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  • Cresce nº de países com síndrome ligada ao zika

    Cresce nº de países com síndrome ligada ao zika

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) caminha para elevar o alerta internacional em relação ao vírus zika nesta terça-feira, 8, quando uma reunião de emergência ocorrerá na entidade para reavaliar o surto. A informação foi passada por Bruce Aylward, diretor-executivo do Departamento de Surtos da OMS, aos principais cientistas de todo o mundo em uma reunião realizada nesta segunda-feira, 7, apontando para a relação entre o vírus e a microcefalia. 
     
    O Estado foi o único meio de comunicação do Brasil a ter acesso à reunião entre os principais cientistas internacionais e que vai avaliar nos próximos três dias estratégias para lidar com o fenômeno. 
     
    No dia 1º de fevereiro, a OMS declarou apenas a microcefalia como emergência internacional, alertando que ainda não existiam indícios claros da relação com o zika. Aylward, porém, insiste que o cenário “mudou”.
     
    “Se compararmos com a situação há um mês, os dados apontam em uma direção. Desde então, muito aconteceu. Não podemos provar nada ainda. Mas passamos de uma evidência muito fraca para uma evidência moderada de associação causal”, disse. “Isso gerou uma nova urgência para os debates”, afirmou. 
     
    Aylward lembrou que tanto os novos estudos como a proliferação de casos tem mudado a percepção da OMS sobre o caso. “Agora, temos 41 países desde janeiro de 2015 com casos de zika e o número continua a aumentar”, insistiu.
     
    Segundo ele, também já existem nove países onde é forte a relação entre a Síndrome de Guillain-Barré e o vírus. “Há um mês, eram apenas três países”, indicou.
     
    Outros estudos ainda conseguiram isolar o vírus em mães que tiveram filhos com microcefalia, enquanto um estudo publicado no New England Journal of Medicine também reforçou a associação em mulheres brasileiras. “Outros estudos ainda mostram os efeitos do vírus nas células”, indicou. 
     
    O diretor apontou que não é hábito na OMS reconvocar a reunião de emergência de especialistas apenas um mês depois do encontro inicial. “Vamos revisitar a questão”, disse. 
     
    Outro fator que pesou foi sua visita ao Brasil. “Não há dúvida de que houve um aumento do número de casos de microcefalia no Brasil e são casos novos e distintos”, disse. Segundo ele, ao visitar Pernambuco, a OMS também se deparou com uma situação em que mulheres” não contam com instrumentos para lidar com a situação”. “Precisamos de diagnósticos. Precisamos de vacinas”, disse. 
     
    Quanto ao mosquito Aedes aegypti, Aylward também insistiu para a necessidade de “maior e melhor controle”. “O Brasil tem o desafio da dengue e já entrou na guerra com o zika sabendo das dificuldades”, indicou.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Medicamento em estudo contra zika mostra resultado promissor em ratos

    Medicamento em estudo contra zika mostra resultado promissor em ratos

    A BioCryst Pharmaceuticals Inc informou, nesta segunda-feira (7), que uma dose de seu medicamento antiviral experimental aumentou os índices de sobrevivência de ratos infectados com o vírus da zika em um estudo pré-clínico.
     
    Duas doses do medicamento BCX443 foram testadas contra um placebo e um antiviral oral chamado ribavirin para os efeitos de sobrevivência de ratos com deficiências imunológicas infectados com zika.
     
    Sete dos oito ratos que receberam a dose “padrão” sobreviveram, mas nenhum dos outros ratos que receberam uma dose baixa, o placebo ou ribavirin sobreviveram após 28 dias.
     
    O estudo foi realizado na Utah State University sob um programa regido pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid), que é parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).
     
    Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus da zika está cada vez mais fortemente relacionado a casos de microcefalia e de síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, não existe um medicamento específico contra a infecção, nem uma vacina.
     
    Fonte: G1 – Bem Estar
     
  • Conheça cinco medicamentos inovadores para 2016

    Conheça cinco medicamentos inovadores para 2016

    A aprovação de tratamentos inovadores capazes de superar os benefícios terapêuticos oferecidos por aqueles já existentes pode aumentar as chances de cura, melhorar adesão a tratamentos crônicos ou diminuir efeitos colaterais, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o maior número de registros de medicamentos desde 2010. Foram 742, entre novos, similares e genéricos. Entre eles, estão medicamentos que modificam positivamente o tratamento da hepatite C e os primeiros produtos biossimilares.
     
    Abaixo, seguem cinco outros medicamentos inovadores recém-aprovados ou na eminência de receberem o registro, em diversas áreas. Confira.
     
    Esclerose múltipla
     
    Por muitos anos, os pacientes que convivem com essa doença neurodegenerativa e incapacitante contaram apenas com injeções (algumas diárias) para evitar a ocorrência de surtos e reduzir a progressão dos danos cerebrais. Graças aos avanços na área, os pacientes contam desde o fim do ano passado com uma nova opção de medicamento oral que, além de oferecer conveniência e praticidade facilitando a adesão ao tratamento, oferece avanços significativos no controle da doença. O fumarato de dimetila, primeiro imunomodulador oral para o tratamento da esclerose múltipla recorrente-remitente, forma mais comum da patologia.
     
    O medicamento proporciona uma nova abordagem para tratar a esclerose múltipla. Seu principal diferencial é estimular os genes envolvidos nas respostas anti-inflamatórias, ativando as células de defesa do próprio corpo para combater a inflamação cerebral comum nos pacientes com esclerose múltipla. A inflamação é a principal causa do envelhecimento e da degeneração do cérebro e, consequentemente, do comprometimento de funções cognitivas como a fala, os movimentos e a deglutição. O medicamento reduz em até 49% a proporção de pacientes que apresentaram surtos, em 53% a taxa de surtos anual e em 38% a progressão da incapacidade. Entre outros benefícios estão efeitos adversos gerenciáveis e transitórios (um alívio diante dos tratamentos iniciais), sendo os mais comuns rubor facial, diarreia, náusea e dor abdominal.
     
    Melanoma e câncer de pulmão
     
    Pacientes com cânceres avançados poderão contar com pembrolizumabe, uma imunoterapia anti PD-1 prevista para ser aprovada pela Anvisa ainda este ano. A imunoterapia é uma nova abordagem do tratamento do câncer que estimula o sistema imunológico do próprio paciente, antes bloqueado pelas células cancerosas, de combater o tumor.
     
    O medicamento é um anticorpo monoclonal humanizado que ataca partes determinadas da célula cancerígena ? diferentemente das terapias-padrão como a quimioterapia, que atacam as células sadias e as doentes, proporcionando melhora significativa da qualidade de vida do paciente. O uso do medicamento restaura o sistema biológico, destruindo o tumor e bloqueando sua evolução. A terapia já está aprovada em mais de 40 países para o tratamento do melanoma e do câncer de pulmão avançado, e é investigada para mais de 30 tipos de canceres.
     
    Hemofilia
     
    Há mais de 17 anos os pacientes com hemofilia não têm novidades no tratamento da doença, que atualmente é feito através da infusão do fator de coagulação deficiente duas ou mais vezes por semana, dependendo da gravidade da doença. Essa realidade pode mudar com a aprovação dos fatores recombinantes de longa duração. O indicado para o tratamento da hemofilia B (quando falta no sangue o fator IX de coagulação) acaba de receber o registro da Anvisa. O indicado para a hemofilia A (quando falta no sangue o fator VIII de coagulação), até o fim do ano.
     
    O principal benefício dos fatores recombinantes de longa duração é a diminuição da frequência de infusões: uma vez por semana ou a cada dez dias. A diminuição de picadas para menos da metade trará conveniência, autonomia e praticidade, facilitando a adesão do paciente que depende do tratamento para a vida toda. Os medicamentos foram desenvolvidos por meio da tecnologia de fusão Fc, que prolonga o tempo de circulação do medicamento no corpo e amplia o intervalo entre as infusões profiláticas.
     
    A hemofilia é uma doença genético-hereditária que prejudica diretamente a coagulação do sangue. A doença é caracterizada pela falta de produção de um dos 13 fatores de coagulação do sangue. Se não tratada preventivamente, através da profilaxia, a doença pode causar hemorragias internas e externas, e sangramento nas articulações, levando a problemas como má formação nas crianças.
     
    Fibrose pulmonar idiopática
     
    No final de 2015, a Anvisa aprovou o primeiro tratamento para essa doença pulmonar rara e fatal. O registro de nintedanimabe trouxe esperança aos pacientes e promoveu uma mudança no panorama de tratamento, já que promete desacelerar a evolução da progressão da doença em 50%. Pacientes acometidos geralmente têm sobrevida média de dois a três anos após o diagnóstico.
     
    A fibrose pulmonar idiopática é uma doença crônica não infecciosa, de causa desconhecida e limitada aos pulmões, em que ocorre a substituição do tecido normal do pulmão por fibrose (tecido de cicatrização), alterando a sua capacidade de realização de trocas gasosas (oxigenação do sangue). A maioria dos indivíduos atingidos apresenta idade superior a 60 anos e a maior parte é do sexo masculino, fumante ou ex-fumante. Os sintomas mais comuns são falta de ar, com piora progressiva, e tosse seca, por mais de seis meses. A doença acomete cerca de 10 a 20 pessoas para cada 100 mil em todo o mundo.
     
    Próstata
     
    Também no fim do ano passado, a Anvisa aprovou a dutasterida para o tratamento da hiperplasia prostática benigna, problema que acomete cerca de 50% dos homens acima de 50 anos e 80% dos que têm mais de 80. A inovação promete reduzir o volume da próstata e o risco de retenção urinária aguda, além de, consequentemente, a necessidade de cirurgias. O medicamento também alivia os sintomas e aumenta o fluxo urinário. O tratamento ainda retarda os efeitos indesejados da doença como disfunção sexual, osteosporose, anemia e atrofia muscular.
     
    Fonte: Portal Snif Brasil
     
  • Na drogaria: Balanços – mensal, trimestral e anual

    Na drogaria: Balanços – mensal, trimestral e anual

    Todos os estabelecimentos (vamos citar aqui farmácias de manipulação e drogarias) que trabalham com medicamentos controlados (psicotrópicos – Portaria 344 e suas atualizações), necessitam levar à Vigilância Sanitária local, o balanço de aquisição e dispensação de todos os medicamentos/ativos que possuem em seus estoques.
     
    No caso das drogarias, este balanço deve seguir as seguintes datas/frequência:
     
    Mensal (deverá ser entregue entre os dias 01 e 15 do mês consecutivo)
     
    RMNRA: relação mensal de notificação de receitas – da lista A1, A2 e A3
     
    RMNRB2: relação mensal de notificação de receitas – da lista B2
     
    Trimestral (deverá ser entregue entre os dias 01 e 15 do mês consecutivo)
     
    BMPO (Balanço de medicamentos Psicoativos e outros), no caso das drogarias
     
    BSPO (Balanço de Substâncias Psicoativas e Outras Sujeitas a Controle Especial) – no caso das farmácias de manipulação
    1º Trimestre: referente aos meses de janeiro, fevereiro e março. Entregar até 15 de abril;
     
    2º Trimestre: referente aos meses de abril, maio e junho. Entregar até 15 de julho;
     
    3º Trimestre: referente aos meses de julho, agosto e setembro. Entregar até 15 de outubro;
     
    4º Trimestre: referente aos meses de outubro, novembro e dezembro. Entregar até 15 de janeiro do ano seguinte.
     
    Anual (deverá ser entregue até o dia 31 de janeiro do ano seguinte)
     
    Neste balanço, deverão estar relacionadas todas as listas pertencentes à Portaria 344/98.
     
    O pré-requisito para a geração correta dos relatórios pelo sistema do SNGPC, é escriturar no sistema as informações de movimentação para o período desejado (entradas e saídas) ou importar o seu arquivo XML gerado previamente através do sistema do seu estabelecimento.
     
    Obs* A geração dos relatórios não dependem da validação dos arquivos XML enviados para a o sistema SNGPC/ANVISA.
     
    Relembrando a classificação dos psicotrópicos conforme Portaria 344/98
     
    Quais São os Produtos Controlados
    Os medicamentos e substâncias constam de diversas LISTAS de acordo com sua categoria:
     
    A1 – Entorpecentes : analgésicos, opióides e não opióides, analgésicos gerais;
    A2 – Entorpecentes : analgésicos, opióides e não opióides;
    A3 – Psicotrópicos : estimulantes dos sistema nervoso central;
    B1 – Psicotrópicos : antiepiléticos, indutores do sono, ansiolíticos, antidepressivos, tranquilizantes;
    B2 – Psicotrópicos : anorexígenos;
    C1 – Controle Especial : antidepressivos, antiparksonianos, anticonvulsivantes, antiepiléticos, neurolípticos e anestésicos;
    C2 – Retinóides : tratamento de acne cística severa;
    C3 – Talidomida : reação leprótica;
    C4 – Antiretrovirais : infecções originadas do HIV;
    C5 – Anabolizantes;
    D1 – Precursores de Entorpecentes / Psicotrópicos;
    D2 – Precursores de Síntese de Entorpecentes;
    E – Plantas;
    F – Produtos de Uso Proscrito no País
     
    Fonte: www.tudodedrogaria.com.br
  • Estudo confirma relação de Zika e Guillain-Barré

    Estudo confirma relação de Zika e Guillain-Barré

    Uma análise de amostras de sangue a partir do surto de vírus Zika na Polinésia Francesa em 2013 e 2014 reforça a ligação com a síndrome de Guillain-Barré (SGB) e sugere uma incidência de SGB de 24 por 100.000 pacientes com Zika, os investigadores relatam esses resultados em artigo publicado online em 29 de fevereiro no Lancet (1). A necessidade de unidade de terapia intensiva (UTI) e suporte respiratório de pacientes portadores do vírus Zika que desenvolvem SGB é susceptível de se tornar mais um desafio de saúde pública Brasil.
     
    Dr. Cao-Lormeau e colegas em Paris e Tahiti projetaram o estudo caso-controle para determinar se o vírus Zika, com ou sem infecção por dengue concomitante ou prévia (também comum na Polinésia Francesa), pode ser um fator de risco para SGB.
     
    Todos os pacientes com suspeita de SGB na Polinésia Francesa são rotineiramente referenciados ao Centre Hospitalier de la Polynésie Française para confirmação por estudos de condução do nervo motor padrão, mediano, ulnar e fibular, e por estudos de condução nervosa sensorial dos nervos radial e sural.
     
    Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de todos os 42 pacientes com diagnóstico de SGB no Centre Hospitalier de la Polynésie Française durante o período de outubro de 2013 a abril de 2014, surto de Zika na Polinésia Francesa, que foi o maior surto conhecido na época. Eles compararam esses dados com dados de dois grupos de controle. O primeiro grupo de controle (n = 98, pareado por idade, sexo e ilha de residência) foi tratado no mesmo hospital, mas não tinha história de febre pelo Zika. O segundo grupo não-SGB, (n = 70) testaram positivo para a infecção pelo vírus Zika, mas não tiveram sintomas neurológicos de SGB.
     
    Os pacientes com SGB apresentaram: fraqueza muscular generalizada (74%), incapacidade de andar (44%), e/ou paralisia facial (64%). Dezesseis desses 42 pacientes (38%) foram internados na UTI, e 12 (29%) necessitaram de assistência respiratória. O tempo mediano de hospitalização foi de 11 dias para todos os pacientes com SGB e 51 dias para os admitidos a UTI. Todos foram tratados com imunoglobulinas, e um necessitou de plasmaférese, mas após três meses da alta, apenas 24 (57%) recuperou a capacidade de andar sem ajuda.
     
    Nenhum dos pacientes com SGB apresentou viremia por Zika no momento da admissão hospitalar, mas 88% relataram ter tido uma doença transitória em uma mediana de 6 dias antes do início dos sintomas neurológicos. Além disso, 41 dos 42 pacientes com SGB (98%) foram positivos para o vírus Zika com base na reação em cadeia da polimerase de transcrição reversa em comparação com 35 (36%) dos 98 pacientes no primeiro grupo de controle (odds ratio OR, 59,7; P <0,0001). Todos os pacientes com SGB (100%) apresentaram anticorpos neutralizantes contra o vírus da Zika, assim como 54 (56%) do primeiro grupo de controle (OR, 34,1; P <0,0001).
     
    História da dengue não foi significativamente diferente entre os três grupos de pacientes, e os investigadores concluíram que a dengue não aumentou o risco para SGB em pacientes infectados por Zika.
     
    Comentário
     
    Essa é a primeira evidência robusta da ligação entre infecção por Zika vírus e SGB, e deve ser considerada com cautela pelas autoridades sanitárias brasileiras, que devem monitorar cuidadosamente a incidência dessa condição no país, e estar preparados para sua gestão.
     
    Referência
     
    Cao-Lormeau V-M, Blake A, Mons S, Lastère S, Roche C, Vanhomwegen J, et al. Guillain-Barré Syndrome outbreak associated with Zika virus infection in French Polynesia: a case-control study. Lancet Internet. Elsevier; cited 2016 Mar 1; Available from: http://www.thelancet.com/article/S0140673616005626/fulltext
     
    Fonte: https://farmaceuticoclinico.com.br/groups/view/3/topic_id:1663
     
    Autor: Postado por Wálleri Reis em 1 de março de 2016, 19:03
  • Na Drogaria: Dispensação de antimicrobianos

    Na Drogaria: Dispensação de antimicrobianos

    O artigo de hoje se baseia na RESOLUÇÃO RDC Nº 20, DE 5 DE MAIO DE 2011, RDC esta que norteia as novas regras de dispensação de antimicrobianos nas farmácias. Apesar de já ter havido diversas revogações desde sua implantação, muitos profissionais ainda apresentam dúvidas no momento da dispensação.
     
    Hoje, estaremos abordando suas diretrizes originais; suas revogações serão discutidas em artigo posterior a este.
     
    RECEITUÁRIO:  receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde, não havendo, portanto modelo de receita específico. A receita deve ser prescrita de forma legível, sem rasuras, em 2 (duas) vias e contendo os seguintes dados obrigatórios:
     
    I – identificação do paciente: nome completo, idade e sexo;
     
    II – nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dose ou concentração, forma farmacêutica, posologia e quantidade (em algarismos arábicos);
     
    III – identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional ou nome da instituição, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo);
     
    IV – data da emissão.
     
    Particularidades da receita:
     
    – A receita poderá conter a prescrição de outras categorias de medicamentos desde que NÃO sejam sujeitos a controle especial.
     
    – Não há limitação do número de itens contendo medicamentos antimicrobianos prescritos por receita.
     
    – A receita deve ser aviada uma única vez e não poderá ser utilizada para aquisições posteriores, salvo nas situações previstas no artigo 8º desta norma (prescrições de uso contínuo)
     
    – Em situações de tratamento prolongado/contínuo, a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro de um período de 90 (noventa) dias a contar da data de sua emissão. Na situação descrita, a receita deverá conter a indicação de uso contínuo, com a quantidade a ser utilizada para cada 30 (trinta) dias, não podendo ser dispensado quantidade inferior. No caso do paciente não desejar a compra da quantidade para os 30 dias, o farmacêutico deverá orientá-lo que a receita perderá a validade para novas aquisições.
     
    Exemplo de dispensação de uso contínuo:
     
    Cefalexina 500mg ————————- Cx
    Tomar 1cp 6/6 hrs – Uso contínuo
     
    Neste caso, o paciente poderá levar a quantidade para todo o tratamento (máximo de 90 dias por receita) ou quantidade mensal (120 cp). O farmacêutico irá anotar no verso da 2ª via da receita (paciente) a quantidade dispensada e, para as próximas aquisições, o paciente deverá apresentar esta mesma via da receita onde será dispensado e anotado a quantidade para mais 30 dias de tratamento e da mesma forma no mês consecutivo encerrando o tempo de tratamento para aquela prescrição.
     
    No caso de estender o tratamento, o paciente deverá adquirir nova receita médica.
     
    – A dispensação em farmácias e drogarias públicas e privadas dar-se-á mediante a retenção da 2ª (segunda) via da receita, devendo a 1ª (primeira) via ser devolvida ao paciente.
     
    – A dispensação de antimicrobianos deve atender essencialmente ao tratamento prescrito, inclusive mediante apresentação comercial fracionável, nos termos da Resolução RDC nº 80/2006 ou da que vier a substituí-la.
     
    – No ato da dispensação devem ser registrados nas duas vias da receita os seguintes dados:
     
    I – a data da dispensação;
     
    II – a quantidade aviada do antimicrobiano;
     
    III – o número do lote do medicamento dispensado; e
     
    IV – a rubrica do farmacêutico, atestando o atendimento, no verso da receita.
     
    – Esta Resolução não implica vedações ou restrições à venda por meio remoto, devendo, para tanto, ser observadas as Boas Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias, estabelecidas na Resolução RDC nº. 44/2009 ou na que vier a substituí-la.
     
    VALIDADE: a receita de antimicrobianos é válida em todo o território nacional, por 10 (dez) dias a contar da data de sua emissão (prescrição).
     
    ARMAZENAMENTO: os antimicrobianos não necessitam ser guardados em armário com chave. Os mesmos podem ficar expostos nas prateleiras desde que, fora do alcance dos clientes e que seja feitos seu controle de saldo (quantidade).
     
     SNGPC: a escrituração no sistema gerenciado pela ANVISA, segue as mesmas normativas das demais classes de medicamentos, com o prazo máximo de até 7 dias para lançamento.
     
    TROCA: por se tratar de um medicamento controlado, é vedada a devolução, por pessoa física, de medicamentos antimicrobianos industrializados ou manipulados para drogarias e farmácias.
     
    ARQUIVO: todas as receitas deverão ficar arquivadas no estabelecimento durante um prazo de 2 anos.
     
    Fonte: www.tudodedrogaria.com.br
  • Cientistas do Rio revelam os alvos do zika no cérebro

    Cientistas do Rio revelam os alvos do zika no cérebro

    Pela primeira vez, o zika é flagrado ao destruir o cérebro humano. Um estudo de cientistas de instituições do Rio de Janeiro mostrou em laboratório a devastação provocada pelo vírus no sistema nervoso central de fetos. A pesquisa revela que o zika ataca células-tronco neuronais, mais especificamente aquelas que dão origem aos neurônios do córtex, a área mais nobre do cérebro. Esse é o primeiro estudo do mundo a demonstrar uma relação de causa e efeito entre o zika e danos neurológicos. — Mostramos que existe uma relação causal entre o zika e a destruição do sistema nervoso — afirma o coordenador do estudo, Stevens Rehen.
     
    Além de Rehen, da neurocientista Patrícia Garcez e do virologista Amílcar Tanuri, participaram do estudo cientistas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes, havia só uma correlação entre a infecção pelo zika e a microcefalia e defeitos do sistema nervoso. Até agora, ninguém tinha observado o zika em ação dentro de células humanas.
     
    Mais estudos serão necessários para a comprovação e o entendimento de como o zika causa uma síndrome congênita capaz de afetar várias partes do feto em desenvolvimento. O estudo foi realizado com células humanas, diferentemente de experiências em curso em instituições estrangeiras, que usam modelos animais. 
     
    “UMA CASCATA DE DESTRUIÇÃO” 
     
    Os cientistas simularam a ação do zika em diferentes períodos da gestação. Com estruturas chamadas neuroesferas (feitas de células nervosas), eles viram o que acontece quando o vírus ataca o sistema nervoso assim que este se forma. Nesse caso, a destruição é praticamente total. Com o uso de minicérebros (estruturas celulares que se organizam como o cérebro), eles observaram o que ocorre do primeiro ao terceiro mês de gestação — uma redução de 40% no crescimento e morte maciça de neurônios.
     
    — Isso não significa que o zika não ataque outras células. Mas seu alvo parece ser as célulastronco do córtex. Com isso, ele provoca uma cascata de destruição no feto, onde essas células- tronco se proliferam — explica Rehen. Seguindo a orientação da OMS sobre partilha de dados em caso de emergência, os resultados estarão disponíveis on-line hoje numa revista científica internacional.
     
    Fonte: O Globo
  • Zika pode infectar pernilongo, diz Fiocruz

    Zika pode infectar pernilongo, diz Fiocruz

    O surto do vírus zika no Brasil pode ter um novo vetor além do mosquito Aedes aegypti, segundo revelação feita ontem por pesquisadores do projeto de vetores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. De acordo com a cientista Constância Ayres, o vírus foi encontrado ativo na glândula salivar e no intestino do mosquito Culex, o pernilongo comum.
     
    “Isso significa que o atual vírus conseguiu escapar de algumas barreiras no mosquito e chegou à glândula salivar”, explicou a pesquisadora durante o workshop A,B,C,D,E do vírus zika. No encontro, ela apresentou resultados preliminares da investigação que levaram à disseminação do vírus para a glândula salivar do mosquito, por onde aconteceria a transmissão da doença para humanos.
     
    A conclusão se deu após Constância realizar em laboratório três infecções em aproximadamente 200 mosquitos Culex criados em laboratório em dezembro e em fevereiro.No experimento,a pesquisadora alimentou por sete dias os pernilongos com sangue infectado pelo zika e a conclusão foi que o vírus se manteve ativo. Apesar de parcial, a pesquisa levanta forte hipótese de o Culex também transmitir o vírus da zika.
     
    “Para concluir isso (em definitivo), só falta identificar em campo a espécie de mosquito infectada com o vírus da zika”, ressaltou a bióloga que ingressará com a nova fase da pesquisa, partindo para análise do material de campo que está sendo coletado para chegar a uma conclusão – em seis a oito meses. “Nas casas e onde acontecem registros do vírus estão sendo coletados mosquitos das duas espécies. Trazemos esse material para o laboratório e fazemos os testes moleculares para detectar o vírus nessas espécies. Tendo realizada uma grande quantidade de amostras, poderemos ter uma ideia se o Aedes é o vetor exclusivo, se existem outros vetores e qual a importância de cada um na transmissão”, afirma.
     
    A presença do Culex em zonas urbanas do País supera em 20 vezes a incidência do Aedes, conforme os especialistas da Fiocruz. Ele também constituiria uma ameaça maior, por estar disseminado quase em todo omundo, e por ter facilidade de reprodução em água suja – ao contrário do vetor comum de dengue, zika e chikungunya.
     
    Cautela
     
    Apesar do achado, especialistas dizem que o fato de o Culex ser“infectável ”não indica obrigatoriamente que ele possa transmitir zika.“O experimento ainda é muito preliminar”, disse Margareth Capurro, bióloga do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
     
    O assunto também foi discutido ontem nos Estados Unidos. Em debate sobre o combate à zika realizado na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington, o coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, afirmou que será preciso pesquisar mais para descobrir se o vírus pode ser transmitido pelo Culex. “A possível transmissão não está descartada, mas ainda precisa ser provada. É uma das questões que ainda não sabemos responder”, ressaltou. “Diversos estudos estão sendo levados adiante e as análises ainda estão sendo reunidas por entomologisatas e outros especialistas”, afirmou Buss.
     
    Balanço
     
    No mesmo evento, a Opas informou que há 134 mil casos suspeitos de zika no continente e 2.765 confirmados.A organização destaca que, pelo fato de 80% das vítimas serem assintomáticas e ainda existir dificuldade de diagnóstico, esses números não representam o surto.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Saliva de aedes tem poder anti-inflamatório

    Saliva de aedes tem poder anti-inflamatório

    O Aedes aegypti, quem diria, tem um lado bom. Pesquisadores da USP encontraram na saliva do mosquito transmissor dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya substâncias anti-inflamatórias capazes de controlar a imunidade e tratar doenças intestinais, como acolite ulcerativa, em roedores.
     
    O estudo experimental, realizado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP em Ribeirão Preto,resultou em tese de doutorado e artigo publicado na revista científica “International Immunopharmacology”.
     
    Agora, os pesquisadores tentam identificar quais são as moléculas da saliva que têm essa ação terapêutica.Segundo a imunologista Cristina Cardoso, que orientou o trabalho, na saliva do aedes existe um“coquetel”de substâncias que ainda estão sendo identificadas. A ideia é extrair essas moléculas específicas, sintetizá-las em laboratório para então estudá-la sem ensaios clínicos (humanos).
     
    Como obter baba de mosquito? O especialista é Anderson de Sá Nunes, professor do Instituto de Ciências Biomédicas, da USP. O tratamento no modelo animal escolhido, em camundongos, dura cerca de quatro dias. Para cada dose, são usados 5 microgramas (0,000005 grama) de proteína, o que requer as glândulas salivares de dois mosquitos-fêmeas.
     
    É possível que apenas um centésimo deste total de proteína corresponda aos princípios ativos (ainda não se sabe quantos seriam), que provavelmente têm natureza proteica, explica Nunes. É factível imaginar que a dose de um remédio para humano adulto— supondo que a droga seja segura e chegue a esse nível de desenvolvimento— fique na casa dos miligramas.
     
    Isso seria compatível coma produção industrial, diz o cientista, que está tentando obter financiamento para criar uma empresa que faria os chamados estudos pré-clínicos—realizados em animais antes que os remédios cheguem aos testes humanos.
     
    Após a identificação e sequenciamento da molécula, a produção pode ser feita tanto usando “biofábricas” à base de fungos ou bactérias ou por meio de sintetizadores artificiais, a depender da complexidade da molécula. Segundo Nunes, a nova droga à base de saliva de mosquito também obteve sucesso no tratamento de doenças como a hepatite autoimune e a esclerose múltipla. Assim como a colite ulcerativa, elas têm um importante componente inflamatório.
     
    COLITE 
     
    O trabalho na USP de Ribeirão começou há quatro anos. Primeiro, os roedores foram induzidosadesenvolver colite (veja infográfico). Com a inflamação instalada e os sinais manifestados (como diarreia, perda de peso e sangramento intestinal), começou o tratamento. Os animais receberam a injeção de extrato de glândula salivar —nós e o mosquitos dispomos de um par delas.
     
    Cristina diz que os camundongos apresentaram melhora clínica geral e da inflamação. Também houve diminuição da produção de substâncias do sistema imune associadas à piora clínica,como as citocinas inflamatórias. Essas citocinas são proteínas produzidas durante a inflamação e estão diretamente ligadas ao desenvolvimento da colite ulcerativa e da doença de Crohn. No estudo, não foram observados efeitos tóxicos do tratamento.
     
    É também na glândula salivar da fêmea do aedes que os vírus da dengue, da zika e do chikungunya se alojam.Só a fêmea é que transmite as viroses,pois é ela quem pica. Na busca pelo sangue, a fêmea precisa vencer barreiras que começam por transpassar a pele e vão até o controle da hemostasia (mecanismos que regulam a fluidez do sangue) e da imunidade dos hospedeiros (humanos, no caso).
     
    A produção de moléculas bioativas pelas glândulas salivar e sé uma característica comum a insetos hematófagos (que se alimentam de sangue). No caso do barbeiro (que carrega o parasita da doença de Chagas), a saliva possui moléculas anestésicas e até capazes de formar poros em células, como viram pesquisadores da Unifesp. Produzir esse molécula de natureza proteica poderia ser uma defesa natural do bicho contra o parasita Trypanosomacruzi, que, diferentemente dos mosquitos, não transmite patógeno pela saliva, mas pelas fezes.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • `Se o paciente melhorava, que mal faria?`, diz criador da `pílula do câncer`

    `Se o paciente melhorava, que mal faria?`, diz criador da `pílula do câncer`

    O professor aposentado da USP cujo trabalho com a chamada “pílula do câncer” acabou mobilizando milhões de reais em verbas públicas e causando contrariedade em boa parte da comunidade científica do país diz que o boca a boca entre pacientes e médicos o levou a distribuir por décadas a substância conhecida como fosfoetanolamina para doentes de câncer.
     
    “Como o médico indicava e o paciente estava melhorando, eu pensei: que mal haveria em dar?”, declarou à Folha o químico Gilberto Orivaldo Chierice, 72. “Não considerava que aquilo era responsabilidade minha, era responsabilidade do médico que fazia a indicação. Eu nunca analisei ninguém, até porque não sou médico, o cara é que me trazia o exame mostrando o antes e o depois com resultados bons.”
     
    Chierice recebeu a reportagem da Folha na varanda de sua casa, que fica a poucos metros de um dos portões do campus principal da USP em São Carlos (SP). Fumando continuamente um cigarro de palha (“Não consigo parar por sem-vergonhice mesmo, acho”, brinca), o pesquisador se disse convicto da eficácia da molécula estudada por ele e seus colegas, embora ressalte que não há “milagre” na ação da substância.
     
    “Não estou dizendo que é uma panaceia. Se vai funcionar 200% em todos os tipos de câncer, não sou eu que tenho de dizer isso, os testes é que vão mostrar, mas por que não deixar que eles sejam feitos?”, questiona.No fim de 2015, após uma enxurrada de ações judiciais e manifestações organizadas pelos pacientes que queriam ter acesso à substância, o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) anunciou que investiria R$ 10 milhões para testar a eficácia da fosfoetanolamina, a começar por ensaios com animais de laboratório.
     
    Ao mesmo tempo, o governo estadual de São Paulo traçou um plano para iniciar estudos controlados da molécula com cerca de 200 pacientes humanos. Segundo o ministério, os experimentos com animais estão prestes a começar. Já o projeto paulista aguarda sinal verde da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa).
     
    Foi justamente a falta de evidências sobre a segurança e eficácia do produto que levou muitos especialistas a questionar o uso informal e a pressão para que verbas de pesquisa fossem destinadas ao tema a toque de caixa.
     
    “Até onde sei, há centenas de moléculas mais promissoras que essa sendo avaliadas por pesquisadores brasileiros hoje”, resume Rafael Roesler, pesquisador do Departamento de Farmacologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “As evidências da possível utilidade da fosfoetanolamina contra o câncer ainda estão num nível muito básico.”
     
    De fato, do currículo de Chierice constam só seis trabalhos publicados sobre a molécula em revistas científicas internacionais (de um total de mais de 80 envolvendo outras áreas de pesquisa ao longo de sua carreira). As pesquisas saíram entre 2011 e 2013 e versam apenas sobre a ação da “fosfo”, como é chamada, em culturas de células em laboratório e animais.
     
    Nenhum estudo envolvendo pacientes humanos foi publicado ainda. A divulgação de resultados em revistas científicas é considerada um passo essencial para validar uma hipótese de pesquisa, já que os dados, antes de serem publicados, precisam passar pelo crivo de outros cientistas da área.
     
    PARCERIA INTERROMPIDA
     
    Chierice, no entanto, argumenta que foram justamente testes controlados em humanos, os quais teriam sido feitos nos anos 1990, os responsáveis por motivar o interesse inicial dos pacientes na substância. Ele cita o convênio assinado em 1996 entre o IQSC-USP (Instituto de Química da USP de São Carlos), onde lecionava, e o Hospital Amaral Carvalho, de Jaú (SP), hoje um dos centros de referência no tratamento de câncer do interior paulista, cujo objetivo teria sido avaliar a aplicação clínica da “fosfo”.
     
    O trabalho de Chierice inicialmente não tinha nenhuma aplicação médica -sua especialidade era a química analítica, ou seja, as técnicas para quantificar o que acontece numa reação química.
     
    Ele e seus colegas estavam estudando eletrodos que fossem seletivos para o elemento químico cálcio, ou seja, que “atraíssem” o cálcio de forma específica. “Para isso, seria interessante ter um cristal de fosfato, talvez um cristal orgânico, e a fosfoetanolamina parecia se encaixar bem nesse perfil”, conta.
     
    Ao estudar as propriedades da molécula em meados dos anos 1980, porém, ele diz ter ficado assustado ao ver que trabalhos mais antigos apontavam uma relação entre a “fosfo” e a presença de tumores em animais, o que sugeria que ela poderia ser cancerígena. “A gente ficou preocupado em mexer com aquilo”, afirma.
     
    De acordo com ele, análises mais aprofundadas da literatura científica indicaram que ela era muito comum em todo o organismo, sendo fabricada nos músculos e no fígado, além de estar presente no leite materno e até em frutos do mar.
     
    “Aí me veio o estalo: e se for algo que o organismo está produzindo para combater o tumor?”, relembra Chierice. “Parecia algo alvissareiro.”
     
    A equipe, que já tinha contato com o Amaral Carvalho e com a Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, conseguiu que a segunda instituição fizesse testes de toxicidade da “fosfo” em roedores.
     
    “Ficou demonstrado que ela não era tóxica, muito pelo contrário, e que podia ser usada em qualquer ser vivo”, afirma Chierice. Segundo ele, isso teria animado a equipe e levado ao estabelecimento de um protocolo de testes em pacientes do hospital de Jaú.
     
    ALTAS DOSES
     
    É nesse ponto que não está totalmente claro o que aconteceu. Quando a Folha questionou o Amaral Carvalho sobre a parceria com a equipe de Chierice, a resposta inicial foi que o convênio só se referia ao teste de próteses feitas a partir de óleo de mamona, outra linha de pesquisa do químico na época.
     
    A reportagem obteve então cópias do convênio assinado em 1996, o qual incluía, além da menção aos produtos derivados de mamona, a previsão de estudos conjuntos sobre “novas moléculas para disfunções celulares” – segundo Chierice, esse era o termo então usado para designar a “fosfo”.
     
    A Folha perguntou se o hospital confirmava essa informação, mas, por meio de sua assessoria de imprensa, a direção do Amaral Carvalho disse que não iria se manifestar sobre o tema.
     
    Chierice, porém, afirma que alguns pacientes chegaram a receber doses altas da molécula -inicialmente, teriam sido 30 comprimidos por dia- e teriam tido melhoras significativas. Para atender à demanda, diz que desenvolveu um método mais eficaz de síntese da “fosfo”. “Passamos a produzir um sal com altíssimo grau de pureza”, afirma. Embora o convênio tenha expirado em 2001, sem que o hospital continuasse a linha de pesquisa, Chierice afirma que o sucesso inicial fez com que outros médicos que tinham ficado sabendo da iniciativa sugerissem que seus pacientes fossem buscar a droga em São Carlos.
     
    “Aí o médico ainda vinha pegar para ele, para a mãe, para a avó e para tia. E muitos coleguinhas da USP também vinham pedir, embora eu nunca tenha feito propaganda”, ironiza o químico.
     
    Ao longo dos anos, diz que nunca distribuiu menos de 40 mil pílulas por mês. Dividindo esse número por 60 (a dose mensal que recomendava para cada doente), ele estima que cerca de 700 pessoas recebiam a “fosfo” todos os meses.
     
    Para ele, esse número “já prova” que a molécula é eficaz, afirmação da qual quase todos os demais especialistas discordam -sem um controle rígido do estado de saúde de cada paciente e um acompanhamento constante de longo prazo, é impossível saber se a causa da melhora desses pacientes foi mesmo a “fosfo”.
     
    “É um processo que está completamente fora da maneira como se estuda um medicamento contra câncer. Você cai num ciclo de pensamento mágico”, diz Roesler.
     
    Chierice diz que tentou retomar a avaliação clínica da droga diversas vezes desde 2001, mas teve dificuldade de encontrar interessados. Foi por meio de uma parceria com pesquisadores do Instituto Butantan que a equipe conseguiu publicar os trabalhos que parecem elucidar o mecanismo de ação da “fosfo” no organismo.
     
    Segundo esses estudos, a molécula seria capaz de alterar radicalmente o funcionamento das células tumorais, que normalmente são anaeróbicas (grosso modo, não “respiram” oxigênio). A substância forçaria as células de câncer a ficarem aeróbicas, ativando suas mitocôndrias (as usinas de energia das células).
     
    “Se você enfia a fosfo numa célula de câncer, é como colocar gasolina azul usada em aviões num Fordinho 1929: vai voar pistão para todo lado”, compara Chierice.
     
    “CIENTISTA TÍPICO”
     
    Antigos colegas de Chierice, do IQSC, se mostraram relutantes em conversar com a reportagem -a Folha apurou que o caso da “fosfo” causou mal-estar generalizado. Um deles, que preferiu não se identificar e é professor da USP há mais de 20 anos, conta que, enquanto o pesquisador estava na ativa, a distribuição constante das pílulas para pacientes não despertou nenhuma reação coletiva entre seus pares.
     
    “Mesmo que isso causasse surpresa, num ambiente como a universidade, o que você poderia fazer para coibir uma atividade de alguém que estava no mesmo nível administrativo que você? A rigor, nada. Não se vê isso como negligência, mas simplesmente como não fazer algo que não é da sua alçada, caso você não tenha um cargo administrativo”, explica o pesquisador.
     
    Segundo ele, Chierice nunca pareceu fugir do perfil típico dos demais pesquisadores da universidade. “Sempre me pareceu um cara simples, na dele”, diz. Para o químico, o surpreendente é que situações parecidas não sejam mais comuns. “A falta de regulação ainda é muito mais a regra do que a exceção na universidade.”
     
    Chierice, de fato, descreve-se como um sujeito “comum demais”. Pai de um casal de filhos e avô de cinco netos, descendente de italianos e natural da pequena Rincão (SP), afirma não ter ídolos entre os grandes nomes da ciência. “Sou o único cientista que acredita no Criador”, brinca, dizendo-se “católico, mas muito ecumênico”. Gosta muito de pescar, “mas antes de me aposentar não tinha tempo para isso, e agora a `fosfo` me pegou de jeito”.
     
    O químico atribui o tamanho da polêmica sobre o produto à proibição de sua fabricação na USP depois que ele se aposentou. “Com 700 pessoas usando por mês, é lógico que haveria ações judiciais”, diz. “Não me chamaram de professorzinho aposentado, de garrafeiro? Pois agora que provem que não funciona de verdade.”
     
    Fonte: Folha de S.Paulo