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  • Notificação de casos de HIV positivo passa a ser obrigatória

    Notificação de casos de HIV positivo passa a ser obrigatória

    O governo tornou obrigatória a notificação dos casos de infecção pelo vírus HIV, antecipando o momento em que essas pessoas entram na contabilidade nacional.
     
    A mudança foi anunciada em 2012 e publicada em portaria na semana passada.
     
    Até então, os serviços de saúde tinham que fazer a notificação dos casos de Aids, ou seja, após a manifestação da doença com o comprometimento do sistema imune, o que pode ocorrer anos depois da infecção.
     
    Também já era obrigatório informar casos identificados de HIV em gestantes e em recém-nascidos.
     
    Por conta própria, alguns Estados já contavam os casos de HIV, e o governo também dispunha de informações sobre o número de pessoas que estavam vinculadas a serviços públicos de saúde para acompanhar a infecção, mesmo antes de desenvolverem Aids. Não havia, porém, o registro nacional.
     
    Segundo Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, o objetivo é alinhar os registros à nova política do país para a doença: oferecer o tratamento com antirretrovirais desde o diagnóstico do HIV, independentemente da contagem de células de defesa CD4 e do estágio da doença.
     
    Barbosa estima que, com o registro e as ações para ampliar o diagnóstico precoce do HIV, o número de novas notificações pode ser de 100 mil em um ano, incluindo aí os 39 mil novos casos de Aids esperados, seguindo a tendência dos anos anteriores.
     
    A nova notificação vai manter informações sobre o desenvolvimento da Aids.
     
    Alexandre Grangeiro, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, avalia como positiva a decisão. Segundo ele, há poucos dados sobre a infecção entre heterossexuais e eventual uso de drogas, relações desprotegidas com profissionais do sexo ou situação de encarceramento.
     
    O novo modelo também funciona para dar a dimensão atual da epidemia, diz José Hélio Costalunga, que integra a Cnaids (Comissão Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais) pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids + Brasil.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
  • Estudo indica que cirurgia bariátrica tem maior taxa de remissão de diabetes

    Estudo indica que cirurgia bariátrica tem maior taxa de remissão de diabetes

    A cirurgia bariátrica para redução de estômago supera outros tratamentos por conseguir levar pacientes obesos à remissão da diabetes tipo 2, revelou um estudo sueco publicado nesta terça-feira (10).
     
    A pesquisa, que será divulgada no Jornal da Associação Médica Americana (Jama), também revelou que o procedimento está vinculado a um número menor de complicações relacionadas com a diabetes nas pessoas que estão severamente acima do peso.
     
    As descobertas vêm à tona em um momento em que obesidade e diabetes alcançam proporções de epidemia, acarretando um caro problema de saúde.
     
    Nos Estados Unidos, mais de 29 milhões de pessoas – ou 9,3% da população – tinha diabetes em 2012, enquanto estimativas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontavam para uma cifra de 26 milhões dois anos atrás.
     
    Tratar a doença e suas complicações relacionadas custaram US$ 245 bilhões em gastos médicos em 2012, uma cifra muito superior aos US$ 174 bilhões de cinco anos antes.
     
    Realizada por uma equipe de cientistas chefiada por Lars Sjostrom, da Universidade de Gotemburgo, a pesquisa consistiu em um acompanhamento do Estudo Sueco sobre Indivíduos Obesos.
     
    O tempo de acompanhamento médio foi de 18,1 anos para pessoas que se submeteram à cirurgia e de 17,6 anos para o grupo de controle, com a finalidade de determinar os efeitos a longo prazo dos procedimentos bariátricos, da remissão de diabetes e das complicações vinculadas à diabetes.
     
    Os autores descobriram que a proporção de pessoas com diabetes tipo 2 que fizeram cirurgia bariátrica e estavam em remissão era de 72,3% dois anos depois do procedimento contra 16,4% no grupo de controle.
     
    Quinze anos depois, as taxas de remissão de diabetes foram de 30,4% entre os que fizeram a cirurgia, significativamente maior do que os 6,5% de remissão no grupo de controle.
     
    Todos os tipos de cirurgia bariátrica – inclusive o bypass gástrico, bem como procedimentos com bandas ou anéis ajustáveis e não ajustáveis – “foram associados com taxas mais elevadas de remissão em comparação com o tratamento usual”, destacou um comunicado que anunciou o estudo.
     
    Além disso, segundo os autores, este tipo de cirurgia também está vinculada com uma incidência menor de complicações micro e macrovasculares, embora tenham alertado que as descobertas precisam de confirmação por meio de testes aleatórios.
     
    De acordo com dados dos CDC, uma em cada quatro pessoas com diabetes nos Estados Unidos não sabe que tem a doença.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Dois anos depois de veto, emagrecedores podem retornar

    Dois anos depois de veto, emagrecedores podem retornar

    Dois anos e meio após o governo ter proibido a venda e o uso de três tipos populares de emagrecedores no país, pessoas com excesso de peso recorreram a drogas de uso “off label” –registradas para outras finalidades–, se submeteram a mais procedimentos médicos e tiveram agravado o grau da obesidade.
     
    É o que relatam especialistas em nutrologia e endocrinologia ouvidos pela reportagem, que defendem a volta ao mercado das substâncias femproporex, mazindol e anfepramona (do grupo das anfetaminas e seus derivados).
     
    Elas foram banidas em 2011 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para a qual não há provas científicas de que as substâncias são eficazes, e o risco do uso delas superaria os benefícios à saúde.
     
    Esse veto, porém, corre o risco de cair. Um projeto na pauta da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado susta os efeitos da resolução da Anvisa que tirou os anfetamínicos de cena. Se aprovado na comissão, o texto vai ao plenário da Casa e à promulgação pelo Congresso.
     
    A expectativa é que a CCJ avalie o texto em 2 de julho. A Folha apurou que a própria Anvisa já avalia que o projeto será aprovado. Médicos e pacientes a favor da liberação têm feito gestões junto aos senadores pela aprovação.
     
    “A Anvisa tirou produtos eficazes, com trabalhos científicos e há mais de 50 anos no mercado. Os pacientes sumiram dos consultórios e voltam depois com diabetes e hipertensos”, critica Dimitri Homar, médico integrante da diretoria da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).
     
    Segundo Homar, a alternativa foi buscar remédios de uso “off label”, que são mais caros e não são os mais adequados por não terem sido estudados para o emagrecimento. O topiramato (anticonvulsivante), Victoza (contra o diabetes tipo 2) e bupropiona (antidepressivo) são algumas das drogas procuradas.
     
    O endocrinologista João Castro adiciona outro nome à lista das alternativas: a lisdexanfetamina, usada contra o deficit de atenção.
     
    Castro afirma que a percepção, no consultório médico, é que aumentou o número de pessoas com problemas de peso e o grau de obesidade.
     
    Os médicos rejeitam os resultados de uma pesquisa feita por telefone – e divulgada pelo Ministério da Saúde– que aponta a estagnação dos percentuais de excesso de peso e de obesidade em 2013.
     
    Se aprovado o projeto, a Anvisa ainda poderia editar uma nova resolução, com os mesmos vetos –algo com potencial político explosivo.
     
    Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa, prefere não entrar na questão política. “A Anvisa já manifestou sua posição técnica de forma exaustiva (…) Somente uma lei pode dispensar a Anvisa da responsabilidade de evitar que existam medicamentos no mercado que causem mais danos do que a doença que pretendem tratar”, afirma.
     
    DE OLHO
     
    O andamento do projeto que pode derrubar o veto da Anvisa é acompanhado de perto pelo grupo “União pela volta dos inibidores de apetite e suplementos alimentares”, com mais de 3.000 seguidores no Facebook.
     
    Uma das integrantes do grupo, Antônia Rodrigues, 50, tomou anfepramona durante 17 anos, com o objetivo de controlar a ansiedade e a compulsão pela comida.
     
    Meses após o veto ao remédio, conta, começou a engordar, passando de 68 kg, em 2011, e atingindo os 94 kg.
     
    “Eu já tinha problemas com a minha articulação, e isso se potencializou. Estou sem medicamento e sem poder fazer academia. Você fica sem saída”, lamenta.
     
    Antônia afirma que já tentou usar um medicamento contra diabetes, mas sentiu efeitos limitados. “No desespero”, recorreu ao mercado negro: “Era maisena.”
     
    Simone Claudino, 41, também tomava anfepramona como forma de manter o peso. “O remédio não me fazia emagrecer tanto. Já tinha chegado a um peso bom, mas queria mantê-lo.”
     
    Depois de parar de tomar, o peso passou de cerca de 70 kg para 93 kg. Por conta própria, tentou tomar a sibutramina (um emagrecedor permitido, mas vendido com regras rígidas) e teve problemas cardíacos.
     
    “A sociedade trata a obesidade como uma sem-vergonhice e não como uma doença”, diz.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • ” feito com iPhone combate diabetes com eficácia

    ” feito com iPhone combate diabetes com eficácia

    Dispositivo injeta automaticamente insulina e glucagon na quantidade certa.
    Bombas de insulina disponíveis hoje exigem intervenção do paciente.
     
    Um iPhone modificado com um sensor e conectado a uma agulha inserida no paciente mostrou-se eficaz em manter os níveis de açúcar em pessoas com diabetes tipo 1, revelou um estudo publicado nos Estados Unidos.
     
    Ao contrário das bombas de infusão de insulina normalmente usadas, este novo aparelho, construído a partir de um iPhone, injeta insulina e glucagon (hormônio que eleva o nível de glicose no sangue quando necessário) quase sem intervenção do paciente. O “pâncreas biônico” tem um sensor em uma agulha inserido debaixo dele, que controla automaticamente e em tempo real os níveis de açúcar no sangue e injeta insulina ou glucagon em função da necessidade, com a ajuda de duas mini-bombas automáticas.
     
    Este pâncreas artificial permitiu aos pacientes manter o nível correto de açúcar no sangue e, além disso, evitar variações perigosas, explicaram os cientistas do Massachusetts
     
    General Hospital em um estudo publicado este domingo na revista americana “New England Journal of Medicine”.
     
    A diabetes juvenil, ou de tipo 1, se manifesta geralmente na infância ou entre adultos jovens. Trata-se de uma doença crônica causada pelo mau funcionamento do pâncreas, que às vezes é incapaz de produzir a quantidade necessária de insulina.
     
    Melhor do que as bombas tradicionais 
     
    Atualmente, alguns diabéticos tratam a doença com bombas de insulina, que fornecem doses deste hormônio para manter os níveis de glicose controlados. No entanto, essas bombas não se ajustam de forma automática em função das necessidades variáveis do paciente e também não fornecem glucagon.
     
    “O pâncreas biônico reduz o nível médio de glicose no sangue a ponto de reduzir fortemente o risco de complicações diabéticas”, afirmou Steven Russell, professor adjunto de Medicina no Hospital Geral de Massachusetts e co-autor principal do estudo.
     
    “É extremamente difícil para os diabéticos com as tecnologias atuais manter os níveis desejáveis de açúcar no sangue”, acrescentou.
     
    Os cientistas testaram o novo sistema durante cinco dias com 20 adultos que continuaram com suas atividades normais. Também avaliaram o “pâncreas artificial” com 32 adolescentes com diabetes tipo 1 durante cinco dias em um acampamento de férias.
     
    No grupo de adultos, os cientistas constataram uma redução de cerca de 37% das intervenções para corrigir taxas muito baixas de açúcar (hipoglicemia) em comparação às realizadas com uma bomba tradicional. Enquanto isso, no grupo de adolescentes que usou o pâncreas biônico, a redução da hipoglicemia foi mais que o dobro.
     
    Os participantes registraram melhoras claras de sua glicemia com o pâncreas artificial, sobretudo durante à noite.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Jovem paraplégico usa exoesqueleto e chuta bola na abertura da Copa

    Jovem paraplégico usa exoesqueleto e chuta bola na abertura da Copa

    Tecnologia foi desenvolvida por equipe liderada pelo cientista Miguel Nicolelis.
     
    Paraplégico é Juliano Pinto, de 29 anos; treinamento foi na AACD.
     
    Após muito suspense, um paraplégico deu um “chute simbólico” em uma bola de futebol na abertura da Copa do Mundo do Brasil utilizando o exoesqueleto, equipamento desenvolvido pela equipe do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. O chute foi na Arena Corinthians, nesta quinta-feira (12).
     
    O voluntário era Juliano Pinto, 29 anos, que tem paraplegia completa de tronco inferior e membros inferiores.
     
    A cena foi muito rápida. Integrantes do projeto “Andar de Novo” apareceram com o voluntário, que estava em pé e já utilizava o exoesqueleto. Ele deu um passo com a perna direita e movimentou a bola, recolhida por um ator mirim, caracterizado de árbitro de futebol.
     
    Inicialmente, a equipe de cientistas havia divulgado que o voluntário caminharia alguns passos para dar o simbólico “chute inaugural” do campeonato. Segundo o Comitê Organizador da Copa do Mundo, o “pontapé inicial” foi fora do campo de jogo, para não prejudicar o gramado por causa do peso do equipamento.
     
    Nicolelis reclamou do pouco tempo reservado ao “chute simbólico”. “A Fifa nos informou que nós teríamos 29 segundos para realizar um experimento dificílimo. Nunca ninguém fez uma demonstração em 29 segundos de robótica. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Foi um esforço dramático de todas essas pessoas que estão aqui. E nós realizamos em 16”, disse Nicolelis. “Pelo visto, a Fifa não estava preparada para filmar um experimento que vai ser histórico”, completou.
     
    A identidade do voluntário escolhido para dar o chute vinha sendo mantida em segredo. Na abertura, foi revelado que ele se chama Juliano Pinto e tem 29 anos. Ele tem paraplegia completa de tronco inferior e membros inferiores. “Sempre existe um caminho e sempre existe esperança para aquele que acredita e para aquele que sonha”, disse, após dar o pontapé.
     
    Após a demonstração, Nicolelis postou em seu Twitter a frase “We did it!!!!”, que quer dizer, “conseguimos”, na tradução do inglês. Em comunicado de imprensa, Nicolelis informou que “foi um grande trabalho de equipe e destaco, especialmente, os oito pacientes, que se dedicaram intensamente para este dia. Coube a Juliano usar o exoesqueleto, mas o chute foi de todos. Foi um grande gol dessas pessoas e da nossa ciência”.
     
    Mais de 156 pesquisadores de vários países integraram um consórcio responsável pela investigação científica, encabeçado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra (IINN-ELS).
     
    O princípio envolvido no funcionamento do exoesqueleto é a chamada “interface cérebro-máquina”, que vem sendo explorada por Nicolelis desde 1999. Esse tipo de conexão prevê que a “força do pensamento” seja capaz de controlar de maneira direta um equipamento externo ao corpo humano.
     
    No caso do exoesqueleto do projeto “Andar de novo”, uma touca especial vai captar as atividades elétricas do cérebro por eletroencefalografia. Quando o voluntário se imaginar caminhando por conta própria, os sinais produzidos por seu cérebro serão coletados pela touca e enviados a um computador que fica nas costas da veste robótica.
     
    O computador decodifica essa mensagem e envia a ordem aos membros artificiais, que passarão a executar os movimentos imaginados pelo paraplégico. Ao mesmo tempo, sensores dispostos nos pés do voluntário enviam sinais para a roupa especial. A pessoa, então, sente uma vibração nos braços toda vez que o robô tocar o chão. É como se o tato dos pés fosse transferido para os braços, naquilo que Nicolelis chama de “pele artificial”.
     
    Testes
     
    A equipe do projeto está no Brasil desde março, trabalhando em um laboratório montado dentro da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), instituição parceira do “Andar de novo”. Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do projeto, oito pessoas da AACD já testaram o equipamento e, no dia 28 de maio, todos os “objetivos científicos, clínicos e tecnológicos” foram concluídos.
     
    Em 16 de maio, Nicolelis já havia anunciado em sua conta no Facebook a conclusão dos testes com voluntários. “Depois de meses de treinamento, os últimos dois voluntários andaram com a ajuda do exoesqueleto e puderam desfrutar da sensação de andar de novo”, escreveu o neurocientista. O pesquisador batizou o exoesqueleto de “BRA-Santos Dumont I”.
     
    Críticas
     
    Antes de chegar a esse patamar de estudo, Nicolelis publicou em revistas científicas renomadas vários resultados envolvendo mecanismos da interface cérebro-máquina. Em um dos artigos mais recentes, um macaco foi capaz de controlar, só com a “força da mente”, dois braços virtuais ao mesmo tempo. Mas, até o momento, os resultados dos testes do exoesqueleto em humanos ainda não foram publicados.
     
    Segundo a assessoria de imprensa do projeto, os resultados finais serão apresentados nos próximos meses, por meio de publicações em revistas especializadas. Em entrevista à revista científica americana “Science” publicada na semana passada, Nicolelis afirmou que a apresentação no estádio do Corinthians era para a comunidade científica, mas para o público. “A demonstração para a comunidade científica virá em artigos, mais tarde”, completou o brasileiro.
     
    Uma das principais críticas que a comunidade científica tem sobre o “Andar de novo” é o fato de ele captar a atividade cerebral por meio de eletroencefalografia. Anteriormente, Nicolelis pretendia usar eletrodos implantados diretamente no cérebro. Questionado pela revista “Science” sobre essa mudança, o pesquisador respondeu que mudou de ideia depois de observar que os resultados de grupos que exploraram essa tecnologia eram “medíocres”.
     
    “Vimos que tínhamos um novo algoritmo para a eletroencefalografia que poderia fazer mais do que pensei no início”, disse o neurocientista. Ele acrescentou que os implantes de eletrodos realmente funcionam melhor no caso da movimentação dos braços, mas não para locomoção.
     
    De acordo com Nicolelis, essa demonstração é apenas o primeiro passo da pesquisa, que deve continuar a ser desenvolvida para que o exoesqueleto se torne uma alternativa viável de mobilidade para pessoas paralisadas. “Isso é apenas para aumentar a conscientização para o fato de que temos de 20 a 25 milhões de pessoas paralisadas ao redor do mundo, e que a ciência, se devidamente financiada e apoiada, pode fazer alguma coisa. Se começarmos agora – e esse é apenas um chute inicial simbólico – podemos conseguir fazer alguma coisa nos próximos anos.”
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Novo implante ajuda a prevenir perda de visão em diabéticos

    Novo implante ajuda a prevenir perda de visão em diabéticos

    Novo implante ajuda a prevenir perda de visão em diabéticos
     
    Um implante biodegradável capaz de liberar uma medicação dentro do olho de forma gradual, por até seis meses, chegou recentemente ao Brasil e pode ajudar a combater a perda de visão entre pacientes diabéticos.
     
    O dispositivo contém dexametasona, um medicamento anti-inflamatório da classe dos corticosteroides que é capaz de combater o edema macular, acúmulo de líquido na mácula (parte central da retina, na parte posterior do olho).
     
    O edema macular é uma complicação grave entre diabéticos e pode levar à perda da visão. Normalmente, ocorre entre os pacientes que não têm bom controle da glicemia. Isso porque as variações de açúcar no sangue inflamam os vasos sanguíneos, que ficam mais permeáveis. Assim, podem ocorrer vazamentos de líquido para o exterior dos vasos.
     
    O diabetes é a principal causa de cegueira entre adultos de 20 a 65 anos. No Brasil, existem 6 milhões de pessoas com baixa visão e 582 mil cegos, segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
     
    Hoje, o tratamento para o edema macular é feito com laser e injeções bimestrais. Os medicamentos injetados, porém, são menos potentes que a dexametasona, segundo especialistas.
     
    “A substância não é usada nas injeções convencionais porque sua ação é muito rápida, de horas”, diz Paulo Augusto Mello, oftalmologista e consultor da Allergan, que fabrica o Ozurdex, nome comercial do implante.
     
    “Seriam necessárias muitas injeções.”
     
    A principal vantagem do implante, segundo Mello, é a sua tecnologia, que permite o uso por até seis meses do medicamento sem a necessidade de uma nova aplicação.
     
    A implantação do dispositivo ocorre sem cortes, no consultório, com uma injeção que contém o pequeno implante. O paciente toma anestesia local e todo o procedimento dura cerca de 30 minutos. Não é preciso retirar o implante, já que o organismo absorve o material.
     
    “Esse tipo de implante é o futuro do tratamento de doenças oculares”, afirma André Marcelo Vieira Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. “A tendência é que haja mais terapias do gênero.”
     
    O dispositivo já foi liberado nos Estados Unidos e na Europa e, segundo os estudos que levaram à sua aprovação, também é eficaz contra a uveíte não infecciosa (inflamação da úvea, camada média do olho).
    riscos
     
    O implante, porém, não está isento de riscos, que envolvem infecções e o aumento da pressão intraocular. Esse aumento da pressão pode lesionar o nervo óptico, estrutura que transmite os sinais do olho para o cérebro.
     
    “Outro risco é o surgimento de cataratas”, afirma Rubens Belfort Júnior, professor do departamento de oftalmologia da Unifesp. Mas, de acordo com Paulo Augusto Mello, os riscos são mínimos e podem ser previstos.
    Cada aplicação do Ozurdex custa R$ 3.267,94 e não tem a cobertura por planos de saúde. Não há previsão de chegada ao SUS.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Estudo revela funções da placenta na gestação

    Estudo revela funções da placenta na gestação

    Antes considerada estéril, a placenta abriga um mundo de bactérias que pode influenciar o curso da gestação e ajudar a moldar a saúde do recém-nascido e a composição bacteriana de seu intestino, segundo um novo estudo.
     
    A pesquisa é parte de um esforço científico mais amplo que explora o microbioma, os trilhões de bactérias, vírus e fungos que habitam o corpo. Esses organismos afetam a digestão, o metabolismo e outros processos biológicos, podendo desempenhar funções no desenvolvimento de doenças.
     
    Durante a gravidez, segundo os autores do novo estudo, a combinação errada de bactérias na placenta pode contribuir para partos prematuros. A pesquisa é preliminar, mas pode ajudar a explicar por que doenças periodontais e infecções urinárias em grávidas estão associadas a partos prematuros. As descobertas também sugerem a necessidade de mais estudos sobre os efeitos de antibióticos tomados durante a gravidez.
     
    A pesquisa indica que os bebês podem absorver da placenta uma parte importante das bactérias que estarão em seus intestinos. Se confirmada, essa pode ser uma boa notícia para mulheres submetidas a cesarianas. Alguns pesquisadores defendem a tese de que bebês nascidos dessa forma deixam de receber bactérias úteis às quais teriam sido expostos no canal de parto.
     
    “Acho que as mulheres podem ter certeza de que não condenaram o microbioma de seus bebês para o resto da vida”, disse Kjersti Aagaard, autora do estudo publicado em maio na revista “Science Translational Medicine”. Ela acrescentou que ainda é preciso estudar a influência das cesarianas sobre o microbioma.
     
    Faz pouco tempo que as atenções se voltaram para a placenta, órgão que se forma dentro do útero, fornece oxigênio e nutrientes ao feto, remove resíduos e secreta hormônios. “As pessoas estão curiosas com o papel da placenta”, disse Aagaard, da Faculdade de Medicina Baylor e do Hospital Infantil do Texas, em Houston.
     
    Sua equipe observou, em pesquisas anteriores, que os micróbios mais abundantes na vagina não coincidiam com os encontrados nos intestinos de recém-nascidos. Então os cientistas se perguntaram se os bebês poderiam adquirir parte das suas bactérias intestinais antes do parto, talvez da placenta. A equipe analisou placentas de 320 mulheres, comparando a distribuição de 300 tipos de bactérias identificadas com as encontradas em outras partes do corpo. A correspondência mais próxima foi, de longe, entre a placenta e a boca, que, por sua vez, era bem parecida com a existente nos intestinos dos bebês.
     
    O médico David Relman, da Universidade Stanford, na Califórnia, que não estava envolvido no estudo, disse que os resultados vão na mesma linha de pesquisas que encontraram DNA microbiano no líquido amniótico, aparentemente da boca, intestino e vagina da mãe. Aagaard imagina que a bactéria oral percorra a corrente sanguínea até a placenta, para então chegar ao feto.
     
    A ideia encontra eco em algo que os obstetras observam há muito tempo: mulheres com doença periodontal têm um risco maior de partos prematuros ou de conceberem bebês abaixo do peso. Tratar a doença durante a gravidez não diminui o risco. Prevenir a doença ou tratá-la antes da gestação parece ser mais importante.
     
    A pesquisa também revelou que, quando as mulheres tinham infecção urinária, a bactéria aparecia na placenta. Essas infecções aumentavam o risco de parto prematuro. A equipe constatou que o microbioma da placenta em mulheres que completaram os nove meses de gravidez era diferente do encontrado em mulheres que tiveram partos prematuros. Mas os pesquisadores não sabem se a diferença influencia o parto prematuro ou se é apenas uma característica de um estágio prévio da gravidez.
     
    O médico Martin Blaser, do programa de microbioma humano do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York, disse que o estudo é importante, mas preliminar. “Estou interessado nos resultados sobre a boca e também sobre a relação com o parto prematuro”, diz.
     
    Fonte: The New York Times
  • Mosquitos transgênicos abrem nova frente no combate à malária

    Mosquitos transgênicos abrem nova frente no combate à malária

    Técnica foi publicada na revista científica 'Nature Communications'.
    Malária mata mais de 600.000 pessoas ao ano, segundo a OMS.
     
    Biólogos anunciaram nesta terça-feira (10) ter desenvolvido uma nova arma contra a malária, ao criarem mosquitos geneticamente manipulados para produzir principalmente descendentes machos, levando, eventualmente, ao desaparecimento de uma população inteira de insetos.
     
    A técnica de seleção sexual produz uma geração de mosquitos em que 95% são do sexo masculino, enquanto nas populações normais este percentual corresponde a 50%, reportaram os cientistas em artigo publicado na revista “Nature Communications”.
     
    Restam tão poucas fêmeas que a população de mosquitos eventualmente desaba, reduzindo o risco de que os humanos entrem em contato com o parasita da malária, transmitido pelas fêmeas que se alimentam de sangue.
     
    'A malária é uma doença debilitante, com frequência fatal, e nós precisamos encontrar novas formas de combatê-la', afirmou o chefe do estudo, Andrea Crisanti, professor do Imperial College de Londres.
     
    'Achamos que nossa abordagem inovadora representa um enorme avanço. Pela primeira vez, fomos capazes de inibir a produção de descendentes fêmeas em laboratório e isto nos dá novas formas de eliminar a doença', continuou.
     
    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária mata mais de 600.000 pessoas ao ano, sendo as principais vítimas as crianças pequenas da África subsaariana.
     
    Resultado de seis anos de trabalho, o método se concentra nos mosquitos 'Anopheles gambiae', os transmissores mais perigosos do parasita da malária.
     
    'Um trabalho muito legal' 
     
    Os cientistas injetaram uma parte de enzima de DNA no código genético dos embriões de mosquitos machos. Basicamente, a modificação parte em pedaços o cromossomo X durante a produção de espermatozoides na idade adulta.
     
    Como resultado, quase nenhum espermatozoide funcional continha o cromossomo X, que determina descendentes fêmeas. Ao contrário, a maior parte dos espermatozoides carregava o cromossomo Y, que produz machos.
     
    Os mosquitos modificados foram testados em cinco jaulas, cada uma contendo 50 machos geneticamente modificados e 50 fêmeas silvestres normais.
     
    Em quatro das cinco jaulas, toda a população desapareceu em seis gerações devido à falta cada vez maior de fêmeas.
     
    Os mosquitos machos modificados produziram apenas herdeiros machos modificados, que tiveram o mesmo tipo de descendentes até que não sobraram mais fêmeas.
     
    'A pesquisa ainda está no começo, mas estou muito esperançoso de que esta nova abordagem possa, enfim, levar a uma forma barata e eficaz de eliminar a malária de regiões inteiras', declarou um colega de Crisanti, Roberto Galizi.
     
    Em um comentário independente, o especialista Michael Bonsall, da Universidade de Oxford, referiu-se à pesquisa como um 'trabalho muito legal'.
     
    'Isto tem implicações importantes para limitar a disseminação da malária', declarou à Science Media Centre britânica. 'Será muito empolgante ver o avanço desta tecnologia específica', continuou.
     
    Os cientistas já estão fazendo experimentos na natureza com mosquitos 'Aedes aegypti', que transmitem a dengue, e que foram modificados para gerar descendentes que não chegam à idade adulta.
     
    Eles sobrevivem durante apenas uma semana, enquanto mosquitos normais vivem um mês.
     
    O Brasil e a Malásia já soltaram nuvens desses insetos, e em janeiro o Panamá anunciou que também fará o mesmo.
     
    No entanto, estes programas despertam a preocupação de ambientalistas, que chamam atenção para o impacto desconhecido de animais geneticamente modificados no equilíbrio da biodiversidade.
     
    Eles argumentam que se uma espécie de mosquito for eliminada de uma região, isto abriria a oportunidade para uma espécie concorrente – e potencialmente perigosa – vir à tona.
     
    Fonte: G1 Saúde
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    Procedimento pioneiro implanta 'menor marca-passo do mundo'
     
    Novo aparelho tem 26 milímetros de comprimento e dispensa cabo de ligação.
     
    O menor marca-passo do mundo foi introduzido dentro do coração de um paciente do Reino Unido. O aparelho foi empregado, pela primeira vez na Gerã-Bretanha, no Hospital Geral de Southampton. É o segundo procedimento realizado com o novo sistema, que foi implementado também em dezembro de 2013 na Áustria.
     
    Segundo o cardiologista John Morgan, a realização da operação foi um “momento histórico”. Ele disse que o aparelho “não é muito maior do que uma pílula de remédio” e tem um décimo do tamanho dos modelos tradicionais. Este marca-passo mede 26 milímetros de comprimento e pesa apenas duas gramas.
     
    Sem cabo
     
    Marca-passos são aparelhos que usam impulsos elétricos para regular o batimento do coração. Atualmente, eles são inseridos sob a pele e conectados ao coração através de uma ligação.
     
    O cabo transmite os sinais elétricos, mas eles podem ter que ser substituídos devido a fios quebrados ou deslocados.
     
    O novo dispositivo pode ser implantado diretamente no coração e fornece impulsos elétricos a partir de um eletrodo, eliminando a necessidade de uma ligação.
     
    “Além das vantagens do tamanho do dispositivo e da tecnologia sem fio, o procedimento reduz o risco de infecção e o tempo de recuperação prolongado necessário no caso de de implantes de marca-passo tradicionais, que são mais invasivos”, disse Morgan. “Este é um grande passo à frente no tratamento dos pacientes”, acrescentou.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Pílula que evita transmissão de HIV pode gerar nova revolução sexual

    Pílula que evita transmissão de HIV pode gerar nova revolução sexual

    Em 1960, a Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos fez algo surpreendente: aprovou um medicamento contra a infertilidade para o uso oposto: o controle da natalidade. Esse medicamento -logo conhecido simplesmente como “a pílula”- desencadeou a revolução sexual.
     
    Isso, porém, não se deu da noite para o dia. No início, os médicos resistiram a receitar a pílula para mulheres solteiras. As mulheres relutavam em portar provas de que pretendiam fazer sexo. Feministas pioneiras rebateram as calúnias e defenderam o uso da pílula. Algumas das previsões dos moralistas se confirmaram: os índices de gonorreia entre mulheres subiram e efeitos colaterais como coágulos no sangue surgiram. Mas a revolução persistiu.
     
    Para os homens gays -sem mencionar milhões de africanos, usuários de drogas e outros grupos de risco para o HIV-, o mundo está novamente em um momento crucial. A FDA, que aprovou uma droga chamada Truvada para o tratamento contra o HIV em 2004, passou a aprová-la para a prevenção, segundo o método de profilaxia pré-exposição, ou PrEP (sigla em inglês).
     
    Previsivelmente, isso gerou fortes reações contrárias. Alguns homens que usam o Truvada, em vez de preservativos, são chamados de “prostitutos do Truvada”. Oponentes disseram que os altos índices de sífilis e gonorreia entre homens gays iriam piorar.
     
    Mas, mesmo que não se torne aceito pela sociedade, o Truvada será parte de uma verdade maior que surge no campo da medicina especializada em Aids: medicamentos antirretrovirais modernos poderão ser a chave para finalmente reduzir a epidemia.
     
    Em doses profiláticas relativamente pequenas, eles podem proteger pessoas saudáveis contra o HIV. Em doses do tratamento com terapia tripla (“coquetéis” dos três medicamentos), podem fazer as pessoas infectadas ficarem virtualmente livres do HIV.
     
    As evidências de como eles funcionam continuam se acumulando. Amostras de sangue de um estudo do iPrEx em 2010 mostrou que homens gays que tomavam Truvada sete dias por semana reduziram suas chances de infecção em 99%. Um teste em 2011 com casais heterossexuais, em que um só parceiro estava infectado, mostrou que, quando os infectados tomavam seus coquetéis de terapia tripla regularmente, a chance de contaminar seus parceiros era 96% menor.
     
    E, em uma reviravolta surpreendente, foram divulgados em março os resultados preliminares de um estudo envolvendo 767 casais gays e héteros que não usavam preservativos e cujos exames de sangue confirmaram que os parceiros infectados estavam tomando medicamentos. Os casais haviam feito sexo cerca de 30.400 vezes desde o início do estudo, há dois anos, e o HIV não foi transmitido nem uma vez.
     
    Proteção de 96% a 100% é melhor até do que as vacinas mais avançadas. No entanto, certas vacinas protegem durante muitos anos, enquanto as pílulas têm de ser ingeridas diariamente. Algumas mulheres achavam isso complicado com a pílula anticoncepcional, então o mercado nesse setor lançou injeções de efeito duradouro, implantes, DIUs e pílulas “do dia seguinte”. O campo do HIV já está indo nessa direção. Um levantamento realizado pela Universidade de Nova York junto a 200 homens gays descobriu que, se existisse uma dose de Truvada com efeito durante três meses, 79% deles a prefeririam em vez de comprimidos diários.
     
    Até Ruanda está sentindo o efeito. Graças a doadores, 87% dos ruandenses estão fazendo a terapia tripla da qual precisam. As novas infecções caíram 60%.
     
    Ainda há 2,3 milhões de novas infecções por ano no mundo inteiro. O uso disseminado dos medicamentos poderia combater isso, mas obstáculos financeiros prejudicam os países pobres, sobretudo na África.
     
    Atualmente, 10 milhões de pessoas infectadas, de um total mundial de 35 milhões, fazem a terapia tripla. Doadores lutam para aumentar esse número. Mas, para acabar com a epidemia, todos os infectados precisariam da terapia -e provavelmente também precisariam ser incentivados com pequenos pagamentos em dinheiro para tomar suas pílulas diariamente. Ainda assim, o PrEP para a África nem sequer está em discussão.
     
    Fonte: The New York Times