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  • Estudo aponta eficácia do canabidiol em pacientes com mal de Parkinson

    Estudo aponta eficácia do canabidiol em pacientes com mal de Parkinson

    Pesquisa constatou ausência de efeitos colaterais após uso da substância.
    Descoberta abre nova possibilidade terapêutica, diz coordenador.
     
    Uma pesquisa recente sobre o uso medicinal do canabidiol (CDB) mostrou que essa substância extraída da maconha pode ser eficaz no tratamento de pacientes com mal de Parkinson.  Segundo o professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), um dos coordenadores do estudo, pela primeira vez, o grupo de voluntários que ingeriu cápsulas contendo canabidiol apresentou melhoras na qualidade de vida e no bem-estar.
     
    O estudo foi publicado em outubro na revista “Journal of Psycopharmacology”, da Associação Britânica de Farmacologia.
     
    O CDB é uma substância canabinoide existente na folha da Cannabis sativa – a maconha – que, de acordo com pesquisadores, não causa efeitos psicoativos ou dependência. O elemento possui estrutura química com grande potencial terapêutico neurológico, ou seja, pode ter ação ansiolítica (que diminui a ansiedade), antipsicótica, neuroprotetora, anti-inflamatória, antiepilética e agir nos distúrbios do sono. “Queríamos ver o efeito do canabidiol nos sintomas motores, por isso realizamos um ensaio clínico com pacientes com Parkinson”, explica Crippa.
     
    O mal de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que provoca tremores nas extremidades do corpo. Geralmente, 50% dos pacientes desenvolvem quadros de alteração cognitiva. “A pessoa altera a memória, a atenção, sofre efeitos de alteração motora na marcha, no equilíbrio. Além disso, 80% de pacientes com a doença adquirem depressão e transtorno comportamental de sono”, diz Crippa.
     
    Durante seis semanas, a equipe monitorou 21 pacientes com Parkinson, divididos em três grupos – o primeiro recebeu 300 mg de canabidiol ao dia, o segundo 75 mg e o terceiro placebo (sem nenhum princípio ativo). Para que não houvesse influência psicológica e sim um efeito farmacológico eficaz, nem os pacientes, nem mesmo os médicos tinham conhecimento sobre quem estava tomando qual cápsula.
     
    Um terceiro integrante da pesquisa numerou as substâncias e os dados foram cruzados apenas no final, quando foi constatada melhora no quadro dos pacientes que ingeriram canabidiol na dose de 75 mg, e ainda melhor na dose de 300 mg. “O mais importante é que o medicamento não apresenta efeito colateral, ao contrário dos já utilizados”, afirma Crippa.
     
    Conforme o professor explica, as drogas atualmente usadas no tratamento da doença causam efeitos colaterais negativos, como a chamada discinesia tardia, que são movimentos repetitivos involuntários de extremidades, e movimentos da língua e mordidas nos lábios, além de sintomas psicóticos, como escutar vozes, ter delírios e mania de perseguição.
     
    De acordo com o pesquisador, a descoberta abre uma nova possibilidade terapêutica para o mal de Parkinson, especialmente em casos refratários e mais graves, como quando a doença se manifesta na juventude, com a tendência de progredir de forma rápida e severa. “O canabidiol tem se mostrado eficiente para todas essas comorbidades. Seria a droga ideal”, afirma o pesquisador.
     
    Viabilização
     
    Segundo Crippa, o canabidiol deve ser regulamentado muito em breve e provavelmente até o final deste mês o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) irão classificá-lo.
     
    O professor acha importante ressaltar que o canabidiol não é maconha, é apenas uma substância presente na planta. Ele afirma que para evitar qualquer tipo de equívoco a respeito de sua aplicação um site sobre o assunto será lançado em breve. “Não existe maconha medicinal e sim substâncias medicinais. A maconha fumada invariavelmente traz danos à saúde. O uso crônico, principalmente de adolescentes, causa danos cerebrais e aumentam em 370% a chance de desenvolver esquizofrenia”, alerta.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • EUA confirmam segundo caso de ebola transmitido no país

    EUA confirmam segundo caso de ebola transmitido no país

    Funcionário de hospital foi infectado enquanto tratava de liberiano.
    Caso é o segundo de contágio da doença dentro dos Estados Unidos.
     
    Um segundo funcionário do sistema de saúde do Texas, nos Estados Unidos, foi contaminado com ebola e testou positivo para a doença, informou o Departamento de Serviços de Saúde Pública do Estado nesta quarta-feira (15). Ele foi infectado enquanto tratava do liberiano Thomas Eric Duncan, primeiro paciente da doença no país.
     
    O funcionário do Hospital Presbiteriano do Texas foi imediatamente isolado após apresentar febre nesta terça-feira (14), informou o órgão.
     
    “Oficiais de saúde entrevistaram os pacientes mais recentes do funcionário para identificar rapidamente qualquer contato ou potencial exposição, e essas pessoas serão monitoradas”, disse o departamento.
     
    O Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) informou que o exame positivo do segundo trabalhador foi o resultado de uma análise preliminar realizada durante a noite e que o organismo está realizando a própria análise para confirmar o resultado.
     
    “Como afirmamos anteriormente, de acordo com nossa investigação, não é inesperado que aconteçam exposições adicionais ao vírus”, adverte o CDC em um comunicado.
     
    O CDC destacou que novas medidas estão sendo adotadas para aumentar o nível de preparação nos hospitais, incluindo o envio a Dallas de especialistas que conseguiram controlar focos de Ebola na África nas últimas duas décadas.
     
    O organismo afirmou que pretende melhorar os procedimentos para proteger os trabalhadores da área de saúde no Hospital Presbiteriano de Dallas e que os funcionários deste e de outros centros médicos receberão mais treinamento para tratar com a doença.
     
    Infecção
     
    O caso é o segundo de transmissão da doença dentro dos Estados Unidos. Nina Pham, uma enfermeira também do Texas, foi o primeiro caso de contágio no país. Ela está internada em uma área de isolamento do hospital onde trabalha.
     
    Nina, de 26 anos, contaminou-se com o vírus como membro da equipe que tratou do liberiano Thomas Eric Duncan.
     
    Duncan tinha viajado da Libéria para o Texas em setembro e começou a apresentar os sintomas do ebola dias depois de sua chegada. Ele morreu na semana passada.
     
    Nina recebeu plasma retirado do sangue de um médico que se curou da doença. A transfusão de plasma, contendo anticorpos para o vírus do ebola, ocorreu na tarde desta segunda.
     
    Ele veio de Kent Brantly, o médico do Texas que sobreviveu ao ebola. Brantly contraiu a doença quando trabalhava como voluntário em um grupo missionário também na Libéria.
     
    O diretor dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC), Thomas Frieden, disse que a agência vai ampliar o treinamento dos profissionais do sistema de saúde dos EUA.
     
    Segundo ele, 76 pessoas que podem ter tido contato com Duncan após sua internação estão sendo monitoradas.
     
    Segundo Frieden, “apenas uma única pessoa” teve contato com Nina enquanto ela poderia transmitir a doença. O diretor dos CDC disse também que ainda não sabe como a enfermeira contraiu a doença em uma unidade hospitalar de isolamento.
     
    Duncan foi o primeiro paciente a ser diagnosticado com ebola nos Estados Unidos, mas ele contraiu a infecção em seu país natal, a Libéria. O caso desta profissional de saúde foi o primeiro em que a transmissão da doença ocorreu em território americano.
     
    Quebra de protocolo
     
    Uma quebra nos protocolos de segurança, possivelmente durante a remoção de equipamentos de proteção após o tratamento do paciente com ebola, pode ter causado a contração do vírus mortal por Nina.
     
    Frieden disse que, em algum momento durante o atendimento do paciente original, houve uma brecha no protocolo que resultou na infecção da profissional de saúde.
     
    Todos os profissionais de saúde de Dallas que ajudaram a cuidar de Duncan foram potencialmente expostos ao vírus, disse Frieden.
     
    “Outra (área) que nós estaremos olhando de perto na investigação são as intervenções que foram feitas para tentar desesperadamente manter (Duncan) vivo”, disse ele ao programa de televisão do canal CBS “Face the Nation”.
     
    “Isto incluiu diálise e intubação. Estes são dois procedimentos que podem resultar na propagação de material infeccioso”, disse Frieden.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Casos de ebola podem chegar a 10 mil por semana no fim do ano, diz OMS

    Casos de ebola podem chegar a 10 mil por semana no fim do ano, diz OMS

    Atualmente, taxa de incidência é de mil contaminações por semana.
    Balanço recente mostra 8.914 doentes e 4.447 mortes pelo vírus.
     
    A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta terça-feira (14) que em dezembro podem ser registrados entre 5 mil e 10 mil novos casos de ebola por semana – enquanto atualmente a incidência é de mil -, horas antes de uma reunião do Conselho de Segurança sobre a epidemia.
     
    Com base em hipóteses de trabalho, o vice-diretor-geral da OMS, Bruce Aylward, avaliou que o número de novos casos pode passar dos mil por semana atuais para de 5.000 a 10.000 no começo de dezembro.
     
    “Pode-se chegar de 5.000 e 10.000 casos por semana na primeira semana de dezembro”, disse ele, ressaltando que estas são estimativas de trabalho para ajudar na luta contra o vírus no plano internacional. “Há três ou quatro semanas, vínhamos tendo cerca de mil casos por semana”, acrescentou.
     
    Segundo o último balanço da epidemia, 8.914 pessoas contraíram a doença, das quais 4.447 morreram, informou a organização. Para a OMS, o número de casos reais seria 1,5 vez superior ao registrado na Guiné, duas vezes mais elevado em Serra Leoa e 2,5 vezes maior na Libéria. A mortalidade da epidemia da doença que assola a África Ocidental chega a 70% nesses três países, os mais afetados.
     
    Morte de funcionário
     
    Aylward fez essas declarações um dia depois da morte de um funcionário sudanês da ONU com ebola no hospital alemão onde tinha sido internado após contrair o vírus na Libéria.
     
    Na Espanha, os médicos que tratam de Teresa Romero, a auxiliar de enfermagem de 44 anos infectada com o vírus, estavam relativamente otimistas nesta terça diante da estabilização do quadro de saúde da paciente, após 15 dias com a doença.
     
    O avanço do vírus, que matou mais de 4.000 pessoas principalmente na África Ocidental, e os esforços para tentar contê-lo estarão nesta terça-feira no centro de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York.
     
    O presidente americano, Barack Obama, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediram que a comunidade internacional aumente seus esforços para enfrentar a doença.
     
    Os ministros da Saúde da União Europeia devem se reunir na quinta-feira, em Bruxelas, para debater um reforço das medidas de controle nas fronteiras e a coordenação entre os países. No aeroporto londrino de Heathrow, os viajantes procedentes dos países mais afetados tiveram que preencher questionários e medir a temperatura nesta terça-feira.
     
    Autoridades criticadas na Espanha 
     
    A Espanha decidiu formar todas as suas equipes de saúde que poderiam entrar em contato com o vírus. Muito criticada por sua gestão no caso de Teresa Romero, a ministra da Saúde, Ana Mato, compareceu nesta terça-feira ao Senado para dar explicações.
     
    Na segunda-feira, o marido de Romero exigiu a renúncia do conselheiro de Saúde da região de Madri, que chegou a acusá-la de ter mentido sobre o ocorrido.
     
    Nos Estados Unidos, as autoridades do setor de Saúde alegaram uma falha na aplicação das medidas de proteção para explicar o primeiro contágio em solo americano, o de uma funcionária do hospital de Dallas. Ela integrou a equipe que tratou de um paciente liberiano com ebola, falecido na semana passada.
     
    Na Libéria, o país mais afetado pela doença, os trabalhadores da Saúde decidiram suspender a greve iniciada na segunda-feira para exigir o adicional de insalubridade nos salários. Segundo a OMS, esses trabalhadores estão muito expostos ao vírus no país. Até o momento, 201 contraíram a doença e 95 morreram.
     
    A diretora da OMS, Margaret Chan, admitiu que “nunca tinha visto uma crise sanitária ameaçar a sobrevivência de sociedades e governos em países por si só muito pobres”.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Genoma da mosca dá pistas para cura de doenças

    Genoma da mosca dá pistas para cura de doenças

    Pesquisadores nos EUA identificam genes que imunizam esses insetos e que podem ajudar na busca de tratamentos para males humanos.
     
    Cientistas sequenciaram o genoma completo da mosca comum e afirmam que as descobertas podem ajudar a descobrir novos tratamentos para doenças que afligem os humanos. A mosca pode carregar cerca de cem doenças, incluindo problemas que levam à cegueira.
     
    Ao comparar o DNA da mosca comum com o da mosca de frutas, a equipe da Universidade de Cornell (EUA) detalhou os genes que fazem esses insetos imunes aos patógenos (organismos causadores de doenças, como bactérias, vírus e fungo) a que estão expostos.
     
    Os cientistas também descobriram o código genético que ajuda a mosca a dissolver dejetos, como fezes. “Informações a respeito desses genes podem nos ajudar a processar dejetos humanos e a melhorar o meio ambiente”, disseram o cientista Jeff Scott e seus colegas ao periódico Genome Biology.
     
    Sujeira
     
    Moscas comuns são “perfeitas” para a transmissão de doenças. Elas têm contato regular com carcaças, com lixo e com outros objetos sujos que contêm bactérias, vírus e parasitas.
     
    E elas gostam dos mesmos alimentos que nós e, como são muito eficientes em escapar das nossas tentativas de matá-las, têm sempre oportunidades de pousar tanto na nossa comida como em nosso corpo.
     
    Acredita-se que elas carreguem tantos patógenos porque se alimentam de substâncias líquidas ou semilíquidas – muitas vezes fezes. Como estão constantemente se alimentando, elas necessitam eliminar seus próprios dejetos (e os patógenos que carregam) sempre que pousam por mais de alguns segundos.
     
    Mas, ao contrário do que acontece com humanos, esse estilo de vida pouco higiênico não faz mal à saúde das moscas.
     
    Scott e sua equipe ficaram interessados em tentar descobrir o porquê disso – e como utilizar essa habilidade em benefício da raça humana.
     
    Eles sequenciaram os genomas de seis moscas fêmeas comuns e os compararam com o da mosca da fruta, a Drosophila melanogaster, para identificar que partes do DNA são exclusivos da mosca comum e poderiam ser estudados mais a fundo.
     
    A equipe descobriu que a mosca comum tinha muito mais genes imunes do que a drosófila. E esses genes eram também bem mais diversificados – possivelmente para oferecer ao inseto proteção contra os diversos patógenos que ele carrega.
     
    Proliferação de doenças
     
    O professor David Conway, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, explica que “apesar de acharmos que as moscas são apenas um incômodo, elas podem transmitir diversas bactérias a seres humanos e contribuir significativamente para (a proliferação de) doenças em comunidades pobres onde as condições sanitárias são limitadas”.
     
    “É ótimo ver essa análise do sequenciamento genômico, em especial sua comparação com os genomas de moscas de frutas, mais estudadas até agora”, agrega Conway.
     
    “Muitas outras moscas transmitem importantes doenças humanas, e espero que esse trabalho estimule mais análises genômicas e comparações entre eles. O genoma da mosca tsé-tsé, que transmite a doença do sono na África, foi publicado alguns meses atrás – apesar de ela se alimentar de sangue, ela tem parentesco mais próximo com a mosca comum do que com mosquitos. Há muitos outros vetores de doenças negligenciadas que poderiam ser melhor compreendidos se tivéssemos mais comparações entre seus sequenciamentos genéticos.”
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Cientistas recriam Alzheimer em laboratório para testar drogas

    Cientistas recriam Alzheimer em laboratório para testar drogas

    O mal de Alzheimer, uma doença sem cura conhecida, foi vista em um modelo tridimensional por cientistas americanos em laboratório. O estudo, já considerado revolucionário, foi possível com a mistura de um gel com neurônios que vêm de células tronco embrionárias, carregadas com mutações normalmente associadas à doença.
     
    Desta forma, uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Harvard acompanhou a formação de estruturas características do Alzheimer, as placas senis e emaranhados neurofibrilares. Os resultados da pesquisa foram descritos anteontem na versão on-line da revista “Nature”.
     
    Os pesquisadores usaram, com sucesso, inibidores para bloquear a formação das estruturas típicas no modelo da doença. Agora, a meta é testar como 1,2 mil medicamentos já disponíveis no mercado agiriam naquela estrutura que reproduz o cérebro com Alzheimer. É possível que alguns tratem ou interrompam a progressão da condição neurodegenerativa.
     
    — É plausível imaginar que algumas dessas drogas, que estão no mercado para combater outras doenças, tenham um efeito benéfico também no combate ao Alzheimer — descreve Stevens Rehen, neurocientista da UFRJ e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, que não participou da pesquisa. — Se isso ocorrer, um novo medicamento contra a doença pode ser descoberto.
     
    Testes na estrutura 3D montada em Harvard podem rastrear o desempenho dos remédios entre seis e oito semanas. Em camundongos, animais normalmente usados em pesquisas científicas, o mesmo processo duraria cerca de um ano e seria até dez vezes mais caro.
     
    Dois fatores contribuem para o processo neurodegenerativo do Alzheimer — o acúmulo de placas da proteína betaamiloide e um emaranhado formado por outra proteína, a Tau, que intoxica as células nervosas saudáveis. Ainda não se sabia, porém, qual destes fenômenos ocorria primeiro.
     
    Os pesquisadores descobriram, com seu modelo, que a beta-amiloide “inaugura” a degeneração. A partir de agora, os cientistas podem analisar separadamente os processos que ligam a ação dessas duas proteínas.
     
    O modelo de pesquisa da “doença em uma placa” é uma forma emergente de compreender enfermidades que não podem ser analisadas com precisão em animais. A técnica já foi usada com sucesso para entender o desencadeamento da esclerose lateral amiotrófica (ELA).
     
    Apesar de sua utilidade, o sistema criado na placa não conta com componentes cruciais, como as células do sistema imunológico, que exercem um papel importante quando começa a devastação provocada pelo Alzheimer. De qualquer forma, o mérito da nova técnica de pesquisa é sua forma rápida de conduzir novos testes.
     
    MODELO MAIS COMPLEXO
     
    Autor principal da pesquisa, Doo Yeon Kim, professor de Neurologia da Universidade de Harvard, reconhece que sua equipe criou apenas uma “fatia” de cérebro, e não uma estrutura completa. No entanto, a estrutura poderá ser útil para pesquisar outras enfermidades.
     
    — Queremos desenvolver modelos mais complexos, que considerem os impactos no sistema imunológico, mas sabemos que nossa tecnologia tridimensional já é útil para analisarmos outras doenças neurodegenerativas.
     
    Fonte: O Globo
  • Técnica brasileira de cirurgia para Parkinson ganha prêmio na Europa

    Técnica brasileira de cirurgia para Parkinson ganha prêmio na Europa

    Método cortou tempo de operação em até 40% e reduziu riscos de infecção.
    Novidade permite que 2 lados do cérebro sejam operados ao mesmo tempo.
     
    Uma equipe brasileira desenvolveu uma nova técnica de cirurgia para implantação de eletrodos no cérebro de pacientes com Parkinson. A novidade, que diminuiu o tempo de cirurgia em até 40% e aumentou a segurança e a precisão do procedimento, recebeu um prêmio no Congresso Bi-anual da Sociedade Europeia de Neurocirurgia Estereotáxica e Funcional (ESSFN, na sigla em inglês), em setembro.
     
    Trata-se de um projeto conjunto entre o Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) liderado pelo neurocirurgião Erich Fonoff. O que sua equipe fez foi aperfeiçoar o método de implantação de eletrodos no cérebro, procedimento necessário para a terapia de estimulação cerebral profunda (ou DBS, na sigla em inglês).
     
    Nessa terapia, que já é aplicada no Brasil há vários anos em pacientes com Parkinson, uma região específica do cérebro passa a receber estímulos elétricos a partir de um “marca-passo” cerebral. Esse estímulo diminui alguns dos sintomas da doença, levando o paciente a ter maior controle sobre seus movimentos, por exemplo.
     
    Até então, o implante dos eletrodos era feito separadamente em cada lado do cérebro. A equipe de Fonoff conseguiu desenvolver um mecanismo para fazer os implantes nos dois lados do cérebro simultaneamente.
     
    Durante a etapa da cirurgia em que os eletrodos são implantados, o paciente tem de permanecer acordado e interagindo com a equipe médica, que pode se certificar na hora se os estímulos elétricos naquela área do cérebro estão fazendo o efeito esperado.
     
    A diminuição do tempo dessa etapa cirúrgica de 35 a 40%, portanto, torna o procedimento menos penoso para o paciente. Além disso, a possibilidade de acessar os dois lados do cérebro ao mesmo tempo diminui o risco de imprecisões.
     
    Movimentação do cérebro
     
    “Quando se opera o cérebro, ele se movimenta. Quando se faz o segundo lado, portanto, existe uma dificuldade maior de se atingir o alvo, que é pequeno, devido à movimentação que o cérebro pode ter tido durante a operação do primeiro lado. A ideia desse trabalho é que se faça não só com que o tempo seja reduzido, mas também existe um potencial de que haja um aumento da precisão da cirurgia”, diz Fonoff.
     
    Para encontrar o lugar certo para se implantar os eletrodos, os cirurgiões recorrem a uma combinação de exames de imagem (ressonância magnética e tomografia) e de eletrofisiologia, em que se faz o registro da atividade do cérebro. “Cada região do cérebro tem uma assinatura fisiológica, os neurônios de cada parte do cérebro se comportam de uma maneira bem característica, o que permite localizar milimetricamente o local onde os eletrodos devem ser implantados”, observa Fonoff.
     
    Para conseguir operar os dois lados ao mesmo tempo, a equipe encomendou um equipamento especial a uma empresa brasileira para guiar o aparato que entra no cérebro do paciente. Para Fonoff, trata-se de um aperfeiçoamento importante que pode, no futuro próximo, ser utilizado em muitos outros países.
     
    Também fazem parte da equipe que desenvolveu o projeto os médicos William Omar Contreras, Angelo Azevedo, Raquel Chacon Ruiz Martinez, Jessie Navarro, Jairo Angelos e Manoel Jacobsen Teixeira. No Sírio-Libanês, o projeto foi financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). No congresso ESSFN, a pesquisa foi premiada como o melhor trabalho pôster do evento.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Bolhas contra o infarto

    Bolhas contra o infarto

    Uma técnica em teste no Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo) pode evitar a morte do músculo cardíaco, em caso de infarto, mais rápido que a cirurgia. Uma injeção de microbolhas contendo gás desobstrui vasos do coração em minutos.
     
    O cardiologista Wilson Mathias Junior, diretor do Serviço de Ecocardiograma do Incor e responsável pela pesquisa, explica que as bolhas rompem o coágulo de sangue que impede a chegada de oxigênio ao coração, evitando o dano ao músculo.
     
    Até agora, 16 pacientes participaram do estudo. Só metade deles recebeu o tratamento. O objetivo é verificar a diferença que as microbolhas fariam na terapia convencional (medicamentos e cateterismo). Espera-se que até 2016 dados de cem emergências sejam coletados.
     
    A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) prevê R$ 1 milhão no total para o estudo.
     
    No infarto, diz Mathias, a ausência de oxigênio causa necrose no músculo cardíaco, que perde sua capacidade de contração. Quanto maior a extensão dessa necrose, maiores os danos (se mais da metade do coração necrosar, pode haver morte). As bolhas, assim, podem impedir essa necrose e mais rapidamente que a cirurgia.
     
    Para isso, cerca de 2 bilhões de bolhas são injetadas na veia do paciente infartado. Elas “viajam” pelo corpo inteiro, mas só vão se romper na altura do peito, sob o efeito de um ultrassom aplicado na máxima intensidade.
     
    “Com o impacto da onda no peito, elas vibram até se romperem”, explica Mathias. “O gás de dentro da bolha vira um microjato que pulveriza o trombo coágulo.”
     
    As bolhas são formadas por “um gás denso” e uma camada de lipídios para que não estourem no fluxo do sangue e consigam chegar até a artéria do coração.
     
    Hoje, o paciente infartado precisa fazer cateterismo para desobstrução das artérias. No procedimento, um tubo é colocado em um vaso periférico (da coxa, do pescoço ou do braço) para acessar o coração. Isso “limpa” o caminho para o sangue circular.
     
    No Brasil, só 30% dos infartados têm acesso ao cateterismo, que requer infraestrutura. A vantagem das microbolhas, segundo Mathias, é a possibilidade de aplicação por um profissional não médico. Ele cita uma situação hipotética em que o infarto poderia ser confirmado por por um médico a distância e, com um ultrassom portátil, as bolhas seriam usadas para reduzir o número de mortes em áreas mais afastadas.
     
    O cardiologista Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia do HCor (Hospital do Coração), explica que já existe hoje uma aplicação prática para as microbolhas, em exames diagnósticos. “As bolhas ajudam a entender o fluxo de sangue no interior do coração”, diz. “São seguras e sem efeitos colaterais.”
     
    PERSPECTIVAS
     
    A pesquisa no Incor está sendo feita em parceria com a Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos. Lá, o cardiologista Thomas Porter testou as bolhas em laboratório. Ele disse à Folha que a maior vantagem da técnica é intervir mais rápido que a cirurgia. “A técnica poderá ser usada na ambulância ou até na casa do paciente”.
     
    As bolhas, contudo, não destroem as placas de gordura que estão associadas ao infarto. “Elas quebram o coágulo, que é a causa”, explica Porter. “Mas para o trombo impedir a passagem do sangue, muitas vezes, a artéria já está tomada por gordura.”
     
    Os especialistas afirmam que cerca de 70% dos pacientes vão precisar de cirurgias para retirada de placas de gordura nas artérias para prevenir novos infartos. Já os casos menos graves, nos quais as placas são menos espessas, poderão continuar o tratamento só com remédios.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Cientistas usam fungo para criar inseticida contra o Aedes Aegypti

    Cientistas usam fungo para criar inseticida contra o Aedes Aegypti

    Pesquisa é feita no Norte do Rio em parceria com universidade em Londres.
    Grupo conseguiu resultado satisfatório com fungo encontrado na restinga.
     
    Pesquisadores de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e de Londres, na Inglaterra, estão desenvolvendo um bioinseticida produzido a partir de um fungo encontrado na restinga do Norte do Rio. Os pesquisadores já conseguiram resultados satisfatórios que podem levar à criação de um inseticida natural à base de fungos presentes nas folhagens da restinga. Dos 1.300 fungos encontrados, 800 já foram catalogados e 36 plantas estão sendo estudadas pelos pesquisados. Elas foram encontradas nas restingas de Grussaí, em São João da Barra, e na Reserva da Caruara, em Guarapari, no Espírito Santo.
     
    Da restinga, as amostras das plantas vão para o laboratório onde começa o processo de retirada do fungo. Um dos fungos cadastrados apresentou resultado positivo. A aplicação do extrato feito com o fungo diminuiu o crescimento de larvas do Aedes Aegypti, transmissor da dengue.
     
    O trabalho é coordenado pela pesquisadora Graça Freire, do Instituto Superior de Educação do Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora (Isecensa). Segundo ela, uma das vantagens da pesquisa será a maior eficácia do bioinseticida, já que os mosquitos estão se tornando imunes aos inseticidas químicos em uso no país. Além disso, por vir de componentes naturais, o inseticida será menos tóxico. Outra aplicação prática da pesquisa é no combate ao risco de reurbanização da febre amarela, doença transmitida pelo mesmo vetor da dengue.
     
    Amostras de folhagens da restinga são colhidas no trabalho de campo. Nos laboratórios do Isecensa, os fungos, que convivem de forma pacífica nas folhas, são isolados, identificados, armazenados e depois selecionados para os testes biológicos contra o mosquito.
     
    Sequenciamento do DNA em Londres
     
    A pesquisa inédita, que começou em Campos, ganhou apoio da Universidade de Bath, com a parceria do cientista Daniel Henk. Recentemente, a pesquisadora campista Graça Freire esteve em Londres, na Inglaterra, e, com a ajuda do professor Henk, começou o sequenciamento do DNA de fungos encontrados na restinga local.
     
    “O Isecensa assinou convênio de colaboração com a universidade inglesa, no qual desenvolve alguns experimentos aqui no Brasil e a equipe do doutor Henk realiza outros na Inglaterra”, comentou Graça.
     
    Além do Isecensa, o projeto de pesquisa intitulado “Biodiversidade de Fungos Endofíticos de Mangue e Restinga e a Atividade Biológica de Extratos dos Isolados Contra Aedes Aegypti” conta com a parceria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal de Viçosa, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade de Bath, na Inglaterra.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Exame de fundo de olho consegue detectar diversos tipos de doenças

    Exame de fundo de olho consegue detectar diversos tipos de doenças

    Bem Estar desta quinta-feira (9) explicou importância desse exame no olho.
    Além de problemas oculares, ele detecta ainda doenças como a diabetes.
     
    A visão é fundamental para o dia a dia, mas muita gente não se dá conta disso e não cuida dela como deveria. No Bem Estar desta quinta-feira (9), os oftalmologistas Samir Bechara e Emerson Castro alertaram para a importância dos cuidados com os olhos ao longo da vida, para prevenir doenças e até mesmo a cegueira.
     
    Segundo o oftalmologista Emerson Castro, existe um exame simples e extremamente importante – o exame de fundo de olho – que consegue detectar precocemente diversos tipos de doenças.
     
    Além de problemas oculares, como glaucoma ou tumores na retina, ele também pode diagnosticar doenças sistêmicas, como diabetes e pressão alta, ou ainda problemas como sífilis, lúpus, citomegalovírus e até a presença de parasitas no corpo.
     
    Sobre o glaucoma, os médicos ressaltam que uma das causas é o uso errado de colírios. Muita gente recorre à automedicação sem saber dos riscos – tem gente que usa restos de um produto que foi prescrito para tratar um problema específico ou simplesmente vai à farmácia e compra o colírio que um médico receitou uma vez achando que vai resolver de novo o problema. Isso oferece um risco enorme para a saúde da visão e por isso, a dica é usar sempre o colírio com indicação e orientação médica, a não ser pelo de lágrima artificial.
     
    Os oftalmologistas falaram ainda sobre outro problema que pode atingir a visão: a degeneração macular relacionada à idade, uma lesão na região central da retina, onde a pessoa tem a maior resolução visual. A doença é uma das causas mais frequentes de perda de visão nos idosos e pode ser causada pelo excesso de fumo, álcool, gordura e exposição aos raios solares. Apesar de ser irreversível, a degeneração tem tratamento e é possível evitar uma perda maior da visão. Além disso, existem também recursos tecnológicos que melhoram muito a qualidade de vida do paciente, como mostrou a reportagem da Daiana Garbin.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • ” do HIV revelam brechas do vírus aos cientistas

    ” do HIV revelam brechas do vírus aos cientistas

    Especialistas descreveram a estrutura e atuação do 'espinho' do vírus.
    Estudos foram publicados nas revistas 'Nature' e 'Science' desta semana.
     
    Em um impulso à longa e frustrante busca pela vacina contra a Aids, pesquisadores divulgaram nesta quarta-feira (8) imagens moleculares de um traço característico que ajuda o HIV a infectar as células do sistema imunológico.
     
    Em artigos publicados nas revistas científicas “Science” e “Nature”, especialistas americanos descreveram a estrutura e atuação do “espinho” no vírus da imunodeficiência humana (HIV), que lhe permite penetrar nas células CD4. O HIV é envolto por espinhos, que se fundem com a proteína da superfície celular. Depois dessa fusão, o núcleo viral consegue entrar na célula e tornar seu mecanismo refém, forçando-a a produzir cópias do vírus.
     
    Os vírus bebês, então, rompem as barreiras da célula e entram na corrente sanguínea, onde passam a infectar outras células do sistema imunológico. Como consequência, a defesa do organismo contra micróbios e outros invasores fica abalada, deixando o indivíduo mais vulnerável a doenças.
     
    Interromper o processo de fusão é o principal objetivo dos criadores de vacinas, mas, por três longas décadas, essa meta tem sido impedida pela complexa mudança de formato do próprio espinho.
     
    Mais detalhes
     
    As novas publicações apresentam as imagens mais detalhadas até o momento das moléculas gp120 e gp41, que formam a superfície, ou invólucro, dessa protuberância. Usando cristalografia de raios X em alta-definição e adicionando moléculas florescentes para marcar seu invólucro, cientistas conseguiram observar a estrutura e as mudanças no formato de sua superfície.
     
    Em sua forma predominante, ela é fechada, o que dificulta a ação de anticorpos, que é a primeira resposta do sistema imunológico. Na configuração fechada, as moléculas da superfície sofrem mutação rapidamente para enganar o sistema imunológico, com a exceção de uma tropa de elite, chamada de anticorpos amplamente neutralizadores.
     
    Segundo os cientistas, estes anticorpos, até agora descobertos em apenas uma pequena quantidade de pessoas infectadas pelo HIV, provavelmente são os melhores candidatos para uma vacina. Os novos dados agora podem ser aproveitados para afinar os trabalhos sobre medicamentos e anticorpos.
     
    “Esperamos que tornar visíveis os movimentos do HIV de forma que possamos acompanhar, em tempo real, como as proteínas na superfície do vírus se comportam, vá nos dizer o que precisamos para saber prevenir a fusão com células humanas”, disse Scott Blanchard, da Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York, coautor do artigo da “Science”. “Se você conseguir evitar a entrada do vírus HIV nas células imunológicas, você venceu”, concluiu.
     
    Fonte: G1 Saúde