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  • Venda de genéricos perde ritmo e sobe 11,75% em 2015

    Venda de genéricos perde ritmo e sobe 11,75% em 2015

    Embora permaneçam com ritmo expressivo de crescimento, as vendas de genéricos no país registraram em 2015 o pior desempenho dos últimos três anos, segundo levantamento da PróGenéricos. No ano passado, foram R$ 5,9 bilhões em vendas desse tipo de medicamento, equivalente a alta de 11,75% frente a 2014 já considerados os descontos praticados pela indústria, distribuidores e varejistas.
     
    Para este ano, a meta é repetir a performance de 2015, o que será como uma “vitória” pela indústria. Em 2013, a taxa de expansão havia sido de 14,59% e, em 2014, de 14,88%. “A crise econômica está inibindo o acesso a medicamentos. As empresas estão muito preocupadas com a falta de estabilidade política”, afirma a presidente da PróGenéricos, Telma Salles. A associação reúne 14 laboratórios, que respondem por cerca de 90% das vendas do segmento no país.
     
    Em unidades, as vendas de genéricos no mercado brasileiro encerraram 2015 com expansão de 12,19%, abaixo da expectativa inicial de crescimento de 15%. Conforme a associação, que toma como base dados da consultoria IMS Health, foram comercializadas 978,3 milhões de caixas de medicamentos, frente a 872 milhões no ano anterior.
     
    O menor ritmo de crescimento, combinado ao aumento dos custos de produção ­ a alta do dólar encarece o insumo farmacêutico, que é majoritariamente importado ­, afeta a rentabilidade da indústria e “pode desestimular investimentos em inovação e até mesmo no lançamento de novos genéricos”, de acordo com Telma.
     
    Mais baratos que os remédios de marca, os genéricos chegam ao consumidor final com elevados descontos, que por enquanto estão sendo mantidos pelos laboratórios. “A indústria têm mantido os descontos, mas o varejo drogarias pode não conseguir”, avalia a executiva.
     
    Ao fim de dezembro, a participação desse segmento no mercado total de medicamentos estava em 28,88%, frente a 27,64% um ano antes. Em receita, a fatia era de 12,91%. O fato de a participação de mercado dos genéricos não ter avançado mais de dois pontos percentuais nos últimos três anos, conforme Telma, indica que o acesso aos remédios no país tem ocorrido mais lentamente.
     
    Como os genéricos são, de maneira geral, produtos de uso contínuo, as vendas de drogas de combate à hipertensão e colesterol são as mais afetadas pela desaceleração da demanda. Mantida essa tendência, alerta Telma, há risco de mais sobrecarga na saúde pública por doentes crônicos que não fizeram acompanhamento terapêutico adequado.
     
    Apesar da redução de ritmo, o segmento permanece como principal motor de crescimento das vendas de medicamentos no país. Na média, a expansão nas vendas de todas as categorias de remédios foi de 10,65% no ano passado, para R$ 46,4 bilhões.
     
    Os similares, que desde 2014 são tratados como equivalentes aos medicamentos de referência, mostraram alta de 9,14%, com R$ 3,6 bilhões em vendas. Já os produtos de referência avançaram 9,29%, para R$ 17,8 bilhões.
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • Recebeu a denúncia de que vacinas causam microcefalia? Ela está errada

    Recebeu a denúncia de que vacinas causam microcefalia? Ela está errada

    Uma denúncia feita no MPF (Ministério Público Federal) de Pernambuco no final de janeiro aumentou os rumores de que vacinas administradas em mulheres, sejam elas grávidas ou em idade fértil, teriam sido as reais causadoras do surto de microcefalia vivenciado no Brasil e não a infecção pelo zika vírus.
     
    O responsável pelo documento é Plínio Santos Filho, físico especialista em ressonância magnética e que se identifica como pesquisador independente. Ele afirma que as vacinas tríplice viral e dTpa foram as responsáveis pela má-formação em bebês.
     
    A denúncia será analisada pelo procurador Alfredo Carlos Falcão Junior, que deve decidir pela investigação ou arquivamento dela depois do Carnaval.
     
    Filho afirma ter analisado dados coletados desde outubro de 2015, “semana a semana”, desde que Pernambuco começou a notificar os casos de microcefalia. Para ele, a relação entre o zika vírus e casos de má-formação no sistema nervoso central na Polinésia Francesa não tem a ver com o que acontece no Brasil.
     
    O Ministério da Saúde criticou a associação feita entre vacinação e casos de microcefalia, afirmando que não há nenhuma evidência científica que comprove essa teoria, e rebateu as informações.
     
    A vacina do sarampo foi dada junto com a da rubéola? Verdade
     
    A vacinação contra sarampo é feita por meio da vacina dupla (contra sarampo e rubéola) ou tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), ou seja, também imunizam contra o Rubella vírus. Segundo Plínio, vacina tríplice teria sido administrada em larga escala em mulheres em idade fértil entre novembro e dezembro de 2014 por causa do aumento do número de casos de sarampo em Pernambuco e no Ceará (neste último a vacinação teria durado até meados de abril), após a Copa do Mundo.
     
    “Se a mulher em período fértil engravidar em até três meses após a vacinação ou se estiver grávida, no início da gestação e não o souber, os efeitos do Rubella virus da vacina tríplice são devastadores ao feto e são conhecidos há décadas”, afirma na denúncia.
     
    De acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, a vacinação contra o sarampo durou de 8 de novembro a 22 de dezembro, durante o calendário nacional de vacinação. A pasta informou ainda que mulheres em idade fértil que tomaram a vacina tríplice viral foram questionadas se estavam grávidas e advertidas a evitarem uma gestação por 30 dias.
     
    Essa é uma recomendação do Ministério da Saúde, como medida adicional de segurança. Segundo a pasta, no entanto, estudos mostram que as vacinas são seguras, mesmo se aplicadas durante a gestação. “Esse procedimento tem o objetivo de evitar dúvidas no diagnóstico, caso o bebê tenha algum problema durante a gestação.”
     
    Tomar a vacina grávida causa microcefalia nos bebês? Falso
     
    Mesmo que uma mulher grávida fosse vacinada com a tríplice viral, as chances de o vírus da rubéola presente na vacina infectar o bebê são mínimas. O infectologista e professor titular da UFAL (Universidade Federal de Alagoas), Fernando Maia, contou que nos anos 90 foram realizadas duas campanhas massivas contra o Rubella vírus – responsáveis pela erradicação da doença no Brasil, em 2009. As campanhas vacinaram mulheres entre 14 e 40 anos, algumas delas grávidas.
     
    “Havia mulheres que não sabiam que estavam grávidas e mesmo assim foram vacinadas. Elas foram acompanhadas e a taxa de alterações nos bebês ficou em torno de 3%. Nas gestações, em geral, ou seja, naquelas que não há nenhum fator externo, essa taxa é de 6%”, explica.
     
    Maia afirma não acreditar na relação entre vacinas e microcefalia. “O vírus presente na vacina não está ativo (é um vírus vivo atenuado). Ele é fraco e não tem como atravessar a barreira placentária e afetar o feto”, diz.
     
    Além disso, o Ministério da Saúde esclarece que todas as crianças com suspeita de microcefalia no país passaram por testes para as principais causas de malformações: rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus. Os casos deram negativos para essas doenças.
     
    Vacina contra coqueluche administrada em grávidas causa microcefalia? Falso
     
    Plínio Santos Filho também afirma que a inclusão da vacina dTpa (contra difteria, tétano e coqueluche) no calendário nacional de vacinação e a recomendação da aplicação em mulheres entre a 27ª e a 36ª semana de gestação estaria provocando o surto de microcefalia em todo o Brasil. A vacina foi incluída no calendário em novembro de 2014. “Se a pessoa pega a bula e ler com cuidado vai ver que ela diz claramente que não existem estudos da aplicação dessa vacina em gestantes.”
     
    O Ministério da Saúde informa que a vacina dTpa gera proteção da mãe para o filho. Além de se proteger, a mãe passa anticorpos para seu filho ainda no período de gestação, garantindo ao bebê imunidade nos primeiros meses de vida.
     
    Segundo o infectologista Fernando Maia, não existe nenhuma evidência que a vacina administrada em gestantes cause má-formação em bebês. “Ao contrário, ela é usada para evitar que o bebê tenha problemas nos primeiros meses de vida. Por isso, eu não acredito nessa relação”, diz. 
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Surto de zika faz Brasil rever rígida lei do aborto

    Surto de zika faz Brasil rever rígida lei do aborto

    O número crescente de relatos médicos sobre bebês que nasceram com a cabeça reduzida durante a epidemia de zika no Brasil está provocando um acirrado debate sobre a lei do aborto no país, que declara o procedimento ilegal na maioria das circunstâncias.
     
    Importantes juristas em Brasília estão preparando um caso para ser apresentado à Suprema Corte, afirmando que as mulheres grávidas devem ser autorizadas a ter um aborto quando seus fetos são diagnosticados com cabeças anormalmente pequenas, condição conhecida como microcefalia e que, segundo pesquisadores brasileiros, está relacionada ao vírus do zika.
     
    Um juiz na região central do Brasil tomou a rara medida de declarar publicamente que permitirá que as mulheres façam abortos em casos de microcefalia, abrindo caminho para uma luta sobre o assunto em partes do complicado sistema jurídico do país.
     
    Aqui no Recife, a cidade mais atingida pelo aumento da microcefalia e danos cerebrais que geralmente a acompanham, ativistas pró-aborto aproveitam a crise para atacar os congressistas conservadores que há muito tentam tornar a lei do aborto mais restritiva.
     
    A ligação científica entre o zika e os danos cerebrais nos bebês ainda não foi comprovada.
     
    Mas o aumento dos relatos de microcefalia em partes do Brasil atingidas pelo zika causou alarme suficiente para que a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarasse uma emergência internacional de saúde pública na segunda-feira, afirmando que seus “especialistas concordaram que há uma forte suspeita de uma relação causal entre a infecção por zika durante a gravidez e a microcefalia”.
     
    Alguns médicos brasileiros já estão recebendo mulheres grávidas que buscam o aborto por causa do pico de casos de microcefalia. O doutor Artur Timerman, especialista em doenças infecciosas em São Paulo, disse que duas pacientes falaram com ele nas últimas semanas sobre encerrar suas gravidezes porque haviam dado positivo no teste do vírus do zika.
     
    “Elas perguntaram: 'Há chance de que meu bebê tenha microcefalia?' Precisamos lhes informar que há. Elas perguntam se a probabilidade é grande ou pequena. Eu respondo: 'Não sei'. Elas perguntam o que eu faria na situação delas. Eu lhes digo que é uma decisão pessoal, só que a probabilidade é real. Mais tarde, as duas pacientes me disseram que fizeram aborto”
    Artur Timerman
     
    O debate sobre se as mulheres devem ser autorizadas a praticar aborto em casos de microcefalia poderá repercutir em toda a região. O surto no hemisfério ocidental teria começado no Brasil, país com mais casos de zika até agora. Mas a epidemia se espalhou por mais de 25 países e territórios nas Américas, alguns dos quais têm leis de aborto tão restritivas quanto as brasileiras, ou mais.
     
    O movimento para abrandar as restrições ao aborto no Brasil levanta questões difíceis sobre muitos lados da discussão. Os casos mais graves de microcefalia podem geralmente ser detectados com exames de ultrassom por volta do fim do segundo trimestre, ou cerca de 24 semanas. Defensores da atual lei do aborto no Brasil afirmam que os abortos em estágio avançado intensificam uma decisão já muito angustiante.
     
    “Com a microcefalia, a criança já está bem formada e os pais têm consciência disso”, disse a doutora Lenise Garcia, professora de biologia na Universidade de Brasília e presidente da organização Brasil Sem Aborto, que é contra o abrandamento da lei. “Fazer um aborto cria uma culpa que fica com a mulher pelo resto da vida.”
     
    O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, que declarou publicamente que o aborto deveria ser permitido em casos de microcefalia, admitiu que o tema é complexo.
     
    “Sei que isso é muito difícil porque o tema é novo, exige uma ampla discussão e persistem muitas influências religiosas. Mas minha posição é que o aborto por microcefalia deve ser permitido”
    Alcântara, juiz do Estado de Goiás
     
    Os proponentes da mudança da lei citam uma decisão de 2012 do Supremo Tribunal Federal do Brasil que permite o aborto quando o feto tem anencefalia, um sério defeito congênito em que faltam partes do cérebro ou do crânio. Quase todos os bebês com anencefalia morrem pouco depois do parto, segundo os CDC (sigla em inglês para Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA).
     
    Mas a microcefalia é muito menos previsível. Mesmo quando é detectada antes do nascimento, os médicos não podem dizer quais serão as consequências, potencialmente tornando muito mais complexa a decisão do aborto.
     
    “Algumas crianças com más-formações aparentemente severas parecem ficar relativamente ilesas. Mas outras com problemas estruturais relativamente menores podem ter incapacidades profundas”
     
    Hannah M. Tully, neurologista no Hospital Infantil de Seattle (EUA) especializada em más-formações cerebrais
     
    Pelo menos 10% dos bebês com microcefalia não têm deficiência mental. Na verdade, essas crianças acabam sendo “intelectual e fisicamente normais”, disse o doutor Constantine A. Stratakis, geneticista pediátrico e diretor científico do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano em Bethesda, Maryland.
     
    Mas qualquer criança cuja cabeça meça “três ou quatro desvios padrão abaixo da média, é muito improvável que tenha uma inteligência normal”.
     
    No Brasil, os abortos são permitidos somente em casos de estupro, anencefalia ou quando a vida da mãe corre perigo. Até recentemente, os congressistas conservadores tentavam dificultar a prática do aborto, refletindo a influência de líderes católicos e dos cada vez mais poderosos pregadores do movimento cristão evangélico.
     
    Liderado por Eduardo Cunha, o conservador presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, um influente bloco de deputados evangélicos apresentou leis em 2015 para dificultar o aborto para vítimas de estupro, ao exigir que elas passem por um relatório policial e um exame médico forense. Outra parte do projeto tenta transformar em crime que as pessoas ajudem em um aborto ou incentivem a mulher grávida a obter um.
     
    Mas agora alguns ativistas estão traçando comparações entre a epidemia de zika e o debate nos EUA sobre o aborto nos anos 1960, quando um surto de rubéola, vírus que também pode causar microcefalia, resultou em milhares de bebês que nasceram com defeitos congênitos. A preocupação com a rubéola abriu caminho para que Estados como a Califórnia permitissem o aborto quando um feto tem deficiência substancial.
     
    “As grávidas em todo o Brasil estão em pânico hoje”, disse Silvia Camurça, diretora da SOS Corpo, um grupo feminista no Recife.
     
    “Os temores sobre o zika estão nos dando uma rara abertura para contestar os fundamentalistas religiosos que colocam a vida de milhares de mulheres em risco no Brasil todos os anos, ao manter leis que pertencem à idade das trevas”
     
    Assim como nos EUA antes da legalização do aborto pela Suprema Corte em 1973, uma indústria clandestina de abortos prospera em todo o Brasil. Alguns provedores ilegais cobram milhares de dólares pelo procedimento, arriscando-se à prisão e ao fechamento de suas clínicas.
     
    As estimativas do número de abortos ilegais no Brasil variam muito. Segundo registros hospitalares, cerca de 150 mil mulheres buscam atendimento médico todos os anos por complicações de abortos ilegais. Estudiosos brasileiros estimam que até 850 mil abortos ilegais sejam realizados no país anualmente.
     
    Enquanto as leis do aborto no Brasil são menos restritivas que as de alguns outros países latino-americanos –em El Salvador, por exemplo, o aborto não é permitido em nenhuma circunstância–, os procedimentos ilegais não são tratados com leveza.
     
    Uma brasileira foi levada algemada a um hospital e presa depois que procurou atendimento médico por um aborto mal feito. Um juiz condenou outras mulheres da cidade de Campo Grande que haviam sofrido abortos ilegais a fazer serviços comunitários em creches, afirmando que isso as ensinaria a amar as crianças.
     
    Uma menina de 9 anos que disse ter sido estuprada por seu padrasto teve autorização para abortar no Recife, mas só depois de um aquecido debate nacional em que as autoridades superaram as objeções de líderes religiosos.
     
    Débora Diniz, uma antropóloga e pesquisadora do Anis, grupo pelo direito ao aborto que pretende mover uma ação pedindo sua legalização em casos de microcefalia, comparou a crise do zika com a longa batalha para permitir o aborto em casos de anencefalia, que durou cerca de uma década.
     
    “Temos uma epidemia, uma emergência, e o setor de saúde pública não está cuidando adequadamente dos direitos das mulheres. Temos direitos constitucionais em risco, o direito ao tratamento de saúde e à dignidade humana”
     
    Líderes religiosos prometem resistir a qualquer esforço para facilitar as leis do aborto por causa do zika.
     
    “Nada justifica um aborto”, disse à imprensa o reverendo Luciano Brito, porta-voz da arquidiocese católica de Olinda e Recife. “Só porque um feto tem microcefalia não nos tornará favoráveis” à modificação da lei.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • ”

    Na esperança de reduzir de forma substancial o vetor do zika vírus até os Jogos Olímpicos, o Brasil vai avaliar o uso de radiação nuclear para combater o mosquito Aedes aegypti. Um encontro será feito entre o Ministério da Saúde e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nos dias 17 e 18, em Brasília, com a meta de avaliar a implementação de um amplo projeto que esteriliza o mosquito.
     
    Já no dia 22, também em Brasília, especialistas de todo o mundo vão se reunir para examinar a viabilidade do projeto. Na segunda-feira, 1º, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o surto de casos de microcefalia e outros distúrbios neurológicos em regiões com registro de zika vírus como uma emergência internacional. Uma das conclusões de especialistas é de que, com a vacina não podendo ser produzida antes de 2018, a meta hoje é um “combate agressivo ao vetor”.
     
    E o mundo vem perdendo a batalha contra o Aedes. Tanto na OMS como no Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a percepção é de que os instrumentos de desinfecção são pouco eficientes e apenas contar com uma mobilização social não está dando resultados.
     
    A nova estratégia, proposta pela AIEA, é a de reverter a expansão da população de mosquitos. O plano consiste em expor mosquitos machos à radiação nuclear, tornando-os inférteis. Uma vez de volta no meio ambiente, esses mosquitos não conseguiriam se reproduzir e a população geral teria queda.
     
    A SIT (sigla em inglês para Sterile Insect Technology) já existe e consiste em colocar os vetores em contato com raios X ou Gama. A vantagem do sistema é de que milhares de mosquitos seriam controlados, sem o uso de produtos tóxicos. Mas o grande obstáculo é o volume de insetos que teriam de ser inicialmente esterilizados. Para que isso funcione, os espécimes modificados teriam de ser superiores ao número de mosquitos machos em uma população autóctone em uma proporção de 10 a 20 vezes.
     
    Na prática, milhões de mosquitos teriam de ser expostos à radiação. A própria AIEA estima que o plano teria maiores chances de funcionar em pequenas cidades e não em metrópoles como o Rio.
     
    Ainda assim, os técnicos são otimistas. “Se o Brasil soltar um enorme número de mosquitos machos nessas condições, levaria poucos meses para reduzir a população. Mas isso teria de ser combinado com outros métodos”, disse o vice-diretor da AIEA, Aldo Malavasi.
     
    Outros países
     
    Além do Brasil, países latino-americanos como Guatemala, El Salvador e México já estão em negociações, além da Indonésia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
     
    Fonte: ESTADÃO
     
  • Brasil e EUA definem agenda contra o vírus Zika

    Brasil e EUA definem agenda contra o vírus Zika

    O ministro da Saúde, Marcelo Castro, e a secretária de Saúde dos Estados Unidos, Sylvia Burbell, reafirmaram o compromisso dos países no combate ao mosquito Aedes aegypti em teleconferência na tarde desta terça-feira, segundo informou o Ministério da Saúde .
     
    Castro e Sylvia vão buscar cooperação para o desenvolvimento de pesquisas para diagnósticos, vacina e tratamento contra o vírus Zika. Além disso, comprometeram-se em acelerar as investigações em curso sobre as infecções causadas por arbovírus, relacionados aos casos de microcefalia e de Síndrome de Guillain-Barré.
     
    De acordo com o Ministério da Saúde, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também se colocou à disposição para trabalhar nos aspectos do combate ao mosquito. O órgão norte-americano tem atuado em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil desde que o Brasil decretou emergência de saúde pública de importância nacional, no dia 11 de novembro,
     
    A reunião de hoje é um desdobramento da interlocução na semana passada entre a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o enfrentamento da doença.
     
    A pasta informou que ficou acertada uma nova reunião, prevista para o dia 20 de fevereiro, no Brasil, envolvendo técnicos do National Institutes of Health (NIH) e CDC, dos EUA, e técnicos do Ministério da Saúde, do Instituto Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, entre outros especialistas convidados.
     
    Fonte: Valor Econômico / Site
  • Fundador do Facebook divulga campanha de combate ao Aedes aegypti

    Fundador do Facebook divulga campanha de combate ao Aedes aegypti

    O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, defendeu que os cidadãos de todo o mundo, em especial da América Latina, auxiliem no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus Zika e também dos vírus da dengue e da chikungunya.
     
    Por meio de um post no Facebook, Zuckerberg convida os internautas a assistirem ao vídeo de uma campanha promovida pela própria rede social e pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
     
    No texto, publicado na noite desta terça-feira, o empresário ressalta a importância de se evitar a disseminação do mosquito, pois não há remédios específicos nem vacinas contra o zika. Ele disse, então, que o “mais importante” no momento é tentar evitar as picadas do mosquito. “Como uma comunidade, nós podemos ajudar na luta contra o vírus zika aumentando a sensibilização”, afirmou.
     
    Zuckerberg lembra que o vírus já está em mais de vinte países e é “um dos maiores desafios da saúde pública” atualmente. Ele destacou ainda o perigo para as mulheres grávidas que contraem o zika, lembrando da relação que há entre a doença e casos de microcefalia em bebês.
     
    Além de fazer o apelo, Zuckerberg divulgou o link de um vídeo com orientações sobre os cuidados que os cidadãos devem tomar para evitar a proliferação do inseto. Por volta de 23h, poucas horas após ser publicado, o post já tinha mais de 26 mil curtidas e quatro mil compartilhamentos.
     
    O governo brasileiro tem intensificado as ações de mobilização contra o mosquito. Nesta quarta-feira, a presidenta Dilma Rousseff fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão incentivando a população a tomar os cuidados de combate ao inseto.
     
    Fonte: Valor Econômico/Site
     
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  • Novo exame pode aumentar diagnósticos de microcefalia ligada ao zika, diz diretor do Fiocruz

    Novo exame pode aumentar diagnósticos de microcefalia ligada ao zika, diz diretor do Fiocruz

    Um exame desenvolvido pelo Brasil e que deve ser distribuído na rede pública de saúde até o fim do ano pode revelar um número maior de casos de microcefalia ligada ao zika, diz Wilson Savino, diretor do Instituto Oswaldo Cruz e integrante do gabinete de emergência formado pela instituição para enfrentar a epidemia.
     
    Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia e com mais de 30 anos de experiência na área, o imunologista carioca está à frente do Oswaldo Cruz, vinculado ao Ministério da Saúde, desde 2013. Atualmente ajuda a coordenar os esforços nacionais de combate à epidemia de zika, dengue e chikungunya.
     
    Ele explica que o exame molecular, único disponível no momento para o diagnóstico de zika no país, identifica a presença do vírus na corrente sanguínea, o que dificulta a precisão, pois o zika surge e desaparece do sangue em poucos dias.
     
    Já o exame sorológico, que deve ficar pronto no início do segundo semestre e que poderia chegar à rede pública até o final do ano, não busca o vírus, e sim os anticorpos que o organismo produz contra ele, que podem ser detectados muitos meses após a infecção.
     
    “Por conta disso, grande parte dos testes em mulheres com sintomas de zika que tiveram crianças com microcefalia não levou à detecção do vírus, mas isso não quer dizer que não tenham sido infectadas. Em alguns casos não se está identificando o vírus em mães de bebês com suspeita de microcefalia somente porque ainda não temos o exame sorológico. É algo muito importante”, diz.
     
    Embora Savino ressalte que os cientistas ainda não possuem comprovação da relação de causalidade entre o zika e a microcefalia, há muitos indícios apontando nesta direção.
     
    “Uma vez que tenhamos o exame sorológico, acho muito plausível que haja aumento no número de casos de microcefalia ligados ao zika vírus. Acho que os números serão muito mais contundentes. Embora neste ano já tenha o dobro dos casos de microcefalia do ano passado, a ausência do exame sorológico ainda mantém a discrepância entre avaliação clínica e diagnóstico”, afirma.
     
    Em entrevista à BBC Brasil, Savino também comentou o alerta global emitido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que passou a considerar a epidemia de zika vírus uma emergência de saúde pública mundial.
     
    “Soar este alarme vai possibilitar decisões mais rápidas nos 20 países afetados, e torna mais evidente que o que está acontecendo no Brasil pode acontecer em qualquer país da região, além de mostrar que estávamos certos ao considerar a epidemia situação de emergência nacional já no ano passado”, avalia.
     
    Veja os principais trechos da entrevista:
     
    BBC Brasil — Atualmente trabalha-se com exames moleculares que usam tecnologia importada e buscam detectar o vírus na corrente sanguínea, enquanto não está disponível no Brasil o exame sorológico. A Fiocruz desenvolveu uma versão nacional deste teste molecular. Como ele funciona e quando começa a ser distribuído?
     
    Savino — Um dos trabalhos incluídos nesta primeira fase de enfrentamento à epidemia, absolutamente necessário, é que o sistema de saúde brasileiro seja capaz de identificar a infecção pelo zika vírus. Para isso, a Fiocruz desenvolveu uma versão do teste molecular, chamada triviral, que permite identificar dengue, chikungunya e zika no mesmo exame. A intenção é que 50 mil kits deste teste estejam prontas para serem distribuídas daqui a dois meses, e a Fiocruz Paraná tem condições de produzir 500 mil por ano.
     
    Esse vírus tem uma característica que dificulta o diagnóstico, por deixar de circular na corrente sanguínea muito rapidamente. E aí entra a importância da segunda maneira de detectá-lo, com o exame sorológico, que ao invés de buscar o agente infeccioso, detecta os anticorpos que o nosso organismo produz quando somos infectados. Neste momento não há testes sorológicos comerciais e a Fiocruz Paraná está desenvolvendo um teste desse tipo, que também é muito mais barato do que o molecular, e com ele saberemos se a pessoa foi infectada há 15 dias, três meses ou seis meses. Teremos muito mais precisão.
     
    BBC Brasil — Uma das principais dificuldades da busca pelo exame sorológico tem sido a semelhança dos anticorpos que o organismo produz para dengue, chikungunya e zika. Em que estágio está a busca por esse teste? Qual é a previsão de distribuição do exame sorológico na rede pública de saúde?
     
    Savino — Ele ainda está sendo desenvolvido, e uma das principais dificuldades é a similaridade dos anticorpos, sobretudo da dengue e do zika. Mas existem formas de testar simultaneamente se determinado anticorpo reconhece só zika, e você faz uma espécie de peneira e seleciona apenas estes.
     
    A questão é que isso demora. Não é uma dificuldade especial, é trabalho comum, mas é uma questão de tempo. Não há nada, em princípio, que nos leve a pensar que seja impossível fazer isso. É questão de trabalhar com rigor científico e de maneira que ao final deste trabalho você tenha um produto que possa, efetivamente, ser útil. E isso leva tempo. A chance de não termos esse teste é quase nenhuma.
     
    O prazo é que no final do primeiro semestre e início do segundo semestre possamos ter o teste sorológico pronto para ser produzido em larga escala, e que mais para o final do ano ele possa ser distribuído. Vai demorar um pouco, mas a ideia é que seja usado ainda neste ano. Claro que tudo pode correr bem, mas algumas coisas podem não correr tão bem, quando você desenvolve um produto. Por mais que a sociedade tenha pressa nestas respostas, não podemos nos precipitar.
     
    BBC Brasil — Quais unidades da Fiocruz trabalham nesta busca pelo exame sorológico neste momento?
     
    Savino — Do ponto de vista dos reagentes que vão compor o exame sorológico, é a Fiocruz do Paraná que trabalha nisso. Agora, para que a gente valide esses testes, é preciso ter soros de pessoas que foram infectadas, em grande escala. É preciso também ter o vírus produzido em grande escala. E aí a gente envolve outras unidades.
     
    Aqui no Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) e o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) estão começando a colher material de mulheres grávidas, com ou sem sintomas de zika, com ou sem suspeitas de microcefalia, para que a gente tenha o que se chama de um painel de amostras sabidamente infectadas por zika e outras sabidamente não infectadas. Assim podemos fazer os testes de validação.
     
    BBC Brasil — Um laboratório alemão chamado Euroimmum diz já ter um exame sorológico para zika. Até que o teste brasileiro desenvolvido pela Fiocruz possa ser distribuído, não seria o caso de o governo federal comprar esse teste europeu que já poderia ser comercializado, segundo a empresa?
     
    Savino — O que a Fiocruz vem fazendo é testar a especificidade desses testes que existem no comércio e o que eu posso dizer é que até agora o diagnóstico que eles apresentam cruza com o de dengue, e não isola especificamente o zika, que é o que precisamos. Então por isso talvez seja melhor andar com mais calma, para não gastar dinheiro com algo e depois termos que gastar novamente.
     
    BBC Brasil — Mas esse teste alemão diz ter identificado os anticorpos exatos do zika, por dois métodos: Elisa e imunoflorescência. Ele já foi testado pela Fiocruz?
     
    Savino — Na verdade esse teste sorológico ainda não foi testado pela Fiocruz. Mas acho que, por outro lado, uma informação importante é que o CDC, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, por enquanto não sugere nenhum desses testes sorológicos que existem atualmente no mercado para comercialização.
     
    BBC Brasil — O senhor considera que a resposta do governo brasileiro está sendo adequada? Houve críticas a algumas declarações polêmicas do ministro da Saúde e há quem avalie que o governo poderia ter sido mais incisivo nos alertas às mulheres grávidas, em vez de apenas sinalizar que é um assunto a ser discutido entre a mulher e seu médico.
     
    Savino — Quando você vive uma crise que nunca houve na história da humanidade, é difícil avaliar este tipo de questionamento. Eu estou dramatizando, mas é verdade. Nunca houve epidemia de zika relacionada a tantos casos de microcefalia, então não temos conhecimento de base, há muito pouco conhecimento disponível, e a questão fundamental aqui é o processo. Do ponto de vista do processo, do que vem acontecendo e sendo feito desde o ano passado, eu acho que estamos dando uma boa resposta.
     
    BBC Brasil — Um artigo da revista científica Nature levantou dúvidas sobre os números da epidemia no Brasil e disse que o fato de estarmos olhando os casos de microcefalia mais de perto pode ter gerado uma atenção maior e por isso haveria maior registro de casos. Como o senhor recebeu esta análise?
     
    Savino — A primeira coisa é a pertinência da análise, e a análise é bastante pertinente. Quando você quer investigar algo, você olha com mais atenção para aquilo, é claro. Mas mesmo peneirando uma peneira fina, na associação de casos confirmados de microcefalia, nós já temos o dobro de 2014.
     
    Outro ponto é que, apesar de ainda não termos evidência científica, muito provavelmente temos a ligação entre o zika vírus e os casos de microcefalia. Não há dúvida de que os números precisam ser revistos, mas o fato é que a quantidade de indivíduos com confirmação de microcefalia e sintomas clínicos de zika também aumentou.
     
    Apenas no IFF, aqui no Rio já temos 12 casos com esta relação, o que é mais do que o dobro do registrado no ano passado inteiro. Se não forem os 4.180 casos suspeitos de microcefalia, que sejam 300. De qualquer forma é maior do que a série histórica. É algo de novo que está acontecendo, e que precisamos entender.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
     
  • Por que o Brasil não consegue se livrar de novo do mosquito Aedes aegypti?

    Por que o Brasil não consegue se livrar de novo do mosquito Aedes aegypti?

    O mosquito Aedes aegypti, transmissor do zika, foi eleito o “inimigo número um do Brasil”, segundo o ministro da saúde Marcelo Castro. No entanto, após erradicar por duas vezes o mosquito, o país não consegue mais se livrar do vetor de ao menos mais três doenças: dengue, chikungunya e febre amarela. A razão do Brasil ter conseguido eliminar o mosquito com menos tecnologias não é simples. Sim, houve um relaxamento no combate, mas outros fatores pesam para o Aedes escapar das nossas mãos – neste caso, literalmente.
     
    A ameaça amarela
     
    O combate ao mosquito foi primeiramente realizado na década de 50 contra o então avanço da febre amarela no Brasil. À época, Oswaldo Cruz comandou uma campanha contra o Aedes que terminou por erradicar o inseto em 1958. A ação foi realizada em quase todo o continente americano com sucesso. As poucas exceções, contudo, foram preponderantes para a volta do mosquito.
     
    “Perdemos a guerra para nós mesmos. Contra o Aedes, ganhamos na década de 50, quando foi considerado extinto. Ele não é um bicho nosso, é exótico. Por não ser um bicho nosso, foi possível erradicá-lo na década de 50, menos no sul dos Estados Unidos e algumas pequenas ilhas do Caribe. Não deu outra: em 67, ele entrou no Belém do Pará e em outros países”, explicou professor José Carvalheiro, do IEA-USP (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo), em participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite da última segunda (1°).
     
    Realmente o mosquito voltou a assombrar o Brasil nos anos 60, mas novamente a batalha foi vencida – em 1973, novamente a OMS declarava o Brasil livre do inseto. Daí em diante a situação nunca foi controlada.
     
    O Mosquito Contra-Ataca
     
    O retorno do mosquito ao Brasil passa por duas razões principais. Uma é que houve um relaxamento tanto governamental quanto da população em relação ao inseto. Por muito tempo, não se combateu o inseto como se deveria – não à toa, o país completa em 2016 uma data significativa: 30 anos de epidemias sucessivas de dengue. Outra razão para a volta do inseto ao território nacional é uma resistência cada vez maior do inseto ao combate. Sim, atualmente ele é até mais capaz de escapar das suas mãos.
     
    “Hoje em dia não podemos usar os defensivos de antigamente porque se mostraram tóxicos- DDT não se usa mais. Existem outros, menos tóxicos, mas talvez não tão eficazes. O mosquito hoje é mais difícil de matar, por uma seleção natural ele consegue fugir mais, é mais rápido”, relatou Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan.
     
    O Aedes também tornou-se mais flexível e resistente, e hoje vive também em temperaturas mais amenas –não apenas em locais quentes– e pode se reproduzir em águas não tão limpas, explicou o pesquisador. 
     
    São somadas a isso novas doenças que ele é capaz de transmitir – além das já citadas, também é vetor da febre do Nilo ocidental, (ainda) inexistente no Brasil.
     
    A alta urbanização do Brasil nas últimas décadas também ajudou e muito o inseto, tanto para a sua reprodução quanto para a transmissão de doenças em regiões com maior população.
     
    Qual o foco?
     
    Em meio ao combate, uma discussão ronda os meios científicos: o que é melhor, erradicar o mosquito ou manter a população do inseto controlada? Um terceiro viés surge em meio a essas teorias: o combate não deve ser ao mosquito, mas sim aos criadouros, afirma a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Além da simples visitação de casa – o foco a longo prazo deveria ser em ampliar o saneamento básico e acesso à água corrente para a população.
     
    “A posição atual que defendo é a da Abrasco, de que está errado apostar na erradicação e controle dos mosquitos, tem que pensar na eliminação dos criadouros. Isso implica em abastecimento de água contínuo em todas as moradias do país e saneamento”, afirmou Carvalheiro.
     
    Por enquanto, o Ministério da Saúde e secretarias manterão a mesma tendência: o apelo à sociedade para que se junte à luta. “Precisamos ganhar a guerra contra o inimigo número um do Brasil: o mosquito Aedes. O governo federal está fazendo o máximo esforço, como nunca foi feito, juntamente com a sociedade. Se juntarmos ministério, secretarias e a sociedade, ganharemos a batalha”, disse Marcelo Castro, ministro da Saúde, durante a entrevista no Roda Viva. 
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Sanofi lança pesquisa para vacina contra zika

    Sanofi lança pesquisa para vacina contra zika

    GENEBRA – A Sanofi Pasteur respondeu ao apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e anunciou que está se lançando na busca de uma vacina contra o zika vírus. Em um comunicado, a empresa francesa indicou que sua vacina contra a dengue está prestes a ser lançada e não descarta usar o produto também como forma de inibir o zika.
     
    Com 1 bilhão de doses de vacinas produzidas por ano e atendendo a 500 milhões de pessoas, a Sanofi Pasteur não esconde que a nova produção para o zika vírus pode levar anos. Mas, ainda assim, insiste que poderá apoiar sua pesquisa no desenvolvimento de outros produtos.
     
    Para os franceses, “o sucesso obtido no desenvolvimento de vacinas contra vírus similares” pode acelerar o processo. Um deles seria a vacina contra a dengue que, em 20 anos, já custou 1 bilhão de euros para a empresa. Conhecida como Dengvaxia, a nova vacina recebeu seu primeiro sinal verde em dezembro dos reguladores mexicanos. 
     
    Na avaliação dos cientistas da empresa, as similaridades entre dengue e zika – ambos espalhados pelo mosquito Aedes aegypti – poderia tornar possível o uso da Dengvaxia contra ambas doenças, ainda que no caso do zika vírus a eficiência poderia ser menor. 
     
    Se não for confirmada sua eficiência, a Sanofi acha que pelo menos o novo produto poderia “mostrar o caminho” para uma vacina que possa funcionar. A empresa admitiu que está avaliando se os testes clínico de Dengvaxia na América Latina podem ser adaptados para a pesquisa sobre o zika. 
     
    “A Sanofi Pasteur responde ao apelo mundial para desenvolver uma vacina contra o zika vírus, justificado pela rápida propagação da doença e dos riscos de complicações médicas”, indicou Nicholas Jackson, diretor de Pesquisa da multinacional e encarregado do novo projeto.
     
    Fonte: Uol Saúde