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  • Pesquisadores testam vírus para reverter formas de surdez genética

    Pesquisadores testam vírus para reverter formas de surdez genética

    Cientistas dos Estados Unidos e da Suíça afirmam que conseguiram reverter alguns tipos de surdez em cobaias com o uso de um vírus.
     
    Problemas no DNA são responsáveis por cerca de metade dos casos de perda de audição na infância.
     
    O estudo com camundongos foi publicado na revista especializada Science Translational Medicine e mostrou que um vírus pode corrigir o problema genético e restaurar parte da audição.
     
    Segundo os especialistas, os resultados poderão levar à disponibilização de um tratamento dentro de dez anos.
     
    A pesquisa se concentrou em analisar os pelos minúsculos dentro do ouvido, que convertem os sons em sinais elétricos que podem ser interpretados pelo cérebro.
     
    Mas mutações no DNA podem fazer com que estes pelos não consigam criar o sinal elétrico, o que leva à surdez.
     
    A equipe de pesquisadores desenvolveu um vírus geneticamente modificado que pode infectar as células dos pelos do ouvido e corrigir este erro.
     
    INJEÇÕES
     
    A nova terapia foi testada em camundongos que sofriam de “surdez profunda”, que não escutariam nada nem mesmo estando em meio a um barulhento show de rock, com níveis de som chegando aos 115 decibéis.
     
    Injeções do vírus modificado nos ouvidos levaram a uma “melhora considerável” na audição, apesar de não ter restaurado aos níveis normais.
     
    Depois do tratamento, os animais conseguiam ouvir o equivalente de ruído dentro de um carro em movimento, ou cerca de 85 decibéis.
     
    Eles também apresentaram alteração no comportamento em resposta a sons durante o período de 60 dias do estudo.
     
    “Estamos muito animados, mas também estamos com um otimismo cauteloso, pois não queremos dar esperanças falsas. Seria prematuro dizer que encontramos uma cura”, disse à BBC Jeffrey Holt, um dos pesquisadores participantes do estudo e que trabalha no Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos.
     
    “Mas em um futuro não tão distante poderia se transformar em um tratamento para a surdez genética. Então, esta é uma descoberta importante”, acrescentou.
     
    A equipe afirmou que a pesquisa ainda não está pronta para o início de testes clínicos em humanos.
     
    Eles querem provar que o efeito é duradouro. Por enquanto, sabem que a terapia funciona por alguns meses, mas o objetivo é que o tratamento funcione para a vida toda do paciente.
     
    GENES DIFERENTES
     
    O estudo conseguiu corrigir uma mutação em um gene chamado TMC 1, que é o responsável por cerca de 6% dos casos de surdez hereditários.
     
    No entanto, existem mais de cem genes separados que já foram ligados à surdez.
     
    “Posso prever pacientes com surdez tendo seus genomas sequenciados e um medicamento personalizado e preciso injetado em seus ouvidos para restaurar a audição”, disse Holt.
     
    O tratamento visa apenas ajudar as pessoas com surdez causada por problemas nos genes e não os adultos que sofrem de surdez decorrente de ouvir música alta.
     
    Para Tobias Moser, do Centro Médico da Universidade de Gottingen, na Alemanha, os resultados da pesquisa são “promissores”.
     
    Moser afirma que o estudo dá “esperança de que a restauração da audição será disponível para algumas formas de surdez na próxima década”.
     
    “Acho que esta pesquisa representa um avanço muito animador em nossa compreensão do que pode ser alcançado usando a abordagem de transferência de genes no ouvido interno para reduzir o impacto de mutações danosas”, afimou Karen Steel, cientista britânica do King's College de Londres.
     
    “No momento, a função (audição) é resgatada apenas em parte, mas é um começo e provavelmente a metodologia poderia ser desenvolvida para melhorar o resultado”, acrescentou.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • O “Viagra Rosa” vem aí para resolver um problema que talvez não exista

    O “Viagra Rosa” vem aí para resolver um problema que talvez não exista

    O que torna o sexo bom? O orgasmo? A interação das partes? Ou o simples fato de fazer sexo?
     
    Para uma das participantes de um estudo sobre disfunção sexual realizado pela FDA (Food and Drug Administration, o órgão americano responsável pelo controle de alimentos, cosméticos e medicamentos no país), sexo bom é quando seu marido se diverte. Katherine, identificada apenas por seu primeiro nome, diz “não ter expectativas” quanto ao assunto e que faz sexo “por obrigação”. Carol, outra participante, diz que só quer chegar ao final sem chorar. Beverly diz já ter gasto US$ 35000 em diversos tratamentos médicos para consertar o problema de seu interesse sexual.
     
    Embora todas as mulheres ouvidas no estudo conduzido em outubro tenham descrito diferentes problemas em relação ao sexo, todas obtiveram o mesmo diagnóstico: Disfunção Sexual Feminina (DSF). Inexistente há 10 anos, a disfunção é ainda hoje motivo de ceticismo para muitos especialistas. Vários médicos duvidam de sua existência ou de que seja possível tratá-lo com a medicina moderna.
     
    Apesar das incertezas, a Sprout Pharmaceuticals –mesma fabricante do Testopel, a pastilha de testosterona que podia causar crescimento de seios pretende colocar no mercado o santo graal dos remédios contra disfunções sexuais: um “Viagra para mulheres” ou, como chamam por aí, o “Viagra rosa.
     
    A flibanserina, princípio ativo do “Viagra rosa”, seria inicialmente destinado ao tratamento contra a depressão, mas foi reprovada durante os testes. O motivo: algumas mulheres afirmaram ter sentido um aumento do desejo sexual. De olho na oportunidade de se lançar em um mercado sem concorrência, a Sprout comprou a patente do composto em 2012 e o classificou recomendado ao tratamento contra a DSH, Síndrome do Desejo Sexual Hipoativo, antiga terminologia da DSF.
     
    Embora o medicamento já tenha sido rejeitado duas vezes pela FDA devido a sua ineficiência e ao alto índice de efeitos colaterais e interações medicamentosas, há sinais que levam a crer que a Sprout poderá disponibilizar a flibanserina ao público geral em agosto deste ano. No seu último relatório, um comitê interno da FDA declarou que a disfunção sexual feminina era “claramente uma área de necessidades médicas não atendidas”. E por mais que a FDA tenha admitido no relatório não saber como a flibanserina funciona no tratamento dessa disfunção que pode nem existir, seu uso foi aprovado com 18 votos a favor e apenas 6 contra.
     
    “É muito desgastante começarmos uma reunião dizendo que estamos comprometidos com o desenvolvimento de uma nova droga quando, na verdade, não conseguimos chegar a um consenso sobre sua finalidade”, declarou ao comitê o Dr. Leonore Tiefer, psiquiatra Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos.
     
    Alguns atribuem essa nova aceitação da flibanserina a uma agressiva campanha de marketing orquestrada pela Sprout, que acusou a FDA de sexismo. Anita Clayton, médica e consultora remunerada da Sprout e de outras sete companhias farmacêuticas, alega em um artigo que a “aprovação expressa de remédios como o Viagra em oposição à morosidade com que se trata a flibanserina subestima a importância da saúde sexual feminina”.
     
    “Parece que há algo tendencioso por parte da FDA,” diz Anita Clayton em uma entrevista. “O tratamento contra a disfunção sexual feminina está enfrentando barreiras que não existiram contra o tratamento da disfunção sexual masculina.”
     
    O grupo Even the Score (algo como empatar o jogo, em inglês), custeado em parte pela Trimel Pharmaceuticals e a Sprout Pharmaceuticals, se tornou o principal porta-voz desse ponto de vista. Em sua página na Internet, declaram que o sexo é “um direito humano básico” e que “devemos agir em prol dessas 1 em 10 mulheres, casais e famílias afetadas por este problema”. O grupo diz ainda que, enquanto hoje há 26 medicamentos para a disfunção sexual masculina, não há nenhuma para a feminina –embora em sua lista de estimulantes para homens estejam incluídas diferentes dosagens da mesma substância e alguns remédios que não foram aprovados especificamente no tratamento contra a disfunção sexual.
     
    Em entrevista ao “Wall Street Journal” ano passado, Cindy Whitehead, diretora da Sprout, declarou que a campanha do Even the Score não tinha por objetivo pressionar a FDA, mas conscientizar o público quanto a uma necessidade médica não atendida.
     
    Durante séculos, medicina e psicologia consideraram o desejo sexual feminino um sintoma de histeria. Este diagnóstico, também chamado de “fúria uterina, foi dado até 1980. É irônico que agora a mulher que não tenha interesse em sexo seja classificada como doente mental e aqueles que discordem considerados sexistas.
     
    “As normas do desejo variam de acordo com a época e com a cultura,” diz Thea Cacchioni, socióloga e professora de Estudos sobre a Feminilidade, que escreveu sobre sua experiência nos testes da flibanserina pela FDA. “Há apenas 150 anos, médicos nos diziam que havia algo de errado conosco se tivéssemos desejo sexual frequente. Agora, algo está errado se não temos desejo sexual.”
     
    Professora de clínica médica e diretora da Escola de Medicina Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, a Dra. Rosemary Basson foi membro do comitê realizado em outubro pela FDA. Segundo ela, ter pouco desejo sexual é normal. “É o que estamos vivendo no mundo real, com nossas vidas tão ocupadas”, diz Basson.
     
    Embora a total impossibilidade de uma mulher ter interesse sexual seja de fato uma questão problemática, é provável que casos tão extremos estejam mais relacionados a doenças fisiológicas, saúde mental ou problemas de relacionamento. O interesse sexual permanente pelo parceiro é uma expectativa irrealista.
     
    “Forneci referências que evidenciam que o oposto é verdadeiro –que, quando perguntadas, mulheres sexualmente satisfeitas dizem que é raro sentir desejo sexual exceto quando durante uma relação sexual”, diz Basson
     
    Basson diz que, se uma pessoa está satisfeita sem esse desejo constante, não pode ser considerada uma disfunção
     
    Enquanto a disfunção sexual masculina é caracterizada pela impossibilidade de atingir uma ereção, a disfunção feminina, como listada pela Associação Americana de Psiquiatria em seu catálogo oficial de distúrbios mentais, é tida como uma dificuldade de excitação devido à falta de interesse ou fantasias sexuais.
     
    Houve uma época em que se acreditava que o Viagra poderia funcionar para mulheres também devido ao simples aumento no fluxo sanguíneo da região genital. Mesmo sem muito sucesso, alguns médicos receitam o Viagra para suas pacientes. Karen, uma das participantes do estudo, já tentou tratamento com o medicamento e diz que “a única coisa que ficou inchada foram meus seios paranasais”.
     
    Durante os testes clínicos, a Sprout mediu a efetividade da flibanserina com três marcadores: o número de relações sexuais satisfatórias em um mês, a ansiedade relacionada a sua vida sexual e seu desejo sexual no geral. O medicamento foi testado apenas em mulheres em relacionamentos estáveis heterossexuais.
     
    Em comparação ao placebo, a flibanserina aumentou o número de “eventos sexualmente satisfatórios” em uma média de 0,5 a 1 de uma média total de 2 a 3 eventos por mês. A ansiedade em relação ao sexo caiu em média cerca de 10%.
     
    Então fazer uso da flibanserina pode fazer a mulher atingir o orgasmo mais de uma vez por mês e ficar menos 10% preocupada com o assunto!
     
    A FDA e a Sprout não conseguiram chegar a um acordo sobre como medir o desejo sexual geral, citado como o grande problema na maioria dos casos. Nos registros diários sobre interesse em sexo que as participantes mantinham, a flibanserina não se mostrou mais eficiente que o placebo. Após 28 dias de uso, as mulheres preencheram um questionário em que classificavam o desejo sexual em uma escala de 1,2 a 6,0 e assinalaram um aumento de, em média, 0,35. Contudo, assim como o efeito de um placebo, pode-se dizer que esses testes teriam o mesmo efeito da terapia sexual, uma vez que, durante esse período, as participantes tiveram que fazer do sexo sua prioridade: pensavam sobre isso todos os dias e registravam suas impressões sobre o assunto.
     
    Classificar algo tão subjetivo como o interesse sexual em uma escala de 1,2 a 6 é tão problemático quanto caracterizar mulheres que não têm interesse sexual constante como portadoras de transtorno mental. Ideias relacionadas a sexo e desejo são construídas socialmente e há muitos motivos pelos quais as mulheres podem não estar interessadas em sexo a qualquer momento.
     
    Além da eficácia duvidosa da flibanserina, os estudos revelaram também diversos efeitos colaterais. Em 2010, a US News & World Report relatou que “cerca de 15% dos usuários de flibanserina pararam de tomar o medicamento durante os testes devido a reações como tonteira, enjoo, ansiedade e insônia, comparados a 7% dos usuários de placebo”. Esses riscos aumentam quando o uso da flibanserina é somado ao consumo de álcool, que estará listado como uma proibição aos usuários. Talvez o mais perturbador seja o fato de que a Sprout tenha feito testes em apenas 25 pessoas, das quais 23 eram homens, um jeito curioso de estudar um medicamento desenvolvido para o tratamento de uma disfunção que afeta apenas mulheres.
     
    Outro motivo de preocupação é o fato de que as mulheres mais suscetíveis ao poder de persuasão do marketing da flibanserina são também aquelas que tentam controlar o nervosismo em relação ao sexo com o consumo de álcool.
     
    “Mulheres com dificuldades sexuais frequentemente dizem que só conseguem consentir com a ideia de uma relação sexual se beberem um pouco antes, então o fato de que a flibanserina não deve ser misturada com álcool é uma enorme preocupação.”
     
    Segundo Cacchioni, a Even the Score desempenhou o papel mais frustrante de todo esse circo. A ideia de que um medicamento como este seria um avanço para o feminismo ou a saúde feminina “jamais foi corroborada em nenhuma literatura acadêmica feminista. Muito pelo contrário, entre acadêmicas feministas e pessoas que trabalham com saúde e sexualidade, o entendimento é que há muito tempo a indústria farmacêutica cria medicamentos perigosos e ineficientes para mulheres.”
     
    Cacchioni afirma em sua pesquisa própria que mesmo as mulheres que culpam a biologia por seu escasso desejo sexual admitem ter dificuldades em se adequar às expectativas da sociedade.
     
    “Por mais que tentem pôr a culpa em seus corpos, o que pude ver nas entrevistas é que essas mulheres tiveram muitos problemas com a heteronormatividade contemporânea”, diz. “Elas falaram sobre a influência negativa de Hollywood, suas primeiras experiências negativas com a sexualidade, o jeito com que seus parceiros foram duros com elas caso não estivessem de acordo com certos ideais sexuais e a vergonha que sentiam até mesmo ao conversar com suas amigas sobre sexo, caso elas não estivessem muito interessadas no assunto.”
     
    Das mulheres que sofrem de baixo desejo sexual ouvidas no estudo da FDA, todas foram veementes ao afirmar que não havia nenhuma questão pessoal ou de relacionamento que pudesse ser a causa do problema. Uma delas, porém, disse ter aprendido muito cedo a não tomar a iniciativa porque, quando o fazia, era reprimida e humilhada por seus namorados. Outra teve que ser submetida a remoção de útero e ovários aos 35 anos devido a danos causados por um Dalkon Shield: um DIU que, segundo ela, disseram ser 100% seguro, “o Cadillac dos contraceptivos”. Várias mulheres afirmaram evitar a todo custo ficarem sozinhas com seus maridos. Carol só conseguiu descrever como se sente quando seu marido inicia uma relação sexual com um alto suspiro. De novo, todas elas tinham certeza de que o problema era estritamente biológico.
     
    “Há muitos motivos sociais, interpessoais e econômicos relacionados ao baixo desejo sexual feminino e muito pouca, talvez nenhuma, evidência de que este problema esteja relacionado a algum mecanismo interno falho, sobretudo em relação à química cerebral”, diz Cacchioni. Dizer às mulheres que há algo de errado com elas, que uma pílula fará com que tenham vontade de fazer sexo com seus parceirosve que poderia, inclusive, salvar seus relacionamentos, não consertará esses problemas fundamentais. “Isso vai mexer com as inseguranças de muitas mulheres.”
     
    Esta não seria a primeira vez que a FDA brinca com a heteronormatividade para vender medicamentos. Em 2010, a Slate Pharmaceuticals (antigo nome da Sprout) foi advertida pela FDA violação de regras na campanha de um tratamento com testosterona, o Testopel. Nas propagandas (“É baixa T?”), homens descreviam seus problemas, que iam desde HIV até não conseguirem fazer mais do que 5 flexões e exaltavam o Testopel ao relatar como a droga os havia ajudado. A advertência da FDA dizia que os panfletos, o site e os vídeos produzidos pela Slate promoviam usos não aprovados do Testopel; mais: omitiam e minimizavam informações importantes quanto aos riscos em sua utilização, exageravam em sua eficácia, descartavam fatos concretos, apresentavam alegações enganosas para própria conveniência e encorajavam um regime de dosagem não aprovado. A advertência afirmava ainda que a FDA estava “extremamente preocupada com a amplitude e o alcance dessas violações”.
     
    Uma observação interessante é o fato de que algumas participantes do estudo sobre a flibanserina conduzido pela FDA utilizavam testosterona para aumentar a libido. Duas disseram durante a pesquisa que estavam com pastilhas de testosterona sob a pele.
     
    O tratamento deveria deveria durar por seis meses, mas Beverly diz que, às vezes, volta ao médico depois de apenas dois ou quatro meses caso se sinta menos interessada em sexo. “Quando não me interesso nos avanços dele,” ela conta sobre seu marido, “fica muito claro para mim que o efeito da pastilha deve estar acabando”. Ela só quer uma pílula que possa tomar todos os dias e cujo efeito nunca passe. Outra mulher disse sobre seu marido que “se ele quer sexo, dou o que ele quer e, naquele dia, fui uma boa esposa”.
     
    Se a ideia de igualdade no sexo é dar mais poder aos homens para ter sexo sempre que quiserem e às mulheres menos chance de dizer não, a flibanserina não é uma solução. E decerto não é feminista.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Cientistas descobrem rota molecular contra parasita da malária

    Cientistas descobrem rota molecular contra parasita da malária

    São Paulo – A partir de novas investigações sobre o complexo processo do parasita da malária para invadir as células do corpo humano, um grupo de cientistas britânicos descobriu uma proteína fundamental para a sobrevivência do protozoário na corrente sanguínea da vítima. 
     
    De acordo com os autores do estudo, publicado na terça-feira, 7, na revista Nature Communications, a descoberta deverá abrir caminhos inéditos para o desenvolvimento de novas drogas que impeçam o funcionamento da proteína, aniquilando o parasita. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária mata 200 mil pessoas por ano e é responsável por 20% da mortalidade infantil na África. 
     
    A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, que são transmitidos aos humanos pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Uma vez no interior do organismo humano, o parasita utiliza um processo complexo para invadir as hemácias – as células vermelhas do sangue – e sobreviver em seu interior. 
     
    Os cientistas da Universidade de Leicester e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres – ambas no Reino Unido -, identificaram uma das proteínas fundamentais para a sobrevivência do protozoário nas hemácias. De acordo com o artigo, eles conseguiram impedir o funcionamento dessa proteína, matando assim o parasita.
     
    Para fazer a descoberta, os cientistas utilizaram métodos de última geração para investigar as rotas bioquímicas envolvidas na sobrevivência do parasita na corrente sanguínea do hospedeiro.
     
    As técnicas incluíram uma abordagem conhecida como genética química, na qual pequenas moléculas sintéticas são utilizadas em conjunto com modificações genéticas no DNA do parasita.
     
    A equipe, liderada por Andrew Tobin e David Baker, descobriu que uma proteína quinase chamada PfPKG tem um papel central em várias rotas que permitem a sobrevivência do protozoário no sangue. Segundo eles, futuras drogas poderão ser desenhadas para agir precisamente nessas rotas, aniquilando o parasita. Essa precisão permitirá que as novas drogas sejam menos tóxicas, o que possibilitará o uso seguro em crianças e mulheres grávidas – uma grave limitação para os remédios atualmente existentes.
     
    Segundo Tobin, a descoberta é um marco na compreensão sobre a sobrevivência do parasita na corrente sanguínea e na sua capacidade de invadir as células do sangue. “Nós revelamos um processo que permite que isso (sobrevivência e invasão do parasita) aconteça e se ele puder ser o alvo para novas drogas, nós teremos algo que poderá deter a malária em seu curso sem causar efeitos colaterais tóxicos”, afirmou Tobin.
     
    “É uma grande vantagem para a descoberta de novas drogas, já que conseguimos identificar um alvo molecular para uma droga específica e as consequências do bloqueio de sua função. Isso nos ajudará a projetar uma combinação mais eficaz de tratamentos e também ajudará a evitar a resistência à droga, que hoje é um dos principais problemas par ao controle da malária em todo o mundo”, disse Baker.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Botox ajuda a tratar paralisia, rigidez muscular e até enxaqueca

    Botox ajuda a tratar paralisia, rigidez muscular e até enxaqueca

    A pequena Ana Helena Esteves Rossi, 4, tem dificuldade para caminhar e segurar objetos. Ela foi diagnosticada com paralisia cerebral aos seis meses de idade. Desde então, seus pais têm procurado diversos tipos de tratamento para lhe oferecer mais qualidade de vida, mas foi quando ela tinha pouco mais de dois anos que a família a levou para sua primeira aplicação da toxina botulínica A – conhecida com o nome comercial Botox (usado para tratamentos estéticos). Eles perceberam que a aplicação do medicamento devolvia movimentos que a menina havia perdido e proporcionava um relaxamento muscular que aliviava possíveis dores.
     
    “Hoje, eu posso dizer que ela tem qualidade de vida. Ainda tem dificuldade, mas podemos perceber que os resultados são bastante satisfatórios”, afirma o pai da criança, Wagner Costa Rossi Junior. A partir das aplicações de botox, a criança começou a caminhar melhor.
     
    Morador de Alfenas, em Minas Gerais, Wagner traz a filha a São Paulo, em média, duas vezes ao ano para aplicar o botox nos músculos do braço e perna, que foram comprometidos pela paralisia. “Apesar de não tratar a paralisia em si, o botox proporciona uma melhora quase imediata e muito satisfatória enquanto está em ação. Na última semana, ela fez mais uma sessão e já notamos que ela está melhor. Após a aplicação, bastam alguns dias para percebermos a diferença”, comentou o pai.
     
    O objetivo do botox não é substituir o tratamento das doenças, mas devolver qualidade de vida aos pacientes que apresentam problemas como rigidez muscular e espasmos na musculatura – complicações comuns decorrentes de AVC (Acidente Vascular Cerebral), traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla, doença de Parkinson em estágio avançado e até paralisia cerebral.
     
    “Essas doenças e suas complicações, que precisam sempre de tratamento especializado, são intensamente melhoradas com o uso da toxina, cujo principal objetivo é oferecer melhor qualidade de vida. Ele não substitui o tratamento “convencional”, mas associado ao tratamento, se consolida cada vez mais como aliado dos pacientes, que chegam a atingir 90% de sua funcionalidade após a aplicação”, explicou o médico André Pedroso, especialista do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano.
     
    Segundo o especialista, a principal vantagem do tratamento é a segurança no procedimento, com taxas de complicações muito baixas. O método não tem contraindicação e é quase indolor. As aplicações costumam ser locais, apenas na parte comprometida pela doença, e os resultados começam a ser percebidos em poucos dias, sendo no 15º dia a substância chega ao seu pleno efeito e os resultados são bastante perceptíveis durante a atuação da toxina, que costuma durar cerca de 6 meses.
     
    “Cada caso é um caso e cada paciente responde de uma maneira ao tratamento. Há casos em que o paciente faz a primeira aplicação e o resultado dura até mais de seis meses. O espaço de tempo entre as sessões costuma ser de quatro meses”, completou o especialista. O botox vem sendo estudado como tratamento terapêutico desde os anos 1980, mas a procura pelo tratamento aumentou nos últimos cinco anos.
     
    A dona de casa Lilian Camas, de 57, vem sendo tratada com a toxina há quase 20 anos. Aos 41, ela sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e ficou com os membros do lado esquerdo comprometidos. Dois anos depois, ela iniciou as aplicações de botox nos músculos afetados.
     
    “Já fiz muitas sessões e posso dizer que o botox, além de me trazer independência e facilitar meu dia a dia, diminui a dor e traz mais equilíbrio”, contou Lilian, que mora em São Paulo com o esposo e dois filhos. 
     
    Enxaqueca
     
    Um outro problema que pode ser tratado pela toxina botulínica é a enxaqueca crônica, ou seja, a dor de cabeça que não responde mais aos analgésicos.
     
    “No caso da enxaqueca, o método é indicado quando o problema se torna crônico e a dor, que dura 15 dias por mês, já não passa com os analgésicos”, explicou Caio Simioni, médico do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo.
     
    O médico também afirmou que a substância atua direto na terminação nervosa, impedindo a comunicação entre o nervo e o músculo, em diversas partes do corpo. “Chamamos esta técnica de bloqueio neuroquímico, por isso funciona tão bem nos casos de enxaqueca de difícil controle”, concluiu. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Anvisa avança com a implementação da nova Resolução de ensaios clínicos para medicamentos

    Anvisa avança com a implementação da nova Resolução de ensaios clínicos para medicamentos

    No dia 03 de março, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução 09/2015, que regula a realização de ensaios clínicos com medicamentos no Brasil. O objetivo da norma foi harmonizar o marco regulatório brasileiro com as demais normativas internacionais, modernizar o arcabouço regulatório, reduzir os prazos por meio de uma avaliação baseada em risco e aperfeiçoar os fluxos de trabalho.
     
    Dentre as grandes mudanças trazidas pela Resolução, pode-se destacar a previsibilidade, a partir do estabelecimento do prazos para manifestação da Anvisa, a avaliação mais detalhada de aspectos de qualidade, bem como a implementação de um plano de desenvolvimento do medicamento experimental.
     
    Considerando o compromisso assumido pela Anvisa em relação à previsibilidade e transparência de suas ações, a Agência vem fazendo um acompanhamento rigoroso dos resultados da implementação da norma, das quais é possível destacar: i) a publicação dos Manuais e Documento de Perguntas e Respostas sobre a RDC 09/2015; ii) a aproximação com as áreas de registro de medicamentos, visando uma harmonização de entendimentos por meio da elaboração conjunta de manuais, fluxos internos de discussões; iii) ampliaçao das reuniões com o setor regulado; iv) fim do passivo de petições referente aos processos submetidos na vigência da RDC 39/2008; e v) diminuição dos prazos regulatórios que já passou de dez meses para cinco meses, aproximadamente.
     
    A Anvisa reconhece a importância de prazos competitivos para a atratividade de ensaios clínicos para o país, mas considera que a diminuição do tempo de análise não pode comprometer a qualidade da avaliação técnica e, nem mesmo, fragilizar o processo regulatório já estabelecido no país.
     
    É neste contexto que a Anvisa, compreendendo a relevância da pesquisa clínica para o desenvolvimento científico e regulatório do Brasil, se compromete a continuar acompanhando o processo de implementação da nova norma para que se estabeleça a cada dia uma Agência ainda mais forte, transparente e de credibilidade nacional e internacional.
     
    Reduzidos os prazos na fila de análise de medicamentos novos
     
    Após uma série de mudanças, os prazos médios para a concessão de registro de medicamentos novos caiu em cinco meses. Em números, a Anvisa reduziu em 32%, ou seja, em quase 1/3, o tempo de análise em relação a 2014.
     
    Fonte: Anvisa
  • HPV aumenta incidência de câncer de boca e garganta entre jovens

    HPV aumenta incidência de câncer de boca e garganta entre jovens

    Se há vinte anos os registros de câncer de boca e garganta eram quase que exclusivamente entre pessoas acima dos 50 anos. Atualmente, um dado chama a atenção dos oncologistas: cada vez mais jovens – adultos até 40 anos – têm apresentados tumores malignos nessas partes do corpo. “A média etária de pessoas com câncer nessas áreas tem caído. Hoje em dia, atinge cerca de 30 a 40% de pessoas que não são tabagistas nem etilistas, e são mais jovens”, afirma o oncologista Luiz Paulo Kowalski, Diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo.
     
    De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os cânceres de cavidade oral e orofaríngeo estão entre os dez tipos de maior incidência em homens brasileiros. E, mesmo que o cigarro e o álcool ainda sejam suas principais causas, eles costumam exigir uma exposição prolongada para o desenvolvimento de um tumor – entre 15 e 30 anos de consumo. Por isso, um outro fator de risco tem sido considerado pelos pesquisadores: o papiloma vírus, popularmente conhecido como HPV, que tem a capacidade de desenvolver um câncer em menos tempo.
     
    “Com a queda do consumo do tabaco, esperávamos diminuir a incidência e a mortalidade do câncer, mas houve uma mudança de perfil. Está caindo o número de cânceres relacionados ao tabaco, devido às campanhas de controle, mas estão aumentando os casos relacionados ao HPV.” Pesquisadores apontam que, até 2030, o número de casos relacionados ao vírus deve superar os casos ligados ao tabaco nos Estados Unidos.
     
    Um estudo atual, feito com orientação da bióloga e geneticista do A.C. Camargo e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sílvia Regina Rogatto, aponta que em casos de câncer de amídala a incidência do HPV cresceu de 25%, registrados há 20 anos, para 80%.
     
    Em uma outra pesquisa, comandada por Kowalski, os médicos detectaram que 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos eram em portadores do vírus. Em pacientes acima de 50 anos, a presença do vírus foi detectada em apenas 8%.
     
    Contaminação pelo HPV
     
    O estudo feito por Silvia e sua equipe em pacientes do A. C. Camargo, na capital paulista, e no Hospital do Câncer de Barretos, no interior do Estado, descobriu que 80% dos pacientes da capital são positivos para a presença do vírus enquanto os voluntários de Barretos correspondem a 15%.
     
    “A presença em grandes capitais é mais evidente, pois os hábitos costumam ser um pouco diferentes”, analisa o Kowalski. Mas não se deve relacionar a transmissão exclusivamente à atividade sexual. “O vírus pode ser transmitido por saliva, com um beijo, por exemplo. Antigamente não era educado beber no copo de ninguém, hoje já é uma coisa normal.”
     
    Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens estejam infectados pelo HPV em todo mundo. Mas a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imune. De acordo com pesquisas feitas entre homens norte-americanos, mexicanos e brasileiros, ao menos 2% da população adulta tem o vírus HPV e não apresenta nenhum sintoma.
     
    Sintomas
     
    Existem papilomas que são como verrugas que podem aparecer na garganta ou na boca. Quem apresenta alguma ferida deve observar se ela está demorando a cicatrizar. Porém, mesmo quando o tumor maligno já se desenvolveu, pode não haver lesão visível. Em outros casos, pessoas que tiveram infecção podem não ter anticorpos elevados também. “A infecção pode ser silenciosa”, conta médico.
     
    No geral, cânceres de boca e garganta podem apresentar os seguintes sintomas: dor constante, nódulo, dificuldade para mastigar, rouquidão, dor na língua e mau hálito persistente. “Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor, pois o tratamento não é tão agressivo e as chances de recuperação são maiores. Uma lesão que durar mais de 15 dias é porque tem algo errado.”
     
    Os tumores ligados ao HPV tem uma taxa de cura maior do que os associados a tabaco e ao álcool. “Eles respondem melhor ao tratamento, tanto com cirurgia, que geralmente é seguido de radioterapia, quanto na associação de radioterapia e quimioterapia.”
     
    Prevenção
     
    A vacinação é a melhor forma de se prevenir. “Ela dá imunização fazendo as três doses e é fundamental que se inicie uma campanha para vacinar todo mundo, principalmente meninos e meninas antes de iniciarem a vida sexual. Nós precisamos começar a trabalhar agora para ter efeito daqui a 15 ou 20 anos”, coloca o oncologista.
     
    Outras formas de prevenção são: sexo seguro, se alimentar bem, não fumar, não beber, boa higiene oral e evitar traumatismos. “Um terço dos casos de câncer poderiam ser evitados se houvesse alimentação adequada e a prática de atividades físicas”, explica o nutricionista Fábio Gomes da Silva, da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Inca. Verduras e frutas, especialmente as cítricas, são protetoras. “A alimentação corresponde de 20 a 30% na prevenção.”
     
    Fazer o autoexame da boca com frequência também é importante. Analise a mucosa na bochecha, abaixo da língua, acima, e observe se há manchas avermelhadas e esbranquiçadas e/ou pequenos nódulos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Burocracia atrasa liberação de remédios à base de maconha, dizem cientistas

    Burocracia atrasa liberação de remédios à base de maconha, dizem cientistas

    Deixar de fornecer remédios à base de substâncias derivadas da maconha é uma crueldade contra pacientes que têm doenças crônicas. A opinião é do neurocientista Sidarta Ribeiro, um dos mais importantes pesquisadores da área, professor e diretor titular do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo ele, a maconha é utilizada em vários países para alívio da dor e do sofrimento, mas no Brasil, o uso esbarra em falta de regulamentação e de conhecimento de órgãos de classe, que dificultam o tratamento.
     
    “Qual a justificativa para um paciente com câncer terminal, que está morrendo de dor, não ser medicado? [Ao não aceitar o uso de remédios da planta] a medicina brasileira vai ficando para trás”, afirmou Ribeiro, na última quinta-feira (2), no Seminário Internacional Maconha: Usos, Políticas e Interfaces com a Saúde e Direitos, organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (Emerj). O evento reuniu médicos, especialistas, juristas e associações de apoio à pesquisa e a pacientes que fazem uso da maconha.
     
    Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) só permite a importação de uma única substância da maconha das mais de 80, o canabidiol, com base nos pedidos médicos. Dessa forma, restringe o uso da própria substância por não fazer controle de qualidade e por não regular a produção nacional, que poderia baixar custos. Segundo a organização Apoio à Pesquisa e Pacientes de Canabis Medicinal, as doses importadas chegam a custar entre R$ 1,5 mil e R$ 15 mil.
     
    “O medicamento que estamos importando é vendido fora do Brasil como suplemento alimentar, ou seja, não tem controle farmacológico nacional sobre ele e não sabemos efetivamente o que estamos utilizando, temos que nos basear na boa fé”, disse o médico Ricardo Ferreira, especialista em coluna, que tem feito uso do canabidiol com sucesso, em pacientes crônicos. Ele defende que a Anvisa crie regras para controle da produção e também para os clubes de autocultivo.
     
    Na medicina, outra mudança recomendada pelos especialistas para facilitar o acesso a tratamentos com medicamentos à base de substâncias da maconha é a flexibilização de norma do Conselho Federal de Medicina (CFM), de 2014, que só permite o uso do canabidiol em crianças e adolescentes com epilepsia e que não respondem ao tratamento convencional.
     
    “Não há comprovação científica suficiente para que o CFM reconheça esse fármaco como eficiente”, afirmou o conselheiro da entidade, Salomão Rodrigues. Ele diz ainda que há possibilidade de substâncias presentes na maconha, como o THC, provocarem efeitos psicóticos.
     
    Sidarta Ribeiro discorda do CFM e diz que centenas de estudo atestam a utilização segura de remédios de maconha na Europa, nos Estados Unidos e em Israel. O país do Oriente Médio, por exemplo, prescreve substâncias in natura na forma de óleo, fumada, vaporizada e em alimentos, como biscoito. “As pessoas não estão acompanhando a literatura [científica], estão ignorando uma quantidade enorme de evidências para empurrar decisões”, afirmou.
     
    O diretor do Instituto do Cérebro também disse que todas as substâncias têm grupos de risco e perigos relacionados à dosagem acima das prescrições. “Das substâncias que temos, a maconha é uma das mais seguras, a sobredose não mata, como mata a de dipirona”,  disse.
     
    Para o cientista Elisaldo Carlini, um dos mais respeitados pesquisadores de drogas no Brasil, há 62 anos, o que atrasa o uso da maconha medicinal no país são mitos e preconceitos, incluindo aqueles de fundo racista. “O preconceito racial nesse país chega a tal ponto que hoje preconceito se alimenta de preconceito”, afirmou ele, que também participou do seminário. “É preciso mais pressão popular para o Brasil usar algo que o mundo já usa”, acrescentou.
     
    Para autorizar o plantio de maconha para pesquisa e para o uso medicinal, a Anvisa pretende montar um grupo de trabalho e elaborar uma regulamentação específica, com a participação de órgãos de governo, como a Polícia Federal, além de pesquisadores. “Pretende-se ainda ampliar a participação após a evolução das atividades, que se encontram na fase inicial, por meio de convites a outros órgãos e instituições”, informou em nota enviada à Agência Brasil.
     
    Em relação ao uso de medicamentos com substâncias da cannabis, a agência afirmou que analisa pedido para autorizar o uso de remédios à base de canabidiol e tetra-hidrocanabinol (THC), mas não esclareceu se os remédios serão com a substância in natura ou sintética, que é feita em laboratório.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Brasil terá primeira fábrica de equipamentos para radioterapia da América Latina

    Brasil terá primeira fábrica de equipamentos para radioterapia da América Latina

    Um acordo assinado nesta quinta-feira (2) entre Ministério da Saúde e a empresa Varian Medical Systems garantirá ao Brasil a primeira fábrica para soluções de radioterapia da América Latina. A indústria, que será construída em Jundiaí (SP), será a terceira unidade da empresa no mundo a produzir aceleradores lineares, utilizados para a realização de radioterapia no tratamento do câncer. O acordo, assinado na 9ª edição da reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS), faz parte da compensação tecnológica prevista no Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, lançado em 2012. A previsão é que a unidade inicie suas atividades em dezembro de 2018.
     
    A compensação será realizada por meio da prática do “Offset”, que alia a aquisição do produto à geração de benefícios industriais, tecnológicos ou comerciais. A iniciativa pioneira na área civil e liderada pelo Ministério da Saúde foi adotada por ser capaz de criar alternativas comerciais que possibilitem maior inserção internacional e também como forma de buscar o fortalecimento tecnológico e o desenvolvimento industrial. Além da fábrica para produção de aceleradores lineares, estão previstas outras ações de desenvolvimento e qualificação de fornecedores locais, desenvolvimento de softwares e a criação de um centro de treinamento e capacitação no Brasil.
     
    “A expansão da radioterapia é um processo fundamental e estruturante, tanto para as pessoas que tem câncer, quanto para o complexo industrial da saúde. Trata-se de um conjunto de iniciativas que vão transformar o Brasil em uma plataforma de negócios para toda a América Latina. Se antes o tempo entre a decisão de se comprar equipamentos e o início de seu funcionamento, demorava cerca de dez anos, agora a expansão levará cinco anos”, garantiu o ministro da Saúde, Arthur Chioro.
     
    Atualmente, tanto os aparelhos, aceleradores lineares, como suas peças e softwares utilizados na programação das sessões de radioterapia e organização da assistência são importados, de forma que seus custos e preços sofrem constantemente com flutuações cambiais e tornam o Brasil totalmente dependente do mercado externo. O acordo dará ao Brasil maior autonomia nesta área estratégica para a saúde em relação ao mercado internacional.
     
    “Este é um projeto absolutamente inovador. Na área civil, é a primeira vez que o modelo offset é usado e o que queremos é que esta seja a porta de entrada para projetos deste tipo no governo brasileiro”, disse o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), Jarbas Barbosa.
     
    O processo de produção nacional pela empresa Varian e qualificação de fornecedores brasileiros deverá ocorrer em um prazo de cinco anos a contar da assinatura do contrato comercial de aquisição das soluções de radioterapia, assinado em dezembro de 2013. No acordo está previsto que a Varian capacite fornecedores para a linha de produção e profissionais brasileiros para garantir que o produto final tenha ao menos 40% de partes, peças, acessórios e software produzidos no Brasil.
     
    A fábrica ocupará uma área 17.500 m² e garantirá a criação de empregos. A escolha por uma cidade do interior de São Paulo, Jundiaí, deve-se a infraestrutura local, com acesso a aeroportos internacionais e de carga, rodovias e porto, bem como a proximidade de centros de ensino e de centros de tratamento de câncer.
     
    “Com a fábrica e o centro de educação instalados no Brasil vamos capacitar todos os profissionais da América Latina. Serão mais de 50 treinamentos por ano e mais de 1000 profissionais capacitados”, informou o presidente da Varian no Brasil, Humberto Izidoro.
     
    ENVOLVIMENTO DE UNIVERSIDADES – O processo de transferência de tecnologia para a produção dos aceleradores lineares e os softwares utilizados nas sessões de radioterapia envolverá até cinco Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) do Brasil. O Ministério da Saúde e a empresa Varian lançarão uma chamada pública para a seleção dessas instituições para participarem do centro de treinamento e capacitação que será criado dentro do acordo. A ideia é transferir conhecimento aos engenheiros, físicos e técnicos brasileiros para manutenção dos equipamentos, desenvolvimento, manuseio de softwares específicos que auxiliam na programação das sessões de radioterapia, entre outros processos.
     
    Nesta quinta-feira (2), será anunciado também acordo de cooperação técnica para o acompanhamento da compensação tecnológica em parceria com os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
     
    EXPANSÃO DA RADIOTERAPIA – Este acordo de compensação tecnológica é um dos desdobramentos do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) em que o Ministério da Saúde realizou a maior compra pública mundial de aceleradores lineares. Foram adquiridos um total de 80 equipamentos para ampliação da rede pública de atendimento radioterápico. A iniciativa conta com um investimento previsto de cerca de R$ 500 milhões para a compra dos aceleradores, as obras de ampliação e a criação de serviços em estados e regiões que não disponibilizam desses equipamentos. O valor da compra dos equipamentos, elaboração de projetos e acompanhamento de obras, licitados em R$ 119,9 milhões, foram 60% menor que o inicialmente estimado, gerando uma economia de R$ 176 milhões aos cofres públicos até o momento.
     
    Os aparelhos serão destinados à ampliação de serviços existentes e criação de novas unidades de atendimento privilegiando as demandas regionais de assistência oncológica, com o objetivo de reduzir os vazios assistenciais. Assim, 65 municípios, em 22 estados e no Distrito Federal, serão beneficiados com a política de expansão do Ministério da Saúde. Além da compra dos aceleradores, serão licitadas as obras para a construção dos “Bunkers”, locais específicos destinados a abrigar os aceleradores para garantir a segurança dos pacientes e profissionais.
     
    GECIS – Criado em 2008, o Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS) tem como objetivo promover medidas e ações concretas visando à criação e implementação do marco regulatório brasileiro, referente à estratégia de desenvolvimento do Governo Federal para a área da saúde, segundo as diretrizes das políticas nacionais de fortalecimento do complexo produtivo e de inovação em saúde, bem como propor outras medidas complementares.
     
    Trata-se de um Grupo de articulação intragovernamental coordenado pelo Ministério da Saúde e conta com a participação de representantes do MCTI, MPOG, MF, MRE, Casa Civil, MDIC, ANVISA, FIOCRUZ, BNDES, INPI, ABDI, INMETRO e FINEP. Também tem assento no grupo representantes da indústria, dos gestores e dos prestadores de serviços em saúde.
     
     
    Atendimento à imprensa
    (61) 3315-3174 / 2351 / 2745
     
     
    Autor: Patrícia de Paula, da Agência Saúde
     
    Fonte: CFF
  • Truvada: o medicamento que pode revolucionar a história da AIDS e está causando processos contra o SUS

    Truvada: o medicamento que pode revolucionar a história da AIDS e está causando processos contra o SUS

    Você já deve ter ouvido falar que mulheres grávidas portadoras do HIV, ao fazerem o tratamento antirretroviral com o coquetel anti-HIV, não transmitem o vírus ao seu bebê.
     
    Isso acontece porque o tratamento, colocado em prática desde 1996, reduz a carga viral da mãe a um nível baixíssimo, evitando a contaminação conhecida como Transmissão Vertical, ou seja, a transmissão de gestante para o filho ainda dentro do útero.
     
    Pessoas que sofrem violência sexual, profissionais da saúde que acidentalmente entram em contato com agulhas contaminadas ou até quem acaba transando sem camisinha (ou aconteça de ela estourar), também podem se submeter a um tratamento conhecido como PEP, Profilaxia Pós-Exposição ao vírus, ou seja, depois que o paciente já foi exposto ao risco do contato com o HIV em até 72 horas após o contágio.
     
    Estudos realizados pela Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, mostraram que o risco de contaminação pelo vírus é reduzido em até 92%.
     
    Para todos os casos acima, o governo brasileiro, via SUS (Sistema Único de Saúde), oferece um tratamento gratuito a toda a população brasileira; afinal, ele é obrigado a isso. A lei estabelece que “A saúde é direito de todos e é dever do Estado garantir acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. (…) E o SUS, entre outras diretrizes, tem o dever de propiciar o atendimento integral, conforme prevê o artigo 198, inciso II da Constituição Federal”.
     
    Sabendo disso, vamos falar sobre o Truvada? Recentemente, esse medicamento vem chamando a atenção da medicina e da área científica.
     
    Ele é composto por duas drogas já usadas separadamente desde 2004 nos coquetéis anti-HIV, a Emtricitabina e a Tenofovir Disoproxi.
     
    Descobriu-se em 2012 que, juntas numa única dose de pílula azul, elas podem evitar o que antes era usado apenas para tratar/remediar. Um estudo publicado pela revista “Science Translational Medicine”, que pertence à maior sociedade científica do mundo, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, revelou que o Truvada é eficaz tanto na Profilaxia Pré-Exposição quanto na Pós-Exposição.
     
    Se esse remédio fosse uma pessoa, poderia se apresentar da seguinte maneira para você: “Tô longe de ser a cura para a AIDS, mas posso evitar o contágio pelo HIV durante a transa, mesmo que o seu parceiro sexual seja portador do vírus. Aliás, se o soropositivo for você, o HIV provavelmente não será transmitido para o seu parceiro soronegativo?”.
     
    Ainda segundo o estudo, ingerir dois comprimidos de Truvada por semana reduz os riscos de transmissão e contaminação em 76%. Já quatro pílulas semanais garantem 96% de proteção, enquanto sete pílulas semanais, uma por dia, reduzem o risco em até 99%.
     
    Após essa conclusão, a agência sanitária norte-americana FDA (Food and Drug Administration) aprovou e liberou o seu uso como forma preventiva. Inclusive, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda efetivamente o uso do Truvada por pessoas que se enquadram em grupos de alto risco, como gays, dependentes químicos que usam drogas injetáveis, garotos(as) de programa ou quem tenha um relacionamento sorodiscordante, que é o caso de casais em que um é soropositivo e o outro, negativo.
     
    Depois desses argumentos, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou o medicamento no Brasil, mas ele ainda não é produzido ou comercializado aqui no país. O governo, via SUS, não oferece o Truvada gratuitamente à população. Ao acessar a página que fala sobre essa negativa em relação ao medicamento, você encontrará a resposta abaixo:
     
    (…)
    8- Já estão disponíveis no SUS medidas comprovadamente mais eficazes para o controle da epidemia, que incluem a promoção do uso consistente de preservativo e de antirretrovirais para as pessoas vivendo com HIV/aids, com eficácia acima de 98% e 96% respectivamente.
     
    9- Assim, a política de prevenção às DST, aids e hepatites virais adotada no Brasil prioriza o estímulo às práticas sexuais seguras, incluindo o uso consistente de preservativos, a Profilaxia Pós-Exposição sexual ao HIV (PEP sexual) em casos específicos e a disponibilização de terapia antirretroviral para PVHA (pessoas vivendo com Aids). Essa política tem como objetivos melhorar a qualidade de vida, evitar a progressão de doenças e reduzir o risco de transmissão do HIV por meio da supressão da replicação viral”.
     
    Quem quiser ter acesso ao Truvada, vai ter de desembolsar uma quantia média de R$ 2 mil por mês para importá-lo. Ou processar judicialmente o governo para obrigar o SUS a oferecer esse tratamento preventivo gratuitamente, já que a lei assegura esse direito a qualquer cidadão.
     
    E, pesquisando, descobri que isso já está sendo colocado em prática. Esse é o caso de D, que mora em São Paulo e prefere manter o seu nome e do seu parceiro em sigilo.
     
    “Eu me considero casado, pois moro junto com o meu companheiro há mais de seis anos; portanto, temos uma união estável. Ele é soropositivo e eu, negativo.
     
    Durante as nossas relações sexuais, sempre usávamos camisinha, mas o medo de ela estourar sempre nos deixava apreensivos. Foi aí que o meu médico me receitou o Truvada.
     
    Li muito a respeito e concluí que essa seria a melhor solução para a minha relação, conhecida como sorodiscordante.
     
    Mas, em vez de comprá-lo, sabendo dos meus direitos, resolvi processar o governo para adquiri-lo gratuitamente via SUS.
     
    Eu perdi a primeira instância do julgamento, pois o juiz alegou que eu poderia usar camisinha ou recorrer ao SUS para me tratar caso eu adquirisse o vírus.
     
    Mas o meu advogado entrou com uma jurisprudência contra essa decisão, e a desembargadora do caso me deu a vitória, alegando que '… a saúde do soropositivo precisa ser mantida, assim como a saúde do seu cônjuge.
     
    Não proteger a esse segundo seria tão omisso quanto não proteger o primeiro.
     
    Então, se o remédio pode proteger a saúde do segundo, que está em risco de forma inquestionável, o Estado tem de prover o remédio'.
     
    Após essa sentença tão precisa, o governo não quis recorrer ao Supremo Tribunal da Justiça e a minha causa foi ganha. Faz mais de 6 meses que recebo gratuitamente o Truvada via SUS. Agora, apesar de continuarmos usando a camisinha, vivemos muito mais tranquilos, pois me sinto intensamente mais protegido.”
     
    Segundo os médicos, quase todos os tratamentos antirretrovirais existentes no mercado podem causar nos pacientes enjoos, dor de cabeça, cansaço, diarréia, problemas gástricos, manchas na pele, insônia, má distribuição da gordura corporal (o rosto costuma ficar mais seco, enquanto acumula-se gordura na região abdominal) e aumento nas taxas de colesterol e triglicerídeos, o que pode levar ao risco de doenças no coração.
     
    Logo, engana-se quem achar que alguém em sã consciência possa deixar de usar camisinha durante o sexo, adquirir o vírus e começar a fazer algum tratamento antirretroviral de propósito.
     
    Vale lembrar que os efeitos do uso contínuo do Truvada no organismo humano ainda são desconhecidos; por isso, os testes e as pesquisas ainda continuam em relação a isso.
     
    Aliás, se alguém é homossexual, travesti ou transexual, é possível participar de um estudo promovido pelo laboratório de pesquisa clínica em DST e HIV/AIDS da Fiocruz. Em breve, ele vai escolher 500 pessoas, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, que receberão uma pílula de Truvada por dia, além de acompanhamento médico e psicológico. No site PreP Brasil, você encontra as seguintes informações sobre o procedimento:
     
    “O estudo PrEP Brasil vai avaliar a aceitação, a viabilidade e a melhor forma de oferecer a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) à população brasileira como prevenção ao vírus. (…) Exames laboratoriais também serão realizados para detectar eventuais efeitos colaterais. Testes que detectam material genético do HIV serão utilizados para identificar precocemente a infecção pelo HIV. Preservativos e lubrificantes serão sempre fornecidos e o uso deles, fortemente incentivado”.
     
    Se o Truvada te deixou excitado ao ponto de gozar, lembre-se de que a camisinha ainda é a única forma de se prevenir o contágio de todas as doenças sexualmente transmissíveis; afinal, a Aids é apenas uma delas. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Vacina contra o vírus HIV mostra resultados promissores em macacos

    Vacina contra o vírus HIV mostra resultados promissores em macacos

    Uma vacina experimental contra o HIV, o vírus responsável pela aids, mostrou resultados promissores em macacos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (2) na revista Science.
     
    Esta vacina “duplo viral”, que primeiro prepara o sistema imunitário com um outro agente patogênico e em seguida, impulsiona uma proteína encontrada em torno do invólucro do HIV, pode ser a melhor estratégia para proteger contra a infecção por este vírus em seres humanos, como pesquisadores.
     
    Primeiro eles injetaram nos macacos uma vacina contra um adenovírus – vírus ligados a muitas infecções humanas – para alertar o sistema imunológico. Numa segunda fase, foi injetada uma espécie de lembrete, desta vez com uma proteína purificada que forma o envelope do HIV, o que provocou uma forte reação das células imunitárias.
     
    Um tal sistema, que visa multiplicar tanto a magnitude da resposta imune como alargar a proteção contra ataques virais subsequentes, foi utilizado com a vacina contra o Ebola.
     
    No caso da vacina experimental contra o vírus HIV, os cientistas foram capazes de proteger totalmente metade de doze macacos contra a infecção do vírus de imunodeficiência símia (VIS), semelhante ao HIV que ataca os seres humanos.
     
    “Nos sentimos encorajados pelos resultados deste estudo pré-clínico, que abre o caminho para a avaliação de uma vacina que poderia servir aos seres humanos”, afirmou o virologista Dan Barouch, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e um dos os principais autores da pesquisa.
     
    Já está em curso um estudo clínico de fase 1 com voluntários saudáveis, para avaliar a segurança da vacina experimental.
     
    Fonte: Folha de São Paulo