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  • Juristas questionam validade da lei que autoriza

    Juristas questionam validade da lei que autoriza

    Além de provocar a ira da comunidade científica, a decisão da presidente Dilma Rousseff de liberar a fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”, está sendo contestada por juristas. A falta de consulta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é apontada como o principal ponto fraco da nova lei. Especialistas acreditam que, sem os testes clínicos exigidos para que a substância seja classificada como “medicamento”, a disponibilidade do produto com o consentimento do governo federal põe em risco a segurança do consumidor.
     
    Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio) e mestre em Direto da Regulação, Rafael Véras reconhece que o paciente deve ter autonomia para buscar qualquer tratamento que garanta a sua sobrevivência, incluindo métodos científicos, alternativos e religiosos. No entanto, a Anvisa, que exerce o papel de “polícia sanitária”, segundo ele, é imprescindível para definir se um medicamento é ou não seguro e eficaz. — Essa nova lei caracteriza um contorno institucional para que a vontade política prevaleça sobre a vontade reguladora, independente e isenta, já que o governo esvaziou a competência da Anvisa — condena Véras.
     
    O advogado Marcelo Calixto, professor de Direito do Consumidor da PUC-Rio, também considera que a aprovação da medida acarreta em danos à saúde do usuário da “pílula do câncer”. — É direito fundamental do consumidor ter segurança contra os riscos provocados por serviços perigosos e nocivos — ressalta. — É um problema, porque, como a substância não passou pelos testes necessários, não conhecemos seus riscos. Sem um estudo rigoroso, temos uma lei formada por uma antecipação inadequada e criticável.
     
    CAUSAS PERDIDAS
     
    Consumidores insatisfeitos com o tratamento à base de fosfoetanolamina sintética, no entanto, precisarão trilhar um caminho obscuro na Justiça. A ação civil pública começa na vara federal, mas o governo pode alegar que só aprovou a substância com base nos estudos conhecidos até a assinatura da lei.
     
    — Os fabricantes, por sua vez, responderiam a ações nas varas estaduais, mas eles podem afirmar que não sabiam os efeitos adversos da “pílula do câncer” — explica Calixto. — Mas, na verdade, eles têm muitos meios para obter informações sobre os produtos, já que aprofundam os estudos sobre as substâncias antes de vendê-las. E os fornecedores também poderiam ser acionados.
     
    Conselheira da OAB-RJ e professora de Pós-Graduação de Direito da Uerj, Vânia Aieta avalia que a abordagem dada pelo governo à fosfoetanolamina sintética pode determinar sua validade jurídica. — Muitos produtos, como vitaminas e pílulas anticoncepcionais, são comercializados em larga escala sem a aprovação da Anvisa. Se a pessoa aceita tomar, tem também uma parcela de responsabilidade — diz. — Outra situação, muito mais grave, seria se o governo tivesse apresentado a substância como a cura do câncer.
     
    Ainda assim, Vânia acredita que as ações judiciais contra a “pílula do câncer” são causas perdidas: os fabricantes da fosfoetanolamina sintética podem se proteger descrevendo uma série de possíveis efeitos colaterais na bula, por exemplo. — Quem lê bula não toma remédio. Há sempre uma lista de inúmeras recomendações — afirma. — Ainda estamos tateando possibilidades legais sobre a fosfoetanolamina sintética, porque não conhecemos uma situação semelhante.
     
    Fonte: O Globo
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    Recife – Para a pediatra Danielle Cruz, a microcefalia causada por zika é um alerta sanitário: chama a atenção do País para os riscos da falta de saneamento e para a proliferação desordenada do Aedes aegypti.
     
    Coordenadora do Laboratório de Microcefalia do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), ela cuida de 105 crianças com a má-formação e diz: “O Aedes continua aí. Quantas doenças mais ele pode trazer?” A seguir, trechos da entrevista. 
     
    Já identificaram algum padrão na microcefalia por zika?
     
    O espectro é variado. Há crianças que convulsionam tanto que precisam ficar internadas. Algumas quase não têm massa encefálica. Vão ter muitas dificuldades, até para se locomover e falar. A doença compromete de diferentes maneiras os movimentos voluntários. A fisioterapia poderá resolver parte deles, mas nem todos. Engolir, por exemplo, em parte, depende de movimentos voluntários. Mas há outras crianças que já interagem, riem, fazem alguns movimentos. 
     
    O número de casos caiu?
     
    Sim. Mas porque o vírus que circulou nos últimos meses não é zika. A zika volta agora, em março, abril, maio e junho. Ao menos foi assim no ano passado. Até onde sabemos, só tem um subtipo, uma variante. Assim, a maioria da população de Pernambuco já teve o vírus zika. A incidência deve diminuir, ao menos até que venha qualquer novo subtipo. A dengue já tem quatro. O vírus que circula agora é o chikungunya, que eu acho mais grave.
     
    Por quê?
     
    O zika tem essa ponta de iceberg que é a microcefalia na gestação. Não sabemos quais efeitos terão nas mulheres no futuro nem o que vai acontecer com os bebês quando crescerem, mas fora da gravidez o zika passa quase despercebido. O chikungunya pode deixar a pessoa com dores articulares por um, dois anos. A maioria das mães que tiveram zika agora está com chikungunya. 
     
    Por que a maioria dos doentes é de famílias carentes?
     
    Porque na periferia faltam saúde pública e saneamento, e há mais mosquitos. Se uma mulher que come caviar cruzar com o Aedes aegypti pode ser infectada. Há várias crianças com microcefalia sendo tratadas na rede particular. O mosquito não escolhe. 
     
    O transmissor é o problema?
     
    Sim. Dengue, zika, chikungunya eram doenças desconhecidas porque estão no terceiro mundo. Eu vou falar uma coisa dura: às vezes, é mais fácil lidar com a morte do que com sequelas. Eu cansei de ver crianças morrendo por dengue hemorrágica, mas o mundo não estava interessado. A microcefalia é visível, por isso chamou a atenção. No começo, até eu tinha dificuldade. Fechava os olhos e só via eles. Acordava de madrugada com o choro na minha cabeça. O mosquito Aedes continua aí. Quantas doenças mais ele pode trazer?
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Ministério da Saúde sugere receita controlada da

    Ministério da Saúde sugere receita controlada da

    Após a presidente Dilma Rousseff sancionar a lei que libera o uso da fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer”, o Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (14) que irá sugerir critérios específicos para a produção, distribuição e o uso dos produtos.
     
    Segundo a pasta, a ideia é que a prescrição médica ocorra em talonário numerado, o que tornaria possível o rastreamento dos pacientes, assim como ocorre para uso de medicamentos de uso controlado. Nas receitas, também deve constar justificativa para o uso.
     
    Pacientes também devem assinar um termo de responsabilidade, o qual deverá especificar que o uso da substância “não substitui as terapias convencionais”.
     
    No documento assinado, o paciente também se comprometerá a realizar exames periódicos e assume os riscos de eventuais efeitos colaterais. A medida ocorre porque a substância, embora tenha sido desenvolvida há 20 anos no Brasil, nunca passou por estudos que poderiam comprovar sua segurança e eficácia.
     
    Ainda segundo o Ministério da Saúde, outra iniciativa em discussão é que estabelecimentos fornecedores do produto mantenham balanços com a movimentação da substância. Pela lei, todos os locais deverão ser licenciados e submetidos à aprovação dos órgãos sanitários.
     
    As medidas ocorrem após a presidente, em meio à forte pressão do Congresso, sancionar a liberação da fosfoetanolamina, mesmo após receber recomendação contrária do Ministério da Saúde.
     
    Diante da medida, o governo planeja agora formar um novo comitê com especialistas e representantes de diversos órgãos para discutir a regulamentação do tema e acompanhar os resultados das pesquisas. Segundo a pasta, o plano poderá estimular, ainda, o desenvolvimento da monoetanolamina e outras substâncias encontradas na pílula, caso sejam eficazes no tratamento do câncer.
     
    O ministério lembra ainda que a pílula não está disponível no SUS –o que só poderia ocorrer caso houvesse comprovação de segurança e eficácia.
     
    RISCOS À SAÚDE
     
    Diferentes entidades da área da saúde manifestaram preocupação nesta quinta-feira (14) com a liberação da fosfoetanolamina e alegam que a medida deve trazer sérios riscos à saúde da população.
     
    “Quem assegurará ao consumidor que a substância que está adquirindo não é uma inescrupulosa falsificação? Quem garantirá que a quantidade da substância informada na embalagem é efetivamente a que existe no interior de cada cápsula? Como ter certeza que no interior de cada cápsula existe apenas a fosfoetanolamina, e não outras substâncias que poderão ser ingeridas sem que o consumidor saiba de sua existência?”, questiona a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em nota.
     
    Segundo a agência, o projeto transforma em “medicamento” autorizado uma substância que não passou pelas etapas de estudo necessárias para isso.
     
    A Anvisa diz ainda que a autorização para o uso do produto antes da conclusão dos estudos clínicos “abre perigoso precedente” e “afronta o sistema regulatório em vigor, que foi estabelecido pelo próprio Congresso Nacional”.
     
    Posição semelhante tem representantes da indústria farmacêutica. Para Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma, a iniciativa por liberar o uso da substância foi uma medida “extremamente populista e sem base científica”.
     
    “Esse produto não tem prova de eficácia, muito menos de segurança. Se bem não faz, pode fazer muito mal”, afirma ele, que cita o risco de pacientes pararem o tratamento com a quimioterapia. Ele também crê que os relatos positivos da fosfoetanolamina sejam apenas placebo.
     
    De acordo com Mussolini, a alegação, por parte de defensores da substância, de supostos interesses da indústria farmacêutica em tentar ocultar a substância por seu baixo custo “não tem nenhuma lógica”.
     
    “A indústria que conseguisse descobrir uma pílula tão milagrosa como dizem que é essa seria referência mundial”, afirma, citando como exemplo as primeiras empresas a desenvolverem o coquetel contra a Aids ou tratamento de leucemia, hoje referências no setor.
     
    Diretor da Interfarma, Octávio Nunes classificou a medida como um “desrespeito ao paciente brasileiro, à ética e um desafio às autoridades brasileiras”.
     
    Para ele, o país vive um descompasso, com demora na aprovação e incorporação de medicamentos de eficácia comprovada e liberação “a toque de caixa” de uma substância sem estudos concluídos.
     
    “Supondo que daqui a três anos não se tenha essa comprovação, o que vão dizer ao paciente brasileiro? Desculpas, não é nada disso?”, questiona.
     
    `NÃO` À PRESCRIÇÃO
     
    Em nota, o CFM (Conselho Federal de Medicina) diz não recomendar aos médicos que prescrevam a substância até que as pesquisas clínicas, capazes de comprovar segurança e eficácia, sejam concluídas.
     
    A recomendação do conselho é endossada pela AMB (Associação Médica Brasileira), para quem a aprovação da lei foi “imprudente” e coloca em risco a saúde dos pacientes com câncer.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Associações de pacientes não recomendam uso da

    Associações de pacientes não recomendam uso da

    A sanção presidencial da lei que, entre outras coisas, autoriza o uso da fosfoetanolamina, droga que ficou conhecida como “pílula do câncer”, gerou dúvidas e reações de associações de pacientes, profissionais da saúde e hospitais.
     
    O movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) divulgou uma nota direcionada aos pacientes interessados na substância. Nela, defendem que é preciso se informar antes de fazer uso da fosfoetanolamina, a “pílula do câncer”. O grupo é composto por mais de 50 entidades.
     
    Uma das questões abordadas –talvez a mais comum– é: “Devo tomar a fosfo?”. A resposta é que hoje há diversas opções para o tratamento do câncer, que já passaram por estudos clínicos e que recorrer à pílula do câncer pode não ser a melhor ideia neste momento, já que a droga ainda não foi bem estudada.
     
    O documento ainda recomenda que o paciente “converse com o seu médico e esgote as possibilidades de utilização de terapias disponíveis para o seu caso.”
     
    Outra reação, do Instituto Oncoguia, elenca uma série de perguntas ainda sem respostas. Uma delas é: para quem é entregue o termo de responsabilidade? Outra: Onde a droga será entregue ou vendida? Quem vai fabricar?
     
    “A Anvisa vai ter que regular algo a que ela se opõe. A gente quer acreditar que pode ser uma esperança, mas precisamos de provas de que funciona, de segurança, de que estudos clínicos sejam feitos”, lamenta a presidente do instituto, Luciana Holtz.
     
    Recorrer à “fosfo” pode gerar grande prejuízo para pacientes em tratamento de câncer. “Do agendamento de uma mamografia até o início de um tratamento, pode demorar quase um ano. Se a paciente resolve usar a droga e depois piora e desiste, ela tem que voltar para o começo da fila.”
     
    “São coisas complicadas para o paciente com câncer. Ele está geralmente muito envolvido e cheio de dúvidas na cabeça. Não dá tempo de entender tudo. Esse inclusive é nosso papel, fazer com que o processo seja menos burocrático para que haja acesso ao melhor tratamento. No caso da `fosfo`, é trocar o certo pelo incerto.”
     
    INFORMAÇÃO
     
    Para Merula Steagall, presidente da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), que faz parte do TJCC, no entanto, a ideia não é se posicionar contra ou a favor ao uso da substância. A proposta é informar os pacientes.
     
    “A gente defende que há muitas formas de tratamento comprovadas, que é preciso sempre conversar com profissionais da saúde sobre o tratamento”, diz.
     
    “Para o paciente que já falhou em várias tentativas, que não tem mais respostas na ciência, então ele deve conversar com seu médico e pensar na opção da fosfo.” Para ela, a fosfoetalomina seria algo suplementar para pacientes terminais como ajuda espiritual, acupuntura ou até mesmo homeopatia.
     
    O documento esclarece ainda que “não se sabe ao certo qual a maneira correta de tomar a fosfo” porque os estudados sobre a substância ainda estão em andamento.
     
    A ideia inicial do movimento, de acordo com Steagall, era fazer uma carta à presidente Dilma Rousseff. A conclusão, no entanto, foi que a iniciativa seria inútil. “A gente já sabia que a Dilma iria acabar sancionando por causa da atual crise política”, diz. Daí a ideia de mudar o foco para os pacientes.
     
    “O que mais me preocupa nesta historia e que as instituições que deveriam cuidar da nossa segurança foram desacreditadas. Quando a solicitação de ritos de segurança pedidos por agencias de regulação, cientistas, médicos, acadêmicos, revistas científicas renomadas e ignorada, voltamos para as trevas. Quem vai nos defender de um charlatão? Quem vai decidir se um tratamento e seguro ou fútil? Grupos de pessoas desesperadas? “, diz Bernardo Garicochea, chefe de pesquisa clínica do Hospital Sírio-Libanês.
     
    O documento está disponível no site do movimento e de todas as 50 instituições que fazem parte dele também, o Hospital Sírio-Libanês, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e a Interfarma. O leitor pode ler aqui.
     
    Steagall disse ainda que o movimento pretende acompanhar os estudos clínicos de fosfoetanolamina com pacientes. Um deles será conduzido no hospital A.C.Camargo, referência na área de oncologia.
     
    Perguntas e respostas
     
    Se um paciente quiser usar a fosfo, como ele deve proceder?
     
    Segundo a lei, somente agentes autorizados e licenciados por autoridades sanitárias podem fazer essa distribuição. Até o momento, não há informações sobre quais estabelecimentos devem fornecer o produto.
     
    A lei não diz que é necessário ter a prescrição de um médico. Bastam o laudo médico comprovando o câncer e o termo assinado pelo próprio paciente?
     
    Não. O Ministério da Saúde está formando um grupo para regular essa questão. A ideia é que a prescrição ocorra em receita em talonário numerado, usada para medicamentos controlados, que permitem o rastreamento do paciente, e que contenham justificativa para o uso.
     
    Pra quem ele entrega o termo de responsabilidade para obter a droga?
     
    Não há essa informação.
     
    Onde ele vai retirar a substância?
     
    Não há essa informação.
     
    Ela estará disponível no SUS? Vai estar à venda?
     
    Não. Segundo o Ministério da Saúde, os interessados em adquirir a fosfoetanolamina devem arcar com os custos da aquisição, já que a substância não está incorporada no SUS, o que só poderia ocorrer diante de uma comprovação de segurança e eficácia, critérios utilizado e analisado pela Conitec (comissão que avalia novas tecnologias no SUS) para tomar a decisão.
     
    Quem produzirá a substância?
     
    Ainda não há informações sobre como seria neste momento. Mas o Ministério da Ciência e Tecnologia já afirma que, futuramente, na hipótese de comprovada a segurança e eficácia com o avanço dos estudos, o governo deve buscar parcerias com empresas públicas para isso.
     
    Haverá uma bula?
     
    Não há informação. Esse é um dos pontos de preocupação de entidades contrárias à nova lei.
     
    Qual deve ser a dose diária para cada paciente e tipo de tumor?
     
    Não há estudos sobre isso. O Ministério da Ciência e Tecnologia, no entanto, já divulgou, com base no resultado dos primeiros estudos, que a pílula seria tóxica em humanos na quantidade de 1 g por dia. Mesmo assim, a quantidade que geraria algum efeito biológico seria gigantesca, de acordo com os mesmos estudos
     
    Tem interação com algum outro medicamento?
     
    Como os estudos não chegaram sequer às primeiras etapas da fase de pesquisa clínica, feita em humanos, não há informação. Esse é um dos pontos de preocupação de entidades contrárias à nova lei.
     
    Quem fará o controle de qualidade?
     
    Ainda não há uma definição sobre isso. A ideia inicial, porém, é que a fiscalização ocorra em conjunto pela Anvisa e Ministério da Saúde, que já planeja pedir balanços mensais da movimentação do produto a eventuais fornecedores
     
    Se o paciente passar mal ou não tiver sucesso no tratamento, com quem reclamará?
     
    Segundo o Ministério da Saúde, o paciente deve assinar um termo de consentimento em que assume o risco de efeitos adversos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
     
  • Presidente Dilma sanciona lei que libera

    Presidente Dilma sanciona lei que libera

    Apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter visto com preocupação a liberação sem garantia de eficácia e segurança, a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei que autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética, apelidada de “pílula do câncer”, por pacientes diagnosticados com tumores malignos.
     
    A sanção da lei número 13.269, de 13 de abril de 2016, foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14). O artigo 1º destaca que “esta Lei autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna”.
     
    O artigo 2º ressalta, porém, que só “poderão fazer uso da fosfoetanolamina sintética, por livre escolha”, os pacientes que apresentarem “laudo médico que comprove o diagnóstico” e “assinatura de termo de consentimento e responsabilidade pelo paciente ou seu representante legal”.
     
    Aprovação no Congresso
     
    O Senado aprovou no dia 22 de março, em votação simbólica, o projeto de lei que permite a fabricação, distribuição e o uso da fosfoetanolamina sintética. Como não houve alterações ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto seguiu para a sanção presidencial.
     
    Desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) para o tratamento de tumor maligno, a substância é apontada como possível cura para diferentes tipos de câncer, mas não passou por esses testes em humanos e não tem eficácia comprovada.
     
    “Ficam permitidas a produção e manufatura, importação, distribuição e prescrição, dispensação, posse ou uso da fosfoetanolamina sintética, direcionadas aos usos de que trata esta lei, independentemente de registro sanitário, em caráter excepcional, enquanto estiverem em curso estudos clínicos acerca dessa substância”, diz o texto.
     
    O projeto ressalva, porém, que a produção da “pílula do câncer” só pode ser feita por “agentes regularmente autorizados e licenciados pela autoridade sanitária competente”.
     
    Surgimento da pílula
     
    A fosfoetanolamina sintética começou a ser estudada no Instituto de Química da USP em São Carlos, pelo pesquisador Gilberto Chierice, hoje aposentado. Apesar de não ter sido testada cientificamente em seres humanos, as cápsulas foram entregues de graça a pacientes com câncer por mais de 20 anos.
     
    Em junho do ano passado, a USP interrompeu a distribuição e os pacientes começaram a recorrer da decisão na Justiça. Em outubro deste ano, a briga foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a produção e distribuição do produto.
     
    Mas, desde novembro, por causa de uma nova decisão judicial, a distribuição da substância estava proibida. A polícia chegou a fechar um laboratório em Conchal (SP), que estava produzindo ilegalmente a substância.
     
    Fechamento laboratório
     
    A Universidade de São Paulo (USP) tinha fechado no dia 1º de abril o laboratório de São Carlos que produzia a fosfoetanolamina sintética.
     
    Fonte: G1 – Bem Estar
  • Vacina contra H1N1 não pode ser aplicada em bebês de até 6 meses

    Vacina contra H1N1 não pode ser aplicada em bebês de até 6 meses

    A imunização contra o vírus H1N1 já está disponível para crianças, mas tem um grupo que não pode participar da vacinação nem na rede pública nem na particular: são os bebês com menos de 6 meses que, embora não possam tomar a dose, também podem ter sérias complicações ao serem infectados.
     
    “Os componentes da vacina não são adequados para eles e a recomendação do fabricante é que a vacinação seja feita em crianças acima de 6 meses. Mas o sistema imunológico deles é mais frágil, principalmente se não estiverem em aleitamento materno”, explica Sonia Liston, pediatra do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.
     
    A principal recomendação dada pela especialista para os pais manterem as mãos, o rosto e as cavidades nasais limpas ao ter contato com o bebê. “Os pais devem lavar bem as mãos e o rosto, fazer uma lavagem nasal e bochechos antes de pegar as crianças. O álcool em gel também é importante.”
     
    Segundo Sonia, a família deve evitar locais com aglomeração e, como essas crianças costumam receber muitas visitas, o ideal é tentar evitar o contato com pessoas resfriadas. “A gente sabe que todos querem ver, mas é bom evitar as visitas aos recém-nascidos, perguntar se ninguém está gripado e pedir gentilmente para que lavem as mãos.”
     
    A pediatra diz que os pais devem tomar a vacina para evitar a infecção. Caso o pai ou a mãe peguem a doença, a recomendação é usar máscara. A mãe deve continuar amamentando mesmo se estiver infectada. “Se ela ficar debilitada e não conseguir amamentar, pode tirar o leite e dar em uma mamadeira.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • País registra 102 mortes por complicações da gripe H1N1; SP lidera

    País registra 102 mortes por complicações da gripe H1N1; SP lidera

    O Brasil já registra 102 mortes relacionadas à gripe H1N1. Em todo o ano passado, foram 36 registros.
     
    O Estado de São Paulo concentra a maioria das mortes pelo vírus, com 70 registros. Em seguida, estão Goiás (6), Santa Catarina (5) e Bahia (3), entre outros dez Estados, com dois ou um registro cada. Um dos óbitos, no entanto, é de um paciente que adquiriu o vírus fora do país, mas foi internado no Brasil.
     
    Ao todo, o vírus da gripe A H1N1 responde por 88% das mortes registradas neste ano após complicações dos sintomas de gripe. De 115 mortes por gripe, 102 são de pacientes que tiveram resultado positivo para o H1N1 em exames.
     
    Os dados são de novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde e foram contabilizados até o dia 2 de abril.
     
    Segundo o balanço, o número de casos de síndrome respiratória aguda grave ligados ao H1N1 já chega a 686, aumento de 76% em relação ao registrado em todo o ano anterior, quando houve 141 registros.
     
    São Paulo também em número de casos graves, com 534 internações de pacientes por síndrome respiratória grave, ou 78% do total. O quadro é caracterizado pela ocorrência de febre, tosse ou dor de garganta e pela dificuldade para respirar.
     
    Outros 17 Estados apresentam registros de casos graves pelo vírus, mas em número menor. Entre eles, estão Santa Catarina (40), Paraná (21) e Goiás (12).
     
    Em nota, o Ministério da Saúde informa que “está monitorando os casos de H1N1 nos Estados junto com as vigilâncias locais”.
     
    Boletim aponta ainda que o H1N1 responde, neste ano, por 80% dos 854 casos de internações de pacientes por complicações da gripe. No ano passado, o vírus correspondia a 12% do total de casos de síndrome respiratória grave.
     
    ACINAÇÃO
     
    Segundo a pasta, os casos ligados ao H1N1 ocorrem fora do período esperado para o aumento de casos de gripe, previsto geralmente para o fim de abril e início de maio, com a chegada do inverno.
     
    A preocupação com o registro de casos fora de época fez com que alguns Estados antecipassem a vacinação contra a gripe neste ano, prevista inicialmente para 30 de abril, para uma parte do público-alvo.
     
    Em São Paulo, a vacinação de crianças, gestantes e idosos começou nesta segunda-feira (11). Em Goiás, o início da vacinação está prevista para o dia 12 em Goiânia e na região metropolitana.
     
    Também decidiram antecipar as datas, mas para o dia 25, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. No Distrito Federal, a secretaria anunciou que irá iniciar a vacinação contra gripe nessa mesma data para crianças até seis anos e gestantes.
     
    Já a campanha nacional está marcada para ocorrer entre 30 de abril e 20 de maio. Além do H1N1, a vacina contém cepas de outros dois tipos de vírus da gripe: H3N2 e influenza B.
     
    Além da vacina, o Ministério da Saúde recomenda que sejam tomadas medidas de prevenção, como lavar as mãos com frequência e evitar locais com aglomeração de pessoas.
     
    REGISTROS
     
    A notificação dos casos de gripe no país é feita por meio de dois tipos de monitoramento. Um deles é a vigilância sentinela, modelo que acompanha os tipos de vírus da gripe em circulação por meio de amostras coletadas de uma parte dos pacientes atendidos em hospitais de referência.
     
    Hoje, não há uma notificação obrigatória de casos de gripe no país, devido à impossibilidade de registrar todos os casos, segundo o governo.
     
    Um segundo monitoramento, assim, ocorre apenas para os casos graves, quando o paciente é internado com complicações dos sintomas.
     
    A orientação é que todas as internações por esse motivo sejam informadas pelos hospitais às secretarias de saúde.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Anvisa dá aval temporário a uso de mosquito transgênico

    Anvisa dá aval temporário a uso de mosquito transgênico

    Após quase dois anos de análise, a diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu conceder uma espécie de aval temporário a pesquisas com mosquitos transgênicos.
     
    A medida, que ocorre em meio a críticas pela demora na avaliação do tema, é a primeira iniciativa da agência para regular o uso desse tipo de tecnologia no país.Até então, a Anvisa alegava ter dúvidas se poderia interferir nessa questão.
     
    O pedido de análise foi feito em 2014 pela britânica Oxitec, que possui uma filial em Campinas (SP) e detém uma linhagem de mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados.
     
    Na época, a empresa havia obtido aprovação inicial pela CTN Bio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) para uso da tecnologia em larga escala e consultou a Anvisa na tentativa de obter aval para a comercialização.
     
    Liberados no ambiente, esses mosquitos têm como função reduzir a população dos mosquitos silvestres —e, assim,reduzir também a circulação de doenças por eles transmitidas, como adengue.
     
    Dois anos depois, a agência definiu que os mosquitos geneticamente modificados “são objeto de regulação sanitária, no que diz respeito à segurança sanitária de seu uso e em relação à sua eficácia”. Mas ainda não se posicionou sobre eventual comercialização da tecnologia.
     
    Segundo a Anvisa, até que seja concluída a elaboração de uma norma sobre o tema, a Oxitec ganhará um “registro especial temporário”,que permite que ela realize mais pesquisas para comprovar a eficácia da tecnologia.
     
    A medida deve abrir espaço para novas parcerias com prefeituras que desejam utilizar a ferramenta no combate ao Aedes aegypti. Essa utilização, porém, ainda deve ocorrer em caráter de testes.
     
    Em nota, a Anvisa diz que, além da análise da CTNBio, “caberá aos órgãos específicos dos ministérios o registro e a fiscalização comercial dos organismos geneticamente modificados”.
     
    O uso de uma linhagem transgênica do aedes ganhou repercussão após resultados positivos em testes-piloto. Na prática, funciona assim: como só as fêmeas do aedes picam —e assim podem contrair e transmitir vírus como a dengue, por exemplo— os pesquisadores liberam apenas os machos transgênicos no ambiente.
     
    Soltos, os mosquitos “recém-chegados”encontram as fêmeas silvestres e as fecundam. Os ovos desse encontro ganham um gene “mortal”, e produzem larvas que morrem antes de ultrapassar a fase da pupa e chegar à vida adulta. Assim ocorre a redução na população de mosquitos.
     
    Os projetos-piloto foram conduzidos em dois municípios da Bahia, Juazeiro e Jacobina, e em Piracicaba, no interior paulista. Em Piracicaba, resultados mostraram redução de 82% nas larvas selvagens em áreas onde o mosquito foi liberado, segundo dados da Oxitec.
     
    O aval temporário à pesquisa foi concedido em meio a uma explosão da dengue no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 495.266 casos prováveis da doença em 2016, de janeiro até o início de março. O número é 47% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, quando havia 337.738 casos notificados.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Cientistas brasileiros ligam zika a novo distúrbio cerebral em adultos

    Cientistas brasileiros ligam zika a novo distúrbio cerebral em adultos

    Cientistas brasileiros revelaram um novo distúrbio cerebral em adultos associado ao vírus da zika: uma síndrome autoimune chamada encefalomielite disseminada aguda, ou Adem, que ataca o cérebro e a espinha dorsal.
     
    O vírus já foi relacionado a outro distúrbio autoimune, a síndrome de Guillain-Barré, que ataca os nervos periféricos fora do cérebro e espinha dorsal, causando uma paralisia temporária que pode, em alguns casos, fazer com que os pacientes precisem da ajuda de equipamentos para respirar.
     
    A nova descoberta mostra que o zika pode provocar também um ataque imune contra o sistema nervoso central. Com isso, aumenta a lista de danos neurológicos associados a ele.
     
    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, existe um grande consenso científico de que, além da Guillain-Barré, o vírus da zika pode causar a microcefalia em recém nascidos, embora a produção de provas conclusivas ainda deva demorar meses ou anos.
     
    A microcefalia é uma má-formação cerebral, na qual os bebês nascem com cabeças menores do que o normal, o que pode resultar em problemas de desenvolvimento.
     
    Além de doenças autoimunes, alguns pesquisadores também têm apresentado relatos de pacientes com vírus da zika que desenvolvem encefalite e mielite –distúrbios neurológicos tipicamente causados pela infecção direta de células nervosas.
     
    “Embora nosso estudo seja pequeno, pode fornecer evidência de que, nesse caso, o vírus tem efeitos diferentes sobre o cérebro do que aqueles identificados nos estudos atuais”, disse em um comunicado a doutora Maria Lúcia Brito, neurologista do Hospital da Restauração, no Recife.
     
    A Adem ocorre tipicamente como consequência de uma infecção, provocando o inchaço acentuado do cérebro e da espinha dorsal e danificando a mielina, a proteção esbranquiçada que envolve as fibras nervosas. Os sintomas são fraqueza, dormência e perda do equilíbrio e da visão, similares aos da esclerose múltipla.
     
    Maria Lucia Brito apresentou suas descobertas neste domingo, durante um encontro da Academia Americana de Neurologia, em Vancouver, no Canadá.
     
    O estudo envolveu 151 pacientes que foram atendidos no hospital entre dezembro de 2014 e junho de 2015. Todos foram infectados com arbovírus, a família de vírus da qual fazem parte dengue, zika e chikungunya.
     
    Seis dos pacientes desenvolveram sintomas consistentes com distúrbios autoimunes. Desses, quatro tinham Guillain-Barré e dois tinham Adem. Em ambos os casos de Adem, imagens do cérebro mostraram danos na mielina. Os sintemas da Adem duram tipicamente seis meses.
     
    Todos os seis pacientes testaram positivo para zika, e todos tiveram efeitos prolongados após receberem alta do hospital, com cinco pacientes tendo apresentado disfunção motora, um problemas de visão e um declínio cognitivo.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Google registra patente de drone que entrega medicamentos sob demanda

    Google registra patente de drone que entrega medicamentos sob demanda

    Seja em uma escalada no Monte Everest, uma trilha no meio da floresta Amazônica ou uma tarde de pesca na Antártida, em algumas situações você não terá um hospital ou mesmo um kit de primeiros socorros à sua disposição. 
     
    Em caso de emergência em uma localidade remota, o que fazer? Graças ao Google, agora esse problema recebe uma solução bem high-tech. A empresa acredita que drones podem muito bem ser úteis nesses casos. No ano passado, a gigante da web registrou a patente de uma frota de quadricópteros automatizados capazes de transportar suprimentos médicos como autoinjetores de adrenalina, desfibriladores e medicamentos direto de uma central para uma pessoa em necessidade. E, segundo o projeto, também não existe limite de ocasiões em que o drone pode oferecer auxílio. A versatilidade dele permite que o dispositivo ajude uma vítima de afogamento ou ofereça remédios para quem sofre de asma ou esteja em princípio de parada cardíaca. A novidade da vez é que uma nova patente registrada pelo Google na última segunda-feira (4) dá mais detalhes de como as vítimas poderiam chamar os drones de onde quer que estejam. Em um dos exemplos citados na patente, o drone é ativado por meio de um rádio retangular que possui vários botões indicando as ocasiões em que o veículo pode ajudar, como “choque anafilático”, “machucado no pescoço”, “insulina”, “kit de primeiros socorros”, entre outros. No rádio, um visor também mostra quanto tempo falta para o drone chegar ao local.
     
    Uma das características que o Google aposta para o sucesso da iniciativa é a maior facilidade de chegada do drone em alguns locais em detrimento de veículos terrestres. A velocidade de entrega dos suprimentos também seria mais rápida. O Google ainda precisa fazer testes e trabalhar em alguns detalhes antes que o drone seja disponibilizado para uso, mas considerando o estado das patentes registradas, não deve demorar muito para você receber ajuda de um drone para curar uma torção no pé durante uma trilha no meio da floresta.
     
    Fonte: Canaltech