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  • Vacina em aerossol contra ebola tem resultado promissor em macacos

    Vacina em aerossol contra ebola tem resultado promissor em macacos

    A primeira vacina em spray contra o ebola teve resultados promissores em macacos, e em breve será testada em seres humanos – informaram pesquisadores norte-americanos nesta segunda-feira (13).
     
    O estudo, publicado no Journal of Clinical Investigation, foi conduzido por cientistas do Centro Médico da Universidade do Texas e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.
     
    Caso possa ser aplicada em seres humanos, os cientistas garantem que a vacina seria útil em situações de crise ou em zonas remotas, onde há dificuldade em encontrar equipe médica para administrar as doses.
     
    Para produzi-la, foi elaborada uma versão enfraquecida do vírus parainfluenza tipo chamado 3 (HPIV3) para expressar uma glicoproteína do vírus ebola, a fim de estimular uma resposta imunitária contra a doença.
     
    O HPIV3 é uma causa comum de infecções do trato respiratório em crianças pequenas.
     
    Os pesquisadores, com a ajuda de máscaras, deram a vacina em spray a macacos Rhesus em seus narizes e bocas.
     
    Depois, quando os animais vacinados receberam o que normalmente seria uma dose letal de vírus ebola, sobreviveram.
     
    “Este estudo demonstra pela primeira vez que uma vacina em spray foi bem sucedida contra uma febre hemorrágica viral”, afirmou Alex Bukreyev, professor de virologia do Centro Médico da Universidade do Texas, na cidade de Galveston.
     
    Mais de 11 mil pessoas morreram em decorrência do altamente infeccioso vírus ebola nos últimos 18 meses, principalmente em países da África Ocidental, como Serra Leoa, Libéria e Guiné.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Brasil foi importante para mundo frear avanço da Aids, diz ONU

    Brasil foi importante para mundo frear avanço da Aids, diz ONU

    A ONU destaca que parte do sucesso do mundo em combater a Aids foi resultado de ter adotado a estratégia que o Brasil havia estabelecido de distribuir o tratamento a todas as pessoas. Hoje, porém, a taxa de avanço nos números brasileiros não seguem o ritmo mundial.
     
    “O Brasil foi o primeiro país a dar de forma gratuita uma combinação de tratamento de Aids. Ao fazer isso, o Brasil desafiou as previsões do Banco Mundial”, indicou o informe.
     
    O informe também destaca como as ameaças de quebra de patentes e as negociações com empresas garantiram preços mais baixos. Por pessoa, o tratamento custaria US$ 274 no Brasil, ante mais de US$ 2,5 mil se comprado das farmacêuticas.
     
    Coordenador de projetos sociais do Instituto Vida Nova, Américo Nunes, de 53 anos, foi diagnosticado em 1988 e acompanhou a evolução do tratamento. “Com o resultado, falaram que eu ia viver seis meses. Hoje, temos medicamentos avançados, menos efeitos colaterais.”
     
    A consultora de prevenção ao HIV Silvia Almeida, de 51 anos, convive com o vírus desde 1994, quando contraiu do marido, e aposta na educação do filho para que ele não se contamine. “Providencio bastante camisinha para ele e converso sobre isso. Acho que a juventude tem muita liberdade sexual, existe informação, mas os jovens não procuram saber o que é o HIV.” Balanço do Ministério da Saúde deste ano apontou que 45% dos brasileiros não usam camisinha com parceiros casuais.
     
    Os atuais números brasileiros sobre a aids não seguem a mesma tendência mundial. No ano 2000, entre 360 mil a 500 mil brasileiros eram portadores do vírus. Hoje, ele seriam entre 610 mil e 1 milhão de pessoas.
     
    O número de novos casos também aumentou. Em 2000, entre 29 mil e 51 mil pessoas foram contaminadas no país. Em 2014, esse número variou entre 31 mil e 57 mil. O ministério afirma que investe em ações para reduzir os casos.
     
    “Fizemos uma campanha no ano inteiro. Há novas estratégias de prevenção, como o teste. Estamos trabalhando para que as pessoas comecem o tratamento”, diz Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde.
     
    As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Canabidiol e outros medicamentos importados ficam mais acessíveis

    Canabidiol e outros medicamentos importados ficam mais acessíveis

    Nesta segunda (13), a importação de medicamentos destinadas a pessoas físicas deixou de ter tributação federal. A nova regra foi publicada no Diário Oficial da União.
     
    Entre os medicamentos que poderão ser importados sem impostos, está o canabidiol (CBD), derivado da maconha sem efeito psicotrópico, que é uma alternativa para tratar casos graves de epilepsia, por exemplo.
     
    Segundo a Receita Federal, “na prática, a medida permitirá que o medicamento seja entregue no domicilio do importador pela empresa de courier, isenta do recolhimento dos tributos federais”.
     
    No dia 7 deste mês entraram em vigor as normas da Anvisa para a importação dos derivados do CBD. Um site foi criado para que as solicitações sejam feitas, de acordo com a norma RDC 17/2015. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Depressão pós-AVC é tratada com eletricidade em pesquisa da USP

    Depressão pós-AVC é tratada com eletricidade em pesquisa da USP

    Pesquisadores da USP mostraram que é possível tratar casos de depressão pós-AVC (acidente vascular cerebral) com uma técnica indolor e de baixo custo, que envolve passagem de corrente elétrica pelo cérebro do paciente. É a estimulação craniana com corrente elétrica contínua.
     
    Durante a estimulação, ainda em fase experimental, a corrente elétrica entra no cérebro do paciente por meio de um eletrodo colocado em um dos lados da cabeça, atravessa o cérebro, e sai por um outro eletrodo, do outro lado. Uma bateria simples, de 9 volts, alimenta o circuito.
     
    Os pesquisadores da USP recrutaram 48 pacientes que estavam com depressão depois de terem sofrido um AVC e dividiram esses pacientes em dois grupos: 24 pessoas receberam a estimulação ativa por 30 minutos ao dia, durante 10 dias; os outros 24 (grupo placebo) tinham a mesma rotina dos outros pacientes mas neles o aparelho funcionava apenas pelo período de 30 segundos.
     
    A aplicação aconteceu no Hospital Universitário da USP, na zona oeste de São Paulo, entre os 2012 e 2014.
     
    Além da aplicação na depressão pós-AVC, a estimulação com corrente elétrica contínua (ECEC) está sendo testada contra dor crônica, enxaqueca, epilepsia e fibromialgia com resultados preliminares positivos. Em testes contra a esquizofrenia, os resultados foram ainda mais animadores.
     
    No caso do estudo da depressão pós-AVC, 38% dos pacientes tratados tiveram melhora clínica e apresentaram bons resultados em mais de metade dos sintomas da depressão. No grupo placebo, apenas 4% dos pacientes melhorou. Eles realizaram o mesmo tratamento do grupo ativo após o término da pesquisa.
     
    O tratamento não inclui antidepressivos, que apresentam efeitos colaterais como tontura, náuseas, e boca seca.
     
    “No caso dos pacientes que têm AVC, que já estão fragilizados, esses efeitos colaterais são muito pouco tolerados”, disse Andre Brunoni, coordenador do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação do Instituto de Psiquiatria da USP e um dos autores do estudo.
     
    O trabalho foi apresentado do Congresso da Sociedade de Psiquiatria Biológica, em Toronto, em maio deste ano.
     
    Cerca de um terço das pessoas que sofreram AVC apresentam depressão como uma complicação do episódio. Apesar disso, a relação entre os eventos não é totalmente clara. Uma hipótese é a de que as sequelas e a debilidade do paciente contribuem para o desenvolvimento da depressão.
     
    Metade dos pacientes com depressão pós-AVC tratados com a estimulação não tiveram recaída de nenhum dos sintomas. É o caso de Angelina dos Santos, 43, que sofreu um AVC há quatro anos e teve depressão como uma complicação. “Não tinha forças para nada. Quando tinha que ir ao médico me sentia como se tivesse que atravessar o oceano”, disse ela.
     
    Quando a equipe de Brunoni e Leandro Valiengo (outro autor do estudo) entrou em contato com ela sobre o tratamento, ela aceitou participar e agora não sente mais os sintomas da depressão.
     
    A corrente contínua é aplicada no paciente acordado, sem anestesia e não apresenta nenhum efeito colateral sério. “Nos primeiros minutos da aplicação, os pacientes sentem um leve formigamento na cabeça, parecido com alguns aparelhos de fisioterapia”, diz Valiengo.
     
    O aparelho utilizado é simples de ser fabricado, pode ser portátil e custa cerca de R$ 1.000.
     
    TÉCNICAS
     
    Existem outros tratamentos para a depressão que dispensam medicação. A eletroconvulsoterapia, conhecida como eletrochoque, e a estimulação magnética são outras possibilidades já aprovadas para uso no país.
     
    Na eletroconvulsoterapia os eletrodos induzem uma corrente elétrica no cérebro com o paciente anestesiado. É indicada para depressão profunda e para pacientes que não respondem ao tratamento convencional.
     
    “É eficaz, mas ainda sofre um pouco de estigma negativo, porque antigamente o paciente não era anestesiado, e causa alguns efeitos colaterais na memória”, diz Valiengo.
     
    Já a estimulação magnética é indolor e, como a ECC, não requer anestesia.
     
    Uma bobina, que é apoiada na cabeça do paciente, gera um campo magnético que afeta os neurônios, ativando-os ou inibindo-os. O aparelho de estimulação magnética, porém, pode custar até 20 vezes mais que o de corrente contínua, conta Valiengo.
     
    Estudo recruta pacientes para novos testes
     
    Os pesquisadores que testaram o uso de corrente elétrica contínua para tratar depressão pós-AVC estão agora recrutando pessoas para novas pesquisa para tratar depressão e esquizofrenia.
     
    Para a primeira, os voluntários devem estar em um episódio depressivo (mesmo sem ter sofrido AVC) para poder participar dos testes, que vão comparar diretamente a estimulação elétrica com antidepressivos.
     
    A ideia é comparar a eficácia das duas abordagens terapêuticas e saber, entre outras coisas, quando uma é melhor que a outra.
     
    Na outra pesquisa, pessoas que tenham esquizofrenia podem participar de um protocolo que vai comparar a estimulação elétrica com placebo para o alívio de sintomas que não apresentam melhora.
     
    Para participar ou pedir mais informações, os candidatos devem entrar em contato com os pesquisadores pelos emails: [email protected] ou [email protected].
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Pode o AVC acontecer em qualquer idade?

    Pode o AVC acontecer em qualquer idade?

    Recentemente, a American Heart Association e a American Stroke Association, em parceria com a International Alliance for Pediatric Stroke, divulgaram no mundo a mensagem: Stroke Can Happen at Any Age (AVC Pode Acontecer em Qualquer Idade), alertando para eventos cerebrovasculares no feto, no período perinatal (nascidos entre 28 semanas de gestação e 28 dias de vida pós-natal), na criança (com predomínio nos três primeiros anos de vida) e adolescência.
     
    No feto, o AVC raramente é identificado na mãe gestante através do ultrassom trans-abdominal; somente após o nascimento, no terceiro ou quarto mês de vida, pode ser detectado eventual alteração motora, sendo confirmado, então, o AVC por Tomografia ou Ressonância Magnética de crâneo. Os fatores de risco para icto fetal dependem: das condições maternas (trombofilias, alteração de coagulação sanguínea, gestante usuária de drogas ilícitas); fatores placentários e causas não identificadas.
     
    Em Neonatos, o quadro clínico agudo se manifesta no período de 24-72 horas após o nascimento, e se caracteriza por: hiperexcitabilidade, ou alterações da vigilância, sucção diminuída, hipotonia, apnéia com ou sem convulsões. O diagnóstico é confirmado utilizando exames de imagem. Existe, no entanto, possibilidade do AVCI ou AVCH ter ocorrido no último trimestre da gestação, sendo esta condição, identificada como AVC Presumível Intragestacional.
     
    Convém lembrar que têm sido possível detectar fatores associados, complicadores, como hipertensão arterial materna, pré-eclampsia, oligohidrâmnio, corioamnionite, ruptura de membranas, alterações placentárias e frequência cardíaca fetal anormal.
     
    Na Infância, o quadro clínico inaugural se caracteriza por: manifestações convulsivas, modificações da vigilância, particularmente em crianças com idade inferior a dois anos; alterações motoras (hemiparesia, modificações posturais); em lactentes, após o icto, pode haver comprometimento da emissão de sílabas, de palavras, permanecendo o choro, irritabilidade ou apatia. Com os achados acima expostos, a criança acometida, deve ser internada imediatamente em unidade de terapia intensiva, visando comprovar o diagnóstico, utilizando recursos de laboratório e exames de imagem, identificando o tipo, o local e a extensão do território vascular comprometido.
     
    Os avanços no conhecimento da fisiopatologia de várias doenças pediátricas, como as neoplasias, doenças imunológicas e, de modo geral, anormalidades sistêmicas, têm prolongado a sobrevivência de crianças e adolescentes, possibilitando dessa forma, a ocorrência mais tardia de insultos vasculares, isquêmicos, hemorrágicos e tromboses.
     
    Qual o impacto do insulto vascular no desempenho evolutivo de crianças e adolescentes em relação as funções intelectuais, neurocomportamentais e rendimento acadêmico ?
    Interessantes constatações evolutivas têm sido publicadas na literatura nacional e internacional, relatando que os pacientes que apresentaram piores resultados no desempenho neuropsicológico foram aqueles com AVC constatado em idade precoce; em lesões cerebrais córtico subcorticais extensa, quando desenvolveram manifestações epilépticas, ou recorrência do AVC.
     
    Profª Drª Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro, Profª Sylvia Maria Ciasca & Equipe CNPq Anormalidades Neurovasculares na Infância e Adolescência
     
    Fonte: www.maxpressnet.com.br
  • Pesquisadores testam vírus para reverter formas de surdez genética

    Pesquisadores testam vírus para reverter formas de surdez genética

    Cientistas dos Estados Unidos e da Suíça afirmam que conseguiram reverter alguns tipos de surdez em cobaias com o uso de um vírus.
     
    Problemas no DNA são responsáveis por cerca de metade dos casos de perda de audição na infância.
     
    O estudo com camundongos foi publicado na revista especializada Science Translational Medicine e mostrou que um vírus pode corrigir o problema genético e restaurar parte da audição.
     
    Segundo os especialistas, os resultados poderão levar à disponibilização de um tratamento dentro de dez anos.
     
    A pesquisa se concentrou em analisar os pelos minúsculos dentro do ouvido, que convertem os sons em sinais elétricos que podem ser interpretados pelo cérebro.
     
    Mas mutações no DNA podem fazer com que estes pelos não consigam criar o sinal elétrico, o que leva à surdez.
     
    A equipe de pesquisadores desenvolveu um vírus geneticamente modificado que pode infectar as células dos pelos do ouvido e corrigir este erro.
     
    INJEÇÕES
     
    A nova terapia foi testada em camundongos que sofriam de “surdez profunda”, que não escutariam nada nem mesmo estando em meio a um barulhento show de rock, com níveis de som chegando aos 115 decibéis.
     
    Injeções do vírus modificado nos ouvidos levaram a uma “melhora considerável” na audição, apesar de não ter restaurado aos níveis normais.
     
    Depois do tratamento, os animais conseguiam ouvir o equivalente de ruído dentro de um carro em movimento, ou cerca de 85 decibéis.
     
    Eles também apresentaram alteração no comportamento em resposta a sons durante o período de 60 dias do estudo.
     
    “Estamos muito animados, mas também estamos com um otimismo cauteloso, pois não queremos dar esperanças falsas. Seria prematuro dizer que encontramos uma cura”, disse à BBC Jeffrey Holt, um dos pesquisadores participantes do estudo e que trabalha no Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos.
     
    “Mas em um futuro não tão distante poderia se transformar em um tratamento para a surdez genética. Então, esta é uma descoberta importante”, acrescentou.
     
    A equipe afirmou que a pesquisa ainda não está pronta para o início de testes clínicos em humanos.
     
    Eles querem provar que o efeito é duradouro. Por enquanto, sabem que a terapia funciona por alguns meses, mas o objetivo é que o tratamento funcione para a vida toda do paciente.
     
    GENES DIFERENTES
     
    O estudo conseguiu corrigir uma mutação em um gene chamado TMC 1, que é o responsável por cerca de 6% dos casos de surdez hereditários.
     
    No entanto, existem mais de cem genes separados que já foram ligados à surdez.
     
    “Posso prever pacientes com surdez tendo seus genomas sequenciados e um medicamento personalizado e preciso injetado em seus ouvidos para restaurar a audição”, disse Holt.
     
    O tratamento visa apenas ajudar as pessoas com surdez causada por problemas nos genes e não os adultos que sofrem de surdez decorrente de ouvir música alta.
     
    Para Tobias Moser, do Centro Médico da Universidade de Gottingen, na Alemanha, os resultados da pesquisa são “promissores”.
     
    Moser afirma que o estudo dá “esperança de que a restauração da audição será disponível para algumas formas de surdez na próxima década”.
     
    “Acho que esta pesquisa representa um avanço muito animador em nossa compreensão do que pode ser alcançado usando a abordagem de transferência de genes no ouvido interno para reduzir o impacto de mutações danosas”, afimou Karen Steel, cientista britânica do King's College de Londres.
     
    “No momento, a função (audição) é resgatada apenas em parte, mas é um começo e provavelmente a metodologia poderia ser desenvolvida para melhorar o resultado”, acrescentou.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • O “Viagra Rosa” vem aí para resolver um problema que talvez não exista

    O “Viagra Rosa” vem aí para resolver um problema que talvez não exista

    O que torna o sexo bom? O orgasmo? A interação das partes? Ou o simples fato de fazer sexo?
     
    Para uma das participantes de um estudo sobre disfunção sexual realizado pela FDA (Food and Drug Administration, o órgão americano responsável pelo controle de alimentos, cosméticos e medicamentos no país), sexo bom é quando seu marido se diverte. Katherine, identificada apenas por seu primeiro nome, diz “não ter expectativas” quanto ao assunto e que faz sexo “por obrigação”. Carol, outra participante, diz que só quer chegar ao final sem chorar. Beverly diz já ter gasto US$ 35000 em diversos tratamentos médicos para consertar o problema de seu interesse sexual.
     
    Embora todas as mulheres ouvidas no estudo conduzido em outubro tenham descrito diferentes problemas em relação ao sexo, todas obtiveram o mesmo diagnóstico: Disfunção Sexual Feminina (DSF). Inexistente há 10 anos, a disfunção é ainda hoje motivo de ceticismo para muitos especialistas. Vários médicos duvidam de sua existência ou de que seja possível tratá-lo com a medicina moderna.
     
    Apesar das incertezas, a Sprout Pharmaceuticals –mesma fabricante do Testopel, a pastilha de testosterona que podia causar crescimento de seios pretende colocar no mercado o santo graal dos remédios contra disfunções sexuais: um “Viagra para mulheres” ou, como chamam por aí, o “Viagra rosa.
     
    A flibanserina, princípio ativo do “Viagra rosa”, seria inicialmente destinado ao tratamento contra a depressão, mas foi reprovada durante os testes. O motivo: algumas mulheres afirmaram ter sentido um aumento do desejo sexual. De olho na oportunidade de se lançar em um mercado sem concorrência, a Sprout comprou a patente do composto em 2012 e o classificou recomendado ao tratamento contra a DSH, Síndrome do Desejo Sexual Hipoativo, antiga terminologia da DSF.
     
    Embora o medicamento já tenha sido rejeitado duas vezes pela FDA devido a sua ineficiência e ao alto índice de efeitos colaterais e interações medicamentosas, há sinais que levam a crer que a Sprout poderá disponibilizar a flibanserina ao público geral em agosto deste ano. No seu último relatório, um comitê interno da FDA declarou que a disfunção sexual feminina era “claramente uma área de necessidades médicas não atendidas”. E por mais que a FDA tenha admitido no relatório não saber como a flibanserina funciona no tratamento dessa disfunção que pode nem existir, seu uso foi aprovado com 18 votos a favor e apenas 6 contra.
     
    “É muito desgastante começarmos uma reunião dizendo que estamos comprometidos com o desenvolvimento de uma nova droga quando, na verdade, não conseguimos chegar a um consenso sobre sua finalidade”, declarou ao comitê o Dr. Leonore Tiefer, psiquiatra Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos.
     
    Alguns atribuem essa nova aceitação da flibanserina a uma agressiva campanha de marketing orquestrada pela Sprout, que acusou a FDA de sexismo. Anita Clayton, médica e consultora remunerada da Sprout e de outras sete companhias farmacêuticas, alega em um artigo que a “aprovação expressa de remédios como o Viagra em oposição à morosidade com que se trata a flibanserina subestima a importância da saúde sexual feminina”.
     
    “Parece que há algo tendencioso por parte da FDA,” diz Anita Clayton em uma entrevista. “O tratamento contra a disfunção sexual feminina está enfrentando barreiras que não existiram contra o tratamento da disfunção sexual masculina.”
     
    O grupo Even the Score (algo como empatar o jogo, em inglês), custeado em parte pela Trimel Pharmaceuticals e a Sprout Pharmaceuticals, se tornou o principal porta-voz desse ponto de vista. Em sua página na Internet, declaram que o sexo é “um direito humano básico” e que “devemos agir em prol dessas 1 em 10 mulheres, casais e famílias afetadas por este problema”. O grupo diz ainda que, enquanto hoje há 26 medicamentos para a disfunção sexual masculina, não há nenhuma para a feminina –embora em sua lista de estimulantes para homens estejam incluídas diferentes dosagens da mesma substância e alguns remédios que não foram aprovados especificamente no tratamento contra a disfunção sexual.
     
    Em entrevista ao “Wall Street Journal” ano passado, Cindy Whitehead, diretora da Sprout, declarou que a campanha do Even the Score não tinha por objetivo pressionar a FDA, mas conscientizar o público quanto a uma necessidade médica não atendida.
     
    Durante séculos, medicina e psicologia consideraram o desejo sexual feminino um sintoma de histeria. Este diagnóstico, também chamado de “fúria uterina, foi dado até 1980. É irônico que agora a mulher que não tenha interesse em sexo seja classificada como doente mental e aqueles que discordem considerados sexistas.
     
    “As normas do desejo variam de acordo com a época e com a cultura,” diz Thea Cacchioni, socióloga e professora de Estudos sobre a Feminilidade, que escreveu sobre sua experiência nos testes da flibanserina pela FDA. “Há apenas 150 anos, médicos nos diziam que havia algo de errado conosco se tivéssemos desejo sexual frequente. Agora, algo está errado se não temos desejo sexual.”
     
    Professora de clínica médica e diretora da Escola de Medicina Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, a Dra. Rosemary Basson foi membro do comitê realizado em outubro pela FDA. Segundo ela, ter pouco desejo sexual é normal. “É o que estamos vivendo no mundo real, com nossas vidas tão ocupadas”, diz Basson.
     
    Embora a total impossibilidade de uma mulher ter interesse sexual seja de fato uma questão problemática, é provável que casos tão extremos estejam mais relacionados a doenças fisiológicas, saúde mental ou problemas de relacionamento. O interesse sexual permanente pelo parceiro é uma expectativa irrealista.
     
    “Forneci referências que evidenciam que o oposto é verdadeiro –que, quando perguntadas, mulheres sexualmente satisfeitas dizem que é raro sentir desejo sexual exceto quando durante uma relação sexual”, diz Basson
     
    Basson diz que, se uma pessoa está satisfeita sem esse desejo constante, não pode ser considerada uma disfunção
     
    Enquanto a disfunção sexual masculina é caracterizada pela impossibilidade de atingir uma ereção, a disfunção feminina, como listada pela Associação Americana de Psiquiatria em seu catálogo oficial de distúrbios mentais, é tida como uma dificuldade de excitação devido à falta de interesse ou fantasias sexuais.
     
    Houve uma época em que se acreditava que o Viagra poderia funcionar para mulheres também devido ao simples aumento no fluxo sanguíneo da região genital. Mesmo sem muito sucesso, alguns médicos receitam o Viagra para suas pacientes. Karen, uma das participantes do estudo, já tentou tratamento com o medicamento e diz que “a única coisa que ficou inchada foram meus seios paranasais”.
     
    Durante os testes clínicos, a Sprout mediu a efetividade da flibanserina com três marcadores: o número de relações sexuais satisfatórias em um mês, a ansiedade relacionada a sua vida sexual e seu desejo sexual no geral. O medicamento foi testado apenas em mulheres em relacionamentos estáveis heterossexuais.
     
    Em comparação ao placebo, a flibanserina aumentou o número de “eventos sexualmente satisfatórios” em uma média de 0,5 a 1 de uma média total de 2 a 3 eventos por mês. A ansiedade em relação ao sexo caiu em média cerca de 10%.
     
    Então fazer uso da flibanserina pode fazer a mulher atingir o orgasmo mais de uma vez por mês e ficar menos 10% preocupada com o assunto!
     
    A FDA e a Sprout não conseguiram chegar a um acordo sobre como medir o desejo sexual geral, citado como o grande problema na maioria dos casos. Nos registros diários sobre interesse em sexo que as participantes mantinham, a flibanserina não se mostrou mais eficiente que o placebo. Após 28 dias de uso, as mulheres preencheram um questionário em que classificavam o desejo sexual em uma escala de 1,2 a 6,0 e assinalaram um aumento de, em média, 0,35. Contudo, assim como o efeito de um placebo, pode-se dizer que esses testes teriam o mesmo efeito da terapia sexual, uma vez que, durante esse período, as participantes tiveram que fazer do sexo sua prioridade: pensavam sobre isso todos os dias e registravam suas impressões sobre o assunto.
     
    Classificar algo tão subjetivo como o interesse sexual em uma escala de 1,2 a 6 é tão problemático quanto caracterizar mulheres que não têm interesse sexual constante como portadoras de transtorno mental. Ideias relacionadas a sexo e desejo são construídas socialmente e há muitos motivos pelos quais as mulheres podem não estar interessadas em sexo a qualquer momento.
     
    Além da eficácia duvidosa da flibanserina, os estudos revelaram também diversos efeitos colaterais. Em 2010, a US News & World Report relatou que “cerca de 15% dos usuários de flibanserina pararam de tomar o medicamento durante os testes devido a reações como tonteira, enjoo, ansiedade e insônia, comparados a 7% dos usuários de placebo”. Esses riscos aumentam quando o uso da flibanserina é somado ao consumo de álcool, que estará listado como uma proibição aos usuários. Talvez o mais perturbador seja o fato de que a Sprout tenha feito testes em apenas 25 pessoas, das quais 23 eram homens, um jeito curioso de estudar um medicamento desenvolvido para o tratamento de uma disfunção que afeta apenas mulheres.
     
    Outro motivo de preocupação é o fato de que as mulheres mais suscetíveis ao poder de persuasão do marketing da flibanserina são também aquelas que tentam controlar o nervosismo em relação ao sexo com o consumo de álcool.
     
    “Mulheres com dificuldades sexuais frequentemente dizem que só conseguem consentir com a ideia de uma relação sexual se beberem um pouco antes, então o fato de que a flibanserina não deve ser misturada com álcool é uma enorme preocupação.”
     
    Segundo Cacchioni, a Even the Score desempenhou o papel mais frustrante de todo esse circo. A ideia de que um medicamento como este seria um avanço para o feminismo ou a saúde feminina “jamais foi corroborada em nenhuma literatura acadêmica feminista. Muito pelo contrário, entre acadêmicas feministas e pessoas que trabalham com saúde e sexualidade, o entendimento é que há muito tempo a indústria farmacêutica cria medicamentos perigosos e ineficientes para mulheres.”
     
    Cacchioni afirma em sua pesquisa própria que mesmo as mulheres que culpam a biologia por seu escasso desejo sexual admitem ter dificuldades em se adequar às expectativas da sociedade.
     
    “Por mais que tentem pôr a culpa em seus corpos, o que pude ver nas entrevistas é que essas mulheres tiveram muitos problemas com a heteronormatividade contemporânea”, diz. “Elas falaram sobre a influência negativa de Hollywood, suas primeiras experiências negativas com a sexualidade, o jeito com que seus parceiros foram duros com elas caso não estivessem de acordo com certos ideais sexuais e a vergonha que sentiam até mesmo ao conversar com suas amigas sobre sexo, caso elas não estivessem muito interessadas no assunto.”
     
    Das mulheres que sofrem de baixo desejo sexual ouvidas no estudo da FDA, todas foram veementes ao afirmar que não havia nenhuma questão pessoal ou de relacionamento que pudesse ser a causa do problema. Uma delas, porém, disse ter aprendido muito cedo a não tomar a iniciativa porque, quando o fazia, era reprimida e humilhada por seus namorados. Outra teve que ser submetida a remoção de útero e ovários aos 35 anos devido a danos causados por um Dalkon Shield: um DIU que, segundo ela, disseram ser 100% seguro, “o Cadillac dos contraceptivos”. Várias mulheres afirmaram evitar a todo custo ficarem sozinhas com seus maridos. Carol só conseguiu descrever como se sente quando seu marido inicia uma relação sexual com um alto suspiro. De novo, todas elas tinham certeza de que o problema era estritamente biológico.
     
    “Há muitos motivos sociais, interpessoais e econômicos relacionados ao baixo desejo sexual feminino e muito pouca, talvez nenhuma, evidência de que este problema esteja relacionado a algum mecanismo interno falho, sobretudo em relação à química cerebral”, diz Cacchioni. Dizer às mulheres que há algo de errado com elas, que uma pílula fará com que tenham vontade de fazer sexo com seus parceirosve que poderia, inclusive, salvar seus relacionamentos, não consertará esses problemas fundamentais. “Isso vai mexer com as inseguranças de muitas mulheres.”
     
    Esta não seria a primeira vez que a FDA brinca com a heteronormatividade para vender medicamentos. Em 2010, a Slate Pharmaceuticals (antigo nome da Sprout) foi advertida pela FDA violação de regras na campanha de um tratamento com testosterona, o Testopel. Nas propagandas (“É baixa T?”), homens descreviam seus problemas, que iam desde HIV até não conseguirem fazer mais do que 5 flexões e exaltavam o Testopel ao relatar como a droga os havia ajudado. A advertência da FDA dizia que os panfletos, o site e os vídeos produzidos pela Slate promoviam usos não aprovados do Testopel; mais: omitiam e minimizavam informações importantes quanto aos riscos em sua utilização, exageravam em sua eficácia, descartavam fatos concretos, apresentavam alegações enganosas para própria conveniência e encorajavam um regime de dosagem não aprovado. A advertência afirmava ainda que a FDA estava “extremamente preocupada com a amplitude e o alcance dessas violações”.
     
    Uma observação interessante é o fato de que algumas participantes do estudo sobre a flibanserina conduzido pela FDA utilizavam testosterona para aumentar a libido. Duas disseram durante a pesquisa que estavam com pastilhas de testosterona sob a pele.
     
    O tratamento deveria deveria durar por seis meses, mas Beverly diz que, às vezes, volta ao médico depois de apenas dois ou quatro meses caso se sinta menos interessada em sexo. “Quando não me interesso nos avanços dele,” ela conta sobre seu marido, “fica muito claro para mim que o efeito da pastilha deve estar acabando”. Ela só quer uma pílula que possa tomar todos os dias e cujo efeito nunca passe. Outra mulher disse sobre seu marido que “se ele quer sexo, dou o que ele quer e, naquele dia, fui uma boa esposa”.
     
    Se a ideia de igualdade no sexo é dar mais poder aos homens para ter sexo sempre que quiserem e às mulheres menos chance de dizer não, a flibanserina não é uma solução. E decerto não é feminista.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Cientistas descobrem rota molecular contra parasita da malária

    Cientistas descobrem rota molecular contra parasita da malária

    São Paulo – A partir de novas investigações sobre o complexo processo do parasita da malária para invadir as células do corpo humano, um grupo de cientistas britânicos descobriu uma proteína fundamental para a sobrevivência do protozoário na corrente sanguínea da vítima. 
     
    De acordo com os autores do estudo, publicado na terça-feira, 7, na revista Nature Communications, a descoberta deverá abrir caminhos inéditos para o desenvolvimento de novas drogas que impeçam o funcionamento da proteína, aniquilando o parasita. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária mata 200 mil pessoas por ano e é responsável por 20% da mortalidade infantil na África. 
     
    A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, que são transmitidos aos humanos pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Uma vez no interior do organismo humano, o parasita utiliza um processo complexo para invadir as hemácias – as células vermelhas do sangue – e sobreviver em seu interior. 
     
    Os cientistas da Universidade de Leicester e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres – ambas no Reino Unido -, identificaram uma das proteínas fundamentais para a sobrevivência do protozoário nas hemácias. De acordo com o artigo, eles conseguiram impedir o funcionamento dessa proteína, matando assim o parasita.
     
    Para fazer a descoberta, os cientistas utilizaram métodos de última geração para investigar as rotas bioquímicas envolvidas na sobrevivência do parasita na corrente sanguínea do hospedeiro.
     
    As técnicas incluíram uma abordagem conhecida como genética química, na qual pequenas moléculas sintéticas são utilizadas em conjunto com modificações genéticas no DNA do parasita.
     
    A equipe, liderada por Andrew Tobin e David Baker, descobriu que uma proteína quinase chamada PfPKG tem um papel central em várias rotas que permitem a sobrevivência do protozoário no sangue. Segundo eles, futuras drogas poderão ser desenhadas para agir precisamente nessas rotas, aniquilando o parasita. Essa precisão permitirá que as novas drogas sejam menos tóxicas, o que possibilitará o uso seguro em crianças e mulheres grávidas – uma grave limitação para os remédios atualmente existentes.
     
    Segundo Tobin, a descoberta é um marco na compreensão sobre a sobrevivência do parasita na corrente sanguínea e na sua capacidade de invadir as células do sangue. “Nós revelamos um processo que permite que isso (sobrevivência e invasão do parasita) aconteça e se ele puder ser o alvo para novas drogas, nós teremos algo que poderá deter a malária em seu curso sem causar efeitos colaterais tóxicos”, afirmou Tobin.
     
    “É uma grande vantagem para a descoberta de novas drogas, já que conseguimos identificar um alvo molecular para uma droga específica e as consequências do bloqueio de sua função. Isso nos ajudará a projetar uma combinação mais eficaz de tratamentos e também ajudará a evitar a resistência à droga, que hoje é um dos principais problemas par ao controle da malária em todo o mundo”, disse Baker.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Botox ajuda a tratar paralisia, rigidez muscular e até enxaqueca

    Botox ajuda a tratar paralisia, rigidez muscular e até enxaqueca

    A pequena Ana Helena Esteves Rossi, 4, tem dificuldade para caminhar e segurar objetos. Ela foi diagnosticada com paralisia cerebral aos seis meses de idade. Desde então, seus pais têm procurado diversos tipos de tratamento para lhe oferecer mais qualidade de vida, mas foi quando ela tinha pouco mais de dois anos que a família a levou para sua primeira aplicação da toxina botulínica A – conhecida com o nome comercial Botox (usado para tratamentos estéticos). Eles perceberam que a aplicação do medicamento devolvia movimentos que a menina havia perdido e proporcionava um relaxamento muscular que aliviava possíveis dores.
     
    “Hoje, eu posso dizer que ela tem qualidade de vida. Ainda tem dificuldade, mas podemos perceber que os resultados são bastante satisfatórios”, afirma o pai da criança, Wagner Costa Rossi Junior. A partir das aplicações de botox, a criança começou a caminhar melhor.
     
    Morador de Alfenas, em Minas Gerais, Wagner traz a filha a São Paulo, em média, duas vezes ao ano para aplicar o botox nos músculos do braço e perna, que foram comprometidos pela paralisia. “Apesar de não tratar a paralisia em si, o botox proporciona uma melhora quase imediata e muito satisfatória enquanto está em ação. Na última semana, ela fez mais uma sessão e já notamos que ela está melhor. Após a aplicação, bastam alguns dias para percebermos a diferença”, comentou o pai.
     
    O objetivo do botox não é substituir o tratamento das doenças, mas devolver qualidade de vida aos pacientes que apresentam problemas como rigidez muscular e espasmos na musculatura – complicações comuns decorrentes de AVC (Acidente Vascular Cerebral), traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla, doença de Parkinson em estágio avançado e até paralisia cerebral.
     
    “Essas doenças e suas complicações, que precisam sempre de tratamento especializado, são intensamente melhoradas com o uso da toxina, cujo principal objetivo é oferecer melhor qualidade de vida. Ele não substitui o tratamento “convencional”, mas associado ao tratamento, se consolida cada vez mais como aliado dos pacientes, que chegam a atingir 90% de sua funcionalidade após a aplicação”, explicou o médico André Pedroso, especialista do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano.
     
    Segundo o especialista, a principal vantagem do tratamento é a segurança no procedimento, com taxas de complicações muito baixas. O método não tem contraindicação e é quase indolor. As aplicações costumam ser locais, apenas na parte comprometida pela doença, e os resultados começam a ser percebidos em poucos dias, sendo no 15º dia a substância chega ao seu pleno efeito e os resultados são bastante perceptíveis durante a atuação da toxina, que costuma durar cerca de 6 meses.
     
    “Cada caso é um caso e cada paciente responde de uma maneira ao tratamento. Há casos em que o paciente faz a primeira aplicação e o resultado dura até mais de seis meses. O espaço de tempo entre as sessões costuma ser de quatro meses”, completou o especialista. O botox vem sendo estudado como tratamento terapêutico desde os anos 1980, mas a procura pelo tratamento aumentou nos últimos cinco anos.
     
    A dona de casa Lilian Camas, de 57, vem sendo tratada com a toxina há quase 20 anos. Aos 41, ela sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e ficou com os membros do lado esquerdo comprometidos. Dois anos depois, ela iniciou as aplicações de botox nos músculos afetados.
     
    “Já fiz muitas sessões e posso dizer que o botox, além de me trazer independência e facilitar meu dia a dia, diminui a dor e traz mais equilíbrio”, contou Lilian, que mora em São Paulo com o esposo e dois filhos. 
     
    Enxaqueca
     
    Um outro problema que pode ser tratado pela toxina botulínica é a enxaqueca crônica, ou seja, a dor de cabeça que não responde mais aos analgésicos.
     
    “No caso da enxaqueca, o método é indicado quando o problema se torna crônico e a dor, que dura 15 dias por mês, já não passa com os analgésicos”, explicou Caio Simioni, médico do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo.
     
    O médico também afirmou que a substância atua direto na terminação nervosa, impedindo a comunicação entre o nervo e o músculo, em diversas partes do corpo. “Chamamos esta técnica de bloqueio neuroquímico, por isso funciona tão bem nos casos de enxaqueca de difícil controle”, concluiu. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Anvisa avança com a implementação da nova Resolução de ensaios clínicos para medicamentos

    Anvisa avança com a implementação da nova Resolução de ensaios clínicos para medicamentos

    No dia 03 de março, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução 09/2015, que regula a realização de ensaios clínicos com medicamentos no Brasil. O objetivo da norma foi harmonizar o marco regulatório brasileiro com as demais normativas internacionais, modernizar o arcabouço regulatório, reduzir os prazos por meio de uma avaliação baseada em risco e aperfeiçoar os fluxos de trabalho.
     
    Dentre as grandes mudanças trazidas pela Resolução, pode-se destacar a previsibilidade, a partir do estabelecimento do prazos para manifestação da Anvisa, a avaliação mais detalhada de aspectos de qualidade, bem como a implementação de um plano de desenvolvimento do medicamento experimental.
     
    Considerando o compromisso assumido pela Anvisa em relação à previsibilidade e transparência de suas ações, a Agência vem fazendo um acompanhamento rigoroso dos resultados da implementação da norma, das quais é possível destacar: i) a publicação dos Manuais e Documento de Perguntas e Respostas sobre a RDC 09/2015; ii) a aproximação com as áreas de registro de medicamentos, visando uma harmonização de entendimentos por meio da elaboração conjunta de manuais, fluxos internos de discussões; iii) ampliaçao das reuniões com o setor regulado; iv) fim do passivo de petições referente aos processos submetidos na vigência da RDC 39/2008; e v) diminuição dos prazos regulatórios que já passou de dez meses para cinco meses, aproximadamente.
     
    A Anvisa reconhece a importância de prazos competitivos para a atratividade de ensaios clínicos para o país, mas considera que a diminuição do tempo de análise não pode comprometer a qualidade da avaliação técnica e, nem mesmo, fragilizar o processo regulatório já estabelecido no país.
     
    É neste contexto que a Anvisa, compreendendo a relevância da pesquisa clínica para o desenvolvimento científico e regulatório do Brasil, se compromete a continuar acompanhando o processo de implementação da nova norma para que se estabeleça a cada dia uma Agência ainda mais forte, transparente e de credibilidade nacional e internacional.
     
    Reduzidos os prazos na fila de análise de medicamentos novos
     
    Após uma série de mudanças, os prazos médios para a concessão de registro de medicamentos novos caiu em cinco meses. Em números, a Anvisa reduziu em 32%, ou seja, em quase 1/3, o tempo de análise em relação a 2014.
     
    Fonte: Anvisa