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  • Pesquisa aponta relação entre gene que causa câncer e autismo

    Pesquisa aponta relação entre gene que causa câncer e autismo

    Pesquisadores que olhavam para duas condições aparentemente não relacionadas –autismo e câncer– descobriram que algumas pessoas com o transtorno de comportamento têm mutações em genes ligados ao câncer. Essas alterações podem causar o autismo.

    Cerca de 10% das crianças com mutações em um gene chamado PTEN –que causa câncer de mama, cólon e tireoide e em outros órgãos– têm autismo. Metade das crianças com alterações genéticas que causam alguns tipos de câncer de cérebro e rim também têm o transtorno.

    O achado, porém, poderá ser aplicado a uma pequena parcela de pessoas com autismo; na maioria dos casos, a causa permanece desconhecida. Além disso, nem todos com a mutação desenvolverão autismo ou câncer.

    Fonte: New York Times

  • Termina nesta segunda-feira o prazo de homologação no Mais Médicos

    Termina nesta segunda-feira o prazo de homologação no Mais Médicos

    Prazo vale para brasileiros que fizeram remanejamento e estrangeiros.

    Na terça-feira, lista se médicos e de municípios será publicada em DO.

     

    Termina nesta segunda-feira (12) o prazo de homologação no programa Mais Médicos para médicos brasileiros que participaram do remanejamento e para médicos com registro profissional no exterior.

    Na terça-feira, será publicada a lista de profissionais brasileiros e formados no exterior e seus respectivos municípios no Diário Oficial da União.

    Diante da baixa adesão na primeira rodada de contratações, o Ministério da Saúde decidiu permitir que os profissionais brasileiros que já haviam escolhido um município para trabalhar, mas não haviam homologado a presença ou não foram alocados, pudessem escolher novos locais para atuar. Conforme o ministério, 367 médicos brasileiros voltaram a indicar opções de municípios para trabalhar. Eles também terão até a próxima segunda para confirmar sua participação no programa.

    O foco do Mais Médicos é na atenção básica, ou seja, consultas, tratamento de doenças e prevenção. Procedimentos mais complexos como cesarianas e cirurgias ficarão a cargo de outros médicos, que fazem o chamado atendimento secundário.

    O Mais Médicos teve demanda de 15.460 médicos para 3.511 cidades. Só 938 profissionais brasileiros (6% do total) foram selecionados na primeira rodada, número que deve aumentar com as próximas etapas de seleção.

    Entre os candidatos formados no exterior, 715 foram escolhidos, 194 brasileiros que estudaram fora do Brasil e 521 estrangeiros.

    Fonte: G1

  • IBGE começa nesta segunda coleta para Pesquisa Nacional de Saúde

    IBGE começa nesta segunda coleta para Pesquisa Nacional de Saúde

    Cerca de mil entrevistadores visitarão 80 mil domicílios em 1.600 municípios.

    Pela primeira vez, morador selecionado fará exames de laboratório e pressão.

     

    IBGE lançou, na manhã desta segunda-feira (12), na sede do Centro do Rio, a Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (PNS). Para saber como está a saúde no Brasil e o estilo de vida da população, até novembro, cerca de mil entrevistadores visitarão 80 mil domicílios em 1.600 municípios em todo o país. A pesquisa também tem o objetivo de produzir dados sobre o acesso e uso de serviços de saúde.

    Pela primeira vez, por meio de perguntas e exames, uma pesquisa do IBGE busca conhecer as relações entre o estilo de vida e a saúde da população e produzir informações sobre o atendimento à saúde nas redes públicas e particular. A coleta da PNS começa nesta segunda pelos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Roraima, Amapá e Rio Grande do Sul. Segundo o IBGE, nas próximas semanas, a análise alcançará todas as unidades da federação.

    “Nós ampliamos o questionário. Seguimos no que diz respeito a entrevistar os moradores de domicílio, nos temas de utilização dos serviços de saúde e acesso, mas ampliamos com sorteio de um morador específico, que responderá questionário específico com temas atuais, como acidentes e violências, fatores de risco, deficientes, idosos, uma série de fatores. Eles serão pesquisados”, explicou Debora Malta, diretora de departamento de pesquisa do IBGE.

    Exames de sangue e urina

    A escolha desse morador será feita aleatoriamente pelo computador de mão do agente de pesquisa, no momento da entrevista, informou o IBGE. Na segunda etapa da pesquisa, aplicada em 25% das áreas visitadas, esse mesmo morador cuja idade deve ser superior a 18 anos, selecionado para as medidas antropométricas e de pressão arterial, fará exames laboratoriais de urina e sangue.

    “Agente vai ter a própria medida. Vamos usar o aparelho de pressão arterial. Em âmbito nacional, isso nunca foi feito, essa medida objetiva. A vantagem agora é que antes a gente só tinha a referência da pessoa, ela quem dizia se tinha histórico ou não de determinadas doenças e muitas vezes ela não sabia. A gente não pode dar um diagnóstico, mas pode encaminhá-lo”, explicou.

    O peso e a altura também serão analisados pela primeira nesta pesquisa do IBGE, segundo Cimar Azevedo, da Coordenação de Trabalho e Rendimento do órgão. A realização dos exames laboratoriais, através de sangue e urina, analisará diabetes, colesterol, anemias, anemia falciforme, doenças renais, dosagem do sódio e se a pessoa já teve dengue e de que tipo.

    “Excluímos os triglicérides para facilitar. Vamos fazer somente exames que não necessitam do jejum. Ele pode agendar para diversos horários, não só fazer na manhã, no começo do dia. Não escolhemos a glicemia de jejum. É a primeira vez que a gente realiza o exame de diabetes em escala nacional”, completou Debora Malta, que afirmou ainda que no questionário há perguntas específicas para cada morador da residência.

    A pesquisa domiciliar tem abrangência nacional e será inserida no Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares do IBGE, que contém um núcleo básico comum a outras pesquisas, explicou Cimar Azevedo. No entanto, o órgão ressalta que os resultados dos exames laboratoriais têm sua confidencialidade garantida pela lei de sigilo e só podem ser usadas para fins estatísticos.

    “Uma vez que você fez o cadastramento desses setores, ele não precisa ser repetido. A gente tem com isso uma otimização de recursos e uma melhora de recurso”, afirmou Cimar, que acrescentou que a análise terá três meses de campo e que o questionário levou quatro anos para ser formulado. A previsão é que a pesquisa seja realizada a cada cinco anos.

    “A última pesquisa que foi feito esse tipo de medida foi na década de 80. Faremos pro conjunto da população a amostragem. Uma das metas é a redução da hipertensão arterial. Outra novidade componente de medidas bioquímicas. Vai ser realizado na sequência as medidas antropométricas. E depois, outro conjunto de pesquisadores farão as medidas bioquímicas. Medidas que nunca foram aferidas no contexto nacional, por exemplo, o monitoramento de diabetes. Podemos aferir por um exame de hemoglobina aplicada. Outra meta é a analisa do sal na urina e do sódio. São muitas novidades e a gente conta com a excelência do IBGE na coleta dos dados”, completou Debora Malta.

    Metas

    Ainda segundo ela, entre as metas, está o enfrentamento de doenças crônicas, a redução do tabaco, a redução do sedentarismo, a redução da pressão arterial, deter a diabetes, deter o sedentarismo, reduzir o consumo de sal e aumentar o consumo de frutas, legumes e hortaliças. “Elas serão monitoradas pela Pesquisa Nacional de Saúde. Como faremos a cada cinco anos, poderemos fazer esse monitoramento”, concluiu.

    Teste piloto

    Para garantir a não resistência da população em participar da pesquisa e realizar os exames de sangue e urina, um teste piloto foi realizado em fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Acre, Mato grosso do sul e Sergipe para analisar a receptividade da população.

    “Os entrevistadores se depararam com uma receptividade muito grande em cima desses exames. A estimativa é que avaliação seja realidade em 40 a 90 minutos dependendo de quem está sendo atendido. Se a pessoa é mais idosa ou com problema de saúde, demora mais tempo. O teste não mostrou resistência. A expectativa é que terminando todo o setor, vamos encaminhar pro laboratório que fará as coletas”, garantiu Cimar.

    Feitos os exames, o morador selecionado escolherá como prefere receber os resultados: correio ou disponibilizado pela internet. Durante a coleta, quem apresentar pressão arterial elevada, exames laboratoriais alterados, crises de hipertensão ou dores no peito, receberá orientações para procurar o serviço de atendimento indicado pelo Ministério da Saúde.

    Fonte: G1 Saúde

  • ” picada de mosquito

    ” picada de mosquito

    A empresa americana Sanaria ressuscitou a ideia de um casal brasileiro publicada há 44 anos e imunizou 12 pessoas contra malária com uma vacina experimental. Num dos subgrupos do teste, a eficiência alcançou 100%.

    O trabalho foi publicado ontem na versão eletrônica da revista “Science”. Os líderes do estudo são Stephen Hoffman, da Sanaria, e Robert Seder, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid) dos EUA.

    Trata-se do maior sucesso alcançado, até aqui, na longa e decepcionante luta para prevenir a doença, que em 2010 causou estimadas 660 mil mortes no mundo.

    Outra vacina, da empresa GSK, está em fase mais adiantada de teste, mas só conseguiu entre 47% e 55% de proteção. Para crianças, as principais vítimas, teve resultado ainda pior (33% a 37%).

    No Brasil, a doença está presente sobretudo na Amazônia, mas o número anual de mortes fica na casa das centenas. Isso porque predomina aqui o parasita Plasmodium vivax, menos perigoso que o P. falciparum, que causa a maior parte das mortes na África.

    O produto da Sanaria, apelidado de PfSPZ, emprega o microrganismo inteiro –no seu estágio de vida batizado de esporozoíto– para desafiar o sistema imune humano. A fim de impedir que essa versão do plasmódio desencadeie a doença, os esporozoítos são “nocauteados” (atenuados) com raios X.

    A vacina da GSK (conhecida como RST,S) usa só um pedaço do esporozoíto. Não pode, por isso, causar a doença, e terá vantagens práticas sobre a PfSPZ –se der certo.

    Os brasileiros Ruth e Victor Nussenzweig desenvolveram a técnica de atenuação do esporozoíto com raios X a partir de 1965, quando se mudaram para a Universidade de Nova York. Irradiaram milhares de mosquitos e os puseram para picar recrutas americanos voluntários.

    Conseguiram imunizar os rapazes contra a malária, mas era só uma “prova de princípio”. Não há como vacinar milhões de pessoas assim.

    Hoffman partiu daí e criou um procedimento para obter os esporozoítos e injetá-los, dispensando as picadas. É um processo laborioso, que exige abrir as glândulas salivares dos insetos para coletar os microrganismos.

    Dois anos atrás, Hoffman e Seder testaram a vacina artesanal em humanos e descobriram que injeções subcutâneas não davam resultado satisfatório. Tentaram então, em julho e outubro de 2012, a imunização com injeção na corrente sanguínea (intravenosa), método impraticável em vacinações de massa.

    São esses os resultados relatados agora na “Science”. Um grupo de 40 voluntários recebeu injeções em doses e intervalos variados. Dos seis que receberam cinco injeções e dose máxima, todos acabaram imunizados, assim como seis dos nove inoculados quatro vezes com doses altas.

    Foi só mais uma prova de princípio. Não faltam obstáculos para a PfSPZ se tornar uma alternativa real para combater a malária.

    Primeiro, a Sanaria precisará encontrar uma maneira mais prática de obter os esporozoítos. Depois, provar que o produto funciona com um número maior de pessoas e por mais de um ano.

    Em seguida, terá de demonstrar que a PfSPZ é eficaz contra várias cepas do plasmódio. E, por fim, que pode dispensar o nitrogênio líquido para resfriar a vacina e as injeções intravenosas.

    A luta por uma vacina contra a malária tem vários anos pela frente.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Estrangeiros que atenderam no SUS avaliam desafios do Mais Médicos

    Estrangeiros que atenderam no SUS avaliam desafios do Mais Médicos

    Para médico espanhol que viveu em MT, período de preparação é curto.

    Cubano que trabalhou em RR vê benefício para populações pobres.

     

    As grandes distâncias e o contato com doenças que não estão habituados a tratar serão problemas que os profissionais estrangeiros que vierem trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo programa Mais Médicos terão de enfrentar, alerta o médico espanholJosé María Hernandez, que já atuou no país. Mas, na visão do cubano Josué Jesús Matos, que também já trabalhou no SUS, dificuldades como essas podem ser superadas com estudo, preparação e boa vontade.

    G1 ouviu a opinião dos dois médicos estrangeiros sobre o programa do governo federal que visa ampliar o número de profissionais em municípios no interior e na periferia das grandes cidades e, em alguns pontos, suas avaliações divergem. Formados na Espanha e em Cuba, eles trabalharam vários anos em postos de saúde e hospitais de Mato Grosso e Roraima, respectivamente, e são especializados em medicina da família.

    O espanhol José María Hernandez, que morou oito anos no Brasil, se mostra preocupado com o que os médicos de fora encontrarão no país. “Há patologias que nunca foram vistas na Espanha e são habituais no Brasil. E não falo de coisas estranhas. São problemas de parasitologia, doenças infecciosas”, aponta.

    O cubano Josué Jesús Matos, que trabalhou mais de dez anos no SUS, por sua vez, acha que é possível estudar, relembrar conteúdo da faculdade e se adaptar. “Ele [estrangeiro] vai chegar aqui e vai ter que aprender”, afirma. “Vai estudar a prática para resolver picada de cobra, para tratamento de malária”, exemplifica.

    Seleção

    O Mais Médicos teve demanda de 15.460 médicos para 3.511 cidades. Só 938 profissionais brasileiros (6% do total) foram selecionados na primeira rodada, número que deve aumentar com as próximas etapas de seleção.

    Está previsto para este sábado (10) o anúncio dos selecionados estrangeiros. Eles passarão por um período de três semanas de preparação no Brasil antes de começar a trabalhar, o que deve acontecer ainda em setembro.

    Durante a preparação, eles terão aulas de português, vão estudar o SUS, os procedimentos e medicamentos usados na saúde pública brasileira, e estarão sob avaliação.

    Cumprida essa etapa, os estrangeiros irão trabalhar. Cada médico terá um supervisor vindo de uma universidade federal que fará visitas periódicas – ainda não há definição sobre a frequência desses encontros. O supervisor também ficará à disposição para tirar dúvidas por telefone ou internet, segundo o ministério.

    O foco do Mais Médicos é na atenção básica, ou seja, consultas, tratamento de doenças e prevenção. Procedimentos mais complexos como cesarianas e cirurgias ficarão a cargo de outros médicos, que fazem o chamado atendimento secundário.

    Da Espanha para MT

    José María Hernandez morou no Brasil de 2002 a 2010. Passou a maior parte do tempo em Mato Grosso. Trabalhou no interior do estado, em São Félix do Araguaia, e na capital, Cuiabá.

    Atendeu como médico no Programa de Saúde da Família (PSF), em postos de saúde, em hospitais e deu plantão em pronto-socorros. Deu aulas em Mato Grosso e em Cacoal (RO). Atualmente, está na Espanha, mas pretende voltar ao Brasil.

    Hernandez diz que a imersão de três semanas é muito pouco tempo para que um médico estrangeiro se familiarize com doenças encontradas com frequência no interior do país, como malária e infecções por vermes.

    “Mato Grosso, por exemplo, é o estado com mais hanseníase no Brasil. Na Espanha temos um caso por ano. Aqui não existem parasitoses, e o vírus da dengue não circula.”

    Cubano foi para Roraima

    Já para o médico cubano Josué Jesús Matos, que atendeu pelo SUS por mais de 10 anos em Roraima, o Mais Médicos será positivo para as populações mais pobres no interior. Ele avalia que os estrangeiros terão dificuldades com o idioma no início, mas que, com o tempo, devem se adaptar.

    Matos afirma que o currículo dos cursos de medicina em geral inclui conhecimentos básicos de doenças tropicais, como malária e leishmaniose. “Em seis anos você estuda todas as doenças, noções básicas nós temos. Malária em Cuba, por exemplo, está erradicada”, aponta ele.

    O médico veio ao Brasil pela primeira vez em 1997, por meio de um convênio entre o Brasil e seu país, quando era estudante universitário, e ficou até 2001. Casou-se com uma brasileira e voltou a Havana, onde permaneceu por um ano – em 2002, decidiu instalar-se em Mucajaí, município de 15 mil habitantes a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, capital roraimense, onde está até hoje.

    Tanto o espanhol quanto o cubano fizeram a revalidação do diploma. Matos foi eleito prefeito de Mucajaí em 2012 e, desde então, não atende pelo SUS. Já Hernandez está na Espanha desde 2010.

    Diferenças na formação

    Hernandez mostra-se preocupado com a falta de experiência dos médicos espanhóis em tratar doenças recorrentes no interior do Brasil, como dengue e malária. Segundo ele, a formação em medicina de saúde da família na Espanha é focada no risco de problemas cardíacos, na prevenção do diabetes e na pneumologia. Os outros casos são encaminhados a especialistas.

    “Ninguém aqui [na Espanha] trabalha com hanseníase [na atenção primária]. A tuberculose é tratada por um infectologista. Os pediatras cuidam das crianças até os 14 anos. Aqui, um médico da família não trabalha com crianças de dois meses. No Brasil, o médico vai encontrar crianças recém-nascidas, gravidez de meninas de 15 anos, o que seria atribuição de um ginecologista.”

    Uma das saídas, na opinião do cubano Matos, está em se preparar e estudar a fundo as doenças que vão ser encontradas no Brasil e que foram vistas pelo médico em sua formação. “Uma vez que chegue e veja quais as doenças fundamentais do país, o médico vai estudar e relembrar o que já sabia”, avalia.

    O médico cubano lembra que encontrou um surto de malária quando veio ao Brasil. “Quando cheguei aqui [em Mucajaí], nunca tinha tratado um paciente com malária. Em 1997, havia um surto e a média era de mil pacientes com a doença por mês. Estudei malária, me dediquei, fiz capacitação do governo e pronto, tudo começou a caminhar”, diz.

    Críticas

    As críticas de Hernandez aproximam-se às de boa parte dos órgãos da categoria no Brasil, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), que se opõe a que médicos estrangeiros trabalhem no Brasil sem passarem pelo processo de revalidação de diploma. O Mais Médicos exige apenas que os profissionais estejam habilitados a trabalhar em seus países de origem.

    Até a questão geográfica pode ser um complicador, na opinião do espanhol. Pelo tamanho continental do Brasil, os conceitos de “longe” e “perto” de um estrangeiro dificilmente se aplicarão aqui.

    “As distâncias são muito grandes, e você não pode simplesmente encaminhar numa ambulância uma pessoa que vai demorar 24 horas para chegar num hospital onde há recursos para resolver [o problema do paciente]. Essa situação não existe na Espanha: você sempre tem um hospital a meia hora de distância.”

    Brasileiros primeiro

    Para Matos, o projeto do governo é positivo e acerta ao priorizar os brasileiros, para então convocar estrangeiros. A proposta pode “humanizar” mais a profissão e ajudar na medicina preventiva, acredita. “Há que se priorizar o médico brasileiro. Ele tem que conhecer o ser humano, conhecer o Brasil, para que o país tenha uma cobertura de 100% para a saúde e não só profissionais concentrados nas grandes cidades”, diz.

    A ideia de que os profissionais vão atender em locais isolados e longe de centros urbanos não corresponde totalmente à realidade, na avaliação do médico. Ele conta que, quando chegou a Roraima, em 1997, vindo com seus colegas de universidade, imaginava um local sem condições. “Estávamos preparados para o pior, mas não foi isso que encontramos. Encontramos tudo normal. Acho que os médicos estrangeiros vão enfrentar uma situação parecida, terão que conhecer [a região em que vão atender]”, diz.

    Para o prefeito de Mucajaí, é importante que o governo deixe claro aos estrangeiros onde e em quais condições eles irão atender, e que sejam dadas orientações quanto ao trabalho a ser realizado. Boa parte das vagas do Mais Médicos estão abertas em regiões próximas a grandes cidades, de acordo com os dados do Ministério da Saúde.

    Sem cirurgias?

    O programa seleciona profissionais para atuar na atenção básica – por isso, Matos aponta que o trabalho não deve envolver cesarianas, cirurgias e procedimentos do atendimento secundário. O médico afirma que o trabalho no Mais Médicos vai ser essencialmente de prevenção e de controle de doenças diversas, desde hanseníase e malária até diabetes, hipertensão e hepatite.

    “Esse programa precisa da boa vontade dos profissionais, equipamentos básicos para medir a pressão, estetoscópio, um sonar para auscultar o bebê, uma balança para acompanhar o peso da grávida. Precisa de recursos mínimos, não precisa de [aparelho de] raio-X” , diz.

    Já o médico espanhol diz que a realidade pode ser bem diferente do que o programa propõe. Segundo ele, em cidades do interior, o médico que seria responsável pelos procedimentos mais complexos muitas vezes não fica à disposição e se dedica a outras atividades.

    “Existe o médico que vai para o posto de saúde por duas horas e depois vai para sua clínica privada. (…) Às vezes você se encontra num povoado de 5 mil habitantes e há cesarianas para serem feitas. Precisam de um cirurgião, e você está sozinho. Isso é uma realidade constante. Trabalhei no Pronto-Socorro de Cuiabá e, em mais de um plantão, eu cheguei e era o único clínico que havia porque os outros dois companheiros simplesmente não apareciam”, critica.

    Comunicação

    O agente comunitário de saúde será fundamental na comunicação com o paciente, diz o médico espanhol. Quando trabalhava no Brasil, ele contava com esses profissionais para entender queixas, sintomas e explicar o tratamento.

    “Em atenção básica, o paciente precisa receber educação sanitária. O pessoal humilde, carente, sempre olha para o médico com medo e desconfiança. Se é um médico com uma fala enrolada, a informação se perde, e o paciente não retém nada do que foi explicado”, argumenta.

    Com relação ao idioma, o médico cubano diz que os estrangeiros irão sofrer no início, mas que isso não deve ser impeditivo – em alguns meses eles já devem estar adaptados. “Passei por essa situação”, diz ele. “O meu idioma é o espanhol, eu cheguei em 1997 sem nenhum tipo de conhecimento do português.”

    “Nos primeiros meses foi difícil, mas foi rápido. Em três meses estávamos entendendo bem, consultando no interior”, recorda-se Matos. “Se o médico que vai vir [pelo programa] tiver uma preparação básica em português, de três a seis meses antes, é muito melhor.”

    Adaptação

    Apesar de ver dificuldades na adaptação dos profissionais estrangeiros no Brasil, o médico espanhol acredita que o resultado poderá ser positivo. “A formação em medicina de família na Espanha é de muito falar com o paciente, de muito tocar o paciente. Os pacientes percebem rapidamente que não é um médico que simplesmente olha a cara, prescreve e manda embora em dois minutos. E isso a população agradece.”

    Pedido de médicos

    Dez profissionais foram solicitados pelo município de Roraima através do programa Mais Médicos, afirma Matos. Eles devem complementar o trabalho de seis equipes de saúde da família que já têm médico, enfermeiro e demais profissionais e estão completas na cidade.

    Fonte: G1 Saúde

  • Carpete, pelos de animais e perfume estão entre os principais vilões da rinite alérgica

    Carpete, pelos de animais e perfume estão entre os principais vilões da rinite alérgica

    Doença é uma das que mais acometem brasileiros; sintomas vão de coceira a coriza

     

    Conhecer os sintomas e fazer o tratamento correto é essencial não só para combater a rinite alérgica, mas também para prevenir diversas outras doenças, de acordo com a pediatra Ana Paula Moschioni Castro, diretora da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia). Segundo a especialista, a doença é uma das que mais atinge a população brasileira e mundial. Cerca de 40% das pessoas no País sofrem como esta alergia.

    — A rinite é uma doença subvalorizada. Ela provoca asma, sinusite, e até mesmo distúrbios no sono, já que a boca fica aberta e a concha nasal [região do nariz] cresce e parecem dois feijões.

    De acordo com a médica, os principais sintomas são espirros, coriza e coceira no nariz. Apesar de ela ser muitas vezes confundida com gripe e resfriado, há uma simples maneira de se descobrir a presença ou não da rinite alérgica.

    — Em geral, as doenças alérgicas são repetitivas. Ou seja, se você entra em um ambiente e espirra, espirra e espira, pode pensar ser um resfriado, mas resfriado tem começo, meio e fim. Se você novamente entra em um local e espirra de novo, tem que ficar atento. Além da repetitividade, é necessário verificar o histórico familiar e procurar um médico, já que alergias têm carga genética.

    Apesar de não ter cura, é uma doença que tem como prevenir e controlar. Segundo Ana, basta “evitar aquilo que te faz mal” e usar tratamentos médicos que, de acordo com ela, são “totalmente seguros”.

    — Os ácaros, pelos, urina e fezes de animais, baratas, fungos, cheiros de perfumes, fumaça, poluição podem desencadear a rinite alérgica. Muita gente não sabe, mas o ácaro morto também provoca alergia. Quem tem rinite não deve ficar em um ambiente com carpete e bolor, por exemplo. Claro que esterilizar o local não vai curar o problema porque não tem cura, mas também não é possível liberar tudo.

    Tratamento correto

    Segundo a médica, a qualquer sintoma da doença, é importante procurar orientação com um profissional para tratar o quadro com o remédio correto.

    — O brasileiro tem mania de tomar antiinflamatório para quaisquer sintomas. Um diagnóstico inadequado fará a pessoa seguir um tratamento incorreto. Se a pessoa tomar um remédio errado, poderá ter um efeito adverso e até mesmo desenvolver alergias.

    Fonte: R7 Saúde

     

  • FELIZ DIA DOS PAIS

    FELIZ DIA DOS PAIS

    Existe um homem que se esmera no comprimento do dever para dar bom exemplo: que fica humilde, quando poderia se exaltar, que chora à distancia, a fim de não ser observado,que com o coração dilacerado se embrutece para se impor como um juiz inflexível, que na ausência usam-no como temor para evitar uma ação menos correta, que quase sempre é chamado de desatualizado, que apenas fisicamente passa o dia distante, na labuta, por um futuro melhor, que ao fim da jornada avidamente regressa ao lar para levar muito carinho e, às vezes, pouco receber, que está sempre pronto a ofertar uma palavra orientadora ou relatar uma atitude benfazeja que possa ser imitada, que muitas vezes passa noites mal dormidas a decifrar os segredos da vida, quando extenuado, ainda consegue energias para distribuir energias, que é tão humano e sensível, por isso, normalmente, sente a ausência do afeto que lhe é dado raramente e de forma pouco comunicativa, que vibra, se emociona e se orgulha pelos feitos daqueles que tanto ama. Esse homem, geralmente, se agiganta e passa a ser o valor inexorável quando deixa de existir para sempre. Nunca perca, pois, a oportunidade de devotar muito carinho e amizade àquele que é seu melhor amigo: SEU PAI.

    Essa é a homenagem do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas à todos os Pais!

  • Mulheres que amamentam têm menor risco de Alzheimer, indica estudo

    Mulheres que amamentam têm menor risco de Alzheimer, indica estudo

    Pesquisas anteriores já mostravam que amamentar diminuía a chance de a mulher desenvolver outras doenças.

     

    Mães que amamentam seus filhos têm um risco menor de desenvolver Alzheimer, segundo um estudo recém-publicado pela Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.

    A pesquisa também indicou a possibilidade de haver uma ligação mais ampla entre os dois fatores, já que amamentar pode pode atrasar o declínio da condição cognitiva da mulher.

    Estudos anteriores já mostravam que a amamentação reduzia o risco de a mãe desenvolver outras doenças, mas esse é o mais indicativo no que diz respeito a transtornos cognitivos.

    O estudo mostra que alguns efeitos biológicos da amamentação podem ser os responsáveis pela redução do risco de se desenvolver a doença.

    Os pesquisadores estabeleceram três comparações hipotéticas, entre mulheres que amamentaram e outras que não amamentaram ou amamentaram menos, e verificaram reduções potenciais de até 64% no risco de as primeiras desenvolverem Alzheimer em relação às segundas.

    Eles advertem, porém, que não é possível quantificar com exatidão a redução potencial do risco de Alzheimer, por conta do grande número de variáveis envolvidas – como tempo de amamentação, histórico de saúde da mulher, número de gravidezes e casos de Alzheimer na família, entre outras.

    Progesterona e insulina

    Segundo uma das teorias levantadas pelos pesquisadores de Cambridge, amamentar priva o corpo do hormônio progesterona, para compensar os altos níveis de protesgerona produzido durante a gravidez.

    A progesterona é conhecida por dessensibilizar os receptores de estrogênios no cérebro – e o estrogênio tem um papel importante na proteção do cérebro contra o Alzheimer.

    Outra teoria se baseia no fato de que amamentar amplia a tolerância da mulher à glicose, restaurando sua tolerância à insulina após a gravidez, um período em que há uma redução natural da resistência à insulina.

    E o Mal de Alzheimer é caracterizado justamente pela resistência à insulina no cerébro (e consequentemente à intolerância à glicose), tanto que o mal de Alzheimer algumas vezes é chamado de diabetes tipo 3.

    Histórico de demência

    Publicada no “Journal of Alzheimer's Disease”, a pesquisa analisou 81 mulheres britânicas entre 70 e 100 anos, incluindo mulheres que sofriam ou não desse tipo de demência.

    Apesar de os cientistas terem estudado o caso de um grupo pequeno de mulheres, eles garantiram que isso não interfere no resultado da pesquisa, dados os fortes indícios da correlação entre amamentar e os riscos de se desenvolver Alzheimer.

    Eles disseram, no entanto, que a conexão entre os dois fatores foi bem menos presente em mulheres que já tinham um histórico de demência na família.

    Com base nos dados coletados com as mulheres estudadas, os pesquisadores formularam três casos hipotéticos para indicar o potencial de redução do risco de Alzheimer pela amamentação:

    No primeiro caso, na comparação de duas mulheres idênticas, uma que tivesse amamentado por 12 meses teria um risco 22% menor da doença em relação à outra que amamentou por 4,4 meses.

    No segundo, uma mulher que tenha amamentado por oito meses após uma gravidez teria um risco 23% menor do que uma mulher em condições idênticas, mas que tenha amamentado por seis meses após três gestações.

    No terceiro caso, a redução verificada foi de 64% para uma mulher que tenha amamentado em relação a outra idêntica que não tenha amamentado.

    'Doença devastadora'

    A pesquisadora Molly Fox, que conduziu o estudo juntamente com os os professores Carlo Berzuini e Leslie Knapp, disse esperar que a pesquisa sirva para estimular outras sobre a relação entre o risco de doenças e o histórico reprodutivo de mulheres.

    Fox espera ainda que as conclusões da pesquisa indiquem novos caminhos para lutar contra epidemia global de Alzheimer, especialmente em países em desenvolvimento.

    'Alzheimer é o transtorno cognitivo mais comum do mundo e já afeta 35,6 milhões de pessoas. No futuro, a doença deve atingir ainda mais países onde a renda é mais baixa', disse. 'Então é vital que sejam criadas estratégais de baixo custo e em grande escala para proteger as pessoas contra essa doença tão devastadora.'

    Além disso, o estudo abre novos possibilidades de se entender o que faz alguém suscetível a esse tipo de demência. Também pode servir como incentivo para mais mulheres amamentarem – algo que muitas pesquisas já comprovam que traz benefícios tanto para mãe quando para o bebê.

    Fonte: G1 Saúde

     

  • Crise econômica cria superavit de tapas e gritos em casa

    Crise econômica cria superavit de tapas e gritos em casa

    Criança sofre, todo mundo sabe. Também é óbvio que elas sofrem mais em época de crise, como na recessão americana de 2008 e 2009, nas mãos de mães estressadas. Mas será que todas sofrem da mesma maneira?

    Não, responde um estudo publicado na revista “PNAS”, da Academia de Ciências dos EUA. Sofrem mais não os filhos de mães desempregadas, mas de mães portadoras de uma variante de gene associada com impulsividade.

    Mais contraintuitivo ainda é outro achado do trabalho realizado em quatro universidades americanas (NYU, Princeton, Columbia e Penn State): quando a situação econômica melhora, essas mães impulsivas protagonizam menos episódios de agressão verbal e física contra filhos do que as portadoras da outra versão do gene.

    “Nosso estudo demonstra que os impactos dos genes e do ambiente não atuam independentemente, mas são deflagrados um pelo outro, pelo menos no que se refere ao comportamento materno abusivo”, diz Dohoon Lee, primeiro autor do artigo.

    Para chegar a essas conclusões, o grupo usou dados do Estudo sobre Famílias Frágeis e Bem-Estar Infantil (FFS), de Princeton e Columbia, que acompanha 5.000 crianças nascidas entre 1998 e 2000 em 20 cidades americanas.

    As mães foram entrevistadas sobre como tratavam os filhos quando eles tinham 3, 5 e 9 anos. O comportamento materno agressivo foi classificado com uma escala padronizada que abrange abusos verbais (como gritos) e físicos (como tapas e surras).

    Amostras do DNA das mães foram colhidas e testadas para verificar qual versão do gene DRD2 elas tinham. A proteína correspondente a esse trecho de DNA participa do controle dos níveis de dopamina no sistema nervoso, um neurotransmissor que ajuda a regular reações emocionais.

    A variante T do gene está associada com temperamentos impulsivos. A CC, com pessoas mais controladas.

    ANSIEDADE E ESTRESSE

    Esse conjunto de informações sobre variação do comportamento e predisposição genética foi então cotejado com dados sobre a situação econômica em cada uma das 20 cidades, como taxa de desemprego e índice de confiança do consumidor.

    Constatou-se o esperado, que sobram mais gritos e tapas para as crianças quando a economia piora, mas com algumas peculiaridades. A correlação mais forte não se dá com o nível de desemprego, e sim com seu aumento.

    “As pessoas podem ajustar-se a circunstâncias difíceis quando sabem o que esperar, enquanto o medo ou a incerteza sobre o futuro são mais difíceis de lidar”, afirma Sara McLanahan, de Princeton, coautora do artigo.

    O economista e escritor Eduardo Giannetti opina que o estudo na “PNAS” acrescenta uma dimensão ao custo de uma grande recessão que não está sendo computada –“e ela é considerável”.

    QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

    Giannetti ressalva que a variável de maior impacto, nas pesquisas de bem-estar subjetivo, é o nível de desemprego, como fator de depressão, ou até de suicídios. “Mas a economia comportamental leva muito a sério a percepção, que pode dominar o modo como a pessoa reage.”

    “O senso comum liga o estresse à sobrecarga, por exemplo de trabalho. Na verdade, do ponto de vista da resposta, tem mais a ver com a percepção de falta de controle da pessoa sobre o que lhe acontece”, afirma Marina Rezende Bazon, do Departamento de Psicologia da USP de Ribeirão Preto.

    Especialista em abuso parental, Bazon explica que o agressor típico é uma pessoa impulsiva, que impõe regras rígidas à criança e reage mal quando esta não as segue, o que toma por provocação. Seu nível de irritabilidade é maior, o que pode ser explicado por fatores biológicos.

    O curioso é que, nos períodos em que a economia melhora, ocorre uma inversão. Mães impulsivas se tornam menos propensas ao abuso do que as menos impulsivas.

    ORQUÍDEAS E DENTES-DE-LEÃO

    Mitchell Ginsberg, coautor do artigo, diz que ele reforça a hipótese “orquídeas e dentes-de-leão”.

    As mães portadores do alelo (variante) T, sensíveis como orquídeas, murcham em ambientes pobres. As demais, robustas como dentes-de-leão, florescem em qualquer lugar.

    Para Sara McLanahan, outra coautora, não se deve falar em genes “bons” ou “ruins”. Dohoon Lee recomenda “extrema cautela” na interpretação dos resultados. Ele não vê sentido em pesquisar quais variantes do gene DRD2 as mães carregam no DNA.

    Para Eduardo Giannetti, pesquisas sobre comportamento e biologia criam dilemas de política pública. Por exemplo: numa situação econômica hostil, e sabendo quem é vulnerável, caberia dar proteção extra às crianças?

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Chocolate pode prevenir declínio da memória

    Chocolate pode prevenir declínio da memória

    Um estudo com pessoas acima de 60 anos sem sintomas de demência mostrou que duas xícaras de chocolate quente melhoraram o fluxo sanguíneo no cérebro e melhorou a memória. O estudo foi publicado no periódico “Neurology”.

    Esta não é a primeira vez que o cacau é relacionado com a saúde vascular, e pesquisadores acreditam que isto é em parte devido a ele ser rico em flavonoides.

    No estudo, pesquisadores pediram a 60 pessoas com média de idade de 73 anos para beber duas xícaras de chocolate por dia – um grupo recebeu cacau com alto teor de flavonoides, enquanto que o outro, baixo teor. Eles não podiam consumir outro tipo de chocolate ao longo do dia.

    Testes com ultrassom no início do estudo mostraram que 17 deles tinham um fluxo insuficiente de sangue no cérebro. Não houve diferença entre aqueles que tomaram chocolate com alto ou baixo teor de cacau. Mas independente da bebida que foi dada, 88% dos que tinham problemas de fluxo sanguíneo começaram a mostrar melhora, inclusive nos testes cognitivos, comparados com 37% das pessoas que tinham fluxo sanguíneo normal no início do estudo.

    Exames de ressonância magnética em 24 participantes mostraram que pessoas com fluxo sanguíneo prejudicado tinham mais propensão a ter pequenas lesões cerebrais.

    – Estamos aprendendo mais sobre o fluxo sanguíneo cerebral e seu efeito nas habilidades de pensamento – afirmou à BCC o autor do estudo, Farzaneh Sorond, neurologista da Escola Médica de Harvard. – Como áreas diferentes do cérebro precisam de mais energia para completar suas tarefas, elas também precisam de maior fluxo de sangue. Esta relação, chamado acoplamento neurovascular, pode ter um papel importante em doenças como a de Alzheimer.

    Os pesquisadores afirmaram que a falta de diferença entre os pacientes que beberam alto ou baixo teor de cacau pode ter ocorrido porque talvez outro componente da bebida possa estar fazendo efeito ou porque apenas pequenas quantidades fossem necessárias.

    – Um tratamento com base no cacau poderia ser popular, mas ainda é muito cedo para formar conclusões sobre os seus efeitos – disse o diretor do centro de pesquisa de Alzheimer no Reino Unido, Simon Ridley.

    Fonte: O Globo