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  • Novo implante ajuda a prevenir perda de visão em diabéticos

    Novo implante ajuda a prevenir perda de visão em diabéticos

    Novo implante ajuda a prevenir perda de visão em diabéticos
     
    Um implante biodegradável capaz de liberar uma medicação dentro do olho de forma gradual, por até seis meses, chegou recentemente ao Brasil e pode ajudar a combater a perda de visão entre pacientes diabéticos.
     
    O dispositivo contém dexametasona, um medicamento anti-inflamatório da classe dos corticosteroides que é capaz de combater o edema macular, acúmulo de líquido na mácula (parte central da retina, na parte posterior do olho).
     
    O edema macular é uma complicação grave entre diabéticos e pode levar à perda da visão. Normalmente, ocorre entre os pacientes que não têm bom controle da glicemia. Isso porque as variações de açúcar no sangue inflamam os vasos sanguíneos, que ficam mais permeáveis. Assim, podem ocorrer vazamentos de líquido para o exterior dos vasos.
     
    O diabetes é a principal causa de cegueira entre adultos de 20 a 65 anos. No Brasil, existem 6 milhões de pessoas com baixa visão e 582 mil cegos, segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
     
    Hoje, o tratamento para o edema macular é feito com laser e injeções bimestrais. Os medicamentos injetados, porém, são menos potentes que a dexametasona, segundo especialistas.
     
    “A substância não é usada nas injeções convencionais porque sua ação é muito rápida, de horas”, diz Paulo Augusto Mello, oftalmologista e consultor da Allergan, que fabrica o Ozurdex, nome comercial do implante.
     
    “Seriam necessárias muitas injeções.”
     
    A principal vantagem do implante, segundo Mello, é a sua tecnologia, que permite o uso por até seis meses do medicamento sem a necessidade de uma nova aplicação.
     
    A implantação do dispositivo ocorre sem cortes, no consultório, com uma injeção que contém o pequeno implante. O paciente toma anestesia local e todo o procedimento dura cerca de 30 minutos. Não é preciso retirar o implante, já que o organismo absorve o material.
     
    “Esse tipo de implante é o futuro do tratamento de doenças oculares”, afirma André Marcelo Vieira Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. “A tendência é que haja mais terapias do gênero.”
     
    O dispositivo já foi liberado nos Estados Unidos e na Europa e, segundo os estudos que levaram à sua aprovação, também é eficaz contra a uveíte não infecciosa (inflamação da úvea, camada média do olho).
    riscos
     
    O implante, porém, não está isento de riscos, que envolvem infecções e o aumento da pressão intraocular. Esse aumento da pressão pode lesionar o nervo óptico, estrutura que transmite os sinais do olho para o cérebro.
     
    “Outro risco é o surgimento de cataratas”, afirma Rubens Belfort Júnior, professor do departamento de oftalmologia da Unifesp. Mas, de acordo com Paulo Augusto Mello, os riscos são mínimos e podem ser previstos.
    Cada aplicação do Ozurdex custa R$ 3.267,94 e não tem a cobertura por planos de saúde. Não há previsão de chegada ao SUS.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Estudo revela funções da placenta na gestação

    Estudo revela funções da placenta na gestação

    Antes considerada estéril, a placenta abriga um mundo de bactérias que pode influenciar o curso da gestação e ajudar a moldar a saúde do recém-nascido e a composição bacteriana de seu intestino, segundo um novo estudo.
     
    A pesquisa é parte de um esforço científico mais amplo que explora o microbioma, os trilhões de bactérias, vírus e fungos que habitam o corpo. Esses organismos afetam a digestão, o metabolismo e outros processos biológicos, podendo desempenhar funções no desenvolvimento de doenças.
     
    Durante a gravidez, segundo os autores do novo estudo, a combinação errada de bactérias na placenta pode contribuir para partos prematuros. A pesquisa é preliminar, mas pode ajudar a explicar por que doenças periodontais e infecções urinárias em grávidas estão associadas a partos prematuros. As descobertas também sugerem a necessidade de mais estudos sobre os efeitos de antibióticos tomados durante a gravidez.
     
    A pesquisa indica que os bebês podem absorver da placenta uma parte importante das bactérias que estarão em seus intestinos. Se confirmada, essa pode ser uma boa notícia para mulheres submetidas a cesarianas. Alguns pesquisadores defendem a tese de que bebês nascidos dessa forma deixam de receber bactérias úteis às quais teriam sido expostos no canal de parto.
     
    “Acho que as mulheres podem ter certeza de que não condenaram o microbioma de seus bebês para o resto da vida”, disse Kjersti Aagaard, autora do estudo publicado em maio na revista “Science Translational Medicine”. Ela acrescentou que ainda é preciso estudar a influência das cesarianas sobre o microbioma.
     
    Faz pouco tempo que as atenções se voltaram para a placenta, órgão que se forma dentro do útero, fornece oxigênio e nutrientes ao feto, remove resíduos e secreta hormônios. “As pessoas estão curiosas com o papel da placenta”, disse Aagaard, da Faculdade de Medicina Baylor e do Hospital Infantil do Texas, em Houston.
     
    Sua equipe observou, em pesquisas anteriores, que os micróbios mais abundantes na vagina não coincidiam com os encontrados nos intestinos de recém-nascidos. Então os cientistas se perguntaram se os bebês poderiam adquirir parte das suas bactérias intestinais antes do parto, talvez da placenta. A equipe analisou placentas de 320 mulheres, comparando a distribuição de 300 tipos de bactérias identificadas com as encontradas em outras partes do corpo. A correspondência mais próxima foi, de longe, entre a placenta e a boca, que, por sua vez, era bem parecida com a existente nos intestinos dos bebês.
     
    O médico David Relman, da Universidade Stanford, na Califórnia, que não estava envolvido no estudo, disse que os resultados vão na mesma linha de pesquisas que encontraram DNA microbiano no líquido amniótico, aparentemente da boca, intestino e vagina da mãe. Aagaard imagina que a bactéria oral percorra a corrente sanguínea até a placenta, para então chegar ao feto.
     
    A ideia encontra eco em algo que os obstetras observam há muito tempo: mulheres com doença periodontal têm um risco maior de partos prematuros ou de conceberem bebês abaixo do peso. Tratar a doença durante a gravidez não diminui o risco. Prevenir a doença ou tratá-la antes da gestação parece ser mais importante.
     
    A pesquisa também revelou que, quando as mulheres tinham infecção urinária, a bactéria aparecia na placenta. Essas infecções aumentavam o risco de parto prematuro. A equipe constatou que o microbioma da placenta em mulheres que completaram os nove meses de gravidez era diferente do encontrado em mulheres que tiveram partos prematuros. Mas os pesquisadores não sabem se a diferença influencia o parto prematuro ou se é apenas uma característica de um estágio prévio da gravidez.
     
    O médico Martin Blaser, do programa de microbioma humano do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York, disse que o estudo é importante, mas preliminar. “Estou interessado nos resultados sobre a boca e também sobre a relação com o parto prematuro”, diz.
     
    Fonte: The New York Times
  • Mosquitos transgênicos abrem nova frente no combate à malária

    Mosquitos transgênicos abrem nova frente no combate à malária

    Técnica foi publicada na revista científica 'Nature Communications'.
    Malária mata mais de 600.000 pessoas ao ano, segundo a OMS.
     
    Biólogos anunciaram nesta terça-feira (10) ter desenvolvido uma nova arma contra a malária, ao criarem mosquitos geneticamente manipulados para produzir principalmente descendentes machos, levando, eventualmente, ao desaparecimento de uma população inteira de insetos.
     
    A técnica de seleção sexual produz uma geração de mosquitos em que 95% são do sexo masculino, enquanto nas populações normais este percentual corresponde a 50%, reportaram os cientistas em artigo publicado na revista “Nature Communications”.
     
    Restam tão poucas fêmeas que a população de mosquitos eventualmente desaba, reduzindo o risco de que os humanos entrem em contato com o parasita da malária, transmitido pelas fêmeas que se alimentam de sangue.
     
    'A malária é uma doença debilitante, com frequência fatal, e nós precisamos encontrar novas formas de combatê-la', afirmou o chefe do estudo, Andrea Crisanti, professor do Imperial College de Londres.
     
    'Achamos que nossa abordagem inovadora representa um enorme avanço. Pela primeira vez, fomos capazes de inibir a produção de descendentes fêmeas em laboratório e isto nos dá novas formas de eliminar a doença', continuou.
     
    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária mata mais de 600.000 pessoas ao ano, sendo as principais vítimas as crianças pequenas da África subsaariana.
     
    Resultado de seis anos de trabalho, o método se concentra nos mosquitos 'Anopheles gambiae', os transmissores mais perigosos do parasita da malária.
     
    'Um trabalho muito legal' 
     
    Os cientistas injetaram uma parte de enzima de DNA no código genético dos embriões de mosquitos machos. Basicamente, a modificação parte em pedaços o cromossomo X durante a produção de espermatozoides na idade adulta.
     
    Como resultado, quase nenhum espermatozoide funcional continha o cromossomo X, que determina descendentes fêmeas. Ao contrário, a maior parte dos espermatozoides carregava o cromossomo Y, que produz machos.
     
    Os mosquitos modificados foram testados em cinco jaulas, cada uma contendo 50 machos geneticamente modificados e 50 fêmeas silvestres normais.
     
    Em quatro das cinco jaulas, toda a população desapareceu em seis gerações devido à falta cada vez maior de fêmeas.
     
    Os mosquitos machos modificados produziram apenas herdeiros machos modificados, que tiveram o mesmo tipo de descendentes até que não sobraram mais fêmeas.
     
    'A pesquisa ainda está no começo, mas estou muito esperançoso de que esta nova abordagem possa, enfim, levar a uma forma barata e eficaz de eliminar a malária de regiões inteiras', declarou um colega de Crisanti, Roberto Galizi.
     
    Em um comentário independente, o especialista Michael Bonsall, da Universidade de Oxford, referiu-se à pesquisa como um 'trabalho muito legal'.
     
    'Isto tem implicações importantes para limitar a disseminação da malária', declarou à Science Media Centre britânica. 'Será muito empolgante ver o avanço desta tecnologia específica', continuou.
     
    Os cientistas já estão fazendo experimentos na natureza com mosquitos 'Aedes aegypti', que transmitem a dengue, e que foram modificados para gerar descendentes que não chegam à idade adulta.
     
    Eles sobrevivem durante apenas uma semana, enquanto mosquitos normais vivem um mês.
     
    O Brasil e a Malásia já soltaram nuvens desses insetos, e em janeiro o Panamá anunciou que também fará o mesmo.
     
    No entanto, estes programas despertam a preocupação de ambientalistas, que chamam atenção para o impacto desconhecido de animais geneticamente modificados no equilíbrio da biodiversidade.
     
    Eles argumentam que se uma espécie de mosquito for eliminada de uma região, isto abriria a oportunidade para uma espécie concorrente – e potencialmente perigosa – vir à tona.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • ”

    Procedimento pioneiro implanta 'menor marca-passo do mundo'
     
    Novo aparelho tem 26 milímetros de comprimento e dispensa cabo de ligação.
     
    O menor marca-passo do mundo foi introduzido dentro do coração de um paciente do Reino Unido. O aparelho foi empregado, pela primeira vez na Gerã-Bretanha, no Hospital Geral de Southampton. É o segundo procedimento realizado com o novo sistema, que foi implementado também em dezembro de 2013 na Áustria.
     
    Segundo o cardiologista John Morgan, a realização da operação foi um “momento histórico”. Ele disse que o aparelho “não é muito maior do que uma pílula de remédio” e tem um décimo do tamanho dos modelos tradicionais. Este marca-passo mede 26 milímetros de comprimento e pesa apenas duas gramas.
     
    Sem cabo
     
    Marca-passos são aparelhos que usam impulsos elétricos para regular o batimento do coração. Atualmente, eles são inseridos sob a pele e conectados ao coração através de uma ligação.
     
    O cabo transmite os sinais elétricos, mas eles podem ter que ser substituídos devido a fios quebrados ou deslocados.
     
    O novo dispositivo pode ser implantado diretamente no coração e fornece impulsos elétricos a partir de um eletrodo, eliminando a necessidade de uma ligação.
     
    “Além das vantagens do tamanho do dispositivo e da tecnologia sem fio, o procedimento reduz o risco de infecção e o tempo de recuperação prolongado necessário no caso de de implantes de marca-passo tradicionais, que são mais invasivos”, disse Morgan. “Este é um grande passo à frente no tratamento dos pacientes”, acrescentou.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Pílula que evita transmissão de HIV pode gerar nova revolução sexual

    Pílula que evita transmissão de HIV pode gerar nova revolução sexual

    Em 1960, a Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos fez algo surpreendente: aprovou um medicamento contra a infertilidade para o uso oposto: o controle da natalidade. Esse medicamento -logo conhecido simplesmente como “a pílula”- desencadeou a revolução sexual.
     
    Isso, porém, não se deu da noite para o dia. No início, os médicos resistiram a receitar a pílula para mulheres solteiras. As mulheres relutavam em portar provas de que pretendiam fazer sexo. Feministas pioneiras rebateram as calúnias e defenderam o uso da pílula. Algumas das previsões dos moralistas se confirmaram: os índices de gonorreia entre mulheres subiram e efeitos colaterais como coágulos no sangue surgiram. Mas a revolução persistiu.
     
    Para os homens gays -sem mencionar milhões de africanos, usuários de drogas e outros grupos de risco para o HIV-, o mundo está novamente em um momento crucial. A FDA, que aprovou uma droga chamada Truvada para o tratamento contra o HIV em 2004, passou a aprová-la para a prevenção, segundo o método de profilaxia pré-exposição, ou PrEP (sigla em inglês).
     
    Previsivelmente, isso gerou fortes reações contrárias. Alguns homens que usam o Truvada, em vez de preservativos, são chamados de “prostitutos do Truvada”. Oponentes disseram que os altos índices de sífilis e gonorreia entre homens gays iriam piorar.
     
    Mas, mesmo que não se torne aceito pela sociedade, o Truvada será parte de uma verdade maior que surge no campo da medicina especializada em Aids: medicamentos antirretrovirais modernos poderão ser a chave para finalmente reduzir a epidemia.
     
    Em doses profiláticas relativamente pequenas, eles podem proteger pessoas saudáveis contra o HIV. Em doses do tratamento com terapia tripla (“coquetéis” dos três medicamentos), podem fazer as pessoas infectadas ficarem virtualmente livres do HIV.
     
    As evidências de como eles funcionam continuam se acumulando. Amostras de sangue de um estudo do iPrEx em 2010 mostrou que homens gays que tomavam Truvada sete dias por semana reduziram suas chances de infecção em 99%. Um teste em 2011 com casais heterossexuais, em que um só parceiro estava infectado, mostrou que, quando os infectados tomavam seus coquetéis de terapia tripla regularmente, a chance de contaminar seus parceiros era 96% menor.
     
    E, em uma reviravolta surpreendente, foram divulgados em março os resultados preliminares de um estudo envolvendo 767 casais gays e héteros que não usavam preservativos e cujos exames de sangue confirmaram que os parceiros infectados estavam tomando medicamentos. Os casais haviam feito sexo cerca de 30.400 vezes desde o início do estudo, há dois anos, e o HIV não foi transmitido nem uma vez.
     
    Proteção de 96% a 100% é melhor até do que as vacinas mais avançadas. No entanto, certas vacinas protegem durante muitos anos, enquanto as pílulas têm de ser ingeridas diariamente. Algumas mulheres achavam isso complicado com a pílula anticoncepcional, então o mercado nesse setor lançou injeções de efeito duradouro, implantes, DIUs e pílulas “do dia seguinte”. O campo do HIV já está indo nessa direção. Um levantamento realizado pela Universidade de Nova York junto a 200 homens gays descobriu que, se existisse uma dose de Truvada com efeito durante três meses, 79% deles a prefeririam em vez de comprimidos diários.
     
    Até Ruanda está sentindo o efeito. Graças a doadores, 87% dos ruandenses estão fazendo a terapia tripla da qual precisam. As novas infecções caíram 60%.
     
    Ainda há 2,3 milhões de novas infecções por ano no mundo inteiro. O uso disseminado dos medicamentos poderia combater isso, mas obstáculos financeiros prejudicam os países pobres, sobretudo na África.
     
    Atualmente, 10 milhões de pessoas infectadas, de um total mundial de 35 milhões, fazem a terapia tripla. Doadores lutam para aumentar esse número. Mas, para acabar com a epidemia, todos os infectados precisariam da terapia -e provavelmente também precisariam ser incentivados com pequenos pagamentos em dinheiro para tomar suas pílulas diariamente. Ainda assim, o PrEP para a África nem sequer está em discussão.
     
    Fonte: The New York Times
  • Brasil adotou licença compulsória para combate à Aids

    Brasil adotou licença compulsória para combate à Aids

    Considerado referência mundial no combate à Aids, o Brasil adotou licença compulsória em 2007 para o medicamento Efavirenz, desenvolvido pela Merck, para combater a doença. A licença compulsória significa suspensão temporária do direito de exclusividade do titular de uma patente, permitindo a produção, uso, ou importação do produto sem a autorização do titular da patente. Mas a medida só pode ser adotada pelo governo, após esgotadas as negociações com a dona da patente, para comprar ou produzir a versão genérica da droga para atendimento da demanda interna. 
     
    A decisão do governo brasileiro de aplicar esse instrumento está prevista nas regras internacionais, inclusive no acordo sobre aspectos de direitos de propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio (OMC). A medida adotada pelo Brasil foi histórica e inédita na América Latina, embora já tivesse ocorrido em outros países como Canadá, Tailândia e Itália.
     
    “O direito que se dá na concessão da patente são de monopólio, de exclusividade comercial. No entanto, se houver abuso no uso do direito, existe a possibilidade de licença compulsória, que é uma matéria conhecida da sociedade”, disse o diplomata Otávio Brandelli, presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). No Brasil, segundo ele, o único caso de licença compulsória foi no caso do Efavirenz. “Eu participei, àquela época, do grupo de licença compulsória”, disse.
     
    Ameaças
     
    Antes de 2007, o Brasil utilizou a ameaça de licença compulsória para pressionar a redução do custo de medicamento protegido por patente em três ocasiões. A primeira foi em 2001 para a droga Nelfinavir, da Roche, para Aids, mas voltou atrás quando a companhia concedeu desconto no preço. Dois anos depois, tentou usar a medida para o mesmo produto. Em 2005, tentou com o Kaletra, da Abbott. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Extensão de prazo para patentes divide indústrias

    Extensão de prazo para patentes divide indústrias

    As indústrias brasileiras produtoras de genéricos e de defensivos agrícolas afirmam que têm, juntas, um “passivo” represado de pelo menos R$ 500 milhões que poderiam ser revertidos em receita. Os cálculos são feitos com base nos medicamentos e agrotóxicos que terão a extensão da patente garantida pelo parágrafo único do artigo 40, estabelecido pelas regras de propriedade intelectual da lei nacional 9.279/1996.
     
    Esse dispositivo foi incluído como uma salvaguarda em caso de uma eventual ineficiência do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) no processo de concessão das patentes. Essa salvaguarda não está no acordo tríplice internacional da Organização Mundial do Comércio (OMC). O que era para ser exceção pode virar regra, argumentam as entidades que representam essas indústrias.
     
    No Brasil, a análise de uma patente demora entre nove e 14 anos. O Inpi quer reduzir o prazo de análise para a média global, que é de cinco anos. O direito à exclusividade é de 20 anos, a partir de depósito do produto.
     
    Um levantamento feito pela Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina) aponta uma lista de 58 produtos, entre medicamentos e agroquímicos, que terão a patente estendida por essa salvaguarda.
     
    Entrave. Esse mecanismo da lei das patentes representa um entrave para a indústria, uma vez que atrasa o lançamento de genéricos, argumenta Telma Salles, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). “Os prejuízos para a sociedade são enormes.
     
    No caso dos medicamentos, interfere no lançamento dos genéricos”, disse. Por lei, os genéricos têm de ser, no mínimo, 35% mais baratos que o produto de referência. “O consumidor já poderia ter acesso antes.” A Pró Genéricos elencou cinco produtos considerados emblemáticos que, se mantida a regra do parágrafo único do artigo 40, só chegarão ao mercado como genéricos tempos depois, por conta da salvaguarda.
     
    O medicamento mais badalado da lista é o Victoza, da Novo Nordisk, para tratar diabetes. O produto, que teve a patente depositada em agosto de 1997, deveria ter seu vencimento expirado em agosto de 2017. No entanto, deverá ser lançado como genérico em 2023. O Janúvia, da MSD, também para diabete, teve a patente depositada em abril de 2002, mas sua análise foi concluída em abril de 2014.
     
    Portanto, terá proteção até abril de 2024. O inibidor de fumo Champix, da Pfizer, teria sua patente vencida em novembro de 2018, mas entrará no mercado em 2020. Dois produtos para tratar câncer – Nexavar (fígado), da Bayer, e Tykerb (mama), da GSK – entram, respectivamente, em 2020 e 2021.
     
    A venda desses cinco medicamentos movimentou cerca de R$ 250 milhões no ano passado, de acordo com dados da Pró Genéricos, com base no levantamento da consultoria IMS Health, No caso de defensivos, Pedro Barbosa, advogado da Abifina, citou três insumos – o herbicida clomazone (usado em canaviais para combater pragas) e os inseticidas bifentrina e fipronil (usados, sobretudo, em lavoura de soja) – como produtos, que movimentam cerca de R$ 300 milhões, ainda protegidos.
     
    Direito à exclusividade. Se por um lado, essas indústrias questionam a salvaguarda – a Abifina entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), que ainda vai ser apreciada pelo ministro relator Luiz Fux -, por outro as detentoras de patente querem preservar seu direito de negociar com exclusividade seu produto, sem prejuízo no prazo que é devido. “É bom lembrar que apenas 1 em cada 140 mil moléculas pesquisadas vai para o mercado. O produto tem de ser seguro e os gastos com pesquisas são altos”, diz Roberto Sant`Anna, consultor jurídico da Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que representa as indústrias detentoras de patente.
     
    Segundo Antonio Britto, presidente da Interfarma, que reúne as indústrias farmacêuticas de inovação, a saída para que o Brasil funcione melhor em patentes é dotar o Inpi de pessoas e infraestrutura para que o órgão possa cumprir sua função.
     
    O Inpi não está alheio a essas questões. Ao Estado, o diplomata Otávio Brandelli, presidente do Inpi, disse que o histórico do Inpi é de muito fluxo e pouca gente.
     
    Segundo ele, isso está mudando. “Temos autorização de concurso para mais 100 examinadores para patentes. A gente já tem cerca 300 (dos quais 212 são examinadores para patentes.” No caso de examinadores de marcas, por exemplo, o órgão está com quase 100 pessoas e terá mais 40. “A ideia é dar maior eficiência ao órgão para que não demore mais de dez anos para se conceder as patentes. Se eu não demoro mais de dez anos, não se aplica a salvaguarda.” O diplomata foi empossado no fim do ano passado.
     
    Segundo Brandelli, a quantidade de pedidos de patente aumentou muito nos últimos anos. Entre 2007 e 2013, o crescimento de demanda por análise da patente cresceu 38%, enquanto a de marcas 52%. “Isso é um fenômeno mundial.” Revisão da lei. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz coro às indústrias nacionais que querem derrubar o parágrafo único do artigo 40.
     
    “Entendemos que o dispositivo premia as empresas que querem prorrogar o direito à patente”, disse Dirceu Barbano, presidente da agência. Segundo Barbano, a Nelson Brasil, presidente da Abifina, é mais enfático. Segundo ele, esse dispositivo foi aprovado “na calada da noite”, sem discussão. Otávio Brandelli, presidente do Inpi, rebate. Brandelli participou à época, em 1996, das discussões para a criação da lei da patente. “O projeto que foi discutido na Câmara não previa esse dispositivo. O artigo 40 foi incluído no Senado. Depois, foi discutido em plenário e em várias comissões. Não dá para dizer que foi na calada da noite”, afirmou.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Atualização de cadastros

    Atualização de cadastros

    Prezados Colegas,



    Com a proximidade das eleições, vale lembrar que os cadastros, particularmente os endereços, devem ser atualizados, assim como os pagamentos dos débitos porventura existentes junto ao CRF (anuidades e taxas diversas).



    Isabel C. C. Bulhões

    Presidente da CER

  • Hospital das Clínicas faz transplante de cinco órgãos ao mesmo tempo pela primeira vez

    Hospital das Clínicas faz transplante de cinco órgãos ao mesmo tempo pela primeira vez

    O Hospital das Clínicas de São Paulo realizou nesta quinta (22) o primeiro transplante multivisceral do SUS. Foram transplantados cinco órgãos do sistema digestivo–fígado, intestinos delgado e grosso, pâncreas e estômago.
     
    O paciente é o segurança José Cícero Lira da Silva, 33, de Maceió (AL). Ele tinha um tumor que ocupava quase todo o pâncreas –apesar de ser de baixa malignidade, ele havia se infiltrado para outros órgãos, como estômago.
     
    A cirurgia demorou 12 horas e envolveu 23 profissionais, entre eles dez cirurgiões e quatro anestesistas. Foram necessárias 35 bolsas de sangue para conter a hemorragia durante o procedimento.
     
    Os órgãos doados vieram de uma criança de dez anos que morreu em um acidente.
     
    É o segundo transplante do gênero no país. O primeiro foi realizado no hospital Albert Einstein em abril de 2012, mas a paciente morreu após a cirurgia, por infecção.
     
    Segundo Luiz Carneiro D'Albuquerque, diretor do serviço de transplantes e cirurgia do fígado do HC, os próximos dias serão cruciais para Silva. “A parte mais difícil começa agora, com os riscos de infecção e rejeição.”
     
    Ele diz que, que se tudo ocorrer bem, o paciente deve ficar um mês no hospital. As chances de rejeição no primeiro ano variam entre 20% e 30%. A taxa de sobrevida é de 70%, em média, segundo estatísticas dos centros norte-americanos.
     
    Nos Estados Unidos, a cirurgia é feita há uma década e pode custar US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões).
     
    Estima-se que de 300 a 400 brasileiros necessitem desse tipo de transplante. Nos últimos anos, ao menos seis deles fizeram a cirurgia no exterior e acionaram, judicialmente, o governo ou os planos de saúde para o reembolso das despesas.
     
    Tanto o transplante multivisceral feito no Einstein quanto o realizado no HC fazem parte de um protocolo experimental autorizado pelo Ministério da Saúde e que prevê a realização de dez cirurgias em cada instituição.
    Após esse teste, o ministério vai avaliar os resultados, os custos e decidir se a cirurgia será feita como rotina.
     
    DOENÇA
     
    Segundo a mulher de José da Silva, Rosilda Lúcia da Silva, o marido teve o câncer diagnosticado em abril de 2012. “Ele ficou amarelo, tinha vômito, diarreia e coceira por todo o corpo. Em um ano, teve três hemorragias.”
     
    Há um ano, os médicos disseram que só um transplante de pâncreas e fígado salvaria Silva. Ao se mudar para São Paulo, há nove meses, a família teve mais uma surpresa: cinco órgãos teriam de ser transplantados.
    “Bateu o desespero. Meu marido começou a chorar. Nem sabíamos que existia transplante de dois órgãos, imagina de cinco!”, contou Rosilda, enquanto aguardava o fim da cirurgia no HC.
     
    Os meses que antecederam o transplante também foram tensos. “Fomos chamados sete vezes, mas os órgãos não eram compatíveis. A última vez foi na terça. Já não aguentávamos mais esperar.”
     
    Ontem, depois que a cirurgia estava concluída e o paciente suturado, houve momentos de tensão. Silva apresentou um distúrbio de coagulação e teve de ser aberto novamente para estancar a hemorragia. Depois, foi estabilizado e levado para a UTI.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • USP testa composto da maconha para parkinson

    USP testa composto da maconha para parkinson

    O canabidiol (CBD), um dos compostos da maconha, pode ajudar a aliviar agitações do sono associadas ao mal de Parkinson, mostra estudo da USP de Ribeirão Preto.
     
    Usado no Brasil de forma experimental para a epilepsia, o CBD teria efeito benéfico sob outras doenças que afetam o cérebro.
     
    “O CBD provê qualidade do sono e pode proteger neurônios”, diz Marcos Hortes, psiquiatra e autor do estudo. As evidências vêm de casos com quatro pacientes descritos no “Journal of Clinical PharmacyTherapeutics”.
     
    Em um deles, um homem de 61 anos registrava queixas de alterações de sono (fala, pontapés e socos). A agitação já machucou a esposa. Ao ser tratado com 75 mg de CBD todos os dias por seis semanas, ele não teve mais distúrbios no sono.
     
    Em outros dois casos, as crises também desapareceram; em um paciente, houve um episódio por semana.
     
    Essas agitações são comuns no parkinson e o tratamento delas é feito com clonazepam, remédio controlado. “O medicamento é eficaz, mas causa sonolência durante o dia”, diz Egberto Barbosa, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.
     
    O estudo foi supervisionado por José Alexandre Crippa, psiquiatra que comanda estudos com o CBD no Brasil. Ele diz que o CBD não está disponível para uso clínico e que mais dados são exigidos para mostrar sua eficácia.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo