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  • Casos de doenças cardíacas e mortalidade cardiovascular aumentam no inverno

    Casos de doenças cardíacas e mortalidade cardiovascular aumentam no inverno

    O inverno está associado ao aumento dos casos de doenças cardíacas e da mortalidade cardiovascular, alerta o diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Claudio Tinoco. Estudos mostram que a cada queda de dez graus de temperatura, há aumento da incidência de complicações cardíacas em torno de 30% a 40%.
     
    Alguns motivos contribuem para isso. O primeiro é o aumento das infecções respiratórias que ocorrem na época do inverno. Gripes e resfriados provocam uma sobrecarga no sistema circulatório. “O coração tem que trabalhar mais, bombear mais sangue para atender às necessidades. Além disso, a infecção agride os vasos na sua superfície de recobrimento mais interno, chamado endotélio, e este fica mais vulnerável a processos de trombose, seja o acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, seja o infarto do miocárdio ou ataque cardíaco”, diz o médico.
     
    Tinoco adverte que as pessoas com problemas cardíacos, como a dilatação das câmaras do coração, que leva a uma diminuição do funcionamento do órgão, também têm maior taxa de internações no inverno, devido a essas infecções respiratórias e, em consequência, maior mortalidade.
     
    O frio leva ainda a um fenômeno chamado vasoconstrição. “Os vasos ficam contraídos para impedir a perda do calor. Por isso, é comum as mãos e a ponta do nariz das pessoas ficarem geladas no período do inverno, porque os vasos contraem, para manter o sangue circulando na parte central do corpo e que não haja perda de calor”. Essa vasoconstrição leva também a uma sobrecarga do coração, que passa a trabalhar com mais força, para atender às necessidades cardíacas.
     
    Outro problema observado no inverno é que as pessoas tendem a comer alimentos mais pesados e aumentar o consumo de bebidas alcoólicas. O diretor da Socerj assegurou que a soma de todos esses fatores acaba aumentando o risco das arritmias, do infarto e outras complicações cardíacas. Para evitar esses problemas, é importante que as pessoas sigam as orientações do seu médico clínico ou cardiologista e façam os exames preventivos.
     
    O controle rigoroso da pressão arterial, evitar o tabagismo, fazer atividades físicas, controlar a glicose, o peso e o colesterol são a base de uma saúde adequada. Esses cuidados se somam a outros na época do inverno. “Como o frio aumenta as complicações cardíacas, a gente recomenda que as pessoas evitem se expor desnecessariamente a temperaturas muito baixas, sem proteção, em atividades ao ar livre, especialmente se forem pessoas que têm problemas cardíacos”.
     
    Outra recomendação direcionada à população mais idosa, acima de 70 anos, é a vacinação contra a gripe no período que antecede o inverno. Tinoco alertou que a campanha de vacinação do governo teve uma adesão baixa da população. A vacina protege não só das infecções respiratórias, como das complicações, das quais a mais temida é a pneumonia. “Também diminuem as complicações cardiovasculares quando as pessoas fazem vacinações”.
     
    O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Pedro Pablo Komlós, alertou que o sistema vascular pode ser afetado na época do inverno. No tocante às veias ou varizes, que têm a característica de se dilatarem no verão, gerando inchaço das pernas, sensação de peso e cansaço, os sintomas tendem a melhorar no inverno. Já no que diz respeito às artérias, que levam o sangue limpo, cheio de oxigênio, do coração para as extremidades do corpo, o frio pode causar um estreitamento dos vasos, principalmente quando há deficiências. “Quando o sistema é normal, as extremidades não sentem tanto”.
     
    Pedro Komlós disse que há algumas doenças funcionais que dependem de maior dilatação ou constrição dos vasos. Entre elas, destacou a Doença de Raynaud, que se caracteriza por palidez cadavérica de extremidades, que ocorre em especial em pessoas com grande sensibilidade ao frio. Essa palidez é passageira e se manifesta mais no Rio Grande do Sul do que em estados de temperatura amena, como o Rio de Janeiro. “Os problemas arteriais é que têm os sintomas agravados com o frio”. Não há, porém, risco direto de morte para esses pacientes, descartou.
     
    A recomendação da SBACV é que os pacientes portadores de doenças arteriais, principalmente no início do inverno, mantenham as extremidades aquecidas, evitem contraste brusco de temperaturas e traumatismos maiores nas extremidades porque, com a diminuição do fluxo arterial, isso pode ter uma evolução mais agressiva. “Mas, fundamentalmente, que se mantenham em controle com um especialista”, concluiu. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • ” para artéria é opção para diabético

    ” para artéria é opção para diabético

    Semelhante a uma lipoaspiração, uma nova técnica para remoção de placas de gordura de artérias foi realizada pela primeira vez no país no Hospital Santa Isabel, centro de São Paulo, no mês passado.
     
    O procedimento, que é menos invasivo do que a colocação de stents (tubos metálicos inseridos em artérias obstruídas para liberar o fluxo sanguíneo), segundo especialista do hospital, deve beneficiar principalmente diabéticos com doença arterial obstrutiva periférica. Trata-se de entupimento das artérias dos membros inferiores que causa dores e dificuldade para andar.
     
    “A principal vantagem é não colocar o metal, que pode se deslocar e causar lesões nos pacientes. O stent não é ruim, é o padrão-ouro, mas, se puder não colocá-lo, é melhor”, explica o chefe do Serviço Vascular do hospital, Alvaro Razuk. O centro médico é ligado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
     
    A técnica se chama aterectomia direcional e é feita usando um equipamento, o TurboHawk, que suga e elimina a gordura da artéria. Por meio de um corte de cinco milímetros na região da virilha do paciente, o médico introduz e controla um cateter revestido com uma fina camada metálica e com uma lâmina. A desobstrução é na artéria femoral, localizada na região da coxa.
     
    “A raspagem da gordura é feita pela lâmina, mas é totalmente controlada pelo médico. O material retirado é armazenado em um recipiente. Trata-se de um processo parecido com a lipoaspiração, mas não retira uma quantidade tão grande de gordura”, afirma Razuk.
     
    Sintomas
     
    Fumantes, pessoas sedentárias, homens com mais de 60 anos, obesos e pacientes com maus hábitos alimentares também estão entre as pessoas mais propensas a desenvolver a doença. O porteiro Eliezer Silva de Lima, de 65 anos, foi o primeiro paciente a ser submetido à técnica e faz parte dos três primeiros grupos. Ele começou a fumar aos 23 anos e não pratica atividades físicas. Há três meses e meio, apresentou sintomas da doença arterial obstrutiva periférica.
     
    “Comecei a sentir dor nas pernas e elas ficavam inchadas. Eu conseguia andar, no máximo, 30 metros e tinha de parar para descansar. Tomava medicamentos e não passava. Meu pé direito ficou ferido e o dedão, muito escuro.” Lima diz que recebeu a informação de que seria submetido à técnica e que resolveu aceitar. “Eu não tenho dúvidas de que estou melhor agora. A minha idade não ajuda muito, mas estou bem.”
     
    Segundo Razuk, em todo o mundo, acontece 1 milhão de amputações por ano em decorrência da doença e 50% dos pacientes ainda não tinham sido submetidos a tratamento. Ainda de acordo com Razuk, o entupimento das artérias pode continuar evoluindo e aparecer em outras partes do corpo, causando complicações em órgãos como o cérebro e o coração. Mas a nova técnica é voltada apenas para a artéria femoral.
     
    Potencial
     
    Razuk diz que o procedimento já é realizado nos Estados Unidos e na Europa. “É uma técnica recente, que existe há dois anos, mas os resultados são animadores. Outros hospitais do País devem utilizá-la também.”
     
    O especialista pondera, no entanto, que o preço pode atrapalhar a disseminação do procedimento. “Uma angioplastia com stent custa em torno de R$ 15 mil e é mais barata do que esse dispositivo, que deve ficar 50% mais caro.”
     
    Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Walter Minicucci diz que é importante buscar procedimentos menos invasivos e que evitem riscos para os pacientes, mas que é fundamental fazer trabalhos de conscientização da população. “A gente procura evitar tratamentos que causem complicações, mas há outras técnicas para melhorar o risco, como manter o colesterol baixo e não fumar.”
     
    Para Luiz Francisco Machado da Costa, diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a técnica vem para complementar os tratamentos tradicionais para a doença. “É um dispositivo que não é experimental, mas muito pontual. É para abrir um caminho quando a placa de gordura está muito rígida. Essa técnica não veio para substituir, mas para agregar, é mais uma alternativa.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • O vírus que tem causado mortes e pânico na Coreia do Sul

    O vírus que tem causado mortes e pânico na Coreia do Sul

    O surto de uma nova doença respiratória está causando mortes e pânico na Coreia do Sul, onde nove pessoas morreram e ao menos cem foram infectadas.
     
    De acordo com a OMS, a Mers (síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio, na sigla em inglês) está sendo transmitida pelo contato entre as pessoas. Mais de 2,7 mil escolas sul-coreanas foram temporariamente fechadas em meio ao temor de contaminação.
     
    Os primeiros casos foram registrados em 2012 no Oriente Médio. O surto atual, no entanto, é maios amplo e grave do que o de três anos atrás.
     
    Mas, afinal, o que é esse novo vírus e devemos nos preocupar com ele?
     
    O que é o novo vírus?
     
    Ele é conhecido como coronavírus, família de vírus que inclui desde o que causa uma simples gripe até a Sars (síndrome respiratória aguda grave).
     
    A primeira vítima foi registrada em 2012, na Arábia Saudita. Segundo a OMS, ao menos 442 pessoas foram mortas por conta desse vírus desde então.
     
    A maioria dos casos se originou em um animal ainda não identificado – mas há casos em que o vírus foi transmitido entre duas pessoas.
     
    Casos foram confirmados em 25 países na Ásia, no Oriente Médio e na Europa, sendo que a maioria dos casos ocorreu na Arábia Saudita. Em maio deste ano, dois novos países entraram na lista: China e Coreia do Sul.
     
    O que ele causa?
     
    O coronavírus causa infecções respiratórias em humanos e animais. Pacientes apresentam febre, tosse e problemas respiratórios.
     
    O vírus pode causar pneumonia e, às vezes, falência dos rins. A maioria dos infectados até agora são homens mais velhos, geralmente com problemas de saúde pré-existentes.
     
    Segundo especialistas, ainda não está claro por que algumas pessoas desenvolvem formas mais leves da doença.
     
    Como o vírus se espalha?
     
    Há suspeitas de que o vírus se espalhe quando pessoas contaminadas tossem ou espirram.
     
    Pessoas que entraram em contato próximo com doentes se contaminaram, o que indica que o vírus tem a habilidade de ser transmitido de pessoa para pessoa.
     
    Até o momento, a maioria dos humanos com Mers foi contagiada pela contato com outros humanos em hospitais ou clínicas. Como exatamente o vírus é transmitido é algo que ainda nao foi totalmente esclarecido.
     
    Quão perigoso ele é?
     
    Especialistas acreditam que o vírus não seja muito contagioso. Se fosse, já teríamos visto mais casos.
     
    O coronavírus é frágil. Fora do corpo, ele só pode sobreviver por um dia e é facilmente destruído por detergente comum.
     
    Especialistas em saúde pública no Reino Unido reforçaram que o risco à população em geral continua sendo bem baixo.
     
    A maior preocupação mundial, porém, é sobre o potencial que esse novo vírus terá para se espalhar por toda a parte. Por enquanto, a transmissão de pessoa para pessoa ficou limitada a pequenos grupos. Não há nenhuma evidência até agora de que o vírus tenha a capacidade de se tornar pandêmico.
     
    Médicos ainda não sabem qual é o melhor tratamento, mas as pessoas com sintomas fortes necessitarão de cuidados médicos para ajudá-las a respitar. Não há nenhuma vacina.
     
    Até este mês, segundo a Organização Mundial da Saúde, 36% dos pacientes com Mers haviam morrido.
     
    O que posso fazer para me proteger?
     
    Ainda não se sabe exatamente como as pessoas podem pegar o vírus. No entanto, algumas medidas gerais podem ajudar a prevenir que ele se espalhe – evitar contato próximo, quando possível, com qualquer pessoa que mostre sintomas de doença (como tosse e coriza) e manter as mãos sempre limpas.
     
    De onde ele veio?
     
    Especialistas ainda não sabem de onde o vírus surgiu. Pode ter sido o resultado de uma nova mutação de um vírus já existente.
     
    Ou pode ser uma infecção que tem se espalhado entre os animais e agora atingiu também os humanos.
     
    Há algum conselho para viagens?
     
    No momento, a Organização Mundial da Saúde diz que não há motivos para impor quaisquer restrições para viagens.
     
    Essa questão será revista se possíveis novos casos ocorrerem ou se os padrões de transmissão se tornarem mais claros.
     
    E os vírus relacionados?
     
    Coronavírus são vírus comuns que a maioria das pessoas pega ao longo da vida. O nome deles vêm de algo como uma coroa de espinhos que cobre sua superfície.
     
    Os coronavírus de humanos foram identificados pela primeira vez em meados dos anos 1960.
     
    Outras variantes infectam diferentes animais, produzindo sintomas parecidos com os de humanos.
     
    A maioria dos coronavírus geralmente infecta apenas uma espécie de animal ou, no máximo, um número pequeno de espécies relacionadas.
     
    A Sars foi diferente: era capaz de infectar pessoas e animais, incluindo macacos, gatos, cachorros e roedores. O novo coronavírus não parece passar de pessoa para pessoa facilmente, enquanto a Sars passa.
     
    A Sars pode ter infectado mais de 8 mil pessoas, a maioria na China e no Sudeste da Ásia, em uma epidemia que começou em 2003. A doença se espalhou para mais de duas dezenas de países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia antes que a epidemia global fosse contida.
     
    Especialistas descobriram que a Sars poderia se espalhar pelo contato próximo de pessoa para pessoa.
     
    De acordo com a OMS, 774 pessoas morreram da infecção. Desde 2004, porém, não houve nenhum outro caso conhecido de Sars registrado em qualquer parte do mundo.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Novas drogas contra o colesterol estão a um passo da aprovação nos EUA

    Novas drogas contra o colesterol estão a um passo da aprovação nos EUA

    Uma comissão da Food and Drug Administration (FDA), agência que regula remédios nos EUA, recomendou a aprovação de novas drogas que se mostraram capazes de reduzir os níveis de colesterol ruim, o LDL.
     
    Em resultados preliminares de estudos clínicos, pessoas que tomaram os remédios viram seus níveis de colesterol ruim cair significativamente. Os testes clínicos deverão ser concluídos em 2017.
     
    Esses remédios são anticorpos que têm como alvo uma proteína (PCSK9) presente no fígado e no intestino e que destrói os receptores de LDL nas células. Esses receptores se encaixam no colesterol ruim e o tiram de circulação.
     
    Ao impedir a ação da PCSK9, é possível baixar o LDL no sangue. Pessoas com mutações genéticas que levam à redução dos níveis da PCSK9 no sangue têm colesterol mais baixo.
     
    Os remédios são injetáveis, e são aplicados a cada duas semanas ou uma vez por mês, dependendo da formulação.
     
    Drogas de duas farmacêuticas, o alirocumab, desenvolvido pela Sanofi e pela Regeneron, e o evolocumab, da Amgen, receberam a recomendação da FDA para serem aprovadas, com 13 fotos a favor e 3 contra. A FDA costuma seguir a recomendação das comissões. A aprovação final deverá ser decidida entre julho e agosto.
     
    As farmacêuticas pedem a aprovação das drogas para três grupos de paciente: aqueles com altos níveis de LDL, que não conseguem diminuir esses níveis apenas com estatinas; pessoas que já sofreram infarto, que têm diabetes e que não conseguem diminuir seus níveis de colesterol com estatinas; e pessoas com altos níveis de LDL que não toleram a estatina. Os médicos costumam definir como alto risco níveis de colesterol LDL acima de 70.
     
    A Sanofi estima que a droga poderá ser aplicada em 11 milhões de americanos. A Amgem estima em 8 milhões.
     
    Até agora, aparentemente todos que tomaram os remédios responderam bem ao tratamento. Os níveis de colesterol LDL caíram cerca de 40% a 65%, mesmo que o nível inicial foi alcançado com uso da estatina.
     
    Os estudos clínicos também mostraram que os remédios aparentemente não têm mais efeitos colaterais do que um placebo. Paul Chew, diretor médico da Sanofi disse ao “New York Times” que tanto pacientes do grupo que tomou placebo quanto o grupo que tomou o medicamento relataram esquecimento.
     
    Mais resultados serão obtidos conforme os estudos, que estão primeiramente tentando investigar se a drogas reduzem os casos de enfarto e mortes tão bem quanto reduzem os níveis de colesterol ruim, avançam.
     
    A Sanofi está fazendo estudos com 27.500 pacientes e a Amgem com 18 mil.
     
    CUSTO
     
    As drogas, porém, prometem ser caras. Como muitas outras drogas contra o câncer, os novos medicamentos são anticorpos, produzidos a partir de células vivas a um custo muito elevado. As farmacêuticas não revelaram quanto elas pretendem cobrar pelas novas drogas, mas William Shrank, chefe científico da organização CVS Health, estimou ao NYT que elas podem custar de U$ 7 mil a U$ 12 mil por ano.
     
    Fonte: New York Times
  • Doenças autoimunes podem se instalar antes mesmo do nascimento

    Doenças autoimunes podem se instalar antes mesmo do nascimento

    As doenças autoimunes, nas quais o sistema de defesa se volta contra o próprio organismo, podem surgir mais cedo do que se imaginava. Em casos raros, descobriu-se agora, podem se instalar antes mesmo do nascimento. Pesquisadores brasileiros identificaram em duas famílias – uma do interior de São Paulo e outra do interior do Paraná – casos de crianças que logo após o parto já apresentavam sinais de uma enfermidade autoimune incomum e grave: a síndrome da imunodesregulação, poliendocrinopatia e enteropatia ligada ao cromossomo X (IPEX).
     
    Nessa síndrome, células de defesa da própria criança atacam múltiplos órgãos, que depois de semanas ou meses de agressão contínua deixam de funcionar adequadamente e geram os sinais clínicos reconhecidos pelos pediatras. Como os bebês de São Paulo e do Paraná manifestaram os sinais da IPEX nas primeiras horas de vida, os pesquisadores concluíram que o ataque imunológico só poderia ter começado muito antes, ainda na gestação.
     
    O achado foi publicado em dezembro de 2014 na Clinical Immunology e surpreendeu os especialistas. “Não pensávamos que doenças autoimunes pudessem ocorrer durante a vida intrauterina”, conta a pediatra Magda Carneiro-Sampaio, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora da pesquisa.
     
    Doenças imunológicas do feto iniciadas durante a gestação não são incomuns. A mais conhecida é a eritroblastose fetal, causada pela incompatibilidade entre o grupo sanguíneo da mãe e o do bebê. Nessa enfermidade, porém, o problema é provocado por anticorpos produzidos pelas células de defesa maternas, transferidos para a criança por meio da placenta e do cordão umbilical. A diferença com os casos descritos pelo grupo de Magda na Clinical Immunology é que, nestes, são as células do sistema imunológico do próprio feto que lesam o organismo. “Até onde se sabe, esses são os primeiros casos comprovados de doença autoimune iniciada na gravidez”, diz Magda.
     
    Os casos descritos na Clinical Immunology são decorrentes de alterações em um gene que comprometem o amadurecimento de um grupo específico de células de defesa: os linfócitos T reguladores. Responsáveis por coordenar a ação de outras células de defesa, esses linfócitos passam por uma fase de maturação no timo, órgão situado no alto peito, na qual aprendem a identificar as células do próprio organismo e preservá-las do ataque a células de organismos invasores. Problemas nessa etapa de amadurecimento levam esses linfócitos a desencadear agressões contra o próprio corpo.
     
    Desde 2008 o grupo de Magda investiga as doenças autoimunes que acometem bebês e crianças nos primeiros anos de vida. Os pesquisadores só não esperavam chegar aos fetos – embora alguns imunologistas já trabalhassem com a ideia de que os problemas autoimunes pudessem começar na fase fetal. “Há casos na literatura médica de bebês com imunodeficiências graves ao nascer”, conta Magda. “Uma doença dessa natureza não se instala de um dia para outro.”
     
    O primeiro dos casos apresentados na Clinical Immunology chegou ao conhecimento de Magda anos atrás, relatado pelo pediatra Edson Suzuki, da Faculdade de Medicina de Marília. Mas a confirmação só veio com o estudo de outros dois fetos masculinos da mesma família, mortos em consequência de uma complicação no desenvolvimento, e de um caso em outra família, identificado pela endocrinologista Mariana Xavier da Silva, pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina que fez residência médica no Instituto da Criança da USP.
     
    Nessa cidade do interior do Paraná, Mariana havia atendido um bebê do sexo masculino que nasceu prematuro e apresentou diabetes de difícil controle nas primeiras horas de vida. Exames laboratoriais mostraram que seu organismo já produzia anticorpos contra as células do pâncreas produtoras de insulina. Sinais de inflamação na pele, nos intestinos e em outros órgãos permitiram caracterizar o problema como IPEX.
     
    Essa síndrome se manifesta em 93% das vezes no primeiro ano de vida, embora alguns casos sejam identificados logo após o nascimento. Sua origem são alterações pontuais no gene forkhead box P3 (FOXP3), que controla o amadurecimento dos linfócitos T reguladores.
     
    Situado no cromossomo X, esse gene existe em cópia dupla nas mulheres e simples nos homens. Por essa razão, nas duas famílias as mães não haviam desenvolvido a síndrome, embora apresentassem uma das cópias alterada, herdada pelos filhos com Ipex. Ao investigar a história de doenças nessas famílias, os pesquisadores viram ainda que as mães e as avós (em uma das famílias também a bisavó) já haviam perdido outros bebês do sexo masculino durante a gestação.
     
    Novo modelo
     
    Os pesquisadores buscaram na literatura médica outros relatos de aborto e nascimento de prematuros associados à Ipex, sinal de que a síndrome teria se manifestado ainda na gestação. De 2000 a 2014, encontraram outros 130 casos. “Em 45% desses casos, as manifestações autoimunes surgiram no primeiro mês de vida e, em 11 deles, no primeiro dia”, diz Magda. “Mas nenhum pesquisador propôs que a doença havia começado durante a vida intrauterina”, conta.
     
    A constatação de que o problema pode começar na gravidez levou o grupo a propor um novo mecanismo para explicar o desenvolvimento da IPEX. Nas escolas médicas se ensina que doenças autoimunes como essa surgem quando os linfócitos T reguladores perdem a capacidade de distinguir as células do corpo das de microrganismos invasores. Segundo esse modelo, conhecido como quebra de tolerância, o problema só se instala depois que o sistema imune passa por uma fase de amadurecimento, antes considerado impossível na vida fetal. “Nesses casos não haveria quebra de tolerância, uma vez que a tolerância nem chegou a se estabelecer”, explica Magda.
     
    Na opinião do imunologista português António Coutinho, do Instituto Gulbenkian de Ciência, colaborador do grupo, trata-se de uma mudança substancial no pensamento que predominou por muito tempo entre os especialistas. Ele acredita que esse trabalho deve servir para pediatras e neonatologistas ficarem atentos à possibilidade de recém-nascidos apresentarem doenças autoimunes. Quanto antes forem identificadas, melhores são os resultados do tratamento e maiores as chances de cura – a maioria das doenças autoimunes é tratada com imunossupressores e a IPEX, com transplante de células-tronco. “São procedimentos que podem salvar a criança”, diz Coutinho.
     
    Obstetras podem usar as novas informações para encaminhar as pacientes para o aconselhamento genético quando há casos de abortos repetidos ou perdas de recém-nascidos do sexo masculino na família. “Se houver o risco de a gestação resultar em síndromes graves que atingem só os meninos, como a IPEX, a alternativa é fazer uma fertilização in vitro e escolher um embrião feminino”, conta Maria de Lourdes Brizot, especialista em medicina fetal da FMUSP. Uma resolução do Conselho Federal de Medicina autoriza esse procedimento com a finalidade de evitar doenças ligadas ao sexo da criança. “Nesse caso”, diz Maria de Lourdes, “a escolha não é discriminatória, mas em favor da saúde e da vida do bebê.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Superbactéria provoca duas mortes em hospital de Sergipe

    Superbactéria provoca duas mortes em hospital de Sergipe

    A Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe confirmou a morte de duas pessoas que estavam infectadas pela bactéria resistente KPC. Os nomes das vítimas não foram divulgados. O bacilo foi detectado entre pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), o maior hospital da rede pública de Sergipe. Outros 12 pacientes estão contaminados. Os infectados foram isolados e duas Unidades de Terapias Intensivas (UTI's) foram interditadas. Uma nova área para a instalação provisória de uma Unidade de Terapia Intensiva foi criada.
     
    “Tudo está sendo monitorado e a medida que forem surgindo novas informações, estaremos tomando as providências necessárias para que o quadro desses pacientes não se agrave”, diz o diretor Clínico do Huse, Marcos Kruger. “É uma bactéria perigosa, pode matar e a superlotação é um dos fatores que podem agravar a situação e nós queremos evitar”, completou ele, sugerindo que novos pacientes evitem a internação no HUSE. Os pacientes que estão internados na ala pós-cirúrgica devem ser remanejados para outros hospitais públicos. Nas três UTI´s do HUSE existem 64 pacientes.
     
    O relatório divulgado pela direção do Hospital informa que 12 pacientes estão contaminados  sendo que 9 estão colonizados (têm a bactéria no organismo, mas não apresentam sintomas) e outros três pacientes já estão com a infecção e o estado deles é considerado grave. “Em um paciente contaminado provoca febre alta e baixa a pressão arterial. Outro sintoma é o suor frio e em poucos dias, se não for tratado, o paciente entra em coma e morre”, disse Kruger.
     
    A bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase [bactéria KPC] é resistente a antibióticos usados em tratamentos habituais. No caso dos pacientes está sendo utilizado a Amicacina. De acordo com Kruger, a bactéria não está no ambiente, não passa de um paciente para outro pelo ar ou respiração. A previsão da Secretaria de Saúde é que a situação de emergência deverá durar cerca de 90 dias.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Falta de verba paralisa produção de remédio contra o câncer

    Falta de verba paralisa produção de remédio contra o câncer

    Cerca de mil pacientes tiveram o tratamento de câncer de tireoide e exames de diagnóstico suspensos no Brasil entre esta segunda-feira (8) e terça (9), em razão da falta de radiofármacos produzidos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen). Por causa de uma dívida acumulada ao longo do ano, o instituto teve o fornecimento de material radioativo interrompido por uma das empresas. “O pagamento da parcela foi feito na semana passada, mas não houve tempo suficiente para atender à demanda desta semana”, afirmou o superintendente do Ipen, José Carlos Bressiani.
     
    Somente no Hospital de Câncer de Barretos, 11 pacientes ficaram sem o tratamento e 16 sem fazer exames de cintilografia, indicado, por exemplo, para identificar problemas cardíacos. “Números não refletem o drama enfrentado pelos pacientes. Muitos chegam após seis meses de fila e já perderam o momento ideal da terapia”, disse o coordenador do serviço de medicina nuclear do Hospital de Câncer de Barretos, Marcelo José dos Santos.
     
    Pacientes reagiram com choro e, em alguns casos, com agressividade diante da notícia de que o tratamento havia sido suspenso, relatou Santos. No caso da terapia para tireoide, pacientes têm de suspender por um mês o uso de hormônios, devem se submeter a uma dieta restrita e precisam chegar ao hospital acompanhados.
     
    “Não é difícil entender a reação. Eles gastam tempo, dinheiro, já estão emocionalmente abalados. Chegar aqui e receber a informação de que o tratamento terá de ser adiado acaba sendo desesperador.”
     
    O superintendente do Ipen afirma que a dívida do instituto teve como ponto de partida a redução nos repasses feitos pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em nota, o ministério negou e disse que o repasse está regular.
     
    Dívidas
     
    Diante da falta de definição sobre os recursos destinados ao instituto em 2015, a pasta repassou, segundo Bressiani, 1/18 do orçamento de 2014. “Com isso, as dívidas se acumularam.”
     
    Pelos cálculos de Bressiani, a dívida chega a R$ 20 milhões. Além da redução de recursos, o Ipen enfrenta o aumento no valor de material radioativo. “Usamos produtos importados.” Pelos cálculos de Bressiani, os recursos são suficientes até setembro. (As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”)
     
    Fonte: Uol Saúde
     
     
  • Nova droga para tratar falta de libido feminina gera polêmica

    Nova droga para tratar falta de libido feminina gera polêmica

    A mídia veiculou com destaque a aprovação do conselho consultivo da FDA (food and Drug Admistration), a agência americana que regulamenta e fiscaliza alimentos e remédios, de uma nova droga para tratar da falta de desejo sexual feminino. A droga que vem sendo chamada de novo Viagra feminino pode vir a ser um verdadeiro sucesso comercial. Mas o mecanismo da droga, que interfere na liberação de neurotransmissores e circuitos do prazer cerebral, nada tem a ver com o mecanismo das drogas usadas na disfunção erétil masculina. A aprovação da Flibanserina, no entanto, foi acompanhada de uma série de precauções e advertências, em função da presença de diversos efeitos colaterais observados nos estudos clínicos. A lista de efeitos indesejáveis inclui tontura, náusea, fadiga, sonolência e risco de queda de pressão e desmaio. Entre as medidas de gerenciamento de risco do uso da medicação foram mencionadas certificação dos médicos que prescrevem a droga, que ainda serão checados pelas farmácias e registro das usuárias.
     
    Um dos estudos sobre eficácia da nova droga foi feito com mais de 1000 mulheres, com desejo sexual hipoativo, que foram randomizadas para receber Flibanserina, 100 mg/dia, por até 24 semanas, ou placebo. A média de idade das participantes era de 36 anos. Questionários sobre a sexualidade foram aplicados antes e ao final do estudo. No geral, as mulheres que usaram a medicação experimentaram melhora significativa de alguns parâmetros sexuais. Em particular elas relataram maior número de eventos sexuais qualificados como satisfatórios e menos estresse relacionado à disfunção sexual. Mas como nem tudo é perfeito, o número de efeitos colaterais não foi desprezível e quase 10% das mulheres pararam de tomar a droga por não tolerá-los. E aí é que entra parte da polêmica sobre a droga. Embora feministas tenham batalhado pela aprovação da droga, inclusive por meio do site www.eventhescore.org, alegando igualdade de direitos, não está bem claro para o meio acadêmico se os benefícios compensam os riscos. Outros estudos já haviam sugerido que o benefício é pequeno, pouco superior ao observado com placebo, e que, portanto, o risco não se justifica.
     
    A esta altura do campeonato, nem interessa se a droga, originalmente indicada para tratar depressão, já havia sido recusada, desde 2010, pela própria FDA. A expectativa de melhora da libido feminina é um tratamento que interessa a muitas mulheres. E convenhamos, a muitos homens, parceiros destas mulheres, também. A questão a ser esclarecida, em pesquisas futuras é se a medicação é ao mesmo tempo eficaz e sem efeitos colaterais. Porque, como todo mundo deve concordar, é difícil pensar em sexo quanto se está passando mal.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Novos exames de sangue podem revelar infecções virais do passado

    Novos exames de sangue podem revelar infecções virais do passado

    Um novo e econômico exame que exige apenas uma gota de sangue torna possível identificar todos os vírus infecciosos que uma pessoa teve no passado e os que tem no presente.
     
    Este novo exame, desenvolvido por cientistas do instituto médico Howard Hugues (HHMI), ajuda os profissionais da saúde a identificar múltiplos fatores que podem afetar a saúde de uma pessoa, em vez de analisar apenas um vírus.
     
    Também ajuda os pesquisadores a verificar os vírus em grandes populações e custa apenas 25 dólares por amostra de sangue.
     
    “Desenvolvemos uma metodologia de varredura que basicamente viaja no tempo no sangue de uma pessoa e observa os vírus que experimentou”, declarou Stephen Elledge, um pesquisador do HHMI do hospital de mulheres Brigham em Boston.
     
    Os investigadores já usaram o VirScan para analisar o sangue de 569 pessoas nos Estados Unidos, na África do Sul, na Tailândia e no Peru.
     
    A análise funciona identificando os anticorpos de uma pessoa para as 206 espécies de vírus que até agora se sabe que infectam os humanos.
     
    Os pesquisadores colocaram à prova o método com pacientes que se sabia de antemão que tinham vírus específicos, como HIV ou Hepatite C.
     
    “Mostrou que funciona muito bem”, disse Elledge.
     
    As 569 pessoas examinadas tinham uma média 10 tipos diferentes de vírus cada uma.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo testará remédios de câncer em quem já não responde ao tratamento

    Estudo testará remédios de câncer em quem já não responde ao tratamento

    Estudo testará remédios de câncer em quem já não responde ao tratamento
     
    Um estudo clínico inédito envolvendo pacientes com câncer, que já não respondem aos tratamentos existentes, vai ser realizado nos Estados Unidos. A ideia é testar drogas de última geração que já estão no mercado, mas que não são propriamente indicadas para os casos dos pacientes. A tentativa é de ampliar o protocolo de uso de medicamentos aprovado pelo FDA (órgão norte-americano que aprova novos remédios e alimentos, na sigla em inglês).
     
    O estudo foi lançado no último congresso da ASCO (sociedade norte-americana de oncologia clínica, na sigla em inglês), em Chicago, nos Estados Unidos, na última semana, e conta com o patrocínio de cinco grandes farmacêuticas.
     
    A ideia é desburocratizar as pesquisas clínicas atraindo um maior número de pacientes para o teste de medicamentos. O foco são as pessoas diagnosticadas com tumores sólidos, mieloma múltiplo ou linfomas não-Hodgkin.
     
    O estudo, batizado de TAPUR, vai coletar informações sobre a toxicidade e atuação contra tumores dos medicamentos que já estão disponíveis no mercado norte-americano. “Os oncologistas geralmente usam terapias aprovadas para alguns tipos de câncer em pacientes com outros tipos de câncer, mas raramente esse conhecimento é organizado e disseminado. Esse estudo vai documentar a experiência do mundo real e vai descrever a eficácia desses novos testes”, afirmou o presidente da ASCO, Peter Paul Yu.
     
    Nos próximos meses devem ser criados comitês que vão organizar os dados clínicos e avaliar os casos junto aos representantes dos pacientes e seus oncologistas. Não há informações até o momento sobre o número de pacientes envolvidos no estudo. Ao menos 13 medicamentos, que combatem 15 tipos diferentes de genomas variantes serão fornecidos pelo estudo a custo zero.
     
    Fonte: Uol Saúde