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  • Campanha de vacinação contra gripe termina nesta sexta

    Campanha de vacinação contra gripe termina nesta sexta

    A campanha de vacinação contra a gripe será realizada nos postos de saúde de todo o país até a próxima sexta-feira (9). Desde o dia 22 de abril e até esta segunda-feira (5), 14 milhões de pessoas foram imunizadas, de acordo com estimativa do Ministério da Saúde.
     
    A meta da pasta é vacinar 80% do público-alvo, que reúne 49,6 milhões de pessoas. A recomendação é que sejam vacinadas crianças entre seis meses e cinco anos de idade, gestantes, mulheres com filhos recém-nascidos (até 45 dias), idosos acima de 60 anos, indígenas, detentos e portadores de doenças crônicas, além de funcionários do sistema prisional e da saúde.
     
    Fonte: Uol Sáude
  • OMS alerta que casos de mortalidade materna caíram, mas não o suficiente

    OMS alerta que casos de mortalidade materna caíram, mas não o suficiente

    Casos de mães mortas na gravidez ou no parto caíram 45% em 23 anos.
    Porém, ainda há muito o que fazer em nações em desenvolvimento.
     
    A mortalidade materna caiu no mundo nas últimas décadas, mas não o suficiente, informou nesta semana a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade destacou ainda que a maior parte das mortes por complicações na gravidez acontecem na África subsaariana.
     
    As novas estatísticas indicam que as mortes maternas caíram em 2013 no mundo para 289 mil, isto é, 45% menos que em 1990, quando 523 mil mulheres morreram na gravidez ou no parto. Embora estas cifras reflitam um declínio importante na mortalidade materna, ainda falta muito por fazer, admitiu a agência da ONU para a saúde em um informe sobre o tema.
     
    “Ainda há uma mulher que morre a cada período de tempo, que varia entre um minuto e meio e dois minutos, em algum lugar do mundo porque está tentando dar à luz”, disse Marleen Temmerman, diretora do departamento de saúde reprodutiva da OMS.
     
    “É como se dois aviões colidissem a cada dia”, disse Temmerman a repórteres em Genebra, insistindo em que o problema das mortes maternas “deveria ocupar um lugar prioritário” na agenda mundial.
     
    O informe da OMS enfatiza que os riscos vinculados à gravidez são mais agudos nos países em desenvolvimento, particularmente na África subsaariana, do que nos países ricos. O risco de morte materna é muito maior no Chade do que na Finlândia, por exemplo, continuou o informe, destacando que a mortalidade materna reflete a brecha entre países ricos e pobres.
     
    No Chade, uma mulher em 15 corre o risco de morrer na gravidez ou no parto, enquanto na Finlândia, o risco é de um em mil, indicou o documento.
     
    África, o continente mais afetado pela mortalidade materna
     
    A ONG Save The Children, que há 15 anos documenta a situação das mães pelo mundo, publicou na véspera sua classificação anual, que abrange todos os países africanos: Costa do Marfim, Nigéria, Serra Leoa, República Centro-africana, Guiné Bissau, Mali, Níger, República Democrática do Congo e Somália. Estes países são considerados 'os mais difíceis do mundo onde ser mãe', segundo o relatório.
     
    A Somália é considerada em 2014 o pior país do mundo para ser mãe, segundo a classificação da ONG.
     
    Esta classificação compara as condições em que as mães de família se encontram em 178 países do mundo, analisando em particular seu estado de saúde, nível de formação e indicadores chave relativos a crianças, como a saúde deles e sua nutrição.
     
    Desde a primeira publicação deste informe, em 2000, 28 países aparecem nos últimos dez lugares da classificação. Entre todos estes, apenas quatro não foram palco recentemente de conflitos armados e dezoito foram sacudidos de forma frequente por catástrofes naturais.
     
    “A incapacidade de responder às necessidades básicas foi ao mesmo tempo causa e consequência em países como a República Centro-africana, Somália e Sudão. E as famílias mais pobres, essencialmente mulheres e seus filhos, têm tendência a ser os mais afetados por toda esta catástrofe, seja de origem natural ou provocada pelo homem”, destacou a ONG no informe.
     
    No outro extremo, a Finlândia supera Noruega, Suécia, Islândia, Holanda, Dinamarca e Espanha. A França ocupa o 20º lugar, junto com a Grécia, e os Estados Unidos, no 31º.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Ministério da Saúde libera R$ 100 mi para 46 hospitais universitários

    Ministério da Saúde libera R$ 100 mi para 46 hospitais universitários

    Verba será destinada a custeio e reformas de instalações.
    Liberação foi divulgada em portaria publicada no Diário Oficial da União.
     
    O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (7) que vai liberar R$ 100 milhões a 46 hospitais universitários do país para custeio e reforma de suas instalações. A informação foi publicada no Diário Oficial da União.
     
    A liberação da verba acontece um dia depois de o “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, exibir reportagem sobre os problemas enfrentados por 47 hospitais distribuídos pelo país.
     
    Segundo os diretores, para melhorar o atendimento, seria necessário contratar mais de 17 mil funcionários. Em ao menos 32 unidades há falta de estrutura e pessoal.
     
    De acordo com a portaria do D.O., o dinheiro é proveniente do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários (REHUF). Cada hospital terá que comprovar sua necessidade para ter liberado o recurso financeiro.
     
    O hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deve receber a maior fatia dos R$ 100 milhões, o equivalente a R$ 5,54 milhões. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (MG) garantiu R$ 5,01 milhões.
     
    Instituições ligadas à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também vão receber repasses.
     
    Em entrevista concedida à TV Globo, o ministro da Educação, Henrique Paim, disse que o déficit de vagas será resolvido com a abertura de concursos.
     
    Segundo ele, a recomposição da força de trabalho vai permitir uma recuperação, mas que é preciso, antes de tudo, “uma mudança na cultura de gestão dos hospitais universitários”, que passariam a seguir o modelo de empresa.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Anvisa suspende comércio de lotes de remédio para transtorno depressivo

    Anvisa suspende comércio de lotes de remédio para transtorno depressivo

    Resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial da União suspende a distribuição, o comércio e o uso, em todo o território nacional, de seis lotes do medicamento Aropax 20mg comprimidos revestidos, da empresa GlaxoSmithKline. O remédio é um antidepressivo inibidor da recaptação da serotonina.
     
    Os lotes são os seguintes: SH0040V (data de fabricação, junho de 2013, e data de validade, junho de 2015), RK0084V (data de fabricação, agosto de 2012, e data de validade, agosto de 2014), RJ0220V (data de fabricação, julho de 2012, e data de validade, julho de 2014), RJ0219V (data de fabricação, julho de 2012, e data de validade, julho de 2014), RC0113V (data de fabricação, março de 2012, e data de validade, março de 2014) e RC0113V1 (data de fabricação, março de 2012, e data de validade março de 2014).
     
    De acordo com o texto, a própria empresa enviou à Anvisa comunicação de recolhimento voluntário do remédio diante da suspeita de que os lotes podem ter sido fabricados com a utilização de princípio ativo com a presença de resíduos.
     
    A resolução entra em vigor hoje.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • ” cérebro de roedor velho, diz pesquisa

    ” cérebro de roedor velho, diz pesquisa

    Roedor velho que recebeu sangue jovem teve melhora na memória.
    Proteínas presentes no sangue jovem são responsáveis por fenômeno.
     
    Componentes do sangue de camundongos jovens têm a capacidade de reduzir os efeitos do envelhecimento no cérebro de camundongos mais velhos.
     
    A descoberta é de uma pesquisa publicada neste domingo (4) pela revista “Nature Medicine”, que mostrou que a capacidade de aprendizado, a memória e as funções neuronais de roedores mais velhos são “turbinadas” quando eles recebem uma injeção contendo plasma do sangue de um camundongo jovem.
     
    Em um dos experimentos, os pesquisadores estudaram pares de camundongos cujos sistemas circulatórios haviam sido conectados por meio de uma cirurgia. Chamados de parabióticos, esses roedores passam a compartilhar o mesmo sangue.
     
    Em seguida, fizeram uma comparação entre os camundongos velhos unidos a um par jovem em relação aos camundongos velhos unidos a um par igualmente velho. Foram encontradas diferenças relevantes na anatomia, na bioquímica e na atividade elétrica do hipocampo, região cerebral importante na formação de certos tipos de memória.
     
    O hipocampo dos roedores velhos unidos a pares jovens passou a se assemelhar mais com o hipocampo de um roedor jovem. Nesses animais, foi identificada a presença de uma maior quantidade de substâncias produzidas durante o processo de aprendizado, por exemplo.
     
    “Foi como se os cérebros velhos fossem recarregados pelo sangue jovem”, disse o pesquisador Tony Wyss-Coray, professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
     
    Em outro experimento feito para o mesmo estudo, o plasma do sangue de camundongos jovens foi injetado em camundongos mais velhos, que passaram posteriormente por testes para medir suas habilidades em tarefas que exigiam o uso da memória. Aqueles que receberam sangue jovem se deram melhor nos testes, em comparação com aqueles que receberam sangue de outros roedores velhos.
     
    “Há fatores presentes no sangue de camundongos jovens que podem recarregar o cérebro do camundongo velho, de maneira que ele funcione mais como o de um jovem”, disse Wyss-Coray. “Estamos trabalhando intensamente para descobrir quais são esses fatores e de quais tecidos exatamente eles originam”.
     
    A hipótese é que existam proteínas presentes no sangue jovem que são responsáveis pelo “rejuvenescimento”. Prova disso é que o plasma jovem submetido a altas temperaturas antes de ser injetado no camundongo velho não teve o efeito “rejuvenescedor”. Isso porque o calor danifica as proteínas do sangue.
     
    Os pesquisadores lembram que ainda não é possível saber se a estratégia vale também para humanos. Mas, caso os mesmos resultados sejam constatados em humanos, essa pode ser uma nova abordagem no tratamento de demências como o Alzheimer.
     
    “Mostramos que pelo menos alguns danos à função cerebral relacionados à díade são reversíveis. Eles não são definitivos”, diz o pesquisador Saul Villeda, principal autor do estudo.
     
    Fonte: Bem Estar
     
  • 76,4% dos brasileiros têm habito de se automedicar, segundo pesquisa

    76,4% dos brasileiros têm habito de se automedicar, segundo pesquisa

    Dos que se automedicam, 32% aumenta a dose dos remédios prescritos.
    Pessoas confiam na recomendação de família, amigos, colegas e vizinhos.
     
    A automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros, segundo levantamento feito pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), que entrevistou 1.480 pessoas de 12 capitais brasileiras. O ICTQ é um instituto que atua nas áreas de Pesquisa e Pós-Graduação com foco no mercado farmacêutico.
     
    Entre os que adotam essa prática, 32% têm o hábito de aumentar as doses de medicamentos prescritos por médicos com o objetivo de “potencializar os efeitos terapêuticos”, o que também é considerado uma forma de automedicação. “Uma vez que a pessoa desobedece a dosagem, isso passa a ser automedicação, ainda que ela tenha recebido a orientação do médico ou do farmacêutico”, explica Marcus Vinicius de Andrade, diretor de pesquisa do ICTQ.
     
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    Ainda no grupo dos que tomam remédio por conta própria, 72% afirmaram que confiam na indicação de medicamentos feita pela família, 42,4% confiam na indicação de amigos, 17,5% confiam na indicação de colegas de trabalho ou estudo e 13,7% confiam na indicação de vizinhos (cada entrevistado podia indicar mais de uma opção).
     
    A capital que registra o maior índice de automedicação é Salvador, onde 96,2% dos habitantes adotam a prática. Já a capital em que o hábito é menos frequente é Belo Horizonte, onde 35% se automedicam. Em São Paulo, o índice foi de 83% e no Rio de Janeiro, de 91,4%.
     
    O estudo afirma ainda que 61,4% das pessoas que se automedicam estão conscientes sobre os riscos. Para Andrade, esse dado mostra que, apesar da importância das campanhas de conscientização, a medida mais efetiva para coibir a prática é a adoção de um controle de vendas mais rígido. Segundo os dados coletados pelo ICTQ, existe uma tendência de diminuição do consumo irregular de medicamentos controlados desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir a retenção da segunda via da receita dessa categoria de remédios.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Disseminação da pólio é emergência pública internacional, diz OMS

    Disseminação da pólio é emergência pública internacional, diz OMS

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a disseminação da pólio é uma emergência pública de saúde internacional.
     
    O surgimento de casos na Ásia, África e Oriente Médio, segundo a agência, é um “evento extraordinário” e é necessária uma “resposta internacional” coordenada.
     
    “As condições para uma emergência pública de saúde internacional foram alcançadas”, afirmou Bruce Aylward, diretor-geral assistente da organização.
     
    Aylward deu a declaração depois da reunião de emergência da semana passada, ocorrida em Genebra, que discutiu justamente a doença e incluiu representantes dos países afetados.
     
    “A disseminação internacional da pólio em 2014 constitui um 'evento extraordinário' e um risco para a saúde pública para outros países para o qual uma resposta coordenada internacional é essencial”, informou o Comitê de Regulação de Emergência da OMS em uma declaração oficial.
     
    “Se não for controlada, esta situação poderá resultar no fracasso da erradicação global de uma das mais graves doenças que podem ser evitadas com vacinas.”
     
    A OMS afirma que países como Paquistão, Camarões e Síria representam “a maior ameaça de maior exportação do vírus da pólio em 2014”.
     
    A agência recomendou que cidadãos dos países afetados pela doença que forem viajar para o exterior levem certificados e provas de que foram vacinados.
     
    Segundo a correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes, esta é a segunda vez na história da OMS que a agência faz este tipo de declaração. A primeira vez ocorreu durante a epidemia de gripe suína em 2009.
     
    A pólio é uma doença infecciosa causada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode chegar a causar paralisia total.
     
    Em um em cada 200 casos, essa paralisia é irreversível. As principais vítimas são crianças até de cinco anos.
     
    Violência
     
    O vírus da pólio é considerado endêmico em três países: Paquistão, Afeganistão e Nigéria. Mas os ataques e violência contra as campanhas de vacinação, ocorridos principalmente no Paquistão, permitiram que o vírus se espalhasse através das fronteiras.
     
    A Síria, que havia 14 anos não registrava casos, voltou a ser infectada com o vírus vindo do Paquistão.
     
    Os refugiados estão fugindo da Síria para a Jordânia, Líbano e Turquia e checar se todos eles foram vacinados será impossível, afirmou a correspondente da BBC em Genebra.
     
    Segundo a OMS, no total são dez países infectados pela pólio: Afeganistão, Camarões, Guiné Equatorial, Etiópia, Iraque, Israel, Nigéria, Paquistão, Somália e Síria.
     
    O Brasil, assim como todos os países das Américas, faz parte do grupo de países que não registram casos de pólio há mais de uma década, segundo a OMS.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Campanha de vacinação contra a gripe termina nesta semana

    Campanha de vacinação contra a gripe termina nesta semana

    A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe termina na próxima sexta-feira (9) em todo o país. Devem ser imunizados idosos, crianças com idade entre 6 meses e menos de 5 anos, gestantes, mães em puerpério (45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, povos indígenas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.
     
    A orientação do Ministério da Saúde é para que pessoas com doenças crônicas não transmissíveis ou com outras condições clínicas especiais também recebam a dose. Elas devem apresentar a prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle de doenças crônicas no Sistema Único de Saúde devem procurar os postos onde estão registrados para receber a vacina.
     
    A campanha começou no último dia 22 e tem como público-alvo 49,6 milhões de pessoas. A meta do governo é imunizar 80% dessa população. Estão sendo distribuídos 53,5 milhões de doses que protegem contra três tipos de gripe, incluindo a gripe A. Em todo o país, 65 mil postos de saúde e 240 mil profissionais de saúde participam da imunização.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Antibióticos geram pragas mais violentas e obesidade, diz especialista

    Antibióticos geram pragas mais violentas e obesidade, diz especialista

    Neste mundo, nada é de graça, especialmente quando estamos falando de saúde. Todos os exames, todas as incisões, e cada uma das pílulas que tomamos nos trazem benefícios e riscos.
     
    Em nenhuma área, a coisa pende mais obviamente para a direção errada do que no mundo das doenças infecciosas, a maior história de sucesso do século 20. Nós contamos com os antibióticos desde meados dos anos 1940 – praticamente desde que a bomba atômica foi criada, destaca o professor de medicina Martin J. Blaser – e o nosso maior erro foi não ter percebido há muito tempo os paralelos entre essas duas histórias.
     
    Os antibióticos controlaram boa parte de nossos velhos inimigos bacterianos: nós queríamos fazê-los desaparecer do planeta, e a dose foi cavalar. Mas, agora, estamos começando a sofrer as consequências. Aparentemente, nem todos os germes são maus – e existem alguns que são muito bons, na verdade. No livro “Missing Microbes” (“Os micróbios perdidos”, em tradução livre), Blaser, professor de medicina e doenças infecciosas da Universidade de Nova York, apresenta uma série impressionante de razões que nos levam a repensar a destruição promovida nas últimas décadas.
     
    Pragas mais violentas
     
    Primeiro e mais importante: a guerra tem se tornado cada vez mais violenta. O uso imprudente de antibióticos resultou na resistência dos micróbios; médicos especializados em doenças infecciosas operam agora em um estado de quase pânico, uma vez que o tratamento de doenças comuns está exigindo medicamentos mais e mais poderosos.
     
    Em segundo lugar, como sempre, são justamente os espectadores desafortunados que mais sofrem com isso – não os seres humanos, vejam bem, mas as infinitas bactérias benevolentes e trabalhadoras que colonizam nossas peles e o interior de nosso trato gastrintestinal. Precisamos dessas criaturinhas para sobreviver, mas até mesmo algumas doses de antibióticos são o bastante para destruir seu universo, com mortes incalculáveis e paisagens devastadas. Às vezes, nem as populações nem seu habitat voltam a se recuperar plenamente.
     
    E, por fim, há um acúmulo desanimador de evidências de que a guerra contra as velhas pragas esteja levando simplesmente a guerras ainda piores contra uma série de novas pragas.
     
    Parte dos argumentos de Blaser já é bem conhecida, tais como a história do Clostridium, uma causa cada vez mais comum de diarreia. Essa condição surge quando os antibióticos eliminam a população microbiana normal de nossas entranhas, favorecendo um organismo produtor de toxinas. Às vezes é preciso usar ainda mais antibióticos para reestabelecer a função intestinal. Mas às vezes não há tratamento que funcione – nada além de preencher o intestino com fezes repletas de bactérias normais, uma estratégia que é o último recurso, mas que se mostrou bastante eficaz. Sem isso, pessoas totalmente saudáveis podem morrer.
     
    Menos conhecido é o paradoxo gerado por um pequeno organismo em forma de vírgula conhecido como Helicobacter pylori, que habita o estômago humano. Blaser é um dos maiores especialistas nessas “bactérias da úlcera”, que estão associadas não apenas com as úlceras, mas também com o câncer do estômago. Estamos lentamente eliminando o H. pylori com antibióticos – e eles se tornaram bastante incomuns em países desenvolvidos.
     
    Mas à medida que desaparecem, destaca Blaser, uma pequena epidemia de doenças no esôfago é seguida de uma inflamação que pode causar azia e, até mesmo, câncer. Aparentemente, essa bactéria do mal também é boa e fundamental para proteger o esôfago humano.
     
    E isso está longe de ser tudo, pessoal.
     
    Antibióticos e obesidade
     
    Sabemos que dar antibióticos para frangos, vacas e porcos resulta em animais maiores e mais gordos nos mercados. Mas estamos fazendo basicamente a mesma coisa com os nossos jovens, salvando-os basicamente de todas as infecções da infância (muitas das quais nem precisam de antibióticos para serem curadas). Os resultados de uma série interconectada de experimentos no laboratório de Blaser, com ratos jovens alimentados com uma série de regimes de antibióticos, deram apoio à teoria de que a exposição aos antibióticos no início da vida tem efeitos duradouros no metabolismo, e pode contribuir para a epidemia atual de obesidade infantil e adulta.
     
    Para outras condições cada vez mais comuns, tais como a asma, a doença inflamatória intestinal e a doença celíaca, Blaser oferece uma inversão da “hipótese da higiene”, que afirma que uma vez que deixamos de ter contato com os micróbios do meio ambiente, a vida higienizada moderna leva o sistema imunológico a sair do controle. Ao invés disso, a culpa seria da distorção da fauna microbiana interior, segundo ele.
     
    Os antibióticos são parcialmente responsáveis, mas o mesmo pode ser dito de outros hábitos médicos, tais como o uso cada vez mais frequente de cesarianas. Esses procedimentos assépticos evitam que os recém-nascidos herdem das mães uma série de organismos ao passarem pelo canal do parto, possivelmente preparando-os para uma vida cheia de problemas, tais como riscos maiores que o normal de uma série de problemas ligados à imunidade.
     
    Blaser apresenta todas essas questões a um ritmo acelerado, não exagerando na linguagem técnica, mas gerando interesse humano suficiente para tornar seu argumento e seus dados razoavelmente acessíveis (ele contou com a ajuda de Sandra Blakeslee, jornalista científica veterana e contribuidora frequente do “Science Times”).
     
    O leitor bem informado não deve se esquecer que a pesquisa que Blaser comenta foi, em grande parte, feita por ele mesmo; sendo assim, não ouvimos no livro qualquer opinião, ou evidência contraditória, embora boa parte da narrativa não passe de uma série de hipóteses científicas.
     
    Tendo isso em vista, o peso das evidências por trás das advertências de Blaser sobre os antibióticos é impressionante. Eles são, sem dúvida, medicamentos que salvam vidas – eles salvaram a vida do próprio autor, quando foi acometido pela febre tifoide, e ele testemunhou recentemente no congresso norte-americano sobre a necessidade urgente do desenvolvimento de antibióticos melhores e mais fortes. Entretanto, eles também são extremamente perigosos, tanto para as pessoas, quanto para as comunidades interligadas dos micróbios e dos seres humanos.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Pesquisadores alertam para hepatite B resistente a tratamento

    Pesquisadores alertam para hepatite B resistente a tratamento

    Um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMT) e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) indica que a chance de ser infectado por um vírus da hepatite B resistente a remédios é pequena, mas existe. Em um grupo de 702 portadores de sete Estados brasileiros, foram encontrados 11 casos, ou seja, 1,6% da população estudada.
     
    A hepatite B é considerada uma doença crônica possível de ser controlada com medicamentos. Ao longo do tempo, porém, a terapia tende a selecionar cepas de vírus resistentes às drogas usadas. O problema torna-se ainda mais grave quando o tratamento não é feito de forma regular e de acordo com os protocolos mais adequados.
     
    Segundo a pesquisadora Michele Soares Gomes Gouvêa, cerca de 80% dos pacientes tratados com a droga lamivudina adquirem resistência em um período aproximado de cinco anos de terapia. Outros medicamentos levam um pouco mais de tempo, mas é um tratamento para a vida toda e o problema, eventualmente, acaba aparecendo.
     
    Ela explica que mutações aumentam a capacidade de replicação do vírus e pode acontecer de o paciente ficar com uma supercarga viral resistente. 
     
    O problema da resistência primária (adquirir um vírus já resistente) é grande em determinadas regiões da África. De acordo com a literatura científica, o problema afeta 20% dos portadores de hepatite B na África do Sul. O índice salta para 50% quando se consideram pacientes coinfectados com o vírus da Aids.
     
    A médica do IMT Maria Cássia Jacintho Mendes Corrêa, coordenadora do projeto, diz que a situação brasileira é razoavelmente boa, de acordo com o estudo, mas que é preciso fazer um acompanhamento cuidadoso dos pacientes. 
     
    De acordo com os pesquisadores, os medicamentos contra a hepatite B são oferecidos gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), mas há lugares no Brasil em que são adotados esquemas inadequados de tratamento, seja por dificuldade de acesso a todas as drogas necessárias ou por falta de uma educação médica continuada.
     
    Se não tratada adequadamente, a inflamação no fígado causada pelo vírus da hepatite B (HBV) pode evoluir para hepatite crônica, cirrose hepática e câncer de fígado. É possível prevenir a infecção – que ocorre por via sexual, contato com sangue e secreções contaminados, parto ou amamentação – por meio de uma vacina também disponível na rede pública de saúde.
     
    A hepatite B afeta mais de 400 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, de maneira geral, afeta menos de 1% da população, mas há regiões em que a prevalência pode chegar a 20%, como na Amazônia, no Espírito Santo e no Oeste do Paraná e Santa Catarina. 
     
    Fonte: Uol Saúde