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  • HPV aumenta incidência de câncer de boca e garganta entre jovens

    HPV aumenta incidência de câncer de boca e garganta entre jovens

    Se há vinte anos os registros de câncer de boca e garganta eram quase que exclusivamente entre pessoas acima dos 50 anos. Atualmente, um dado chama a atenção dos oncologistas: cada vez mais jovens – adultos até 40 anos – têm apresentados tumores malignos nessas partes do corpo. “A média etária de pessoas com câncer nessas áreas tem caído. Hoje em dia, atinge cerca de 30 a 40% de pessoas que não são tabagistas nem etilistas, e são mais jovens”, afirma o oncologista Luiz Paulo Kowalski, Diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo.
     
    De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os cânceres de cavidade oral e orofaríngeo estão entre os dez tipos de maior incidência em homens brasileiros. E, mesmo que o cigarro e o álcool ainda sejam suas principais causas, eles costumam exigir uma exposição prolongada para o desenvolvimento de um tumor – entre 15 e 30 anos de consumo. Por isso, um outro fator de risco tem sido considerado pelos pesquisadores: o papiloma vírus, popularmente conhecido como HPV, que tem a capacidade de desenvolver um câncer em menos tempo.
     
    “Com a queda do consumo do tabaco, esperávamos diminuir a incidência e a mortalidade do câncer, mas houve uma mudança de perfil. Está caindo o número de cânceres relacionados ao tabaco, devido às campanhas de controle, mas estão aumentando os casos relacionados ao HPV.” Pesquisadores apontam que, até 2030, o número de casos relacionados ao vírus deve superar os casos ligados ao tabaco nos Estados Unidos.
     
    Um estudo atual, feito com orientação da bióloga e geneticista do A.C. Camargo e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sílvia Regina Rogatto, aponta que em casos de câncer de amídala a incidência do HPV cresceu de 25%, registrados há 20 anos, para 80%.
     
    Em uma outra pesquisa, comandada por Kowalski, os médicos detectaram que 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos eram em portadores do vírus. Em pacientes acima de 50 anos, a presença do vírus foi detectada em apenas 8%.
     
    Contaminação pelo HPV
     
    O estudo feito por Silvia e sua equipe em pacientes do A. C. Camargo, na capital paulista, e no Hospital do Câncer de Barretos, no interior do Estado, descobriu que 80% dos pacientes da capital são positivos para a presença do vírus enquanto os voluntários de Barretos correspondem a 15%.
     
    “A presença em grandes capitais é mais evidente, pois os hábitos costumam ser um pouco diferentes”, analisa o Kowalski. Mas não se deve relacionar a transmissão exclusivamente à atividade sexual. “O vírus pode ser transmitido por saliva, com um beijo, por exemplo. Antigamente não era educado beber no copo de ninguém, hoje já é uma coisa normal.”
     
    Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens estejam infectados pelo HPV em todo mundo. Mas a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imune. De acordo com pesquisas feitas entre homens norte-americanos, mexicanos e brasileiros, ao menos 2% da população adulta tem o vírus HPV e não apresenta nenhum sintoma.
     
    Sintomas
     
    Existem papilomas que são como verrugas que podem aparecer na garganta ou na boca. Quem apresenta alguma ferida deve observar se ela está demorando a cicatrizar. Porém, mesmo quando o tumor maligno já se desenvolveu, pode não haver lesão visível. Em outros casos, pessoas que tiveram infecção podem não ter anticorpos elevados também. “A infecção pode ser silenciosa”, conta médico.
     
    No geral, cânceres de boca e garganta podem apresentar os seguintes sintomas: dor constante, nódulo, dificuldade para mastigar, rouquidão, dor na língua e mau hálito persistente. “Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor, pois o tratamento não é tão agressivo e as chances de recuperação são maiores. Uma lesão que durar mais de 15 dias é porque tem algo errado.”
     
    Os tumores ligados ao HPV tem uma taxa de cura maior do que os associados a tabaco e ao álcool. “Eles respondem melhor ao tratamento, tanto com cirurgia, que geralmente é seguido de radioterapia, quanto na associação de radioterapia e quimioterapia.”
     
    Prevenção
     
    A vacinação é a melhor forma de se prevenir. “Ela dá imunização fazendo as três doses e é fundamental que se inicie uma campanha para vacinar todo mundo, principalmente meninos e meninas antes de iniciarem a vida sexual. Nós precisamos começar a trabalhar agora para ter efeito daqui a 15 ou 20 anos”, coloca o oncologista.
     
    Outras formas de prevenção são: sexo seguro, se alimentar bem, não fumar, não beber, boa higiene oral e evitar traumatismos. “Um terço dos casos de câncer poderiam ser evitados se houvesse alimentação adequada e a prática de atividades físicas”, explica o nutricionista Fábio Gomes da Silva, da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Inca. Verduras e frutas, especialmente as cítricas, são protetoras. “A alimentação corresponde de 20 a 30% na prevenção.”
     
    Fazer o autoexame da boca com frequência também é importante. Analise a mucosa na bochecha, abaixo da língua, acima, e observe se há manchas avermelhadas e esbranquiçadas e/ou pequenos nódulos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Burocracia atrasa liberação de remédios à base de maconha, dizem cientistas

    Burocracia atrasa liberação de remédios à base de maconha, dizem cientistas

    Deixar de fornecer remédios à base de substâncias derivadas da maconha é uma crueldade contra pacientes que têm doenças crônicas. A opinião é do neurocientista Sidarta Ribeiro, um dos mais importantes pesquisadores da área, professor e diretor titular do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo ele, a maconha é utilizada em vários países para alívio da dor e do sofrimento, mas no Brasil, o uso esbarra em falta de regulamentação e de conhecimento de órgãos de classe, que dificultam o tratamento.
     
    “Qual a justificativa para um paciente com câncer terminal, que está morrendo de dor, não ser medicado? [Ao não aceitar o uso de remédios da planta] a medicina brasileira vai ficando para trás”, afirmou Ribeiro, na última quinta-feira (2), no Seminário Internacional Maconha: Usos, Políticas e Interfaces com a Saúde e Direitos, organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (Emerj). O evento reuniu médicos, especialistas, juristas e associações de apoio à pesquisa e a pacientes que fazem uso da maconha.
     
    Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) só permite a importação de uma única substância da maconha das mais de 80, o canabidiol, com base nos pedidos médicos. Dessa forma, restringe o uso da própria substância por não fazer controle de qualidade e por não regular a produção nacional, que poderia baixar custos. Segundo a organização Apoio à Pesquisa e Pacientes de Canabis Medicinal, as doses importadas chegam a custar entre R$ 1,5 mil e R$ 15 mil.
     
    “O medicamento que estamos importando é vendido fora do Brasil como suplemento alimentar, ou seja, não tem controle farmacológico nacional sobre ele e não sabemos efetivamente o que estamos utilizando, temos que nos basear na boa fé”, disse o médico Ricardo Ferreira, especialista em coluna, que tem feito uso do canabidiol com sucesso, em pacientes crônicos. Ele defende que a Anvisa crie regras para controle da produção e também para os clubes de autocultivo.
     
    Na medicina, outra mudança recomendada pelos especialistas para facilitar o acesso a tratamentos com medicamentos à base de substâncias da maconha é a flexibilização de norma do Conselho Federal de Medicina (CFM), de 2014, que só permite o uso do canabidiol em crianças e adolescentes com epilepsia e que não respondem ao tratamento convencional.
     
    “Não há comprovação científica suficiente para que o CFM reconheça esse fármaco como eficiente”, afirmou o conselheiro da entidade, Salomão Rodrigues. Ele diz ainda que há possibilidade de substâncias presentes na maconha, como o THC, provocarem efeitos psicóticos.
     
    Sidarta Ribeiro discorda do CFM e diz que centenas de estudo atestam a utilização segura de remédios de maconha na Europa, nos Estados Unidos e em Israel. O país do Oriente Médio, por exemplo, prescreve substâncias in natura na forma de óleo, fumada, vaporizada e em alimentos, como biscoito. “As pessoas não estão acompanhando a literatura [científica], estão ignorando uma quantidade enorme de evidências para empurrar decisões”, afirmou.
     
    O diretor do Instituto do Cérebro também disse que todas as substâncias têm grupos de risco e perigos relacionados à dosagem acima das prescrições. “Das substâncias que temos, a maconha é uma das mais seguras, a sobredose não mata, como mata a de dipirona”,  disse.
     
    Para o cientista Elisaldo Carlini, um dos mais respeitados pesquisadores de drogas no Brasil, há 62 anos, o que atrasa o uso da maconha medicinal no país são mitos e preconceitos, incluindo aqueles de fundo racista. “O preconceito racial nesse país chega a tal ponto que hoje preconceito se alimenta de preconceito”, afirmou ele, que também participou do seminário. “É preciso mais pressão popular para o Brasil usar algo que o mundo já usa”, acrescentou.
     
    Para autorizar o plantio de maconha para pesquisa e para o uso medicinal, a Anvisa pretende montar um grupo de trabalho e elaborar uma regulamentação específica, com a participação de órgãos de governo, como a Polícia Federal, além de pesquisadores. “Pretende-se ainda ampliar a participação após a evolução das atividades, que se encontram na fase inicial, por meio de convites a outros órgãos e instituições”, informou em nota enviada à Agência Brasil.
     
    Em relação ao uso de medicamentos com substâncias da cannabis, a agência afirmou que analisa pedido para autorizar o uso de remédios à base de canabidiol e tetra-hidrocanabinol (THC), mas não esclareceu se os remédios serão com a substância in natura ou sintética, que é feita em laboratório.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Brasil terá primeira fábrica de equipamentos para radioterapia da América Latina

    Brasil terá primeira fábrica de equipamentos para radioterapia da América Latina

    Um acordo assinado nesta quinta-feira (2) entre Ministério da Saúde e a empresa Varian Medical Systems garantirá ao Brasil a primeira fábrica para soluções de radioterapia da América Latina. A indústria, que será construída em Jundiaí (SP), será a terceira unidade da empresa no mundo a produzir aceleradores lineares, utilizados para a realização de radioterapia no tratamento do câncer. O acordo, assinado na 9ª edição da reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS), faz parte da compensação tecnológica prevista no Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, lançado em 2012. A previsão é que a unidade inicie suas atividades em dezembro de 2018.
     
    A compensação será realizada por meio da prática do “Offset”, que alia a aquisição do produto à geração de benefícios industriais, tecnológicos ou comerciais. A iniciativa pioneira na área civil e liderada pelo Ministério da Saúde foi adotada por ser capaz de criar alternativas comerciais que possibilitem maior inserção internacional e também como forma de buscar o fortalecimento tecnológico e o desenvolvimento industrial. Além da fábrica para produção de aceleradores lineares, estão previstas outras ações de desenvolvimento e qualificação de fornecedores locais, desenvolvimento de softwares e a criação de um centro de treinamento e capacitação no Brasil.
     
    “A expansão da radioterapia é um processo fundamental e estruturante, tanto para as pessoas que tem câncer, quanto para o complexo industrial da saúde. Trata-se de um conjunto de iniciativas que vão transformar o Brasil em uma plataforma de negócios para toda a América Latina. Se antes o tempo entre a decisão de se comprar equipamentos e o início de seu funcionamento, demorava cerca de dez anos, agora a expansão levará cinco anos”, garantiu o ministro da Saúde, Arthur Chioro.
     
    Atualmente, tanto os aparelhos, aceleradores lineares, como suas peças e softwares utilizados na programação das sessões de radioterapia e organização da assistência são importados, de forma que seus custos e preços sofrem constantemente com flutuações cambiais e tornam o Brasil totalmente dependente do mercado externo. O acordo dará ao Brasil maior autonomia nesta área estratégica para a saúde em relação ao mercado internacional.
     
    “Este é um projeto absolutamente inovador. Na área civil, é a primeira vez que o modelo offset é usado e o que queremos é que esta seja a porta de entrada para projetos deste tipo no governo brasileiro”, disse o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), Jarbas Barbosa.
     
    O processo de produção nacional pela empresa Varian e qualificação de fornecedores brasileiros deverá ocorrer em um prazo de cinco anos a contar da assinatura do contrato comercial de aquisição das soluções de radioterapia, assinado em dezembro de 2013. No acordo está previsto que a Varian capacite fornecedores para a linha de produção e profissionais brasileiros para garantir que o produto final tenha ao menos 40% de partes, peças, acessórios e software produzidos no Brasil.
     
    A fábrica ocupará uma área 17.500 m² e garantirá a criação de empregos. A escolha por uma cidade do interior de São Paulo, Jundiaí, deve-se a infraestrutura local, com acesso a aeroportos internacionais e de carga, rodovias e porto, bem como a proximidade de centros de ensino e de centros de tratamento de câncer.
     
    “Com a fábrica e o centro de educação instalados no Brasil vamos capacitar todos os profissionais da América Latina. Serão mais de 50 treinamentos por ano e mais de 1000 profissionais capacitados”, informou o presidente da Varian no Brasil, Humberto Izidoro.
     
    ENVOLVIMENTO DE UNIVERSIDADES – O processo de transferência de tecnologia para a produção dos aceleradores lineares e os softwares utilizados nas sessões de radioterapia envolverá até cinco Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) do Brasil. O Ministério da Saúde e a empresa Varian lançarão uma chamada pública para a seleção dessas instituições para participarem do centro de treinamento e capacitação que será criado dentro do acordo. A ideia é transferir conhecimento aos engenheiros, físicos e técnicos brasileiros para manutenção dos equipamentos, desenvolvimento, manuseio de softwares específicos que auxiliam na programação das sessões de radioterapia, entre outros processos.
     
    Nesta quinta-feira (2), será anunciado também acordo de cooperação técnica para o acompanhamento da compensação tecnológica em parceria com os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
     
    EXPANSÃO DA RADIOTERAPIA – Este acordo de compensação tecnológica é um dos desdobramentos do Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) em que o Ministério da Saúde realizou a maior compra pública mundial de aceleradores lineares. Foram adquiridos um total de 80 equipamentos para ampliação da rede pública de atendimento radioterápico. A iniciativa conta com um investimento previsto de cerca de R$ 500 milhões para a compra dos aceleradores, as obras de ampliação e a criação de serviços em estados e regiões que não disponibilizam desses equipamentos. O valor da compra dos equipamentos, elaboração de projetos e acompanhamento de obras, licitados em R$ 119,9 milhões, foram 60% menor que o inicialmente estimado, gerando uma economia de R$ 176 milhões aos cofres públicos até o momento.
     
    Os aparelhos serão destinados à ampliação de serviços existentes e criação de novas unidades de atendimento privilegiando as demandas regionais de assistência oncológica, com o objetivo de reduzir os vazios assistenciais. Assim, 65 municípios, em 22 estados e no Distrito Federal, serão beneficiados com a política de expansão do Ministério da Saúde. Além da compra dos aceleradores, serão licitadas as obras para a construção dos “Bunkers”, locais específicos destinados a abrigar os aceleradores para garantir a segurança dos pacientes e profissionais.
     
    GECIS – Criado em 2008, o Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS) tem como objetivo promover medidas e ações concretas visando à criação e implementação do marco regulatório brasileiro, referente à estratégia de desenvolvimento do Governo Federal para a área da saúde, segundo as diretrizes das políticas nacionais de fortalecimento do complexo produtivo e de inovação em saúde, bem como propor outras medidas complementares.
     
    Trata-se de um Grupo de articulação intragovernamental coordenado pelo Ministério da Saúde e conta com a participação de representantes do MCTI, MPOG, MF, MRE, Casa Civil, MDIC, ANVISA, FIOCRUZ, BNDES, INPI, ABDI, INMETRO e FINEP. Também tem assento no grupo representantes da indústria, dos gestores e dos prestadores de serviços em saúde.
     
     
    Atendimento à imprensa
    (61) 3315-3174 / 2351 / 2745
     
     
    Autor: Patrícia de Paula, da Agência Saúde
     
    Fonte: CFF
  • Truvada: o medicamento que pode revolucionar a história da AIDS e está causando processos contra o SUS

    Truvada: o medicamento que pode revolucionar a história da AIDS e está causando processos contra o SUS

    Você já deve ter ouvido falar que mulheres grávidas portadoras do HIV, ao fazerem o tratamento antirretroviral com o coquetel anti-HIV, não transmitem o vírus ao seu bebê.
     
    Isso acontece porque o tratamento, colocado em prática desde 1996, reduz a carga viral da mãe a um nível baixíssimo, evitando a contaminação conhecida como Transmissão Vertical, ou seja, a transmissão de gestante para o filho ainda dentro do útero.
     
    Pessoas que sofrem violência sexual, profissionais da saúde que acidentalmente entram em contato com agulhas contaminadas ou até quem acaba transando sem camisinha (ou aconteça de ela estourar), também podem se submeter a um tratamento conhecido como PEP, Profilaxia Pós-Exposição ao vírus, ou seja, depois que o paciente já foi exposto ao risco do contato com o HIV em até 72 horas após o contágio.
     
    Estudos realizados pela Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, mostraram que o risco de contaminação pelo vírus é reduzido em até 92%.
     
    Para todos os casos acima, o governo brasileiro, via SUS (Sistema Único de Saúde), oferece um tratamento gratuito a toda a população brasileira; afinal, ele é obrigado a isso. A lei estabelece que “A saúde é direito de todos e é dever do Estado garantir acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. (…) E o SUS, entre outras diretrizes, tem o dever de propiciar o atendimento integral, conforme prevê o artigo 198, inciso II da Constituição Federal”.
     
    Sabendo disso, vamos falar sobre o Truvada? Recentemente, esse medicamento vem chamando a atenção da medicina e da área científica.
     
    Ele é composto por duas drogas já usadas separadamente desde 2004 nos coquetéis anti-HIV, a Emtricitabina e a Tenofovir Disoproxi.
     
    Descobriu-se em 2012 que, juntas numa única dose de pílula azul, elas podem evitar o que antes era usado apenas para tratar/remediar. Um estudo publicado pela revista “Science Translational Medicine”, que pertence à maior sociedade científica do mundo, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, revelou que o Truvada é eficaz tanto na Profilaxia Pré-Exposição quanto na Pós-Exposição.
     
    Se esse remédio fosse uma pessoa, poderia se apresentar da seguinte maneira para você: “Tô longe de ser a cura para a AIDS, mas posso evitar o contágio pelo HIV durante a transa, mesmo que o seu parceiro sexual seja portador do vírus. Aliás, se o soropositivo for você, o HIV provavelmente não será transmitido para o seu parceiro soronegativo?”.
     
    Ainda segundo o estudo, ingerir dois comprimidos de Truvada por semana reduz os riscos de transmissão e contaminação em 76%. Já quatro pílulas semanais garantem 96% de proteção, enquanto sete pílulas semanais, uma por dia, reduzem o risco em até 99%.
     
    Após essa conclusão, a agência sanitária norte-americana FDA (Food and Drug Administration) aprovou e liberou o seu uso como forma preventiva. Inclusive, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda efetivamente o uso do Truvada por pessoas que se enquadram em grupos de alto risco, como gays, dependentes químicos que usam drogas injetáveis, garotos(as) de programa ou quem tenha um relacionamento sorodiscordante, que é o caso de casais em que um é soropositivo e o outro, negativo.
     
    Depois desses argumentos, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou o medicamento no Brasil, mas ele ainda não é produzido ou comercializado aqui no país. O governo, via SUS, não oferece o Truvada gratuitamente à população. Ao acessar a página que fala sobre essa negativa em relação ao medicamento, você encontrará a resposta abaixo:
     
    (…)
    8- Já estão disponíveis no SUS medidas comprovadamente mais eficazes para o controle da epidemia, que incluem a promoção do uso consistente de preservativo e de antirretrovirais para as pessoas vivendo com HIV/aids, com eficácia acima de 98% e 96% respectivamente.
     
    9- Assim, a política de prevenção às DST, aids e hepatites virais adotada no Brasil prioriza o estímulo às práticas sexuais seguras, incluindo o uso consistente de preservativos, a Profilaxia Pós-Exposição sexual ao HIV (PEP sexual) em casos específicos e a disponibilização de terapia antirretroviral para PVHA (pessoas vivendo com Aids). Essa política tem como objetivos melhorar a qualidade de vida, evitar a progressão de doenças e reduzir o risco de transmissão do HIV por meio da supressão da replicação viral”.
     
    Quem quiser ter acesso ao Truvada, vai ter de desembolsar uma quantia média de R$ 2 mil por mês para importá-lo. Ou processar judicialmente o governo para obrigar o SUS a oferecer esse tratamento preventivo gratuitamente, já que a lei assegura esse direito a qualquer cidadão.
     
    E, pesquisando, descobri que isso já está sendo colocado em prática. Esse é o caso de D, que mora em São Paulo e prefere manter o seu nome e do seu parceiro em sigilo.
     
    “Eu me considero casado, pois moro junto com o meu companheiro há mais de seis anos; portanto, temos uma união estável. Ele é soropositivo e eu, negativo.
     
    Durante as nossas relações sexuais, sempre usávamos camisinha, mas o medo de ela estourar sempre nos deixava apreensivos. Foi aí que o meu médico me receitou o Truvada.
     
    Li muito a respeito e concluí que essa seria a melhor solução para a minha relação, conhecida como sorodiscordante.
     
    Mas, em vez de comprá-lo, sabendo dos meus direitos, resolvi processar o governo para adquiri-lo gratuitamente via SUS.
     
    Eu perdi a primeira instância do julgamento, pois o juiz alegou que eu poderia usar camisinha ou recorrer ao SUS para me tratar caso eu adquirisse o vírus.
     
    Mas o meu advogado entrou com uma jurisprudência contra essa decisão, e a desembargadora do caso me deu a vitória, alegando que '… a saúde do soropositivo precisa ser mantida, assim como a saúde do seu cônjuge.
     
    Não proteger a esse segundo seria tão omisso quanto não proteger o primeiro.
     
    Então, se o remédio pode proteger a saúde do segundo, que está em risco de forma inquestionável, o Estado tem de prover o remédio'.
     
    Após essa sentença tão precisa, o governo não quis recorrer ao Supremo Tribunal da Justiça e a minha causa foi ganha. Faz mais de 6 meses que recebo gratuitamente o Truvada via SUS. Agora, apesar de continuarmos usando a camisinha, vivemos muito mais tranquilos, pois me sinto intensamente mais protegido.”
     
    Segundo os médicos, quase todos os tratamentos antirretrovirais existentes no mercado podem causar nos pacientes enjoos, dor de cabeça, cansaço, diarréia, problemas gástricos, manchas na pele, insônia, má distribuição da gordura corporal (o rosto costuma ficar mais seco, enquanto acumula-se gordura na região abdominal) e aumento nas taxas de colesterol e triglicerídeos, o que pode levar ao risco de doenças no coração.
     
    Logo, engana-se quem achar que alguém em sã consciência possa deixar de usar camisinha durante o sexo, adquirir o vírus e começar a fazer algum tratamento antirretroviral de propósito.
     
    Vale lembrar que os efeitos do uso contínuo do Truvada no organismo humano ainda são desconhecidos; por isso, os testes e as pesquisas ainda continuam em relação a isso.
     
    Aliás, se alguém é homossexual, travesti ou transexual, é possível participar de um estudo promovido pelo laboratório de pesquisa clínica em DST e HIV/AIDS da Fiocruz. Em breve, ele vai escolher 500 pessoas, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, que receberão uma pílula de Truvada por dia, além de acompanhamento médico e psicológico. No site PreP Brasil, você encontra as seguintes informações sobre o procedimento:
     
    “O estudo PrEP Brasil vai avaliar a aceitação, a viabilidade e a melhor forma de oferecer a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) à população brasileira como prevenção ao vírus. (…) Exames laboratoriais também serão realizados para detectar eventuais efeitos colaterais. Testes que detectam material genético do HIV serão utilizados para identificar precocemente a infecção pelo HIV. Preservativos e lubrificantes serão sempre fornecidos e o uso deles, fortemente incentivado”.
     
    Se o Truvada te deixou excitado ao ponto de gozar, lembre-se de que a camisinha ainda é a única forma de se prevenir o contágio de todas as doenças sexualmente transmissíveis; afinal, a Aids é apenas uma delas. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Vacina contra o vírus HIV mostra resultados promissores em macacos

    Vacina contra o vírus HIV mostra resultados promissores em macacos

    Uma vacina experimental contra o HIV, o vírus responsável pela aids, mostrou resultados promissores em macacos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (2) na revista Science.
     
    Esta vacina “duplo viral”, que primeiro prepara o sistema imunitário com um outro agente patogênico e em seguida, impulsiona uma proteína encontrada em torno do invólucro do HIV, pode ser a melhor estratégia para proteger contra a infecção por este vírus em seres humanos, como pesquisadores.
     
    Primeiro eles injetaram nos macacos uma vacina contra um adenovírus – vírus ligados a muitas infecções humanas – para alertar o sistema imunológico. Numa segunda fase, foi injetada uma espécie de lembrete, desta vez com uma proteína purificada que forma o envelope do HIV, o que provocou uma forte reação das células imunitárias.
     
    Um tal sistema, que visa multiplicar tanto a magnitude da resposta imune como alargar a proteção contra ataques virais subsequentes, foi utilizado com a vacina contra o Ebola.
     
    No caso da vacina experimental contra o vírus HIV, os cientistas foram capazes de proteger totalmente metade de doze macacos contra a infecção do vírus de imunodeficiência símia (VIS), semelhante ao HIV que ataca os seres humanos.
     
    “Nos sentimos encorajados pelos resultados deste estudo pré-clínico, que abre o caminho para a avaliação de uma vacina que poderia servir aos seres humanos”, afirmou o virologista Dan Barouch, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e um dos os principais autores da pesquisa.
     
    Já está em curso um estudo clínico de fase 1 com voluntários saudáveis, para avaliar a segurança da vacina experimental.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Câncer de próstata representa 70% dos diagnósticos da doença em homens

    Câncer de próstata representa 70% dos diagnósticos da doença em homens

    O câncer de próstata representa 70% dos diagnósticos de câncer em homens brasileiros, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), referentes a 2014. Segundo o INCA, há o registro de 70 mil novos casos por ano no país para uma doença que tem taxa de 90% de cura se o diagnóstico for inicial. O problema é que o homem brasileiro tende a descobrir tarde devido à falta de informação e a resistência ao exame de toque retal. Esse exame é insubstituível e o único capaz de identificar a doença com precisão. Segundo o Centro de Referência da Saúde do Homem, 60% dos pacientes do sexo masculino só procuram tratamento quando a doença está em estágio avançado. O dado é de 2013. De acordo com o órgão da Secretaria de Estado da Saúde, todos os meses 1,5 mil homens chegam ao hospital com problemas mais adiantados e que necessitam de intervenção cirúrgica.
     
    O UOL ouviu especialistas para explicar os principais mitos em relação à doença e algumas curiosidades.
     
    O tão temido e falado exame de toque retal na próstata dura apenas alguns segundos. “No máximo 15 segundos”, diz o urologista Francisco Fonseca. A simplicidade do exame contrasta com a baixa procura pela especialidade médica de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia. Cerca de 44% dos homens brasileiros já foram ao urologista e apenas 32% fizeram o exame de próstata.
     
    O exame de toque não é o único que deve ser realizado. A medição da taxa de PSA, uma enzima produzida pela próstata que permite a liquidez do sêmen, também é um indicativo para o surgimento da doença. Um exame não substitui o outro e, em alguns casos, mesmo com a taxa normal de PSA, o paciente é diagnosticado com câncer.
     
    O urologista Fernando Maluf lembra que o aumento da próstata é algo que ocorre naturalmente ao longo da vida do homem, mas seu rápido crescimento associado a dificuldades urinárias deve ser observado. 
     
    A realização dos exames de rotina deve começar aos 40 anos para aqueles que têm registros de casos em parentes de primeiro grau. Apesar de incidência baixa (2 a 3%), o câncer hereditário pode aparecer mais cedo. Para aqueles sem registros, os exames podem ser feitos a partir dos 50 anos.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Fiocruz defende descriminalização do uso de droga no Brasil

    Fiocruz defende descriminalização do uso de droga no Brasil

    Rio de Janeiro – No momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar se o porte de droga para consumo próprio deve deixar de ser considerado crime no País, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) posicionou-se na quarta-feira, 1, publicamente a favor da descriminalização. Vinculada ao Ministério da Saúde, a Fiocruz, com sede no Rio, é a mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina.
     
    “A nossa posição é muito clara: o direito fundamental inscrito na Constituição não permite a criminalização das pessoas enquanto usuárias. Achamos que o STF será muito sensível e esperamos que, de fato, demonstre que é inconstitucional a criminalização”, afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, em entrevista durante o seminário Maconha: usos, políticas e interfaces com a saúde e direitos. Ele foi realizado pela instituição em parceria com a Escola de Magistratura do Rio.
     
    Para Gadelha, que também preside a Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, o STF deve concluir que não há como criminalizar a opção que as pessoas tomam em sua vida íntima sem gerar riscos para outros. “O usuário que resolve usar uma droga é responsável por sua vida”, disse.
     
    Em palestra, o presidente da Fiocruz afirmou que “não existe qualquer tipo de evidência científica” que possa ser usada como fundamentação para distinguir as chamadas drogas lícitas e ilícitas. Ele citou os exemplos do álcool e da maconha para fazer a comparação. “É indiscutivelmente evidenciado que o álcool é muito mais prejudicial, do ponto de vista da saúde, seja no campo individual, seja no coletivo, com seus efeitos sobre a saúde pessoal, as interações sociais, a violência doméstica, os acidentes de trânsito.”
     
    Para Gadelha, a sociedade vive hoje momento de discussão de valores em meio a uma grave crise econômica e política com “exploração do medo e do desconhecimento”.
     
    O seminário, que termina na sexta-feira, 3, terá nesta quinta-feira, 2, a participação do presidente do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis do Uruguai, Augusto Vitale. Gadelha disse que as discussões serão importantes para a instituição definir posição sobre o cultivo de maconha para uso pessoal, prática já adotada em países como o Uruguai.
     
    “Estamos aprendendo com várias experiências. Não temos modelos a serem copiados. Estamos centrando primeiro na tese de que a guerra às drogas fracassou e precisamos tratar esse tema vinculado à questão social mais ampla, dos direitos humanos e da saúde pública”, disse o presidente da Fiocruz.
     
    Mudança
     
    Gadelha defendeu mudança em convenções internacionais sobre drogas no debate que a assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) fará em 2016. “Ninguém com senso crítico e olhando para história vai imaginar que haverá eliminação do uso da droga por meio da repressão. Álcool é droga, tranquilizantes são drogas. No entanto, ninguém está propondo que se coloque polícia e prisão para quem usa tranquilizante ou álcool e prejudica sua saúde.”
     
    Representante do Ministério da Justiça no seminário, o diretor da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Leon Garcia, não quis se posicionar sobre o julgamento do STF, mas reconheceu que a subjetividade da lei possibilita a confusão entre usuários e traficantes. Ele afirmou que o governo tem “enorme preocupação com o fato de estarmos prendendo principalmente jovens pobres e negros”. “Essa é uma situação que precisa mudar.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • SUS inclui transplante de medula para tratar anemia falciforme

    SUS inclui transplante de medula para tratar anemia falciforme

    Pacientes que sofrem de anemia falciforme terão à disposição pelo SUS (Sistema Único de Saúde) o transplante de medula óssea, tratamento indicado para as formas mais graves da doença e a única cura conhecida para a enfermidade. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (1º) no “Diário Oficial da União”.
     
    Estima-se que 3.500 brasileiros nasçam com a anemia falciforme por ano. A doença, ligada ao sangue, pode causar desconforto, dores e até mesmo lesão dos órgãos por conta de um gene presente principalmente na população negra.
     
    Durante as chamadas “crises de falcização”, as hemácias (células que levam oxigênio para o organismo) ficam na forma de foice, perdem “flexibilidade” e entopem vasos sanguíneos, segundo a hematologista e membro da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, Belinda Simões.
     
    O transplante deve ser indicado em casos mais graves, em que os pacientes apresentem complicações neurológicas e articulares. Estima-se que o SUS oferecerá cerca de 50 transplantes ao ano.
     
    Além da medula, o procedimento também pode ser feito com sangue do cordão umbilical de um irmão compatível.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Estudo tenta determinar o nível ideal de pressão no sangue

    Estudo tenta determinar o nível ideal de pressão no sangue

    Quase meio século depois de rigorosos estudos mostrarem que medicamentos que diminuem a pressão sanguínea realmente previnem ataques do coração, derrames e mortes, os pesquisadores ainda não sabem quão baixa a pressão arterial deveria ser. Mais de 58 milhões de americanos tomam esses remédios, mas a pergunta fundamental ainda não foi respondida.
     
    “Sabemos que tratar a hipertensão é bom, mas não temos certeza de quão agressivos devemos ser”, explica o doutor Michael Lauer, diretor da Divisão de Ciências Cardiovasculares do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue.
     
    O instituto está procurando por respostas definitivas como parte de sua missão para diminuir as mortes por doenças cardiovasculares, para continuar com as décadas de queda nas taxas dessa patologia que é líder de mortalidade.
     
    Os resultados de um grande e rigoroso estudo, chamado SPRINT (de Systolic Blood Pressure Intervention Trial ou Teste de Intervenção da Pressão Sanguínea Sistólica, em tradução livre), devem sair em 2017. Os pesquisadores estão analisando nove mil adultos com pressão sanguínea alta. Metade deles teve como tarefa trazer sua pressão sistólica – o maior número, que mede a pressão quando o coração se contrai – para menos de 120 (o que comumente chamamos de 12) enquanto outros deveriam chegar a menos de 140. O estudo vai medir não apenas os ataques cardíacos, derrames e doenças nos rins, mas também os efeitos no cérebro. As pessoas pensam melhor e evitam demência quando têm a pressão mais baixa?
     
    Enquanto isso, os médicos estão tomando decisões em meio a uma nuvem de incertezas.
     
    O que dizer de um paciente como Glenn Lorenzen, de 67 anos, cuja pressão sistólica estava em assustadores 220 em outubro? Em um dia frio de dezembro na clínica cardiovascular do hospital Veterans Affairs, em Boston, ele recebeu a boa notícia de que os medicamentos e a perda de peso diminuíram a pressão para 124. Ele deveria ficar feliz? Deveria ter como alvo ficar abaixo de 120? Ou pode ir devagar com os remédios e deixar sua pressão subir um pouco para 140 ou 150?
     
    Uma corrente de pensamento diz que a pressão sobe com a idade para empurrar mais sangue para dentro do cérebro. Outra afirma que pressão arterial alta produz danos no cérebro, talvez causando pequenos derrames silenciosos.
     
    “Não sabemos quem está certo”, afirma David Reboussin, bioestatístico da Universidade Wake Forest e investigador principal da nova pesquisa federal.
     
    A tendência na geriatria é deixar a pressão subir um pouco, mas não acima de 150, explica o doutor Alfred Cheung, investigador do estudo, nefrologista e professor de medicina da Universidade de Utah.
     
    “Não tem base em números”, diz ele.
     
    A falta de evidência está no coração de uma disputa que foi em parte concebida por causa da maneira como o pensamento sobre a pressão arterial se desenvolveu.
     
    Quando as drogas para diminuir a pressão sanguínea chegaram ao mercado nos anos 1950, muitos médicos não sabiam se deviam prescrevê-las. Eles pensavam que a pressão sistólica deveria ser 100 mais a idade da pessoa. A sabedoria convencional era que os vasos endurecem com a idade, então a pressão mais alta ajudaria a empurrar o sangue por eles.
     
    Essa visão foi deixada de lado em 1967 quando um estudo rigoroso comparando os remédios com placebos acabou mais cedo porque aqueles que tomavam os medicamentos tiveram muito menos derrames e ataques cardíacos. Os remédios viraram um pilar fundamental na medicina, e acredita-se que salvaram milhões de vidas.
     
    Muitos testes clínicos antigos nem mesmo falavam de pressão sistólica, o foco de hoje. Ao invés disso, avaliavam a pressão diastólica, o número menor, que representa a pressão nos vasos sanguíneos quando o coração relaxa entre as batidas.
     
    “O pensamento geral – incorreto – era de que, à medida que você fica mais velho, a sistólica vai naturalmente subir” para suprir o cérebro com sangue, diz o doutor William C. Cushman, chefe de medicina preventiva do Centro Médico VA, em Memphis, Tennessee.
     
    O primeiro estudo sobre pressão sistólica foi publicado apenas em 1991. Esse e pesquisas subsequentes concluíram que o objetivo do tratamento deveria ser um nível abaixo de 150 para prevenir ataques cardíacos, falência do coração e derrames. Quase nenhum estudo examinou os resultados de números mais baixos.
     
    Por isso, os médicos e quem faz as diretrizes estão com um enigma nas mãos, diz Cushman. “A epidemiologia é consistente com o fato de que ter uma pressão sistólica de 120 ou até mesmo menos que isso está associado com a redução da mortalidade cardiovascular. Mas isso não significa necessariamente que tratar com remédios para atingir esse nível vai trazer benefícios.”
     
    A preocupação é que os medicamentos sempre apresentam mais efeitos do que aquilo para o que estão sendo usados. Assim, ter a pressão diminuída por meio de remédios não é necessariamente a mesma coisa do que possuir uma naturalmente baixa.
     
    As diretrizes dos especialistas variam muito. Um painel organizado pelo Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue sugere pressão sistólica abaixo de 150 para quem tiver mais de 60 anos. A Associação Americana do Coração e outros grupos dizem que deveria estar abaixo de 140.
     
    As orientações europeias afirmam que a pressão sistólica deve ser menos de 150, exceto para adultos mais velhos, mas elas dizem que é preciso levar em conta o risco que a pessoa tem de sofrer uma doença do coração na hora de decidir quão baixo esse número tem que ser. E estudos epidemiológicos que analisam grupos grandes de pessoas ao longo do tempo descobriram que aqueles cuja pressão sistólica é naturalmente 120 ou mais baixa têm o menor risco de sofrer um ataque do coração e derrames.
     
    As diretrizes do painel do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue constituíram um dos mais ambiciosos esforços para construir um consenso sobre os níveis de pressão sanguínea. A missão era usar números de estudos rigorosos ao invés de opiniões de especialistas, como era o padrão anterior.
     
    Antigas orientações de um comitê parecido montado pelos Institutos Nacionais de Saúde colocaram o objetivo de uma pressão sistólica abaixo de 140. A nova diretriz diz que deve ser abaixo de 150 para pessoas de 60 anos ou mais. “Foi aí que vimos o benefício” em testes clínicos, explica a doutora Suzanne Oparil, diretora do programa de biologia vascular e hipertensão da Universidade do Alabama, em Birmingham e presidente do comitê.
     
    Mas quando o relatório do comitê foi publicado em dezembro de 2013, ele imediatamente virou motivo de críticas, e cinco de 12 membros do comitê publicaram seus próprios documentos advogando pressão sanguínea abaixo de 140.
     
    “Um grupo minoritário do painel das diretrizes achou insano aumentar o alvo para 150 no segmento da população que tem o maior risco de hipertensão”, explica o doutor Jackson T. Wright Jr., da Universidade Case Western Reserve, que estava entre os dissidentes.
     
    E a questão não é apenas o número certo para a pressão sistólica. Pressão sanguínea e nível de colesterol agora estão sendo tratados de maneiras muito diferentes. As orientações para colesterol levam em conta os riscos gerais do paciente para um ataque do coração. Mas, com a pressão arterial, pelo menos nas diretrizes dos Estados Unidos, a única coisa que importa são os níveis de pressão do sangue e não outros fatores como histórico familiar ou índices de colesterol.
     
    No entanto, os estudos foram desenhados assim, diz Cushman. Os testes de colesterol levaram outros riscos em consideração. Os de pressão sanguínea olharam apenas para a pressão sanguínea. Mas claramente algumas pessoas têm menos riscos do que outras mesmo com pressão idêntica. Ainda assim, elas são tratadas da mesma maneira. Isso deveria mudar?
     
    Esse tipo falta de consistência deixa muitos profissionais com um dilema. O médico de Lorenzen no VA de Boston, doutor Michael Gaziano, professor de medicina de Harvard, considera o risco geral do paciente e prega perda de peso e exercícios para melhorar os efeitos dos remédios para pressão sanguínea. Ele mesmo vive assim, seguindo uma dieta mediterrânea com pouca carne e praticando corrida em esqui cross-country.
     
    “Você é a pessoa mais magra que eu conheço”, Lorenzen disse para Gaziano em uma visita recente.
     
    Lorenzen, que teve dois ataques cardíacos, ainda está pesado, mas é uma das estrelas entre os pacientes de Gaziano. Perdeu quase 30 quilos e faz exercícios na maioria dos dias. Quando sua pressão estava acima dos 200, ele se sentia deprimido e sua cabeça doía “como uma queimadura grave”. Apesar de a alta pressão arterial muitas vezes ser chamada de assassina silenciosa, quando o número sobe muito, as pessoas sentem os efeitos no cérebro, conta Gaziano.
     
    “Sua pressão está indo em uma boa direção, mais do que eu esperava”, afirmou Gaziano a ele. “O remédio sozinho não faria isso. Tenho a sensação de que os exercícios e a perda de peso foram importantes.”
     
    “Consegui um A”, diz Lorenzen orgulhoso.
     
    Os hospitais e as práticas médicas avaliam os médicos por quanto os pacientes seguem as orientações e muitas vezes eles são penalizados financeiramente quando os pacientes não atingem os números desejados. Assim, Gaziano vai conseguir marcas muito boas pela pressão de Lorenzen estar em 124. O VA determinou que a pressão sistólica fique abaixo de 140.
     
    Mas Gaziano diz que o sistema de notas que tem como alvo um valor simples como medida de sucesso é equivocado. “Se o paciente começa com uma pressão de 180 e consegue abaixar para 145, recebo uma marca ruim. Não obtive sucesso. Mas se o paciente vai de 140 para 139, tive.”
     
    Outro paciente na clínica aquele dia, Joseph Moscillo, de 65 anos, de Medford, Massachusetts, teve um ataque do coração, mas reduziu sua pressão de 200 para 150. A sua não seria vista como uma história de sucesso. Mas Gaziano diz que acredita que ao invés de dar novos remédios para diminuir sua pressão, é mais importante que Moscillo perca parte dos seus 102 quilos.
     
    “Podemos continuar dando pilhas de remédios, mais é um jogo perdido se você não se exercitar e não controlar seu peso”, Gaziano disse a Moscillo.
     
    Os resultados da pesquisa SPRINT podem afetar as decisões diárias dos médicos. Se descobrir que uma pressão abaixo de 120 é melhor do que abaixo de 140, os planos de Lorenzen e Moscillo provavelmente vão mudar.
     
    “Se mostrar que abaixo de 120 é claramente melhor, vai mudar todo o cenário”, afirma Cushman.
     
    Mas se o estudo não chegar à conclusão de que abaixo de 120 é melhor do que abaixo de 140, “ficaremos onde estamos hoje”, diz ele.
     
    Uma terceira possibilidade é que a pressão abaixo dos 120 seja, na verdade, prejudicial.
     
    Poucos esperam por isso, avisa Cushman, “Mas você nunca sabe o que vai encontrar em uma pesquisa até abrir o envelope”.
     
    Fonte: The New York Times
  • Campanha atinge meta e imuniza 84% do público-alvo contra a gripe

    Campanha atinge meta e imuniza 84% do público-alvo contra a gripe

    Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que a campanha de vacinação contra a gripe imunizou este ano 41,9 milhões de pessoas, o que equivale a 84,3% do público-alvo.
     
    O objetivo era vacinar pelo menos 80% das crianças com mais de 6 meses e menores de 5 anos, idosos, trabalhadores da saúde, povos indígenas, gestantes, mulheres que tiveram filhos há no máximo 45 dias, presos, funcionários do sistema prisional e pessoas com algumas doenças crônicas. Estes grupos totalizam 49,7 milhões de pessoas consideradas com mais riscos de desenvolver complicações causadas pela doença.
     
    Dez estados não atingira a meta nacional. Acre, Roraima, Piauí, Ceara, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Bahia, São Paulo e Mato Grosso vacinaram mais de 70% do público-alvo, mas não chegaram ao objetivo. Amapá e Espírito Santo, respectivamente, com 91% e 90% de cobertura, foram os estados que mais vacinaram.
     
    A campanha começou no dia 4 de maio em todo o país e foi prorrogada pelo Ministério da Saúde no dia 5 de junho. Depois do encerramento, no dia 5 de junho, o Ministério da Saúde recomendou aos estados que não atingiram a meta, a continuidade da vacinação.
     
    A vacina disponibilizada na rede pública este ano protege contra os três subtipos do vírus da gripe determinados pela OMS para 2015 (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). Apesar de alguns grupos resistirem a tomar a dose,  o Ministério da Saúde garante que a vacina é segura e considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe.
     
    Fonte: The New York Times