Category: Notícias

  • Tire suas dúvidas sobre a gripe H1N1

    Tire suas dúvidas sobre a gripe H1N1

    Mortes relacionadas ao vírus cresceram rapidamente no início de 2016
     
    O aumento de casos de gripe H1N1 desde o fim do ano passado colocou população e os governos em estado de alerta, principalmente no Estado de São Paulo. Para tentar combater a propagação da doença, a campanha de vacinação foi antecipada para 11 de abril na Grande São Paulo, quando poderão ser imunizados idosos, crianças maiores de 6 meses e menores de 5 anos e gestantes. Os profissionais de saúde passam a receber a dose da vacina no dia 8.
     
    A infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Riba, Dra. Ana Freitas Ribeiro, esclarece algumas dúvidas:
     
    1 – Qual é a diferença entre os sintomas da gripe H1N1 em relação à gripe comum?
     
    Os sintomas gerais das gripes são febre, dor de garganta, cabeça e no corpo, coriza, mal estar e tosse seca, com início súbito. As crianças também podem apresentar náuseas e vômitos. A gripe H1N1 apresenta sintomas semelhantes aos outros tipos de gripe, mas com mais chance de complicações, como pneumonia viral ou bacteriana, sinusite, otite ou piora de condições pré-existentes, como doenças cardíaca ou pulmonar.
     
    2 – Quando deve-se procurar o médico?
     
    Todos os pacientes que apresentem quadro de gripe e façam parte do grupo de risco – gestantes, puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz), portadores de doenças crônicas, obesidade (especialmente a mórbida), síndrome de Down, doenças neurológicas e do desenvolvimento, crianças menores de 5 anos e idosos – devem procurar atendimento precocemente, preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.
     
    Para os demais pacientes, as unidades de saúde devem ser procuradas imediatamente caso apareçam sintomas como falta de ar, cansaço, piora de doença crônica, persistência ou aumento da febre por mais de três dias.
     
    3 – Como é feito o tratamento?
     
    Inicialmente, o tratamento é realizado com medicamentos que aliviem alguns sintomas, repouso e líquidos. Para os pacientes com sinais de agravamento e com condições de risco para complicações, é indicada a utilização de antivirais, em especial oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu.
     
    4– Se o paciente não iniciar o tratamento rapidamente, ele corre mais riscos?
     
    De acordo com a Dra. Ana, um estudo realizado em 2009 mostrou benefício na redução de óbitos por H1N1, com o tratamento antiviral iniciado até 72 horas após o início dos sintomas.
     
    5 – Qual principal tese para o surto precoce de H1N1 em 2016?
     
    O deslocamento de viajantes para regiões onde a circulação de influenza é alta durante o inverno, principalmente países do Hemisfério Norte, como Estados Unidos e Canadá, é apontado como razão para o H1N1 ter chegado com força durante o verão brasileiro. Fenômeno parecido foi registrado em 2013.
     
    6 – Quem deve tomar a vacina?
     
    A vacina disponível no serviço público deve ser tomada pelos grupos de maior risco e estará disponível a partir do dia 11 na capital paulista e região metropolitana de São Paulo. A campanha de vacinação de influenza anual é realizada nas unidades básicas de saúde e outros serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). As vacinas também ficam disponíveis em clínicas particulares.
     
    7 – Como acontece a transmissão?
     
    A transmissão ocorre pela via respiratória, por contato próximo com doentes de gripe, durante a fala, espirro e tosse. Há possibilidade também da transmissão ocorrer pelo contato da mão na boca e olhos, após a exposição à superfície contendo o vírus. O vírus pode começar a ser transmitido até um dia antes do início dos sintomas. O período de transmissão dura sete dias em adultos e até 14 dias em crianças.
     
    8 – Como se prevenir?
     
    A vacinação é a principal medida de prevenção. “É importante que os doentes fiquem em casa, evitem deslocamentos”, disse a infectologista. Os pacientes com gripe devem cobrir nariz e boca ao tossir e espirrar. Outros cuidados são: lavar cuidadosamente a mão com água e sabão ou com álcool em gel; e evitar tocar olhos, nariz e boca.
     
    Fonte: Guia da Farmácia
  • USP faz representação criminal contra criador da pílula do câncer

    USP faz representação criminal contra criador da pílula do câncer

    A Procuradoria Geral da USP decidiu fazer uma representação criminal contra Gilberto Chierice, professor aposentado do IQSC (Instituto de Química de São Carlos, órgão da universidade) e coordenador dos estudos sobre a fosfoetanolamina, a suposta “pílula do câncer”.
     
    Segundo a USP, Chierice teria praticado dois crimes previstos no Código Penal ao distribuir a substância a pessoas com câncer durante mais de duas décadas. A investigação ocorre desde fevereiro.
     
    Chierice disse à Folha que não pretendia fazer comentários sobre o inquérito. De acordo com Geraldo Souza Filho, delegado assistente da Delegacia Seccional de Polícia de São Carlos, o professor argumentou, em seu depoimento, que não praticou curandeirismo, porque só fornecia as pílulas a pacientes que chegavam até ele munidos de receita médica, além de não se beneficiar economicamente com a prática.
     
    A reportagem também tentou entrar em contato com a Procuradoria Geral da USP por meio da assessoria de imprensa da universidade, mas não recebeu resposta até a conclusão desta edição.
     
    Para a procuradoria da universidade, Chierice deveria ser responsabilizado por curandeirismo (artigo 284 do Código Penal) e por expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente (artigo 132). As penas previstas para os delitos são detenção de seis meses a dois anos e detenção de três meses a um ano, respectivamente. No caso da pena por curandeirismo, pode ainda haver multa caso o condenado tenha lucrado com a prática.
     
    Souza Filho diz que já ouviu, além de Chierice, o atual diretor do IQSC, Germano Tremiliosi Filho, e o técnico Salvador Claro Neto, que foi orientando de doutorado de Chierice e ainda é responsável pela produção da “fosfo”.
     
    “Também devo ouvir ex-pacientes e pessoas que estão passando pelo tratamento hoje”, afirma Souza Filho. “Quem vai avaliar se ele está correto é a Justiça, não me cabe opinar”, diz o delegado. “Certamente é apenas o início de um processo muito longo.” Souza Filho estima que o inquérito esteja concluído dentro de 45 dias.
     
    APÓS DUAS DÉCADAS
     
    Apesar da representação criminal feita neste ano, a USP passou cerca de duas décadas (de meados dos anos 1990 até 2014) sem interferir na fabricação e distribuição das pílulas da “fosfo”.
     
    Um pesquisador do Instituto de Química que ainda está na ativa e prefere não se identificar diz que a prática era de conhecimento geral no instituto, mas que nunca houve um movimento para coibi-la por parte dos professores ou da direção do órgão.
     
    A proibição só veio com uma portaria de junho de 2014, após a aposentadoria de Chierice. Pacientes passaram a usar decisões judiciais em seu favor para exigir que a produção e distribuição da molécula continuasse.
     
    Hoje, a quantidade de processos sobre o tema que chegam à USP é tamanha que triplicou o volume de trabalho da procuradoria da instituição. Apesar de relatos favoráveis de pacientes, não há evidências científicas de que a “fosfo” seja eficaz contra tumores em seres humanos.
     
    Os primeiros testes independentes da molécula, conduzidos a pedido do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), cujos resultados foram divulgados neste mês, não tiveram êxito –a ação antitumoral da molécula parece ser nula ou muito fraca.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Zika sequestra proteína de célula-tronco

    Zika sequestra proteína de célula-tronco

    SÃO PAULO – Um grupo de cientistas americanos descobriu que a aparente atração do vírus zika por neurônios em formação é resultado de sua capacidade para sequestrar uma proteína encontrada na superfície das células-tronco neurais, usando-a como porta de entrada para a infecção. Segundo os autores, danos nesse tipo de células são coerentes com vários dos sintomas associados à zika nos fetos em desenvolvimento – incluindo a microcefalia. O estudo, cujos resultados foram publicados nesta quarta-feira, 30, na revista Cell Stem Cell, foi liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco (Estados Unidos). 
     
    A proteína AXL – um receptor normalmente envolvido na divisão celular – é altamente abundante na superfície das células-tronco neurais que dão origem aos tecidos do córtex, mas não em neurônios de um cérebro já desenvolvido, segundo o artigo. Essas células-tronco capazes de produzir a proteína AXL, dizem os autores, só estão presentes no organismo durante o segundo trimestre e gravidez.
     
    Os pesquisadores, no entanto, afirmam que a descoberta é um passo importante, mas ainda não fornece uma explicação conclusiva sobre como a zika seria capaz de causar a microcefalia. “Ainda que não seja de maneira alguma uma explicação completa, acreditamos que a expressão de AXL por esse tipo de célula é uma importante pista para descobrirmos como o vírus zika é capaz de produzir casos tão devastadores de microcefalia. Os resultados se encaixam perfeitamente nas evidências disponíveis”, disse o autor principal do estudo, Arnold Kriegstein, diretor do Centro de Pesquisa em Medicina de Regeneração Células-Tronco EliEdythe Broad.
     
    “O AXL é o único receptor que tem sido associado à infecção por zika, por isso agora precisamos passar a fase da `culpa por associação` e demonstrar que bloquear esse receptor específico pode prevenir a infecção”, Kriegstein.
    Assim que começou a epidemia atual de zika, segundo Kriegstein, os primeiros autores do estudo, Tomasz Nowakowski e Alex Pollen, perceberam, a partir de estudos anteriores, que vírus semelhantes ao da zika – como o da dengue – parecem usar a proteína AXL como ponto de entrada para a infecção. 
     
    Eles então fizeram uma série de análises de expressão genética para observar a presença do receptor AXL em diferentes tipos de células em cérebros de ratos, de furões, de organoides derivados de células-tronco cerebrais humanas e de tecidos humanos em desenvolvimento. Todos os modelos mostraram que o AXL era expresso por células da glia radial – aquelas que dão origem a uma variedade de células, como neurônios e astrócitos, que ajudam a construir o córtex cerebral.
     
    Os cientistas então utilizaram rastreadores de anticorpos em tecidos em desenvolvimento e organoides para descobrir onde é maior a probabilidade de encontrar o receptor AXL nas células-tronco neurais. Eles descobriram que o AXL se agrega em torno de áreas onde as células cerebrais em formação entram em contato com o fluido cérebro-espinhal e com os vasos sanguíneos. Essa posição única daria a um vírus como o zika um acesso fácil a um conjunto vulnerável de células hospedeiras.
     
    “Nós ainda não entendemos por que o zika, em particular, é tão virulento no desenvolvimento cerebral. Talvez esse vírus viaje mais facilmente através da barreira da placenta, ou que ele entre nas células mais rapidamente que os vírus causadores de infecções semelhantes”, afirmou Kriegstein.
     
    Enquanto esperam a confirmação de que o zika usa o receptor AXL para penetrar nas células-tronco, o grupo de Kriegstein trabalhará para investigar se essa proteína pode ser explorada para propósitos terapêuticos. Como o AXL é importante para a proliferação das células-tronco neurais, é improvável que bloquear esse receptor no cérebro dos fetos seja uma alternativa viável.
     
    “Mas talvez se possa encontrar uma maneira de tratar mulheres sob risco com um inibidor de AXL, antes de mais nada, para impedir que o zika chegue no cérebro dos fetos em desenvolvimento”, disse o cientista.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • “Pílula do câncer” afronta rigor de pesquisas médicas

    “Pílula do câncer” afronta rigor de pesquisas médicas

    Desde a escola de Medicina de Hipócrates, na Grécia, estudos sobre o câncer e a busca por meios científicos de combatê-lo são uma obsessão da Humanidade. O desenvolvimento científico mundial — em especial, a partir do século XVIII, quando foram lançadas as bases da moderna anatomopatologia — estimulou impulsos quase exponenciais ao tratamento desse mal. No entanto, em pleno século XXI, a doença ainda representa grandes desafios para a Humanidade.
     
    Boa parte das variações carcinomatosas já tem cura, respostas eficientes de medicamentos aumentam de forma notável as chances de sobrevida das vítimas, mas o pesadelo continua assustando: a despeito dos avanços médicos, estima- se que, no mundo, a média de óbitos entre os 12,7 milhões de pacientes diagnosticados por ano com câncer seja de 7,6 milhões de pessoas. No Brasil, registram- se anualmente 500 mil casos, com 176 mil mortes provocadas pela doença.
     
    São números que dimensionam um drama não só vivido pelos doentes, mas compartilhado por suas famílias. Explicam o impacto na sociedade de quaisquer temas relacionados à cura definitiva da doença, mas não legitimam iniciativas que, alegadamente em nome de combater o fantasma da morte prematura, podem levar a graves prejuízos em pesquisas acadêmicas que, de fato, representem avanços nos tratamentos e nos benefícios reais para os pacientes.
     
    A discussão aberta no país sobre os supostos resultados terapêuticos da fosfoetanolamina sintética no tratamento de pacientes com câncer parece marcada menos pela obediência ao rigor científico e à prudência que pela paixão, elemento a ser evitado não só no debate, mas, principalmente, nas pesquisas médicas. Produzida no Instituto de Química da USP, em São Carlos (SP), e distribuída informalmente desde 2014, a substância pode estar a meio caminho de ser uma panaceia, mero placebo, ou, como querem aqueles que defendem sua preceituação, um remédio de fato eficaz contra o mal. Mas, por não ter sido submetida aos protocolares e rigorosos testes (de confiabilidade e contra efeitos colaterais) que antecedem a liberação comercial de produtos médicos, deve permanecer na gaveta dos experimentos curiosos.
     
    Ocorre que o debate deixou-se contaminar pela deletéria mistura de populismo e voluntarismo. A Justiça, arvorando- se conhecimentos que não lhe são próprios, tem dado liminares a favor da liberação da substância; no Congresso, um projeto autoriza a fabricação da “pílula do câncer”. Essas iniciativas invertem o protocolo: coloca- se em primeiro lugar o uso em larga escala e, em plano secundário, os testes necessários para eliminar riscos de que se esteja submetendo seres humanos ao uso de substâncias tóxicas ou ineficientes.
     
    Em entrevista ao GLOBO, o pesquisador Carlos Gil Ferreira sintetizou esse movimento: “A Anvisa (vigilância sanitária) está sendo humilhada pelo Congresso.” Mais do que isso, são precedentes que podem causar danos irreparáveis à ciência.
     
    Fonte: O Globo
  • CRF/AL participa de da Sexagésima segunda – LXII- reunião geral dos Conselhos Federal e Regionais de Farmácia.

    CRF/AL participa de da Sexagésima segunda – LXII- reunião geral dos Conselhos Federal e Regionais de Farmácia.

    Em atendimento a convocação do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o presidente do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), Alexandre Correia juntamente com o vice-presidente Robert Nicácio e a tesoureira Lizete Vitorino participam da Sexagésima segunda – LXII- reunião geral dos Conselhos Federal e Regionais de Farmácia.
          
    A reunião vai tratar dos mais diversos assuntos que regulamentam a profissão de farmacêutico no Brasil. Entre os temas debatidos estão a aplicabilidade da lei 13.021 no setor público: fiscalização e a inserção do farmacêutico, isenção de anuidade para o setor público, como está a situação da prescrição farmacêutica? e o Sistema do CRF – condução uniformizada para todos os conselhos regionais.
          
    Segundo Alexandre a reunião entre os conselhos é de fundamental importância para a atuação, sobretudo no que diz respeito as diretrizes que devem ser adotadas pelos conselhos regionais, sem esquecer as particularidades de cada região. “Estamos discutindo vários temas oriundo dos estados e encontros regionais, na intenção de uniformizar as ações e valorizar cada vez mais a profissão”, destacou o presidente.
          
    O encontro acontece nesta terça e quarta-feira, em Brasília e reúne representantes de todos os conselhos regionais de farmácia do Brasil.
     
    Ascom-CRF
  • Genética explica distúrbios de ansiedade durante a adolescência

    Genética explica distúrbios de ansiedade durante a adolescência

    Distúrbios de ansiedade costumam aparecer durante a adolescência, quando a incidência desses transtornos mentais é mais alta. Parte da explicação para isso está na genética. Em um estudo que envolveu análise de dados sobre mais de mil pessoas, de 3 a 21 anos de idade, pesquisadores das universidades de Cornell e da Califórnia em San Diego, EUA, identificaram que uma variante comum em um gene muda de atividade justamente na adolescência, influenciando na formação de alguns circuitos cerebrais ligados ao controle das emoções.
     
    Segundo os cientistas, esta variante genética, conhecida como FAAH C385A, está presente em cerca de 80% da população. O gene regula a ação de uma enzima responsável pelo metabolismo de uma molécula típica do chamado sistema endocanabinoide do cérebro, que usa uma série de neurotransmissores com uma formulação parecida com a do THC, a substância psicoativa da maconha. Batizado anandamida, esse composto tem efeitos analgésicos, ansiolíticos e antidepressivos, atingindo níveis mais altos no cérebro durante a infância. A partir da adolescência, no entanto, com a ativação da variante FAAH C385A, as concentrações de anandamida caem, expondo os jovens a um maior risco de distúrbios de ansiedade.
     
    — Estudos anteriores já tinham identificado esta variante genética que indicava quais indivíduos são mais ou menos suscetíveis à ansiedade, então nosso foco foi procurar saber quando essa diferença genética emerge no desenvolvimento — contou ao GLOBO Dylan Gee, pesquisadora do Instituto Sackler para a Psicobiologia do Desenvolvimento da Universidade de Cornell e primeira autora do artigo sobre o estudo, publicado recentemente no periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” ( PNAS). — Descobrimos que a variante entra em ação na adolescência, por volta dos 12 anos, nunca antes. E isso nos ajuda a entender o porquê de a ansiedade aumentar tanto nesta época da vida.
     
    Dylan ressalta, no entanto, que só ter esta variante genética não é determinante para o desenvolvimento de distúrbios de ansiedade, ou mesmo para lidar mal com episódios normais de ansiedade na vida. — Nem todos que têm essa variante vão desenvolver uma desordem de ansiedade, mas isso parece explicar as diferenças que vemos nos níveis de ansiedade das pessoas — conta.
     
    Psiquiatra especializado no atendimento de crianças e jovens, Fabio Barbirato lembra que, por si só, a adolescência já é um período difícil na vida, o que vem sendo exacerbado na sociedade moderna. — A entrada na adolescência é um período que chamamos de luto da infância, quando você deixa de ser criança e muda todo seu comportamento diante de uma série de exigências sociais e pessoais, por alterações não só no corpo, mas das próprias ideias e objetivos — diz. — Hoje com as expectativas cada vez maiores que os pais e a sociedade criam nas crianças, elas entram na adolescência com uma pressão muito grande, e este estresse contínuo favorece um quadro psiquiátrico de ansiedade. 
     
    SINAIS DE ALERTA 
     
    Assim, segundo Barbirato, é preciso orientar os pais e estar atento às crianças para evitar que ansiedades e dúvidas naturais desta fase da vida se tornem um problema. Entre os sinais de possíveis distúrbios, ele aponta queda de rendimento na escola, comportamentos de irritação em situações e lugares que antes eram prazerosos, reações de ansiedade, tensão e medos exagerados que não tinham antes, e irritabilidade quando sob pressão, principalmente acadêmica e social.
     
    — A questão é tentar não massificar demais algo que já é muito normal — considera. — É um período muito sensível, que requer muita atenção para o jovem poder passar bem por ele, ter acolhimento, ter carinho da família, mas também autonomia. Não é preciso superprotegêlo, mas também estar atento para um comportamento mais impulsivo, porque neste período ele também tem muito pouco freio inibitório. E como está em desenvolvimento, ele ainda é uma criança se modelando para ser um adulto, o que é a adolescência.
     
    Barbirato também concorda com Dylan que o mecanismo descoberto no estudo é apenas um passo na busca de compreender as influências genéticas e neuroquímicas dos distúrbios mentais, que envolvem muitas regiões do cérebro. — Não há um biomarcador único — destaca. — Acredito que no médio prazo provavelmente vou ter um conjunto de marcadores que vão me indicar se aquela criança vai ter maior propensão a desenvolver distúrbios de ansiedade na adolescência. Por enquanto, porém, temos que trabalhar com prevenção, dar orientação para os pais com clareza para evitar esta questão da pressão, e tratamento e terapia para o jovem quando ele chega no consultório com um quadro depressivo ou ansioso. Uma terapia de referência comportamental, que trate a criança e oriente os pais.
     
    Fonte: O Globo
  • Alterações pós-registro de medicamentos ganha novas regras

    Alterações pós-registro de medicamentos ganha novas regras

    A Anvisa aprovou, a proposta de revisão da RDC 48/2009, que trata das alterações pós-registro de medicamentos. Com as novas regras, os processos de pós-registro, que são modificações das características originais de um medicamento, em qualquer etapa do seu ciclo de vida, como a alteração de fórmula, alteração de elementos de composição ou de seus quantitativos, mudança de planta e alteração de equipamentos, entre outros, terão uma tramitação mais apropriada na Agência. A resolução estabelece um novo marco regulatório de pós-registro ao incorporar a análise de risco e estabelecer processos diferenciados de acordo com a complexidade e o risco sanitário dos produtos.
     
    A nova RDC terá impacto na fila existente dos pedidos de pós-registro, uma vez que define um número maior de tipos de alterações como de implementação imediata, que apresentam baixo risco sanitário. Quando as alterações de pós-registro apresentam riscos sanitários moderado ou alto, elas continuam a ser objetos de análise e necessitam de autorização da Anvisa para serem implementadas.
     
    A expectativa da Gerência-Geral de Medicamentos (GGMED) da Anvisa é de que, com a nova norma e a adesão do setor produtivo, mais de 2.600 petições de pós-registros sejam retiradas desta fila. Ressalte-se que esta RDC está alinhada com os requisitos e condições para petições de pós-registro que são praticados pelas agências reguladoras dos Estados Unidos, Europa e Canadá.“Uma mudança pós-registro pode afetar a qualidade, segurança e eficácia do medicamento, impondo um impacto maior ou menor, no que diz respeito ao risco sanitário, a depender das características do produto e do grau de complexidade da mudança. Com as novas regras, a Anvisa utiliza conceitos modernos de análise de risco e permite que se garanta a qualidade e segurança dos medicamentos com menos burocracia”, observa o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa.
     
    A nova RDC também torna o setor de produção de medicamentos corresponsável na implementação das alterações e no controle permanente das informações e/ou dados de seus produtos. O setor também poderá se programar em relação às alterações pós-registro e à racionalização e ampliação de seus processos produtivos. A iniciativa ainda otimiza os recursos internos da própria Anvisa na medida em que direciona as análises para as petições onde há maior complexidade e risco sanitário e no monitoramento das alterações realizadas.
     
    “A revisão da RDC 48 é um avanço no processo de regulamentação de medicamentos, o que garante a manutenção da devida rigidez da defesa sanitária, ao mesmo tempo em que permite que a Anvisa concentre esforços de regulação em produtos de maior risco”, ressalta o diretor de Coordenação e Articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, Ivo Bucaresky. “Também representa maturidade do setor regulado, o qual entendemos ser capaz de trabalhar na avaliação de produtos de baixo risco”.
     
    Alteração – A Lei 6.360/1976 determina que produtos sujeitos a vigilância sanitária não podem ser comercializados sem o devido registro por parte da Anvisa. O registro de medicamentos está vinculado à sua comprovação de segurança e eficácia, além de exigências mais específicas.No entanto, após o registro, é muito comum que as empresas solicitem modificações nas características do produto originalmente registradas. Dá-se, a esse processo, a denominação de “alteração pós-registro”, que também depende de autorização prévia e expressa da Anvisa.
     
    Essa inovação traduz uma necessidade real do setor de produção de medicamentos, que nos últimos anos demostrou importante crescimento: no Brasil, o setor cresceu a uma taxa de 6,2% ao ano, no período recente, muito maior que o desempenho geral da economia. O Brasil, que em 2009 ocupou o 10º lugar no ranking dos maiores mercados do mundo, passou a ser, em 2014, o 6º, e a projeção para 2019 indica que o país poderá ser o 5º no ranking, atrás apenas dos EUA, China, Japão e Alemanha.“Diante desse cenário, é preciso um marco regulatório que acompanhe essa dinâmica de crescimento, inovações, evolução e complexidade do mercado brasileiro, ampliando o acesso da população a medicamentos seguros e eficazes”, reitera Jarbas Barbosa.
     
    Passivo – As modificações do registro nas regras atuais dependem, necessariamente, de solicitação – por parte da empresa detentora do registro – e autorização da Anvisa. Esse processo de trabalho gera 421 petições/mês e acumulou até dezembro de 2015 um total de 5.052 petições. Hoje, há um passivo de 5.015 petições aguardando análise.
     
    A construção do novo marco passou por todo o rito processual necessário: abertura de iniciativa, proposta preliminar, consulta pública e debates em reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa e inúmeras reuniões com o setor regulado, ora com as associações, ora com as próprias indústrias, para discutir e amadurecer os entendimentos.
     
    A proposta de revisão da RDC nº 48 é um grande avanço”, destaca o diretor de Controle e Monitoramento Sanitário da Anvisa, José Carlos Magalhães Moutinho. “É uma mudança de paradigma: a Anvisa e o setor regulado vão compartilhar responsabilidades no campo do pós-registro de medicamentos de pouco risco potencial. Haverá maior celeridade nos processos, sem abrir mão da segurança e da eficácia dos medicamentos”.
     
    Fonte: Blog da Saúde
     
  • Farmacêuticos aprovam proposta para a elaboração de diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Farmácia

    Farmacêuticos aprovam proposta para a elaboração de diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Farmácia

    Mais de 150 farmacêuticos reunidos no II Fórum Nacional para Discussão das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia, realizado dias 22 e 23 de março, em Brasília, aprovaram a proposta elaborada pela Comissão de Educação (Comensino/CFF), pela Comissão Assessora de Educação Farmacêutica (CAEF/CFF) e pela Associação Brasileira de Educação Farmacêutica (ABEF). A proposta aprovada será encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE), do Ministério da Educação (MEC).
     
    Todos os estados da federação estiveram representados pelos delegados de entidades, sociedades e associações profissionais, professores, estudantes e farmacêuticos. “Foi uma grande conquista para toda a categoria aprovar, democraticamente, essa proposta que deverá ser utilizada pelo CNE para elaborar as novas diretrizes para a formação profissional dos farmacêuticos brasileiros, contemplando atividades recentemente regulamentadas para atender às crescentes demandas da nossa sociedade”, explicou o presidente do CFF, Walter Jorge João.
     
    Um dos destaques da proposta foi a aprovação do texto que prevê a capacitação dos acadêmicos de Farmácia para a atividade clínica do farmacêutico, regulamentada em agosto de 2013, por meio da Resolução/CFF nº 585. Com ela, os farmacêuticos passaram a atuar no cuidado direto ao paciente. A prática clínica desse profissional da saúde se desenvolveu consideravelmente nas últimas décadas, ampliando a demanda por profissionais habilitados.
     
    O cuidado em saúde foi incorporado à proposta como principal eixo estruturante da formação dos futuros farmacêuticos. A atividade clínica pode ser desenvolvida em hospitais, ambulatórios, unidades de atenção primária à saúde, farmácias comunitárias, instituições de longa permanência e domicílios de pacientes, entre outros.
     
    Fonte: Comunicação do CFF
  • CRF/AL participa do II Fórum Nacional de diretrizes curriculares

    CRF/AL participa do II Fórum Nacional de diretrizes curriculares

    O presidente do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), Alexandre Correia, esteve em Brasília juntamente com membros da comissão de ensino do CRF/AL participando do II Fórum Nacional para discussão das DCN (Diretrizes Curriculares Nacionais) do curso de graduação em farmácia.
          
    O evento que aconteceu em Brasília nos dias 22 e 23 de março e foi promovido pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) contando com participantes de todo Brasil. O objetivo do encontro foi debater proposta de atualização das diretrizes curriculares dos cursos de farmácia de todo Brasil.
          
    Logo na abertura do evento, o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o farmacêutico Walter Jorge João destacou que 14 anos depois de implantadas as diretrizes para os cursos de farmácias, observou-se a necessidade de se fazer essa atualização com a realidade farmacêutica de hoje. Segundo ele, é muito natural se querer debater e aprovar uma proposta que harmonize as sugestões de todos os envolvidos com o ensino, em todo o País.
         
    Walter pontuou ainda que a profissão farmacêutica é, hoje, “uma grande família”, e que, unida, ela tem conquistado importantes avanços. Ele disse ainda que a profissão está muito lá na frente, enquanto as diretrizes ficaram estanques, revelando a realidade farmacêutica de 14 anos para trás. Alguns avanços foram alcançados desde a implantação da profissão, a exemplo da prescrição farmacêutica, a Lei 13.021/14, a regulamentação da saúde estética, entre outras conquistas.
          
    Quem também pediu que as diretrizes contemplem um modelo de ensino que torne o farmacêutico mais antenado com o mercado foi a presidente da SBFC (Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária), Carmen Íris Tolentino. De acordo com ela, os currículos precisam trazer, de forma obrigatória, disciplinas voltadas para a gestão e para o empreendedorismo, para motivar os farmacêuticos a serem proprietários de farmácia, mas de forma bem-sucedida.
          
    Para o presidente do CRF/AL, Alexandre Correia, participar desse debate é poder trazer uma melhor formação para os farmacêuticos. “Não podemos nos distanciar destas discussões ainda que tenhamos um bom currículo. O que nós queremos é levar para Alagoas uma formação ainda melhor para que os nossos profissionais sejam absorvidos em qualquer parte do país”, analisou.
    ASCOM – CRF/AL
  • Zika está chegando com mais força no Sudeste; pico deve ser em abril

    Zika está chegando com mais força no Sudeste; pico deve ser em abril

    O nascimento de crianças com microcefalia no Sudeste do Brasil já é uma grande preocupação de médicos e do governo com o aumento de casos suspeitos de infecção por vírus da zika na região. Somados, os quatro Estados registraram cerca de 6.500 casos suspeitos de zika até agora.
     
    Em São Paulo, há ao menos 37 casos de crianças com microcefalia com características de associação ao vírus e 900 grávidas com suspeita de zika. No Rio de Janeiro, nove casos de má-formação no sistema nervoso de bebês foram confirmados; no Espírito Santo, há outros quatro casos confirmados; e em Minas Gerais, mais dois. 
     
    O pico de contágio em São Paulo e Rio de Janeiro, porém, ainda é esperado para abril e maio, épocas de elevação histórica da dengue, também transmitida pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes Aegypti. No Espírito Santo, espera-se o pico para este mês. 
     
    “A impressão que eu tenho é que nós estamos tendo uma epidemia de zika aqui no Sudeste. A magnitude dela eu não sei. A gente vai ter que esperar um pouco a disponibilização dos exames sorológicos para poder definir mais”
    Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses
     
    O aumento de casos no Sudeste preocupa pois a região concentra 42% da população brasileira, o que poderia multiplicar os casos de microcefalia no país. O Ministério da Saúde já alertou para a expansão da epidemia em outras regiões do país. “Estamos prevendo uma expansão [do surto de zika e dos casos de microcefalia] nas regiões Sudeste e Centro-Oeste”, explicou Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do ministério.
     
    Uma pesquisa da Fiocruz estima que o percentual de fetos com lesões neurológicas entre grávidas diagnosticadas com zika pode chegar a 29% — no entanto, o número ainda é controverso. Um estudo restrospectivo feito na Polinésia Francesa apontou que a proporção seria de 1 para 100.
     
    Se o combate ao mosquito Aedes aegypti –ou novos remédios– não impedirem a epidemia de zika de se alastrar em áreas mais populosas do Brasil, Timerman estima que possam nascer de 50 mil a 70 mil crianças com lesões neurológicas ou microcefalia até 2020. O Ministério da Saúde, questionado sobre previsões, informou que não faz ou comenta projeções.
     
    Até o momento, o país tem 907 casos de microcefalia confirmados e mais de 4.200 em investigação. A OMS calcula que o número de casos confirmados deve chegar a 2.500 ainda este ano. 
     
    Sabe-se, até o momento, que o vírus da zika circula em 22 Estados e no Distrito Federal.
     
    Dificuldade para diagnosticar o vírus
     
    Timerman explica que o grande problema é diagnosticar a zika. A primeira dificuldade é que o teste disponível até o momento só funciona se aplicado na fase aguda da doença –e só a menor parte dos infectados apresentam sintomas– e a segunda, mais grave, é que os convênios não pagam pelo exame genético de PCR, que é caro, e, na rede pública, não há testes suficientes nem mesmo para diagnosticar dengue.
     
    “Sem dúvida, é preocupação baseada em evidência. No meu hospital, estou esperando 9 resultados de exame de zika de pessoas que têm muita possibilidade de ter zika”.
     
    “O Brasil não tinha uma infraestrutura laboratorial para atender a essa demanda. Tem uns três ou quatro (laboratórios) que centralizaram os exames do Brasil inteiro” , diz Ricardo de Oliveira, secretário de Saúde do Espírito Santo. “Não é só Espírito Santo que está mandando para a Fiocruz, vários Estados estão mandando. Por isso que a confirmação demora”. 
     
    Até o momento, pouco mais de 20 laboratórios foram capacitados pelo Ministério da Saúde para realizar o exame genético (conhecido como PCR).
     
    Oliveira destaca que, no Espírito Santo, as notificações de casos de dengue em 2016 já são dez vezes maiores do que em 2015. “Por trás disso, está uma proliferação muito grande de mosquito”. Lá, são 2.642 os casos de suspeita de zika desde novembro até o dia 10 de março, e 90 bebês (a maioria ainda não nascidos) com suspeita de microcefalia.
     
    Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado do Rio de Janeiro, aponta que a maioria dos bebês de mães infectadas por zika que estão acompanhadas pela rede pública vai nascer em março e abril, quando devem começar os testes para microcefalia e associação à infecção.
     
    “A gente já vem observando aqui no Rio um aumento do número de casos, é processo de investigação epidemiológica complexo, demorado. Há uma preocupação [com os casos de lesões neurológicas em fetos], por conta disso todas nossas campanhas estão muito focadas para gestantes”
    Alexandre Chieppe, da secretaria de Saúde do Rio de Janeiro
     
    No entanto, ele informa que nas últimas semanas houve uma redução do número de notificação de casos de infecção por zika em mulheres grávidas, apesar de uma expectativa contrária a isso. “Uma possibilidade é que haja maior prevenção individual das gestantes”.