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  • Conselho de medicina amplia critérios para cirurgia de obesidade

    Conselho de medicina amplia critérios para cirurgia de obesidade

    O CFM (Conselho Federal de Medicina) ampliou as indicações para que pessoas com obesidade moderada possam fazer a cirurgia de redução de estômago.
     
    Antes, uma resolução da entidade afirmava que quem tinha IMC (índice de massa corporal) acima de 35 só poderia fazer uma cirurgia bariátrica se tivesse diabetes, hipertensão, apneia, colesterol, doenças das articulações ou “outras doenças”.
     
    Agora, um novo texto descreve e amplia essa categoria “outros”. A lista de doenças que podem levar à indicação da cirurgia para quem tem IMC acima de 35 ganhou 21 doenças, incluindo problemas cardiovasculares, depressão, disfunção erétil, infertilidade, asma grave e refluxo gástrico.
     
    “Esse `outros` podia incluir qualquer coisa, mas não é qualquer coisa que vamos tratar com cirurgia bariátrica”, diz Ricardo Cohen, médico que participou da elaboração da resolução e é coordenador do centro de obesidade e diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “E quem tinha, de fato, outra doença associada à obesidade e precisava da cirurgia, não tinha a liberação dos planos de saúde.”
     
    Para Bruno Geloneze, endocrinologista da Unicamp, não há risco de o rol maior levar a um aumento de cirurgias desnecessárias. “Pelo contrário. O texto anterior dava margem para indicações imprecisas. Agora está tudo bem discriminado.”
     
    Almino Ramos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, afirma, que desde 2010, novos estudos foram elaborados e, portanto, a adequação era necessária.
     
    As mudanças já valem a partir desta quarta (13), inclusive na rede pública. Ramos afirma que 95% das pessoas com obesidade moderada que precisavam da operação se encaixavam nos critérios anteriores. Com as mudanças, o número de cirurgias pode aumentar de 5% a 10% –anualmente, são cerca de 100 mil cirurgias bariátricas no país, segundo o médico.
     
    A indicação clássica da cirurgia, que é para pessoas com obesidade grave (IMC acima de 40), permanece.
     
    A nova resolução também estabelece que, quando o paciente tiver entre 16 e 18 anos, um pediatra deve fazer parte da equipe profissional para comprovar que a curva de crescimento do adolescente está completa.
     
    Além disso, o texto deixa claro que, antes dos 16 anos, a cirurgia bariátrica deve ser considerada experimental. “Não existe nenhum trabalho mostrando benefício e segurança da operação nessa faixa. Talvez haja exceções, mas não pode ser algo feito em série”, diz Cohen.
     
    No mesmo tema, o CFM deixa claro o que é uma técnica experimental e quais são as técnicas aceitas.
     
    NOVO CRITÉRIO
     
    Seis entidades médicas do país já enviaram ao CFM um texto pedindo uma nova modificação: que a obesidade deixe de ser o principal critério para a indicação da cirurgia de redução de estômago.
     
    Elas criaram um conjunto de indicadores (chamado escore de risco) que levam em conta as doenças do paciente e definem se ele é candidato à cirurgia, independentemente do IMC.
     
    “A prioridade é o risco, e o IMC sozinho não define isso. Uma pessoa com um IMC menor, de 36, por exemplo, pode ter também hipertensão, diabetes e histórico de infarto. Não é só acúmulo de peso, mas também de doenças que conta. Essa é uma segunda frente de discussão com o CFM”, diz Ramos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Por que cirurgia bariátrica reduz apetite por açúcar?

    Por que cirurgia bariátrica reduz apetite por açúcar?

    Alguns tipos de cirurgias bariátricas, como a com bypass gastrointestinal, realizada para o tratamento de obesidade mórbida e diabetes – por meio da qual é feito um desvio para redirecionar o alimento do estômago para a parte inferior do intestino delgado do paciente –, podem causar a diminuição do apetite pelo açúcar, já observavam especialistas na área.
     
    Um estudo realizado por pesquisadores da Yale University, dos Estados Unidos, em colaboração com colegas de outras intistituições americanas, além da China e do Brasil, constatou que esse tipo de cirurgia bariátrica é capaz de causar essa inibição por afetar o funcionamento do cerébro, reduzindo a liberação do neurotransmissor dopamina, associado ao prazer e à recompensa.
     
    O estudo, publicado na revista Cell Metabolism e destacado pela revista Nature, teve a participação da pesquisadora Tatiana Lima Ferreira, do Centro de Matemática, Computação e Cognição (CMCC) da Universidade Federal do ABC (UFABC).
     
    A pesquisadora obteve uma Bolsa no exterior da FAPESP para realizar pesquisa na Yale University, no laboratório coordenado pelo pesquisador brasileiro Ivan Eid Tavares de Araújo, responsável pelo estudo.
     
    “Já se sabia que cirurgias bariátricas, como a com bypass, causavam a perda do apetite por alimentos doces, mas ainda não era conhecido qual o mecanismo por trás disso. O estudo pode ajudar a compreender como ocorre a interação entre o cérebro e o estômago de pacientes submetidos a esse tipo de procedimento”, disse Ferreira à Agência FAPESP.
     
    A fim de avaliar o potencial que o açúcar tem de desencadear hábito ou dependência por seu consumo crônico, os pesquisadores realizaram um experimento em que, inicialmente, expuseram um grupo de camundongos durante 13 dias a determinadas quantidades do carboidrato por eles autoadministradas ao lamber o bico de um bebedouro com um líquido açucarado.
     
    Para analisar se esses animais que ingeriram cronicamente açúcar continuavam a buscar o carboidrato mesmo depois de satisfazer sua saciedade, eles realizaram um segundo experimento: injetaram diretamente no estômago dos camundongos uma quantidade equivalente de açúcar àquela autoadministrada no primeiro experimento e os expuseram novamente ao bebedouro com líquido açucarado.
     
    Os pesquisadores observaram que os animais continuaram a lamber o bico do bebedouro com líquido açucarado para consumir mais açúcar.
     
    “O experimento demonstrou que a administração crônica de açúcar induziu um comportamento habitual nos animais. Isso não ocorreu com outro grupo de camundongos expostos cronicamente a adoçante”, comparou Ferreira, referindo-se a um terceiro experimento realizado pelo grupo.
     
    Os pesquisadores começaram a investigar o que acontecia no encéfalo dos camundongos que autoadministraram a ingestão de açúcar.
     
    Os resultados das análises indicaram que durante a autoadministração de açúcar ocorria um aumento da liberação de dopamina em uma região específica do cérebro dos animais, o estriado dorsal.
     
    “Observamos que os circuitos cerebrais envolvidos com o comportamento compulsivo por açúcar são bastante similares aos relacionados com a dependência de drogas”, disse Ferreira.
     
    O próximo passo dos pesquisadores foi verificar se camundongos expostos cronicamente ao açúcar e submetidos à cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal também desenvolviam o hábito de ingerir o carboidrato.
     
    O procedimento de alteração da rota gastrointestinal realizado nos camundongos, semelhante ao feito em humanos – em que é feita uma conexão direta do estômago com uma parte inferior do trato gastrointestinal, chamada jejuno –, suprimiu a compulsão dos animais por açúcar ao reduzir a liberação de dopamina na região cerebral do estriado dorsal induzida pela ingestão do carboidrato, afirmou Ferreira.
     
    “Mesmo expostos cronicamente ao açúcar, os camundongos submetidos à cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal passaram a não apresentar mais o comportamento de querer sempre mais açúcar em razão da diminuição da liberação de dopamina no estriado dorsal”, explicou.
     
    “Provavelmente, a compulsão por açúcar não está associada ao sabor doce, mas à caloria do carboidrato”, avaliou.
     
    Reativação do hábito
     
    A descoberta de que a cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal é capaz de diminuir o apetite por açúcar ao reduzir a liberação de dopamina na região cerebral do estriado dorsal estimulou os pesquisadores a realizar um outro experimento em que reativaram o hábito de consumir o carboidrato por camundongos submetidos ao procedimento por meio da estimulação dos receptores dopaminérgicos.
     
    Por meio de uma técnica avançada de neurociência, chamada optogenética – em que é injetado um vírus em uma região específica do cérebro para fazer com que os neurônios daquela região cerebral expressem uma proteína sensível à luz –, os pesquisadores conseguiram ativar neurônios que expressam receptores dopaminérgicos no cérebro dos animais.
     
    Com isso, os animais aumentaram o consumo de substâncias adocicadas, derrubando os efeitos da cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal.
     
    “Conseguimos induzir o comportamento de hábito de consumir açúcar mesmo nos camundongos que foram submetidos à cirurgia bariátrica com bypass gastrointestinal e que só tinham ingerido adoçante pela simples ativação da via dopaminérgica na região do estriado dorsal”, afirmou Ferreira.
     
    Os pesquisadores também constataram que, por outro lado, lesões nos neurônios que expressam receptores dopaminérgicos na região do estriado dorsal do cérebro dos animais são capazes de abolir o comportamento compulsivo por açúcar.
     
    Fonte: Portal Exame
  • Desvendado mecanismo celular da demência

    Desvendado mecanismo celular da demência

    O Alzheimer é uma das doenças com maior incidência na população idosa. A cura para o tipo mais comum de demência ainda não existe, mas pesquisadores têm se dedicado a descobrir como ela é desencadeada no cérebro. Segundo eles, essa é a melhor saída no sentido de um tratamento eficaz. Com esse objetivo, pesquisadores da Inglaterra realizaram experimentos em ratos e observaram elementos cerebrais distintos ligados à memória e à localização nas cobaias com demência. Os investigadores do estudo, publicado hoje na revista internacional Journal of Neuroscience, acreditam que os achados podem ser semelhantes ao que ocorre no corpo humano, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas terapias para enfermidades neurodegenerativas.
     
    A ideia da pesquisa surgiu a partir dos resultados de um estudo anterior apontando a existência de células no cérebro ligadas à localização espacial (leia Para saber mais). “Em 2014, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia foi dado a John O’Keefe, Edvard Moser e May-Britt Moser. Juntos, eles têm descrito o sistema de navegação do cérebro — composto pelas células de lugar e células de grade. No entanto, não havia um entendimento real de como esses sistemas são interrompidos na demência, que é o que nos propusemos a descobrir”, contou ao Correio Jon Brown, pesquisador da Universidade de Medicina de Exeter, no Reino Unido.
     
    No primeiro experimento, os cientistas analisaram o córtex entorrinal de ratos, onde estão as células de grade. Essa região é associada a funções como a formação de memória e a navegação. Os pesquisadores descobriram que células de grade têm padrões diferentes: ficam mais concentradas na parte superior do córtex entorrinal. Para eles, esse gradiente de cima para baixo, com diferentes escalas, contribui para o senso de direção.
     
    Depois, a equipe comparou a atividade no córtex entorrinal de roedores saudáveis com o de cobaias que tinham demência e descobriu que as escalas distintas não estavam presentes nos animais do segundo grupo, o que poderia provocar falhas na navegação natural desses bichos. “Essa é uma descoberta animadora, porque é a primeira vez que a atividade das células da grade é associada ao aparecimento da doença”, destacou Brown.
     
    Em humanos
     
    Na segunda etapa da investigação, foram analisadas as células de lugar, localizadas no hipocampo — estrutura ligada à aprendizagem e à memória. Os cientistas observaram que, nos ratos com a doença neurodegenerativa, essa região sofria perturbações ligadas à sinapse (a comunicação entre os neurônios) e às funções celulares, o que prejudicaria a memória. Os dois achados, sustenta a equipe, poderiam ser observados em humanos devido à semelhança entre os dois organismos.
     
    “Há bastante evidências as quais sugerem que a fisiologia básica de navegação espacial é similar em humanos e roedores, embora haja uma probabilidade de haver algumas diferenças também. Curiosamente, um outro grupo publicou um estudo em pacientes com um risco genético de contrair a doença de Alzheimer e encontrou alterações em funções das células de grade. Isso sugere que estamos no caminho certo com os estudos em roedores”, destaca Brown.
     
    Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico (RJ), avalia que o estudo britânico mostra dados conhecidos quanto às células de grade e às células de lugar, mas destaca que os pontos até então desconhecidos poderão fazer diferença em pesquisas futuras. “Embora saibamos que existem esses modelos de células, não se tinha a percepção da concentração. Nesse estudo, vemos que as células de grade estão mais presentes na parte superior da região entorrinal. Com essas informações, as chances de surgirem novas opções terapêuticas são maiores”, explica.
     
    Cláudia Barata Ribeiro, neurologista, fisiatra e presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física (ABBR-DF), também acredita que detalhes mostrados no estudo britânico poderão ajudar no desenvolvimento de intervenções mais eficazes. “É importante saber que, no córtex entorrinal, temos uma camada mais densa dessas células e onde ela está, já que isso pode influenciar em problemas de localização, um dos sintomas do Alzheimer”, diz.
     
    Ribeiro conta que, anos atrás, em estudos com Parkinson, foi visto que faltava dopamina em uma região específica do cérebro, o que interferiria na doença. “Agora, temos novos dados sobre essas camadas distintas. Isso pode ser mais um passo em direção a novos tratamentos”, complementa.
     
    Necessidade de mais estudos
     
    A incidência do Alzheimer tende a aumentar devido ao envelhecimento da população. Um dos maiores levantamentos já feitos sobre a enfermidade — conduzido pelo centro de pesquisa londrino Alzheimer’s Disease International (ADI) — mostra que ela atinge 35,6 milhões de pessoas no planeta, e a previsão é de que esse número chegue a 65,7 milhões em 2030 e a 115,4 milhões em 2050.
     
    “Trata-se de uma preocupação no mundo inteiro porque, com a longevidade, existe um aumento no número de casos de doenças que provocam a demência, sendo o Alzheimer o mais frequente desse problema. Por isso, é importante que surjam mais pesquisas como essa”, destaca Cláudia Barata Ribeiro, presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física (ABBR-DF).
     
    Os autores do estudo britânico divulgado hoje no Journal of Neuroscience também defendem mais dedicação científica ao tema. “A demência é um dos maiores desafios da saúde do nosso tempo e ainda temos muito a aprender sobre as suas causas, bem como sobre como nosso cérebro funciona. Essa pesquisa faz progressos em ambas as áreas. É um pequeno passo ao longo da estrada para novos diagnósticos, tratamentos e terapias”, destaca Jon Brown, pesquisador da Universidade de Medicina de Exeter.
     
    O trabalho dos pesquisadores terá continuidade. “Usando esses e outros modelos de ratos com demência, pretendemos investigar alguns dos mecanismos celulares e a sináptica detalhada que fazem com que ocorra essas perturbações aos sistemas de navegação do cérebro”, adianta. (VS)
     
    “Ainda temos muito a aprender sobre as suas causas (da demência), bem como sobre como nosso cérebro funciona. É um pequeno passo ao longo a estrada para novos diagnósticos, tratamentos 
    e terapias”.
     
    Fonte: Correio Braziliense
     
  • Anvisa aprova novos medicamentos e vacina

    Anvisa aprova novos medicamentos e vacina

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registros a novos produtos. Um dos avais diz respeito à vacina contra a poliomielite 1, 2 e 3 produzida pela Fundação Oswaldo Cruz. Será a primeira vez que uma empresa pública brasileira fabricará o produto.
     
    A Anvisa também publicou a concessão do registro a mais um medicamento genérico ainda inédito no mercado brasileiro. Trata-se do Exemestano, um antineoplásico indicado para o tratamento de mulheres na pós-menopausa, com câncer de mama inicial. O medicamento ajuda a reduzir o risco de o câncer se alastrar para a outra mama.
     
    O Exemestano será fabricado pelo laboratório Accord. O genérico inédito cria novas alternativas para médicos e pacientes e estabelece uma concorrência um um mercado até então sem concorrência.
     
    Outra novidade é o registro do antineoplásico Tafinlar, cujo nome do princípio ativo é mesilato de dabrafenibe. Trata-se de um produto novo indicado para o tratamento de pacientes com melanoma metastásico. Será fabricado pelo Laboratório Glaxosmithkline Brasil.
     
    Fonte: Portal Brasil
  • Será que só o zika é o culpado pela microcefalia?

    Será que só o zika é o culpado pela microcefalia?

    Quase dois meses se passaram desde que o Ministério da Saúde estabeleceu a associação entre o vírus zika e o aumento de casos de microcefalia que atinge Estados do Nordeste, mas cada vez mais surgem dúvidas se o zika, sozinho, é o responsável pelas graves lesões cerebrais que atingem mais de 3.000 bebês no país.
     
    Em entrevista coletiva na última sexta (8), pesquisadores do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), da USP, levantaram hipóteses de que há mais caroço nesse angu do que a gente imagina.
     
    Algumas dúvidas básicas: por que o vírus não aumentou a incidência de microcefalia no oeste da África, o seu berço? Ou por que, no Brasil, os casos de microcefalia se concentram majoritariamente em Pernambuco se, pelas estimativas do Ministério da Saúde, há outras regiões com mais incidência de zika, entre elas São Paulo?
     
    Uma das respostas mais esperadas é se o vírus zika que circula no Brasil, já sabidamente vindo da Ásia, sofreu alguma mutação no DNA que o tornou capaz de provocar danos nas células nervosas.
     
    Os pesquisadores do ICB estão realizando experimentos com camundongos para tentar reproduzir o que ocorre no sistema neurológico dos bebês. Querem saber, por exemplo, se os danos são causados diretamente pelo vírus ou por algum tipo de reação do sistema imunológico.
     
    Também estudam a interação do zika com os vários subtipos do vírus da dengue que circulam no país. Citam o exemplo da dengue hemorrágica, que pode ocorrer quando uma pessoa é infectada por dengue pela segunda vez, em que há uma reação violenta de células imunes contra células invadidas pelo vírus.
     
    Uma hipótese dos cientistas é que o zika esteja provocando uma reação imune desse tipo, mas com efeito mais grave no feto do que na grávida que contraiu o vírus. Há também a suposição de que, talvez, nem seja o zika o responsável pelos casos de microcefalia, mas isso é pouco provável nessa altura. Um bom texto sobre o risco das correlações apressadas foi escrito pelo médico Luis Cláudio Correa, autor do blog “Medicina Baseada em Evidência”. 
     
    O fato é que enquanto todos os holofotes estão no zika e na microcefalia, a dengue já chegou com tudo em São Paulo e no interior. Vários infectologistas relatam aumento de casos em seus consultórios e hospitais, mas os dados epidemiológicos consolidados ainda devem demorar um pouco para serem divulgados. O verão promete.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo Online
  • Arma natural contra o diabetes

    Arma natural contra o diabetes

    Cientistas descobriram, no corpo humano, uma enzima capaz de reduzir efeitos tóxicos do excesso de açúcar. O achado pode abrir caminho para novos tratamentos contra o diabetes e a obesidade. Um time de cientistas canadenses descobriu, dentro do corpo humano, uma potencial arma contra as consequências nocivas do consumo exagerado de doces. Pesquisadores da Universidade de Montreal identificaram uma enzima capaz de reduzir os efeitos tóxicos do excesso de açúcar no organismo, fazendo com que o corpo absorva apenas uma quantidade benéfica de glicose. O achado pode abrir caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2 — aquele contraído ao longo da vida por causa, especialmente, de maus hábitos alimentares.
     
    Chamada de glicerol 3-fosfato fosfatase (G3PP, na denominação em inglês), a tal enzima tem papel-chave na regulação da quantidade de glicose que cada célula utiliza. Segundo os autores da pesquisa, publicada ontem na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, a G3PP está presente em todos os tecidos do corpo de mamíferos e pode ter um efeito “detox” no organismo, eliminando o excedente de glicose.
     
    Esta enzima é um dos principais agentes que participam da quebra das moléculas de açúcar dentro das células. Porém, esse processo sempre gera um subproduto — chamado de glicerol-3 fosfato — que, quando em excesso, é tóxico ao organismo: prejudica vários tecidos e danifica as células beta do pâncreas, que são as produtoras de insulina, hormônio que regula o nível de glicose no corpo. O que chamou a atenção dos cientistas canadenses foi a característica única da enzima G3PP de transformar o glicerol-3 fosfato em glicerol simples e retirá-lo da célula, impedindo, assim, que atinja os órgãos.
     
    — Quando a glicose está anormalmente elevada no corpo, o glicerol-3 fosfato derivado da glicose atinge níveis excessivos dentro das células. Este metabolismo exagerado pode danificar vários tecidos. Constatamos que a G3PP é capaz de repartir uma grande parcela deste excesso de glicerol-3 fosfato e desviá-lo para fora da célula, protegendo, assim, as células-beta produtoras de insulina e vários órgãos dos efeitos tóxicos gerados pelo alto nível de glicose — explica o cientista Marc Prentki, um dos autores do estudo.
     
    Segundo a pesquisa, o corpo não produz, naturalmente, uma quantidade de G3PP suficiente para inibir os efeitos do excesso de glicose que levam ao diabetes. A equipe quer descobrir quais são “as pequenas moléculas ativadoras de G3PP”, para desvendar o que exatamente impulsiona essa enzima a entrar em ação. O objetivo é, no futuro, desenvolver drogas para tratar distúrbios metabólicos, obesidade e diabetes tipo 2. Para que isso aconteça, porém, ainda faltam muitas pesquisas. De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, Olga Amancio, pode levar décadas entre a descoberta de uma molécula como esta e o lançamento de uma droga a partir dela.
     
    — É preciso ter outras pesquisas do mesmo grupo e de outras equipes até que essa descoberta se consolide. É um resultado muito interessante, e será ótimo se realmente servir para diabéticos. Mas ainda temos muitas perguntas a serem respondidas: será que esta enzima só funciona até certo ponto e é por isso que a gente engorda? Será que algumas pessoas, dependendo da herança genética, podem tirar mais proveito dessa enzima? São dúvidas que somente novos estudos esclarecerão — analisa Olga.
     
    Para Marc Prentki, não se pode negar que a pesquisa abre horizontes em relação à compreensão do metabolismo. — Desde a década de 1960, é muito raro encontrar uma nova enzima no coração do sistema metabólico em todos os tecidos de mamíferos, e é provável que esta enzima passe a fazer parte dos manuais de bioquímica — acredita o canadense.
     
    Segundo recomendação feita no ano passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de açúcar não deve ultrapassar 10% das calorias ingeridas diariamente, em uma dieta saudável, o que representa cerca de 50g. Neste cálculo, não entra o açúcar presente naturalmente em frutas, verduras, legumes e leite fresco. Ao contrário, o consumo desses alimentos in natura é estimulado pela OMS para toda a população, em todas as faixas etárias. A restrição a 10% se refere ao açúcar de produtos industrializados, como biscoitos, bolos e refrigerantes.
     
    — Em geral, entende-se que até 60% da dieta podem ser compostos por carboidratos, o que inclui os diversos tipos de açúcar. A preferência, claro, deve ser dada a ingredientes naturais — esclarece o endocrinologista Pedro Assed, pesquisador do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (Iede).
     
    De acordo com Assed, o grande malefício do excesso de açúcar no nosso corpo é um “estresse oxidativo no organismo”. — O indivíduo com diabetes tem mais risco de ter cegueira, doenças do coração etc. O processo de quebra de glicose é danoso a diversas partes do corpo. A grande ideia da pesquisa é que essa quebra passe a ser inofensiva.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Alta de microcefalia reacende debate sobre aborto legal

    Alta de microcefalia reacende debate sobre aborto legal

    Com 12 semanas de gestação, Joana (nome fictício) foi infectada pelo vírus zika. Sua cidade, no interior da Bahia, registrou um surto da doença em março de 2015. Na 30ª semana, um ultrassom morfológico mostrou que o feto tinha graves lesões cerebrais, como dilatação dos ventrículos (cavidades), calcificação e microcefalia.
     
    Diante do prognóstico de uma vida de muita limitação, ela o marido decidiram interromper a gravidez. O obstetra particular que a atendia desde o início da gestação indicou um outro colega para fazer o procedimento.
     
    No consultório, foi aplicada uma injeção de cloreto de potássio no coração do feto. Com o diagnóstico de “óbito fetal”, Joana foi levada a um hospital privado. Lá recebeu medicação para induzir o parto normal. Dois dias depois, ela recebeu alta.
     
    A história foi relatada à Folha pelo obstetra de Joana. “As lesões cerebrais eram gravíssimas, a criança teria sérios problemas físicos e mentais. Eles Joana e o marido não se arrependeram da decisão”, diz o médico, que não quer ser identificado.
     
    Também na condição de anonimato, outros dois obstetras que atuam na rede privada de Pernambuco e Paraíba relatam situações parecidas. Os casos configuram crime contra a vida. A gestante pode sofrer pena de detenção de até três anos. Já os médicos podem ser condenados a reclusão de até quatro anos, além de perda do registro profissional.
     
    Para especialistas, casos de feticídio (morte provocada do feto) por microcefalia podem estar ocorrendo de forma isolada e clandestina. “Pessoas que têm recursos e acesso à assistência podem fazer o aborto, como já fazem em outras situações, até para síndrome de Down. Mas ninguém fica sabendo. Para quem tem dinheiro no Brasil, as leis são diferentes”, afirma o ginecologista Olímpio de Moraes, professor na Universidade de Pernambuco.CASOS
     
    Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, há 3.174 casos suspeitos da microcefalia em recém-nascidos de 684 municípios de 21 Estados. Existem 38 óbitos de bebês sendo investigados. O Ministério da Saúde diz que esses óbitos se referem a bebês que nasceram vivos e morreram depois. Informa ainda que desconhece casos de abortos legais ou ilegais em razão de microcefalia.
     
    Para sete especialistas ouvidos pela Folha, o aumento de casos de microcefalia deverá reacender o debate sobre a ampliação do aborto legal no país para outras situações de más-formações graves.
     
    O Código Penal permite o aborto em casos de estupro e de risco à vida da mãe. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal autorizou a interrupção da gravidez de anencéfalos (fetos sem cérebro) sob o argumento de que os bebês não sobrevivem fora do útero.
     
    Segundo o obstetra Cristião Rosas, delegado do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), há várias síndromes genéticas incompatíveis com a vida, como Edwards e Patau, que merecem o mesmo tratamento jurídico dado aos casos de anencefalia. “Muitos juízes já autorizam o aborto nesses casos, mas são decisões individuais, dependem de cada um.”
     
    Uma dessas decisões foi a do juiz Jesseir de Alcântara, de Goiânia, que autorizou o aborto de um feto de 25 semanas com a síndrome de Edwards, doença que causa uma série de más-formações. O juiz considerou a morte “certa” e que não haveria procedimento médico capaz de corrigir as deficiências desenvolvidas pelo feto.
     
    Para o advogado Paulo Leão, procurador no Rio de Janeiro e membro do Movimento Brasil sem Aborto, interromper a gravidez no caso de microcefalia ou em qualquer outra má-formação é “inaceitável sob todos os pontos de vista”. “É eugenia.”
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Anvisa publica manual sobre registro eletrônico de medicamentos

    Anvisa publica manual sobre registro eletrônico de medicamentos

    A Anvisa publicou o novo Manual do Usuário do Peticionamento de Registro Eletrônico de Medicamentos .
     
    Com o Manual de Registro Eletrônico de Medicamentos, os usuários contam com o passo a passo do registro eletrônico de medicamentos.
     
    O processo de registro está descrito na resolução RDC 60/2014.
     
    O registro de medicamentos foi instituído em 20 de abril de 2013, por meio da resolução RDC 20/2013 que regulamenta o registro de medicamentos no Brasil por meio eletrônico.
     
    Fonte: Anvisa
     
  • Bactéria mortal é mais predominante do que se pensava, diz estudo

    Bactéria mortal é mais predominante do que se pensava, diz estudo

    Bangcoc, 11 Jan 2016 (AFP) – Uma doença bacteriana frequentemente mortal e difícil de tratar é muito mais predominante do que se pensava, matando dezenas de milhares de pessoas no mundo a cada ano – informaram pesquisadores nesta segunda-feira.
     
    A Melioidose, também conhecida como doença de Whitmore, há muito tem sido conhecido por ser endêmica em partes da Ásia Meridional e Oriental, no Pacífico e norte da Austrália.
     
    Mas uma nova análise por uma equipe internacional de pesquisadores sugere que a doença está presente também através de faixas da América do Sul e na África subsaariana e provavelmente presente em partes da América Central, sul da África e no Oriente Médio.
     
    “Nossas estimativas sugerem que melioidose é severamente sub-relatada nos 45 países em que é conhecida por ser endêmica e que a melioidose é provavelmente endêmica em mais 34 países que nunca relataram a doença”, afirmou, em relatório, a equipe de pesquisadores liderados pela Universidade de Oxford, o Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit (MORU) em Bangcoc e a Universidade de Washington em Seattle. 
     
    O documento foi publicado nesta segunda-feira na revista Nature Microbiology.
     
    É a primeira vez que os cientistas tentaram mapear a propagação global da doença utilizando modelagem computacional baseada em dados de surtos conhecidos que remontam a 1910 e vão até os dias atuais. 
     
    A doença, que frequentemente afeta a população rural de baixa renda que trabalha nos campos, é notoriamente difícil de diagnosticar porque 'imita' muitas outras infecções bacterianas, mas só responde a um punhado de antibióticos. Como resultado, o erro de diagnóstico é comum.
     
    A taxa de mortalidade – em torno de 70 por cento – é chocantemente alta, maior até do que a da gripe aviária H5N1.
     
    Os pesquisadores estimaram que mais de 89.000 pessoas das as 165.000 pessoas que pegaram melioidose em 2015 morreram da doença.
     
    Eles observaram que as mortes globais anuais da doença eram quase tão altas quanto as mortes por sarampo (95.000) e maior do que as mortes por leptospirose (50.000) e dengue (12.500) – “duas prioridades de saúde atuais para muitas organizações de saúde internacionais”.
     
    “A doença mata muitas pessoas e mata silenciosamente”, disse à AFP Direk Limmathurotsakul, chefe de Microbiologia do MORU e co-autor do relatório. 
     
    A doença é causada pela bactéria Burkholderia pseudomallei, que está presente no solo e pode entrar no corpo através de cortes na pele, bem como por meio de inalação.
     
    Na Tailândia, as vítimas mais frequentes são os produtores de arroz que trabalham por horas nos campos do cereal.
     
    Direk disse que o diganóstico de uma infecção por melioidose necessita de um trabalho de laboratório especializado, algo que coloca a Tailândia numa posição de vantagem em relação a seus vizinhos mais pobres como Vietnã, Mianmar e Camboja.
     
    Mas mesmo com os hospitais e laboratórios mais avançados da Tailândia, os números do próprio governo só mostravam sete mortes pela doença no ano passado, provavelmente uma grande subestimação, disse Limmathurotsakul. 
     
    “Esta é uma doença subestimada e sub-relatada”, disse Direk. “A bactéria é difícil de diagnosticar, difícil de tratar e resistente a muitos antibióticos. Precisamos de mais conscientização e ferramentas de diagnóstico”.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Pílula anticoncepcional não aumenta risco de malformações congênitas

    Pílula anticoncepcional não aumenta risco de malformações congênitas

    Tomar uma pílula anticoncepcional antes ou no início de uma gravidez não aumenta o risco de problemas congênitos graves no bebê, de acordo com um estudo britânico publicado nesta quinta-feira (7) no site da “Medical Daily”.
     
    Pesquisadores dinamarqueses e norte-americanos chegaram a esta conclusão –que contradiz os resultados de alguns estudos publicados no passado– depois de estudarem cerca de 900 mil nascidos vivos listados na Dinamarca entre 1997 e 2011.
     
    Cerca de 2,5% das crianças sofriam de problemas congênitos tais como como malformações do sistema nervoso (espinha bífida), do coração, do trato respiratório ou urinário, cabeça ou membros. Questões relacionadas a causas conhecidas, como a síndrome alcoólica fetal ou aberrações cromossômicas (incluindo originalmente trissomia 21) foram excluídos do estudo.
     
    Os pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health descobriram que crianças nascidas de mulheres que continuaram a tomar a pílula após o início da gravidez não tinham maior risco de malformações do que aquelas nascidas de mulheres que nunca tomaram a pílula ou tinham parado antes de engravidar.
     
    A maioria das mães estudadas (68%) tinham parado de tomar contraceptivos orais mais de três meses antes da concepção, enquanto 21% nunca tinham tomado a pílula. Apenas 8% tinha parado a contracepção oral menos de três meses antes da gravidez enquanto 1% continuou a tomar mesmo que já estivessem grávidas.
     
    Mas, em última análise, a taxa de malformações foi praticamente a mesma: cerca de 2,5% após o ajuste para fatores de risco como idade materna, nível de escolaridade ou renda, ou tabagismo durante a gravidez. Esses resultados devem “tranquilizar as mulheres que engravidaram enquanto tomavam contraceptivos orais ou apenas alguns meses depois de pararem de tomá-los”, dizem os autores.
     
    Segundo Brittany Charlton, da Harvard T.H. Chan School of Public Health, eles são ainda mais tranquilizadores já que são baseados em prescrições médicas e não nas declarações de mulheres, que podem ser menos confiáveis?.
     
    Nos anos 70 e 80, vários estudos em pequenos grupos de mulheres encontraram uma associação entre os contraceptivos orais (estrogênio ou progestina) e malformações cardíacas e dos membros. Essa associação, no entanto, não foi encontrada em estudos mais recentes.
     
    Hereditariedade, pesticidas, tabaco, álcool, radiação ionizante, obesidade, aberrações cromossômicas e agentes infecciosos são atualmente considerados os principais fatores de risco para defeitos congênitos.
     
    Tomar certos medicamentos também é tido como um fator de risco, o mais infame deles sendo a talidomida. Prescrito para mulheres grávidas contra a náusea nos anos 50 e início dos anos 60, a droga fez entre 10 mil e 20 mil vítimas, em sua maioria nascidas com membros amputados.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site