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  • Ministério suspeita que febre zika tem ligação com casos de paralisia

    Ministério suspeita que febre zika tem ligação com casos de paralisia

    Preocupado com os casos de febre do vírus zika, o Ministério da Saúde vai discutir com autoridades sanitárias dos Estados e médicos especialistas uma estratégia para enfrentar e tratar a doença no país. Embora não haja registros de complicações graves ou mortes, há fortes suspeitas da associação entre a infecção, conhecida como prima da dengue, e a Síndrome Guillain-Barré, que provoca paralisia progressiva, iniciando pelos membros inferiores e podendo chegar ao pulmão.
     
    “Houve um aumento importante nos casos dessa síndrome em Estados do Nordeste”, afirmou o diretor da Divisão de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. O fenômeno coincidiu com a elevação dos casos de zika. Equipes de vigilância tentam agora comprovar a correlação entre as duas doenças.
     
    Os pacientes no Nordeste com a síndrome começaram a apresentar os sintomas cerca de duas semanas depois de manifestar um quadro semelhante ao da zika: febre baixa, dores de cabeça, nos punhos e tornozelos, além de manchas pelo corpo. “No caso da síndrome, o tratamento é mais delicado: exige internação e pode durar períodos longos”, contou o diretor. A síndrome ocorre geralmente em pacientes que apresentaram infecções. “Pode acontecer até com um vírus da gripe”, disse.
     
    Depois de infecções agudas, aparentemente o organismo deixa de reconhecer as próprias células e passa a atacá-las. Os primeiros sintomas da síndrome são fraqueza e dormência. Se a paralisia chega aos pulmões, é necessário usar respiradores. Essas reações, no entanto, são muito raras. “Foi isso que despertou a atenção. O problema, que era esporádico, começou a se tornar um pouco mais frequente”, completou Maierovitch.
     
    A correlação entre o zika vírus e a síndrome de Guillain-Barré já foi identificada em outros países que apresentam também a circulação simultânea do vírus da dengue. Na Micronésia, na Oceania, por exemplo, o número de casos da síndrome saltou de 5 para 20 durante um surto de zika.
     
    Na Bahia, foram pelo menos 76 casos suspeitos de Guillain-Barré e, em Pernambuco, 64. Além de protocolo para tratamento da doença, o Ministério quer alertar Estados para a necessidade de hospitais estarem atentos para um eventual aumento de demanda no atendimento.
     
    Entre as preocupações estão a rápida identificação e o encaminhamento para o tratamento. Uma reunião com coordenadores de Estados e com especialistas deve ser realizada até o início de novembro.
     
    Diagnóstico
     
    Transmitida pelo Aedes aegypti, mosquito que é vetor também da dengue e da febre chikungunya, a febre zika teve os primeiros casos confirmados no Brasil em fevereiro deste ano. Não há um kit comercial para comprovar os casos da doença. Justamente por isso, o diagnóstico muitas vezes é feito com base nos sintomas clínicos. Somente parte dos pacientes apresenta manifestações da infecção: 72% são assintomáticos.
     
    Maierovitch afirmou que atenção especial será dada também para chikungunya. De janeiro a setembro deste ano foram identificados 12.170 casos da doença, nos Estados da Bahia, do Amapá, de Roraima e do Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. “Embora os números tenham sido expressivos, estão longe da explosão epidêmica vivida, por exemplo, em países da América Central nos anos de 2013 e 2014”, ponderou.
     
    Uma das justificativas para maior proteção seria o próprio comportamento do doente: como a doença é mais incapacitante, há maior probabilidade de que pacientes fiquem em casa, recolhidos, expondo-se menos a picadas de mosquito e, consequentemente, reduzindo os riscos de proliferação da doença”, contou o diretor. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Casos no inverno indicam surto de dengue em 2016

    Casos no inverno indicam surto de dengue em 2016

    O Ministério da Saúde não descarta o risco de o País viver em 2016 uma nova epidemia de dengue. Uma das maiores preocupações das autoridades sanitárias é o comportamento que a doença apresentou no inverno, quando tradicionalmente o número de casos chega a quase zero.
     
    “Não constatamos isso neste ano. Houve um número de casos importante em alguns Estados do Nordeste e em São Paulo”, comenta o diretor da Divisão de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch.
     
    Essa alteração no padrão da epidemia pode estar relacionada ao clima. “Este ano teve vários períodos de chuva, intercalados com calor, algo que favorece a proliferação do mosquito”, disse Maierovitch. Os casos registrados durante o inverno também podem ser atribuídos à dimensão da epidemia em 2015. “Como o número de casos era muito alto, leva-se um tempo até chegar a patamares de transmissão próximos de zero.”
     
    Além do comportamento atípico, outra preocupação é com o subtipo de vírus da doença atualmente de maior circulação. Em 2015, a epidemia estava associada sobretudo aos vírus 1 e 4. Se o padrão se repetir, há um risco menor de a epidemia ser nas mesmas proporções da que foi registrada este ano, pois o número de pessoas suscetíveis será menor.
     
    A doença é provocada por quatro subtipos de vírus. A infecção por cada subtipo ocorre somente uma vez. Nos próximos dias, deverá ser divulgado um levantamento de infestação pelo mosquito Aedes aegypti.
     
    Vacina
     
    O Instituto Butantã concluiu a fase 2 da pesquisa contra dengue e aguarda sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Comissão de Ética em Pesquisa para iniciar a vacinação de 17 mil voluntários para a fase 3 dos estudos. A expectativa do instituto é de que o aval seja dado nos próximos dois meses. A fase 3 avalia a resposta imunológica e eficácia do produto e deve ser iniciada ainda neste ano.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • USP diz que cápsulas contra o câncer serão enviadas a pacientes por correio

    USP diz que cápsulas contra o câncer serão enviadas a pacientes por correio

    Universidade distribuía até senhas por causa da procura em São Carlos (SP).
    Usada no tratamento do câncer, fosfoetanolamina teve entrega liberada.
     
    O Insituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, divulgou um comunidado informando que a fosfoetanolamina sintética não será mais entregue no prédio do instituto e vai ser enviada pelos Correios para os pacientes com liminares, após a notificação judicial. A substância, que ainda não foi testada clinicamente e não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi desenvolvida por pesquisadores da instituição e vem sendo solicitada por pessoas com câncer. 
     
    Depois da liberação da entrega da substância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), na última sexta-feira (9), cerca de 1 mil pessoas procuram pelas cápsulas e, com filas, foi necessário até a distribuição de senhas.
     
    O aviso informa que “sob nenhuma hipótese será feita a entrega da fosfoetanolamina no IQSC”. Com isso, os pacientes com decisões judiciais terão que aguardar o recebimento em casa. “Uma vez expedida a liminar, o IQSC será notificado através do Oficial de Justiça e encaminhará a substância via sedex/AR no endereço constante na petição inicial. O serviço do correio será cobrado do destinatário”, explicou.
     
    Produção da substância
     
    A alta demanda já preocupa a universidade que divulgou um comunicado no site informando que não tem condições de produzir a substância em larga escala para atender às liminares, “que serão cumpridas dentro da capacidade da instituição”.
     
    As liminares de 742 pacientes que lutavam pelo tratamento foram suspensas desde o fim do mês passado quando o TJ-SP entendeu que, por não ter sido testada oficialmente em humanos, a substância não tinha efeito comprovado no combate ao câncer. Na quinta-feira (8), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a liberação do composto para uma paciente do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, TJ-SP reconsiderou a primeira decisão e as liminares voltaram a valer.
     
    A fosfoetanolamina não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não passou por todos os testes necessários. Com a decisão do TJ, a USP tem que alertar as pessoas que substância não é um medicamento.
     
    Outras esferas
     
    Na quarta-feira (14), os pesquisadores detentores da patente foram homenageados em Porto Alegre (RS) e também acertaram um programa de cooperação com dois laboratórios estaduais, que devem passar a produzir as cápsulas, hoje feitas apenas na Universidade de São Paulo (USP). O governo estadual gaúcho também deve apoiar o processo para aprovar a substância na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
     
    No dia 1º de outubro, pesquisadores detentores da patente da fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética se reuniram com o senador Ivo Cassol (PP-RO) e os deputados estaduais Roberto Massafera (PSDB-SP) e Rodrigo Moraes (PSC-SP) para discutir a apresentação da substância em uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).
     
    Na sessão extraordinária da CCT realizada na manhã desta terça (6), foi definido que serão convidados para a audiência os pesquisadores e também Jarbas Barbosa da Silva Júnior, diretor presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e Meiruse Sousa Freitas, superintendente de medicamentos e produtos biológicos da agência.
     
    Em âmbito estadual, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que iria avaliar o caso e o gabinete do deputado Rodrigo Moraes (PSC-SP) informou que foi marcada uma reunião com Nalini para pedir a revisão das suspensões. O encontro foi agendado para 26 de outubro.
     
    Entenda o caso
     
    Estudada desde o início dos anos 90, a fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética era entregue gratuitamente no campus da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, mas, em 2014, uma portaria determinou que as substâncias experimentais deveriam ter todos os registros necessários antes que fossem disponibilizadas à população.
     
    Com isso, as cápsulas, que não têm a licença da Anvisa, começaram a ser distribuídas somente mediante decisão judicial. Pacientes com câncer obtiveram liminares estipulando a entrega, porém uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo passou a suspender as autorizações.
     
    O que dizem as instituições
     
    A universidade afirma que não tem capacidade para produzir a substância em larga escala e reforça que a regulamentação é necessária, mesma opinião da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
     
    A entidade diz que não é contra pesquisas, mas aponta que, antes de novas substâncias serem oferecidas como medicamentos, devem passar por estudos amplos que comprovem seus benefícios e a eficácia diante do tratamento que já é oferecido.
     
    A Anvisa, por sua vez, aponta que “não há nenhum processo de pesquisa clínica” para o produto e “não houve por parte da instituição de pesquisa nenhuma iniciativa ou atitude prática no sentido de transformar este produto em um medicamento”.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Antioxidantes podem promover progressão do melanoma, diz estudo

    Antioxidantes podem promover progressão do melanoma, diz estudo

    Supostamente criados para melhorar a saúde das células e retardar o envelhecimento, os antioxidantes poderiam ter um efeito negativo sobre o melanoma, o tipo mais mortal de câncer de pele, facilitando a propagação das metástases – é o que diz um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista britânica Nature.
     
    As metástases são células cancerosas que permitem a um câncer inicial propagar-se para outras partes do corpo.
     
    Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa sobre as Crianças, com sede em Dallas (Estados Unidos), transplantou células humanas de melanoma sobre camundongos transgênicos e descobriu que o câncer se desenvolvia mais rápido entre aquelas que receberam injeções de antioxidantes do que entre aquelas que não haviam recebido.
     
    “Nossos resultados sugerem que os antioxidantes favorecem a progressão da doença, ao menos no caso no melanoma, estimulando as metástases”, concluem os autores no final do estudo.
     
    Esta não é a primeira vez que uma relação entre antioxidantes e desenvolvimento do câncer é colocada em evidência pela equipe. Em 2014, pesquisadores suecos mostraram que o consumo de suplementos alimentares antioxidantes, mais especificamente a vitamina E, acelerava o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas ou cânceres precoces do pulmão nos camundongos e nas células humanas em laboratório.
     
    Estudos mais antigos constatavam um efeito similar de antioxidantes sobre os cânceres de mama e de próstata.
     
    Os antioxidantes, que podem ser encontrados na alimentação (vitaminas A, C e E) mas também sob forma de suplementos alimentares, permitindo neutralizar os radicais livres das moléculas (ou stress oxidativo) responsáveis pelo envelhecimento dos tecidos.
     
    Os pesquisadores pensaram durante muito tempo que as substâncias antioxidantes poderiam ajudar na prevenção do câncer, mas diversos testes clínicos “tiveram que ser interrompidos porque os pacientes que recebiam antioxidantes morriam mais rapidamente do que os outros”, explicou Sean Morrison, principal autor do estudo.
     
    A explicação seria, segundo ele, que as células cancerosas “aproveitariam mais os antioxidantes do que as células normais”.
     
    Até o momento, contudo, o risco de propagação das metástases não foi comprovado nos seres humanos, apenas nos camundongos que receberam injeções diárias de um precursor da glutationa (protetor celular do stress oxidativo).
     
    Este stress oxidativo, considerado nefasto em pessoas saudáveis, poderia – ao contrário – ser bastante benéfico numa pessoa afetada pelo melanoma, explicam os pesquisadores.
     
    Eles explicam ainda que os resultados poderiam abrir o caminho para tratamentos de pró-oxidantes que permitam evitar a propagação de metástases.
     
    “Uma das abordagens possíveis seria mirar o caminho que as células do melanoma usam para sobreviver ao stress oxidativo”, ressaltou Morrison.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Droga da USP não tem ação comprovada contra câncer; Anvisa diz que é ilegal

    Droga da USP não tem ação comprovada contra câncer; Anvisa diz que é ilegal

    A substância fosfoetanolamina, distribuída na USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos por supostamente ser capaz de curar o câncer, não tem comprovação de eficácia contra a doença. Além disso, a sua distribuição à população é ilegal, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
     
    O UOL tentou contatos com a USP na capital paulista e em São Carlos (232 km de São Paulo) na manhã e tarde de quarta-feira (14) e na manhã e tarde desta quinta-feira (15), para explicar como a droga era fornecida para a população e responder à declaração da Anvisa, mas a universidade não se pronunciou. O pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, do Instituto de Química da USP de São Carlos, que fabricou e distribuiu o composto por anos, também não foi encontrado pela reportagem nos telefones celular e residencial.
     
    A substância não pode ser considerada um remédio porque não foi testada oficialmente em humanos, passo essencial para que um composto em estudo comprove que funciona, é seguro e não tem efeitos colaterais. Pessoas recebiam as cápsulas com a fosfoetanolamina, mas, até onde se sabe, não eram acompanhadas para verificar esses parâmetros.
     
    As pesquisas documentadas foram feitas com animais e células humanas in vitro, primeiros passos de qualquer estudo científico. Mas ainda são necessárias várias etapas de estudo para comprovar que ele realmente tem alguma função no tratamento do câncer. A cura seria um passo além.
     
    Sem um estudo oficial, registrado pela Anvisa,  a entrega de cápsulas contendo fosfoetanolamina sintética para fins medicamentosos infringe a lei 6.360/76, segundo a agência. A lei impede a entrega, a venda e industrialização de medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos e correlatos para consumo sem o registro da agência.
     
    “A comercialização, bem como a exposição do produto fosfoetanolamina, estaria em desacordo ao que prevê a Lei nº. 6.360/76, que em seu artigo 12 dispõe:”…nenhum dos produtos de que trata esta Lei, inclusive os importados, poderá ser industrializado, exposto à venda ou entregue ao consumo antes de registrado…”, citou em nota técnica enviada ao UOL.
     
    A Anvisa chama a entrega de “prática irregular segundo os princípios de segurança adotados pelas principais agências reguladoras de medicamentos do mundo”.
     
    Contra a lei
     
    “No caso da fosfoetanolamina, a Anvisa não recebeu qualquer pedido de avaliação para registro desta substância, tampouco pedido de pesquisa clínica, que é a avaliação com pacientes humanos. Isto significa que não há nenhuma avaliação de segurança e eficácia do produto realizada com o rigor necessário para a sua validação como medicamento”, citou na nota.
     
    No entanto, desde que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconsiderou a decisão que proibia a distribuição para alguns pacientes após liminar do STF (Supremo Tribunal Federal), pacientes e parentes formam filas na sede do campus atrás da substância entregue gratuitamente dada a apresentação das liminares (mais de 700 já foram concedidas em primeira instância). 
     
    A distribuição das cápsulas era feita livremente na universidade até uma portaria da USP de 2014, baseada na lei 6.360/76, proibi-la. No entanto, não se sabe por que a USP autorizou a distribuição por tanto tempo da droga, o que sempre foi ilegal pela lei.
     
    Depois da decisão judicial, a USP e o Instituto de Química de São Carlos emitiram notas afirmando que a droga não é um medicamento e que as cápsulas só seriam entregues para quem apresentasse a liminar. De acordo com a IQSC, o estudo capitaneado pelo professor aposentado Cherice foi feito de forma independente por ele. A USP afirmou em nota que os mandados judiciais serão cumpridos, dentro da capacidade da universidade.
     
    “Ao mesmo tempo, a USP está verificando o possível envolvimento de docentes ou funcionários na difusão desse tipo de informação incorreta. Estuda, ainda, a possibilidade de denunciar, ao Ministério Público, os profissionais que estão se beneficiando do desespero e da fragilidade das famílias e dos pacientes”, escreveu em nota.
     
    Segundo o advogado Tiago Matos, diretor jurídico do Instituto Oncoguia, se comprovado que a USP cometeu um ato ilegal, contrariando a legislação, ela pode ser responsabilizada por isso. “Pode ser punição administrativa, criminal, mas quem vai punir é outra história. É delicado”, diz.
     
    Droga sem ação comprovada
     
    A declaração da Anvisa vem ao encontro com a de oncologistas que também afirmaram não haver evidências científicas que comprovem que a droga cura o câncer. Isso porque a substância sequer foi testada em humanos. “É fundamental que sejam feitos estudos controlados em humanos para definir a eficiência, a dose ideal e a segurança de um remédio antes de ele ser usado pela população, o que não ocorreu na pesquisa com o composto de São Carlos”, aponta Maria Del Pilar Estevez Diz, coordenadora de oncologia clínica do Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo).
     
    “Qualquer fármaco que venha a ser usado em pessoas precisa passar por essas etapas. Essa é uma questão fundamental. É no estudo clínico que se tem uma posição mais clara de quais são os benefícios e quais são os riscos do medicamento”, explica a oncologista.
     
    Para Gustavo Fernandes, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, usar uma droga que foi testada somente em animais (diga-se aqui, camundongos) é “altamente perigoso” porque não se sabe sequer se pode melhorar ou piorar a saúde de quem já está doente.
     
    “É muito difícil partir de dados pequenos em animais para uso populacional. É altamente perigoso. Se a população usa essa droga e ela for deletéria, como a gente vai saber? E vai comparar com o que?”, questiona.
     
    Butantan testa em células humanas
     
    Outras pesquisas feitas com a fosfoetanolamina no Instituto Butantan, em São Paulo, testam a substância em tumores de células de mama, de fígado, do pâncreas e dos rins com resultados promissores, segundo o biomédico Durvanei Maria, do laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto.
     
    “Não tenho dúvida que a fosfoetanolamina é eficaz. Ela impede a proliferação de células tumorais, mecanismo conhecido como morte celular programada já que não destrói as células normais, não altera o funcionamento de órgãos e do sistema imunológico”, diz o biomédico.
     
    A maioria dos testes ainda é feito em ratos e camundongos, mas células de humanos já estão sendo testadas e apresentam resultados semelhantes, diz Maria. O objetivo agora, segundo ele, é começar com os testes clínicos. Para isso, se juntou a um grupo de cientistas que se mobilizou para regularizar o uso da droga na Anvisa e nas comissões de ética médica. Diferentemente da USP, a equipe do biomédico não produz cápsulas.
     
    Trocar de tratamento é perigoso
     
    O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica diz entender o “desespero” de pessoas que não vêm mais resultados no tratamento contra o câncer, mas qualquer médico só pode receitar medicamentos cuja eficácia já tenha sido comprovada por determinação do Conselho Federal de Medicina.
     
    “Se houvesse qualquer dado científico que dissesse que essa droga traria benefícios aos humanos, eu poderia considerar o uso. Mas não há nada na literatura sobre isso, então não posso recomendar. Posso dizer que vi alguns pacientes usarem, e não tive percepção de benefício ou malefício, mas isso é uma percepção, não Ciência, então não valida nada”, diz.
     
    Segundo a oncologia clínica do Icesp, deixar o tratamento convencional para adotar o que parece milagroso não é indicado porque pode alterar o resultado do tratamento ou mesmo piorar a saúde já que faltam evidências de que a droga alternativa é realmente eficaz.
     
    “Tem que tomar cuidado já que todas as intervenções podem ter riscos e efeitos colaterais, inclusive as medicamentosas e até de produtos naturais que podem alterar o metabolismo ou os efeitos do tratamento. Os pacientes que estão em tratamento cuja indicação é clara, que temos a ideia do que pode ser esperado, seja de benefícios e de eventos adversos, devem manter esse tratamento”, afirma.
     
    Há interferência da indústria farmacêutica?
     
    Os dois especialistas não acreditam na hipótese levantada nos últimos dias de que a substância não é usada em larga escala por interferência da indústria farmacêutica. 
     
    “A indústria farmacêutica tem o objetivo de dar lucro e sempre que houver um produto promissor ninguém é mais interessado do que ela. Não existe uma pílula mágica, mas um conjunto de intervenções. Seria ótimo se tivéssemos um medicamento, mas o mecanismo da doença é muito complexo, não é um lobby, é uma dificuldade da Ciência em fazer isso, mas estamos progredindo muito nos últimos anos”, afirma Pilar.
     
    Já para Fernandes não há com crer que apenas uma medicação pode curar todos os tipos de câncer porque os genes ativados podem ser diferentes em cada órgão. Da mesma forma que não crê em teorias que acreditam que a cura é escondida porque a doença 'dá mais lucro'. “Não acredito que quem teria a cura de uma doença que mata mais do que guerra mundial esconderia isso por muito tempo. Se existisse, Hitler seria uma pessoa bacana perto dessa ai”, completa Fernandes.
     
    Os pesquisadores da USP São Carlos afirmaram que patentearam a substância para que ela não seja usada pela indústria, que buscaria lucrar com ela. Também foi levantada a hipótese de que as farmacêuticas estariam impedindo o teste em humanos, junto à Anvisa. Mas, segundo o órgão,  não há necessidade de intervenção da indústria farmacêutica para a realização de estudos clínicos. Se uma universidade tiver condições de fazê-lo, basta contatar a agência e mostrar a documentação adequada. “A USP de São Carlos nos procurou para dar detalhes sobre o processo, mas nunca fez o pedido para realizar os testes clínicos, o que é diferente”, informou a agência.
     
    Se é ilegal, porque a Justiça autoriza?
     
    A pergunta que fica é: por que a Justiça libera o uso se a lei comprova a ilegalidade? 
     
    A resposta está na interpretação do juiz que pode optar pelo direito à saúde e à vida garantidos na Constituição ou pela legalidade do ato, que em situações de vida ou morte tende a ficar em segundo plano, explica o advogado do Instituto Oncoguia.
     
    “Há duas correntes de pensamento entre os juízes. Alguns entendem que havendo uma prescrição, a expertise do médico dá crédito e o judiciário se posiciona a favor. Contudo, há alguns que se posicionam com mais cautela e, por não ter registro e prova de eficácia e segurança, não validam a decisão”, explica.
     
    No entanto, Matos crê que a liberação de drogas sem registro e sem estudos clínicos pode “abrir brechas perigosas para a sociedade”. 
     
    “Isso é temerário porque pode abrir brechas para situações além da fosfoetanolamina em casos que podem beirar o charlatanismo, como dizer que chá de cogumelo é bom. Isso pode ser muito perigoso para a sociedade”, afirma.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Cientistas criam 1ª pele artificial que transmite impulsos para o cérebro

    Cientistas criam 1ª pele artificial que transmite impulsos para o cérebro

    Cientistas de uma universidade americana desenvolveram uma espécie de pele artificial capaz de reproduzir a sensação da pele humana.
     
    Um aperto de mão diz muita coisa. Se for fraco, pode transmitir insegurança. Uma saudação firme passa confiança. E é na pele que a gente sente a diferença. Mas quem precisa usar uma prótese não consegue perceber essa nuance.
     
    Foi pensando nisso e em tantos outros gestos do dia-a-dia, que uma equipe da Universidade de Stanford, na Califórnia, criou uma película com a mesma sensibilidade da pele humana.
     
    A chefe da pesquisa, Zhenan Bao, diz que a película “sente” até o carinho mais suave. E que no futuro, terá sensores de temperatura.
     
    Quando tocamos um objeto, a pele envia impulsos elétricos pro cérebro. Quanto maior a pressão, maior é a quantidade de sinais emitidos. Pra reproduzir esse mecanismo, a pele artificial usa pirâmides de borracha minúsculas cheias de tubos de carbono que imprimem nos sensores elétricos a intensidade do estímulo. E são esses sensores que levam a informação até o cérebro.
     
    Os testes com próteses manuais já começaram. O próximo passo é usar o mesmo material da pele artificial em implantes médicos e aparelhos pra monitorar a saúde.
     
    Uma pulseira inteligente poderia medir os sinais vitais, como pressão arterial e batimento cardíaco com alta precisão. A tecnologia também poderia ser usada para detectar uma arritmia do coração em tempo real e enviar o alerta direto pro celular do paciente.
     
    Fonte: G1 – Jornal Nacional
  • Fosfoetanolamina ‘não é remédio’, diz USP sobre substância controversa

    Fosfoetanolamina ‘não é remédio’, diz USP sobre substância controversa

    Obrigada a distribuir composto, universidade estuda denunciar funcionários.
    Rumor de que substância cura o câncer é obra de ‘oportunistas’, diz reitoria.
     
    A reitoria da USP emitiu hoje uma carta dirigida a pacientes de câncer que estão requisitando à universidade cápsulas da fosfoetanolamina, anunciada como cura para o câncer pelo professor de química Gilberto Chierice, aposentado pela universidade. “Essa substância não é remédio”, afirma a reitoria, sugerindo que a propaganda da droga como panaceia é obra de “exploradores oportunistas”.
     
    O comunicado foi uma reação da universidade à decisão judicial que a obrigou a distribuir o composto para doentes de câncer e familiares persuadidos de que a droga teria algum efeito benéfico.
     
    “A USP não desenvolveu estudos sobre a ação do produto nos seres vivos, muito menos estudos clínicos controlados em humanos”, afirma o comunicado. “Não há registro e autorização de uso dessa substância pela Anvisa e, portanto, ela não pode ser classificada como medicamento, tanto que não tem bula.”
     
    A droga vinha sendo inicialmente fornecida de graça por funcionários da USP no campus de São Carlos, mas uma portaria do Instituto de Química restringiu a distribuição. A partir daí, criou-se uma disputa judicial que culminou na liberação da substância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Pessoas têm formado filas todas as semanas para retirar o produto gratuitamente no campus de São Carlos, contrariando a recomendação de vários oncologistas que se pronunciaram sobre o assunto.
     
    Em entrevista ao G1, o pesquisador da USP Salvador Claro Neto, um dos detentores da patente da substância, afirmou que cada cápsula é produzida por menos de R$ 0,10.
     
    ‘Oportunistas’
     
    Mesmo obrigada a distribuir a fosfoetanolamina, a universidade diz que se sentiu no dever de informar o status de pesquisa do composto, por “respeito” aos pacientes.
     
    “É compreensível a angústia de pacientes e familiares acometidos de doença grave. Nessas situações, não é incomum o recurso a fórmulas mágicas, poções milagrosas ou abordagens inertes”, diz o comunicado “Não raro essas condutas podem ser deletérias, levando o interessado a abandonar tratamentos que, de fato, podem ser efetivos ou trazer algum alívio. Nessas condições, pacientes e seus familiares aflitos se convertem em alvo fácil de exploradores oportunistas.”
     
    A universidade também afirma não tem capacidade de produzir a substância na escala com que vem sendo solicitada. A reitoria sugere que a Justiça busque a indústria química caso queira obrigar uma distribuição da fosfoetanolamina em grande escala. “Não há, pois, nenhuma justificativa para obrigar a USP a produzi-la sem garantia de qualidade”, diz o comunicado.
     
    Briga judicial
     
    A reitoria diz que as decições judiciais serão cumpridas, mas vai brigar para revertê-las. “A USP está verificando o possível envolvimento de docentes ou funcionários na difusão desse tipo de informação incorreta”, diz o comunicado. A USP “estuda, ainda, a possibilidade de denunciar, ao Ministério Público, os profissionais que estão se beneficiando do desespero e da fragilidade das famílias e dos pacientes.”
     
    Nada disso exclui, porém, que “estudos clínicos suplementares possam ser desenvolvidos no âmbito desta Universidade”, encerra o comunicado.
     
    Tribunal de Justiça de São Paulo havia inicialmente suspendido a distribuição da substância, mas voltou atrás após uma liminar que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), acatando pedido de uma paciente do Rio de Janeiro que requeria a fosfoetanolamina.
     
    Segundo a sentença do TJ-SP, a substância foi liberada a despeito da incerteza sobre sua eficácia, por uma questão de respeito a liberdades individuais na busca de melhores condições de saúde. “Do ponto de vista jurídico há uma real contraposição de princípios fundamentais”, escreveu o presidente do tribunal, desembargador José Renato Nalini. Para ele, porém, o “maior risco de perecimento é mesmo o da garantia à saúde.”
     
    Fonte: Bem Estar
  • Brasil avança no diagnóstico do câncer de mama

    Brasil avança no diagnóstico do câncer de mama

    Desde a década 90, o mês de outubro tem sido dedicado ao trabalho de conscientização sobre o câncer de mama, tipo mais letal entre as mulheres e que afeta, por ano, mais de 57 mil brasileiras. Este ano, a campanha do Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?”, tem como objetivo desconstruir os mitos associados à doença. Entre os alertas, a importância da detecção precoce, a partir da orientação do médico e da realização da mamografia.
     
    Nos últimos anos, o acesso a exames no Sistema Único de Saúde, assim como tratamento da doença tem sido ampliado gradativamente. De janeiro a junho de 2015 foram realizados 1,8 milhão de mamografias no país, 31% a mais que no mesmo período de 2010 (1,4 milhão de exames). O crescimento é ainda maior, de 51%, quando comparados os exames realizados entre mulheres de 50 a 69 anos (faixa etária prioritária) nos primeiros semestres de 2010 (724.409) com 2015 (1.092.577).
     
    As Regiões Norte e Nordeste foram as que mais registraram crescimento, quando comparado o primeiro semestre deste ano com o mesmo período dos últimos cinco anos. Na Região Norte o aumento foi de mais de 100%, tanto no geral quanto na faixa prioritária, passando de 29.114 para 63.745, no geral, e de 14.376 para 33.963, na faixa prioritária. No Nordeste, o principal aumento foi na faixa prioritária, ampliando em cinco vezes o número de mamografias realizadas, passando de 124 mil para 629.517. No geral, o número de exames saltou de 261.341 para 401.421.
     
    Na comparação com anos fechados, o total de mamografias realizadas na faixa etária prioritária aumentou 61,9% entre 2010 (1.547.411) e 2014 (2.506.339). Já em números totais desses exames, o aumento foi de 41,8% entre 2010 (3.035.421) e 2014 (4.304.619).
     
    O Sistema Único de Saúde (SUS) garante a oferta gratuita de exame de mamografia para as mulheres brasileiras em todas as faixas etárias. A faixa dos 50 aos 69 anos é definida como público prioritário para a realização do exame preventivo pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e seguida pelo Ministério da Saúde baseado em estudos que comprovam maior incidência da doença e maior eficiência do exame.
     
    O rastreamento é uma estratégia de detecção precoce utilizada em políticas públicas para populações-alvo específicas a fim de reduzir a mortalidade por uma determinada doença. Essas diretrizes visam aprimorar a política de atenção ao câncer, garantindo também que todas as mulheres, independente da idade, com pedido médico, façam o exame. Desta forma, o Ministério da Saúde tem garantido investimento crescente na assistência oncológica, com ampliação de 45% dos recursos nos últimos quatro anos, totalizando R$ 3,3 bilhões em 2014.
     
    MOBILIZAÇÃO – Neste Outubro Rosa, a campanha vai enfatizar para as mulheres que buscar informações confiáveis constituem importante estratégia para a detecção precoce e o controle do câncer de mama. Há consenso científico atualmente sobre a influência de fatores comportamentais no desenvolvimento de diversas doenças, inclusive o câncer de mama. Manter uma alimentação saudável, praticar atividade física regularmente e evitar o consumo de bebidas alcoólicas podem contribuir para a redução do risco de desenvolver câncer de mama.
     
    O movimento popular Outubro Rosa é internacional. Em qualquer lugar do mundo, a iluminação rosa é compreendida como a união dos povos pela saúde feminina. Em Brasília, o prédio Central do Ministério da Saúde, o Congresso Nacional e outros monumentos públicos estão iluminados com luzes cor-de-rosa. O movimento também está presente em várias partes do país.
     
    INCA – Para estabelecer e fomentar a comunicação com as mulheres e a população sobre o câncer de mama, a campanha do INCA deste ano vai contar com cartaz, filipeta, e hotsite (www.inca.gov.br/outubro-rosa), além de inserções nas mídias sociais do Ministério da Saúde (facebook, twitter e Blog da Saúde).
     
    Outra ação de comunicação promovida pelo Instituto é a exposição “A Mulher e o Câncer de Mama no Brasil”, que aborda aspectos históricos, médicos e culturais das mamas, com atenção especial ao câncer e à evolução das ações para o seu controle no Brasil. Iniciativa do INCA e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a mostra é composta por 22 painéis que serão dispostos no Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro em parceria com o Consórcio BRT.
     
    A exposição também conta com uma versão digital que pode ser exibida em eventos e iniciativas de mobilização. Os interessados devem entrar em contato com o INCA pelo e-mail [email protected] e fazer a solicitação do material.
     
    Autor: Por Amanda Mendes, da Agência Saúde ? ASCOM/MS
  • Com filas, USP distribui senhas para fornecer substância contra o câncer

    Com filas, USP distribui senhas para fornecer substância contra o câncer

    Após a liberação da entrega da fosfoetanolamina sintética para pacientes com câncer pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), na sexta (9), a procura pelas cápsulas foi grande nesta terça-feira (13) na Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. Com filas, foi necessário até a distribuição de senhas.
     
    A alta demanda já preocupa a universidade que divulgou um comunicado informando que não tem condições de produzir a substância em larga escala para atender às liminares, “que serão cumpridas dentro da capacidade da instituição”.
     
    As liminares de 742 pacientes que lutavam pelo tratamento foram suspensas desde o fim do mês passado quando o TJ-SP entendeu que, por não ter sido testada oficialmente em humanos, a substância não tinha efeito comprovado no combate ao câncer. Na quinta-feira (8), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a liberação do composto para uma paciente do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, TJ-SP reconsiderou a primeira decisão e as liminares voltaram a valer.
     
    A fosfoetanolamina não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não passou por todos os testes necessários. Com a decisão do TJ, a USP tem que alertar as pessoas que substância não é um medicamento.
     
    Esperança
     
    O analista de sistemas José Luís Sanches foi um dos pacientes que foram buscar a substância. Ele tirou um tumor da perna, mas agora descobriu nódulos no pulmão. “A minha quimioterapia estava marcada para o dia 16 de setembro e, no começo de setembro, eu comecei a ter contato com esse assunto através das redes sociais. Pesquisei muito, fui muito fundo no assunto. Vou sair daqui e já vou tomar a minha primeira cápsula. Eu tenho três filhos lindos e quero ver meus netos”, disse.
     
    Para a obstetra Lika Campanha, que hoje se dedica a ajudar a irmã com câncer, a senha para retirar a fosfoetanolamina nas mãos tem um grande valor. “Tá aqui. Uma senha número 29, acreditando mais do que nunca. Eu acredito que isso veio me trazer nova esperança, para quem já venceu a literatura”, disse.
     
    A agente de viagem Márcia Antonelli foi ao instituto de química só para dividir com as pessoas a história do sogro. “O médico disse que ele tinha um mês de vida. A gente começou a dar o remédio para ele e ele viveu 10 anos bem vividos. A causa da morte dele não foi o câncer”, destacou.A esteticista Tatiana Cristina Rodrigues foi com o marido buscar o composto para a filha Júlia, de 14 anos. Ela começou a tomar a fosfoetanolamina há 40 dias, depois que o câncer evoluiu. “Tentamos tudo. Quimioterapia, transplante abriu, fechou e deu metástase no abdômen. Há 40 dias eu fiquei sabendo que não tinha mais o que fazer”, afirmou.
     
    O quadro ficou tão grave que até a quimioterapia parou de fazer efeito. “O professor Gilberto mandou a medicação para a Julia. Isso foi numa quarta-feira. A Júlia estava bem debilitada, com diarreia, vômito. Muito ruim mesmo. Ela voltou para a escola na segunda-feira. Isso foi aos poucos, ela começou a ter apetite, ela engordou de 36,7 para 40,1 quilos. A Júlia está muito bem”, disse.
     
    Alta demanda e estrutura da USP
     
    Apesar disso, a preocupação é com a estrutura da USP para atender tantos pacientes. “A nossa preocupação é que haveria um número limitado de cápsulas para a concessão das liminares que estão aqui hoje. São 60 cápsulas por liminar e as pessoas teriam em torno de 15 a 20 dias. As pessoas que estão aqui hoje vão voltar e como é que o Estado vai se posicionar nesse meio agora?”, questionou o advogado Henrique Camacho.
     
    Em um comunicado divulgado no site da universidade nesta terça, a USP informou que “não é uma indústria química ou farmacêutica. Não tem condições de produzir a substância em larga escala, para atender às centenas de liminares judiciais que recebeu nas últimas semanas. Mais ainda, a produção da substância em pauta, por ser artesanal, não atende aos requisitos nacionais e internacionais para a fabricação de medicamentos”.
     
    A USP informou ainda que a substância “está disponível no mercado, produzida por indústrias químicas, e pode ser adquirida em grandes quantidades pelas autoridades públicas. Não há, pois, nenhuma justificativa para obrigar a USP a produzi-la sem garantia de qualidade. Os mandados judiciais serão cumpridos, dentro da capacidade da Universidade”, informou.
     
    A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que a pesquisa, produção e distribuição das cápsulas são realizados pela USP, que é responsável pelo cumprimento das ações judiciais.
     
    Outras esferas
     
    Na última quinta-feira (1º), pesquisadores detentores da patente da fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética se reuniram com o senador Ivo Cassol (PP-RO) e os deputados estaduais Roberto Massafera (PSDB-SP) e Rodrigo Moraes (PSC-SP) para discutir a apresentação da substância em uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).
     
    Na sessão extraordinária da CCT realizada na manhã desta terça (6), foi definido que serão convidados para a audiência os pesquisadores e também Jarbas Barbosa da Silva Júnior, diretor presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e Meiruse Sousa Freitas, superintendente de medicamentos e produtos biológicos da agência.
     
    Em âmbito estadual, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que iria avaliar o caso e o gabinete do deputado Rodrigo Moraes (PSC-SP) informou que foi marcada uma reunião com Nalini para pedir a revisão das suspensões. O encontro foi agendado para 26 de outubro.
     
    Entenda o caso
     
    Estudada desde o início dos anos 90, a fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética era entregue gratuitamente no campus da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, mas, em 2014, uma portaria determinou que as substâncias experimentais deveriam ter todos os registros necessários antes que fossem disponibilizadas à população.
     
    Com isso, as cápsulas, que não têm a licença da Anvisa, começaram a ser distribuídas somente mediante decisão judicial. Pacientes com câncer obtiveram liminares estipulando a entrega, porém uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo passou a suspender as autorizações.
     
    O que dizem as instituições
     
    A universidade afirma que não tem capacidade para produzir a substância em larga escala e reforça que a regulamentação é necessária, mesma opinião da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
     
    A entidade diz que não é contra pesquisas, mas aponta que, antes de novas substâncias serem oferecidas como medicamentos, devem passar por estudos amplos que comprovem seus benefícios e a eficácia diante do tratamento que já é oferecido.
     
    A Anvisa, por sua vez, aponta que “não há nenhum processo de pesquisa clínica” para o produto e “não houve por parte da instituição de pesquisa nenhuma iniciativa ou atitude prática no sentido de transformar este produto em um medicamento”.
     
    Fonte: G1
  • ” está prejudicando memória humana, diz estudo

    ” está prejudicando memória humana, diz estudo

    O uso indiscriminado de tecnologias digitais está enfraquecendo a memória dos seres humanos, revelou uma nova pesquisa.
     
    O estudo, conduzido por uma empresa de cibersegurança sediada no Reino Unido, constatou que as pessoas vêm recorrendo a computadores e dispositivos móveis para guardar novas informações em vez de usar seus próprios cérebros.
     
    Segundo a pesquisa, muitos adultos que ainda se lembravam de números de telefone durante a infância não conseguiam memorizar os números de telefone do trabalho ou de parentes próximos.
     
    Maria Wimber, da Universidade de Birmingham, na região central da Inglaterra, disse que o hábito de usar as máquinas para buscar informação “impede a construção de memórias de longo prazo”.
     
    O estudo, que analisou os hábitos de memória de 6 mil adultos no Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, constatou que mais de um terço dos entrevistados afirmou que recorreria primeiro a computadores e dispositivos móveis para buscar informações do que à própria memória.
     
    Memória externa
     
    A pesquisa revelou que a dependência dos computadores gera um impacto de longo prazo no desenvolvimento das memórias.
     
    “Nosso cérebro parece guardar informações cada vez que tentamos nos lembrar delas, e ao mesmo tempo esquecer aquelas que não são tão importantes”, explica Wimber.
     
    Wimber explica que o processo de memorização de dados é “uma forma muito eficiente para criar uma memória permanente”.
     
    “Por outro lado, buscar informações continuamente na internet não cria uma memória sólida e duradoura.”
     
    Entre os adultos que participaram da pesquisa no Reino Unido, 45% conseguiam lembrar-se do número de casa quando tinha 10 anos, enquanto 29% conseguiam lembrar-se dos números de telefone de seus filhos e 43% conseguiam lembrar-se do número de telefone do trabalho.
     
    A capacidade de lembrar-se do número de telefone do parceiro foi mais baixo no Reino Unido do que em qualquer outro lugar da Europa. Enquanto apenas a metade dos entrevistados (51%) britânicos sabia de cor o número de telefone do parceiro, a proporção na Itália era de 80%.
     
    O estudo, realizado pela Kaspersky Lab, empresa de cibersegurança sediada no Reino Unido, constata que as pessoas se acostumaram a usar computadores como uma “extensão” de seus próprios cérebros.
     
    Trata-se da chamada “amnésia digital”, pela qual as pessoas se esquecem de informações importantes pois acreditam que podem buscá-las imediatamente na internet, informa a pesquisa.
     
    A pesquisa destaca também que há uma tendência cada vez maior de guardar memórias pessoais em formato digital. Fotografias de momentos importantes, por exemplo, deixaram de ser impressas para serem armazenadas somente no universo virtual, com o risco de serem roubadas ou perdidas.
     
    “Existe também o risco de que o registro constante de informação em dispositivos digitais nos torna menos propensos a guardar informações de longo prazo, e até nos distrair de memorizar corretamente um acontecimento da forma como ele ocorre”, afirmou Wimber.
     
    Fonte: BBC Brasil