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  • Novas drogas contra Aids tiram o HIV de esconderijos no corpo

    Novas drogas contra Aids tiram o HIV de esconderijos no corpo

    Cientistas trouxeram novas esperanças de cura da Aids. Dois estudos publicados na revista científica “PLoS Pathogens” mostraram resultados encorajadores com uma combinação de substâncias que induzem o vírus HIV a sair de seus “esconderijos” no corpo humano, para que, então, seja eliminado do organismo.
     
    Pilar do tratamento da Aids, a terapia antirretroviral mata o vírus na corrente sanguínea, mas não consegue atingir seus reservatórios, indetectáveis pelo sistema imunológico.
     
    A força desses reservatórios ficou clara no caso de um bebê do estado do Mississipi, nos EUA, que recebeu medicamentos antirretrovirais no nascimento e chegou a ficar livre do vírus mesmo após a interrupção do tratamento. Mas ele voltou a se manifestar após dois anos.
     
    Portanto, para erradicar o vírus do corpo e realmente curar o indivíduo, os reservatórios precisam ser ativados e eliminados, a partir de uma estratégia chamada “chutar e matar”, aplicada nas duas novas pesquisas.
     
    Um dos estudos, liderado pela equipe da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, investiga os efeitos do PEP005, substância encontrada num medicamento para câncer de pele, já aprovado pela agência de reguladora dos Estados Unidos, a FDA. A droga, portanto, é comercializada no país e mostrou ter baixa toxicidade, provocando poucos efeitos colaterais.
     
    — Os reservatórios virais em indivíduos infectados pelo HIV são rapidamente reativados após a interrupção da terapia antirretroviral. Portanto, novas estratégias são necessárias para erradicar esse vírus latente — explica um dos principais autores do estudo, Satya Dandekar, da universidade californiana. — Descobrimos que o PEP005, que faz parte de uma nova classe de drogas anticâncer, conseguiu reativar o vírus que estava em latência.
     
    LONGO CAMINHO À FRENTE
     
    Além disso, a combinação de PEP005 e da substância JQ1 reativaram o HIV num nível 7,5 vezes maior se comparada ao PEP005 sozinho. Os cientistas testaram o composto em células cultivadas em laboratório e em amostras do sistema imunológico de 13 pessoas com HIV. A droga, entretanto, ainda não foi testada diretamente em indivíduos infectados.
     
    Reconhecida por suas pesquisas em HIV, a professora Sharon Lewin, da Universidade de Melbourne, considerou os resultados “interessantes” e disse que marcam um “avanço importante na busca por novos componentes capazes de ativar o HIV oculto”. Entretanto, em entrevista à rede britânica “BBC”, ela destacou que muito trabalho ainda precisará ser feito.
     
    — Embora o PEP005 faça parte de um medicamento aprovado pela FDA, vai levar algum tempo para comprovarmos se ele é seguro para uso no âmbito do HIV — afirmou.
     
    No segundo estudo, os pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, mostraram esse resultado de reativação do HIV latente por uma combinação de tratamentos com os chamados agonistas de PKC (prostatina, bryostatina-1 e ing-B) e compostos que liberam a substância P-TEFb (JQ1, I-BET, I-BET151 e HMBA). Eles também foram testados em células cultivadas em laboratório e em amostras do sistema imunológico de indivíduos com HIV. O efeito foi notado 24 horas após a aplicação das drogas.
     
    — Nossos resultados trazem provas de que esta combinação de substâncias pode ser uma estratégia proposta para a cura ou a remissão duradoura da infecção do HIV — comentou a autora principal do estudo, Carine Van Lint.
     
    Fonte: O Globo
  • Governo federal promete ampliar tratamento preventivo contra doenças tropicais

    Governo federal promete ampliar tratamento preventivo contra doenças tropicais

    Embora elogiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem um longo caminho a percorrer caso queira alcançar o compromisso de controlar doenças tropicais negligenciadas (DTNs). Entre os principais desafios estão esquistossomose e hanseníase, cujos indicadores são piores do que os da meta proposta para o país.
     
    Estimativas indicam haver cerca de 7 milhões de pessoas contaminadas por esquistossomose. No caso da hanseníase, os números estão em queda, mas alguns Estados apresentam dados preocupantes, como Mato Grosso, com 9,03 casos a cada 10 mil habitantes; e Maranhão, com 5,29. O ideal é prevalência inferior a 1.
     
    “Acho possível acabar com o problema no prazo determinado”, afirma o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Nardi. Para tentar reduzir novos casos de hanseníase, a pasta promete ampliar a oferta de medicamentos de uso preventivo para aqueles que têm contato não tão próximo com pacientes. Hoje, o uso da quimioprofilaxia preventiva, como é chamada, é para pessoas consideradas mais próximas, como parentes ou habitantes da mesma casa. “É uma maneira de se reduzir a cadeia de transmissão”, diz Nardi.
     
    A localização de casos de hanseníase em São Cristóvão, em Sergipe, mostra que a estratégia pode ter bons resultados. Em um mesmo bairro, a reportagem encontrou três doentes. “Nunca conheci ninguém com o problema”, conta a dona de casa Maria da Gloria. Ela diz que procurou o médico há cinco meses, após apresentar manchas nos braços, que coçavam. Seus cinco filhos fizeram tratamento preventivo. “Fiquei assustada, mas agora, passada a primeira fase do tratamento, estou mais tranquila.”
     
    Nardi reconhece que investimentos na área ambiental são importantes para o controle de parte das DTNs e diz que a tarefa vem sendo cumprida, com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). São Cristóvão, porém, está longe de ter condições mínimas de saneamento. Não é raro ver esgoto despejado em córregos que desembocam em lagos em que crianças brincam. Bicas são compartilhadas para lavar roupas, tomar banho ou encher vasilhas para beber. Andreia dos Santos, de 34 anos, que já teve esquistossomose e outras parasitoses, usa essa água, pois em casa costuma faltar.
     
    Márcia de Souza Lima, uma das autoras do estudo da OMS, destaca dois resultados importantes do Brasil: a redução dos casos de filariose e a contenção da oncocercose, parasitose sem novos casos desde 2012. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
     
  • Vacina contra ebola tem êxito em teste e pode acabar com surto, diz OMS

    Vacina contra ebola tem êxito em teste e pode acabar com surto, diz OMS

    O mundo está pela primeira vez prestes a ser capaz de proteger os seres humanos contra o ebola, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (31), após dados de um teste na Guiné mostraram que uma vacina foi 100 por cento eficaz.
     
    Os resultados iniciais do estudo, que testou a vacina VSV-ZEBOV, da Merck e da NewLink Genetics, em cerca de 4.000 pessoas que estiveram em contato próximo com um caso de ebola confirmado, mostrou 100 por cento de proteção após dez dias.
     
    Os resultados foram descritos como “notáveis” e “virada no jogo” por especialistas em saúde. “Acreditamos que o mundo está prestes a ter uma vacina eficaz contra o ebola”, disse a especialista em vacinas Marie Paule Kieny, da OMS, em uma entrevista à imprensa em Genebra.
     
    A vacina pode agora ser usada para ajudar a acabar com o pior surto de ebola já registrado até hoje, que matou mais de 11.200 pessoas na África Ocidental desde que foi detectado em dezembro de 2013.
     
    A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que os resultados, publicados online na revista médica The Lancet, são um “desdobramento extremamente promissor”. “Esta vai ser uma virada de jogo”, disse ela a jornalistas. “Vai mudar a gestão do atual surto de ebola e de futuros surtos.”
     
    Esse e outros experimentos de imunização foram acelerados com enorme esforço internacional de pesquisadores para conseguirem testar terapias e vacinas enquanto o vírus ainda estava circulando com força.
     
    “Sabíamos que era uma corrida contra o tempo e que o experimento tinha de ser realizado sob as circunstâncias mais difíceis”, diz John-Arne Röttingen, chefe da área de controle de doenças infecciosas no Instituto Norueguês de Saúde Pública e presidente do grupo de acompanhamento do experimento.
     
    A entidade beneficente Médicos sem Fronteiras (MSF), que vem liderando a luta contra o ebola na África Ocidental, está agora apelando para que a VSV-ZEBOV seja levada aos outros focos do surto, Libéria e Serra Leoa, onde a entidade diz que poderia quebrar cadeias de transmissão e proteger os trabalhadores de saúde na linha de frente do atendimento aos doentes.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Existem cinco tipos de câncer de próstata, descobrem cientistas

    Existem cinco tipos de câncer de próstata, descobrem cientistas

    Cientistas britânicos afirmam, estudo publicado nesta quarta-feira (29), que existem cinco tipos diferentes de câncer de próstata. Eles também descobriram como fazer a distinção entre eles.
     
    A constatação, feita por equipe do Cancer Research UK e do Hospital de Addenbrooke, pode ter impacto sobre os tratamentos desses tumores no futuro, já que ajuda a identificar aqueles mais propensos a crescer e se espalhar pelo corpo. O que pode ser fundamental para evitar terapias e cirurgias desnecessárias.
     
    Para chegar à conclusão, a equipe analisou amostras de tecido de próstatas saudáveis e com câncer de mais de 250 homens. Ao se concentrarem em cromossomos anormais e medir a atividade de 100 genes diferentes ligados à doença, os pesquisadores conseguiram determinar a “impressão digital” genética de cada um dos cinco tipos de tumores.
     
    Os resultados, segundo os autores dizem no artigo do periódico EBioMedicine, ainda devem ser confirmados em estudos clínicos com número maior de participantes. Mas eles comentam que esse tipo de análise é mais eficaz para prever quais cânceres são mais agressivos do que os disponíveis atualmente.
     
    Outro passo importante, de agora em diante, será detalhar melhor os mecanismos moleculares de cada tipo específico de tumor de próstata. Esse é o tipo de câncer masculino mais comum.  Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, há cerca de 70 mil novos casos da doença a cada ano.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • 90% dos brasileiros têm medo do envelhecimento, diz pesquisa

    90% dos brasileiros têm medo do envelhecimento, diz pesquisa

    Não ter saúde, apresentar limitações físicas e problemas de memória, solidão e preocupações financeiras estão entre os principais receios do brasileiro em relação à velhice, segundo pesquisa feita pelo Instituto Qualibest e encomendada pelo laboratório Pfizer, que constatou que 90% da população tem medo de envelhecer.
     
    As complicações de saúde aparecem no topo das respostas dos 989 entrevistados do país: foram 77%, seguidos de 72% que afirmaram temer as limitações físicas. Os porcentuais mais altos aparecem nos grupos mais jovens entre 18 e 35 anos. Apesar disso, o levantamento mostrou que os cuidados com a saúde passam a ser adotados de forma mais intensa após a faixa dos 51 anos: 58% têm uma alimentação saudável e 41% praticam atividades físicas. Entre as pessoas de 18 a 25 anos, são 39% e 31%, respectivamente. Para 77% dos entrevistados, é nessa faixa etária que as pessoas devem começar a se preocupar com a alimentação.
     
    “Nunca é tarde para começar, mas se a pessoa inserir hábitos saudáveis desde jovem, ganha lá na frente. Talvez os jovens não tenham se conscientizado dessa importância”, afirma a gerontologista e coordenadora executiva do Centro Internacional de Informação para o Envelhecimento Saudável (Cies), Andrea Prates.
     
    Há cerca de 15 anos, o professor aposentado Nilson Octaviani, de 68 anos, é praticante de escalada e começou a ter hábitos mais saudáveis. “Quando era jovem, praticava esportes, mas deixei de lado por causa da minha atividade profissional. Estava caminhando para a obesidade, com risco de diabete e colesterol alto quando médicos me recomendaram uma vida mais saudável.”
     
    Octaviani diz que isso mudou sua vida. “Estou bem melhor do que antes apesar da idade, que é implacável.  
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Presidente da Anvisa afirma ser contra ampliação do uso de canabidiol

    Presidente da Anvisa afirma ser contra ampliação do uso de canabidiol

    O presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, disse ser contrário à ampliação, neste momento, da indicação terapêutica do canabidiol, substância presente na maconha. Depois da aprovação do uso para casos de epilepsia grave em crianças e adolescentes, movimentos de pacientes e familiares começaram a pressionar para ampliar as indicações.
     
    Barbosa lembra que não há estudos de eficácia sobre o uso do canabidiol. “Foi feita a decisão, acertada, de permitir o uso para casos em que não há alternativa terapêutica”. Mas ele diz que, com exceção do caso já previsto pela Anvisa, não há outra doença que já não haja medicamentos disponíveis e eficazes. “Queremos evitar que sejam feitas no Brasil pesquisas com a substância fora do padrão ético.”
     
    Remédios
     
    Barbosa criticou ainda as regras preparadas pela autarquia para pôr em prática o sistema de rastreamento de remédios e disse esperar do Congresso a aprovação de projeto para ampliar para dez anos o prazo de entrada em vigor da estratégia, criada para inibir falsificações e contrabando.
     
    Pela lei atual, o sistema deveria entrar em funcionamento em dezembro. A rastreabilidade cria uma espécie de RG para todos os medicamentos no país. A ideia é acompanhar a trajetória dos produtos, desde que eles deixam a indústria até a venda para o consumidor.
     
    A lei, de 2009, previa um prazo de três anos para o mecanismo funcionar. Por causa de divergências com a indústria, com distribuidores e com representantes de farmácias, a regulamentação atrasou. Pelas regras da Anvisa, a indústria teria de controlar as informações, como a quantidade do que foi vendido e as datas das vendas. Barbosa defende a criação de um banco público de informações, gerenciado pela agência.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo relaciona depressão e ansiedade às bactérias do intestino

    Estudo relaciona depressão e ansiedade às bactérias do intestino

    Uma equipe de cientistas canadenses afirma que a ansiedade e a depressão podem ter relação com as bactérias que vivem no intestino. O trabalho foi publicado na revista Nature Communications.
     
    A pesquisa, feita em ratos, sugere que sintomas de ansiedade e depressão provocados pela exposição ao estresse no início da vida aparecem somente com a presença de germes no intestino.
     
    Os resultados reforçam achados de pesquisas anteriores. Em uma delas, os pesquisadores descobriram que camundongos sem a presença de bactérias no intestino eram menos propensos a apresentar comportamentos ansiosos.
     
    O trabalho atual avaliou animais que tinham sido expostos a uma experiência estressante no início da vida – eles foram separados de suas mães precocemente. Ao crescer, eles apresentaram comportamentos semelhantes ao de pessoas ansiosas e deprimidas, além de disfunção intestinal e níveis anormais de hormônio do estresse.
     
    Já as cobaias livres de germes expostas ao mesmo tipo de estresse não apresentaram quaisquer sinais de ansiedade ou depressão mais tarde.
     
    Os cientistas, então, transferiram as bactérias dos ratos normais, também expostos à experiência traumatizante, para os animais livres de germes. Em pouco tempo, eles passaram a apresentar os comportamentos depressivos e ansiosos. Os resultados foram noticiados no jornal britânico Independent.
     
    Segundo o principal autor, Premysl Bercik, da Universidade McMaster, ainda é preciso testar a hipótese em seres humanos. Mas ele acredita que terapias que têm como alvo a microbiota intestinal podem, no futuro, beneficiar pacientes com transtornos psiquiátricos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Retirada de medicamento envolve riscos

    Retirada de medicamento envolve riscos

    A prática de desprescrição pode ser saudável, desde que o médico tenha um controle rigoroso de como vai se comportar o paciente após a retirada da medicação, na avaliação de entidades médicas.
     
    “O risco de se retirar um medicamento sem um controle eficiente é o agravamento da condição clínica do paciente”, alerta Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina.
     
    Ele comenta um caso em que um medicamento para uma doença imunológica foi desprescrito, e o paciente acabou perdendo os rins.
     
    “A vantagem dos médicos de família e de comunidade é que eles estão muito próximos dos pacientes, o que permite um controle maior. Sempre que possível, a desprescrição é desejável. É saudável que os pacientes não sejam tão dependentes de medicamentos”, afirma Meinão.
     
    Para o cardiologista Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), antes de orientar um paciente a deixar de tomar determinada medicação, o médico deve consultar o colega que prescreveu a remédio para evitar um conflito ético.
     
    “É problemático. O clínico pode ter uma visão diferente da do especialista, mudar a medicação e isso ter consequências para o paciente”, diz.
     
    Mas, segundo ele, é comum haver diálogo entre os médicos. Ele cita um exemplo corriqueiro: o paciente diabético que toma medicamentos orais, recebe do endocrinologista uma prescrição de insulina e que volta ao médico anterior (clínico ou cardiologista, por exemplo) sem saber o que fazer. “Tem que avaliar, conversar com o colega e com o paciente”, diz.
     
    Daniel Knupp, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina e Comunidade, diz que a situação mais comum é do paciente que usa um remédio prescrito por um outro colega há muito tempo e que já não tem mais contato. “Mesmo assim continua tomando sem nenhum acompanhamento”, explica.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Cuidado do câncer no Brasil é tardio e insuficiente, aponta relatório

    Cuidado do câncer no Brasil é tardio e insuficiente, aponta relatório

    Cerca de 60% dos pacientes com câncer são diagnosticados já em estágio avançado no Brasil e, no caso de câncer de pulmão, 87,9% dos casos são descobertos tardiamente. O diagnóstico depois que a doença se espalhou foi identificado como uma das principais barreiras enfrentadas pelos pacientes no acesso ao tratamento, seja pela falta de centros especializados, pelas longas esperas para consultas com médicos especialistas ou pela demora na realização de exames.
     
    Esses dados foram compilados por cerca de 50 entidades brasileiras de combate ao câncer. O movimento Todos Contra o Câncer, que organizou o relatório, tem o objetivo de colaborar com a elaboração de políticas públicas e aponta caminhos para compilar melhor os dados de atendimento ao câncer e criar novos protocolos de saúde. O relatório foi entregue ao Ministério da Saúde na sexta-feira (24) e lançado oficialmente na segunda (27). 
     
    Segundo o documento, o tempo médio de espera entre o diagnóstico e o início dos tratamentos com quimioterapia e radioterapia, é de 76,3 e 113,4 dias, respectivamente. Uma lei de 2012 assegura o início do tratamento no SUS de pessoas com câncer em um prazo de até 60 dias após o diagnóstico com laudo patológico. Segundo uma auditoria feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para avaliar a Política Nacional de Atenção Oncológica, apenas 65,9% da demanda por radioterapia foi atendida no país em 2010.
     
    “A área de oncologia tem despertado grandes preocupações devido ao crescente impacto econômico sobretudo em função do diagnóstico tardio (…) que onera o SUS com despesas que poderiam ser evitadas com a prevenção ou diagnóstico precoce”, pontua o relatório.
     
    O diagnóstico tardio e o atendimento falho (falta de leitos, de medicamentos, descredenciamento de clínicas por convênios) causa, segundo as entidades, um aumento na mortalidade do câncer no Brasil além de um maior gasto com repetidas internações, necessidade de procedimentos e medicamentos de alta complexidade e atualização constante dos valores pagos por serviços médicos.
     
    Judicialização
     
    A judicialização é apontada como uma uma nova porta de acesso ao SUS. Hoje, por causa do caráter universal do SUS, quando o convênio ou o governo não fornecem um tratamento ou medicamento, os pacientes podem entrar na Justiça e muitos ganham a causa e conseguem que o procedimento seja pago.
     
    Entre 2009 e 2014, os gastos do Ministério da Saúde com as sentenças judiciais subiram 1.400%, chegando a R$ 1 bilhão gastos anualmente, segundo o relatório.
     
    “Se somarmos os gastos dos estados com sentenças judiciais fica evidente que o poder judiciário tem se tornado uma segunda porta de acesso ao SUS e ao sistema suplementar, especialmente devido à não disponibilidade no SUS de medicamentos imprescindíveis e ao excesso de burocracia no sistema público, tanto nas licitações para compra de medicamentos como no pedido administrativo do paciente para sua obtenção”, explica o documento.
     
    Novos medicamentos e pesquisas
     
    O Brasil falha ainda, segundo o documento, na agilidade para aprovar os protocolos de pesquisa e novos medicamentos, apesar de avanços recentes como no caso da criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), em 2011.
     
    Há demora também na aprovação de novos medicamentos e novas terapias. “O número de análises e aprovações aumentaram consideravelmente desde 2012, mas o número de processos indeferidos ainda é bastante elevado, tendo como alegação a falta de comprovação científica e de eficácia”, pontua.
     
    O SUS e os planos de saúde
     
    Hoje há 50,6 milhões de beneficiários de planos privados de assistência médica, ou seja, 25% da população possui cobertura de planos de saúde. Mesmo assim, de acordo com dados do Datafolha de 2014, 92% dos brasileiros buscaram acesso a algum serviço do SUS nos últimos dois anos.
     
    Na área da oncologia, os convênios avançaram em muitos aspectos, como por meio da incorporação do quimioterápico oral, da inclusão de exames e procedimentos de alta complexidade, e da incorporação de novos medicamentos. No entanto, ainda com relação aos medicamentos, os beneficiários de planos de saúde ainda buscam o SUS, uma vez que, muitas vezes, não conseguem ter a demanda atendida no plano.
     
    Quando se consegue acesso ao tratamento, muitos pacientes, familiares e profissionais da saúde relatam que os médicos são orientados ou mesmo pressionados por gestores, tanto públicos quanto privados, a não prescreverem determinados procedimentos ou medicamentos por causa do valor. Há ainda relatos de que são fixadas dosagens inferiores às estipuladas nos protocolos clínicos para reduzir os custos para a instituição. O relatório aponta ainda que diversos médicos já denunciaram terem seus cadastros excluídos dos planos de saúde por prescreverem tratamentos de alto custo.
     
    A doença
     
    O câncer representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, com cerca de 14 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes em 2012. O número de novos casos ainda deverá aumentar em cerca de 50% nas próximas duas décadas e, se nada for feito, em 2030 serão 21 milhões de novos casos e 14 milhões de mortes, sendo que a maior parte ocorrerá nos países em desenvolvimento.
     
    As Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs), entre elas o câncer, são responsáveis por aproximadamente 68% das mortes no mundo e 74% das mortes no Brasil
     
    O câncer é atualmente a segunda principal causa de morte no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2012, foram 191.577 óbitos por câncer, conforme dados do Ministério da Saúde. Quanto à incidência, em seu último levantamento em 2014, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 576.580 novos casos de câncer, sendo 302.350 em homens e 274.230 em mulheres.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo clínico confirma eficácia de vacina contra dengue

    Estudo clínico confirma eficácia de vacina contra dengue

    A vacina contra dengue do laboratório francês Sanofi é eficaz em mais de 80% dos pacientes afetados pela infecção, de acordo com uma nova análise independente publicada nesta segunda-feira.
     
    A vacina experimental permitiu que fosse evitada a hospitalização de 80,8% das crianças a partir de nove anos, que participaram de dois testes clínicos analisados pelo periódico médico americano New England Journal of Medicine (NEJM). Na faixa de dois a oito anos, a eficácia média foi de 56%.
     
    Em 93,2% dos casos, a vacina também protegeu contra a forma mais grave da doença no grupo de crianças de nove a 16 anos; e, em 44,5%, no grupo de dois a oito anos, afirmaram os autores da análise.
     
    Também se observou, porém, um aumento inexplicável de casos de internação por dengue durante o terceiro ano da vacina entre as crianças com menos de nove anos. Os pesquisadores sugerem que o fenômeno deve ser “cuidadosamente observado” no longo prazo.
     
    “O risco de contrair dengue era menor entre as crianças vacinadas do que entre as que não foram”, concluíram os responsáveis pelo estudo.
     
    Em nota, a Sanofi disse que “essa vacina experimental tem o potencial de reduzir significativamente a carga que essa doença tem nos países onde é endêmica”.
     
    Os dados publicados no NEJM correspondem a um período de três a seis anos em dois testes clínicos realizados com 10.275 e 20.869 pessoas, respectivamente. Os participantes são do Pacífico Asiático e de regiões tropicais e subtropicais da América Latina.
     
    A incidência de dengue cresceu de forma acentuada desde a década de 1950, com 50 milhões de casos anuais. Destes, cerca de 500.000 são do tipo hemorrágico, mortal em mais de 20% dos casos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
     
    Fonte: Uol Saúde