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  • Antibiótico pode causar disfunções neurológicas

    Antibiótico pode causar disfunções neurológicas

    Os antibióticos surgiram no século 20 para curar doenças até então incuráveis. Agora, porém, o grande combatente de infecções bacterianas desperta preocupação entre especialistas. Em artigo publicado na revista científica Neurology, cientistas dos Estados Unidos alertam que o medicamento pode provocar agitações corporais anormais, delírios e outras disfunções cerebrais.
     
    Para o estudo, os investigadores da Academia Americana de Neurologia (AAN) analisaram relatórios científicos disponíveis em bibliotecas virtuais e encontraram relatos de 391 pessoas que, após tratamento com antibióticos, sofreram problemas neurológicos. Desses pacientes, 47% manifestaram delírios ou alucinações, 14% tiveram convulsões, 15% demonstraram espasmos musculares involuntários, 5% sofreram perda de controle dos movimentos do corpo e 19% apresentaram exames neurológicos com alguma alteração negativa.
     
    Um total de 54 tipos de antibióticos provocaram os problemas — desde os muito prescritos pelos médicos, como as sulfonamidas, usadas no tratamento doenças inflamatórias intestinais, e a ciprofloxacina, que combate infecções no trato urinário; a antibióticos aplicados por via intravenosa, como a penicilina, que combate a sífilis e a gonorreia.
     
    Shamik Bhattacharyya, autor do estudo e também professor da Harvard Medical School, ressalta que mais pesquisas são necessárias para entender a fundo esse efeito adverso dos antibióticos. “Mas eles devem ser considerados como uma possível causa do delírio”, ressalta. Em 70% dos casos detectados no estudo, o exame de eletroencefalograma acusou atividade elétrica anormal do cérebro.
     
    Especificados
     
    Os pesquisadores conseguiram relacionar as disfunções cerebrais com o tipo de antibiótico usado. As convulsões, por exemplo, foram associadas à ingestão de penicilina e de cefalosporinas; usadas no tratamento de meningite, artrite, pneumonia e conjuntivite. Sintomas de psicose (perda de contato com a realidade) foram provocados por procaína penicilina, utilizada no combate à gengivite; por sulfonamidas, usada em infecções intestinas; por fluoroquinolonas, que trata otite; e por macrolídeos, que combate a gonorreia.
     
    Em todos esses casos, o surgimento dos sintomas foi rápido. Porém, uma vez que os antibióticos foram interrompidos, os efeitos colaterais sumiram em alguns dias. “O reconhecimento dos diferentes padrões de toxicidade poderia levar a um diagnóstico mais rápido. Espero que, com isso, possamos evitar os delírios e outras consequências negativas para as pessoas”, diz Bhattacharyya.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Zika congênita, o mais novo desafio para os médicos

    Zika congênita, o mais novo desafio para os médicos

    Médicos estão ainda sem entender episódios de malformação cerebral e nas articulações ligados ao vírus na gestação. Bebês nascem por vezes com o perímetro encefálico normal, mas sem partes do cérebro, como o tálamo e o cerebelo. A síndrome vem sendo chamada de zika congênita. No sertão paraibano e na periferia de Campina Grande, grávidas relatam o drama de receber o diagnóstico de microcefalia dos bebês. O filho de Maria passou algumas horas no mundo. A mãe mal viu o menino. Ele morreu pouco após nascer. Maria é também menina. Tem 15 anos e não entende o que matou o seu bebê, o primeiro caso de que se tem notícia no Brasil de uma combinação de problemas que médicos e cientistas começam a chamar de zika congênita. Como Maria, eles também não compreendem quase nada e se assombram como o vírus pode causar tamanha devastação.
     
    — Foi nosso primeiro caso. Aconteceu em novembro, antes do alerta nacional sobre o zika. Sabíamos que a mãe tinha sofrido de zika. A criança era microcéfala, mas esse era só parte de seus problemas. A mãe não conseguia entender nada, ficou desesperada. E é desesperador ver uma tragédia tão grande assim e tentar consolar o inconsolável — explica a médica e pesquisadora Adriana Melo ao falar do filho de Maria, a menina cujo nome verdadeiro ela prefere omitir.
     
    VENTRÍCULOS CEREBRAIS AUMENTADOS
     
    A criança sofria de artrogripose severa, com pernas e coluna gravemente deformados. — Infelizmente, temos visto outros casos assim. Observamos um padrão na Paraíba que parece mais grave. Não sabemos o porquê. Há natimortos. Só na semana passada foram dois, com destruição do cérebro. Eles não eram microcéfalos. São diferentes de outros casos relatados no resto do país. Muito mais severos. O cérebro é praticamente todo líquido — frisa a médica, cujo grupo foi o primeiro a alertar para a existência de outras complicações, além da microcefalia.
     
    Casos como o de Guilherme, o bebê de outra moça do sertão. Foi do líquido amniótico de Guilherme que o zika foi isolado e sequenciado nesse meio pela primeira vez, pelo grupo integrado por Adriana, Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Ana Bispo, da Fiocruz .
     
    — Guilherme não era microcéfalo, tinha perímetro encefálico normal. Mas os ventrículos cerebrais estavam muito aumentados. Ele praticamente não tinha mais cérebro — diz Adriana. Guilherme não viveu nem 48 horas, e sua mãe voltou para Juazeirinho sem o filho nos braços. — Ela sabia que o menino tinha problemas muito sérios. Mas o queria ainda assim. Tentamos explicar que não viveria — conta a médica.
     
    Mas a moça na casa dos 18 anos, que prefere ser chamada de a “mãe do Guilherme”, não se conforma. Outra moça da mesma cidade e que também teve zika voltou para casa com a sua Catarina, que tem microcefalia. A complicação que afetou Guilherme e pelo menos outros seis bebês se chama, genericamente, ventriculomegalia grave. Ela acontece quando os ventrículos cerebrais são tão dilatados que outras partes do cérebro se atrofiam ou são inexistentes. O espaço é então preenchido por fluido. Em muitos casos, o perímetro encefálico é normal. A neurocirurgiã e diretora do Hospital Pedro I, Alba Gean Medeiros Batista, explica que esse é o distúrbio mais grave associado aos casos de zika na gestação. Algumas partes do cérebro podem ser praticamente inexistentes, como o tálamo, o bulbo cerebral e o cerebelo.
     
    — Temos o caso de um bebê cujo cerebelo está praticamente solto. Aqui em Campina Grande temos visto mais casos de ventriculomegalia do que de microcefalia ultimamente e não fazemos ideia do motivo. Também verificamos que danos no cerebelo são mais frequentes. Queremos poder identificar os casos que podem se agravar durante ou depois da gestação, mas não sabemos como. Nos faltam os testes mais básicos — destaca Alba.
    Adriana Melo se preocupa em especial com o caso de outra moça com 32 semanas de gestação:
     
    — Pelas ultrassonografias vemos que o bebê tem o perfil de um anencéfalo, parece não ter crânio. Tem deformidade da coluna causada pela artrogripose. Esse bebê não conseguirá, por exemplo, engolir porque para engolir você precisa ter cérebro. Não sabemos nem como lidar direito com a mãe. Praticamos aqui a terapia do abraço. É a única coisa que podemos oferecer.
     
    Segundo ela, são seis casos de ventriculomegalia e artrogripose ligados ao zika na gestação. Quatro crianças morreram e duas estão em gestação. — É uma síndrome que pode ser devastadora. O que estamos chamando de zika congênita tem uma variação enorme. E microcefalia, como disse num estudo, é só mesmo a ponta do iceberg — afirma Adriana Melo.
     
    A obstetra Bianca Nóbrega, que integra o serviço de atendimento a mães com zika e seus filhos no Pedro I, diz que as gestantes ficam em situação desesperadora. — Elas são em sua maioria muito pobres. Viajam por centenas de quilômetros para chegar aqui. Muitas vezes sem ter dinheiro para comer. Podemos oferecer lanche, carinho, mas não temos muito o que dizer para uma grávida que nos pergunta “meu filho vai ser um vegetal?” Eu sou mãe. É muito difícil — afirma Bianca.
     
    Segundo Alba, o acompanhamento das crianças cujas mães tiveram zika na gestação, mesmo que sem sintomas, precisa ser feito por pelo menos dois anos: — Há problemas que só vão surgir à medida que a criança se desenvolver.
     
    Fonte: O Globo
     
  • O marco zero do Alzheimer

    O marco zero do Alzheimer

    As pesquisas sobre o envelhecimento cognitivo concentram-se na forma como o declínio nas funções de regiões cerebrais influencia o raciocínio. Uma das mais recentes destaca o papel do sistema locus ceruleus (LC) nas condições cognitivas da velhice. Publicada na revista Trends in Cognitive Sciences, uma revisão de literatura conduzida por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) revela que essa região crítica e vulnerável pode ser o primeiro local afetado pela forma tardia da doença de Alzheimer (DA). Os autores acrescentam que é possível que o LC seja mais importante na manutenção cognitiva durante a velhice do que se estima hoje.
     
    A partir da investigação de estudos anteriores, o grupo liderado por Mara Mather oferece novas reflexões sobre alterações relacionadas ao envelhecimento em um neuromodulador chamado norepinefrina (NE). Conhecido pelo papel na excitação comportamental, no controle da frequência cardíaca e na pressão arterial, essa substância também regula a memória, a atenção e a cognição. Experimentos feitos com ratos mostraram que, quando liberado no LC, o NE protege os neurônios de fatores que matam as células e aceleram o Alzheimer, como a inflamação e a estimulação excessiva de outros neurotransmissores — substâncias químicas produzidas pelos neurônios.
     
    Do tamanho de um grão de arroz, o LC é a estrutura cerebral de maior densidade de neurônios noradrenérgicos — que interagem com a norepinefrina e outros neurotransmissores — e parece ser a primeira região em que surge o Alzheimer. Isso porque, diz Mather, a patologia tau — caracterizada por emaranhados de proteína encontrados em neurônios que sofrem a degeneração — se manifesta primeiro nessa região da cabeça. Embora nem todas as pessoas com esse acúmulo desenvolvam o tipo mais comum de demência, os resultados da autópsia indicam que quase todos os adultos têm indicações iniciais da patologia no LC.
     
    “Durante muito tempo, falou-se que o Alzheimer começava no córtex entorrinal, área do hipocampo mediada por neurônios que trabalham com a acetilcolina, substância relacionada ao funcionamento da memória. O que esse estudo mostra é que surge antes no LC. Quando os pesquisadores analisaram pesquisas com autópsias, constataram que jovens de 20 anos já apresentam anomalias nessa área, e apenas nela. Aos 40 anos, 100% das pessoas apresentavam algum grau de patologia”, esclarece o geriatra Otávio Castello, diretor do Departamento Científico da Associação Brasileira de Alzheimer, regional Distrito Federal.
     
    O achado também explica por que uma classe mais moderna de antidepressivos que atua nos noradrenérgicos oferece melhorias na memória e como esses medicamentos podem ter efeitos mais relevantes em pacientes com Alzheimer que os tradicionais. “Hoje, a maioria dos remédios para DA trabalha nas vias de acetilcolina. Até aqui, os médicos diziam que o problema era nessa substância, e isso é uma verdade, mas não completa: há problema também na noradrenalina. Isso significa que novos estudos de tratamentos podem ter como alvo regiões que não são tradicionalmente contempladas — o que, na prática, já está sendo feito. Esse estudo reforça essa percepção”, acrescenta Castello.
     
    Reserva cognitiva
     
    Os noradrenérgicos são liberados durante atividades mentais desafiantes, como aprender uma língua. “Educação e carreiras estimulantes promovem a reserva cognitiva, ou seja, o desempenho eficaz do cérebro durante o envelhecimento, apesar da invasão da patologia tau”, alerta Mather. “A ativação do sistema LC-NE pela novidade e pelo desafio mental ao longo da vida pode contribuir para essa reserva.”
     
    Bruna Mendonça Lima, neurologista do Hospital Santa Luzia, em Brasília, considera estudos como o norte-americano interessantes porque, apesar de não baterem o martelo, oferecem observações relevantes para o desenvolvimento de medicamentos e até mesmo exames que sejam preditores da doença. “Poderíamos, a partir desse conhecimento, desenvolver formas de diagnóstico precoce. Hoje, só podemos dizer se uma pessoa tem Alzheimer tardio quando ela já apresenta os sintomas”, opina a também membro da Academia Brasileira de Neurologia.
     
    Essa realidade, contudo, é distante, na visão de Cláudio Roberto Carneiro, coordenador de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. “Tudo é muito teórico. A gente já sabia dessa região e, agora, viram que ela sofre antes com a patologia. Embora seja relevante, tem pouco significado para a prática clínica hoje. Por enquanto, o trabalho oferece apenas perspectivas. As pessoas não devem se preocupar tanto, pois todos têm emaranhados de tau nessa área, mas nem todos terão Alzheimer. Precisamos de mais estudos para ter algo concreto com que trabalhar”, pontua.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • OMS garante que não há relação entre microcefalia e vacinas no Brasil

    OMS garante que não há relação entre microcefalia e vacinas no Brasil

    A Organização Mundial da Saúde emitiu nota ontem, segunda-feira, assegurando que os boatos associando vacinas para grávidas com o aumento de microcefalia no país são falsos. “As vacinas que a organização recomenda para as gestantes e que são oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) são seguras e eficazes”, diz o comunicado da organização.
     
    O esclarecimento veio depois de uma série de boatos sobre supostos casos de gestantes que tomaram vacinas vencidas ou vacina contra rubéola e tiveram bebês com a malformação do crânio.
     
    Na nota, a OMS esclarece que vacina contra a rubéola não está no calendário das grávidas e também que sua aplicação em mulheres que ainda desconheciam a gravidez não resultou em consequências negativas para o feto.
     
    Mais de 70 milhões de doses do imunizante já foram administradas em mulheres em idade fértil no Brasil.
     
    Segundo a organização, outras vacinas, como a contra o tétano neonatal e a contra a gripe também podem ser aplicadas em grávidas com segurança para o bebê. A OMS reforça a importância de a população seguir todo o calendário de vacinação.
     
    O Ministério da Saúde já havia desmentido os boatos e reforçado que as gestantes devem continuar tomando as vacinas destinadas a este público.
     
    Em agosto de 2015, o ministério começou a registrar o aumento inesperado de casos de microcefalia no Nordeste. No final de novembro, a pasta confirmou que os casos tinham origem na infecção de gestantes pelo vírus zika, que começou a ter circulação registrada no Brasil no ano passado.
     
    Fonte: Valor Econômico / Site
     
  • Governo do DF vai importar medicamento à base de canabidiol

    Governo do DF vai importar medicamento à base de canabidiol

    Para atender a uma determinação judicial, o governo do Distrito Federal vai adquirir medicamentos à base de canabidiol, substância presente na maconha. A decisão foi publicada segunda-feira, 15, no Diário Oficial do DF, dispensando a necessidade de licitação para importar o produto.
     
    O governo recebe propostas até as 17h de sexta-feira para importar, sob o menor preço e em caráter emergencial, suplementos alimentares à base de canabidiol, nos formatos seringa preenchida ou frasco. Pacientes de dores crônicas, Parkinson ou de epilepsias refratárias que desejarem importar o medicamento devem estar cadastrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
     
    De acordo com resolução do órgão, a importação deve ser solicitada “por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado, para tratamento de saúde”. Nenhum paciente pode ter em posse quantitativo que ultrapasse o necessário para um ano de tratamento.
     
    A Secretaria de Saúde do DF informou que a compra pode ser solicitada pela própria pessoa ou por intermédio do Sistema Único de Saúde – nesse segundo caso, a única possibilidade de adquiri-lo é via decisão judicial, “já que é um medicamento não padronizado, importado e sem registro na Anvisa”. Não há estimativa de custo do produto, cuja comercialização não é permitida em território brasileiro.
     
    Fonte: Correio Braziliense Online
     
  • Indústria espera novas regras para remédio livre de receita

    Indústria espera novas regras para remédio livre de receita

    As farmacêuticas esperam uma mudança nos critérios de classificação de medicamentos isentos de prescrição (MIP) ainda neste trimestre. A medida pode liberar 30 novas categorias de medicamentos para venda sem receita médica.
     
    Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Jonas Marques, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se comprometeu a resolver a falta de regulação no segmento até o fim de março deste ano.
     
    “Estive com os diretores da Anvisa há algumas semanas e eles reconhecem que o Brasil precisa se modernizar em relação a regulamentação de medicamentos isentos de prescrição”, conta o dirigente.
     
    Depois de 12 anos pleiteando mudanças e definições claras sobre a regulamentação desses medicamentos junto à Anvisa, Marques acredita que agora o setor poderá se beneficiar da mudança nas diretrizes.
     
    “Vamos ter princípios ativos que passarão a ser comercializados como MIP, mas pertencentes a classes terapêuticas que atualmente já são isentas de prescrição”, explica.
     
    A mudança vai permitir que as farmacêuticas ampliem seus portfólios atuais sem necessariamente investir no desenvolvimento de novos produtos.
     
    Para isso, a Abimip pede que a Anvisa se baseie nos modelos de switch (alteração do enquadramento da categoria de venda dos medicamentos para MIP) vigentes em outros países.
     
    No mercado norte-americano, citado por Marques como referência para MIP, um remédio comercializado por cinco anos e sem nenhum evento adverso grave, passa a ser isento de prescrição automaticamente.
     
    “São cerca de cinco critérios e o produto passa a ser um MIP. No Brasil ainda não há uma definição clara para aprovar isso, o que trava o mercado”, afirma.
     
    No ano passado, a venda de MIP no País registrou alta de 9% para 1,01 bilhão de unidades, de acordo com a consultoria IMS Health. O mercado farmacêutico como um todo, movimentou 3,17 bilhões de unidades no mesmo período, alta de 8% ante 2014, com MIP respondendo por cerca de um terço do total.
     
    Lançamentos
     
    Se confirmada a mudança na regulamentação de MIP até o fim de março, novos produtos podem começar a chegar no varejo em um ano, estima o presidente da Abimip. “É preciso um tempo para aprovar a apresentação daquele medicamento e esse processo deve levar cerca de um ano”, diz.
     
    O laboratório brasileiro Aché já tem sete medicamentos, que integram a lista de switch que a Abimip está pleiteando junto a Anvisa, prontos para serem comercializados no varejo.
     
    “Hoje o Aché está fora do segmento de analgésicos, que é o maior no segmento MIP. Mas se a Anvisa acelerar a aprovação desses medicamentos, eu posso lançar produtos nessa área antes do previsto no atual modelo”, conta o diretor da unidade MIP Aché, César Bentim.
     
    Sem confirmação de mudanças na Anvisa, a previsão da farmacêutica, atualmente, é lançar pelo menos um analgésico como MIP entre 2017 e 2018. Só neste ano, quatro novos produtos devem chegar ao mercado.
     
    O executivo revela ter ainda o lançamento de mais 15 medicamentos isentos de prescrição previstos até 2020, que não dependem da mudança nas regras atuais da Anvisa.
     
    “Nossa meta é estar entre os três líderes do segmento MIP até 2030. Para atingir isso, sabemos que temos que acelerar o crescimento da unidade de MIP e o lançamento de produtos é parte importante dessa estratégia”, comenta Bentim. A divisão de MIP responde hoje por 11% da receita do laboratório.
     
    Segundo o executivo, a perspectiva do Aché para este ano é crescer acima da média do mercado. “Se o segmento MIP pode crescer de 10% a 11%, devemos ficar acima disso”, destaca ele.
     
    A companhia sul-africana Aspen Pharma também projeta crescimento para as vendas no Brasil. A estimativa é encerrar o atual ano fiscal em junho de 2016 com alta de 13% nas vendas de medicamentos isentos de prescrição no Brasil.
     
    O gerente de marketing da companhia no País, Jackson Figueiredo, conta que as vendas de MIP representam 40% do total comercializado no mercado brasileiro. “As nossas vendas de MIP vêm crescendo muito em função de novos produtos.”
     
    Ele afirma ter dúvidas sobre o impacto da mudança no processo de aprovação de MIP na Anvisa. “O grande gargalo da agência ainda é a fila de liberação de novos produtos. Sem acelerar esse processo, não vejo uma grande mudança apenas com novos critérios”, pondera.
     
    Consolidação
     
    Para continuar crescendo no mercado brasileiro, o executivo revela que a farmacêutica sul-africana pode adquirir novas marcas no País. “A compra de medicamentos continua no radar em 2016. Como somos uma companhia que tradicionalmente cresce via aquisições, no momento em que o real está desvalorizado olhamos com mais atenção para as possibilidades aqui e já temos conversas em andamento”, diz ele.
     
    Jonas Marques, da Abimip, também observa um maior interesse de investidores e empresas estrangeiras para possíveis aquisições no Brasil. “Quando levamos em consideração a desvalorização do real, o País está em liquidação, mas ainda há muita dúvida das empresas sobre o futuro do mercado local”, lembra o dirigente.
     
    Na avaliação dele, a consolidação global de farmacêuticas, movimento que tem se intensificado nos últimos dois anos, deve se manter em 2016. “Com margens menores e custos maiores, você tem que ganhar em escala, então o caminho é comprar. No segmento MIP não é diferente”, comenta Marques.
     
    Fonte: DCI
     
  • Pílula do Câncer recebe mais de 13 mil ações em São Paulo

    Pílula do Câncer recebe mais de 13 mil ações em São Paulo

    Uma enxurrada de ações judiciais relacionadas à “pílula do câncer” está travando o sistema jurídico da Universidade de São Paulo (USP). Desde o início da polêmica nacional sobre a fosfoetanolamina sintética, em junho de 2015, a instituição já foi citada em mais de 13 mil processos movidos por pacientes que exigem o fornecimento da substância, acreditando tratar-se de uma cura para o câncer.
    “Caímos numa armadilha”, disse ao Estado o vice-reitor da USP, Vahan Agopyan. “Estamos sendo obrigados pela Justiça a fornecer um produto que não sabemos o que é, não sabemos o que pode fazer nas pessoas, e está sendo produzido em condições totalmente inadequadas. É uma situação muito constrangedora.”
    Os processos são tantos, segundo Vahan, que estão interferindo no funcionamento de toda a USP, e não apenas nas atividades do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), onde a substância é produzida de forma artesanal em um laboratório sem qualificação sanitária para produção de fármacos. “Nosso jurídico não está conseguindo atender às necessidades da universidade porque a maioria dos nossos procuradores está ocupada respondendo às demandas judiciais da fosfoetanolamina”, relata Vahan. “Vários processos importantes estão sendo prejudicados.”
    A Procuradoria-Geral da USP chega a receber mais de cem processos de fosfoetanolamina por dia, oriundos de quase todos os Estados do País – e a universidade tem obrigação legal de responder a todos eles. Dos 13 mil processos, cerca de 7 mil são liminares concedidas por juízes do Estado de São Paulo, obrigando a universidade a fornecer a substância para pacientes com câncer. Cerca de 70% dessas liminares foram dadas por uma única juíza, Gabriela Müller Carioba Attanasio, da comarca de São Carlos.
    Segundo a procuradora-geral da USP, Márcia Walquiria Batista dos Santos, 22 procuradores (de uma equipe de 46) estão trabalhando quase que em tempo integral com a fosfoetanolamina. “Outros assuntos importantíssimos para a universidade acabam ficando presos nesse fluxo”, afirma.
    Dificuldades. Não bastasse o grande número de processos, muitos chegam à USP fora dos padrões, sem a documentação necessária e até faltando informações básicas, como o endereço do paciente para o qual as pílulas devem ser enviadas. “Nos deparamos com várias situações absurdas”, diz Márcia.
    Como os processos se originam de vários Estados, com demandas específicas e protocolos distintos, não é possível dar uma resposta padrão a todos eles. Muitas ações são originárias de pequenas comarcas de regiões interioranas, que não têm sistemas informatizados. Outras exigem a presença física dos procuradores, praticamente impossibilitando a USP de responder em tempo hábil. Todas as ações são contestadas, mas enquanto o processo não é julgado a USP tem obrigação de cumprir as liminares.
    Alguns pacientes, insatisfeitos por não receber a substância no prazo esperado, obtêm mandados de busca e apreensão das pílulas no IQSC. “Chega um oficial de justiça lá, entra no laboratório e leva tudo que tiver embora”, descreve uma procuradora da universidade.
    Segundo Márcia, a taxa de produção do laboratório é de 2,4 mil cápsulas de fosfoetanolamina sintética por semana – muito abaixo do que seria necessário para atender à demanda dos 13 mil processos.
    As liminares raramente estipulam uma quantidade que deve ser enviada ao paciente. Na maioria dos casos, fazem uma demanda genérica, como “o suficiente para o tratamento”. A regra da universidade nesses casos tem sido enviar um saquinho de 60 cápsulas por vez.
    Sem estrutura. A única pessoa que produz a fosfoetanolamina é um químico do laboratório no IQSC, Salvador Claro Neto, que é um dos detentores da patente da substância, juntamente com o professor aposentado Gilberto Chierice e outras quatro pessoas. Durante anos eles produziram e distribuíram as pílulas gratuitamente para pacientes com câncer, tendo como base apenas alguns estudos preliminares em camundongos.
    A substância, porém, nunca foi testada como medicamento e não há comprovação científica da sua segurança ou eficácia como terapia contra o câncer. A busca pelas pílulas é motivada por relatos pessoais de pacientes que tomaram a “droga” e dizem ter melhorado ou até mesmo se curado da doença.
    A substância não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem o laboratório – dedicado à pesquisa de óleos, resinas e polímeros, sem relação com a área biomédica – tem autorização para trabalhar com síntese de medicamentos. A diretoria do IQSC determinou o fim da produção em junho de 2014, mas a atividade precisou ser retomada para atender às demandas judiciais.
    “Trata-se de um laboratório de química básica, sem condições adequadas para a produção de um remédio”, afirma Vahan. “Há grande risco de contaminação, e isso nos deixa extremamente preocupados.”
    Segundo o vice-reitor, a USP não sabe nem a fórmula da substância, pois os pesquisadores registraram a patente sem a participação da universidade – o que contraria as regras de propriedade intelectual da instituição.
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Zika pode provocar alteração neurológica até a idade escolar, acreditam médicos

    Zika pode provocar alteração neurológica até a idade escolar, acreditam médicos

    Microcefalia e graves problemas oculares podem não ser as únicas consequências do zika vírus em crianças infectadas na barriga da mãe. Com o avanço de casos no Brasil, especialistas passaram a afirmar que, no futuro, outros prejuízos neurológicos, como atraso intelectual ou perda auditiva, poderão ser associados à infecção e detectados somente no início da vida escolar.
     
    O diagnóstico, no entanto, só poderá ser feito com propriedade se os bebês nascidos de meados do ano passado para cá, quando teve início a epidemia no País, receberem acompanhamento médico rotineiro. Especialistas ouvidos pelo Estado afirmam que todas as crianças de mulheres que tiveram suspeita ou confirmação de zika durante a gestação devem ter seus filhos monitorados, independentemente de quadros associados de microcefalia.
     
    “Isso é essencial, porque algumas alterações neurológicas podem ser detectadas futuramente apenas, como dificuldades de leitura e de aprendizado. Dar assistência às mulheres infectadas não quer dizer acompanhá-las até o parto, mas até que seus filhos cheguem à escola”, diz o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas.
     
    A expectativa de que outros problemas de saúde possam ser relacionados ao zika vírus no futuro é explicada pela sua “semelhança” com algumas doenças também perigosas para gestantes, como a rubéola, a toxoplasmose e a citomegalovirose. Todas podem provocar desde quadros de microcefalia a perda progressiva da visão, surdez e diferentes graus de atraso intelectual.
     
    “Você pode apostar que vamos ter milhares de crianças com perímetro encefálico normal e que vão ter manifestações de atraso relacionadas ao zika, caso se confirme que o vírus segue mesmo o padrão dessas outras infecções. A criança pode não conseguir aprender a ler, por exemplo. E o quadro inicialmente ser de dislexia, de déficit de atenção”, diz o médico geneticista da Apae-SP, Theoharis Efcarpidis.
     
    Temor. Até o surgimento do zika, rubéola e toxoplasmose eram as doenças mais temidas por grávidas, apesar de mais facilmente controladas. A primeira tem vacina e a segunda pode ser evitada com hábitos simples, como ingerir alimentos bem cozidos. Mas, se infectadas, as gestantes podem transmitir essas doenças aos bebês, com consequências para o resto da vida.
     
    Foi o que aconteceu de forma silenciosa com a enfermeira Carina Galvão do Nascimento, de 46 anos. Ela teve uma gravidez tranquila e deu à luz sua primeira filha em março de 2002 sem qualquer problema aparente. Mas, quando Catarina começou a engatinhar, a mãe reparou que havia algo errado com a visão da filha. “Ela tinha muita dificuldade para se locomover e ficava muito perto da TV”, diz.
     
    Preocupada, a enfermeira foi atrás de respostas e descobriu que Catarina tinha uma cicatriz no fundo dos olhos, provocada por uma lesão na retina. Segundo o médico oftalmologista que deu o diagnóstico, a causa foi uma infecção que Carina contraiu durante a gravidez, a toxoplasmose. “Eu tinha um cachorro na época, mas não se sabe se foi transmitida por ele, por carne crua ou por contato com algum gato. O fato é que só descobri que tive a doença depois que minha filha já havia nascido.”
     
    Hoje com 13 anos, mesmo com dificuldades para enxergar, Catarina frequenta a escola e, segundo a mãe, é “a primeira aluna da sala”. “Ela é um dos meus orgulhos. Chegou a usar lupa para conseguir copiar os escritos da lousa, mas hoje leva uma vida normal.”
     
    Se o zika se comportar da mesma forma que a toxoplasmose e a citomegalovirose, as dificuldades de Catarina poderão ser detectadas em crianças infectadas pelo vírus ainda na barriga da mãe. Nestes casos, assim como ocorre com os quadros de microcefalia, estímulos precoces são considerados essenciais para uma melhora no desenvolvimento da criança. “Saber a origem de cada quadro é o primeiro passo. A partir daí, pode-se iniciar o acompanhamento adequado em busca de qualidade de vida”, completa Efcarpidis.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
     
     
  • Brasil faz parceria com EUA e prevê testar vacina contra zika em um ano

    Brasil faz parceria com EUA e prevê testar vacina contra zika em um ano

    O governo brasileiro firmou nesta quinta-feira (11) um acordo com os Estados Unidos para a produção da vacina contra o vírus da zika e disse que ela deve ser desenvolvida em ritmo mais rápido do que se esperava.
     
    Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Castro, a previsão é que a vacina esteja pronta para ser testada em humanos em até um ano, prazo menor do que o anunciado anteriormente, quando a expectativa era de até dois anos. Já o prazo previsto para que a vacina seja finalizada e chegue ao mercado é de até três anos. “Há um grande otimismo de que podemos desenvolver num tempo menor do que estava previsto”, disse Castro.
     
    O ministério confirmou nesta quinta-feira a terceira morte relacionada ao vírus da zika (sem ser ligada a casos de microcefalia) no Brasil. A vítima —uma jovem de 20 anos do interior do Rio Grande do Norte—morreu em abril do ano passado.
     
    Inicialmente, esse casoera investigado como morte suspeita por dengue. Depois de a doença ter sido descartada com os exames, técnicos decidiram verificar a possível ligação com uma infecção pela zika —e as análises apontaram a presença do vírus nas vísceras da paciente.
     
    A jovem havia sido internada em 11 de abril, após um quadro de tosse com sangramento.Segundo informações do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos) do RN, ela tinha um quadro de pneumonia e infecção generalizada. Uma das hipóteses é que a infecção pelo vírus da zika possa ter agravado a condição clínica da paciente.
     
    A primeira morte confirmada foi de um homem do Maranhão que também tinha outras doenças associadas, como lúpus, e fazia uso crônico de medicamentos corticoides. O segundo caso foi de uma garota de 16 anos do Pará que morreu em outubro de 2015.
     
    Pesquisas 
     
    O governo brasileiro deverá liberar US$ 1,9 milhão para a realização das pesquisas para a vacina contra a zika pelo acordo assinado com a Universidade do Texas. As análises serão em parceria entre pesquisadores da universidade americana,que mantém um centro de pesquisas de arboviroses,e do Instituto Evandro Chagas,do Pará, que é ligado ao ministério.
     
    Segundo o pesquisador Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, o prazo previsto inicialmente foi reduzido pela possibilidade de usar técnicas mais modernas para a produção da imunização.
     
    Para acelerar as pesquisas, membros da equipe da Universidade do Texas farão estudos pré-clínicos —que antecedem o desenvolvimento da vacina— em camundongos. Ao mesmo tempo, técnicos brasileiros do Instituto Evandro Chagas farão a pesquisa em macacos.Em seguida, a vacina passa para estudos clínicos, em que são feitos testes em humanos.
     
    O produto será feito a partir do sequenciamento do genoma do vírus da zika, com a seleção da parte responsável pelo desenvolvimento de anticorpos —que ativam a proteção contra o vírus.
    A técnica é semelhante à utilizada na vacina contra o ebola —também feita em curto prazo nos últimos anos.
     
    Em outra frente para estimular as pesquisas sobre o vírus da zika, o ministro anunciou a vinda ao Brasil de 15 técnicos do CDC (Centro de Controle de Doenças),dos Estados Unidos, que devem estudar a relação do vírus da zika com o aumento de casos de microcefalia em bebês.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Anvisa convida empresas de fitoterápicos para reunião técnica

    Anvisa convida empresas de fitoterápicos para reunião técnica

    A Anvisa convida todas as empresas que possuem registro de fitoterápicos a participarem de reunião técnica no auditório da Agência, em Brasília, no próximo dia 17 de fevereiro, das 14h às 18h.
     
    A reunião tratará de assuntos como a avaliação de resíduos de agrotóxicos em plantas medicinais, restrição de venda, teste de teor e equivalência de extratos. 
     
    O interessados devem enviar e-mail para a Coordenação de Fitoterápicos da Anvisa, [email protected], solicitando a inscrição até o dia 10 de fevereiro. No e-mail devem ser apresentadas as informações: nome completo do interessado, empresa que representa e um e-mail de contato institucional.
     
    Fonte: Anvisa