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  • Proposta: Contribuinte com mais de 50 anos poderá deduzir gastos com medicamentos do IR

    Proposta: Contribuinte com mais de 50 anos poderá deduzir gastos com medicamentos do IR

    A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 412/15, do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que autoriza que sejam dedutíveis, na declaração do Imposto de Renda, as despesas de aquisição de medicamentos de uso contínuo, para consumo do contribuinte com idade igual ou superior a 50 anos. O uso deverá ser comprovado por nota fiscal e receita médica em nome do contribuinte
     
    O projeto acrescenta dispositivo à Lei 9.250/95, que hoje admite que as despesas médicas sejam dedutíveis na declaração do Imposto de Renda, mas não inclui as despesas com medicamentos.
     
    “Isso deixa de ser um contrassenso, pois a ida ao médico tem como objetivo a obtenção da receita, com a indicação dos medicamentos que devem ser tomados”, disse Bueno. “Ao adquirir os medicamentos prescritos pelo médico, o paciente necessariamente terá gastos com sua saúde, que restringem sua capacidade contributiva”, completou.
     
    Tramitação
     
    A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
     
    Fonte: O Globo / Site
     
  • Droga para diabetes ganha versão para tratar obesidade

    Droga para diabetes ganha versão para tratar obesidade

    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta segunda-feira (29) o Saxenda, a primeira droga contra a obesidade no país desde 1998. O remédio deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2016. O medicamento tem o mesmo princípio ativo do Victoza, aprovado no país em 2010 para o controle do diabetes tipo 2 e que, por causar perda de peso, gerou uma corrida às farmácias por pessoas que não tinham a doença. Na época, a Anvisa divulgou comunicado contraindicando qualquer uso do Victoza diferente do aprovado. “Já havia pistas de que a liraglutida princípio ativo da droga poderia ser eficaz na perda de peso, mas não sabíamos como se comportaria em não diabéticos”, diz João Eduardo Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
     
    A droga depois foi estudada especificamente para a obesidade e aprovada com esse fim -e outro nome- nos EUA, no Canadá e na Europa. A única diferença é a dose, maior na nova droga. “O remédio é novo, ainda está sendo estudado e é preciso cautela, mas é um avanço no tratamento clínico da obesidade”, avalia Salles. Hoje, há duas drogas disponíveis: sibutramina e orlistate.
     
    O uso do Saxenda é indicado para adultos com IMC (índice de massa corporal) de 30 ou mais (índice equivalente à obesidade) ou 27 ou mais (sobrepeso) desde que haja pelo menos uma outra doença associada ao peso. “Não é para tratar uma pessoa que quer perder uns quilinhos para o verão. O uso da droga tem que ter indicação médica”, afirma Bruno Halpern, coordenador do Centro de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho.
     
    COM RECEITA
     
    O preço não foi definido, mas deve ser similar ao do Victoza, que custa cerca de R$ 400. A droga terá tarja vermelha, o que requer receita médica. Na prática, porém, é raro que ela seja cobrada. “É provável que haja uso estético e abusivo, mas isso não invalida o uso por quem precisa”, diz Halpern.
     
    Em nota, a Anvisa informou que o Saxenda foi aprovado para controle crônico de peso “em associação a uma dieta baixa em calorias e aumento de exercício físico” e que “a segurança do produto continuará sendo monitorada com estudos pós-comercialização”.
     
    O acompanhamento médico é importante inclusive por conta dos possíveis efeitos colaterais. Segundo estudo com mais de 3.000 pacientes publicado na revista científica “New England Journal of Medicine”, os mais comuns são distúrbios gastrointestinais, como náusea e vômito, mas também houve eventos adversos ligados a vesícula biliar.
     
    O efeito mais grave foi pancreatite (inflamação do pâncreas) em 10 dos 2.481 pacientes do grupo que tomou a droga. A doença já era fonte de preocupação desde o lançamento do Victoza, mas, segundo Salles, ela tem se mostrado rara na prática clínica.
     
    VETO E LIBERAÇÃO
     
    O debate sobre a liberação de alguns emagrecedores segue. Em 2011, a Anvisa vetou três drogas e tornou a venda da sibutramina mais rígida, por falta de estudos que atestem sua segurança. Mas um projeto de lei que permite a venda dessas drogas e proíbe a Anvisa de fazer vetos a essa questão tramita no Congresso.
     
    Após ser aprovado na Câmara e em comissões, o texto deve seguir agora para o plenário do Senado.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Uma morte sob investigação

    Uma morte sob investigação

    A morte de uma jovem de 22 anos anteontem, no Hospital Salgado Filho, no Méier, acendeu o sinal de alerta. A suspeita é que ela tenha sido vítima da síndrome de Guillain-Barré, que vem sendo associada à infecção pelo vírus zika. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, o diagnóstico ainda não foi concluído. Infectologistas e neurologistas, por sua vez, lembram que a doença pode ser desencadeada também por gripe ou diarreia. Mas o caso já leva especialistas a serem taxativos: o óbito precisa ser investigado de forma rigorosa. De acordo com a prefeitura, a paciente deu entrada na unidade na noite de quarta-feira.
     
    Horas depois, já de madrugada, morreu. A secretaria ainda não esclareceu que exames foram feitos, nem quando poderá confirmar a causa do óbito. Tampouco divulgou detalhes dos sintomas apresentados pela jovem. A síndrome de Guillain-Barré acomete, normalmente, o sistema nervoso periférico, podendo provocar paralisia.
     
    No Hospital da Restauração, em Recife, referência em neurologia em Pernambuco, só no ano passado, por exemplo, foram registradas nove mortes por Guillain-Barré, todas associadas ao zika — isso num cenário de 155 casos notificados da síndrome, com 50 deles confirmados.
     
    Já na rede estadual de saúde do Rio, desde julho de 2015 foram notificados 43 casos da doença. Desses, 15 tinham relato de manchas vermelhas na pele — principal sintoma da infecção por zika —, 26 aguardam resultados de exames laboratoriais e dois foram descartados por não terem quadro clínico compatível.
     
    No Hospital Universitário Antônio Pedro, da UFF, em Niterói, são 23 casos em investigação. Segundo Osvaldo Nascimento, chefe da Unidade de Pesquisa Clínica em Neurologia do hospital, tem sido observada uma maior gravidade quando a doença é supostamente desencadeada por zika: — Historicamente, há óbitos, sim, relacionados com Guillain-Barré. Mas, antes da morte da jovem no Salgado Filho, será que ela teve zika? É preciso fazer um diagnóstico preciso.
     
    IDENTIFICAR ORIGEM DA SÍNDROME É DIFÍCIL 
     
    Já o infectologista Edimilson Migowski acredita que a gravidade dos casos da síndrome tem mais a ver com as condições imunológicas dos pacientes do que com o fator que os desencadeia. Ele lembra ainda que a doença pode se desenvolver de dez a 42 dias depois de o paciente apresentar um quadro infeccioso. E também defende uma análise cuidadosa da morte da jovem no Salgado Filho. — O diagnóstico de Guillain-Barré não é complicado de fazer. A dificuldade está em descobrir o fator desencadeante da síndrome. Até uma infecção intestinal de um mês atrás pode ser a causa — diz.
     
    Presidente da Sociedade de Infectologia do Rio, Alberto Chebabo explica que a doença pode afetar até a musculatura respiratória. — Os óbitos relacionados à síndrome quase sempre estão ligados a complicações desse quadro.
    Normalmente, até o paciente chegar a essa situação, leva um tempo — diz ele, ao comentar o intervalo curto entre a internação e a morte da jovem.
     
    O Ministério da Saúde ressalta que a mortalidade nos pacientes com Guillain-Barré é baixa, de cerca de 5% a 7%, geralmente devido a complicações como insuficiência respiratória, pneumonia aspirativa, embolia pulmonar e arritmias cardíacas.
     
    Segundo os últimos números de 2014, antes dos casos de zika, 161 pessoas morreram em todo o país em decorrência da síndrome. Dessas, 21 foram no Estado do Rio. Por ser rara, no entanto, a doença não tem notificação compulsória. 
     
    Fonte: O Globo
  • Mosquito transgênico aguarda sinal verde

    Mosquito transgênico aguarda sinal verde

    O combate a dengue, chikungunya e zika no Brasil pode se tornar, em breve, mais uma fonte de receita para a Intrexon, empresa especializada em biotecnologia com sede nos Estados Unidos. Detentora da patente do Aedes aegypti transgênico ou Aedes “do bem”, usado para controle das populações do mosquito, a empresa já tem o selo de segurança do Ministério da Ciência e Tecnologia para iniciar a comercialização do produto no país. Falta apenas o sinal verde da Anvisa.
     
    A aposta da Intrexon no mercado de combate ao mosquito Aedes aegypti no Brasil se concretizou a partir da compra da inglesa Oxitec em agosto, um mês antes de a epidemia de microcefalia eclodir no Nordeste. Com lucro de cerca de US$ 18,8 milhões (R$ 74 milhões) no último exercício, a Intrexon pagou US$ 160 milhões (R$ 631 milhões) em ações e dinheiro na transação. A Intrexon é avaliada na bolsa de valores americana em US$ 3,6 bilhões (R$ 14,2 bilhões).
     
    Com berço na Universidade de Oxford, na Inglaterra, a Oxitec desenvolveu uma técnica de transmissão de um gene para o mosquito que estimula a superprodução de uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta. A técnica existe desde 2002, mas só recebeu autorização para iniciar os testes em campo aberto em 2010. Desde então, eles vêm sendo feitos no Brasil em parceira com a Moscamed, uma organização social com sede em Juazeiro (BA).
     
    Os resultados, até agora, são “animadores”, conta Jair Virgínio, presidente da Moscamed. Em teste no município de Jacobina, interior da Bahia, houve uma redução de 90% da população de Aedes aegypti.
     
    Após um teste em parceria com a Prefeitura de Piracicaba com o mosquito transgênico no bairro de Cecap, a Oxitec diz que a área tratada está com 82% menos mosquitos transmissores do que a área não tratada. A prefeitura já assinou um protocolo de intenções para expandir o projeto para uma área central da cidade.
     
    Diante de uma possível liberação da comercialização no Brasil, a Oxitec, que tem uma unidade em Campinas, já está investindo na construção de uma nova fábrica em Piracicaba (SP). O investimento é de em torno de R$ 30 milhões. A unidade é capaz de atender uma região com mais de 300 mil habitantes e deve começar a funcionar plenamente no segundo semestre. “Temos recursos disponíveis para, uma vez sendo liberada a comercialização, iniciar a construção de novas fábricas”, diz o gerente de negócio da Oxitec, Cláudio Fernandes.
     
    O grande problema para o andamento dos negócios da empresa no país é a demora da análise da Anvisa. O órgão, que está com a demanda da Oxitec desde o ano passado, diz que ainda não é possível definir se o produto se encaixa entre aqueles passíveis de sua regulação, pois não se enquadra, a priori, em nenhum dos setores tradicionais, como limpeza, higiene, medicamentos, alimentos.
     
    A Anvisa não dá previsão de quando vai concluir a análise do Aedes transgênico. Segundo Fernandes, a FoodDrug Administration (FDA) – órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos -, caracterizou a tecnologia como destinada a animais e não à saúde humana. “Os nossos possíveis clientes são condomínios, governos do Estado, governos municipais e empresas”, diz Fernandes.
     
    A seu favor, a Oxitec conta com a urgência do governo federal em combater o Aedes Aegypti a tempo de não prejudicar o turismo nas Olimpíadas. Há dez dias, a presidente Dilma Rousseff visitou a Moscamed em Juazeiro na Bahia e se disse “impressionada” com a tecnologia da Oxitec.
     
    A técnica do Aedes transgênico é exclusiva da Oxitec e única no país com fins comerciais, mas há outro métodos para controle de populações do mosquisto sendo estudados no Brasil.
     
    A Organização das Nações Unidas (ONU) está patrocinando um método, que usa irradiação com Cobalto 60 e produz mosquito estéril. A Moscamed deve receber um equipamento para este tipo de radiação em breve. “Ainda não é possível dizer qual técnica é mais econômica: a do mosquito estéril ou a do mosquito transgênico”, afirma Virgínio, da Moscamed.
     
    Fernandes, da Oxitec, observa que o fato da tecnologia do mosquito estéril estar sendo patrocinada com fins humanitários, não significa que ela seja gratuita caso venha a ser usada em grande escala. “O momento é positivo para todas as tecnologias que envolvem o Aedes. Não vemos o mosquito estéril como concorrente”, diz.
     
    Em Pernambuco, a Fiocruz e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) iniciaram testes com o Aedes estéril na ilha de Fernando de Noronha. Há ainda uma terceira tecnologia, também em estudo na Fiocruz, que estereliza o Aedes a partir da introdução de uma bactéria no seu organismo.
     
    Nenhuma das tecnologias promete exterminar o mosquito em definitivo. “A ideia é que, com a redução das populações, a gente possa controlar as epidemias, mas não extinguir totalmente o número de casos das doenças”, explica Fernandes.
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • Vírus do zika também pode estar ligado a lesões no cérebro de adultos

    Vírus do zika também pode estar ligado a lesões no cérebro de adultos

    Além de lesões no cérebro de bebês, o vírus zika pode estar provocando também problemas no cérebro de adultos. É o que desconfia um grupo de cientistas do Rio, que iniciou um projeto de pesquisa no começo da semana para investigar casos de encefalite (inflamação do cérebro) e de encefalomielite (inflamação também na medula espinhal) que vêm chegando aos hospitais do Estado em pacientes que também relataram sintomas de zika.
     
    Os casos que estão sendo investigados chamam a atenção diante de uma revelação feita na semana passada, quando foi noticiado o sequenciamento do genoma do zika, de que o vírus tem proximidade genética com o vírus da encefalite japonesa. A doença causa inflamação cerebral e sua transmissão envolve mosquitos do gênero Culex. O dado poderá ser útil para que os cientistas entendam melhor a biologia da zika.
     
    O trabalho no Rio, coordenado por pesquisadores do InstiEquipe inocula vírus em macacos e libera dados em tempo real. Um grupo internacional liderado pelo virologista americano David O`Connor, que conseguiu infectar macacos com o vírus zika, adotou uma prática incomum entre cientistas: em vez de publicar os resultados em revistas científicas, os pesquisadores estão liberando todos os dados em tempo real na internet.
     
    De acordo com Renato Aguiar, do Instituto Adolfo Lutz, que faz parte do grupo, denominado Equipe de Ciência Experimental da Zika, a equipe já conseguiu infectar três primatas e pretende infectar macacas grávidas a fim de compreender os casos em que a infecção pode causar microcefalia.
     
    “A ideia é acompanhar de perto como o vírus evolui e se desenvolve em um modelo animal”, disse Aguiar. Segundo ele, O`Connor, que estava no Brasil até ontem, percebeu a gravidade da epidemia de zika e decidiu abrir completamente os dados. “A revista Nature publicou um comentário, parabenizando essa iniciativa inovadora. Com as informações detalhadas divulgadas rapidamente, outros cientistas poderão planejar experimentos semelhantes”, afirmou. / F.C.
     
    tuto Dde Pesquisa e Ensino (Idor) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), visa a verificar se existe a relação entre o vírus e os problemas que estão sendo relatados. Para isso, é preciso antes de mais nada ter a confirmação da infecção, estabelecer a cronologia dos acontecimentos e investigar por imagens do cérebro o que de fato está acontecendo com essas pessoas.
     
    “Não temos dados epidemiológicos, mas a impressão é que houve um aumento de relatos de encefalite e mielite nos últimos meses. São casos de acometimento da medula e do cérebro de adultos. Agente já vem trabalhando com a possibilidade de o zika causar problemas neurológicos que são reativos, que é o caso da síndrome de Guillain Barré (reação do sistema imunológico à infecção). Mas pode ser que gere também problemas diretos”, explica Fernanda Tovar Moll, diretora científica do Idor e professora da UFRJ.
     
    Especialista em neuroimagem, ela está fazendo a análise de ressonâncias magnéticas desses pacientes. O objetivo, diz, é verificar as regiões do cérebro e da medula que possam ter sofrido alteração. “É como fazer um trabalho de cartografia das áreas mais acometidas.” Genoma. De acordo com Renato Aguiar, pesquisador do Instituto Adolfo Lutz que participou do sequenciamento, publicado na revista Lancet na semana passada, a descoberta poderá ajudar a investigar se o zika pode ser transmitido por outros vetores além do Aedes aegypti. “Por terem origens comuns, os dois vírus têm características biológicas comuns. Mas os vírus associados ao ramo da encefalite japonesa são transmitidos pelo Culex e não pelo Aedes. Como sabemos agora aposição filogenética do zika, podemos investigar pistas sobre seu comportamento e possíveis vetores”, afirma Aguiar.
     
    Segundo Márcio Nunes, do Instituto Evandro Chagas, que também fez sequenciamentos completos do genoma do zika, o fato de o vírus da encefalite japonesa provocar alterações no sistema nervoso poderá ser útil para que os cientistas busquem marcadores biológicos de virulência – isto é, elementos que expliquem por que em alguns casos a infecção pode levar à microcefalia.
     
    “No caso da encefalite japonesa, esses marcadores são muito bem descritos. Esse conhecimento prévio pode servir de base para que possamos buscar os marcadores no caso do zika.”
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • EUA registram primeiro caso de bebê com microcefalia relacionada ao zika

    EUA registram primeiro caso de bebê com microcefalia relacionada ao zika

    O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos relatou ontem o primeiro caso de bebê nascido com microcefalia naquele país. A mãe contraiu zika enquanto morava no Brasil. O caso faz parte de um estudo em que foram acompanhadas nove mulheres americanas grávidas que haviam viajado para nações onde o vírus circula.
     
    De acordo com o relatório divulgado pela agência, o bebê nasceu com microcefalia severa na 39ª semana de gestação, com circunferência da cabeça de 27 centímetros. Entre as outras oito mulheres foram reportadas duas perdas espontâneas do feto no início da gravidez e dois abortos eletivos. Em um dos casos em que a mãe decidiu terminar a gravidez, exame de ultrassom na 20ª semana tinha sugerido problemas no cérebro do feto. Exame posterior revelou severa atrofia do cérebro.
     
    Nessas cinco situações, as mulheres tiveram os sintomas de zika no primeiro trimestre da gestação. Dois bebês nasceram aparentemente saudáveis, e as duas outras gestações continuavam sendo acompanhadas (uma na i8.a semana e outra na 34ª), mas seguiam sem complicações conhecidas. Segundo o CDC, todas elas tinham viajado ou para o Brasil ou para outros países em que a transmissão do zika é autóctone. Os dados eram referentes a um relatório entregue na semana passada com os nove casos. Há ainda outros dez casos de mulheres grávidas com zika que estão sob investigação.
     
    Em entrevista coletiva à imprensa nos Estados Unidos, os pesquisadores do CDC demonstraram surpresa com o caso de microcefalia. “Nós não esperávamos ver anomalias cerebrais nesta série de casos tão pequena de grávidas americanas viajantes”, disse Denise Jamieson, especialista em defeitos fetais. Para ela, foi “um número maior do que o esperado”.
     
    Vida no Brasil 
     
    Segundo o relatório, a mãe que teve o bebê com microcefalia severa deu à luz no fim do ano passado. Ela tinha vivido no Brasil até a 12ª semana de gestação e contou que tinha sentido febre, vermelhidão, dores nas articulações e dor de cabeça entre a 7ª e a 8ª semana de gestação. Testes sorológicos confirmaram que a mãe foi infectada por zika. Exames na placenta também mostraram a presença do vírus.
     
    A avaliação do bebê constatou calcificações no cérebro. Ele apresenta dificuldade para engolir e convulsões, dependendo de alimentação por tubo.
     
    O CDC aponta que, desde 1° de agosto do ano passado, recebeu 257 pedidos de teste de zika em mulheres grávidas. A maioria (159) relatou sintomas consistentes com zika, mas exames laboratoriais conseguiram confirmar infecção pelo vírus em apenas 3% do total. Segundo a agência, meio milhão de mulheres grávidas viajam dos Estados Unidos todo ano para algum dos 32 países que apresentam transmissão autóctone do zika.
     
    Olimpíada 
     
    Ainda ontem o CDC reforçou a recomendação paraque mulheres grávidas considerem adiar uma viagem ao Brasil para acompanhar ou participar da Rio-2016. Em janeiro, antes mesmo da declaração de emergência internacional, um alerta semelhante já havia sido dado, voltado a viajantes para países com surto de zika.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Chikungunya e artrite

    Chikungunya e artrite

    A chikungunya, entretanto, está longe de ser o primo pobre, a mais inofensiva dentre as doenças transmitidas pelo vetor Aedes aegypti. Inicialmente identificada em regiões tropicais da Ásia e África, hoje também pode ser encontrada no continente americano.
     
    Esse vírus causa febre, dor nas articulações e manchas na pele durante sua fase aguda. Os sintomas tendem a desaparecer em duas a três semanas. Essas manifestações clínicas são um grande diferencial da infecção por chikungunya em relação à dengue, que muitas vezes ocorre sem sintomas.Enquanto era pouco conhecida e estudada, a chikungunya tinha fama de ser inofensiva. Somente com a disseminação mundial desse vírus é que se descobriu que, em um número expressivo de pacientes, os sintomas persistiam por meses, quando não por anos, após a fase aguda.
     
    Nesses casos, os pacientes costumam ter recaídas e desenvolvem uma forma crônica de artrite que se assemelha àquelas de natureza autoimune, como é o caso da artrite reumatoide.
     
    Esse conhecimento fez com que a classe médica deixasse de enxergar a chikungunya como benigna. Despertou ainda a necessidade de desenvolvermos tratamentos para atender esses portadores de atrite.
     
    Hoje existem modelos experimentais de infecção pelo vírus da chikungunya que permitem observar as artrites características da forma crônica da doença. Esses modelos experimentais assemelham-se bastante às formas da doença no homem, tornando possível o isolamento do vírus e comprovando sua localização preferencial nas articulações, embora não de forma exclusiva.
     
    Em 2014, a cidade de Feira de Santana, localizado a 100 km de Salvador, registrou 1.400 casos de chikungunya. Em 2015, a doença teve mais de 4.000 registros, embora estimativas indiquem que esse número possa ser, de fato, três ou quatro vezes maior.
     
    No Brasil, já são 12 Estados com casos autóctones (contraídos no próprio local) de chikungunya, com mais de 20 mil notificações.
     
    A chikungunya costuma tornar-se uma doença crônica em um elevado percentual de doentes, com 50% a 60% dos casos persistindo com artrite durante meses.
     
    Na região de Feira de Santana, os pacientes queixam-se de dores intensas nos pés, nos tornozelos, nas mãos e nos punhos. Esses sintomas dificultam as atividades rotineiras, como dirigir um carro, digitar em um computador ou celular. Em conjunto, formam um forte indicativo da instalação da artrite pós-infecção aguda por chikungunya.
     
    O mecanismo de aparecimento e persistência da artrite em pacientes infectados não está bem determinado. Não sabemos ainda se a artrite crônica ocorre pela presença do vírus na articulação ou pela indução de uma resposta do sistema imune à presença do vírus.
     
    Estudos para ajudar a responder a essas dúvidas foram iniciados pelo centro de pesquisas clínicas do Hospital da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), em colaboração com pesquisadores internacionais.
     
    As informações que serão obtidas a partir dessas pesquisas podem trazer novos conhecimentos e recursos de tratamento para os portadores de artrite crônica, além de limitar o aparecimento da deficiência física associada à fase aguda da infecção por chikungunya.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • OMS elogia combate ao `Aedes`

    OMS elogia combate ao `Aedes`

    A presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, elogiou o plano do governo de combate ao “Aedes aegypti” após se reunir com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. “A liderança e compromisso do governo da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Saúde é louvável”, disse. A reunião contou com a presença da presidente da Organização Pan-Americana de Saúde, Carissa Etienne e focou no “combate ao zika vírus e sua relação com casos de microcefalia”, disse o Ministério das Relações Exteriores. Chan minimizou os riscos durante os Jogos Olímpicos. Para a presidente da OMS, o combate às doenças transmitidas pelo `Aedes` ainda “será uma longa jornada”.
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • Um ano de boas novas no tratamento do diabete

    Um ano de boas novas no tratamento do diabete

    Tudo indica que 2016 será um ano e tanto para os diabéticos. A começar pelo lançamento do tão esperado monitor de glicose que livrará os pacientes das picadas diárias nos dedos para conferir o açúcar no sangue. O sensor Freestyle Libre (Abbott) tem um cateter de silicone ultrafino com cerca de 4 centímetros de comprimento e a espessura de um fio de cabelo e é inserido na pele do braço, permitindo visualizar em tempo real os valores de glicemia durante 15 dias consecutivos.
     
    Os resultados são mostrados em um leitor, aparelho semelhante a um celular, que armazena os dados e ainda mostra gráficos de tendências para facilitar a interpretação do usuário. O sensor pode ser usado com o devido cuidado até durante a prática de esportes, inclusive natação, e nos ajudará a entender melhor o dia a dia da pessoa com diabete, bem como analisar a glicemia em horários difíceis, como o período da madrugada. É como se fosse um Big Brother do diabete — e sem a dor das picadinhas. Pessoas que já utilizaram a tecnologia nos Estados Unidos e na Europa relataram melhor qualidade de vida e maior sensação de controle do problema.
     
    Outra novidade que está por vir é a insulina inalável Afrezza (Sanofi). Trata-se de um produto inovador na sua forma de aplicação — o mesmo empregado para doenças como a asma e o enfisema pulmonar. Na história recente do diabete, aliás, testemunhamos o lançamento de outra insulina inalável, só que esta foi retirada do mercado prematuramente.
     
    A Afrezza é uma insulina humana que vem em pó dentro de cápsulas. Um dispositivo vendido juntamente com o hormônio é responsável por quebrar a cápsula e liberar o pó. Com uma aspiração firme e profunda, o paciente inala a insulina para os pulmões, onde é então absorvida pela corrente sanguínea. A inalação deve ser feita no início de cada refeição. Mais uma vez, adeus, picadas.
     
    Até o chamado pâncreas artificial está a caminho da realidade dos pacientes. O fato é que, desde a publicação do nosso livro O Futuro do Diabete, em 2011, muito da futurologia exercida vem se concretizando e ainda se concretizará. Aqui temos uma pitada do que vem por aí, e outros tratamentos, como o uso de células-tronco, se anunciam. Mas é preciso lembrar (sempre) que nenhuma tecnologia poderá dar resultado se o diabético não aderir à grande base do tratamento, formada por alimentação saudável, atividade física regular e educação sobre a doença.
     
    Fonte: Revista Saúde É Vital
  • EUA investigam 14 casos de zika por via sexual

    EUA investigam 14 casos de zika por via sexual

    Os Estados Unidos investigam mais 14 casos de mulheres que foram infectadas pelo vírus da zika após manter relações sexuais com parceiros que viajaram para regiões epidêmicas. No início do mês, a agência já havia registrado o caso de uma mulher de Dallas que contraiu zika após o parceiro retornar da Venezuela — onde também circula o vírus.
     
    Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), vários desses novos casos (não especifica quantos) envolvem mulheres grávidas. Todas elas têm uma história em comum: os parceiros viajaram para áreas com circulação de zika e manifestaram sintomas da doença duas semanas antes do início dos sinais aparecerem nelas, que não saíram do país.
     
    O CDC não informou os Estados onde os casos estão sendo investigados. Segundo a agência, até o momento não há evidência de que mulheres também possam transmitir o vírus da zika para homens. “Porém,mais pesquisas serão necessárias para entender isso”, diz a nota do CDC.
     
    Em entrevista coletiva nesta terça (23), Anne Schuchat, uma das diretoras do CDC, disse que todos os casos ainda estão sendo investigados, mas eles sugerem que a transmissão sexual por zika é “mais provável” do que os pesquisadores haviam considerado anteriormente. “Estamos surpresos em ver mais casos do que havíamos considerado”, afirmou.
     
    SENEGAL 
     
    Na literatura médica,o primeiro registro de contágio sexual por zika foi documentado em estudo publicado na revista científica “Emerging Infectious Diseases”. Em 2008, um pesquisador americano, ao voltar do Senegal para os EUA, apresentou sintomas da infecção já em casa, no Estado do Colorado. O fato de sua mulher, que não saíra dos EUA, também ter sido infectada pelo vírus da zika foi interpretado pelos pesquisadores como um indício de possível transmissão sexual, pelo sêmen, do vírus.
     
    Nesta terça, o CDC voltou a reforçar as orientações de prevenção que havia dado no início do mês. Entre elas a de que homens que viajaram para áreas afetadas pelo vírus considerem evitar manter relações sexuais com suas parcerias grávidas durante o período de gestação — ou que usem preservativos.
     
    Para casais não grávidos em que o homem esteve em áreas afetadas pela zika e em que haja preocupação com a transmissão do vírus para a mulher, a recomendação também é de que se considere a abstinência ou o uso de preservativo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçou essas recomendações no último dia 18.
     
    O CDC lembra que, apesar de a transmissão sexual do vírus da zika ser possível, a principal forma de contágio continua sendo pela picada do mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue e chikungunya.
     
    TRANSFUSÃO E LEITE 
     
    No Brasil, também já houve relato de transmissão de zika por meio de transfusão de sangue. O caso ocorreu em Campinas (SP). O doador foi um rapaz de 20 anos, que doou sangue ao Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, no início de 2015. O caso só foi descoberto após o receptor, à época internado na Unidade de Terapia Intensiva, apresentar queda de plaquetas em exame de sangue.A vítima morreu,mas a prefeitura diz que não foi em razão da zika. Antes, um estudo de 2014 na revista “Eurosurveillance” relatou a detecção do vírus da zika em amostras de sangue de doadores. A coleta ocorreu na Polinésia Francesa. O vírus também já foi encontrado em amostras de saliva e de leite materno, mas até o momento nenhum caso de transmissão foi relatado.
     
    A Fiocruz e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação como prática saudável e dizem que ela não deve ser evitada por causa da epidemia de zika, pois os benefícios superam os riscos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo