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  • Câncer de próstata representa 70% dos diagnósticos da doença em homens

    Câncer de próstata representa 70% dos diagnósticos da doença em homens

    O câncer de próstata representa 70% dos diagnósticos de câncer em homens brasileiros, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), referentes a 2014. Segundo o INCA, há o registro de 70 mil novos casos por ano no país para uma doença que tem taxa de 90% de cura se o diagnóstico for inicial. O problema é que o homem brasileiro tende a descobrir tarde devido à falta de informação e a resistência ao exame de toque retal. Esse exame é insubstituível e o único capaz de identificar a doença com precisão. Segundo o Centro de Referência da Saúde do Homem, 60% dos pacientes do sexo masculino só procuram tratamento quando a doença está em estágio avançado. O dado é de 2013. De acordo com o órgão da Secretaria de Estado da Saúde, todos os meses 1,5 mil homens chegam ao hospital com problemas mais adiantados e que necessitam de intervenção cirúrgica.
     
    O UOL ouviu especialistas para explicar os principais mitos em relação à doença e algumas curiosidades.
     
    O tão temido e falado exame de toque retal na próstata dura apenas alguns segundos. “No máximo 15 segundos”, diz o urologista Francisco Fonseca. A simplicidade do exame contrasta com a baixa procura pela especialidade médica de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia. Cerca de 44% dos homens brasileiros já foram ao urologista e apenas 32% fizeram o exame de próstata.
     
    O exame de toque não é o único que deve ser realizado. A medição da taxa de PSA, uma enzima produzida pela próstata que permite a liquidez do sêmen, também é um indicativo para o surgimento da doença. Um exame não substitui o outro e, em alguns casos, mesmo com a taxa normal de PSA, o paciente é diagnosticado com câncer.
     
    O urologista Fernando Maluf lembra que o aumento da próstata é algo que ocorre naturalmente ao longo da vida do homem, mas seu rápido crescimento associado a dificuldades urinárias deve ser observado. 
     
    A realização dos exames de rotina deve começar aos 40 anos para aqueles que têm registros de casos em parentes de primeiro grau. Apesar de incidência baixa (2 a 3%), o câncer hereditário pode aparecer mais cedo. Para aqueles sem registros, os exames podem ser feitos a partir dos 50 anos.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Fiocruz defende descriminalização do uso de droga no Brasil

    Fiocruz defende descriminalização do uso de droga no Brasil

    Rio de Janeiro – No momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar se o porte de droga para consumo próprio deve deixar de ser considerado crime no País, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) posicionou-se na quarta-feira, 1, publicamente a favor da descriminalização. Vinculada ao Ministério da Saúde, a Fiocruz, com sede no Rio, é a mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina.
     
    “A nossa posição é muito clara: o direito fundamental inscrito na Constituição não permite a criminalização das pessoas enquanto usuárias. Achamos que o STF será muito sensível e esperamos que, de fato, demonstre que é inconstitucional a criminalização”, afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, em entrevista durante o seminário Maconha: usos, políticas e interfaces com a saúde e direitos. Ele foi realizado pela instituição em parceria com a Escola de Magistratura do Rio.
     
    Para Gadelha, que também preside a Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, o STF deve concluir que não há como criminalizar a opção que as pessoas tomam em sua vida íntima sem gerar riscos para outros. “O usuário que resolve usar uma droga é responsável por sua vida”, disse.
     
    Em palestra, o presidente da Fiocruz afirmou que “não existe qualquer tipo de evidência científica” que possa ser usada como fundamentação para distinguir as chamadas drogas lícitas e ilícitas. Ele citou os exemplos do álcool e da maconha para fazer a comparação. “É indiscutivelmente evidenciado que o álcool é muito mais prejudicial, do ponto de vista da saúde, seja no campo individual, seja no coletivo, com seus efeitos sobre a saúde pessoal, as interações sociais, a violência doméstica, os acidentes de trânsito.”
     
    Para Gadelha, a sociedade vive hoje momento de discussão de valores em meio a uma grave crise econômica e política com “exploração do medo e do desconhecimento”.
     
    O seminário, que termina na sexta-feira, 3, terá nesta quinta-feira, 2, a participação do presidente do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis do Uruguai, Augusto Vitale. Gadelha disse que as discussões serão importantes para a instituição definir posição sobre o cultivo de maconha para uso pessoal, prática já adotada em países como o Uruguai.
     
    “Estamos aprendendo com várias experiências. Não temos modelos a serem copiados. Estamos centrando primeiro na tese de que a guerra às drogas fracassou e precisamos tratar esse tema vinculado à questão social mais ampla, dos direitos humanos e da saúde pública”, disse o presidente da Fiocruz.
     
    Mudança
     
    Gadelha defendeu mudança em convenções internacionais sobre drogas no debate que a assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) fará em 2016. “Ninguém com senso crítico e olhando para história vai imaginar que haverá eliminação do uso da droga por meio da repressão. Álcool é droga, tranquilizantes são drogas. No entanto, ninguém está propondo que se coloque polícia e prisão para quem usa tranquilizante ou álcool e prejudica sua saúde.”
     
    Representante do Ministério da Justiça no seminário, o diretor da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Leon Garcia, não quis se posicionar sobre o julgamento do STF, mas reconheceu que a subjetividade da lei possibilita a confusão entre usuários e traficantes. Ele afirmou que o governo tem “enorme preocupação com o fato de estarmos prendendo principalmente jovens pobres e negros”. “Essa é uma situação que precisa mudar.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • SUS inclui transplante de medula para tratar anemia falciforme

    SUS inclui transplante de medula para tratar anemia falciforme

    Pacientes que sofrem de anemia falciforme terão à disposição pelo SUS (Sistema Único de Saúde) o transplante de medula óssea, tratamento indicado para as formas mais graves da doença e a única cura conhecida para a enfermidade. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (1º) no “Diário Oficial da União”.
     
    Estima-se que 3.500 brasileiros nasçam com a anemia falciforme por ano. A doença, ligada ao sangue, pode causar desconforto, dores e até mesmo lesão dos órgãos por conta de um gene presente principalmente na população negra.
     
    Durante as chamadas “crises de falcização”, as hemácias (células que levam oxigênio para o organismo) ficam na forma de foice, perdem “flexibilidade” e entopem vasos sanguíneos, segundo a hematologista e membro da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, Belinda Simões.
     
    O transplante deve ser indicado em casos mais graves, em que os pacientes apresentem complicações neurológicas e articulares. Estima-se que o SUS oferecerá cerca de 50 transplantes ao ano.
     
    Além da medula, o procedimento também pode ser feito com sangue do cordão umbilical de um irmão compatível.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Estudo tenta determinar o nível ideal de pressão no sangue

    Estudo tenta determinar o nível ideal de pressão no sangue

    Quase meio século depois de rigorosos estudos mostrarem que medicamentos que diminuem a pressão sanguínea realmente previnem ataques do coração, derrames e mortes, os pesquisadores ainda não sabem quão baixa a pressão arterial deveria ser. Mais de 58 milhões de americanos tomam esses remédios, mas a pergunta fundamental ainda não foi respondida.
     
    “Sabemos que tratar a hipertensão é bom, mas não temos certeza de quão agressivos devemos ser”, explica o doutor Michael Lauer, diretor da Divisão de Ciências Cardiovasculares do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue.
     
    O instituto está procurando por respostas definitivas como parte de sua missão para diminuir as mortes por doenças cardiovasculares, para continuar com as décadas de queda nas taxas dessa patologia que é líder de mortalidade.
     
    Os resultados de um grande e rigoroso estudo, chamado SPRINT (de Systolic Blood Pressure Intervention Trial ou Teste de Intervenção da Pressão Sanguínea Sistólica, em tradução livre), devem sair em 2017. Os pesquisadores estão analisando nove mil adultos com pressão sanguínea alta. Metade deles teve como tarefa trazer sua pressão sistólica – o maior número, que mede a pressão quando o coração se contrai – para menos de 120 (o que comumente chamamos de 12) enquanto outros deveriam chegar a menos de 140. O estudo vai medir não apenas os ataques cardíacos, derrames e doenças nos rins, mas também os efeitos no cérebro. As pessoas pensam melhor e evitam demência quando têm a pressão mais baixa?
     
    Enquanto isso, os médicos estão tomando decisões em meio a uma nuvem de incertezas.
     
    O que dizer de um paciente como Glenn Lorenzen, de 67 anos, cuja pressão sistólica estava em assustadores 220 em outubro? Em um dia frio de dezembro na clínica cardiovascular do hospital Veterans Affairs, em Boston, ele recebeu a boa notícia de que os medicamentos e a perda de peso diminuíram a pressão para 124. Ele deveria ficar feliz? Deveria ter como alvo ficar abaixo de 120? Ou pode ir devagar com os remédios e deixar sua pressão subir um pouco para 140 ou 150?
     
    Uma corrente de pensamento diz que a pressão sobe com a idade para empurrar mais sangue para dentro do cérebro. Outra afirma que pressão arterial alta produz danos no cérebro, talvez causando pequenos derrames silenciosos.
     
    “Não sabemos quem está certo”, afirma David Reboussin, bioestatístico da Universidade Wake Forest e investigador principal da nova pesquisa federal.
     
    A tendência na geriatria é deixar a pressão subir um pouco, mas não acima de 150, explica o doutor Alfred Cheung, investigador do estudo, nefrologista e professor de medicina da Universidade de Utah.
     
    “Não tem base em números”, diz ele.
     
    A falta de evidência está no coração de uma disputa que foi em parte concebida por causa da maneira como o pensamento sobre a pressão arterial se desenvolveu.
     
    Quando as drogas para diminuir a pressão sanguínea chegaram ao mercado nos anos 1950, muitos médicos não sabiam se deviam prescrevê-las. Eles pensavam que a pressão sistólica deveria ser 100 mais a idade da pessoa. A sabedoria convencional era que os vasos endurecem com a idade, então a pressão mais alta ajudaria a empurrar o sangue por eles.
     
    Essa visão foi deixada de lado em 1967 quando um estudo rigoroso comparando os remédios com placebos acabou mais cedo porque aqueles que tomavam os medicamentos tiveram muito menos derrames e ataques cardíacos. Os remédios viraram um pilar fundamental na medicina, e acredita-se que salvaram milhões de vidas.
     
    Muitos testes clínicos antigos nem mesmo falavam de pressão sistólica, o foco de hoje. Ao invés disso, avaliavam a pressão diastólica, o número menor, que representa a pressão nos vasos sanguíneos quando o coração relaxa entre as batidas.
     
    “O pensamento geral – incorreto – era de que, à medida que você fica mais velho, a sistólica vai naturalmente subir” para suprir o cérebro com sangue, diz o doutor William C. Cushman, chefe de medicina preventiva do Centro Médico VA, em Memphis, Tennessee.
     
    O primeiro estudo sobre pressão sistólica foi publicado apenas em 1991. Esse e pesquisas subsequentes concluíram que o objetivo do tratamento deveria ser um nível abaixo de 150 para prevenir ataques cardíacos, falência do coração e derrames. Quase nenhum estudo examinou os resultados de números mais baixos.
     
    Por isso, os médicos e quem faz as diretrizes estão com um enigma nas mãos, diz Cushman. “A epidemiologia é consistente com o fato de que ter uma pressão sistólica de 120 ou até mesmo menos que isso está associado com a redução da mortalidade cardiovascular. Mas isso não significa necessariamente que tratar com remédios para atingir esse nível vai trazer benefícios.”
     
    A preocupação é que os medicamentos sempre apresentam mais efeitos do que aquilo para o que estão sendo usados. Assim, ter a pressão diminuída por meio de remédios não é necessariamente a mesma coisa do que possuir uma naturalmente baixa.
     
    As diretrizes dos especialistas variam muito. Um painel organizado pelo Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue sugere pressão sistólica abaixo de 150 para quem tiver mais de 60 anos. A Associação Americana do Coração e outros grupos dizem que deveria estar abaixo de 140.
     
    As orientações europeias afirmam que a pressão sistólica deve ser menos de 150, exceto para adultos mais velhos, mas elas dizem que é preciso levar em conta o risco que a pessoa tem de sofrer uma doença do coração na hora de decidir quão baixo esse número tem que ser. E estudos epidemiológicos que analisam grupos grandes de pessoas ao longo do tempo descobriram que aqueles cuja pressão sistólica é naturalmente 120 ou mais baixa têm o menor risco de sofrer um ataque do coração e derrames.
     
    As diretrizes do painel do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue constituíram um dos mais ambiciosos esforços para construir um consenso sobre os níveis de pressão sanguínea. A missão era usar números de estudos rigorosos ao invés de opiniões de especialistas, como era o padrão anterior.
     
    Antigas orientações de um comitê parecido montado pelos Institutos Nacionais de Saúde colocaram o objetivo de uma pressão sistólica abaixo de 140. A nova diretriz diz que deve ser abaixo de 150 para pessoas de 60 anos ou mais. “Foi aí que vimos o benefício” em testes clínicos, explica a doutora Suzanne Oparil, diretora do programa de biologia vascular e hipertensão da Universidade do Alabama, em Birmingham e presidente do comitê.
     
    Mas quando o relatório do comitê foi publicado em dezembro de 2013, ele imediatamente virou motivo de críticas, e cinco de 12 membros do comitê publicaram seus próprios documentos advogando pressão sanguínea abaixo de 140.
     
    “Um grupo minoritário do painel das diretrizes achou insano aumentar o alvo para 150 no segmento da população que tem o maior risco de hipertensão”, explica o doutor Jackson T. Wright Jr., da Universidade Case Western Reserve, que estava entre os dissidentes.
     
    E a questão não é apenas o número certo para a pressão sistólica. Pressão sanguínea e nível de colesterol agora estão sendo tratados de maneiras muito diferentes. As orientações para colesterol levam em conta os riscos gerais do paciente para um ataque do coração. Mas, com a pressão arterial, pelo menos nas diretrizes dos Estados Unidos, a única coisa que importa são os níveis de pressão do sangue e não outros fatores como histórico familiar ou índices de colesterol.
     
    No entanto, os estudos foram desenhados assim, diz Cushman. Os testes de colesterol levaram outros riscos em consideração. Os de pressão sanguínea olharam apenas para a pressão sanguínea. Mas claramente algumas pessoas têm menos riscos do que outras mesmo com pressão idêntica. Ainda assim, elas são tratadas da mesma maneira. Isso deveria mudar?
     
    Esse tipo falta de consistência deixa muitos profissionais com um dilema. O médico de Lorenzen no VA de Boston, doutor Michael Gaziano, professor de medicina de Harvard, considera o risco geral do paciente e prega perda de peso e exercícios para melhorar os efeitos dos remédios para pressão sanguínea. Ele mesmo vive assim, seguindo uma dieta mediterrânea com pouca carne e praticando corrida em esqui cross-country.
     
    “Você é a pessoa mais magra que eu conheço”, Lorenzen disse para Gaziano em uma visita recente.
     
    Lorenzen, que teve dois ataques cardíacos, ainda está pesado, mas é uma das estrelas entre os pacientes de Gaziano. Perdeu quase 30 quilos e faz exercícios na maioria dos dias. Quando sua pressão estava acima dos 200, ele se sentia deprimido e sua cabeça doía “como uma queimadura grave”. Apesar de a alta pressão arterial muitas vezes ser chamada de assassina silenciosa, quando o número sobe muito, as pessoas sentem os efeitos no cérebro, conta Gaziano.
     
    “Sua pressão está indo em uma boa direção, mais do que eu esperava”, afirmou Gaziano a ele. “O remédio sozinho não faria isso. Tenho a sensação de que os exercícios e a perda de peso foram importantes.”
     
    “Consegui um A”, diz Lorenzen orgulhoso.
     
    Os hospitais e as práticas médicas avaliam os médicos por quanto os pacientes seguem as orientações e muitas vezes eles são penalizados financeiramente quando os pacientes não atingem os números desejados. Assim, Gaziano vai conseguir marcas muito boas pela pressão de Lorenzen estar em 124. O VA determinou que a pressão sistólica fique abaixo de 140.
     
    Mas Gaziano diz que o sistema de notas que tem como alvo um valor simples como medida de sucesso é equivocado. “Se o paciente começa com uma pressão de 180 e consegue abaixar para 145, recebo uma marca ruim. Não obtive sucesso. Mas se o paciente vai de 140 para 139, tive.”
     
    Outro paciente na clínica aquele dia, Joseph Moscillo, de 65 anos, de Medford, Massachusetts, teve um ataque do coração, mas reduziu sua pressão de 200 para 150. A sua não seria vista como uma história de sucesso. Mas Gaziano diz que acredita que ao invés de dar novos remédios para diminuir sua pressão, é mais importante que Moscillo perca parte dos seus 102 quilos.
     
    “Podemos continuar dando pilhas de remédios, mais é um jogo perdido se você não se exercitar e não controlar seu peso”, Gaziano disse a Moscillo.
     
    Os resultados da pesquisa SPRINT podem afetar as decisões diárias dos médicos. Se descobrir que uma pressão abaixo de 120 é melhor do que abaixo de 140, os planos de Lorenzen e Moscillo provavelmente vão mudar.
     
    “Se mostrar que abaixo de 120 é claramente melhor, vai mudar todo o cenário”, afirma Cushman.
     
    Mas se o estudo não chegar à conclusão de que abaixo de 120 é melhor do que abaixo de 140, “ficaremos onde estamos hoje”, diz ele.
     
    Uma terceira possibilidade é que a pressão abaixo dos 120 seja, na verdade, prejudicial.
     
    Poucos esperam por isso, avisa Cushman, “Mas você nunca sabe o que vai encontrar em uma pesquisa até abrir o envelope”.
     
    Fonte: The New York Times
  • Campanha atinge meta e imuniza 84% do público-alvo contra a gripe

    Campanha atinge meta e imuniza 84% do público-alvo contra a gripe

    Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que a campanha de vacinação contra a gripe imunizou este ano 41,9 milhões de pessoas, o que equivale a 84,3% do público-alvo.
     
    O objetivo era vacinar pelo menos 80% das crianças com mais de 6 meses e menores de 5 anos, idosos, trabalhadores da saúde, povos indígenas, gestantes, mulheres que tiveram filhos há no máximo 45 dias, presos, funcionários do sistema prisional e pessoas com algumas doenças crônicas. Estes grupos totalizam 49,7 milhões de pessoas consideradas com mais riscos de desenvolver complicações causadas pela doença.
     
    Dez estados não atingira a meta nacional. Acre, Roraima, Piauí, Ceara, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Bahia, São Paulo e Mato Grosso vacinaram mais de 70% do público-alvo, mas não chegaram ao objetivo. Amapá e Espírito Santo, respectivamente, com 91% e 90% de cobertura, foram os estados que mais vacinaram.
     
    A campanha começou no dia 4 de maio em todo o país e foi prorrogada pelo Ministério da Saúde no dia 5 de junho. Depois do encerramento, no dia 5 de junho, o Ministério da Saúde recomendou aos estados que não atingiram a meta, a continuidade da vacinação.
     
    A vacina disponibilizada na rede pública este ano protege contra os três subtipos do vírus da gripe determinados pela OMS para 2015 (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). Apesar de alguns grupos resistirem a tomar a dose,  o Ministério da Saúde garante que a vacina é segura e considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe.
     
    Fonte: The New York Times
  • Vírus que causa paralisia temporária em crianças é encontrado em Manaus

    Vírus que causa paralisia temporária em crianças é encontrado em Manaus

    Pesquisadores encontraram em Manaus (AM) um novo vírus que causa diarreia, paralisia das pernas por até duas semanas e que pode levar à morte. Segundo a pesquisadora que coordenou o trabalho, Patrícia Puccinelli, do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia) , o vírus é transmitido por água contaminada com fezes.
     
    A descoberta no Brasil do gemycircularvirus foi feita a partir da análise molecular das fezes de 1,5 mil crianças de até dez anos que tiveram diarreia e foram atendidas em prontos-socorros de Manaus entre 2007 e 2009. Entre as crianças que fizeram parte da pesquisa, cinco estavam contaminadas. Segundo Patrícia, o vírus já havia sido descoberto no Sri Lanka, onde os sintomas também foram detectados em adultos.
     
    A pesquisadora ressaltou que a presença do vírus foi observada em Manaus porque o estudo foi feito apenas nessa cidade, mas alertou que ele pode estar presente em outros Estados.
     
    Para prevenir a doença, é necessário o fortalecimento do saneamento básico por parte do Estado e também que a população tome medidas básicas como lavar as mãos após ir ao banheiro e antes das refeições e só ingerir água filtrada ou fervida.
     
    Atualmente, a detecção do gemycircularvirus só pode ser feita pela análise molecular das fezes, porém a pesquisadora Patrícia Puccinelli está estudando o desenvolvimento de um kit de diagnóstico rápido do vírus.
     
    O pesquisador do Laboratório de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), Tung Gia Phan, teve parceria na descoberta, que foi publicada na revista Virology.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo confirma precisão de diagnóstico rápido de ebola, autorizado pela OMS

    Estudo confirma precisão de diagnóstico rápido de ebola, autorizado pela OMS

    Um teste de diagnóstico rápido do vírus ebola, autorizado desde fevereiro pela Organização Mundial de Saúde (OMS), se mostrou tão confiável quanto o método clássico de diagnóstico – segundo um estudo publicado nesta sexta-feira pela revista médica britânica The Lancet.
     
    O teste, batizado ReEBOV e produzido pela empresa norte-americana Corgenix, foi testado em 105 pacientes suspeitos de terem sido infectados pelo vírus em dois centros médicos de Serra Leoa, assim como em 284 amostras sanguíneas recuperadas em laboratório.
     
    Os resultados foram comparados aos obtidos pelo método tradicional, que consiste em efetuar um exame de sangue e enviar o material, de maneira segura, a um laboratório especializado onde o vírus é detectado graças a um procedimento que permite destrinchar o material genético do vírus (teste RT-PCR).
     
    Este método pode levar alguns dias e apresenta alguns riscos à equipe encarregada pela coleta, transporte e do exame propriamente dito.
     
    O teste ReEBOV, em contrapartida, dura apenas cerca de 15 minutos. Ele consiste em colocar uma gota de sangue do dedo do paciente num pedaço de papel e colocá-la num tubo de ensaio com anticorpos que capturam uma proteína específica do vírus.
     
    O teste rápido permitiu detectar todos os casos positivos identificados pelo método tradicional, mas apenas 92% dos casos negativos.
     
    Os pesquisadores, liderados pela médica Nina Pollock, do Hospital Infantil de Boston, também descobriram que o teste RT-PCR não era uma referência completamente confiável, na medida em que um pequeno número de infecções detectadas pelo exame ReEBOV e um outro método tradicional passaram batido.
     
    O teste ReEBOV é o primeiro teste rápido a conseguir uma autorização de uso emergencial por parte da OMS e da agência norte-americana encarregada pela liberação de medicamentos, a FDA.
     
    Mas vários outros testes rápidos estão atualmente em fase de desenvolvimento ou experimentação. É o caso, por exemplo, de um exame rápido desenvolvido pelo Instituto Pasteur de Dakar e que é objeto de provas na Guiné.
     
    Uma equipe de pesquisadores japoneses anunciou em abril ter confirmado o nível de segurança de um exame de detecção do vírus em menos de 12 minutos, desenvolvido pelo médico Jiro Yasuda.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Só 1/3 dos remédios propostos entram no SUS

    Só 1/3 dos remédios propostos entram no SUS

    Desde 2011, quando o Ministério da Saúde criou uma comissão para definir quais medicamentos e tecnologias seriam incorporados à lista da rede pública, apenas 30% dos pedidos de incorporação apresentados ao órgão foram aprovados. Em pouco mais de quatro anos, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recebeu 419 pedidos de inclusão de novos insumos, dos quais 127 foram aceitos pela pasta. Das demandas restantes, 70 nem sequer foram julgadas porque não preencheram os requisitos básicos para análise, 65 tiveram a incorporação negada e outras 65 ainda estão em análise.
     
    De acordo com a Conitec, estão entre os motivos para a recusa de incorporação a insuficiência de evidência de eficácia e superioridade em relação às alternativas terapêuticas disponíveis no SUS, avaliação econômica inadequada e impacto orçamentário muito elevado.
     
    Embora apenas um terço das propostas de incorporação tenham sido aceitas, o Ministério da Saúde afirma que o número médio de tecnologias incluídas na lista do SUS por ano é quase três vezes maior após a criação da Conitec. Enquanto de 2011 até 2014, foram incorporados, em média, 31 novos insumos por ano, antes da criação da Conitec, a média de inclusões anuais era de 12 tecnologias.
     
    Os dados do ministério mostram ainda que a oncologia foi a especialidade com o maior número de pedidos de incorporação, com 15% das solicitações. Em seguida, com 12% das solicitações cada uma, estão as áreas de reumatologia e infectologia. É na área de tratamento contra o câncer em que se concentram asmaiores críticas à Conitec.
     
    De acordo com especialistas, medicamentos inovadores com estudos que comprovam a sua eficácia ainda não estão disponíveis para os pacientes da rede pública. “Uma das maiores lutas que tivemos foi a incorporação do trastuzumabe, indicado para câncer de mama, e que mesmo com mais de dez anos de evidência científica só foi incorporado pelo SUS em 2012, ainda deixando de fora as pacientes com o tumor do tipo metastático”,reclama a mastologista Maira Caleffi,presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
     
    Para a especialista, há pouca participação da classe médica na estrutura da comissão.Entre os órgãos que integram a Conitec, a maioria são instâncias governamentais,como as secretarias do Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e os conselhos de secretários municipais e estaduais de saúde. A única entidademédicaa terassentonaConitecé oConselhoFederal deMedicina (CFM). “Essa comissão não tem credibilidade com as sociedades de especialidades.A gente se mobiliza,apresenta pareceres científicos durante o período de consulta pública e eles nunca consideram esses documentos”, reclama Maira.
     
    Diretor do centro oncológico Antonio Ermírio de Moraes – Beneficência Portuguesa, o médico Fernando Cotait Maluf afirma que outras drogas para câncer também estão fora dalista de cobertura do SUS, como pertuzumab e T-DM1, para o câncer de mama, e abiraterona e enzalutamida, para o de próstata. Ele afirma que os remédios dão um ganho maior de sobrevida aos pacientes com a doença avançada. “Não tenho dúvida que os pacientes do SUS hoje têm menos recursos de tratamento do que os de convênios e particulares. Entendo que os recursos financeiros do governo são limitados, mas seria importante que outras entidades, que reúnem médicos e pacientes, participassem da discussão do que é prioritário incorporar”, defende o oncologista.
     
    Diagnosticada com câncer de mama em 2000, a aposentada Eny Rodrigues, de 58 anos, descobriu uma metástase em 2006 e ouviu dos médicos do hospital onde se tratava, no SUS, que tinha no máximo mais um ano de vida. “Disseram que não existia mais tratamento para o meu caso. A sorte foi que um dos médicos estava participando de um estudo com um novo remédio e me chamou.” O medicamento em questão é o pertuzumab, que mantém Enyviva até hoje.“Ele não deixa a doença crescer, mas me revolta saber que eu só tenho acesso porque participei da pesquisa.
     
    Perdi uma amiga recentemente que estava com a mesma doença e não teve essa sorte. Quantas vidas poderiam ser salvas se esse remédio estivesse disponível no SUS?”, questiona ela.O ministério afirma que as regras da Conitec “garantem as melhores escolhas tecnológicas para a eficiência do sistema público de saúde e a proteção do cidadão”. De acordo com a pasta, a comissão “exige documentos e estudos que comprovem evidência clínica consolidada de eficácia, eficiência e custo-efetividade dos medicamentos ou insumos estratégicos”.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Cientistas fazem descoberta revolucionária na anatomia do cérebro

    Cientistas fazem descoberta revolucionária na anatomia do cérebro

    Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, descobriram um sistema de vasos que liga o sistema nervoso central ao sistema linfático. O sistema drena fluidos linfáticos do cérebro para os nódulos linfáticos e nunca havia sido observado. A descoberta comprova que o cérebro está diretamente ligado ao sistema imunológico. 
     
    Os vasos do sistema linfático ajudam a compor o sistema imunológico por transportarem glóbulos brancos que protegem contra bactérias e vírus. O estudo foi publicado recentemente na revista científica “Nature” e foi recebido com grande entusiasmo pelos cientistas e neurologistas.
     
    A descoberta revoluciona a forma como se ensina a anatomia cerebral e ajuda a entender o melhor o sistema imunológico. A nova noção de anatomia pode ajudar no tratamento de doenças como o Alzheimer, o autismo e a esclerose múltipla.
     
    O estudo foi liderado pelo aluno de pós-doutorado Antoine Louveau, sob supervisão do diretor do departamento de Imunidade do Cérebro da Universidade, Jonathan Kipnis.
     
    Louveau desenvolveu um método para observar em uma lâmina as delicadas meninges de um rato. As meninges são membranas que cobrem o cérebro. Quando ele percebeu um padrão de vasos nas células imunológicas, resolveu testá-las para descobrir se eram vasos do sistema linfático e o resultado surpreendeu a todos. O grupo também encontrou os vasos em mostras de cérebro humano. “Até então, achávamos que o sistema linfático não chegava ao cérebro. Quando eu vi pela primeira vez aqueles vasos, eu entrei em pânico”, afirmou Kipnis ao site Mental Floss.
     
    A localização profunda desses vasos explica o porquê se demorou tanto a descobrir o sistema. Eles são encontradas nos seios durais, que drenam sangue das veias internas e externas do cérebro, dentro das veias internas jugulares.  Os vasos estão, ainda, próximos de grandes vasos de sangue, o que pode explicar o porquê não se soube que esse sistema existia, por tanto tempo.
     
    Kipnis afirmou que os novos vasos precisam ainda serem estudados com profundidade para que se possa compreendê-los na totalidade. 
     
    Até esta descoberta se acreditava que o cérebro era o único órgão importante sem vasos linfáticos e, por isso, separado do sistema imunológico. As imagens dos livros de anatomia geralmente mostram a formação de nódulos e vasos linfáticos como uma complexa teia em todo o corpo, com exceção do cérebro.
     
    Este avanço pode ajudar a entender as causas de várias doenças neurológicas e também do papel que o cérebro pode desempenhar em outras doenças crônicas.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Exame com saliva e sangue pode detectar câncer de cabeça e pescoço

    Exame com saliva e sangue pode detectar câncer de cabeça e pescoço

    Um novo exame que usa sangue e saliva para detectar câncer de cabeça e de pescoço tem se mostrado promissor, segundo um novo estudo.
     
    Enquanto levará anos até que o teste esteja disponível para o público, as descobertas dos pesquisadores da Universidade Johns Hopkins têm aumentado a esperança para um teste de triagem barato, que poderia ser feito por dentistas ou médicos durante visitas regulares.
     
    O câncer de cabeça e pescoço afeta cerca de 50 mil pessoas nos Estados Unidos a cada ano e está em ascensão entre os homens. Os principais fatores de risco são o álcool, tabagismo e papilomavírus humano (HPV), uma infecção comumente transmitida sexualmente.
     
    “Conseguimos demonstrar que o DNA do tumor no sangue ou saliva pode ser medido com êxito por esses tipos de cânceres”, contou o principal autor Nishant Agrawal, professor de otorrinolaringologia e oncologia na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.
     
    O estudo envolveu 93 pacientes com câncer que tinham sido diagnosticados anteriormente. Em pacientes portadores de cânceres originados por HPV, os cientistas recolheram amostras de sangue e saliva de DNA relacionado à promoção de câncer.
     
    Naqueles com câncer não ligados ao HPV, os médicos buscaram mutações em um punhado de genes relacionados ao câncer. Os pesquisadores descobriram o DNA do tumor na saliva de 71 dos 93 pacientes (76%) e no sangue de 41 dos 47 (87%).
     
    Cerca de metade dos pacientes concederam tanto saliva quanto amostras de sangue aos cientistas, e os testes combinados encontraram DNA do tumor em 45 dessas 47 pessoas (96%).
     
    “A combinação de exames de sangue e de saliva pode oferecer a melhor chance de encontrar o câncer”, disse Agrawal.
     
    Mais testes sobre um maior número de pacientes ainda são necessários antes que o teste possa procurar a aprovação do mercado. Uma forma beta do teste pode custar milhares de dólares, mas com o tempo poderia ser oferecido por 50 dólares em ambiente de escritório ou de cuidados primários de um dentista, disseram os pesquisadores.
     
    “Nosso objetivo final é desenvolver melhores testes de triagem para encontrar cânceres de cabeça e pescoço entre a população em geral e melhorar a forma de como monitorar pacientes com câncer de recorrência de sua doença”, afirmou o co-autor Bert Vogelstein, professor de oncologia na Johns Hopkins Kimmel Cancer Center.
     
    A pesquisa foi publicada em 24 de junho na revista científica “Science Translational Medicine”.
     
    Fonte: Folha de São Paulo