Author: admin

  • Brasileiras se unem para entrar no mapa dos biológicos

    Brasileiras se unem para entrar no mapa dos biológicos

    Parcerias entre empresas brasileiras, multinacionais, laboratórios públicos e governo buscam colocar a indústria brasileira no mercado mundial de medicamentos biológicos.
     
    Ramo dos mais promissores da indústria farmacêutica, a produção de remédios biológicos deve ter crescimento de vendas a taxas de 10% ao ano até 2020 e alcançar um valor de movimentação anual de US$ 290 bilhões, segundo a consultoria Persistence Global Market.
     
    Mais complexos e caros do que os sintéticos, os biológicos são produzidos a partir de células vivas, submetidas a técnicas de engenharia genética e biotecnologia.
     
    Quatro laboratórios brasileiros devem investir ao menos R$ 1,6 bilhão no desenvolvimento desses medicamentos nos próximos anos. A maior parte dos recursos virá de financiamento do BNDES.
     
    Em parceria com multinacionais e laboratórios públicos, as empresas irão produzir biossimilares (remédios que possuem efeitos comparáveis aos originais) de sete medicamentos cujas patentes vão expirar até 2020.
     
    A iniciativa segue o caminho da criação do mercado de genéricos no país, no final dos anos 1990. As empresas brasileiras entrarão no mercado produzindo o que já foi desenvolvido no exterior. A seguir, a partir do conhecimento adquirido no processo de transferência de tecnologia, espera-se que criem produtos inovadores, diz Pedro Palmeira, chefe de departamento do BNDES.
     
    LANÇAMENTO
     
    Há perspectivas de que produtos 100% nacionais sejam lançados em breve. O laboratório Cristália aguarda a aprovação da Anvisa para produzir uma pomada para tratamento de feridas feita a partir da enzima colagenase.
     
    Diferentemente do produto similar disponível atualmente, a enzima desenvolvida pela empresa é feita a partir de substrato vegetal, o que elimina o risco de contaminação animal, diz Ogari Pacheco, presidente da Cristália.
     
    A Bionovis, formada em 2012 a partir da parceria entre quatro indústrias nacionais para produzir medicamentos biológicos, também tem pesquisas para desenvolver seus próprios produtos.
     
    Odnir Finotti, presidente da empresa, conta que a companhia irá investir US$ 75 milhões para sua primeira linha de medicamentos, hoje em fase de testes. A Bionovis não revela detalhes sobre os itens em desenvolvimento.
     
    A empresa espera ter sua linha de produção montada no final de 2016 e prevê produzir os itens desenvolvidos por ela a partir de 2018.
     
    País pode economizar R$ 5 bi ao ano
     
    O governo federal pretende economizar R$ 5,3 bilhões por ano com a produção local de sete medicamentos biológicos cuja tecnologia está sendo transferida ao país.
     
    Hoje, eles consomem R$ 2,8 bilhões dos R$ 12,7 bilhões do orçamento do SUS (Sistema Único de Saúde) destinado à compra de remédios, segundo o Ministério da Saúde.
     
    A estimativa do valor a ser economizado leva em conta um aumento do uso desses medicamentos, diz Jarbas Barboza, secretário de ciência tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da Saúde. A expectativa é de que ele seja alcançado em dez anos.
     
    A transferência de tecnologia é feita por meio das PDPs (Parcerias de Desenvolvimento Produtivo). Nelas, uma multinacional que domina a manufatura de um medicamento com patente a vencer transfere essa tecnologia a um laboratório brasileiro privado, associado a um público.
     
    O governo se compromete a comprar esses medicamentos das empresas inseridas no programa, assim que a sua produção começar. Já foram firmadas 18 parcerias.
     
    Apesar de o programa significar o início da indústria de biológicos no Brasil, o atraso do país no setor preocupa. “Mesmo após o desenvolvimento dos genéricos, importamos 86% dos princípios ativos usados nos medicamentos para serem embalados aqui”, afirma Antonio Britto, presidente-executivo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).
     
    Segundo sua avaliação, a Anvisa definiu uma boa regulamentação do setor de biológicos, o que garante segurança e possibilidade de inovar. Porém falta uma maior integração dos centros de estudo nacionais às redes mundiais de pesquisa.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Célula-tronco ajuda a produzir vasos sanguíneos para facilitar transplantes

    Célula-tronco ajuda a produzir vasos sanguíneos para facilitar transplantes

    Imagine uma reforma de casa tão radical que inclua a remoção da pintura e do reboco das paredes, deixando desnudos os tijolos que formam a sua estrutura. Essa metáfora é útil para entender os projetos em andamento no Laboratório de Engenharia Celular (LEC) coordenado pela hematologista e hemoterapeuta Elenice Deffune na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu. Em vez de tinta e cimento, o trabalho dos pesquisadores envolve a remoção das células que recobrem estruturas ocas do corpo, como a traqueia e os vasos sanguíneos. Esse procedimento, conhecido como descelularização, é o primeiro passo de uma transformação mais ampla: a produção de órgãos e tecidos de reposição formados por células com as características genéticas do receptor.
     
    Usando essa estratégia, o cirurgião vascular Matheus Bertanha está desenvolvendo no LEC uma possível alternativa terapêutica para os problemas circulatórios gerados pela aterosclerose. Na aterosclerose, placas de gordura e cálcio se acumulam no interior das paredes das artérias e obstruem, ainda que parcialmente, a passagem do sangue. Quando esse bloqueio é grave a ponto de causar sintomas, o tratamento envolve procedimentos cirúrgicos para restaurar a circulação. Nos casos mais radicais, implanta-se um segmento de artéria ou de veia retirado de outra parte do corpo do próprio indivíduo, criando um desvio – ou uma ponte – que restabelece o fluxo sanguíneo normal. É o que geralmente fazem os cirurgiões cardíacos ao implantar um segmento da veia safena, extraído da perna, no coração de quem tem as artérias coronárias obstruídas. Algo semelhante é feito pelos cirurgiões vasculares para tratar bloqueios em artérias das pernas.
     
    Nem sempre, no entanto, é possível realizar esse procedimento. Segundo dados da literatura médica, 30% dos pacientes que necessitam de enxerto para a confecção de pontes coronarianas não possuem vasos com as características adequadas para essa função. Estima-se ainda, conta Bertanha, que uma em cada 10 pessoas com indicação para receber enxertos vasculares nos membros inferiores enfrente o mesmo problema. “Alguns possuem veias com menos de 2,5 milímetros de diâmetro, o que impede a sua utilização”, explica. “Outras pessoas já estão na segunda ponte e não têm mais vasos disponíveis”, diz. Nesses casos, uma saída é usar uma ponte artificial, feita de material sintético. Mas elas podem ter uma vida útil curta porque sofrem obstrução mais facilmente. Outra possibilidade é obter vasos de doadores vivos, o que nem sempre é viável por causa da incompatibilidade imunológica, que pode levar à rejeição do implante.
     
    Bertanha trabalha numa alternativa, ainda experimental, para tentar superar a falta de vasos do próprio indivíduo e o risco de obstrução dos materiais sintéticos. Em testes com coelhos, ele primeiro extrai vasos naturais – mais especificamente veias – de um animal doador. Depois, o segmento a ser transplantado para outro animal passa por um banho químico com detergentes que eliminam as células das paredes do vaso. O objetivo desse processo de descelularização é evitar que o corpo do receptor desencadeie uma agressão contra o órgão implantado. O que sobra desse processo é uma estrutura tubular – um arcabouço – composta por fibras de colágeno, a proteína formadora dos tecidos de sustentação do corpo.
     
    Em seguida, o pesquisador semeia no interior do vaso um tipo especial de célula retirada do corpo do receptor: as células-tronco mesenquimais. Extraídas do tecido adiposo do animal que vai receber o transplante, essas células são capazes de se converter em células típicas dos vasos sanguíneos. Elas são cultivadas em laboratório até atingirem a quantidade esperada – cerca de 100 mil células para o experimento em animais pequenos – e depois coladas no interior do tubo de colágeno com o auxílio de um gel. “A presença de células do próprio receptor no segmento a ser implantado reduz ao mínimo a necessidade de usar imunossupressores para evitar a rejeição”, explica Elenice Deffune, que orientou o trabalho de Bertanha durante o mestrado.
     
    Em um experimento concluído recentemente, Bertanha comparou o desempenho de quatro tipos de implante. Os animais do primeiro grupo receberam um segmento de veia cava retirada diretamente de outro indivíduo, sem passar pela descelularização, enquanto nos do segundo foi implantada apenas a veia descelularizada. No terceiro grupo foi usado um segmento de veia que passou pelo processo de descelularização seguido do repovoamento com células-tronco de outro indivíduo. E, por fim, o quarto grupo recebeu um segmento de veia descelularizada contendo células-tronco mesenquimais do próprio receptor.
     
    Rejeição e regeneração
     
    Como esperado, no primeiro caso houve uma reação inflamatória exuberante e uma forte rejeição ao vaso transplantado, enquanto no segundo ocorreu apenas uma resposta inflamatória branda. O uso de um tubo de colágeno povoado com células-tronco de outro indivíduo não despertou uma rejeição imediata. As células se diferenciaram formando o endotélio, a camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos, e pavimentaram boa parte do tubo. Um mês mais tarde, porém, surgiu uma inflamação expressiva.
     
    Apenas os animais do quarto grupo não apresentaram rejeição, nem inflamação importante, mesmo um mês após a cirurgia e sem o uso de medicamentos imunossupressores. O que mais surpreendeu o pesquisador foi o comportamento das células-tronco implantadas. “Além de terem pavimentado mais de 50% do vaso, elas atraíram outras células-tronco existentes no organismo do receptor”, conta Bertanha. O resultado, inesperado, foi a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). “Em princípio, essa surpresa é boa porque a angiogênese pode ajudar o novo vaso a se integrar ao tecido adjacente”, diz o pesquisador. “Mas teremos de investigar se esse processo não é patogênico.” Bertanha planeja realizar mais testes em animais, ao mesmo tempo que começa a trabalhar com células-tronco humanas, já pensando em experimentos futuros.
     
    Em paralelo ao trabalho de Bertanha, a biomédica Thaiane Cristine Evaristo, aluna de doutorado da cirurgiã Daniele Cataneo, usa os procedimentos de descelularização e recelularização para produzir no LEC traqueias a serem usadas em transplantes. Ela desenvolve um protocolo de descelularização distinto dos adotados por equipes no exterior – e potencialmente mais barato.
     
    Em outros países, os pesquisadores costumam usar enzimas de origem animal ou obtidas por engenharia genética para eliminar da traqueia as células do doador. Apesar de eficaz, essa estratégia é cara. Pode-se gastar até € 80 mil para descelularizar uma única traqueia. Esse custo, sem contar o da cirurgia e o da internação, torna quase proibitivo o transplante de traqueia em seres humanos.
     
    Buscando uma alternativa, Thaiane e Elenice decidiram submeter as traqueias extraídas de doadores a uma sequência de tratamentos químicos e físicos que produzissem um resultado semelhante ao obtido com as enzimas. Primeiro, removeram cirurgicamente a traqueia e a banharam em um potente detergente, que ajuda a desfazer a membrana das células. Em seguida, usaram uma prensa para comprimi-la suavemente, antes de fazê-la passar por alguns ciclos de congelamento e descongelamento e imersão em um líquido agitado por vibrações ultrassônicas. Por último, a traqueia passou um período exposta à luz emitida por diodos (LEDs).
     
    Peças de retífica
     
    As traqueias livres de células obtidas com essa técnica foram testadas em coelhos, com resultados promissores. Não houve rejeição ao transplante e os roedores sobreviveram por um período que, para humanos, equivale a 10 anos. Com base nesses resultados, Elenice propôs ao físico Vanderlei Bagnato, da Universidade de São Paulo em São Carlos, desenvolver um equipamento integrando todas as etapas da técnica. Recentemente eles depositaram um pedido de patente do aparelho, cujo protótipo se encontra em desenvolvimento.
     
    Ao mesmo tempo que trabalha no equipamento, o grupo de Botucatu prepara a próxima fase de testes, com suínos, etapa necessária antes do início dos estudos com seres humanos. Além de analisar a eficácia das técnicas de descelularização e recelularização de traqueias, o grupo pretende nos próximos anos testar traqueias artificiais feitas a partir de uma nova tecnologia, a ser desenvolvida em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto do Coração (InCor) da Universidade de São Paulo, ambos na capital paulista, e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas.
     
    A colaboração prevê que o LEC forneça ao IPT proteínas humanas para serem usadas na produção de um tecido nanoestruturado. No Centro Renato Archer, placas desse nanotecido deverão alimentar uma impressora 3D, que irá esculpir novas traqueias. Uma vez prontas, elas deverão ser remetidas ao LEC para a etapa de recelularização. “Queremos avaliar se essa opção se mostra tão boa quanto o uso das traqueias naturais”, diz Elenice. “Talvez o futuro dos transplantes esteja nesses novos materiais.”
     
    No mundo todo existe uma demanda por traqueias para transplante. Elas são necessárias para substituir a traqueia de crianças que nascem com estreitamento nesse tubo que leva o ar do nariz aos pulmões – enfermidade conhecida como atresia congênita da traqueia, que atinge três crianças em cada 100 mil nascidas vivas – e também as de adultos que passam por longos períodos de internação respirando por meio de aparelhos. “No Hospital das Clínicas de São Paulo há uma fila de cerca de 300 pessoas à espera de um transplante de traqueia”, conta Elenice. “Em muitos casos, são adultos jovens que sofreram acidentes de trânsito.”
     
    A literatura médica internacional traz relatos de aproximadamente 30 pessoas que receberam, de modo experimental, o implante de traqueia obtida por meio de engenharia celular. Mas ainda não se conhecem os resultados, que estão sob análise. “A engenharia celular pode fornecer uma esperança concreta para pacientes com lesões crônicas em órgãos de difícil abordagem terapêutica na atualidade”, diz Elenice. Em sua opinião, há motivos para investir na criação de traqueias e vasos sanguíneos artificiais, uma vez que é difícil obter essas estruturas naturais, que dependem de doadores de órgãos. “Às vezes, comparo nosso método a uma retífica de peças, que recupera as usadas e as deixa prontas para o transplante”, exemplifica Elenice. “Criar traqueias artificiais abriria a possibilidade de trabalharmos com peças novas em folha para o processo de recelularização.”
     
    Referência em engenharia celular no Brasil, a bióloga Nance Nardi, da Universidade Luterana do Brasil, no Rio Grande do Sul, explica que a pesquisa nessa área começou com vasos e traqueias por causa da relativa simplicidade dessas estruturas. “Já há estudos com órgãos mais complexos, como o fígado, mas estão em estágios mais preliminares”, diz. Nance vê no crescente domínio do processo de descelularização uma das chaves para o progresso apresentado pelo LEC. “Remover as células de um arcabouço sem comprometer a sua integridade ainda é algo bem difícil”, avalia. “O trabalho deles tem conseguido boa repercussão, mas ainda deve levar algum tempo até que esses procedimentos se tornem cotidianos nas salas de cirurgia.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estados Unidos proíbem gordura trans em alimentos

    Estados Unidos proíbem gordura trans em alimentos

    A FDA (agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA) baniu a gordura trans no país e deu três anos para que a indústria se adeque e retire a substância de alimentos industrializados como margarina, biscoitos, sorvetes e pizzas congeladas. Segundo determinação da agência, os óleos parcialmente hidrogenados que dão origem à gordura trans não são considerados seguros. “Essa ação deve reduzir as doenças do coração e prevenir milhares de ataques cardíacos por ano”, disse Stephen Ostroff, médico e comissário interino da FDA em comunicado da agência. A gordura trans aumenta os níveis de colesterol “ruim”, reduz os níveis de colesterol “bom” e, por isso, seu consumo é fator de risco para as doenças cardiovasculares. Em 2013, a FDA já havia anunciado o plano de eliminar a gordura trans e abriu uma consulta pública. De acordo com a agência, a decisão foi tomada com base nas respostas obtidas na consulta e em extensa pesquisa sobre os efeitos dos óleos parcialmente hidrogenados. Segundo a Organização Mundial de Saúde, seis países europeus praticamente baniram a gordura ao estabelecer limites bem baixos. 
     
    A Dinamarca foi a primeira, em 2003. No país, a gordura trans deve corresponder a 2% do total de gorduras do produto. Áustria, Hungria, Islândia, Noruega e Suíça depois estabeleceram limites semelhantes. BRASIL No Brasil, a gordura trans não é proibida. Contudo, acordos fechados entre o Ministério da Saúde e a Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) têm reduzido os teores de sódio e de gorduras trans na comida industrializada.
     
    Uma meta estabelecida em 2007 limitou a gordura trans a 5% do total de gorduras em alimentos industrializados e a 2% do total de gorduras em óleos e margarinas. Um estudo feito pela Abia em parceria com o governo federal apontou que 95% das empresas ligadas à entidade alcançaram a meta. “A decisão americana é acertada. Nosso organismo não precisa de gordura trans. É diferente da gordura saturada, que em excesso faz mal, mas é necessária”, diz José Faria, presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. As gorduras trans começaram a ser usadas para substituir a gordura saturada de origem animal nos anos 1950. Só que não bastava trocar a banha pelos óleos vegetais, que são líquidos e não dão a mesma crocância e aparência aos alimentos como a gordura animal. Foram então criados processos de hidrogenação dos óleos que os tornam sólidos em temperatura ambiente e, no fim, dão origem à gordura trans. A alternativa era barata e, à época, pensava-se que também era saudável. O problema é que os substitutos da gordura trans como o óleo de palma já preocupam a comunidade científica, que pede mais estudos sobre eles. Embora menos nocivos, eles também podem elevar o colesterol e o risco cardiovascular.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Medicamentos mais eficazes para hepatite C serão distribuídos pelo SUS

    Medicamentos mais eficazes para hepatite C serão distribuídos pelo SUS

    Três novos medicamentos para hepatite C serão oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até o final do ano, na previsão do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, os remédios – daclatasvir, sofosbuvir e simeprevir – aumentam as chances de cura e reduzem o tempo de tratamento.
     
    A adoção dos medicamentos foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. O novo tratamento tem taxa de cura de 90%, enquanto o usado atualmente tem eficácia de cura que varia entre 50% e 70%.
     
    Outra vantagem do tratamento, segundo o ministério, é a duração de 12 semanas, contra as 48 semanas da terapia atual. Os novos remédios provocam menos desconforto aos pacientes, já que todo o tratamento é por via oral.
     
    Conforme o Ministério da Saúde, os medicamentos serão adquiridos de maneira centralizada pela pasta para distribuição aos estados. Segundo o ministério, os remédios poderão ser indicados tanto para pacientes que acabaram de receber o diagnóstico de hepatite C quanto para aqueles que já completaram o tratamento atual, mas que não se curaram.
     
    No primeiro ano de uso dos medicamentos, será adquirido o suficiente para o atendimento de 15 mil pacientes. A estimativa do ministério é que a compra seja num valor de R$ 500 milhões.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
     
  • Cigarro é responsável por quase 50% das mortes por 12 tipos de câncer

    Cigarro é responsável por quase 50% das mortes por 12 tipos de câncer

    O cigarro foi responsável por quase metade das mortes por 12 tipos de câncer em 2011 nos Estados Unidos – revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (15) pela revista JAMA Internal Medicine.
     
    Segundo a pesquisa, 48,5% das quase 346.000 mortes atribuídas a um dos 12 tipos de câncer entre adultos de ao menos 35 anos durante esse período foram fumantes de cigarro.
     
    Nesse grupo, a maioria das mortes relacionadas ao tabaco (74,9% ou 129.799) foram produto de câncer de pulmão, dos brônquios e da traqueia. Os tumores de laringe representaram 1,7% ou 2.856 casos.
     
    Cerva da metade das mortes por câncer da cavidade bucal, do esôfago e da bexiga também foram resultado do consumo de tabaco, concluíram os investigadores, entre eles Rebecca Siegel, da American Cancer Society em Atlanta, uma das principais autoras da pesquisa.
     
    “Fumar cigarro continua sendo a causa de um grande número de mortes por câncer apesar dos 50 anos da luta anti-tabagista”, ressalta o estudo.
     
    Mais de 20 milhões de norte-americanos morreram prematuramente por causa do cigarro nos últimos 50 anos, segundo o último informe do ministério da Saúde dos Estados Unidos publicado este ano.
     
    Apesar dos espetaculares avanços registrados – 18% da população norte-americana ainda fuma na atualidade, contra 42% em 1964 – 443.000 americanos morrem todos os anos vítimas de doenças relacionadas ao tabagismo.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Casos de doenças cardíacas e mortalidade cardiovascular aumentam no inverno

    Casos de doenças cardíacas e mortalidade cardiovascular aumentam no inverno

    O inverno está associado ao aumento dos casos de doenças cardíacas e da mortalidade cardiovascular, alerta o diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Claudio Tinoco. Estudos mostram que a cada queda de dez graus de temperatura, há aumento da incidência de complicações cardíacas em torno de 30% a 40%.
     
    Alguns motivos contribuem para isso. O primeiro é o aumento das infecções respiratórias que ocorrem na época do inverno. Gripes e resfriados provocam uma sobrecarga no sistema circulatório. “O coração tem que trabalhar mais, bombear mais sangue para atender às necessidades. Além disso, a infecção agride os vasos na sua superfície de recobrimento mais interno, chamado endotélio, e este fica mais vulnerável a processos de trombose, seja o acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, seja o infarto do miocárdio ou ataque cardíaco”, diz o médico.
     
    Tinoco adverte que as pessoas com problemas cardíacos, como a dilatação das câmaras do coração, que leva a uma diminuição do funcionamento do órgão, também têm maior taxa de internações no inverno, devido a essas infecções respiratórias e, em consequência, maior mortalidade.
     
    O frio leva ainda a um fenômeno chamado vasoconstrição. “Os vasos ficam contraídos para impedir a perda do calor. Por isso, é comum as mãos e a ponta do nariz das pessoas ficarem geladas no período do inverno, porque os vasos contraem, para manter o sangue circulando na parte central do corpo e que não haja perda de calor”. Essa vasoconstrição leva também a uma sobrecarga do coração, que passa a trabalhar com mais força, para atender às necessidades cardíacas.
     
    Outro problema observado no inverno é que as pessoas tendem a comer alimentos mais pesados e aumentar o consumo de bebidas alcoólicas. O diretor da Socerj assegurou que a soma de todos esses fatores acaba aumentando o risco das arritmias, do infarto e outras complicações cardíacas. Para evitar esses problemas, é importante que as pessoas sigam as orientações do seu médico clínico ou cardiologista e façam os exames preventivos.
     
    O controle rigoroso da pressão arterial, evitar o tabagismo, fazer atividades físicas, controlar a glicose, o peso e o colesterol são a base de uma saúde adequada. Esses cuidados se somam a outros na época do inverno. “Como o frio aumenta as complicações cardíacas, a gente recomenda que as pessoas evitem se expor desnecessariamente a temperaturas muito baixas, sem proteção, em atividades ao ar livre, especialmente se forem pessoas que têm problemas cardíacos”.
     
    Outra recomendação direcionada à população mais idosa, acima de 70 anos, é a vacinação contra a gripe no período que antecede o inverno. Tinoco alertou que a campanha de vacinação do governo teve uma adesão baixa da população. A vacina protege não só das infecções respiratórias, como das complicações, das quais a mais temida é a pneumonia. “Também diminuem as complicações cardiovasculares quando as pessoas fazem vacinações”.
     
    O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Pedro Pablo Komlós, alertou que o sistema vascular pode ser afetado na época do inverno. No tocante às veias ou varizes, que têm a característica de se dilatarem no verão, gerando inchaço das pernas, sensação de peso e cansaço, os sintomas tendem a melhorar no inverno. Já no que diz respeito às artérias, que levam o sangue limpo, cheio de oxigênio, do coração para as extremidades do corpo, o frio pode causar um estreitamento dos vasos, principalmente quando há deficiências. “Quando o sistema é normal, as extremidades não sentem tanto”.
     
    Pedro Komlós disse que há algumas doenças funcionais que dependem de maior dilatação ou constrição dos vasos. Entre elas, destacou a Doença de Raynaud, que se caracteriza por palidez cadavérica de extremidades, que ocorre em especial em pessoas com grande sensibilidade ao frio. Essa palidez é passageira e se manifesta mais no Rio Grande do Sul do que em estados de temperatura amena, como o Rio de Janeiro. “Os problemas arteriais é que têm os sintomas agravados com o frio”. Não há, porém, risco direto de morte para esses pacientes, descartou.
     
    A recomendação da SBACV é que os pacientes portadores de doenças arteriais, principalmente no início do inverno, mantenham as extremidades aquecidas, evitem contraste brusco de temperaturas e traumatismos maiores nas extremidades porque, com a diminuição do fluxo arterial, isso pode ter uma evolução mais agressiva. “Mas, fundamentalmente, que se mantenham em controle com um especialista”, concluiu. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • ” para artéria é opção para diabético

    ” para artéria é opção para diabético

    Semelhante a uma lipoaspiração, uma nova técnica para remoção de placas de gordura de artérias foi realizada pela primeira vez no país no Hospital Santa Isabel, centro de São Paulo, no mês passado.
     
    O procedimento, que é menos invasivo do que a colocação de stents (tubos metálicos inseridos em artérias obstruídas para liberar o fluxo sanguíneo), segundo especialista do hospital, deve beneficiar principalmente diabéticos com doença arterial obstrutiva periférica. Trata-se de entupimento das artérias dos membros inferiores que causa dores e dificuldade para andar.
     
    “A principal vantagem é não colocar o metal, que pode se deslocar e causar lesões nos pacientes. O stent não é ruim, é o padrão-ouro, mas, se puder não colocá-lo, é melhor”, explica o chefe do Serviço Vascular do hospital, Alvaro Razuk. O centro médico é ligado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
     
    A técnica se chama aterectomia direcional e é feita usando um equipamento, o TurboHawk, que suga e elimina a gordura da artéria. Por meio de um corte de cinco milímetros na região da virilha do paciente, o médico introduz e controla um cateter revestido com uma fina camada metálica e com uma lâmina. A desobstrução é na artéria femoral, localizada na região da coxa.
     
    “A raspagem da gordura é feita pela lâmina, mas é totalmente controlada pelo médico. O material retirado é armazenado em um recipiente. Trata-se de um processo parecido com a lipoaspiração, mas não retira uma quantidade tão grande de gordura”, afirma Razuk.
     
    Sintomas
     
    Fumantes, pessoas sedentárias, homens com mais de 60 anos, obesos e pacientes com maus hábitos alimentares também estão entre as pessoas mais propensas a desenvolver a doença. O porteiro Eliezer Silva de Lima, de 65 anos, foi o primeiro paciente a ser submetido à técnica e faz parte dos três primeiros grupos. Ele começou a fumar aos 23 anos e não pratica atividades físicas. Há três meses e meio, apresentou sintomas da doença arterial obstrutiva periférica.
     
    “Comecei a sentir dor nas pernas e elas ficavam inchadas. Eu conseguia andar, no máximo, 30 metros e tinha de parar para descansar. Tomava medicamentos e não passava. Meu pé direito ficou ferido e o dedão, muito escuro.” Lima diz que recebeu a informação de que seria submetido à técnica e que resolveu aceitar. “Eu não tenho dúvidas de que estou melhor agora. A minha idade não ajuda muito, mas estou bem.”
     
    Segundo Razuk, em todo o mundo, acontece 1 milhão de amputações por ano em decorrência da doença e 50% dos pacientes ainda não tinham sido submetidos a tratamento. Ainda de acordo com Razuk, o entupimento das artérias pode continuar evoluindo e aparecer em outras partes do corpo, causando complicações em órgãos como o cérebro e o coração. Mas a nova técnica é voltada apenas para a artéria femoral.
     
    Potencial
     
    Razuk diz que o procedimento já é realizado nos Estados Unidos e na Europa. “É uma técnica recente, que existe há dois anos, mas os resultados são animadores. Outros hospitais do País devem utilizá-la também.”
     
    O especialista pondera, no entanto, que o preço pode atrapalhar a disseminação do procedimento. “Uma angioplastia com stent custa em torno de R$ 15 mil e é mais barata do que esse dispositivo, que deve ficar 50% mais caro.”
     
    Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Walter Minicucci diz que é importante buscar procedimentos menos invasivos e que evitem riscos para os pacientes, mas que é fundamental fazer trabalhos de conscientização da população. “A gente procura evitar tratamentos que causem complicações, mas há outras técnicas para melhorar o risco, como manter o colesterol baixo e não fumar.”
     
    Para Luiz Francisco Machado da Costa, diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a técnica vem para complementar os tratamentos tradicionais para a doença. “É um dispositivo que não é experimental, mas muito pontual. É para abrir um caminho quando a placa de gordura está muito rígida. Essa técnica não veio para substituir, mas para agregar, é mais uma alternativa.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • O vírus que tem causado mortes e pânico na Coreia do Sul

    O vírus que tem causado mortes e pânico na Coreia do Sul

    O surto de uma nova doença respiratória está causando mortes e pânico na Coreia do Sul, onde nove pessoas morreram e ao menos cem foram infectadas.
     
    De acordo com a OMS, a Mers (síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio, na sigla em inglês) está sendo transmitida pelo contato entre as pessoas. Mais de 2,7 mil escolas sul-coreanas foram temporariamente fechadas em meio ao temor de contaminação.
     
    Os primeiros casos foram registrados em 2012 no Oriente Médio. O surto atual, no entanto, é maios amplo e grave do que o de três anos atrás.
     
    Mas, afinal, o que é esse novo vírus e devemos nos preocupar com ele?
     
    O que é o novo vírus?
     
    Ele é conhecido como coronavírus, família de vírus que inclui desde o que causa uma simples gripe até a Sars (síndrome respiratória aguda grave).
     
    A primeira vítima foi registrada em 2012, na Arábia Saudita. Segundo a OMS, ao menos 442 pessoas foram mortas por conta desse vírus desde então.
     
    A maioria dos casos se originou em um animal ainda não identificado – mas há casos em que o vírus foi transmitido entre duas pessoas.
     
    Casos foram confirmados em 25 países na Ásia, no Oriente Médio e na Europa, sendo que a maioria dos casos ocorreu na Arábia Saudita. Em maio deste ano, dois novos países entraram na lista: China e Coreia do Sul.
     
    O que ele causa?
     
    O coronavírus causa infecções respiratórias em humanos e animais. Pacientes apresentam febre, tosse e problemas respiratórios.
     
    O vírus pode causar pneumonia e, às vezes, falência dos rins. A maioria dos infectados até agora são homens mais velhos, geralmente com problemas de saúde pré-existentes.
     
    Segundo especialistas, ainda não está claro por que algumas pessoas desenvolvem formas mais leves da doença.
     
    Como o vírus se espalha?
     
    Há suspeitas de que o vírus se espalhe quando pessoas contaminadas tossem ou espirram.
     
    Pessoas que entraram em contato próximo com doentes se contaminaram, o que indica que o vírus tem a habilidade de ser transmitido de pessoa para pessoa.
     
    Até o momento, a maioria dos humanos com Mers foi contagiada pela contato com outros humanos em hospitais ou clínicas. Como exatamente o vírus é transmitido é algo que ainda nao foi totalmente esclarecido.
     
    Quão perigoso ele é?
     
    Especialistas acreditam que o vírus não seja muito contagioso. Se fosse, já teríamos visto mais casos.
     
    O coronavírus é frágil. Fora do corpo, ele só pode sobreviver por um dia e é facilmente destruído por detergente comum.
     
    Especialistas em saúde pública no Reino Unido reforçaram que o risco à população em geral continua sendo bem baixo.
     
    A maior preocupação mundial, porém, é sobre o potencial que esse novo vírus terá para se espalhar por toda a parte. Por enquanto, a transmissão de pessoa para pessoa ficou limitada a pequenos grupos. Não há nenhuma evidência até agora de que o vírus tenha a capacidade de se tornar pandêmico.
     
    Médicos ainda não sabem qual é o melhor tratamento, mas as pessoas com sintomas fortes necessitarão de cuidados médicos para ajudá-las a respitar. Não há nenhuma vacina.
     
    Até este mês, segundo a Organização Mundial da Saúde, 36% dos pacientes com Mers haviam morrido.
     
    O que posso fazer para me proteger?
     
    Ainda não se sabe exatamente como as pessoas podem pegar o vírus. No entanto, algumas medidas gerais podem ajudar a prevenir que ele se espalhe – evitar contato próximo, quando possível, com qualquer pessoa que mostre sintomas de doença (como tosse e coriza) e manter as mãos sempre limpas.
     
    De onde ele veio?
     
    Especialistas ainda não sabem de onde o vírus surgiu. Pode ter sido o resultado de uma nova mutação de um vírus já existente.
     
    Ou pode ser uma infecção que tem se espalhado entre os animais e agora atingiu também os humanos.
     
    Há algum conselho para viagens?
     
    No momento, a Organização Mundial da Saúde diz que não há motivos para impor quaisquer restrições para viagens.
     
    Essa questão será revista se possíveis novos casos ocorrerem ou se os padrões de transmissão se tornarem mais claros.
     
    E os vírus relacionados?
     
    Coronavírus são vírus comuns que a maioria das pessoas pega ao longo da vida. O nome deles vêm de algo como uma coroa de espinhos que cobre sua superfície.
     
    Os coronavírus de humanos foram identificados pela primeira vez em meados dos anos 1960.
     
    Outras variantes infectam diferentes animais, produzindo sintomas parecidos com os de humanos.
     
    A maioria dos coronavírus geralmente infecta apenas uma espécie de animal ou, no máximo, um número pequeno de espécies relacionadas.
     
    A Sars foi diferente: era capaz de infectar pessoas e animais, incluindo macacos, gatos, cachorros e roedores. O novo coronavírus não parece passar de pessoa para pessoa facilmente, enquanto a Sars passa.
     
    A Sars pode ter infectado mais de 8 mil pessoas, a maioria na China e no Sudeste da Ásia, em uma epidemia que começou em 2003. A doença se espalhou para mais de duas dezenas de países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia antes que a epidemia global fosse contida.
     
    Especialistas descobriram que a Sars poderia se espalhar pelo contato próximo de pessoa para pessoa.
     
    De acordo com a OMS, 774 pessoas morreram da infecção. Desde 2004, porém, não houve nenhum outro caso conhecido de Sars registrado em qualquer parte do mundo.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Novas drogas contra o colesterol estão a um passo da aprovação nos EUA

    Novas drogas contra o colesterol estão a um passo da aprovação nos EUA

    Uma comissão da Food and Drug Administration (FDA), agência que regula remédios nos EUA, recomendou a aprovação de novas drogas que se mostraram capazes de reduzir os níveis de colesterol ruim, o LDL.
     
    Em resultados preliminares de estudos clínicos, pessoas que tomaram os remédios viram seus níveis de colesterol ruim cair significativamente. Os testes clínicos deverão ser concluídos em 2017.
     
    Esses remédios são anticorpos que têm como alvo uma proteína (PCSK9) presente no fígado e no intestino e que destrói os receptores de LDL nas células. Esses receptores se encaixam no colesterol ruim e o tiram de circulação.
     
    Ao impedir a ação da PCSK9, é possível baixar o LDL no sangue. Pessoas com mutações genéticas que levam à redução dos níveis da PCSK9 no sangue têm colesterol mais baixo.
     
    Os remédios são injetáveis, e são aplicados a cada duas semanas ou uma vez por mês, dependendo da formulação.
     
    Drogas de duas farmacêuticas, o alirocumab, desenvolvido pela Sanofi e pela Regeneron, e o evolocumab, da Amgen, receberam a recomendação da FDA para serem aprovadas, com 13 fotos a favor e 3 contra. A FDA costuma seguir a recomendação das comissões. A aprovação final deverá ser decidida entre julho e agosto.
     
    As farmacêuticas pedem a aprovação das drogas para três grupos de paciente: aqueles com altos níveis de LDL, que não conseguem diminuir esses níveis apenas com estatinas; pessoas que já sofreram infarto, que têm diabetes e que não conseguem diminuir seus níveis de colesterol com estatinas; e pessoas com altos níveis de LDL que não toleram a estatina. Os médicos costumam definir como alto risco níveis de colesterol LDL acima de 70.
     
    A Sanofi estima que a droga poderá ser aplicada em 11 milhões de americanos. A Amgem estima em 8 milhões.
     
    Até agora, aparentemente todos que tomaram os remédios responderam bem ao tratamento. Os níveis de colesterol LDL caíram cerca de 40% a 65%, mesmo que o nível inicial foi alcançado com uso da estatina.
     
    Os estudos clínicos também mostraram que os remédios aparentemente não têm mais efeitos colaterais do que um placebo. Paul Chew, diretor médico da Sanofi disse ao “New York Times” que tanto pacientes do grupo que tomou placebo quanto o grupo que tomou o medicamento relataram esquecimento.
     
    Mais resultados serão obtidos conforme os estudos, que estão primeiramente tentando investigar se a drogas reduzem os casos de enfarto e mortes tão bem quanto reduzem os níveis de colesterol ruim, avançam.
     
    A Sanofi está fazendo estudos com 27.500 pacientes e a Amgem com 18 mil.
     
    CUSTO
     
    As drogas, porém, prometem ser caras. Como muitas outras drogas contra o câncer, os novos medicamentos são anticorpos, produzidos a partir de células vivas a um custo muito elevado. As farmacêuticas não revelaram quanto elas pretendem cobrar pelas novas drogas, mas William Shrank, chefe científico da organização CVS Health, estimou ao NYT que elas podem custar de U$ 7 mil a U$ 12 mil por ano.
     
    Fonte: New York Times
  • Doenças autoimunes podem se instalar antes mesmo do nascimento

    Doenças autoimunes podem se instalar antes mesmo do nascimento

    As doenças autoimunes, nas quais o sistema de defesa se volta contra o próprio organismo, podem surgir mais cedo do que se imaginava. Em casos raros, descobriu-se agora, podem se instalar antes mesmo do nascimento. Pesquisadores brasileiros identificaram em duas famílias – uma do interior de São Paulo e outra do interior do Paraná – casos de crianças que logo após o parto já apresentavam sinais de uma enfermidade autoimune incomum e grave: a síndrome da imunodesregulação, poliendocrinopatia e enteropatia ligada ao cromossomo X (IPEX).
     
    Nessa síndrome, células de defesa da própria criança atacam múltiplos órgãos, que depois de semanas ou meses de agressão contínua deixam de funcionar adequadamente e geram os sinais clínicos reconhecidos pelos pediatras. Como os bebês de São Paulo e do Paraná manifestaram os sinais da IPEX nas primeiras horas de vida, os pesquisadores concluíram que o ataque imunológico só poderia ter começado muito antes, ainda na gestação.
     
    O achado foi publicado em dezembro de 2014 na Clinical Immunology e surpreendeu os especialistas. “Não pensávamos que doenças autoimunes pudessem ocorrer durante a vida intrauterina”, conta a pediatra Magda Carneiro-Sampaio, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora da pesquisa.
     
    Doenças imunológicas do feto iniciadas durante a gestação não são incomuns. A mais conhecida é a eritroblastose fetal, causada pela incompatibilidade entre o grupo sanguíneo da mãe e o do bebê. Nessa enfermidade, porém, o problema é provocado por anticorpos produzidos pelas células de defesa maternas, transferidos para a criança por meio da placenta e do cordão umbilical. A diferença com os casos descritos pelo grupo de Magda na Clinical Immunology é que, nestes, são as células do sistema imunológico do próprio feto que lesam o organismo. “Até onde se sabe, esses são os primeiros casos comprovados de doença autoimune iniciada na gravidez”, diz Magda.
     
    Os casos descritos na Clinical Immunology são decorrentes de alterações em um gene que comprometem o amadurecimento de um grupo específico de células de defesa: os linfócitos T reguladores. Responsáveis por coordenar a ação de outras células de defesa, esses linfócitos passam por uma fase de maturação no timo, órgão situado no alto peito, na qual aprendem a identificar as células do próprio organismo e preservá-las do ataque a células de organismos invasores. Problemas nessa etapa de amadurecimento levam esses linfócitos a desencadear agressões contra o próprio corpo.
     
    Desde 2008 o grupo de Magda investiga as doenças autoimunes que acometem bebês e crianças nos primeiros anos de vida. Os pesquisadores só não esperavam chegar aos fetos – embora alguns imunologistas já trabalhassem com a ideia de que os problemas autoimunes pudessem começar na fase fetal. “Há casos na literatura médica de bebês com imunodeficiências graves ao nascer”, conta Magda. “Uma doença dessa natureza não se instala de um dia para outro.”
     
    O primeiro dos casos apresentados na Clinical Immunology chegou ao conhecimento de Magda anos atrás, relatado pelo pediatra Edson Suzuki, da Faculdade de Medicina de Marília. Mas a confirmação só veio com o estudo de outros dois fetos masculinos da mesma família, mortos em consequência de uma complicação no desenvolvimento, e de um caso em outra família, identificado pela endocrinologista Mariana Xavier da Silva, pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina que fez residência médica no Instituto da Criança da USP.
     
    Nessa cidade do interior do Paraná, Mariana havia atendido um bebê do sexo masculino que nasceu prematuro e apresentou diabetes de difícil controle nas primeiras horas de vida. Exames laboratoriais mostraram que seu organismo já produzia anticorpos contra as células do pâncreas produtoras de insulina. Sinais de inflamação na pele, nos intestinos e em outros órgãos permitiram caracterizar o problema como IPEX.
     
    Essa síndrome se manifesta em 93% das vezes no primeiro ano de vida, embora alguns casos sejam identificados logo após o nascimento. Sua origem são alterações pontuais no gene forkhead box P3 (FOXP3), que controla o amadurecimento dos linfócitos T reguladores.
     
    Situado no cromossomo X, esse gene existe em cópia dupla nas mulheres e simples nos homens. Por essa razão, nas duas famílias as mães não haviam desenvolvido a síndrome, embora apresentassem uma das cópias alterada, herdada pelos filhos com Ipex. Ao investigar a história de doenças nessas famílias, os pesquisadores viram ainda que as mães e as avós (em uma das famílias também a bisavó) já haviam perdido outros bebês do sexo masculino durante a gestação.
     
    Novo modelo
     
    Os pesquisadores buscaram na literatura médica outros relatos de aborto e nascimento de prematuros associados à Ipex, sinal de que a síndrome teria se manifestado ainda na gestação. De 2000 a 2014, encontraram outros 130 casos. “Em 45% desses casos, as manifestações autoimunes surgiram no primeiro mês de vida e, em 11 deles, no primeiro dia”, diz Magda. “Mas nenhum pesquisador propôs que a doença havia começado durante a vida intrauterina”, conta.
     
    A constatação de que o problema pode começar na gravidez levou o grupo a propor um novo mecanismo para explicar o desenvolvimento da IPEX. Nas escolas médicas se ensina que doenças autoimunes como essa surgem quando os linfócitos T reguladores perdem a capacidade de distinguir as células do corpo das de microrganismos invasores. Segundo esse modelo, conhecido como quebra de tolerância, o problema só se instala depois que o sistema imune passa por uma fase de amadurecimento, antes considerado impossível na vida fetal. “Nesses casos não haveria quebra de tolerância, uma vez que a tolerância nem chegou a se estabelecer”, explica Magda.
     
    Na opinião do imunologista português António Coutinho, do Instituto Gulbenkian de Ciência, colaborador do grupo, trata-se de uma mudança substancial no pensamento que predominou por muito tempo entre os especialistas. Ele acredita que esse trabalho deve servir para pediatras e neonatologistas ficarem atentos à possibilidade de recém-nascidos apresentarem doenças autoimunes. Quanto antes forem identificadas, melhores são os resultados do tratamento e maiores as chances de cura – a maioria das doenças autoimunes é tratada com imunossupressores e a IPEX, com transplante de células-tronco. “São procedimentos que podem salvar a criança”, diz Coutinho.
     
    Obstetras podem usar as novas informações para encaminhar as pacientes para o aconselhamento genético quando há casos de abortos repetidos ou perdas de recém-nascidos do sexo masculino na família. “Se houver o risco de a gestação resultar em síndromes graves que atingem só os meninos, como a IPEX, a alternativa é fazer uma fertilização in vitro e escolher um embrião feminino”, conta Maria de Lourdes Brizot, especialista em medicina fetal da FMUSP. Uma resolução do Conselho Federal de Medicina autoriza esse procedimento com a finalidade de evitar doenças ligadas ao sexo da criança. “Nesse caso”, diz Maria de Lourdes, “a escolha não é discriminatória, mas em favor da saúde e da vida do bebê.”
     
    Fonte: Uol Saúde