentado medidas para frear o consumo de açúcar por causa do seu crescente peso no orçamento nacional de saúde. A OMC calcula que o custo de tratar de problemas dentários, por exemplo, representa até 10% dos gastos de saúde em países industrializados.
     
    No México, onde um em cada três adultos é obeso, o governo impôs taxa adicional de 8% sobre refrigerantes. O objetivo é reduzir o consumo de açúcar em 15%. No Equador, o governo impõe etiquetagem no setor, de forma que o uso de açúcar caiu 20% na indústria de alimentos e bebidas para receberem o “selo verde“ nos seus produtos, em vez do “selo vermelho“.
     
    A obesidade afeta 500 milhões de pessoas no mundo e aumenta nos países emergentes, onde mais cresce também a indústria de refrigerantes.
     
    A indústria preferiu acusar sobretudo o consumo de calorias e falta de exercício para problemas de obesidade. Mas, depois de resistir ao novo padrão, já mostra pragmatismo. A Nestlé, maior grupo alimentar do mundo, anunciou que vai lançar este mês uma nova versão de seu popular cereal Fitness com 30% a menos de açúcar, aumentando o volume de trigo e arroz. O novo produto estará disponível primeiro na Europa, e mais tarde na América Latina e na Ásia.
     
    Para a OMS, uma dieta saudável deve ter só 5% de açúcar e 30% de gordura no consumo calórico total, não mais de cinco gramas de sal e pelo menos cinco porções, ou 400 gramas, de frutas e vegetais por dia.
     
    Fonte: Valor Econômico
  • OMS: 1,1 bilhão em risco de perda auditiva

    OMS: 1,1 bilhão em risco de perda auditiva

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, cerca de 1,1 bilhão de adolescentes e jovens adultos estão em risco de perda auditiva. A causa seria o “uso inseguro de dispositivos pessoais de áudio, incluindo smartphones, e exposição a níveis sonoros prejudiciais em locais como bares, discotecas e eventos esportivos. Nesta terça-feira, 3 de março, a agência marca o Dia Internacional do Cuidado Auditivo.
     
    Irreversível
     
    De Porto Alegre, o presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico – Facial, Dr. Sady Selaimen da Costa, falou à Rádio ONU sobre o tema. Ele disse que a questão é “uma preocupação no mundo inteiro”.
     
    “A perda auditiva induzida pelo ruído é um problema que afeta a todas as sociedades, mas, principalmente as mais desenvolvidas e industrializadas. A gente sabe que o ouvido humano quando confrontado com intensidades sonoras acima de 85 decibéis, que não é uma intensidade muito, muito alta, ele tem um tempo de exposição que quando passa de oito horas diárias, para 85 decibéis, ele começa a ser prejudicial às células que habitam internamente o ouvido humano. Isto pode gerar num primeiro momento, desconforto, depois zumbido e, depois, quando o estímulo é sustentado, perda auditiva de caráter irreversível”.
     
    Jovens
     
    O especialista falou ainda sobre a incidência do problema entre jovens e destacou a importância da prevenção.
     
    “Eu acho que nós estamos vivendo uma epidemia de perdas auditivas induzidas pelo ruído na população mais jovem. Normalmente, a gente esperava este tipo de problema em indivíduos mais idosos, ou indivíduos de idade média que trabalham em ambientes absolutamente ruidosos, como nas fábricas ou com motores ou coisa assim. O que a gente tem visto são jovens, de 16, 17 anos, que passam o dia inteiro com fones de ouvidos e com intensidades sonoras absurdas, acima, às vezes, de 90, 100 decibéis. Estes, sim, vão sofrer perdas auditivas. Neste caso, o que a gente tem pra fazer é a prevenção porque, na verdade, quando a perda se estabelece, nós não temos como revertê-la exceto através de uso de aparelhos auditivos convencionais.”
     
    OMS
     
    De acordo com dados de estudos feitos em países de renda média e alta, analisados pela OMS, cerca de 50% dos adolescentes e jovens adultos entre 12 e 35 anos de idade são expostos a níveis sonoros inseguros pelo uso de dispositivos pessoais de áudio. Cerca de 40% são expostos a níveis sonoros potencialmente prejudiciais em locais de entretenimento.
     
    Ainda segundo a agência da ONU, 360 milhões de pessoas em todo o mundo têm perda auditiva de moderada a profunda. As causas são diversas entre elas, barulho, condições genéticas, complicações no nascimento, doenças e envelhecimento, entre outras.
     
    Fonte: Laura Gelbert
     
  • Parceria com escolas deve voltar para vacina do HPV

    Parceria com escolas deve voltar para vacina do HPV

    Sem conseguir atingir a meta da segunda etapa de vacinação contra o HPV, o Ministério da Saúde pretende retomar a parceria com escolas em nova campanha nacional, segundo a Folha apurou.
     
    O governo esperava vacinar 80% das jovens de 11 a 13 anos até dezembro. Porém, até esta terça (3), apenas 58% dessas meninas haviam tomado a segunda dose da vacina, que protege contra câncer de colo de útero uma das principais causas de morte por câncer em mulheres no Brasil.
     
    Na primeira etapa, quando houve parceria com as escolas, 100% das meninas foram imunizadas.
     
    O ideal é que a segunda dose da vacina seja ministrada em até seis meses após a primeira especialistas recomendam que o prazo não ultrapasse um ano.
     
    Em alguns municípios, como São Paulo, a parceria com escolas já está confirmada e o agendamento começa no dia 10. Agora, o governo quer estender a ação para todo o país.
     
    O Ministério da Saúde não comentou a baixa cobertura vacinal na segunda etapa.
     
    A campanha nacional de vacinação contra o HPV deve ser lançada na próxima semana. Além das meninas de 11 a 13 anos que ainda não receberam a segunda dose, serão ofertadas também vacinas para garotas de 9 e 10 anos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Estudo pode ajudar a prevenir e tratar infecções fatais em diabéticos

    Estudo pode ajudar a prevenir e tratar infecções fatais em diabéticos

    Uma nova estratégia com potencial para tratar infecções generalizadas em portadores de diabetes do tipo 1 foi proposta por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) em artigo publicado na revista “Science Signaling” no final de janeiro e divulgado nesta terça-feira (3), no site da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). 
     
    Em experimentos com camundongos diabéticos, o grupo do Instituto de Ciências Biomédicas conseguiu reduzir em 40% a mortalidade por infecção generalizada, ou sepse, ao tratar os animais com uma substância capaz de inibir a síntese de um mediador inflamatório conhecido como leucotrieno, que estimula a produção de glóbulos brancos, responsáveis por defender o organismo de infecções. Drogas semelhantes já são usadas no combate à asma e a outras doenças alérgicas.
     
    “Nosso trabalho mostrou que os camundongos com diabetes tipo 1 apresentam inflamação sem que haja infecção, por conta da ação do leucotrieno LTB4. Essa inflamação de base aumenta a suscetibilidade à sepse”, explicou Luciano Filgueiras, autor principal do artigo. Filgueiras explica que a diabetes tipo 1 se desenvolve quando o próprio sistema imunológico do paciente destrói parte das células pancreáticas responsáveis pela produção de insulina, fazendo com que os níveis desse hormônio no organismo se tornem insuficientes para controlar os níveis de açúcar no sangue.
     
    A infecção generalizada, chamada de sepse por cientistas, é caracterizada por uma inflamação sistêmica potencialmente fatal, que produz mudanças na temperatura corporal, na pressão arterial, na frequência cardíaca, na contagem de células brancas do sangue e na respiração. As formas mais graves costumam causar disfunção no funcionamento de diversos órgãos, condição conhecida como choque séptico.
     
    Os experimentos foram conduzidos durante o doutorado de Filgueiras – parte no Laboratório de Imunofarmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas e parte no laboratório do professor Henrique Serezani, na Indiana University – Purdue University Indianapolis, nos Estados Unidos. 
     
    Experimentos
     
    O modelo usado pelos pesquisadores consistiu em induzir a diabetes tipo 1 em camundongos com a injeção de uma droga que destrói as células pancreáticas produtoras de insulina. “Nosso trabalho trouxe à tona uma nova possibilidade terapêutica para essas drogas experimentais. E isso é relevante, pois nos últimos 50 anos não surgiu nenhum tratamento capaz de aumentar a sobrevida de pacientes com sepse de forma significativa”, comentou o pesquisador.
     
    A infecção generalizada era provocada por um método conhecido como ligação e perfuração do ceco (CLP, na sigla em inglês), no qual uma abertura é feita no intestino de forma a permitir o extravasamento de fezes e de bactérias para a cavidade peritoneal (na região do abdome).
     
    Os camundongos foram divididos em três grupos: não diabéticos com sepse, diabéticos com sepse e diabéticos com sepse tratados com o inibidor de LTB4.
     
    No grupo de diabético não tratado, 100% dos animais morreram cerca de 24 horas após a perfuração do intestino em decorrência da inflamação sistêmica. No grupo tratado com o inibidor de LTB4, 40% dos camundongos sobreviveram durante os seis dias de duração do experimento. No grupo de camundongos não diabéticos, o índice de sobrevivência à sepse foi de 60%.
     
    O tratamento com o inibidor de LTB4 foi iniciado 16 horas antes da perfuração do intestino. Uma segunda dose foi administrada 8 horas antes do procedimento. Após a perfuração, a droga foi oferecida a cada 12 horas, durante seis dias.
     
    Além de reduzir a mortalidade, a terapia também controlou o quadro inflamatório, o que foi avaliado pela produção de citocinas anti e pró-inflamatórias.
     
    Em um outro experimento, o grupo avaliou a resposta à sepse em camundongos modificados geneticamente para não expressar o receptor do LTB4. Nesse caso, tanto os animais com diabetes quanto os não diabéticos tiveram sobrevivência de 100% ao final dos seis dias do experimento.
     
    “Na ausência do receptor do LTB4, portanto, não houve diferença entre diabéticos e não diabéticos no que se refere à suscetibilidade à sepse”, comentou Filgueiras.
     
    Os cientistas também compararam grupos de camundongos com diabetes do tipo 1 e do tipo 2, na qual há um aumento na produção de insulina pelo pâncreas. Nos diabéticos tipo 2, as células do fígado, músculo e tecido adiposo apresentam resistência à insulina, o que leva à hiperglicemia, embora os macrófagos ainda sejam responsivos a esse hormônio.
     
    De acordo com Filgueiras, drogas capazes de inibir a síntese de outros tipos de leucotrienos já são usadas no tratamento de asma e outras doenças alérgicas. Substâncias capazes de inibir especificamente o LTB4 ainda estão em fase de desenvolvimento e não foram testadas no tratamento da sepse ou da diabetes do tipo 1 em humanos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Anvisa veta compras públicas com a EMS, maior farmacêutica do país

    Anvisa veta compras públicas com a EMS, maior farmacêutica do país

    A EMS, maior farmacêutica do país em faturamento, está proibida de vender medicamentos para o poder público. Também não pode pedir registro de novas drogas ou renovação das antigas.
     
    A empresa teve indeferido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pedido de renovação do certificado de boas práticas de fabricação de medicamentos. A decisão foi publicada nesta segunda (2) no “Diário Oficial” da União.
     
    O documento é a garantia de que a empresa tem condições técnicas e operacionais para a fabricação de remédios. Sem ele, fica com as atividades limitadas.
     
    A medida foi tomada quase um mês após a Anvisa interditar parte da fábrica da EMS e suspender a fabricação de dois antibióticos genéricos: a amoxicilina + clavulanato de potássio 50 mg/ml + 12 mg/ml pó para suspensão oral e rifamicina 10 mg/ml, solução tópica spray.
     
    Conforme revelado pela Folha, a temperatura do almoxarifado da fábrica em Hortolândia (SP) estava em 46°C, quando a determinada pelas normas é entre 15°C e 28°C. Essa condição pode degradar o produto.
     
    No caso da amoxilina, segundo a Anvisa, a empresa estava utilizando uma substância não aprovada e sintetizando outra de forma diferente da que foi informada à agência. Isso pode tornar o remédio ineficaz e com potenciais riscos à população.
     
    Em relação à rifamicina, a Anvisa constatou que o laboratório aumentou o tamanho do lote em dez vezes sem que houvesse aprovação prévia.
     
    CERTIFICADO
     
    Sem o certificado de boas práticas, a EMS não pode participar de licitações, mas isso não a impede de vender remédios para as farmácias.
     
    “É uma idiossincracia, mas amparada pela legislação. Não pode vender para o SUS, mas pode comercializar para o público”, diz Dirceu Raposo de Mello, professor de farmácia da Anhembi Morumbi e ex-presidente da Anvisa.
     
    Procurada, a Anvisa informou que não poderia se manifestar sobre a decisão.
     
    Mello explica que, se a empresa recorrer da decisão, a medida tem efeito suspensivo até o julgamento do recurso. Em algumas situações, isso pode levar até dois anos.
     
    Outras duas farmacêuticas pertencentes à EMS, Germed e Legrand, também de Hortolândia, tiveram negados pedidos de certificados de boas práticas, mas a Anvisa não informou o motivo. A EMS diz que já tomou providências para resolver o problema.
     
    Figuram ainda na lista publicada no “Diário Oficial” o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) e a Hypermarcas.
     
    Segundo diretor-presidente do Lafepe, José Fernando Uchôa, o problema será corrigido em até 120 dias. Já a Hypermarcas informou que a fábrica que consta na lista está fechada desde 2011.
     
    OUTRO LADO
     
    A EMS informou, por nota, que “todas as providências já foram tomadas com a finalidade de obter a renovação das certificações”. A empresa afirma ainda que o mesmo vale para as outras unidades do grupo, Germed e Legrand.
     
    Segundo diretor-presidente do Lafepe, José Fernando Uchôa, o pedido de renovação foi indeferido porque a vigilância encontrou problemas na unidade de pomadas. “São coisas básicas. Uma parede que não está pintada de forma adequada, por exemplo.”
     
    Ele diz que a empresa já está corrigindo as irregularidade e solicitará nova vistoria. “Em até 120 dias esperamos já estar tudo resolvido.”
     
    A Hypermarcas informou que o pedido indeferido se referia a uma fábrica desativada em 2011. “A produção foi migrada para subsidiária da companhia em Anápolis, Goiás, que possui os certificados necessários para a fabricação de medicamentos.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo aponta impacto do transplante de células-tronco nas imunodeficiências

    Estudo aponta impacto do transplante de células-tronco nas imunodeficiências

    Transplantes de células-tronco hematopoiéticas têm sido decisivos no tratamento de imunodeficiências congênitas no Brasil. É o que comprovou um estudo do Grupo de Trabalho de Transplante Pediátrico, da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), apresentado no início do mês, em San Diego, nos Estados Unidos, durante encontro internacional.
     
    O estudo avaliou 166 pacientes com imunodeficiência primária, submetidos ao transplante entre 1992 e abril de 2014, em dez diferentes centros transplantadores do país, entre instituições públicas e privadas. A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com menos de 3 anos de idade, visto que a doença se manifesta quase sempre de maneira precoce e apresenta alto índice de mortalidade, se não diagnosticadas na fase inicial.
     
    De acordo com a coordenadora do levantamento na Universidade Federal do Paraná, Carmem Bonfim, o transplante de células-tronco hematopoiéticas é curativo na maioria dos casos de imunodeficiências primárias. “Esses resultados nos possibilitam obter referenciais de condutas terapêuticas e, com isso, aperfeiçoar e ampliar a capacidade de realização desses procedimentos em países como o Brasil”, ressaltou.
     
    No caso da imunodeficiência combinada grave e da síndrome de Wiskott-Aldrich, a sobrevivência global em três anos chegou a 60% e 79%, respectivamente. “Sem o transplante, a grande maioria dos bebês com imunodeficiência combinada grave morre antes de completar 1 ano de vida”, esclareceu Carmem.
     
    Ela lamentou que no Brasil o maior problema ainda seja o diagnóstico precoce para o tratamento adequado, a tempo, dessas crianças. “Faltam leitos e estrutura adequados para o transplante, mas estima-se que dezenas de crianças morram anualmente por não terem sido diagnosticadas a tempo de começarem o tratamento, ou mesmo o transplante.”
     
    As imunodeficiências primárias somam ao todo mais de 200 tipos de doenças hereditárias e são quase todas raras. Elas alteram os mecanismos normais de defesa do organismo e aumentam as chances de infecções e outras doenças.
     
    Apenas alguns centros são capacitados a realizar o procedimento no país. O primeiro transplante desse tipo, no Brasil, foi feito em 1992, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
     
    Fonte: CFF
  • USP desenvolve teste para detecção precoce de doenças autoimunes

    USP desenvolve teste para detecção precoce de doenças autoimunes

    Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolveram teste que permite identificar precocemente pacientes portadores de doenças autoimunes e que deverão reagir bem ao tratamento padrão aplicado nesses casos. A droga utilizada é o metotrexato.
     
    Atualmente, a substância é o “padrão ouro” de tratamento para doenças autoimunes – que ocorrem devido a uma agressão do organismo por seu próprio sistema imunitário –, como artrite reumatóide, psoríase, doença de Crohn e esclerose múltipla. No entanto, de 30% a 40% desses pacientes não respondem ao metotrexato.
     
    “Só depois de seis meses se descobre o dado clínico. Aí é que se entra com um segundo tratamento alternativo. Isso é um problema muito sério”, destaca professor do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Fernando de Queiroz Cunha, um dos orientadores da pesquisa, realizada pelo biomédico Raphael Sanches Peres.
     
    Segundo ele, a demora em se conhecer a eficiência do tratamento com o metotrexato reduz as chances de o paciente conseguir diminuir os efeitos da doença. No entanto, o novo teste desenvolvido é capaz de identificar, antes do início do tratamento, se o paciente responderá ou não à droga. “Quando o paciente reage bem ao medicamento, fica vários anos tomando apenas metotrexato e mais um analgésico, uma droga para tirar a dor”, ressalta.
     
    Os pesquisadores agora estão discutindo com o setor produtivo a fabricação de um kit para execução do teste, que é feito a partir de exame de sangue. “Imaginamos que, se tudo der certo, em um ano, começaremos a iniciar os ensaios clínicos para confirmar se o teste funciona ou não. A gente não tem dúvida que vai funcionar, mas obviamente que precisamos de um ensaio clínico”, acrescenta Cunha.
     
    A pesquisa sobre o novo teste, que também foi orientada pelo professor Paulo Louzada, do Departamento de Clínica Médica do Setor de Reumatologia, foi publicada em artigo, no dia 9 de fevereiro, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
     
    Fonte: CFF
  • Bactéria letal é detectada na parte externa de laboratório de segurança

    Bactéria letal é detectada na parte externa de laboratório de segurança

    Segundo jornal, bactéria foi encontrada em laboratório na Louisiana.
    Local trabalha em uma vacina contra o 'Burkholderia pseudomallei'.
     
    As autoridades do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, analisam como uma perigosa e potencialmente letal bactéria foi encontrada na parte externa do laboratório de um centro de pesquisas de alta segurança, informa o jornal “USA Today”.
     
    As autoridades afirmaram que a população não corre nenhum risco, mas ainda ignoram as dimensões da contaminação.
     
    O incidente aconteceu no National Primate Research Center de Tulane, que fica a 80 km de Nova Orleans e trabalha em uma vacina contra esta bactéria, em novembro de 2014 ou antes.
     
    A bactéria em questão é chamada “Burkholderia pseudomallei” ou bacilo de Whitmore. É encontrada principalmente no sudeste asiático e norte da Austrália. Pode ser transmitida a humanos ou animais por contato com o solo ou com água contaminada.
     
    A bactéria está incluída na categoria de agentes que podem ser utilizados no bioterrorismo.
     
    As autoridades informaram que a bactéria não foi detectada nos terrenos que pertencem ao centro, mas quatro macacos que estavam em uma área externa ficaram enfermos e dois deles foram sacrificados, segundo o “USA Today”.
     
    Uma inspetora federal que visitou o centro também ficou doente, mas é possível que tenha sido exposta à bactéria antes, já que fez várias viagens ao exterior.
     
    Segundo o centro de pesquisas, os macacos teriam sido infectados durante um tratamento no hospital veterinário do complexo.
     
    O diretor do local, Andrew Lackner, afirmou que 39 mostras do solo e 13 mostras de água provenientes dos terrenos do estabelecimento foram analisadas, sem que nenhum vestígio da bactéria tenha sido detectado.
     
    Mas de acordo com o “USA Today” as mostras foram insuficientes para descartar completamente a presença da bactéria, que é muito difícil de ser detectada. As investigações devem prosseguir, segundo os cientistas.
     
    “O fato de que as autoridades não conseguem estabelecer como aconteceu a difusão da bactéria é muito preocupante”, disse ao jornal Richard Ebright, especialista em segurança biológica da Rutgers University, em Nova Jersey.]
     
    Fonte: CFF
  • A possibilidade da invenção de doenças mentais

    A possibilidade da invenção de doenças mentais

    “Infelizmente propaga-se por aí uma falácia”, foi o início de um e-mail recebido de uma leitora indignada com o post Mitos sobre o Suicídio, criticando o artigo por “simplesmente reproduzir dados transmitidos por uma indústria farmacêutica apenas interessada em vender mais remédios”, como ela colocou.
     
    Essa linha de raciocínio parte do pressuposto de que doenças podem ser “inventadas” e que os manuais de categorização de doenças mentais, como o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID (Classificação Internacional de Doenças, uma publicação da própria OMS – Organização Mundial da Saúde) são definidos por psicólogos e psiquiatras ligados financeiramente a empresas farmacêuticas (que financiam suas pesquisas, por exemplo).
     
    Para o psicanalista Eduardo Rozenthal*, isso é possível sim, porque vivemos numa sociedade contemporânea monista, baseada em apenas um valor, que é o valor capitalista de mercado. Ela substitui a sociedade moderna, que era dualista, oscilando entre o bem e o mal. “Todas as práticas humanas se mobilizam em direção ao maior valor da cultura, que é o valor de mercado. Isso é automático. Não se trata de nenhuma ?teoria da conspiração’. Somos seres moldados pela cultura em que vivemos”, Rozenthal diz.
     
    Para o psicólogo Thiago Sarkis, psicanalista de Belo Horizonte, “doenças inventadas” podem ocorrer como fruto de erros e não de más intenções. Ele também diz ser perigoso falarmos de maneira tão categórica sobre uma relação entre estudos psiquiátricos de transtornos mentais e o objetivo de se ofertar algo para aquecer o mercado farmacêutico. Haveria equívocos em estudos e classificações, assim como a hipermedicalização da vida, mas isso diria muito mais respeito sobre quem recebe os resultados dos estudos e medicam seus pacientes a partir deles, do que sobre quem os produziram.
     
    Sarkis diz estar certo de que boa parte dos estudiosos sobre os transtornos mentais estão efetivamente acreditando – talvez mais piamente do que devessem – naquilo que estão fazendo, dedicando-se, e confiando em suas descobertas. “O que guia a ciência, hoje e sempre, é a dúvida, o questionamento. Quando a ciência vira, ou é investida pelas pessoas como uma indústria de produção de verdades, um guia absoluto, temos um problema.”
     
    O caso do TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
     
    O psiquiatra norte-americano Leon Eisenberg (1922-2009) é considerado o pai do TDAH. Segundo reportagem do “The New York Times”, “nos seus últimos anos de vida, ele teria ficado alarmado com as tendências no campo que ajudou a criar, criticando o que ele viu como uma “confortável” relação entre o mercado de remédios e os médicos e a crescente popularidade do diagnóstico do déficit de atenção”. O semanário alemão “Der Spiegel” trouxe uma reportagem de capa, em 2012, com uma declaração bombástica de que Eisenberg teria dito que o TDAH é uma doença inventada.
     
    A frase atribuída a ele nas matérias que encontrei é: “O TDAH é um excelente exemplo de uma doença fictícia”. O tradutor que consultei disse que colocaria a frase como: “O TDAH é um exemplo de sucesso de uma doença fabricada”. Ele me passou outras informações importantes da matéria, como Eisernberg mencionar que o componente genético da doença foi superestimado e afirmar que “psiquiatras infantis deveriam investigar as motivações psicossociais que possam causar os sintomas da doença, como verificar se existem problemas de relacionamento na família, se os pais vivem juntos ou se estão brigando muito, por exemplo. São questões importantes, mas demandam muito tempo para serem respondidas. Sendo assim, é mais fácil simplesmente medicar”. A matéria diz que o diagnóstico do TDAH aumentou 40 vezes nos últimos dez anos e muitos dos pacientes mal têm de dois a três anos de idade. Também aponta que não se sabe qual o tipo de consequência dos medicamentos para o cérebro e que essa é uma experiência fora do controle.
     
    Rozenthal diz receber muitos pais em consultório imaginando que seu filho tem a doença e muitas vezes já fazendo uso de medicação como a Ritalina. Ele não se coloca contra remédios, mas sim contra a medicalização hegemônica da sociedade, ou seja, o excesso de medicação que hoje se prescreve, “você dá a medicação e não trabalha com a subjetividade. É mais rápido e mais fácil, mas a longo prazo não serve. Se tirar a medicação volta tudo”.
     
    Depressão
     
    Eduardo Rozenthal diz que a depressão é a doença psíquica por excelência da contemporaneidade. “É alarmante o número de pacientes que chegam falando que têm depressão”. Ele considera haver uma confusão entre o “ficar triste”, por exemplo, diante de uma perda, e o “estar deprimido”. As pessoas teriam o direito de ficarem tristes e a felicidade não deveria ser colocada como uma obrigação. O diagnóstico de depressão é feito às pressas e logo se parte para a medicação. Segundo Rozenthal, há um componente orgânico na depressão que deve ser levado em conta, mas que não deve servir para generalizar o sofrimento.
     
    Ele diz que os remédios mais usados hoje para tratar o excesso de ansiedade, como os ansiolíticos Rivotril, Olcadil e Frontal podem trazer benefícios se utilizados, quando for o caso, como complemento da análise. Podem diminuir a dor e às vezes até facilitar o trabalho psicanalítico. Mas nesse caso, devem ser vistos como circunstanciais e não como tratamento propriamente dito.
     
    Há uma corrente que critica as drogas psicotrópicas por não existir pesquisas científicas comprovando a existência de componentes orgânicos nos distúrbios mentais. Alguns psiquiatras americanos divulgam opiniões contrárias ao status quo em sites pessoais e acabam servindo de fonte àqueles que são contra o uso de certos remédios, como o Dr. David Healy, e o Dr. Peter Breggin, que relaciona violência e suicídio causados por anti-depressivos. O filme “O Marketing da Loucura” traz a história desses medicamentos e depoimentos sobre seus efeitos secundários.
     
    Classificar, categorizar, rotular
     
    O DSM é um livro que indica a classificação de doenças mentais usado por profissionais de saúde mental dos Estados Unidos. Há uma linha de pensamento que defende que os psiquiatras dessas instituições são ligados a laboratórios e por isso trabalhariam no interesse deles e não da sociedade.
     
    A psicóloga norte-americana Lisa Cosgrove, e outros três colegas, lançaram um estudo intitulado (em tradução livre) “Ligações financeiras entre os membros dos painéis do congresso DSM-IV e a indústria farmacêutica”. O artigo aponta que dos 170 membros do painel, 95 membros (56%) tinham uma ou mais associações financeiras com empresas da indústria farmacêutica. E 100% dos membros dos painéis ‘Transtornos de Humor’ e ‘Esquizofrenia e outros Transtornos Psicóticos’ tinham ligações financeiras com as companhias de drogas. O estudo conclui que há fortes ligações financeiras entre a indústria e aqueles responsáveis por desenvolver e modificar os critérios para diagnósticos de transtornos mentais, “as conexões são especialmente fortes nos diagnósticos de áreas em que as drogas são a primeira linha de tratamento.”
     
    A leitora que estimulou esse post enviou o link de um filme criticando o DSM e o CID, filmado pela CCHR – Comissão dos Cidadãos para os Direitos Humanos, de Portugal. Uma das críticas está em não precisar ter conhecimento sobre a causa e efeito da condição para poder classificá-la como uma doença e com isso dar margem à invenção de doenças mentais para alimentar a indústria farmacêutica. O documentário aponta que a inclusão de uma doença no DSM é votado numa reunião entre psicólogos e psiquiatras. O fato de a decisão ser votável indicaria não haver uma definição com base em pesquisas cientificas mas sim em motivos políticos. Também se vota na exclusão de uma doença, como ocorreu com a homossexualidade, anteriormente inclusa no DSM como distúrbio mental e depois retirada. O documentário disse que essa decisão nada tem de base científica, ele foi inserido e removido por razões políticas e não médicas.
     
    A instituição lançou outros documentários como “O Inimigo Oculto” e “A Era do Medo”, disponíveis no seu site.
     
    Para Rozenthal, as doenças precisam ser classificadas para que possamos estudá-las, ensiná-las e finalmente tratá-las e para facilitar a cobertura de planos de saúde também. “O problema surge quando se idealiza a doença – ou a saúde – para fazer com que o mercado lucre”, ele diz. O psicanalista ressalta que somos seres da singularidade e por isso é perigoso trabalharmos com rótulos para alimentar um modelo médico quantitativo, voltado para estatísticas e não para a qualidade.
     
    A indústria farmacêutica
     
    Para Nelson Mussolini, vice-presidente da Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estados de São Paulo), de fato houve uma medicalização da vida em razão do aumento da expectativa e a busca por maior qualidade. “Estamos vivendo cada vez mais e a indústria farmacêutica corre atrás para investir em desenvolvimento de produtos para dar mais qualidade de vida para as pessoas”, ele diz.
     
    Mussolini afirma que podem haver abusos e modismos que são prejudicais para a indústria e que qualquer atividade humana está passível de cometer erros, mas se tem procurado, principalmente nos últimos vinte anos, minimizá-los ao máximo. Como por exemplo, retirar remédios do mercado que apresentem efeitos colaterais graves e criar códigos de conduta para os médicos – como deixar claro suas conexões financeiras, como quem patrocinou seu estudo e para qual empresa trabalham, na hora de apresentar suas teses em congressos, “nenhuma empresa quer ver seu nome envolvido com falta de transparência, porque um dos principais pilares dessa indústria é a credibilidade”.
     
    Sobre o TDAH, Mussolini afirma que ele vem sendo estudado desde 1947 e a Ritalina é um medicamento de 1955. “Me parece estranho falar em uma doença fabricada por um período tão longo quanto esse. De fato, se existisse essa questão, ela já teria sido desmitificada, porque nenhuma `mentira’ dura tanto tempo”. Ele diz ser possível encontrar alguns abusos, como ser usado para pais sossegarem seus filhos, mas essa seria uma questão presente em todos os produtos. Por exemplo, o abuso de antibióticos resultou em bactérias mais resistentes levando a indústria a investir em pesquisas para descobrir antibióticos mais potentes.
     
    Acredito que abrir margem para a existência de doenças inventadas possa contribuir ainda mais para o preconceito em torno dos distúrbios mentais e prejudicar a importante pesquisa dos medicamentos psiquiátricos, hoje em curso. Erros e abusos devem ser minimizados e a transparência das ligações financeiras tida como uma prioridade. Mas o debate é bem vindo e pode indicar quão manipuláveis somos, tanto para defender a indústria farmacêutica quanto para criticá-la.
     
    *Eduardo Rozenthal é Doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj e autor do livro “O ser no gerúndio: corpo e sensibilidade na psicanálise”, editado pela Cia de Freud.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Transplante de cabeça pode se tornar realidade em apenas 2 anos, diz médico

    Transplante de cabeça pode se tornar realidade em apenas 2 anos, diz médico

    Um cirurgião italiano tem planos de realizar o transplante de cabeça de uma pessoa viva para o corpo de um doador e afirma que a tecnologia que permitiria tal procedimento estará disponível em apenas dois anos.
     
    Segundo o médico Sergio Canavero, o projeto que reunirá uma equipe de cirurgiões terá início em junho em Maryland, nos Estados Unidos.
     
    Durante anos, Canavero vem afirmando que a ciência médica avançou ao ponto que um transplante de corpo inteiro é uma possibilidade real. Ele publicou recentemente um artigo no qual explica como seria a cirurgia. Em entrevista à revista “New Scientist”, o médico disse que os transplantes de corpo inteiro seriam usados para prolongar a vida de pessoas afetadas por doenças terminais.
     
    “Se a sociedade não quiser algo assim, não vou seguir em frente. Mas se as pessoas não querem essa possibilidade nos Estados Unidos ou na Europa, não significa que não possa ser feito em outro lugar”, disse.
     
    Pelo procedimento descrito pelo médico italiano, os cirurgiões iriam resfriar a cabeça do paciente e o corpo do doador, para que suas células não morressem durante a operação. O pescoço seria então cortado, as veias ligadas com tubos bem finos, e a medula espinhal cortada com bisturi bem afiado para minimizar danos aos nervos. A cabeça seria movida e transplantada para o corpo do doador. Para permitir que nervos e medula de um corpo se fundissem a outro, a equipe usaria uma substância chamada glycol polyethyleno. O paciente seria mantido em coma durante semanas, para evitar que se movesse, permitindo a correta ligação. Após sair do coma, Canavero afirma que o paciente seria capaz de falar e mover o rosto, mas considera que seria preciso um ano de fisioterapia para que o paciente voltasse a mover o corpo.
     
    Além da tecnologia, o maior entrave para a realização de uma cirurgia tão radical está na questão moral e ética. Para que pudesse ser realizada, o processo envolveria o uso de primatas em testes, o que poderia levantar a ira de grupos de proteção aos animais. E depois, testes em humanos.
     
    “O maior problema em relação a esse procedimento é mesmo a questão ética”, afirmou Canavero à revista “New Scientist”. “Será que esta cirurgia deveria ser feita? Muitas pessoas, com certeza, vão discordar”.
     
    A ideia de transplantes de corpo inteiro — ou transplantes de cabeça, dependendo da perspectiva — já foi tentada anteriormente. Em 1970, Robert White liderou uma equipe na Universide Case Western Reserve em Cleveland, nos Estados, que tentou transplantar a cabeça de um macaco no corpo de outro animal da mesma espécie. Os cirurgiões pararam antes de finalizar a ligação da medula espinhal, então o macaco acabou paralisado, sem conseguir mover o corpo.
     
    No ano passado, pesquisadores da Universidade Médica de Harbin, na China, avançaram nos procedimentos com ratos de laboratório. Eles esperam aperfeiçoar o procedimento do que consideram “um marco na história médica que poderá salvar milhões de pessoas”.
     
    Apesar do entustiasmo de Canavero, muitos cirurgiões e neurocientistas acreditam que há dificuldades enormes que não permitiriam que tal cirurgia fosse feita em futuro próximo. O maior entrave é que ninguém sabe como reconectar nervos espinhais e fazê-los funcionar novamente. Se isso fosse possível, pessoas paralisadas devido a acidentes poderiam voltar a andar novamente.
     
    “Não há evidência de que a conectividade de nervos, medula e cérebro poderiam levar ao pleno funcionamento das funções motoras após um transplante de cabeça”, afirmou Richard Borgens, diretor do Centro para Pesquisa de Paralisia na Universidade Purdue em Indiana, nos Estados Unidos, à revista “New Scientist”.
     
    “As chances deste projeto se realizar são pequenas, pois se trata de um projeto muito grande”, afirmou à revista Harry Goldsmith, professor de cirurgia neurológica na Universidade da Califórnia. “Eu não acredito que vá funcionar um dia, há muitos problemas envolvidos nesse procedimento”.
     
    Patricia Scripko, uma neurologista no Sistema de Saúde Valley Memorial na Califórnia, também não acredita no sucesso da empreitada, mas admitiu a possibilidade. “Se um transplante de cabeça fosse realizado algum dia, acho que seria um caso isolado. Não creio que vá acontecer porque ninguém acorda e diz 'Estou ficando velho, tenho artrite, talvez eu devesse pegar um corpo que funcione melhor e seja mais bonito'”.
     
    Fonte: Uol Saúde