Category: Notícias

  • Hospital de SP testa implante de eletrodo contra depressão

    Hospital de SP testa implante de eletrodo contra depressão

    Um tratamento para a depressão que utiliza eletrodos implantados sob a pele para estimulação elétrica foi testado pela primeira vez no Brasil. O procedimento cirúrgico foi realizado nesta quarta-feira (21) no HCor (Hospital do Coração), em São Paulo.
     
    Os eletrodos são implantados na região da testa e ligados a um marca-passo. O objetivo é estimular o nervo trigêmeo, que confere sensibilidade à face e é uma via importante de acesso ao cérebro, de acordo com a neurocirurgiã Alessandra Gorgulho, uma das responsáveis pela pesquisa.
     
    A ideia de testar essa via veio de uma pesquisa com estimulação externa no nervo trigêmeo realizada na UCLA (Universidade da Califórnia) para tratar epilepsia.
     
    Durante o experimento, diz Gorgulho, que não participou diretamente dele mas trabalhava na universidade americana na época, os pacientes relataram melhora no humor.
     
    O resultado levou os pesquisadores a testar o mesmo procedimento, um adesivo com eletrodos usado durante a noite, em pacientes deprimidos, obtendo bons resultados. A ideia agora é saber se a estimulação contínua traria mais benefícios.
     
    “Se levarmos em conta o desenho da pesquisa, o número de pacientes envolvidos e o tempo durante o qual eles serão acompanhados um ano, o nosso estudo é muito mais robusto”, diz Gorgulho.
     
    Os pacientes que participarão do experimento 20 no total têm depressão moderada refratária, ou seja, não responderam ao tratamento convencional, baseado em drogas e psicoterapia.
     
    Esse contingente, explica o psiquiatra Ricardo Moreno, chefe do grupo de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria da USP, e que colabora com o experimento, representa cerca de 20% das pessoas que têm depressão.
     
    Isso não significa que as abordagens convencionais serão abandonadas. Os pacientes, concomitantemente à estimulação, vão continuar com os tratamentos que já vêm recebendo.
     
    A paciente que foi submetida à cirurgia no HCor tem cerca de 50 anos e luta contra a depressão há cinco. Nesse período, passou por vários tratamentos, sem sucesso.
     
    COMPLEMENTO
     
    Moreno diz que a estimulação poderá servir como um complemento ao tratamento clássico. “Os resultados da neuromodulação são promissores, mas a área ainda não está muito consolidada.”
     
    Gorgulho diz que há atualmente uma grande procura por novas alternativas, reversíveis e minimamente invasivas para tratar a depressão.
     
    “Acho que é menos assustador usar uma estimulação elétrica que pode ser interrompida a qualquer momento do que combinar, por exemplo, cinco drogas, durante anos, para descobrir depois o que acontece.”
     
    Outros experimentos que também têm o nervo trigêmeo como alvo, mas com eletrodos colocados sobre a pele, sem necessidade de cirurgia, vêm sendo realizados também pelo HCor e pela Santa Casa para tratar depressão.
     
    Fonte: Folha de S. Paulo
  • Dupla mastectomia após câncer é feita sem indicação em 70% dos casos

    Dupla mastectomia após câncer é feita sem indicação em 70% dos casos

    Mulheres optam por procedimento por medo de reincidência, diz estudo.
    Procedimento só é indicado para quem tem histórico familiar ou mutação.
     
    A maioria das mulheres que optam por fazer uma dupla mastectomia depois de serem diagnosticadas com câncer de mama não têm indicação clínica para fazer o procedimento. Esta é a conclusão de um estudo americano publicado na revista “JAMA Surgery” nesta quarta-feira (21).
     
    A possibilidade de retirar as duas mamas após o diagnóstico de câncer é apresentada principalmente a mulheres com histórico familiar da doença ou com mutação genética que determina maior risco de o câncer vir a aparecer nas duas mamas. Apenas para esse pequeno grupo há evidências científicas de que a retirada dos dois seios prolonga a sobrevida livre da doença. Mas, de acordo com a pesquisa, 68,9% das mulheres que optam pelo procedimento não se enquadravam nesse perfil.
     
    Pesquisas anteriores mostram que, ao redor do mundo, a ocorrência da chamada mastectomia profilática contralateral (MPC) – quando a mama não afetada pelo câncer também é retirada como forma de prevenir o surgimento da doença – tem aumentado, o que traz preocupações de que essa opção esteja sendo adotada de forma indiscriminada.
     
    “As mulheres parecem estar usando a preocupação em relação à reincidência do câncer para optar pela mastectomia profilática contralateral. Isso não faz sentido porque ter um seio não afetado removido não vai reduzir o risco de reincidência no seio afetado”, diz a pesquisadora Sarah Hawley, professora da Escola de Medicina da Universidade de Michigan e uma das autoras da pesquisa.
     
    O estudo avaliou 1.447 mulheres americanas diagnosticadas com câncer de mama, com idade média de 59 anos. Do total, 7,9% optaram pela retirada das duas mamas. Dentro desse grupo, 68,9% não tinham histórico familiar de câncer nem tiveram um exame genético positivo para a presença da mutação que determina um maior risco (BRCA1 e BRCA2).
     
    Os autores do estudo destacam que a maior parte dessas pacientes nem chegou a fazer o exame genético. Mas algumas delas, mesmo tendo o resultado negativo para a mutação, optaram pela dupla mastectomia. De acordo com os resultados, o medo do reaparecimento da doença observado nas participantes foi um fator importante para a tomada dessa decisão.
     
    “A taxa crescente da mastectomia profilática contralateral motivou alguns cirurgiões a questionar se realizar uma operação extensa que não é clinicamente indicada é justificável para reduzir o medo da reincidência da doença”, afirma o artigo.
     
    Tendência x riscos
     
    Segundo o cirurgião Ruffo de Freitas Júnior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), realmente houve um aumento no número de cirurgias profiláticas da mama nos últimos anos.
     
    Ele cita que, em muitos casos, além do temor de que o câncer possa surgir na outra mama, as pacientes também levam em conta a questão estética para tomar essa decisão. “Se a mulher tem uma mama com prótese e a outra natural, dificilmente se consegue uma boa simetria”, diz o médico.
     
    Segundo Freitas Júnior, o caso da atriz americana Angelina Jolie, que resolveu passar por uma mastectomia total profilática por apresentar os genes BRCA1 e BRCA2, também contribuiu para a popularização da prática.
     
    Ele observa que a decisão final sobre fazer ou não o procedimento profilático é da paciente, mas que o médico deve deixar claro todos os riscos envolvidos.
     
    De acordo com o médico, ao retirar uma mama saudável, a paciente está aumentando seus riscos de ocorrência de infecção e de necrose. Existe o risco, inclusive, de ter de retirar a prótese, caso haja complicações. Além disso, é possível que haja a perda de sensibilidade da mama, o que pode afetar a sexualidade. Ele lembra ainda que a retirada total da mama reduz em, no máximo, 90% os riscos do aparecimento do câncer.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Setenta por cento da população dos EUA está infectada com HPV

    Setenta por cento da população dos EUA está infectada com HPV

    Cerca de 70% dos americanos estão infectados com alguma cepa do vírus do papiloma humano (HPV), entre as quais apenas um pequeno número é responsável pelo desenvolvimento de algum tipo de câncer, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (20).
     
    Os cientistas detectaram 109 cepas deste vírus, das 148 conhecidas, em amostras de tecidos provenientes da pele, vagina, cavidade bucal e intestinos de adultos saudáveis, segundo trabalhos apresentados na conferência da Sociedade Americana de Microbiologia, realizada em Boston, nos Estados Unidos.
     
    Apenas 4 dos 103 homens e mulheres com DNA tornado público nos bancos de dados do governo federal apresentaram um dos dois tipos de HPV conhecidos por provocar a maior parte dos cânceres de colo de útero, garganta e também verrugas genitais.
     
    “A fauna microbiana do HPV em pessoas com boa saúde é surpreendentemente mais vasta e complexa do que pensávamos”, afirmou Yingfei Ma, pesquisadora da faculdade de Medicina de Langone, da Universidade de Nova York e principal autora do estudo.
     
    “São necessários mais controles e pesquisas para determinar como as cepas destes papilomas que não causam câncer interagem com as cepas responsáveis por tumores cancerosos, os genótipos 16 e 18, e explicar porque estas cepas causam câncer”, acrescentou.
     
    Enquanto a maior parte destes vírus parece até agora inofensiva e permanece “adormecida” durante anos, sua presença abundante no organismo sugere a existência de um delicado equilíbrio, no qual as cepas virais se neutralizam reciprocamente e evitam que outras, mais patogênicas, se multipliquem de forma incontrolável, explicaram os pesquisadores.
     
    As infecções por estes vírus parecem acontecer por meio do contato com a pele. O HPV continua sendo a fonte de infecção venérea mais frequente nos Estados Unidos. Segundo infectologistas, quase todos os homens e mulheres contraíram algum subtipo em um momento da vida.
     
    Os resultados da pesquisa, disseram, lançam luz sobre as fragilidades dos exames atuais para detectar o HPV, desenvolvidos para identificar apenas uma dezena de cepas, mais vinculada ao desenvolvimento do câncer de útero.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Colesterol alto dificulta a gravidez

    Colesterol alto dificulta a gravidez

    Para muitos casais, o desejo de ter um bebê pode significar uma angustiante e longa espera entre inúmeras tentativas, até laboratoriais, nem sempre com resultado positivo. O encontro entre óvulo e espermatozóide, nesses casos, pode não ser tão direto e simples. A estrada abriga uma gama praticamente infinita de fatores capazes de dificultar a fecundação. Nessa conta, uma substância mais famosa em outras especialidades médicas começa a ganhar a atenção especial: o colesterol. Um estudo feito por pesquisadores do National Institutes of Health, da Universidade de Buffalo, e da Universidade de Emory, ambas nos Estados Unidos, mostra que casais com níveis mais elevados de colesterol levaram mais tempo para conseguir engravidar que aqueles com taxas normais da substância.
     
    No trabalho, publicado hoje na versão on-line do Jornal de Endocrinologia e Metabologia Clínica, pouco mais de 500 casais com o desejo de engravidar foram acompanhados de 2005 a 2009. Eles faziam parte do Estudo Longitudinal de Investigação da Fertilidade (Life), criado para investigar a relação entre fertilidade e exposição a substâncias químicas ambientais e o estilo de vida. As voluntárias tinham entre 18 e 44 anos, e os homens mais de 18. Nenhum deles estava sob tratamento para infertilidade. Tinham em comum apenas o desejo de ter um bebê. O acompanhamento durou até a gravidez ou por um ano de tentativas. Foram fornecidas amostras de sangue regularmente para a medição do colesterol livre circulante.
     
    Diferentemente do que é feito em outros exames de colesterol, no caso da busca pela interferência da quantidade dele na fertilidade de indivíduos, não é necessário diferenciá-lo entre os seus tipos: o HDL (conhecido como colesterol bom), o LDL (o colesterol ruim) e os triglicerídios. Segundo os pesquisadores, o colesterol no sangue pode estar relacionado com a fertilidade devido à maneira que o corpo o utiliza para fabricar os hormônios sexuais, como a testosterona e o estrogênio. Por esse motivo, saber a função de cada partícula não faz diferença—quesito essencial na busca por fatores de risco para doenças cardiovasculares, por exemplo.
     
    Os cientistas calcularam a probabilidade de um casal conseguir engravidar levando em consideração uma estimativa entre a probabilidade da gestação a cada cinco ciclos e as concentrações de colesterol na corrente sanguínea. Entre os pares, 347 ficaram grávidos ao longo de 12 meses. Em média, os casais que não conseguiram iniciar a gestação também tinham as maiores taxas de colesterol livre. Quando apenas um dos membros do casal apresentava o colesterol alto, os maiores impactos estavam entre as mulheres. “Os nossos resultados sugerem que os casais que desejam alcançar a gravidez podem melhorar suas chances garantindo, primeiro, que seus níveis de colesterol estejam em uma faixa aceitável”, explica o principal autor do estudo, Enrique Schisterman, chefe de epidemiologia no Eunice`s Kennedy Shriver National Institute of Child HealthHuman Development (NICHD).
     
    Conclusão prematura
     
    O colesterol é uma substância cerosa, semelhante à gordura encontrado em todas as células do corpo. É usado para fazer, por exemplo, hormônios e vitaminas. Altos níveis de colesterol arterial geralmente não causam quaisquer sinais ou sintomas, mas podem aumentar as chances de doenças cardíacas. Testes-padrão de colesterol”” solicitados pelos médicos normalmente avaliam a substância em termos de equilíbrio de HDL e LDL, sendo que uma baixa quantidade de HDL e uma alta de LDL significam um aumento do risco de males do coração. Embora os pesquisadores americanos não tenham avaliado a relação entre esses dois subtipos de colesterol, Schisterman ressalta que os altos níveis de colesterol livre são suscetíveis a indicar uma razão desfavorável entre HDL e LDL Segundo a vice-presidente do Departamento de Endocrinologia feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Ruth Clapauch, a associação direta entre colesterol e fertilidade pode ser prematura, pois outros fatores devem ter influência nessa contagem. “Esse estudo analisou somente os dados do colesterol, mas não foi a fundo no motivo de essa taxa estar elevada”, pondera. Condições ; policísticos apresentam alteração do colesterol e triglicerídios com a dificuldade em engravidar. “A relação de causa e efeito não xar de engravidar, pode ser reflexo condição hormonal que tenha dificultado a gravidez. Também não vai ser suficiente resolver o colesterol para poder sanar o problema hormonal.” Clapauch explica que um aumento da circunferência abdominal feminina, uma característica da síndrome metabólica, pode estar associada à síndrome do ovário policístico. Isso porque a gordura do abdômen causa o aumento da insulina, que, por sua vez, aumenta os hormônios masculinos que causam o distúrbio. Por consequência, ela pode deixar de ovular. “No homem, a gordura aumenta a insulina que vai agir nos testículos, diminuindo os níveis de testosterona e a quantidade e a qualidade dos espermatozóides”, complementa.
     
    De acordo com o especialista em reprodução humana e diretor médico da clínica Primordia Medicina Reprodutiva, Isaac Yadid, ultimamente, a busca por fatores que possam interferir na fertilidade é muito intensa. “Sem dúvida nenhuma, o colesterol é um substrato para a produção dos hormônios e existe uma influência nos níveis de estrogênio e no perfil lipídico. Consequentemente, a produção desses hormônios pode ficar alterada, uma vez que o colesterol está alterado. Com isso, temos uma menor utilização do colesterol na produção deficitária dessas pacientes que estão tentando produzir hormônios”, descreve Yadid, integrante da equipe responsável pelo primeiro bebê de proveta brasileiro e membro da American Fertility Society.
     
    No entanto, o especialista também observa que, para provar que esse é um dos fatores que causam alterações deficitárias na ovulação, ainda é preciso de mais estudos. “O que a gente sabe é que as pacientes muito obesas ou sedentárias apresentam uma chance de desenvolver uma síndrome metabólica, mas porque sabemos que elas têm índice de massa corpórea extremamente elevado. Agora, existem outras condições que também alteram o perfil lipídico. No entanto, ele (o estudo americano) não fez essa avaliação.” Segundo Yadid, existem muitos fatores para essa confusão, mas o colesterol não é um dos exames usados para o diagnóstico rotineiro. “É uma luz que se acende, mas precisamos de um conhecimento mais largo disso. É preciso pesquisar nas pacientes na prática diária para saber se comprova ou não.”
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • França fecha laboratório após perda de amostra de vírus

    França fecha laboratório após perda de amostra de vírus

    Autoridades médicas da França ordenaram que um laboratório do Instituto Pasteur, uma das mais importantes instituições de pesquisa do país, suspendesse as suas atividades após a perda de mais de 2.000 tubos contendo amostras do vírus SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que infectou 8.000 pessoas em 2003, a maior parte na Ásia, e causou a morte de quase 800 delas.
     
    O instituto informou que os tubos foram perdidos no último mês em um de seus laboratórios, mas insistiu, em nota, que as amostras não apresentam risco de infecção.
     
    A instituição solicitou ainda à ANSM (Agência Nacional de Segurança Médica) para ser submetida a uma inspeção
     
    O inspetor-chefe da ANSM, Gaetan Rudant, disse nesta terça (20) que as amostras ainda não foram encontradas. Os inspetores da ANSM notaram, entretanto, falhas na forma como o laboratório rastreia o seu material.
     
    A ANSM ordenou que o laboratório suspenda todas as suas atividades e que o instituto produza um inventário de todo o seu material. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Cigarro eletrônico é mais eficaz do que adesivo para parar de fumar, diz estudo

    Cigarro eletrônico é mais eficaz do que adesivo para parar de fumar, diz estudo

    Pesquisa com 6 mil fumantes revelou que um quinto deles conseguiu largar o vício depois de usar o produto.
     
    Fumantes que usam cigarros eletrônicos a fim de parar de fumar têm mais chances de se livrar do vício do que aqueles que usam apenas a força de vontade ou terapias de reposição de nicotina – como adesivos ou chicletes, de acordo com um novo estudo.
     
    A pesquisa, realizada no Reino Unido, analisou dados de 6 mil fumantes e constatou que um quinto deles conseguiu parar com a ajuda de cigarros eletrônicos.
     
    O índice foi 60% maior do que o atingido por aqueles que não usaram os aparelhos, revelou o estudo.
     
    A equipe da universidade College London, responsável pelo levantamento, afirmou que os cigarros eletrônicos podem ter um papel 'cautelosamente positivo'.
     
    O uso de cigarros eletrônicos cresceu nos últimos tempos. A organização Action on Smoking and Health (Ação sobre Fumo e Saúde) estima que mais de 2 milhões de pessoas usem o produto – o triplo do número de dois anos atrás.
     
    Metade dos fumantes ativos também experimentou o produto, comparado com 8% em 2010.
     
    O cigarro eletrônico é uma engenhoca que substitui a combustão do tabaco e de outras substâncias pela queima de nicotina líquida, transformando-a em vapor. O usuário pode escolher o nível de concentração da substância e os ingredientes que quer misturar ao produto.
     
    Mas o uso dos cigarros eletrônicos permanece controverso. O governo do País de Gales quer restringir seu uso em locais públicos.
     
    No Brasil, a Agência de Vigilância Sanitária, a Anvisa, proíbe, desde 2009, a venda e importação do cigarro eletrônico no país, por falta de comprovação científica da sua qualidade e de seus possíveis efeitos na saúde.
     
    Apelo generalizado
     
    Mas o especialista Robert West – uma das maiores autoridades britânicas nessa área – diz que “cigarros eletrônicos podem melhorar substancialmente a saúde pública devido a seu apelo generalizado e aos grandes ganhos de saúde associados a parar de fumar”.
     
    Mas ele também apontou que, apesar das descobertas, de longe o jeito mais efetivo de parar é usar os serviços do NHS (órgão equivalente britânico ao SUS brasileiro) para parar de fumar. Eles triplicariam as chances de parar de fumar se comparadas a serviços de reposição de nicotina sem ajuda de especialistas.
     
    'Alguns especialistas em saúde pública expressaram a preocupação de que o uso generalizado dos cigarros eletrônicos poderia tornar o hábito de fumar novamente normal. Mas nós estamos seguindo o assunto de perto e não encontramos evidências disso.'
     
    “As taxas de uso do cigarro na Inglaterra estão caindo, as taxas de pessoas que param de fumar estão subindo e o uso regular de cigarros eletrônicos entre pessoas que nunca fumaram é desprezível.”
     
    Os cigarros eletrônicos não são fornecidos pelo serviço de saúde britânico, mas a agência de saúde estuda regularizá-los como remédios a partir de 2016.
     
    West afirmou que é muito cedo para dizer se e quais cigarros eletrônicos poderiam ser disponibilizados, uma vez que é necessário fazer mais pesquisas sobre a segurança de seu uso em longo prazo.
     
    Porém ele diz que pelo que se descobriu até hoje, os vapores do cigarro eletrônico são menos nocivos que os do cigarro normal.
     
    Fonte: Bem Estar
     
  • Pesquisa da USP indica que brócolis com selênio ajuda a combater o câncer

    Pesquisa da USP indica que brócolis com selênio ajuda a combater o câncer

    Pesquisas apontam que cerca de 21,4 milhões de pessoas serão diagnosticadas com câncer em 2030. Os dados são alarmantes e, diante deste cenário, especialistas indicam o consumo de alimentos funcionais como uma medida promissora para combater o câncer. Um dos alimentos que tem se destacado neste âmbito é o brócolis.
     
    De acordo com a farmacêutica Patricia Bachiega, esses alimentos possuem compostos bioativos, responsáveis por modulações fisiológicas que irão resultar em benefícios ao organismo.
     
    A pesquisadora e mestranda pelo programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ),  observou que os excelentes resultados do brócolis na prevenção do câncer podem aliar-se ao selênio. “Para manter a saúde humana, pequenas quantidades de selênio (55 μg por dia) necessitam ser consumidas. Sua importância deve-se ao fato deste mineral ser responsável pelo aumento na síntese de enzimas, que apresentam elevada atividade antioxidante, minimizando assim os danos oxidativos”, comenta.
     
    No estudo, Bachiega avaliou o efeito da suplementação com selênio durante o cultivo do brócolis, nas atividades antioxidantes e antiproliferativas, observadas em três diferentes estádios de maturação: brotos, mudas e inflorescências. “A biofortificação proporcionou um aumento significativo na atividade antioxidante e na quantidade de compostos fenólicos das amostras que receberam o tratamento com selênio com relação as que não receberam a biofortificação”.
     
    De acordo com a pesquisadora, “quanto a atividade antiproliferativa, para que fosse possível a obtenção de maior amplitude dos resultados, foram utilizadas seis diferentes linhagens de células tumorais: linhagens de glioma (U251), mama (MCF-7), rim (786-0), pulmão (NCI-H460), cólon (HT29) e queratinócito humano (HaCat)”.
     
    Amostras
     
    A partir do teste, a pesquisadora notou que o extrato do broto sem a biofortificação com selênio apresentou atividade antiproliferativa um pouco maior, quando comparado ao extrato do broto com biofortificação de selênio, sendo que o primeiro apresentou atividade citostática (capacidade de paralisar o crescimento das células).
     
    Referente às amostras de mudas com e sem selênio, ambas demonstraram atividade citostática seletiva para a linhagem de rim. “No entanto, a amostra de muda com selênio também manifestou atividade citocida (capacidade de induzir a morte celular) para a linhagem de glioma. Por fim, as inflorescências com e sem selênio apresentaram atividade citostática fraca para as linhagens de mama”, relata. Diante dos resultados de atividade antiproliferativa, ambas as mudas de brócolis se destacaram.
     
    Bachiega lembra que, para a descoberta de novos compostos com potencial anticâncer, o primeiro passo a ser dado é a avaliação do seu desempenho em análises in vitro. “Dessa forma, estes testes foram os primeiros passos dessa pesquisa. Mais estudos devem ser conduzidos a fim de avaliar de maneira detalhada os possíveis mecanismos de ação dos compostos bioativos do brócolis, junto ao selênio, a fim de comprovar a eficiência desta união no controle do câncer”, conclui.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Câncer de próstata pode ser sexualmente transmissível, dizem cientistas

    Câncer de próstata pode ser sexualmente transmissível, dizem cientistas

    O câncer de próstata pode ser uma doença sexualmente transmissível causada por uma infecção comum, porém muitas vezes silenciosa, transmitida durante a relação sexual, disseram cientistas. 
     
    Apesar de vários tipos de câncer serem causados por infecções, o grupo britânico Cancer Research UK, que realiza pesquisas sobre a doença, diz que é muito cedo para adicionar o câncer de próstata a esta lista.
     
    Cientistas da Universidade da Califórnia testaram células da próstata humana em laboratório e descobriram que uma infecção sexual chamada tricomoníase ajudava no crescimento do câncer.
     
    Agora, mais pesquisas são necessárias para confirmar essa ligação, disseram os cientistas na publicação da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS).
     
    Infecção sexual
     
    Acredita-se que cerca de 275 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas pela tricomoníase. Ela é a infecção não-viral mais comum transmitida sexualmente.
     
    Muitas vezes, a infecção não apresenta sintomas e a pessoa não está ciente de que está contaminada.
     
    Homens podem sentir coceira ou irritação dentro do pênis, ardor após urinar ou ejacular, ou um corrimento branco no pênis.
     
    Já mulheres podem sentir coceira ou dor na região genital, desconforto ao urinar ou um cheiro desagradável.
     
    Esta pesquisa não é a primeira a sugerir uma ligação entre a tricomoníase e o câncer de próstata. Um estudo realizado em 2009 descobriu que um quarto dos homens com câncer de próstata mostrou sinais de tricomoníase, e estes indivíduos eram mais propensos a ter tumores avançados.
     
    O estudo da PNAS sugere como a doença sexualmente transmissível poderia tornar os homens mais vulneráveis ao câncer de próstata, embora não seja a prova definitiva dessa ligação.
     
    A professora Patricia Johnson e seus colegas descobriram que o parasita que causa a tricomoníase – Trichomonas vaginalis – produz uma proteína que causa inflamação e invasão de células benignas e cancerosas da próstata.
     
    Eles dizem que mais estudos devem, agora, explorar esse dado – especialmente diante do fato de que a causa do câncer de próstata segue desconhecida.
     
    Quebra-cabeça
     
    Nicola Smith, do Cancer Research UK, disse: “Este estudo sugere um possível caminho pelo qual o parasita Trichomonas vaginalis poderia incentivar células cancerosas da próstata para crescer e se desenvolver mais rapidamente”.
     
    “Mas a pesquisa foi feita apenas no laboratório, e evidências anteriores em pacientes não mostraram uma clara ligação entre o câncer de próstata e esta infecção sexualmente transmissível”.
     
    “Há uma grande quantidade de pesquisas sobre o risco de câncer de próstata e estamos trabalhando duro para juntar as peças do quebra-cabeça”.
     
    Segundo ele, ainda há fatores de estilo de vida desconhecidos que parecem afetar o risco de desenvolver a doença, sem nenhuma evidência convincente de uma ligação com a infecção.
     
    “O risco do câncer de próstata é conhecido com o aumento da idade”, disse Smith.
     
    O câncer de próstata é mais comum em homens com mais de 70 anos, e é possível que haja algum risco genético, já que a doença pode ocorrer em famílias.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Genérico ainda não emplaca em todos os Estados do país

    Genérico ainda não emplaca em todos os Estados do país

    A indústria de genéricos chega aos 15 anos no Brasil, vangloria-se de ter sido o motor que possibilitou o nascimento de uma indústria farmacêutica de capital nacional, mas ainda não emplacou em alguns Estados.
     
    Obrigados a custar pelo menos 35% mais barato que os medicamentos de referência e os preços, na prática, geralmente ficam até mais baixos devido à concorrência, os genéricos ainda enfrentam dificuldades para cumprir o que o setor chama de seu “papel social”.
     
    Roraima é o Estado que tem a menor participação de genéricos no Brasil (10%), seguido de Amazonas (14%) e Rondônia e Acre (ambos com 16%), conforme dados do IMS Health, instituto que audita o setor no mundo.
     
    Para Telma Salles, presidente da PróGenéricos (associação do setor), as compras do governo foram importantes para a evolução do produto, que representa 85% dos itens dispensados pelo Farmácia Popular (programa do governo federal que distribui gratuitamente).
     
    Ela afirma, porém, que o desconhecimento da população ainda é um dos motivos para a baixa penetração no varejo farmacêutico.
     
    “A possibilidade de substituir medicamento de marca pelo genérico ainda não é conhecida em todo lugar. Outras iniciativas públicas de divulgação precisam ser implantadas nesses Estados”, diz.
     
    Parte das vendas também pode ter sido perdida para o outro tipo de cópia, os medicamentos similares que foram submetidos a exigências de testes de funcionamento diferentes do padrão cobrado dos genéricos.
     
    Pela regra, que passa atualmente por um processo de mudança na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), se o médico prescreve o remédio de referência, a farmácia só pode oferecer o genérico como substituto o similar fica de fora.
     
    Na prática, segundo Salles, a fiscalização disso sempre foi difícil nos pontos de venda de menor porte pulverizados pelo país.
     
    Quem lidera o ranking de penetração é Minas Gerais, com 35%, logo à frente de Rio Grande do Sul (34%). Em São Paulo, cujas vendas têm peso mais relevante para a indústria, a participação é 28%.
     
    No Brasil, a média ficou em 27,3% em 2013. O número é muito inferior ao registrado em países como EUA (80%) e Alemanha (66%), onde os governos também atuam com políticas de reembolso.
     
    “Onde o governo ou os planos de saúde são copagadores, a tendência é que comprem genéricos, pois são mais baratos nas licitações.”
     
    Mas a maior bandeira do setor com o governo, segundo Salles, é a redução da tributação, que, se diminuída do atual patamar de 37% de carga sobre o medicamento, impulsionaria as vendas.
     
    Lentidão na análise de patentes expiradas e nos registros de novos genéricos pela Anvisa também atrapalham.
     
    Nos próximos anos, o cenário é pior. A expiração de patentes de “blockbusters”, moléculas altamente rentáveis, como do Viagra, tendem a ser cada vez mais escassas, segundo a farmacêutica EMS.
     
    A Anvisa vê tendência positiva. “A política no país é mais recente que no resto do mundo e mesmo com deficit temporal o genérico já representa um terço do mercado.”
     
    Fonte: Folha de S. Paulo
     
  • Maconha pode ter princípio ativo nobre e medicinal

    Maconha pode ter princípio ativo nobre e medicinal

    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve decidir no fim do mês se vai mudar a classificação do canabidiol (CBD), um dos 80 princípios ativos da maconha. A agência poderia retirá-lo da lista F1, de substâncias proibidas no país, e colocá-lo na lista C1, de medicamentos permitidos, mas sujeitos a controle.
     
    Segundo o diretor-presidente da agência, Dirceu Barbano, a consequência da mudança, caso ela ocorra, seria uma mensagem mais clara de que se trata de uma substância que, quando usada em dose, fórmula e indicação terapêutica definidas, pode ser usada de forma segura.
     
    “O que está sendo demonstrado é que, essa planta pode fornecer substâncias que podem ser úteis na medicina. Não se pode demonizar nem achar que porque essa planta é a maconha que ela não pode produzir um princípio ativo nobre e medicinal. É importante desmistificar.”
     
    Barbano disse ainda que outros princípios ativos da maconha permanecerão proibidos até que sua efetividade seja comprovada cientificamente. Leia a entrevista que ele concedeu à Folha.
     
    Folha – Quais são as consequências de a agência eventualmente tirar o CDB da lista de substâncias proibidas?
     
    Dirceu Barbano – A consequência prática é que fica uma mensagem mais clara de que se trata de uma substância que, quando usada em dose, forma farmacêutica e com indicação terapêutica definidas, pode ser usada de forma segura.
     
    Qual é a proposta da área técnica? Já há indicação de uso para alguma doença?
     
    Há produtos enquadrados como de controle especial no Brasil porque precisam de um controle mais rígido do que só a exigência da receita. Depois, observamos qual é o grupo mais apropriado para a substância a depender do grau de dependência química provocada.
     
    A equipe técnica da Anvisa entendeu que o enquadramento mais apropriado, frente à literatura científica sobre esse produto, é no grupo C1. Essa é a proposta que vai ser submetida à diretoria colegiada, que pode aprovar, não aprovar ou até propor alteração do enquadramento.
     
    Temos uma previsão de data?
     
    Estamos fazendo um esforço para que vá para a reunião aberta ao público no dia 29.
     
    Estar na lista C1 significa ter um tipo específico de controle. O que a pessoa precisa apresentar?
     
    Como não temos esse produto registrado no Brasil, esse enquadramento vai ser observado na hora que alguém quiser fazer a importação, que passaria a ser feita sempre mediante a receita.
     
    A vigilância sanitária vai exigir esse receituário no posto de retirada. Falamos de uma importação que não vai mais depender de uma autorização excepcional, como nós já fizemos com seis ou sete pacientes que importaram nessas últimas semanas.
     
    Quais os benefícios do CDB e como é em outros países?
     
    Nós não temos o dossiê do medicamento que foi apresentado às outras agências para registro. Na literatura, para paciente com epilepsia grave, já está bem consolidado. Assim como a utilização em pacientes que têm alguns tipos de esclerose. Mais do que isso,a Anvisa só vai poder falar quando houver um pedido de registro no Brasil.
     
    Como esse princípio ativo poderá ser importado? Tem que ser um remédio com bula?
     
    O que deve ser autorizado é o medicamento. Vai precisar ter a receita, e a receita não é da matéria-prima, é do produto acabado. Um medicamento embalado, cujo nome vai ter que estar na receita.
     
    Seria o primeiro princípio ativo derivado da maconha retirado da lista de proibidos?
     
    Sim, os outros continuarão na lista. E com a justificativa de que não se sabe se são úteis para fazer medicamentos.
     
    Não abre brecha para a permissão de uso medicinal de outras substâncias derivadas da maconha, como o THC?
     
    Todo produto que identificarmos que são úteis para uso como medicamento, que são seguros e eficazes, se as pessoas puderem se beneficiar do ponto de vista da saúde, não têm por que continuar na lista de proscritos. A Anvisa age de maneira flexível e mutante como é a ciência.
     
    Assim, a Anvisa não está falando no uso da maconha para fins medicinais.
     
    Isso eu sempre vou querer que ouçam de mim. O que está sendo demonstrado é que, essa planta, como poderia ser qualquer outra, pode fornecer substâncias que, quando usadas em quantidades certas para quadros determinados, podem ser úteis na medicina.
     
    Não se pode demonizar nem achar que porque é justamente a maconha essa planta que ela não pode produzir um princípio ativo digno, nobre e medicinal. É importante desmistificar.
     
    Fonte: Folha de S. Paulo