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  • Transferência de princípio ativo

    Transferência de princípio ativo

    Muitos dos medicamentos que tratam dor ou combatem alguma doença foram, originalmente, identificados em plantas que hoje correm risco de extinção ou são difíceis de cultivar. Em alguns casos, essas espécies ainda são a fonte primária para a elaboração das drogas. Para continuar obtendo os princípios ativos sem ameaçar a biodiversidade, uma equipe de cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveu um método inusitado. Eles identificaram o sistema utilizado para a fabricação das substâncias e o enxertaram em outra espécie para que ela também as produzisse. A ideia é, futuramente, explorar essa tecnologia no trigo, um cereal que cresce abundantemente sob qualquer tipo de condição climática.
     
    “As pessoas têm utilizado plantas para usar novos químicos e testado sua atividade há muito tempo”, diz Elizabeth Sattely, professora de engenharia química de Stanford e principal autora do estudo, publicado na revista Science. “O que nos surpreende é que, apesar de uma quantidade muito grande de produtos extraídos de plantas serem usados atualmente como medicamentos, ainda temos de cultivar a planta, isolar o composto e, só depois, transformá-lo em remédio”, observa.
     
    Sattely focou a pesquisa em um importante agente quimioterápico, o etoposide, utilizado no mundo todo para inibir o crescimento de diversos tumores, como câncer de pulmão e leucemia. Apesar do amplo uso, o único método atual de sintetizar o composto é por meio de extratos da mayapple-himalaia, uma planta que demora para crescer e só existe naturalmente a 4 mil metros acima do nível do mar, na montanha asiática que dá nome ao vegetal.
     
    No laboratório de engenharia química de Stanford, a pesquisadora usou uma nova técnica para identificar as proteínas que trabalham na “linha de montagem” da molécula utilizada na fabricação do medicamento. Depois, ela mostrou que essas mesmas proteínas podem produzir o composto fora da planta. Então, os cientistas transplantaram a “maquinária” para uma outra espécie vegetal, a folha de tabaco, de fácil cultivo. No futuro, o trigo poderá servir de base para os enxertos. “Tanto a planta quanto o trigo podem fornecer um ambiente controlado para a produção da droga. Esse trabalho poderá levar a novas formas de modificar padrões naturais de produção de substâncias usadas em medicamentos que são mais seguras ou efetivas que a fonte natural”, observa Sattely. “Uma grande promessa da biologia sintética é a capacidade de reproduzir sistemas naturais, mas, se não sabemos quais são as proteínas usadas, não podemos nem iniciar o empreendimento”, observa.
     
    No caso da mayapple-himalaia, uma série de proteínas trabalham dentro das folhas para produzir uma defesa química contra predadores. Essa substância, após algumas poucas modificações em laboratório, torna-se o popular quimioterápico. De acordo com a cientista, tudo começa com uma molécula nada ameaçadora. Quando a mayapple sente que será atingida, ela começa a produzir proteínas que fornecem o composto. Uma a uma, elas adicionam um pouco de química aqui, outro ali, subtraem alguns elementos e, no fim, a substância inicialmente inofensiva torna-se uma espécie de veneno contra os insetos predadores.
     
    O desafio era descobrir quais das muitas proteínas encontradas na folha da mayapple estavam envolvidas nesse padrão. Sattely começou com a constatação de que as “operárias” da linha de produção não se encontravam sempre na folhagem da planta. “É apenas quando a folha sofre um ferimento que a molécula é fabricada”, diz. E se a molécula só surge após um dano, as proteínas que a constroem provavelmente só apareceriam nessas situações. No fim, a cientista descobriu que, ao ser danificada, 31 novas proteínas surgem na folha. Depois de fazer combinações, Sattely chegou às 10 que, de fato, fazem parte da montagem molecular.
     
    Química aplicada
     
    O objetivo da pesquisa não é apenas mover a maquinária molecular de uma planta para outra. Agora que a cientista provou que o processo de fabricação da substância funciona fora da espécie original, Sattely quer enxertar as proteínas no trigo, que pode ser cultivado em grandes quantidades no laboratório para conseguir uma fonte mais estável no processo de produção de medicamentos. De acordo com ela, produzir remédios no cereal também fornece alguma flexibilidade que não está presente quando se isola uma droga diretamente de plantas. “Nós só podemos usar o que a planta nos dá”, justifica.
     
    Já no trigo, os cientistas podem modificar os genes para produzir proteínas com funções diversas. Com isso, seria possível melhorar a composição das drogas existentes. Sattely diz que o trabalho de Stanford é um bom exemplo de como a química pode ser aplicada aos problemas de saúde humano. Ela acredita que a técnica desenvolvida poderá ser usada em diversas outras plantas e medicamentos. “Meu interesse realmente é identificar novas moléculas e padrões de plantas que são importantes para a saúde humana”, diz.
     
    “A elucidação do padrão metabólico utilizado para a fabricação do composto mostra que o campo da biologia sintética já chegou muito longe”, avaliou a química Sarah E. O’Connor, do Departmento de Química Biológica do Centro John Innes, que não participou do estudo. Em um artigo publicado na Science, ela observou que, no futuro, os laboratórios poderão fabricar medicamentos de forma mais segura e estável. “Não apenas drogas anticâncer, mas para qualquer outra doença”, escreveu.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Pesquisa traz dados inéditos sobre vigilância sanitária nos estados e municípios

    Pesquisa traz dados inéditos sobre vigilância sanitária nos estados e municípios

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última semana os dados da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais e Municipais 2014, que pela primeira vez traz um suplemento relativo à organização da Vigilância Sanitária em estados e municípios brasileiros. A vigilância foi incluída a pedido da Anvisa como estratégia para conhecer melhor a estrutura da vigilância sanitária no país.
     
    Esta iniciativa é de grande importância para a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). O documento traz informações sobre a caracterização dos órgãos de vigilância sanitária e suas competências; formação e escolaridade do seus titulares e da força de trabalho empregada, com destaque para aspectos relacionados ao vínculo empregatício, nível de formação e qualificação. Outro questionamento feito durante a pesquisa foi sobre disponibilidade de canais que possibilitem a participação social, gestão financeira do órgão, processos integrados de trabalho e planejamento das ações.
     
    Os dados revelam que ao longo dos últimos 15 anos de definição do SNVS e criação da Agência, a vigilância sanitária no país se estruturou, ganhou importância dentro dos serviços ofertados pelo poder público e se consolidou como área fundamental para a melhoria de qualidade de vida. Os dados revelam também que, a despeito dos avanços, persistem desafios, sendo necessária grande articulação dos entes do SNVS para superá-los.
     
    Dados
     
    Em 2014, 5.559 municípios tinham pessoas responsáveis por realizar ações de vigilância, independente da existência de estrutura específica, com a qual contavam 5.448 cidades.
     
    A Integração e os arranjos institucionais para atender a necessidade de serviço da população demonstra a importância do conceito de Vigilância em Saúde na organização dos serviços. Em 3.548 (63,8%) o responsável pelas ações de vigilância sanitária era também responsável pelo menos por mais um serviço de vigilância em saúde. Dentre os serviços realizados nos municípios, o mais frequente era o serviço de vigilância ambiental (2.239), seguido pelo serviço de vigilância em saúde do trabalhador (1.679), e pelo serviço de controle de endemias (1.667). Em 268 municípios o responsável direto pelo serviço de vigilância sanitária respondia por todas as áreas tradicionais de vigilância em saúde.
     
    A consolidação da Vigilância sanitária como serviço de saúde presente na realidade brasileira pode ser demonstrada pela estrutura legal para o bom enfrentamento das situações de trabalho. Todos os estados informaram possuir Código Sanitário Estadual. Dentre os municípios, 66,2% (3.688) informaram aplicar a legislação estadual ou federal.
     
    Outro ponto abordado pela pesquisa pela sua importância para a gestão dos serviços foi a estrutura disponível para gerenciamento da informação para Gestão em Visa. De acordo as informações obtidas pela pesquisa, 5.225 municípios possuíam cadastro municipal de estabelecimentos sujeitos às ações de vigilância sanitária, porém, em 1.034 municípios, o cadastro não estava atualizado.
     
    O banco de dados e o relatório da MUNIC/ESTADIC encontram-se disponíveis no site do Ibge.
     
    Fonte: Anvisa
  • Ministério da Saúde lança versão digital do Cartão SUS

    Ministério da Saúde lança versão digital do Cartão SUS

    O Cartão SUS – que é a identidade do cidadão no Sistema Único de Saúde (SUS) – está agora a apenas um clique do cidadão e dos serviços de saúde de todo o país. O aplicativo, chamado Cartão SUS Digital, disponibilizará ferramentas importantes como o controle da aferição de pressão e medição de glicemia, o que é essencial para quem tem diabetes e hipertensão. Ao preencher as informações, a ferramenta mostrará, com auxílio de gráficos, os últimos registros de pressão máxima e mínima, bem como a evolução das taxas de glicemia. O aplicativo já está disponível para smartphones com sistema Android e a previsão é de que em novembro ele já esteja disponível na Apple Store.
     
     
    O cidadão também poderá indicar se possui alguma alergia, informar se faz uso contínuo de medicamentos, adicionar contatos de emergência e compartilhar as informações com médicos por quem estejam sendo acompanhados, o que permite traçar o diagnóstico e ofertar o tratamento mais adequado ao histórico do paciente. O aplicativo passará por atualizações nos próximos meses o que ampliará a oferta de serviços disponíveis.
     
    Segundo a pesquisa Mobile Report, da Nielsen IBOPE, 68,4 milhões de pessoas utilizam a internet pelo celular no Brasil. A ideia é que essas pessoas possam utilizar o aplicativo e, com isso, trazer economia aos cofres públicos. Isso porque, apenas em 2014, o Ministério da Saúde destinou R$ 4 milhões para a compra de mais de 13 milhões de mídias plásticas do cartão.
     
    O ministro da Saúde, Arthur Chioro, lembra que o acesso ao cartão por meio digital trará muitos ganhos a população. “Vamos aperfeiçoar cada vez mais o aplicativo de modo que seja possível ampliar a oferta de serviços disponíveis através da ferramenta, como a busca de serviços de saúde com auxílio de mapas, alerta de consultas marcadas na rede pública e até solicitar marcação de consultas pelo aplicativo”, explicou.
     
    Cartão SUS – Possibilita a identificação única dos usuários do SUS e, com isso, é possível reunir o conjunto de atendimentos realizados, onde quer que aconteçam. Hoje, todo brasileiro com CPF válido possui o número do Cartão Nacional de Saúde, como consequência da integração da base de dados do cartão (CadSUS Web) com a Receita Federal. O registro do conjunto de informações por meio da identificação do usuário é extremamente importante porque, a partir das informações reunidas, será possível acompanhar melhor a saúde dos pacientes e garantir uma atenção ainda mais adequada aos brasileiros que utilizam a rede pública de saúde. Além disso, será possível organizar ainda mais a rede de atendimento e a oferta dos serviços de saúde em todo o país.
     
    As unidades da rede pública de saúde devem prestar atendimento à população independentemente da apresentação do cartão. Se o paciente não tiver o cartão (digital ou em mídia plástica) ou mesmo o número, o registro pode ser feito no momento do atendimento. Isso vale tanto para as unidades públicas como privadas.
     
    Para descobrir o número do Cartão, o cidadão pode entrar no aplicativo, informando seu número de CPF e data de nascimento. Para quem ainda não possuir, o Cartão SUS é emitido pelas unidades de saúde pública que prestam atendimento ao cidadão nos estados e municípios. Desta forma, basta se dirigir a Unidade Básica de Saúde mais próxima da casa do cidadão para efetuar o cadastro. É necessário informar o nome do usuário do SUS, o nome da mãe, o sexo, raça e etnia, o município de naturalidade, a data de nascimento e o endereço.
     
    A partir do Cartão SUS, o Ministério da Saúde tem trabalhado na integração dos sistemas de saúde. Vários sistemas nacionais, dentre os quais, Sistema de Cadastro dos usuários do SUS (CadSUS Web), Portal do Cidadão, Sistema de Regulação (SISREG, CNRAC) e Sistema de Monitoramento do Câncer (SISCAN) encontram-se integrados à base do cartão.
     
    Fonte: Ministério da Saúde
  • A cada 3 segundos, uma pessoa é diagnosticada com demência

    A cada 3 segundos, uma pessoa é diagnosticada com demência

    Imagine o seguinte cenário: alguém lhe oferece um copo de suco de laranja e, de repente, você não tem mais ideia do que a expressão “suco de laranja” significa. A cada três segundos, uma pessoa no mundo começa a apresentar sintomas como este, estreitamente relacionados à demência. Hoje, são 46,8 milhões de pessoas vivendo com o problema, das quais 1,2 milhão estão no Brasil. E a estimativa para os próximos anos é alarmante: em 2030, devem ser 74,7 milhões de pessoas com demência no mundo, e, em 2050, esse número passará para 131,5 milhões. Os dados são do Relatório Mundial de Alzheimer, publicado ontem pela federação Alzheimer’s Disease International.
     
    A projeção para os próximos anos é feita a partir da rápida mudança ocorrida nos últimos tempos. De 2009 para cá, quase 12 milhões de novos casos surgiram. No Brasil, são cem mil a cada ano, dizem pesquisadores. — Geralmente, os sintomas aparecem depois dos 60 anos, mas o processo de demência começa cerca de três décadas antes. Como temos um número excessivo de neurônios, não sentimos. Só quando se chega ao limite é que se percebe — diz Wagner Gattaz, presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
     
    Demência é um termo geral para doenças que afetam o cérebro e as funções cognitivas. O mal de Alzheimer, que não tem cura, é a causa de 60% desses quadros. Em segundo lugar, vêm as doenças vasculares, provocadas por obesidade, diabetes e hipertensão, por exemplo. — Para tentar evitar o problema, é preciso se alimentar bem, praticar exercícios, manter o peso ideal, controlar o estresse, beber com moderação e não fumar — elenca o geriatra Rubens de Fraga Jr., conselheiro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia ( SBGG). — E, quanto maior o grau de escolaridade, menor a chance de desenvolver qualquer tipo de demência. O melhor exercício nem é fazer palavras cruzadas, mas ler, porque estimula muito mais o raciocínio e a fantasia.
     
    A IMPORTÂNCIA DO SOL
     
    O levantamento internacional destaca que 58% das pessoas com quadros de demência vivem em países em desenvolvimento ou pobres. A estimativa indica que, em 2050, esse índice chegará a 68%. A explicação vai ao encontro do que sugere Fraga Jr.: nações com baixo índice de educação, menos acesso à saúde e menos infraestrutura têm populações mais expostas às doenças que desencadeiam demência.
     
    — Pessoas que mantêm estabilidade emocional ao lidar com as dificuldades da vida e que exercitam continuamente a área do cérebro destinada à resolução de problemas têm menos chance de desenvolver demência — diz o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor da Unifesp.
     
    Ele também explica que o hormônio conhecido como vitamina D, sintetizado pela pele a partir da exposição ao Sol, ajuda a manter a vitalidade dos neurônios. Quem quase não toma sol, portanto, tem mais chance de ter demência.
     
    O relatório estima que o custo global do problema pode saltar para US$ 1 trilhão já em 2018 e, por isso, pede que os governos criem políticas públicas para tornar o diagnóstico e os possíveis tratamentos mais eficientes e baratos.
     
    Fonte: O Globo
  • Pagamento no SUS por especialidade vai mudar

    Pagamento no SUS por especialidade vai mudar

    O ministro da Saúde, Arhur Chioro, afirmou que o Mais Especialidades trará uma reviravolta na lógica de pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “É uma mudança que se arma há vários anos, outros países já fizeram e precisamos fazer”, disse. A expectativa é de que o programa, uma promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, seja lançado este ano com duas áreas: oftalmologia e ortopedia. A lógica de pagamento será feita por atendimento global.
     
    Em cada pacote seria incluído, por exemplo, os valores para todos procedimentos envolvidos, desde consulta e cirurgia até tratamento de reabilitação. “E a remuneração maior será feita quando todo atendimento for feito no mesmo local, para que o paciente não tenha de ficar como doido de um serviço para outro”, disse Chioro. 
     
    Nesse sistema, o pagamento por procedimento, há tempos criticado pelo ministro, deverá cair em desuso. “Estamos em um processo de desconstrução da tabela”, disse. A tabela é a forma como parte de prestadores de serviços recebe do SUS. Ela é feita de acordo com número de cirurgias, consultas ou exames de diagnósticos realizados.
     
    “Esse é um sistema injusto. Um hospital, por exemplo, tem uma estrutura que precisa ser mantida. Tenha ele feito 20 ou 100 cirurgias.” Nos últimos anos, porém, além de ganhar, por exemplo, por atendimento médico e por cirurgia, instituições credenciadas receberam por meio de incentivos, definidos por meio da contratos.
     
    Embora o pagamento para prestadores do SUS seja feito de forma mista, o governo vem sendo duramente criticado pelos valores atualmente concedidos para a tabela de procedimentos. “Essa é uma reivindicação feita principalmente pela oposição”, disse. Ele avalia, porém, que o discurso usado é obsoleto e está longe de corresponder à realidade. “O pagamento não é feito somente pela tabela. E garanto que ninguém gostaria que o sistema de gratificações, hoje existente, fosse substituído novamente pelo sistema antigo.”
     
    O ministro, que participou no Congresso de uma audiência para prestar contas sobre os primeiros meses de gestão, afirmou que vem conversando com representantes de Colégio Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia para acertar detalhes do Mais Especialidades. O objetivo maior é quebrar resistências. 
     
    Sucesso
     
    Chioro informou que, em outra etapa, quando o Mais Especialidades for estendido para doenças crônicas, entrará no cálculo do pacote concedido para prestadores de serviço o pagamento de taxas de sucesso. “Quanto mais o paciente aderir ao tratamento, quanto menor for o grau de agravamento de seu quadro, mais os serviços ganharão”, informou. 
     
    O modelo é inspirado no sistema inglês. Nessa lógica, serviços receberiam um bônus, por exemplo, no caso de pacientes que deixam de fumar. “Ou seja, benefícios são concedidos em caso de sucesso.” A lógica se aplica, por exemplo, para aqueles doentes que apresentam problemas como disfunções endócrinas, sem cura, mas controle. “Esse terá sempre de ser acompanhado. Fazer exames com regularidade. Isso vai permitir uma melhora geral na qualidade de vida do paciente.”
     
    Cursos de Medicina
     
    Os critérios para a abertura de cursos de Medicina foram afrouxados pelo governo, afirma o Conselho Federal de Medicina (CFM). As mudanças estabelecidas em uma portaria em abril, na avaliação da entidade, tornam genéricas as exigências criadas em 2003 sobre o número de leitos e de equipes de saúde da família necessárias à abertura de novos cursos.
     
    “Há casos em que o hospital de ensino está distante 400 quilômetros da escola”, diz o presidente do CFM, Carlos Vital. “Isso impede a boa formação.” As conclusões estão no estudo “Radiografia de Ensino Médico”. Ele mostra que, dos 42 municípios que receberam escolas desde 2013, 5 estão em regiões que não atendem aos critérios mínimos de leitos do Sistema Único de Saúde para cada aluno matriculado – equivalente a 11%.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Vacina contra meningite B está em falta

    Vacina contra meningite B está em falta

    São Paulo – Lançada em maio, a vacina que protege contra a meningite B já está esgotada em clínicas particulares do País. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo entrou em contato com cinco clínicas na capital e o cenário era o mesmo: a vacina estava em falta e a previsão é de que a imunização seja retomada somente em novembro.
     
    Em junho, a engenheira de alimentos Laís Zechineli, de 28 anos, conseguiu vacinar a filha Júlia, de 1 ano e 4 meses, mas encontrou dificuldades para ter acesso à segunda dose. “Disseram que estava em falta no Brasil inteiro. No domingo passado, o avô da minha filha fez exames e perguntou se tinha. Informaram que, para quem tinha tomado a primeira dose, eles reservaram a segunda. Foi assim que ela tomou.”
     
    A doença tem índice de letalidade de cerca de 30% e pode causar graves sequelas, como surdez e amputação de membros. “Com os casos no Sul (do País), imagino que deve ter acabado, mas os pais devem ficar tranquilos, pois não há registro de surtos”, diz Flávia Bravo, presidente da Regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Imunizações. O laboratório GSK, responsável pela vacina, informou que a alta demanda causou o desabastecimento. A empresa afirmou ainda que já deu orientações às clínicas para que gerenciem estoques. 
     
    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
  • Farmacêuticas querem crescer em vacinas para adultos no País

    Farmacêuticas querem crescer em vacinas para adultos no País

    O crescimento da população idosa no Brasil é uma das maiores da indústria farmacêutica para expandir os negócios e as pesquisas em vacinas para o tratamento de adultos nos próximos anos.
     
    O desafio, de acordo com representantes do setor ouvidos pelo DCI, é a cultura do brasileiro que ainda não está habituado a esse tipo medicamento. Para eles, até mesmo uma parcela da população idosa ainda reluta em aderir à vacinação como prática de prevenção de doenças na vida adulta. Mas iniciativas do governo podem impulsionar esse mercado, que até 2050 vai representar 29,3% da população brasileira. Conforme dados da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), atualmente, 11,7% dos brasileiros tem 60 anos ou mais. Já o grupo com 80 anos ou mais, que hoje corresponde a 1,5% da população deve saltar para 6,7% no mesmo período.
     
    “O mercado de vacinas é extremamente ativo e a tendência é continuar crescendo com a mudança no perfil da população, que está envelhecendo e se cuidando mais. Além da constante inovação por parte das indústrias”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini.
     
    Ele cita as campanhas de estímulo a vacinação contra a gripe em idosos, promovidas pelo Ministério da Saúde, como uma das ações que tem ajudado a ampliar o mercado para além da vacinação infantil.
     
    O aumento da preocupação das pessoas acima de 50 anos com a vacinação também tem sido observada pela Pfizer. A farmacêutica vê na demanda dos idosos uma oportunidade para se desenvolver.
     
    “Estamos vendo a pirâmide da população brasileira começando a inverter, o que naturalmente chama mais atenção para essa faixa etária”, conta o gerente médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia.
     
    A empresa fez um levantamento para identificar a visão dos brasileiros sobre o envelhecimento e apurou que 77% dos entrevistados tem receio de apresentar problemas de saúde ao envelhecer.
     
    Demanda
     
    O executivo explica ainda que, com o aumento do número de idosos, os tipos e características das doenças mudam, principalmente em função da menor eficácia do sistema imunológico.
     
    Como estratégia para ganhar cada vez mais espaço nesse mercado, a Pfizer espera oferecer vacinas para prevenção de doenças as quais essa parcela da população é mais suscetível, como problemas no sistema respiratório.
     
    “A vacinação para adultos é ainda um território quase que totalmente inexplorado. Já existem algumas para gripe, hepatite e pneumonia, mas ainda é preciso que o médico explique a importância da vacinação para os pacientes”, diz.
     
    O investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos da farmacêutica no País, detalha o executivo, tem foco nos idosos, mas não se restringe a essa parcela da população.
     
    “Existem necessidades médicas que hoje não estão sendo atendidas, nas quais queremos investir para oferecer melhor qualidade de vida e soluções para essas demandas”, comenta.
     
    No segundo trimestre deste ano, os negócios de vacina da Pfizer ganharam destaque ao incrementar o desempenho global da companhia.
     
    A demanda pela vacina contra pneumonia, junto com as vendas de um medicamento para câncer de mama contribuiu para o aumento da receita e do lucro no período. A receita com a unidade de vacinas global registrou alta de 44% para US$ 1,58 bilhão no trimestre, respondendo por 13% da receita total no período.
     
    A MSD, subsidiária da Merck & Co., também investe no segmento de vacinas para manter o crescimento no País. A empresa, que importa as vacinas da unidade instalada nos Estados Unidos, acompanha não só a mudança no perfil da população, como o avanço da infraestrutura nos serviços de saúde.
     
    “Um fator importante quando olhamos para as perspectivas desse mercado é o acesso a vacinação. Porque na África, por exemplo, ainda temos uma taxa de nascimento alta, mas não tem infraestrutura para ofertar vacina. Nesse aspecto o Brasil está mais avançado, o que representa uma boa oportunidade de expansão”, avalia o diretor de comunicação e relações governamentais da MSD, Guilherme Leser.
     
    O portfólio de vacinas da companhia, conta ele, atende desde a demanda da população infantil até os adultos. No Brasil, a diferença é a incidência de doenças tropicais, como a dengue, cuja vacina está em desenvolvimento pela MSD.
     
    “Temos também outras vacinas para alguns tipos de pneumonia em processo de lançamento e meningite”, diz. Para ele, o principal apelo das vacinas para o sistema de saúde é o custo-benefício, já que funciona como uma ação preventiva.
     
    A perspectiva de reduzir gastos com o tratamento de doenças, revela Guilherme Leser, é um dos fatores que faz a empresa apostar no aumento da demanda de vacinas por parte dos seguros privados de saúde.
     
    “O mercado de seguros de saúde agora começa a desenvolver modelos de prevenção para os associados e a vacina entra nesse modelo”, ressalta.
     
    Saúde pública
     
    A demanda do setor público, importante cliente da indústria farmacêutica, também deve crescer com a mudança do perfil da população. “O governo é um dos nossos principais clientes, porque vê a vacinação como uma forma de melhorar a qualidade de vida da população a custo baixo, além de reduzir gastos com o tratamento de doenças”, observa Leser.
     
    A MSD vende para o Ministério da Saúde vacinas para prevenir o papilomavírus humano (HPV, na sigla em inglês) e a hepatite A em processos de transferência de tecnologia. “O governo tem hoje quase todas as vacinas disponíveis no calendário, o que ele faz é restringir o acesso por faixa etária. Mas nos próximos anos a tendência é expandir a vacinação, incluindo mais os adultos”, comenta.
     
    O executivo espera que, nos próximos anos, o investimento público em infraestrutura para a distribuição e acesso as vacinas aumente, ajudando a sustentar a expansão do segmento.
     
    Já no setor privado, a regulamentação da aplicação de vacinas em farmácias é um dos principais fatores que podem contribuir para a alta na demanda do segmento, diz Mussolini, do Sindusfarma.
     
    Fonte: CFF
  • Quando a malária dá câncer

    Quando a malária dá câncer

    Há pelo menos 50 anos, médicos e cientistas percebem que existe uma relação entre a malária e o desenvolvimento do linfoma de Burkitt. O câncer de sangue, muito comum em crianças, também é mais frequente na África equatorial, que vive a maior endemia da infecção do Plasmodium falciparum, causador da doença parasitária. Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo brasileiros, conseguiu, por meio de experimentos com camundongos, encontrar uma explicação biológica para a perigosa ligação entre as enfermidades. Os resultados foram divulgados na edição de hoje da revista Cell.
     
    Davide Robbiani, pesquisador da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, e autor principal do trabalho, explica que os linfomas são neoplasias malignas que têm origem nas células linfáticas e mais frequentes em pacientes cronicamente infectados. Nas cobaias geneticamente modificadas para terem malária, os investigadores identificaram um problema envolvendo o gene AID (Activation-induced cytidine deaminase), ligado à produção de anticorpos. Segundo os cientistas, se há falhas nesse mecanismo, existe o risco de surgirem alterações no DNA dessas células de defesa, que podem passar a ser cancerígenas.
     
    “O estudo teve como objetivo lançar uma nova luz sobre esse fenômeno e compreender como ele acontece, como é que a infecção crônica induz danos no DNA dos linfócitos B, gerando o desenvolvimento de linfomas”, detalha Robbiani. As cobaias foram infectadas com o Plasmodium chabaudi (vírus semelhante ao da malária, mas que contamina ratos). Ao se tornar crônica, a contaminação induziu a uma expansão prolongada da ação do AID, um mecanismo que pode causar mutações no DNA. “Vimos que o parasita induz a rápida proliferação de células B, uma forma ativada de linfócitos B que expressam o AID. No entanto, (a ação do) AID não é muito precisa, provoca quebras de DNA e erros ao longo do genoma, levando ao linfoma”, diz o autor.
     
    Robbiani, porém, avalia que a possibilidade de uma intervenção genética para “acalmar” o AID é problemática. Isso porque a ação do gene no corpo humano é uma espécie de “risco necessário”. “Você precisa dele para criar o repertório de potentes anticorpos para combater a infecção da malária, mas o dano ao DNA provocado pelo AID pode ser prejudicial e levar à formação do câncer”, justifica.
     
    Segundo a equipe de cientistas, a descoberta pode ajudar a desvendar melhor como o câncer é causado, contribuindo para futuros tratamentos mais eficientes. “Trata-se de uma doença complexa, e esse artigo contribui no sentido de conhecer mais um mecanismo ligado ao desenvolvimento dela”, justifica Israel Tojal da Silva, chefe do Laboratório de Biologia Computacional e Bioinformática do Centro Internacional de Pesquisa A.C. Camargo Câncer Center, em São Paulo, e um dos coautores do estudo.
     
    Disseminado
     
    O Presidente da Federação Internacional de Medicina Tropical, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro conta que, por muito tempo, autores ingleses perceberam que existia uma grande coincidência geográfica entre a ocorrência de malária e a do linfoma de Burkitt. O trabalho publicado na Cell, segundo o também professor e pesquisador titular do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de esclarecer essa questão, poderá ajudar no enfrentamento de outras doenças com mecanismos semelhantes.
     
    O especialista explica que é comum a ocorrência de falsos positivos em pacientes com malária. “Eles fazem testes para outras doenças, como o HIV, que mostram resultados indicando a enfermidade, mesmo que não a tenham. Isso seria causado justamente pela ativação das células B”, detalha o professor, que não participou do estudo.
     
    Ribeiro também frisa que o novo trabalho pode ajudar em estratégias de tratamento mais eficazes contra o câncer. “Evidentemente que, se conhecemos o mecanismo por trás da indução do tumor, isso nos faz esperar que surjam manipulações genéticas com base nesse conhecimento, podendo também desvendar a predisposição de determinadas populações a terem esse problema”, frisa o especialista.
     
    O próximo passo do grupo internacional de cientistas é justamente esse: aprofundar a investigação em busca de novas possibilidades de intervenções médicas. “Entender por que o AID causa danos ao DNA é uma área ativa de investigação explorada por vários grupos de pesquisa, incluindo o nosso. Estratégias para limitar esse efeito colateral poderiam ser úteis para diminuir o risco de pacientes cronicamente infectados desenvolverem esse linfoma. Essa é a nossa próxima etapa”, diz Robbiani.
     
    Fonte: Correio Braziliense
     
  • Cientistas dos EUA usam fermento para acelerar produção de analgésicos

    Cientistas dos EUA usam fermento para acelerar produção de analgésicos

    Cientistas da Universidade de Stanford descobriram um método para alterar geneticamente o fermento e produzir com mais rapidez os ingredientes ativos dos analgésicos opiáceos, informou nesta quinta-feira a revista “Science”.
     
    O descobrimento reduzirá o tempo de produção dos analgésicos de um ano para três ou cinco dias, o que permitirá desenvolver a menor custo uma ampla gama de ingredientes dos remédios produzidos a base de plantas, segundo destaca o estudo divulgado pela publicação científica.
     
    Após uma década de trabalho, os cientistas da universidade californiana descobriram como reprogramar a composição genética do fermento de pão para que as células de rápido crescimento desta substância transformem o açúcar em hidrocodona, um opioide derivado da codeína que é utilizado como analgésico.
     
    Segundo os pesquisadores de Stanford, a hidrocodona pode demorar mais de um ano para ser cultivada nas fazendas da Austrália, da Europa e em outros lugares que têm licença para obter o ópio, a partir do qual é produzida a substância.
     
    Uma vez colhida uma quantidade suficiente para produzir um lote, o material vegetal é enviado a fábricas farmacêuticas nos Estados Unidos, onde as moléculas são extraídas e refinadas para que possam ser utilizadas como remédios.
     
    “Quando começamos a trabalhar, há dez anos, muitos especialistas pensaram que seria impossível desenvolver fermentos que substituíssem o processo de produção que começa nessas fazendas e chega às fábricas”, declarou Christina Smolke, professora associada de Bioengenharia em Stanford e autora principal do estudo.
     
    Segundo ela, “isso é só o começo, pois as técnicas desenvolvidas para os analgésicos opioides podem ser adaptadas para a produção de muitos compostos derivados de plantas destinados a combater o câncer, doenças infecciosas ou doenças crônicas como a hipertensão arterial e a artrites”.
     
    Apesar da descoberta, os cientistas reconhecem que uma aceleração da produção dos analgésicos opioides e um maior acesso da população a esses remédios poderia aumentar os abusos.
     
    “Precisamos nos assegurar que a produção de remédios de base biológica seja feita da forma mais responsável possível”, reconheceu a cientista, que considerou essencial um desenvolvimento equilibrado dos analgésicos para evitar abusos e facilitar o acesso aos que precisam.
     
    Smolke destacou que nos EUA seria preciso tentar evitar o mal uso dos analgésicos opioides, que estão amplamente disponíveis e que podem chegar a ser fortemente viciantes se tomados de forma descontrolada.
     
    No entanto, 5,5 bilhões de pessoas (83% da população mundial) vive em países com um baixo ou inexistente acesso aos remédios destinados a aliviar a dor, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
     
    Fonte: www.efe.com
  • FDA obriga Kim Kardashian a apagar propaganda de remédio no Instagram

    FDA obriga Kim Kardashian a apagar propaganda de remédio no Instagram

    A gravidez da socialite Kim Kardashian tem dado o que falar: ela recentemente posou nua para rebater acusações de que não estaria realmente grávida e que usava uma barriga de aluguel, depois precisou ouvir que estava muito gorda e já desmentiu que esperava gêmeos. Agora ela caiu na mira do FDA (Food and Drug Administration), a agência federal reguladora de medicamentos e alimentos nos EUA.
     
    O órgão notificou a fabricante de medicamentos Duchesnay, e Kim foi obrigada a apagar um postagem no Instagram na qual recomendava um remédio da empresa contra os enjoos matinais.
     
    Cerca de 42 milhões de pessoas seguem Kim Kardashian no Instagram e 34 milhões, no Twitter.
     
    Na foto apagada ela aparece segurando um frasco de Dieclegis.
     
    Em carta, o FDA ordenou que a farmacêutica retirasse o anúncio do ar, alegando que “o post na mídia social é falso ou leva ao engano na medida em que apresenta a eficácia de Diclegis, mas não comunica nenhuma informação sobre o risco associado ao uso e omite fatos”. “O Diclegis é indicado para o tratamento de náuseas e vômitos de gravidez em mulheres que não respondem ao tratamento tradicional”.
     
    Segundo o órgão o remédio não foi testado em mulheres com complicações na gravidez e não é recomendado para mulheres sensíveis a diversos medicamentos. Além disso, o rótulo do medicamento possui alertas para pessoas que precisem desempenhar atividades que exigem atenção mental, o que não foi citado por Kim.
     
    A postagem já foi retirada do ar no Instagram.
     
    Fonte: Uol Saúde