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  • Estudo tenta determinar o nível ideal de pressão no sangue

    Estudo tenta determinar o nível ideal de pressão no sangue

    Quase meio século depois de rigorosos estudos mostrarem que medicamentos que diminuem a pressão sanguínea realmente previnem ataques do coração, derrames e mortes, os pesquisadores ainda não sabem quão baixa a pressão arterial deveria ser. Mais de 58 milhões de americanos tomam esses remédios, mas a pergunta fundamental ainda não foi respondida.
     
    “Sabemos que tratar a hipertensão é bom, mas não temos certeza de quão agressivos devemos ser”, explica o doutor Michael Lauer, diretor da Divisão de Ciências Cardiovasculares do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue.
     
    O instituto está procurando por respostas definitivas como parte de sua missão para diminuir as mortes por doenças cardiovasculares, para continuar com as décadas de queda nas taxas dessa patologia que é líder de mortalidade.
     
    Os resultados de um grande e rigoroso estudo, chamado SPRINT (de Systolic Blood Pressure Intervention Trial ou Teste de Intervenção da Pressão Sanguínea Sistólica, em tradução livre), devem sair em 2017. Os pesquisadores estão analisando nove mil adultos com pressão sanguínea alta. Metade deles teve como tarefa trazer sua pressão sistólica – o maior número, que mede a pressão quando o coração se contrai – para menos de 120 (o que comumente chamamos de 12) enquanto outros deveriam chegar a menos de 140. O estudo vai medir não apenas os ataques cardíacos, derrames e doenças nos rins, mas também os efeitos no cérebro. As pessoas pensam melhor e evitam demência quando têm a pressão mais baixa?
     
    Enquanto isso, os médicos estão tomando decisões em meio a uma nuvem de incertezas.
     
    O que dizer de um paciente como Glenn Lorenzen, de 67 anos, cuja pressão sistólica estava em assustadores 220 em outubro? Em um dia frio de dezembro na clínica cardiovascular do hospital Veterans Affairs, em Boston, ele recebeu a boa notícia de que os medicamentos e a perda de peso diminuíram a pressão para 124. Ele deveria ficar feliz? Deveria ter como alvo ficar abaixo de 120? Ou pode ir devagar com os remédios e deixar sua pressão subir um pouco para 140 ou 150?
     
    Uma corrente de pensamento diz que a pressão sobe com a idade para empurrar mais sangue para dentro do cérebro. Outra afirma que pressão arterial alta produz danos no cérebro, talvez causando pequenos derrames silenciosos.
     
    “Não sabemos quem está certo”, afirma David Reboussin, bioestatístico da Universidade Wake Forest e investigador principal da nova pesquisa federal.
     
    A tendência na geriatria é deixar a pressão subir um pouco, mas não acima de 150, explica o doutor Alfred Cheung, investigador do estudo, nefrologista e professor de medicina da Universidade de Utah.
     
    “Não tem base em números”, diz ele.
     
    A falta de evidência está no coração de uma disputa que foi em parte concebida por causa da maneira como o pensamento sobre a pressão arterial se desenvolveu.
     
    Quando as drogas para diminuir a pressão sanguínea chegaram ao mercado nos anos 1950, muitos médicos não sabiam se deviam prescrevê-las. Eles pensavam que a pressão sistólica deveria ser 100 mais a idade da pessoa. A sabedoria convencional era que os vasos endurecem com a idade, então a pressão mais alta ajudaria a empurrar o sangue por eles.
     
    Essa visão foi deixada de lado em 1967 quando um estudo rigoroso comparando os remédios com placebos acabou mais cedo porque aqueles que tomavam os medicamentos tiveram muito menos derrames e ataques cardíacos. Os remédios viraram um pilar fundamental na medicina, e acredita-se que salvaram milhões de vidas.
     
    Muitos testes clínicos antigos nem mesmo falavam de pressão sistólica, o foco de hoje. Ao invés disso, avaliavam a pressão diastólica, o número menor, que representa a pressão nos vasos sanguíneos quando o coração relaxa entre as batidas.
     
    “O pensamento geral – incorreto – era de que, à medida que você fica mais velho, a sistólica vai naturalmente subir” para suprir o cérebro com sangue, diz o doutor William C. Cushman, chefe de medicina preventiva do Centro Médico VA, em Memphis, Tennessee.
     
    O primeiro estudo sobre pressão sistólica foi publicado apenas em 1991. Esse e pesquisas subsequentes concluíram que o objetivo do tratamento deveria ser um nível abaixo de 150 para prevenir ataques cardíacos, falência do coração e derrames. Quase nenhum estudo examinou os resultados de números mais baixos.
     
    Por isso, os médicos e quem faz as diretrizes estão com um enigma nas mãos, diz Cushman. “A epidemiologia é consistente com o fato de que ter uma pressão sistólica de 120 ou até mesmo menos que isso está associado com a redução da mortalidade cardiovascular. Mas isso não significa necessariamente que tratar com remédios para atingir esse nível vai trazer benefícios.”
     
    A preocupação é que os medicamentos sempre apresentam mais efeitos do que aquilo para o que estão sendo usados. Assim, ter a pressão diminuída por meio de remédios não é necessariamente a mesma coisa do que possuir uma naturalmente baixa.
     
    As diretrizes dos especialistas variam muito. Um painel organizado pelo Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue sugere pressão sistólica abaixo de 150 para quem tiver mais de 60 anos. A Associação Americana do Coração e outros grupos dizem que deveria estar abaixo de 140.
     
    As orientações europeias afirmam que a pressão sistólica deve ser menos de 150, exceto para adultos mais velhos, mas elas dizem que é preciso levar em conta o risco que a pessoa tem de sofrer uma doença do coração na hora de decidir quão baixo esse número tem que ser. E estudos epidemiológicos que analisam grupos grandes de pessoas ao longo do tempo descobriram que aqueles cuja pressão sistólica é naturalmente 120 ou mais baixa têm o menor risco de sofrer um ataque do coração e derrames.
     
    As diretrizes do painel do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue constituíram um dos mais ambiciosos esforços para construir um consenso sobre os níveis de pressão sanguínea. A missão era usar números de estudos rigorosos ao invés de opiniões de especialistas, como era o padrão anterior.
     
    Antigas orientações de um comitê parecido montado pelos Institutos Nacionais de Saúde colocaram o objetivo de uma pressão sistólica abaixo de 140. A nova diretriz diz que deve ser abaixo de 150 para pessoas de 60 anos ou mais. “Foi aí que vimos o benefício” em testes clínicos, explica a doutora Suzanne Oparil, diretora do programa de biologia vascular e hipertensão da Universidade do Alabama, em Birmingham e presidente do comitê.
     
    Mas quando o relatório do comitê foi publicado em dezembro de 2013, ele imediatamente virou motivo de críticas, e cinco de 12 membros do comitê publicaram seus próprios documentos advogando pressão sanguínea abaixo de 140.
     
    “Um grupo minoritário do painel das diretrizes achou insano aumentar o alvo para 150 no segmento da população que tem o maior risco de hipertensão”, explica o doutor Jackson T. Wright Jr., da Universidade Case Western Reserve, que estava entre os dissidentes.
     
    E a questão não é apenas o número certo para a pressão sistólica. Pressão sanguínea e nível de colesterol agora estão sendo tratados de maneiras muito diferentes. As orientações para colesterol levam em conta os riscos gerais do paciente para um ataque do coração. Mas, com a pressão arterial, pelo menos nas diretrizes dos Estados Unidos, a única coisa que importa são os níveis de pressão do sangue e não outros fatores como histórico familiar ou índices de colesterol.
     
    No entanto, os estudos foram desenhados assim, diz Cushman. Os testes de colesterol levaram outros riscos em consideração. Os de pressão sanguínea olharam apenas para a pressão sanguínea. Mas claramente algumas pessoas têm menos riscos do que outras mesmo com pressão idêntica. Ainda assim, elas são tratadas da mesma maneira. Isso deveria mudar?
     
    Esse tipo falta de consistência deixa muitos profissionais com um dilema. O médico de Lorenzen no VA de Boston, doutor Michael Gaziano, professor de medicina de Harvard, considera o risco geral do paciente e prega perda de peso e exercícios para melhorar os efeitos dos remédios para pressão sanguínea. Ele mesmo vive assim, seguindo uma dieta mediterrânea com pouca carne e praticando corrida em esqui cross-country.
     
    “Você é a pessoa mais magra que eu conheço”, Lorenzen disse para Gaziano em uma visita recente.
     
    Lorenzen, que teve dois ataques cardíacos, ainda está pesado, mas é uma das estrelas entre os pacientes de Gaziano. Perdeu quase 30 quilos e faz exercícios na maioria dos dias. Quando sua pressão estava acima dos 200, ele se sentia deprimido e sua cabeça doía “como uma queimadura grave”. Apesar de a alta pressão arterial muitas vezes ser chamada de assassina silenciosa, quando o número sobe muito, as pessoas sentem os efeitos no cérebro, conta Gaziano.
     
    “Sua pressão está indo em uma boa direção, mais do que eu esperava”, afirmou Gaziano a ele. “O remédio sozinho não faria isso. Tenho a sensação de que os exercícios e a perda de peso foram importantes.”
     
    “Consegui um A”, diz Lorenzen orgulhoso.
     
    Os hospitais e as práticas médicas avaliam os médicos por quanto os pacientes seguem as orientações e muitas vezes eles são penalizados financeiramente quando os pacientes não atingem os números desejados. Assim, Gaziano vai conseguir marcas muito boas pela pressão de Lorenzen estar em 124. O VA determinou que a pressão sistólica fique abaixo de 140.
     
    Mas Gaziano diz que o sistema de notas que tem como alvo um valor simples como medida de sucesso é equivocado. “Se o paciente começa com uma pressão de 180 e consegue abaixar para 145, recebo uma marca ruim. Não obtive sucesso. Mas se o paciente vai de 140 para 139, tive.”
     
    Outro paciente na clínica aquele dia, Joseph Moscillo, de 65 anos, de Medford, Massachusetts, teve um ataque do coração, mas reduziu sua pressão de 200 para 150. A sua não seria vista como uma história de sucesso. Mas Gaziano diz que acredita que ao invés de dar novos remédios para diminuir sua pressão, é mais importante que Moscillo perca parte dos seus 102 quilos.
     
    “Podemos continuar dando pilhas de remédios, mais é um jogo perdido se você não se exercitar e não controlar seu peso”, Gaziano disse a Moscillo.
     
    Os resultados da pesquisa SPRINT podem afetar as decisões diárias dos médicos. Se descobrir que uma pressão abaixo de 120 é melhor do que abaixo de 140, os planos de Lorenzen e Moscillo provavelmente vão mudar.
     
    “Se mostrar que abaixo de 120 é claramente melhor, vai mudar todo o cenário”, afirma Cushman.
     
    Mas se o estudo não chegar à conclusão de que abaixo de 120 é melhor do que abaixo de 140, “ficaremos onde estamos hoje”, diz ele.
     
    Uma terceira possibilidade é que a pressão abaixo dos 120 seja, na verdade, prejudicial.
     
    Poucos esperam por isso, avisa Cushman, “Mas você nunca sabe o que vai encontrar em uma pesquisa até abrir o envelope”.
     
    Fonte: The New York Times
  • Campanha atinge meta e imuniza 84% do público-alvo contra a gripe

    Campanha atinge meta e imuniza 84% do público-alvo contra a gripe

    Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que a campanha de vacinação contra a gripe imunizou este ano 41,9 milhões de pessoas, o que equivale a 84,3% do público-alvo.
     
    O objetivo era vacinar pelo menos 80% das crianças com mais de 6 meses e menores de 5 anos, idosos, trabalhadores da saúde, povos indígenas, gestantes, mulheres que tiveram filhos há no máximo 45 dias, presos, funcionários do sistema prisional e pessoas com algumas doenças crônicas. Estes grupos totalizam 49,7 milhões de pessoas consideradas com mais riscos de desenvolver complicações causadas pela doença.
     
    Dez estados não atingira a meta nacional. Acre, Roraima, Piauí, Ceara, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Bahia, São Paulo e Mato Grosso vacinaram mais de 70% do público-alvo, mas não chegaram ao objetivo. Amapá e Espírito Santo, respectivamente, com 91% e 90% de cobertura, foram os estados que mais vacinaram.
     
    A campanha começou no dia 4 de maio em todo o país e foi prorrogada pelo Ministério da Saúde no dia 5 de junho. Depois do encerramento, no dia 5 de junho, o Ministério da Saúde recomendou aos estados que não atingiram a meta, a continuidade da vacinação.
     
    A vacina disponibilizada na rede pública este ano protege contra os três subtipos do vírus da gripe determinados pela OMS para 2015 (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). Apesar de alguns grupos resistirem a tomar a dose,  o Ministério da Saúde garante que a vacina é segura e considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe.
     
    Fonte: The New York Times
  • Vírus que causa paralisia temporária em crianças é encontrado em Manaus

    Vírus que causa paralisia temporária em crianças é encontrado em Manaus

    Pesquisadores encontraram em Manaus (AM) um novo vírus que causa diarreia, paralisia das pernas por até duas semanas e que pode levar à morte. Segundo a pesquisadora que coordenou o trabalho, Patrícia Puccinelli, do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia) , o vírus é transmitido por água contaminada com fezes.
     
    A descoberta no Brasil do gemycircularvirus foi feita a partir da análise molecular das fezes de 1,5 mil crianças de até dez anos que tiveram diarreia e foram atendidas em prontos-socorros de Manaus entre 2007 e 2009. Entre as crianças que fizeram parte da pesquisa, cinco estavam contaminadas. Segundo Patrícia, o vírus já havia sido descoberto no Sri Lanka, onde os sintomas também foram detectados em adultos.
     
    A pesquisadora ressaltou que a presença do vírus foi observada em Manaus porque o estudo foi feito apenas nessa cidade, mas alertou que ele pode estar presente em outros Estados.
     
    Para prevenir a doença, é necessário o fortalecimento do saneamento básico por parte do Estado e também que a população tome medidas básicas como lavar as mãos após ir ao banheiro e antes das refeições e só ingerir água filtrada ou fervida.
     
    Atualmente, a detecção do gemycircularvirus só pode ser feita pela análise molecular das fezes, porém a pesquisadora Patrícia Puccinelli está estudando o desenvolvimento de um kit de diagnóstico rápido do vírus.
     
    O pesquisador do Laboratório de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), Tung Gia Phan, teve parceria na descoberta, que foi publicada na revista Virology.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo confirma precisão de diagnóstico rápido de ebola, autorizado pela OMS

    Estudo confirma precisão de diagnóstico rápido de ebola, autorizado pela OMS

    Um teste de diagnóstico rápido do vírus ebola, autorizado desde fevereiro pela Organização Mundial de Saúde (OMS), se mostrou tão confiável quanto o método clássico de diagnóstico – segundo um estudo publicado nesta sexta-feira pela revista médica britânica The Lancet.
     
    O teste, batizado ReEBOV e produzido pela empresa norte-americana Corgenix, foi testado em 105 pacientes suspeitos de terem sido infectados pelo vírus em dois centros médicos de Serra Leoa, assim como em 284 amostras sanguíneas recuperadas em laboratório.
     
    Os resultados foram comparados aos obtidos pelo método tradicional, que consiste em efetuar um exame de sangue e enviar o material, de maneira segura, a um laboratório especializado onde o vírus é detectado graças a um procedimento que permite destrinchar o material genético do vírus (teste RT-PCR).
     
    Este método pode levar alguns dias e apresenta alguns riscos à equipe encarregada pela coleta, transporte e do exame propriamente dito.
     
    O teste ReEBOV, em contrapartida, dura apenas cerca de 15 minutos. Ele consiste em colocar uma gota de sangue do dedo do paciente num pedaço de papel e colocá-la num tubo de ensaio com anticorpos que capturam uma proteína específica do vírus.
     
    O teste rápido permitiu detectar todos os casos positivos identificados pelo método tradicional, mas apenas 92% dos casos negativos.
     
    Os pesquisadores, liderados pela médica Nina Pollock, do Hospital Infantil de Boston, também descobriram que o teste RT-PCR não era uma referência completamente confiável, na medida em que um pequeno número de infecções detectadas pelo exame ReEBOV e um outro método tradicional passaram batido.
     
    O teste ReEBOV é o primeiro teste rápido a conseguir uma autorização de uso emergencial por parte da OMS e da agência norte-americana encarregada pela liberação de medicamentos, a FDA.
     
    Mas vários outros testes rápidos estão atualmente em fase de desenvolvimento ou experimentação. É o caso, por exemplo, de um exame rápido desenvolvido pelo Instituto Pasteur de Dakar e que é objeto de provas na Guiné.
     
    Uma equipe de pesquisadores japoneses anunciou em abril ter confirmado o nível de segurança de um exame de detecção do vírus em menos de 12 minutos, desenvolvido pelo médico Jiro Yasuda.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Só 1/3 dos remédios propostos entram no SUS

    Só 1/3 dos remédios propostos entram no SUS

    Desde 2011, quando o Ministério da Saúde criou uma comissão para definir quais medicamentos e tecnologias seriam incorporados à lista da rede pública, apenas 30% dos pedidos de incorporação apresentados ao órgão foram aprovados. Em pouco mais de quatro anos, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recebeu 419 pedidos de inclusão de novos insumos, dos quais 127 foram aceitos pela pasta. Das demandas restantes, 70 nem sequer foram julgadas porque não preencheram os requisitos básicos para análise, 65 tiveram a incorporação negada e outras 65 ainda estão em análise.
     
    De acordo com a Conitec, estão entre os motivos para a recusa de incorporação a insuficiência de evidência de eficácia e superioridade em relação às alternativas terapêuticas disponíveis no SUS, avaliação econômica inadequada e impacto orçamentário muito elevado.
     
    Embora apenas um terço das propostas de incorporação tenham sido aceitas, o Ministério da Saúde afirma que o número médio de tecnologias incluídas na lista do SUS por ano é quase três vezes maior após a criação da Conitec. Enquanto de 2011 até 2014, foram incorporados, em média, 31 novos insumos por ano, antes da criação da Conitec, a média de inclusões anuais era de 12 tecnologias.
     
    Os dados do ministério mostram ainda que a oncologia foi a especialidade com o maior número de pedidos de incorporação, com 15% das solicitações. Em seguida, com 12% das solicitações cada uma, estão as áreas de reumatologia e infectologia. É na área de tratamento contra o câncer em que se concentram asmaiores críticas à Conitec.
     
    De acordo com especialistas, medicamentos inovadores com estudos que comprovam a sua eficácia ainda não estão disponíveis para os pacientes da rede pública. “Uma das maiores lutas que tivemos foi a incorporação do trastuzumabe, indicado para câncer de mama, e que mesmo com mais de dez anos de evidência científica só foi incorporado pelo SUS em 2012, ainda deixando de fora as pacientes com o tumor do tipo metastático”,reclama a mastologista Maira Caleffi,presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
     
    Para a especialista, há pouca participação da classe médica na estrutura da comissão.Entre os órgãos que integram a Conitec, a maioria são instâncias governamentais,como as secretarias do Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e os conselhos de secretários municipais e estaduais de saúde. A única entidademédicaa terassentonaConitecé oConselhoFederal deMedicina (CFM). “Essa comissão não tem credibilidade com as sociedades de especialidades.A gente se mobiliza,apresenta pareceres científicos durante o período de consulta pública e eles nunca consideram esses documentos”, reclama Maira.
     
    Diretor do centro oncológico Antonio Ermírio de Moraes – Beneficência Portuguesa, o médico Fernando Cotait Maluf afirma que outras drogas para câncer também estão fora dalista de cobertura do SUS, como pertuzumab e T-DM1, para o câncer de mama, e abiraterona e enzalutamida, para o de próstata. Ele afirma que os remédios dão um ganho maior de sobrevida aos pacientes com a doença avançada. “Não tenho dúvida que os pacientes do SUS hoje têm menos recursos de tratamento do que os de convênios e particulares. Entendo que os recursos financeiros do governo são limitados, mas seria importante que outras entidades, que reúnem médicos e pacientes, participassem da discussão do que é prioritário incorporar”, defende o oncologista.
     
    Diagnosticada com câncer de mama em 2000, a aposentada Eny Rodrigues, de 58 anos, descobriu uma metástase em 2006 e ouviu dos médicos do hospital onde se tratava, no SUS, que tinha no máximo mais um ano de vida. “Disseram que não existia mais tratamento para o meu caso. A sorte foi que um dos médicos estava participando de um estudo com um novo remédio e me chamou.” O medicamento em questão é o pertuzumab, que mantém Enyviva até hoje.“Ele não deixa a doença crescer, mas me revolta saber que eu só tenho acesso porque participei da pesquisa.
     
    Perdi uma amiga recentemente que estava com a mesma doença e não teve essa sorte. Quantas vidas poderiam ser salvas se esse remédio estivesse disponível no SUS?”, questiona ela.O ministério afirma que as regras da Conitec “garantem as melhores escolhas tecnológicas para a eficiência do sistema público de saúde e a proteção do cidadão”. De acordo com a pasta, a comissão “exige documentos e estudos que comprovem evidência clínica consolidada de eficácia, eficiência e custo-efetividade dos medicamentos ou insumos estratégicos”.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Cientistas fazem descoberta revolucionária na anatomia do cérebro

    Cientistas fazem descoberta revolucionária na anatomia do cérebro

    Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, descobriram um sistema de vasos que liga o sistema nervoso central ao sistema linfático. O sistema drena fluidos linfáticos do cérebro para os nódulos linfáticos e nunca havia sido observado. A descoberta comprova que o cérebro está diretamente ligado ao sistema imunológico. 
     
    Os vasos do sistema linfático ajudam a compor o sistema imunológico por transportarem glóbulos brancos que protegem contra bactérias e vírus. O estudo foi publicado recentemente na revista científica “Nature” e foi recebido com grande entusiasmo pelos cientistas e neurologistas.
     
    A descoberta revoluciona a forma como se ensina a anatomia cerebral e ajuda a entender o melhor o sistema imunológico. A nova noção de anatomia pode ajudar no tratamento de doenças como o Alzheimer, o autismo e a esclerose múltipla.
     
    O estudo foi liderado pelo aluno de pós-doutorado Antoine Louveau, sob supervisão do diretor do departamento de Imunidade do Cérebro da Universidade, Jonathan Kipnis.
     
    Louveau desenvolveu um método para observar em uma lâmina as delicadas meninges de um rato. As meninges são membranas que cobrem o cérebro. Quando ele percebeu um padrão de vasos nas células imunológicas, resolveu testá-las para descobrir se eram vasos do sistema linfático e o resultado surpreendeu a todos. O grupo também encontrou os vasos em mostras de cérebro humano. “Até então, achávamos que o sistema linfático não chegava ao cérebro. Quando eu vi pela primeira vez aqueles vasos, eu entrei em pânico”, afirmou Kipnis ao site Mental Floss.
     
    A localização profunda desses vasos explica o porquê se demorou tanto a descobrir o sistema. Eles são encontradas nos seios durais, que drenam sangue das veias internas e externas do cérebro, dentro das veias internas jugulares.  Os vasos estão, ainda, próximos de grandes vasos de sangue, o que pode explicar o porquê não se soube que esse sistema existia, por tanto tempo.
     
    Kipnis afirmou que os novos vasos precisam ainda serem estudados com profundidade para que se possa compreendê-los na totalidade. 
     
    Até esta descoberta se acreditava que o cérebro era o único órgão importante sem vasos linfáticos e, por isso, separado do sistema imunológico. As imagens dos livros de anatomia geralmente mostram a formação de nódulos e vasos linfáticos como uma complexa teia em todo o corpo, com exceção do cérebro.
     
    Este avanço pode ajudar a entender as causas de várias doenças neurológicas e também do papel que o cérebro pode desempenhar em outras doenças crônicas.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Exame com saliva e sangue pode detectar câncer de cabeça e pescoço

    Exame com saliva e sangue pode detectar câncer de cabeça e pescoço

    Um novo exame que usa sangue e saliva para detectar câncer de cabeça e de pescoço tem se mostrado promissor, segundo um novo estudo.
     
    Enquanto levará anos até que o teste esteja disponível para o público, as descobertas dos pesquisadores da Universidade Johns Hopkins têm aumentado a esperança para um teste de triagem barato, que poderia ser feito por dentistas ou médicos durante visitas regulares.
     
    O câncer de cabeça e pescoço afeta cerca de 50 mil pessoas nos Estados Unidos a cada ano e está em ascensão entre os homens. Os principais fatores de risco são o álcool, tabagismo e papilomavírus humano (HPV), uma infecção comumente transmitida sexualmente.
     
    “Conseguimos demonstrar que o DNA do tumor no sangue ou saliva pode ser medido com êxito por esses tipos de cânceres”, contou o principal autor Nishant Agrawal, professor de otorrinolaringologia e oncologia na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins.
     
    O estudo envolveu 93 pacientes com câncer que tinham sido diagnosticados anteriormente. Em pacientes portadores de cânceres originados por HPV, os cientistas recolheram amostras de sangue e saliva de DNA relacionado à promoção de câncer.
     
    Naqueles com câncer não ligados ao HPV, os médicos buscaram mutações em um punhado de genes relacionados ao câncer. Os pesquisadores descobriram o DNA do tumor na saliva de 71 dos 93 pacientes (76%) e no sangue de 41 dos 47 (87%).
     
    Cerca de metade dos pacientes concederam tanto saliva quanto amostras de sangue aos cientistas, e os testes combinados encontraram DNA do tumor em 45 dessas 47 pessoas (96%).
     
    “A combinação de exames de sangue e de saliva pode oferecer a melhor chance de encontrar o câncer”, disse Agrawal.
     
    Mais testes sobre um maior número de pacientes ainda são necessários antes que o teste possa procurar a aprovação do mercado. Uma forma beta do teste pode custar milhares de dólares, mas com o tempo poderia ser oferecido por 50 dólares em ambiente de escritório ou de cuidados primários de um dentista, disseram os pesquisadores.
     
    “Nosso objetivo final é desenvolver melhores testes de triagem para encontrar cânceres de cabeça e pescoço entre a população em geral e melhorar a forma de como monitorar pacientes com câncer de recorrência de sua doença”, afirmou o co-autor Bert Vogelstein, professor de oncologia na Johns Hopkins Kimmel Cancer Center.
     
    A pesquisa foi publicada em 24 de junho na revista científica “Science Translational Medicine”.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Remédio de artrite consegue dar cor às manchas do vitiligo

    Remédio de artrite consegue dar cor às manchas do vitiligo

    Um remédio para artrite reumatoide conseguiu repigmentar as manchas brancas de uma paciente com vitiligo. O feito foi descrito na revista científica “Jama Dermatology”, da Associação Médica Americana.
     
    O vitiligo é uma doença de pele que provoca perda da pigmentação. Os tratamentos atuais (cremes com esteroides e fototerapia) podem ser eficazes em alguns casos, mas não conseguem reverter a doença.
     
    Um remédio para artrite reumatoide conseguiu repigmentar as manchas brancas de uma paciente com vitiligo. O feito foi descrito na revista científica “Jama Dermatology”, da Associação Médica Americana.
     
    O vitiligo é uma doença de pele que provoca perda da pigmentação. Os tratamentos atuais (cremes com esteroides e fototerapia) podem ser eficazes em alguns casos, mas não conseguem reverter a doença.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • SUS vai distribuir novos remédios para tratar hepatite C

    SUS vai distribuir novos remédios para tratar hepatite C

    O Sistema Único de Saúde (SUS) terá três novos medicamentos para o tratamento da hepatite viral C crônica. O uso do sofosbuvir, daclatasvir e simeprevir na rede pública está previsto em portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde, publicada na edição de hoje (23) do Diário Oficial da União.
     
    Na semana passada o ministério anunciou a previsão de incorporar os três medicamentos que aumentam as chances de cura e reduzem o tempo de tratamento. A adoção foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
     
    O Ministério da Saúde informou que o novo tratamento tem taxa de cura de 90%, enquanto o usado, atualmente, tem eficácia de cura que varia entre 50% e 70%. Outra vantagem apontada é a diminuição do tempo da terapia, das atuais 48 semanas para de 12 semanas. Os medicamentos poderão ser usados por pacientes que acabaram de receber o diagnóstico de hepatite C e pelas pessoas que já completaram o tratamento atual, mas que não se curaram.
     
    Os medicamentos serão adquiridos de maneira centralizada pelo ministério para distribuição aos Estados. A previsão é que no primeiro ano de uso será adquirido o suficiente para o atendimento de 15 mil pacientes. A estimativa é que o valor da compra seja de R$ 500 milhões.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Problemas de saúde causados pelo uso de smartphone e como evitá-los

    Problemas de saúde causados pelo uso de smartphone e como evitá-los

    O celular é quase um companheiro inseparável, visto por muitos como um bem essencial no dia a dia –mas o que muitas pessoas não sabem é que o uso excessivo deles pode causar danos ao corpo humano.
     
    Se você sente constantes dores de cabeça, um couro cabeludo extremamente sensível ou um incômodo atrás de um olho, a culpa pode estar no uso indevido do smartphone.
     
    Especialistas dizem que são cada vez mais comuns os casos de “text neck” –”pescoço de SMS” em tradução livre–, dores na cabeça ligadas a tensões na nuca e no pescoço causadas pelo tempo inclinado em uma posição indevida para visualizar a tela do celular.
     
    Segundo a fisioterapeuta Priya Dasoju, “pescoço de SMS” também pode levar a dores no braço e no ombro. “O que estamos vendo são cefaleias cervicogênicas”, afirmou. Ela diz que o problema vem de tanto inclinar a cabeça para frente da tela do celular, e isso cria uma pressão intensa nas partes frontais e traseiras do pescoço.
     
    Esse problema pode se agravar e, em alguns casos, pode levar a uma condição conhecida como nevralgia occipital. É uma condição neurológica em que os nervos occipitais –que vão do topo da medula espinhal até o couro cabeludo – ficam inflamados ou lesionados. Ela pode ser confundida com dores de cabeça ou enxaqueca.
     
    “Cerca de 30% dos nossos pacientes que vemos têm nevralgia occipital”, disse a osteopata Lola Phillips. “Você tende a ter esse problema quando usa muito tablets, laptops ou smartphones. Você começa a sentir uma tensão na parte da frente do pescoço e uma fraqueza na parte de trás dele.”
     
    A dor pode ser intensa, como se o pescoço estivesse “queimando”, e começa na base da cabeça, se estendendo por toda a parte superior, no couro cabeludo. Geralmente, as dores começam na parte de trás da cabeça, no nervo occipital, mas às vezes elas ficam localizadas mais na parte da frente, acima dos olhos.
     
    'RAIOS DE DORES'
     
    Adam Clark Estes começou a sentir dores de cabeça alguns meses atrás. Segundo ele, a dor é intensa. “É como se fosse a dor de uma ressaca forte. Você sente a cabeça latejando.” Pacientes com problemas de nevralgia occipital relatam dores fortes de cabeça
     
    “Como se alguém tivesse me golpeado na cabeça com um cano de aço quente enviando raios de dores lancinantes no crânio”, conta.
     
    Você pode sentir a dor em um dos lados da cabeça ou nos dois, e até atrás dos olhos quando movimenta o pescoço. O conselho para curar o problema é mudar de postura na hora de mexer no celular –e evitar o uso excessivo dele.
     
    “Quem sofre disso deveria pensar em adotar posturas diferentes quando estiver usando o celular. Sentar na vertical, por exemplo, e levantar o celular ou usar um suporte para ele ficar em uma altura mais adequada”, explica a osteopata Lola Phillips. “É preciso ter mais disciplina com o uso do telefone também”, reitera.
     
    O tratamento inclui correção de postura, massagem e remédios anti-inflamatórios, mas em alguns casos é preciso tomar medidas mais drásticas. Adam Clark Estes teve que injetar um coquetel de esteroides e outros relaxantes nos nervos ao redor do seu pescoço.
     
    “Dói bastante. Acho que o médico me deu quase 20 injeções separadas e depois delas eu fiquei tão mole que achei que iria desmaiar.” “Depois de me recuperar, o médico me disse que me sentiria melhor em um dia – e melhorou mesmo”, conta.
     
    Médicos também podem receitar relaxantes musculares, antidepressivos. Especialistas dizem que a prevenção é a melhor opção. Diminuir o uso de smartphones ou então posicioná-los mais próximo da altura dos olhos são boas estratégias para evitar o problema.
     
    “Tente não manter a mesma postura por muito tempo”, disse a fisioterapeuta Priya Dasoju. “Coloque um lembrete no celular ou no computador para se certificar de que você não está na mesma posição por muitos minutos consecutivos.”
     
    Os médicos garantem que as condições causadas por uso excessivo de smartphones são apenas dolorosas, não fatais.
     
    Fonte: BBC Brasil