Category: Notícias

  • Adultos superam crianças em consumo de medicamentos para a concentração

    Adultos superam crianças em consumo de medicamentos para a concentração

    O TDAH, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, deixou de ser coisa de criança.
     
    Nos EUA, os adultos ultrapassaram as crianças no consumo de medicamentos para essa condição e responderam por 53 por cento das 63 milhões de prescrições de todo o setor para medicamentos contra o TDAH no ano passado, segundo dados compilados pela Shire Plc, que produz o medicamento mais vendido, o Vyvanse. Os dados contrastam com os 39 por cento de 2007, disse a fabricante de medicamentos com sede em Dublin.
     
    A mudança no mercado, que refuta a noção comum de que o TDAH é uma condição pediátrica, ocorreu em parte porque o transtorno persiste na vida adulta, segundo os estudos. Mais pais de crianças com TDAH — que provoca agitação, falta de concentração e comportamento impulsivo — também estão sendo diagnosticados em meio a uma percepção crescente de que o transtorno pode ser herdado.
     
    “Nós adotamos mais esforços no mercado de TDAH adulto, que agora representa mais da metade do mercado geral e tem o crescimento mais elevado”, disse o CEO da Shire, Flemming Ornskov, em uma teleconferência recente com analistas. “Isso está crescendo rapidamente, quase duas vezes tão rapidamente quanto o mercado como um todo”.
     
    O Vyvanse, da Shire, que está aprovado para o tratamento tanto de crianças com idade entre 6 e 17 anos quanto de adultos, dominou metade do mercado de marcas para medicamentos contra o TDAH em todo o mundo no ano passado. Os esforços da empresa para atender esse mercado crescente estão concentrados em fazer os representantes de vendas ensinarem os médicos a respeito dos resultados obtidos em testes clínicos envolvendo adultos.
     
    As vendas do medicamento subiram 18 por cento no ano passado, para US$ 1,4 bilhão, reforçando sua posição de droga mais vendida da Shire. Ultrapassou de longe a renda obtida por seu concorrente de marca mais próximo, o Concerta, da Johnson Johnson, que vendeu US$ 599 milhões, e o Ritalina, da Novartis AG. Ambos os medicamentos perderam a proteção de patente.
     
    Usos mais amplos
     
    O foco nos adultos se soma aos esforços da Shire por extrair mais vendas de sua carteira de TDAH. A empresa reformulou sua droga Adderall, que tem concorrentes genéricos, transformando-a em um tratamento de liberação prolongada que dura 16 horas e planeja buscar aprovação dos reguladores dos EUA até o segundo trimestre de 2017. A Shire também conseguiu autorização para implementar um tratamento de transtorno de compulsão alimentar como um novo uso para o Vyvanse em janeiro.
     
    Na Europa, as crianças ainda são de longe o maior segmento, respondendo por 74 por cento dos pacientes de TDAH em 2014. “É importante notar que o nível de aceitação e diagnóstico e os medicamentos disponíveis para TDAH são mais limitados na Europa do que nos EUA”, disse a Shire, em um comunicado enviado por e-mail.
     
    Isso está começando a mudar, especialmente na Escandinávia e em países como Alemanha e Espanha, segundo Ornskov. “A Suécia é um dos nossos mercados com crescimento mais acelerado, superando até mesmo as referências para os EUA”, disse ele.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • O que são as doenças autoimunes?

    O que são as doenças autoimunes?

    O que o diabetes tipo 1 e a artrite reumatoide têm em comum? Aparentemente, nada. Mas ambas têm uma origem em comum: um ataque do sistema imunológico contra uma estrutura do próprio organismo, ou seja, uma resposta autoimune.
     
    Todo mundo aprende na escola que o sistema imunológico existe para combater ameaças externas, como vírus e bactérias. Ao “visualizar” esses agentes, produz anticorpos com o objetivo de atacá-los.
     
    Em alguns casos, no entanto, o general desse exército confunde células do próprio organismo com invasores. No caso do diabetes tipo 1, combate as células beta, responsáveis pela produção de insulina. Na artrite reumatoide, o ataque é contra vários tecidos e estruturas das articulações. Já no caso das doenças autoimunes difusas, como o lúpus, o ataque é mais disseminado e as manifestações podem incluir vários órgãos, tecidos e vasos sanguíneos.
     
    Os mecanismos imunológicos que ocasionam a lesão dos órgãos nessas doenças é algo que médicos e cientistas até compreendem bem. Já o que leva o sistema imunológico a se reverter, destruindo algo que teoricamente deveria ser protegido, ainda é um mistério, ou “a pergunta que vale um bilhão de dólares”, como diz o  médico Freddy Eliaschewitz, consultor da ADJ Diabetes Brasil.
     
    De acordo com o Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA, mais de uma centena de doenças crônicas têm origem em uma resposta autoimune. Mas, apesar do processo em comum, cada doença autoimune tem suas próprias características, ritmo evolutivo e sintomas específicos. É por isso que não existe um médico especialista em “autoimunidade”.
     
    “Hoje sabe-se que existe até infertilidade causada por doença autoimune, ou seja, é algo que permeia toda a medicina”, explica o reumatologista Luís Eduardo Coelho Andrade, professor da Universidade Federal de São Paulo. Algumas das doenças autoimunes mais conhecidas, como lúpus e artrite reumatoide, são tratadas por profissionais como ele.
     
    Mas endocrinologistas, dermatologistas e diversos outros especialistas podem ser requisitados, bem como outros profissionais de saúde, como nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas.
     
    Doenças autoimunes não são raras
     
    Felizmente, ser atacado pelo próprio sistema de defesa do organismo não é tão comum quanto pegar uma gripe ou resfriado. Estima-se que as doenças autoimunes afetem de 5 a 8% da população geral, mas considerando cada doença autoimune especificamente, a frequência é bem menor, variando de 0,01 a 1%.
     
    Mas há estimativas menos otimistas. Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, por exemplo, afirmam que 23,5 milhões de norte-americanos sofrem dessas enfermidades, o que não é pouco para uma população de cerca de 320 milhões. Já a American Autoimmune Related Diseases Association (AARDA), uma entidade sem fins lucrativos, diz que 50 milhões é um número mais realista, pois os Institutos só consideram 24 doenças para as quais há pesquisas epidemiológicas de qualidade.
     
    Só para se ter uma ideia do que essa estimativa representa: as doenças cardíacas afetam cerca de 22 milhões de norte-americanos e o câncer, 9 milhões.
     
    É preciso haver uma tendência genética para desenvolver essas doenças
     
    Segundo os especialistas, existem variantes genéticas conhecidas que predispõem parte da população às doenças autoimunes. Ou seja, algumas pessoas nunca vão desenvolver o problema, enquanto algumas famílias podem ter diversos membros com diferentes tipos de doenças autoimunes.
     
    Mas ter a tendência não significa ter a enfermidade – é preciso que haja um fator ambiental que deflagre a doença. Os cientistas conhecem alguns deles, mas não todos. No caso da doença celíaca, uma intolerância permanente ao glúten (componente do trigo e de outros cereais), o gatilho é bem conhecido: a alimentação. “Mas isso não acontece necessariamente na primeira vez que a pessoa ingere o glúten”, observa Andrade. No caso da artrite reumatoide, ele conta que o cigarro é um fator importante.
     
    Viroses, infecções em geral e até mesmo episódios de estresse psíquico também podem funcionar como deflagradores de doença autoimune em indivíduos geneticamente predispostos, bem como a exposição a sílica, solventes e outros produtos químicos, de acordo com pesquisas.
     
    Várias teorias tentam explicar as doenças autoimunes
     
    Embora existam diversas teorias para explicar a autoimunidade, é importante frisar que nenhuma delas foi confirmada até hoje, segundo os especialistas. A “teoria da higiene” é uma delas – como as doenças são mais comuns em países mais desenvolvidos e em áreas urbanas, cogita-se que o consumo de alimentos pasteurizados e o excesso de higiene estariam impedindo o sistema imunológico dessas populações de se “educar” corretamente.
     
    Outra teoria é a do mimetismo molecular – alguns micro-organismos teriam aumentado suas chances de sobrevivência com a capacidade de se camuflar dentro do organismo. Essa semelhança faria o sistema imunológico se confundir e passar a combater uma estrutura própria depois de uma virose, por exemplo. Há, ainda, a ideia de que certas infecções levariam o organismo a expor componentes que antes ficavam escondidos e, portanto, não são reconhecidos pelo sistema imunológico.
     
    As mulheres são as principais vítimas
     
    Aproximadamente 75% das pessoas que sofrem de doenças autoimunes são mulheres. No caso da tireoidite de Hashimoto, em que a glândula tireoide é atacada, a proporção chega a ser de dez para um. Já outras doenças, como a esclerose múltipla, a prevalência feminina é um pouco menos expressiva, de aproximadamente duas mulheres para cada homem afetado.
     
    A justificativa mais aceitável para essa desigualdade é o fator hormonal: “O estrógeno é um estimulante da imunidade”, explica o reumatologista da Unifesp. Tanto que boa parte das doenças autoimunes acomete mulheres em idade fértil.
     
    Existem formas mais leves ou mais graves de doença autoimune
     
    Embora toda doença autoimune seja crônica, algumas pessoas apresentam sintomas mais leves, enquanto outras têm manifestações tão intensas que, em certos casos, podem levar à morte. Um dos exemplos é o lúpus: enquanto alguns pacientes apresentam eventuais dores nas articulações e a famosa mancha no rosto, em forma de borboleta, outros desenvolvem problemas sérios nos rins ou nos vasos sanguíneos (vasculite).
     
    O tratamento para doenças autoimunes evoluiu bastante nos últimos anos
     
    O tratamento das doenças autoimunes varia de acordo com a enfermidade, mas o uso de corticoides é algo frequente. Esses anti-inflamatórios são eficazes e ajudam a controlar a reação do organismo, mas seu uso crônico traz efeitos indesejados, como aumento da vulnerabilidade a infecções e ganho de peso.
     
    “Hoje há novos remédios que permitem um uso menor de corticoide”, informa Andrade. E alguns medicamentos biológicos, derivados da biotecnologia, têm sido bastante eficazes no caso de certas doenças, como artrite reumatoide, psoríase e doença de Crohn, embora o custo ainda seja muito alto.
     
    O reumatologista da Unifesp conta que ele próprio, em sua experiência pessoal, presenciou um avanço notável nos últimos anos. “Antigamente, os ambulatórios para artrite reumatoide eram lotados de cadeiras de rodas, e hoje você encontra uma ou outra”, relata. “E se antes dar o diagnóstico de lúpus a uma garota de 20 anos era uma sentença, hoje você pode dizer à paciente que ela terá uma vida normal, só terá que ser mais disciplinada com exames, consultas e medicamentos.”
     
    Existem pesquisas experimentais com terapias que, de alguma forma, ajudariam a “resetar” o sistema imunológico. É o caso, por exemplo, do uso de células-tronco na tentativa de combater o diabetes tipo 1. Mas ainda há muitos obstáculos a serem enfrentados. Freddy Eliaschewitz comenta que muitos pacientes entram em remissão, mas depois a doença volta a se manifestar. E um procedimento desse tipo sempre envolve riscos, pois são necessárias altas doses de imunossupressores.
     
    Ter um FAN positivo não significa ter doença autoimune
     
    Quando se fala em doença autoimune, um dos exames mais lembrados é o FAN (Fator Antinúcleo). Ele é realizado para detectar autoanticorpos contra estruturas nucleares das células e costuma ser solicitado quando há suspeita de reações autoimunes, por exemplo, a presença de dores articulares sem lesões ou desgaste aparentes. Há vários padrões analisados, e, cada um deles, quando o resultado é positivo, pode ser sugestivo de uma ou outra doença autoimune.
     
    Luís Eduardo Andrade explica que o FAN foi muito importante quando se iniciaram os diagnósticos de autoimunidade, a partir da metade do século passado. Mas, depois, os cientistas descobriram que muitos indivíduos saudáveis, ou com certas infecções, também podem apresentar o exame positivo. Portanto, o FAN pode ajudar a estabelecer um diagnóstico que tenha surgido a partir de sintomas, mas, sozinho, não significa nada.
     
    Em geral, diante da suspeita de doença autoimune, o médico solicita também outros exames de sangue para identificar anticorpos específicos.
     
    Existe relação entre estresse e doença autoimune
     
    Muitos pacientes contam que tiveram uma doença autoimune deflagrada depois de sofrer algum evento traumático. De acordo com o reumatologista da Unifesp, essa relação com o emocional  é observada em alguns indivíduos, mas é difícil medir esse tipo de impacto de forma consistente.
     
    Mas o médico avisa que o estresse pode influenciar, sim, o estado da doença. Por isso é importante que os pacientes diagnosticados busquem ter uma vida equilibrada, com atividade física, nutrição adequada e sono suficiente. “Há conexões importantes entre o sistema nervoso e o sistema imunológico”, justifica.
     
    Veja informações sobre algumas das doenças autoimunes mais comuns:
     
    Artrite reumatoide – é caracterizada por dores nas articulações de ambos os lados do corpo, pois o sistema imunológico ataca a camada de tecido que reveste essas estruturas. Afeta em torno de um a cada 100 indivíduos. 
     
    Diabetes tipo 1 – também chamada de Diabetes mellitus, a doença ataca as células produtoras de insulina. Os pacientes precisam de injeções diárias desse hormônio para regularizar o metabolismo do açúcar. Pode surgir em qualquer idade, mas principalmente antes dos 35 anos. O tipo 1 representa apenas de 5 a 10% dos casos de diabetes. 
     
    Doença de Crohn – é uma das doenças inflamatórias intestinais causadas por autoimunidade. Provoca diarreia crônica, dores abdominais, perda de peso e também pode causar dores articulares. 
     
    Doença celíaca – caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, provoca diarreia, vômito, perda de peso, problemas de desnutrição e fertilidade. Afeta uma em aproximadamente 300 pessoas. 
     
    Esclerodermia – afeta o tecido conjuntivo, podendo provocar apenas alterações na pele, ou também nos músculos, nos vasos sanguíneos e em órgãos como estômago, esôfago e pulmões.
     
    Esclerose múltipla – o sistema imunológico ataca o cérebro e o sistema nervoso central. Os pacientes têm sintomas como falhas na coordenação motora, fraqueza nas pernas e problemas de memória. Veja mais
     
    Lúpus – afeta principalmente a pele, as articulações, os rins e o cérebro, mas também pode acometer outros órgãos. A prevalência é de aproximadamente uma em 1.000 pessoas. 
     
    Psoríase – doença caracterizada por lesões avermelhadas e descamativas na pele, principalmente no couro cabeludo, cotovelos e joelhos. Acomete cerca de 2% da população mundial.
     
    Tireoidite de Hashimoto – ataca a glândula tireoide, responsável pelo metabolismo. Os pacientes apresentam sintomas de hipotireoidismo, como cansaço, ganho de peso, queda de cabelo e dificuldade de raciocínio, entre outros. 
     
    Vitiligo – afeta a melanina, o pigmento da pele, podendo surgir em qualquer parte do corpo. A doença costuma afetar muito a autoestima e pode funcionar como gatilho para depressão. 
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Molécula presente na urina detecta câncer de próstata

    Molécula presente na urina detecta câncer de próstata

    Uma molécula que pode ser usada para diagnosticar o câncer de próstata pela urina tem uma relação íntima com a origem da doença, sugere um novo estudo. Os exames de urina usados para detectar a molécula PCA3 podem, inclusive, inspirar novas estratégias de ataque ao tumor de próstata.
     
    O PCA3 desliga um mecanismo antitumor do organismo o que pode levar à multiplicação desenfreada das células da próstata e, portanto, ao câncer. Bloquear a ação da molécula impediu a proliferação das células cancerosas em roedores. “Em muitos casos, os tumores praticamente desapareciam”, diz o biólogo Emmanuel Dias-Neto, do A.C. Camargo Cancer Center. Dias-Neto é coautor do estudo publicado na revista científica “PNAS”, que também é assinado por Wadih Arap e Renata Pasqualini, brasileiros que trabalham na Universidade do Texas.
     
    Segundo o biólogo, um dos próximos passos é bolar estratégias para o “delivery” das moléculas que bloqueiam o PCA3, ou seja, criar modos de levá-las até a próstata dos pacientes com precisão. Se funcionar, “teremos uma ferramenta potente”, afirma ele.
     
    DO CONTRA
     
    O PCA3 é uma molécula literalmente do contra. Trata-se de uma forma de RNA, a molécula “prima” do DNA cuja função mais conhecida é a transmissão de instruções do material genético para as fábricas de moléculas nas células. Diferentemente dessa forma “normal” do RNA, porém, o PCA3 é originada a partir da fita de DNA que não costuma ser lida pelo organismo, conhecida como antissenso.
     
    Os especialistas sabiam que o PCA3 aparece na urina após a massagem da próstata (feita pelo médico em pacientes com suspeita de alterações na glândula), e também que a molécula é 70 vezes mais comum em tumores do que na próstata saudável. Mas ninguém tinha ideia da função da molécula ela podia ser apenas um subproduto das alterações genéticas do câncer, por exemplo.
     
    Dias-Neto e seus colegas resolveram olhar os “vizinhos” do PCA3, ou seja, os trechos de DNA que ficam na outra fita da molécula, a fita “certa” que normalmente é lida pela célula. Acabaram descobrindo que as letras químicas do PCA3 se encaixam com precisão em parte de um gene até então desconhecido.
     
    Para ser mais exato: as duas fitas de DNA são transcritas, ou seja, recriadas numa versão de RNA. Em situações normais, no caso do gene, isso seria um passo intermediário para que o RNA servisse de “receita” para uma proteína, a qual, por sua vez, desempenharia seu papel na célula. Só que o PCA3, ao se encaixar no RNA desse gene, acaba evitando esse funcionamento normal, porque surge aí uma forma anômala de RNA que a célula “rejeita” e se põe a desativar.
     
    ON/OFF
     
    Desligar o gene é uma péssima ideia, pois os pesquisadores mostraram que ele é um gene supressor de tumores. Sua atividade normal impede, em outras palavras, que as células da próstata passem a se multiplicar além da conta e da forma errada. Esse processo foi verificado pelos pesquisadores tanto em células de câncer de próstata cultivadas em laboratório quanto em tumores enxertados em camundongos. E, nesses dois contextos, impedir a ação do PCA3 fez o tumor perder força.
     
    Os achados devem dar mais peso à prática de fazer o exame de PCA3, que ainda é pouco comum. O exame laboratorial mais usado no caso dos tumores de próstata é o do PSA, que tem a vantagem de poder ser detectado no sangue, mas é pouco específico o aumento nos níveis pode estar ligado a alterações benignas na próstata, que não têm a ver com o câncer.
     
    No entanto, o exame depende de equipamentos modernos, ainda pouco disponíveis, e seus custos não são cobertos por convênios.
     
    Além disso, as descobertas devem dar novo impulso ao estudo desses RNAs “do contra”, que ainda são pouco conhecidos, mas têm mostrado elos importantes com doenças, afirma Dias-Neto.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • SUS será referência para definir remédio de convênio; coberturas podem cair

    SUS será referência para definir remédio de convênio; coberturas podem cair

    A lista de tratamentos e medicamentos oferecidos na rede pública passará a ser uma das principais referências consideradas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para definir o que os planos de saúde deverão cobrir. Hoje, muitos procedimentos oferecidos na saúde privada não são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entidades médicas, de pacientes e de direito do consumidor criticam a ideia de aproximar as duas listas. Para elas, os beneficiários perderão coberturas.
     
    Nesta sexta-feira (19), a ANS abre uma consulta pública para avaliar as tecnologias que serão incluídas e excluídas do rol de procedimentos de cobertura obrigatória, atualizado a cada dois anos. Pela primeira vez, a agência prevê a exclusão de um medicamento oncológico com base em uma decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
     
    Em 2014, o medicamento everolimus, quimioterápico oral indicado para câncer de mama com metástase, passou a compor a lista de cobertura obrigatória. Na revisão que vai a consulta pública a partir desta sexta-feira, a ANS retirou o medicamento da relação, com base em uma decisão da Conitec de não incorporar o remédio na rede pública. “A Conitec tem uma avaliação mais criteriosa e verificou que não há ganho real de sobrevida com esse medicamento. Por isso estamos propondo a exclusão”, afirma Raquel Lisboa, gerente-geral de regulação assistencial da ANS.
     
    A executiva da agência afirma que as decisões da comissão, criada em 2011, poderão ser consideradas como um dos principais critérios para definir outras inclusões ou exclusões no rol. “A Conitec faz um trabalho técnico nessa questão da incorporação. Vários países já usam essa metodologia, e a ANS tem um assento na Conitec. Se já temos essa expertise no Brasil, não há por que não utilizá-la”, afirma Raquel.
     
    Ela destaca que os quimioterápicos orais foram incluídos no rol em 2014 por determinação de uma lei federal que obriga a ANS a incorporar automaticamente todos os medicamentos do tipo, assim que eles obtenham o registro de comercialização. A gerente afirma que, embora a inclusão seja automática, a exclusão pode acontecer quando houver uma recomendação técnica nesse sentido, como é o caso do everolimus.
     
    Pacientes e médicos criticam a decisão. “Os planos de saúde deveriam funcionar, de fato, como saúde suplementar. Se a agência começar a se basear pela lista da Conitec, ela estará nivelando por baixo. É um absurdo”, diz Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia.
     
    Diagnosticada com câncer de mama há oito anos, a funcionária pública Jussara Del Moral, de 50 anos, teve metástase nos ossos em 2013, passou por todos os tratamentos possíveis, mas a recidiva voltou no ano seguinte. Ela começou a tomar o medicamento everolimus, coberto pelo plano, em outubro. “É isso que mantém a doença controlada e impede que surjam novas metástases. No meu caso, retirar o remédio da cobertura do plano significa uma condenação”, diz ela.
     
    Cada caixa do medicamento, suficiente para um mês de tratamento, custa R$ 13 mil. “Eu não vou ter condições de arcar com isso se o medicamento sair da lista de cobertura”, diz ela.
     
    Justiça
     
    Advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Joana Cruz afirma que a medida pode aumentar os casos de ações judiciais pedindo o medicamento. “O problema é que a gente sabe que o acesso ao Judiciário não é para todos e, por isso, muita gente vai ficar sem o tratamento.”
     
    A gerente da ANS afirma que essa e outras modificações no rol ainda estão em estudo. “A consulta pública ficará aberta por 30 dias e toda a população poderá participar”, disse ela.
     
    Para Raquel, a utilização das avaliações da Conitec como um dos critérios na definição do rol de procedimentos não prejudicará os beneficiários de planos. “Na saúde suplementar também é preciso usar os critérios da Conitec, como eficácia, segurança e custo-efetividade.
     
    Não podemos deixar de considerar isso, porque, se uma tecnologia causa um impacto econômico muito grande no setor, isso será repassado ao consumidor”, diz. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Unicamp vira polo agregador de pesquisas de câncer de mama

    Unicamp vira polo agregador de pesquisas de câncer de mama

    A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) fechou uma parceria com o Baylor College of Medicine (BCM) e com a Fundação Susan G. Komen, ambos do Texas (EUA), para tornar o Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) um polo agregador de pesquisas sobre o câncer de mama.
     
    Além de aprimorar pesquisas e tratamentos que combatam a doença, a parceria vai possibilitar o intercâmbio de docentes, pesquisadores e alunos da graduação, pós-graduação e de pós-doutorado.
     
    “Na prática, o acordo visa uma troca de conhecimentos e planejamentos para que possamos entender o comportamento do câncer de mama no Brasil, em comparação com o comportamento da doença em outras sociedades, como a americana, por exemplo. A ideia é agregar recursos incomuns, projetos incomuns e reforço de tecnologia e orientação, de maneira a melhorar o panorama da pesquisa de câncer de mama no Brasil”, afirma o chefe do setor de mastologia do Caism, César Cabello dos Santos.
     
    Segundo Santos, o Brasil tem uma etnia bastante variada e não se sabe exatamente qual a influência disso sobre a doença, que registra 50 mil novos casos por ano somente no País. São 500 casos novos da doença registrados anualmente só no Caism.
     
    “Nós fazemos muitas pesquisas aqui e ter parceiros reconhecidos só aumenta nosso potencial para buscarmos mais pesquisas e tratamentos que resultem em melhorias na vida das nossas pacientes, tanto as diagnosticadas quanto as que têm alto risco para a doença”, disse Santos.
     
    A parceria também prevê publicações em conjunto de dados científicos e o reconhecimento mútuo dos cursos realizados. “Os pesquisadores do Caism poderão encontrar mentores de pesquisa lá fora”, explicou Santos. Dois deles, já foram orientados pelo professor da BCM Mattew Ellis, um dos maiores especialistas de câncer de mama nos Estados Unidos, que é o mentor da parceria.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Brasileiras se unem para entrar no mapa dos biológicos

    Brasileiras se unem para entrar no mapa dos biológicos

    Parcerias entre empresas brasileiras, multinacionais, laboratórios públicos e governo buscam colocar a indústria brasileira no mercado mundial de medicamentos biológicos.
     
    Ramo dos mais promissores da indústria farmacêutica, a produção de remédios biológicos deve ter crescimento de vendas a taxas de 10% ao ano até 2020 e alcançar um valor de movimentação anual de US$ 290 bilhões, segundo a consultoria Persistence Global Market.
     
    Mais complexos e caros do que os sintéticos, os biológicos são produzidos a partir de células vivas, submetidas a técnicas de engenharia genética e biotecnologia.
     
    Quatro laboratórios brasileiros devem investir ao menos R$ 1,6 bilhão no desenvolvimento desses medicamentos nos próximos anos. A maior parte dos recursos virá de financiamento do BNDES.
     
    Em parceria com multinacionais e laboratórios públicos, as empresas irão produzir biossimilares (remédios que possuem efeitos comparáveis aos originais) de sete medicamentos cujas patentes vão expirar até 2020.
     
    A iniciativa segue o caminho da criação do mercado de genéricos no país, no final dos anos 1990. As empresas brasileiras entrarão no mercado produzindo o que já foi desenvolvido no exterior. A seguir, a partir do conhecimento adquirido no processo de transferência de tecnologia, espera-se que criem produtos inovadores, diz Pedro Palmeira, chefe de departamento do BNDES.
     
    LANÇAMENTO
     
    Há perspectivas de que produtos 100% nacionais sejam lançados em breve. O laboratório Cristália aguarda a aprovação da Anvisa para produzir uma pomada para tratamento de feridas feita a partir da enzima colagenase.
     
    Diferentemente do produto similar disponível atualmente, a enzima desenvolvida pela empresa é feita a partir de substrato vegetal, o que elimina o risco de contaminação animal, diz Ogari Pacheco, presidente da Cristália.
     
    A Bionovis, formada em 2012 a partir da parceria entre quatro indústrias nacionais para produzir medicamentos biológicos, também tem pesquisas para desenvolver seus próprios produtos.
     
    Odnir Finotti, presidente da empresa, conta que a companhia irá investir US$ 75 milhões para sua primeira linha de medicamentos, hoje em fase de testes. A Bionovis não revela detalhes sobre os itens em desenvolvimento.
     
    A empresa espera ter sua linha de produção montada no final de 2016 e prevê produzir os itens desenvolvidos por ela a partir de 2018.
     
    País pode economizar R$ 5 bi ao ano
     
    O governo federal pretende economizar R$ 5,3 bilhões por ano com a produção local de sete medicamentos biológicos cuja tecnologia está sendo transferida ao país.
     
    Hoje, eles consomem R$ 2,8 bilhões dos R$ 12,7 bilhões do orçamento do SUS (Sistema Único de Saúde) destinado à compra de remédios, segundo o Ministério da Saúde.
     
    A estimativa do valor a ser economizado leva em conta um aumento do uso desses medicamentos, diz Jarbas Barboza, secretário de ciência tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da Saúde. A expectativa é de que ele seja alcançado em dez anos.
     
    A transferência de tecnologia é feita por meio das PDPs (Parcerias de Desenvolvimento Produtivo). Nelas, uma multinacional que domina a manufatura de um medicamento com patente a vencer transfere essa tecnologia a um laboratório brasileiro privado, associado a um público.
     
    O governo se compromete a comprar esses medicamentos das empresas inseridas no programa, assim que a sua produção começar. Já foram firmadas 18 parcerias.
     
    Apesar de o programa significar o início da indústria de biológicos no Brasil, o atraso do país no setor preocupa. “Mesmo após o desenvolvimento dos genéricos, importamos 86% dos princípios ativos usados nos medicamentos para serem embalados aqui”, afirma Antonio Britto, presidente-executivo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).
     
    Segundo sua avaliação, a Anvisa definiu uma boa regulamentação do setor de biológicos, o que garante segurança e possibilidade de inovar. Porém falta uma maior integração dos centros de estudo nacionais às redes mundiais de pesquisa.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Célula-tronco ajuda a produzir vasos sanguíneos para facilitar transplantes

    Célula-tronco ajuda a produzir vasos sanguíneos para facilitar transplantes

    Imagine uma reforma de casa tão radical que inclua a remoção da pintura e do reboco das paredes, deixando desnudos os tijolos que formam a sua estrutura. Essa metáfora é útil para entender os projetos em andamento no Laboratório de Engenharia Celular (LEC) coordenado pela hematologista e hemoterapeuta Elenice Deffune na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu. Em vez de tinta e cimento, o trabalho dos pesquisadores envolve a remoção das células que recobrem estruturas ocas do corpo, como a traqueia e os vasos sanguíneos. Esse procedimento, conhecido como descelularização, é o primeiro passo de uma transformação mais ampla: a produção de órgãos e tecidos de reposição formados por células com as características genéticas do receptor.
     
    Usando essa estratégia, o cirurgião vascular Matheus Bertanha está desenvolvendo no LEC uma possível alternativa terapêutica para os problemas circulatórios gerados pela aterosclerose. Na aterosclerose, placas de gordura e cálcio se acumulam no interior das paredes das artérias e obstruem, ainda que parcialmente, a passagem do sangue. Quando esse bloqueio é grave a ponto de causar sintomas, o tratamento envolve procedimentos cirúrgicos para restaurar a circulação. Nos casos mais radicais, implanta-se um segmento de artéria ou de veia retirado de outra parte do corpo do próprio indivíduo, criando um desvio – ou uma ponte – que restabelece o fluxo sanguíneo normal. É o que geralmente fazem os cirurgiões cardíacos ao implantar um segmento da veia safena, extraído da perna, no coração de quem tem as artérias coronárias obstruídas. Algo semelhante é feito pelos cirurgiões vasculares para tratar bloqueios em artérias das pernas.
     
    Nem sempre, no entanto, é possível realizar esse procedimento. Segundo dados da literatura médica, 30% dos pacientes que necessitam de enxerto para a confecção de pontes coronarianas não possuem vasos com as características adequadas para essa função. Estima-se ainda, conta Bertanha, que uma em cada 10 pessoas com indicação para receber enxertos vasculares nos membros inferiores enfrente o mesmo problema. “Alguns possuem veias com menos de 2,5 milímetros de diâmetro, o que impede a sua utilização”, explica. “Outras pessoas já estão na segunda ponte e não têm mais vasos disponíveis”, diz. Nesses casos, uma saída é usar uma ponte artificial, feita de material sintético. Mas elas podem ter uma vida útil curta porque sofrem obstrução mais facilmente. Outra possibilidade é obter vasos de doadores vivos, o que nem sempre é viável por causa da incompatibilidade imunológica, que pode levar à rejeição do implante.
     
    Bertanha trabalha numa alternativa, ainda experimental, para tentar superar a falta de vasos do próprio indivíduo e o risco de obstrução dos materiais sintéticos. Em testes com coelhos, ele primeiro extrai vasos naturais – mais especificamente veias – de um animal doador. Depois, o segmento a ser transplantado para outro animal passa por um banho químico com detergentes que eliminam as células das paredes do vaso. O objetivo desse processo de descelularização é evitar que o corpo do receptor desencadeie uma agressão contra o órgão implantado. O que sobra desse processo é uma estrutura tubular – um arcabouço – composta por fibras de colágeno, a proteína formadora dos tecidos de sustentação do corpo.
     
    Em seguida, o pesquisador semeia no interior do vaso um tipo especial de célula retirada do corpo do receptor: as células-tronco mesenquimais. Extraídas do tecido adiposo do animal que vai receber o transplante, essas células são capazes de se converter em células típicas dos vasos sanguíneos. Elas são cultivadas em laboratório até atingirem a quantidade esperada – cerca de 100 mil células para o experimento em animais pequenos – e depois coladas no interior do tubo de colágeno com o auxílio de um gel. “A presença de células do próprio receptor no segmento a ser implantado reduz ao mínimo a necessidade de usar imunossupressores para evitar a rejeição”, explica Elenice Deffune, que orientou o trabalho de Bertanha durante o mestrado.
     
    Em um experimento concluído recentemente, Bertanha comparou o desempenho de quatro tipos de implante. Os animais do primeiro grupo receberam um segmento de veia cava retirada diretamente de outro indivíduo, sem passar pela descelularização, enquanto nos do segundo foi implantada apenas a veia descelularizada. No terceiro grupo foi usado um segmento de veia que passou pelo processo de descelularização seguido do repovoamento com células-tronco de outro indivíduo. E, por fim, o quarto grupo recebeu um segmento de veia descelularizada contendo células-tronco mesenquimais do próprio receptor.
     
    Rejeição e regeneração
     
    Como esperado, no primeiro caso houve uma reação inflamatória exuberante e uma forte rejeição ao vaso transplantado, enquanto no segundo ocorreu apenas uma resposta inflamatória branda. O uso de um tubo de colágeno povoado com células-tronco de outro indivíduo não despertou uma rejeição imediata. As células se diferenciaram formando o endotélio, a camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos, e pavimentaram boa parte do tubo. Um mês mais tarde, porém, surgiu uma inflamação expressiva.
     
    Apenas os animais do quarto grupo não apresentaram rejeição, nem inflamação importante, mesmo um mês após a cirurgia e sem o uso de medicamentos imunossupressores. O que mais surpreendeu o pesquisador foi o comportamento das células-tronco implantadas. “Além de terem pavimentado mais de 50% do vaso, elas atraíram outras células-tronco existentes no organismo do receptor”, conta Bertanha. O resultado, inesperado, foi a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). “Em princípio, essa surpresa é boa porque a angiogênese pode ajudar o novo vaso a se integrar ao tecido adjacente”, diz o pesquisador. “Mas teremos de investigar se esse processo não é patogênico.” Bertanha planeja realizar mais testes em animais, ao mesmo tempo que começa a trabalhar com células-tronco humanas, já pensando em experimentos futuros.
     
    Em paralelo ao trabalho de Bertanha, a biomédica Thaiane Cristine Evaristo, aluna de doutorado da cirurgiã Daniele Cataneo, usa os procedimentos de descelularização e recelularização para produzir no LEC traqueias a serem usadas em transplantes. Ela desenvolve um protocolo de descelularização distinto dos adotados por equipes no exterior – e potencialmente mais barato.
     
    Em outros países, os pesquisadores costumam usar enzimas de origem animal ou obtidas por engenharia genética para eliminar da traqueia as células do doador. Apesar de eficaz, essa estratégia é cara. Pode-se gastar até € 80 mil para descelularizar uma única traqueia. Esse custo, sem contar o da cirurgia e o da internação, torna quase proibitivo o transplante de traqueia em seres humanos.
     
    Buscando uma alternativa, Thaiane e Elenice decidiram submeter as traqueias extraídas de doadores a uma sequência de tratamentos químicos e físicos que produzissem um resultado semelhante ao obtido com as enzimas. Primeiro, removeram cirurgicamente a traqueia e a banharam em um potente detergente, que ajuda a desfazer a membrana das células. Em seguida, usaram uma prensa para comprimi-la suavemente, antes de fazê-la passar por alguns ciclos de congelamento e descongelamento e imersão em um líquido agitado por vibrações ultrassônicas. Por último, a traqueia passou um período exposta à luz emitida por diodos (LEDs).
     
    Peças de retífica
     
    As traqueias livres de células obtidas com essa técnica foram testadas em coelhos, com resultados promissores. Não houve rejeição ao transplante e os roedores sobreviveram por um período que, para humanos, equivale a 10 anos. Com base nesses resultados, Elenice propôs ao físico Vanderlei Bagnato, da Universidade de São Paulo em São Carlos, desenvolver um equipamento integrando todas as etapas da técnica. Recentemente eles depositaram um pedido de patente do aparelho, cujo protótipo se encontra em desenvolvimento.
     
    Ao mesmo tempo que trabalha no equipamento, o grupo de Botucatu prepara a próxima fase de testes, com suínos, etapa necessária antes do início dos estudos com seres humanos. Além de analisar a eficácia das técnicas de descelularização e recelularização de traqueias, o grupo pretende nos próximos anos testar traqueias artificiais feitas a partir de uma nova tecnologia, a ser desenvolvida em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto do Coração (InCor) da Universidade de São Paulo, ambos na capital paulista, e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas.
     
    A colaboração prevê que o LEC forneça ao IPT proteínas humanas para serem usadas na produção de um tecido nanoestruturado. No Centro Renato Archer, placas desse nanotecido deverão alimentar uma impressora 3D, que irá esculpir novas traqueias. Uma vez prontas, elas deverão ser remetidas ao LEC para a etapa de recelularização. “Queremos avaliar se essa opção se mostra tão boa quanto o uso das traqueias naturais”, diz Elenice. “Talvez o futuro dos transplantes esteja nesses novos materiais.”
     
    No mundo todo existe uma demanda por traqueias para transplante. Elas são necessárias para substituir a traqueia de crianças que nascem com estreitamento nesse tubo que leva o ar do nariz aos pulmões – enfermidade conhecida como atresia congênita da traqueia, que atinge três crianças em cada 100 mil nascidas vivas – e também as de adultos que passam por longos períodos de internação respirando por meio de aparelhos. “No Hospital das Clínicas de São Paulo há uma fila de cerca de 300 pessoas à espera de um transplante de traqueia”, conta Elenice. “Em muitos casos, são adultos jovens que sofreram acidentes de trânsito.”
     
    A literatura médica internacional traz relatos de aproximadamente 30 pessoas que receberam, de modo experimental, o implante de traqueia obtida por meio de engenharia celular. Mas ainda não se conhecem os resultados, que estão sob análise. “A engenharia celular pode fornecer uma esperança concreta para pacientes com lesões crônicas em órgãos de difícil abordagem terapêutica na atualidade”, diz Elenice. Em sua opinião, há motivos para investir na criação de traqueias e vasos sanguíneos artificiais, uma vez que é difícil obter essas estruturas naturais, que dependem de doadores de órgãos. “Às vezes, comparo nosso método a uma retífica de peças, que recupera as usadas e as deixa prontas para o transplante”, exemplifica Elenice. “Criar traqueias artificiais abriria a possibilidade de trabalharmos com peças novas em folha para o processo de recelularização.”
     
    Referência em engenharia celular no Brasil, a bióloga Nance Nardi, da Universidade Luterana do Brasil, no Rio Grande do Sul, explica que a pesquisa nessa área começou com vasos e traqueias por causa da relativa simplicidade dessas estruturas. “Já há estudos com órgãos mais complexos, como o fígado, mas estão em estágios mais preliminares”, diz. Nance vê no crescente domínio do processo de descelularização uma das chaves para o progresso apresentado pelo LEC. “Remover as células de um arcabouço sem comprometer a sua integridade ainda é algo bem difícil”, avalia. “O trabalho deles tem conseguido boa repercussão, mas ainda deve levar algum tempo até que esses procedimentos se tornem cotidianos nas salas de cirurgia.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estados Unidos proíbem gordura trans em alimentos

    Estados Unidos proíbem gordura trans em alimentos

    A FDA (agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA) baniu a gordura trans no país e deu três anos para que a indústria se adeque e retire a substância de alimentos industrializados como margarina, biscoitos, sorvetes e pizzas congeladas. Segundo determinação da agência, os óleos parcialmente hidrogenados que dão origem à gordura trans não são considerados seguros. “Essa ação deve reduzir as doenças do coração e prevenir milhares de ataques cardíacos por ano”, disse Stephen Ostroff, médico e comissário interino da FDA em comunicado da agência. A gordura trans aumenta os níveis de colesterol “ruim”, reduz os níveis de colesterol “bom” e, por isso, seu consumo é fator de risco para as doenças cardiovasculares. Em 2013, a FDA já havia anunciado o plano de eliminar a gordura trans e abriu uma consulta pública. De acordo com a agência, a decisão foi tomada com base nas respostas obtidas na consulta e em extensa pesquisa sobre os efeitos dos óleos parcialmente hidrogenados. Segundo a Organização Mundial de Saúde, seis países europeus praticamente baniram a gordura ao estabelecer limites bem baixos. 
     
    A Dinamarca foi a primeira, em 2003. No país, a gordura trans deve corresponder a 2% do total de gorduras do produto. Áustria, Hungria, Islândia, Noruega e Suíça depois estabeleceram limites semelhantes. BRASIL No Brasil, a gordura trans não é proibida. Contudo, acordos fechados entre o Ministério da Saúde e a Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) têm reduzido os teores de sódio e de gorduras trans na comida industrializada.
     
    Uma meta estabelecida em 2007 limitou a gordura trans a 5% do total de gorduras em alimentos industrializados e a 2% do total de gorduras em óleos e margarinas. Um estudo feito pela Abia em parceria com o governo federal apontou que 95% das empresas ligadas à entidade alcançaram a meta. “A decisão americana é acertada. Nosso organismo não precisa de gordura trans. É diferente da gordura saturada, que em excesso faz mal, mas é necessária”, diz José Faria, presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. As gorduras trans começaram a ser usadas para substituir a gordura saturada de origem animal nos anos 1950. Só que não bastava trocar a banha pelos óleos vegetais, que são líquidos e não dão a mesma crocância e aparência aos alimentos como a gordura animal. Foram então criados processos de hidrogenação dos óleos que os tornam sólidos em temperatura ambiente e, no fim, dão origem à gordura trans. A alternativa era barata e, à época, pensava-se que também era saudável. O problema é que os substitutos da gordura trans como o óleo de palma já preocupam a comunidade científica, que pede mais estudos sobre eles. Embora menos nocivos, eles também podem elevar o colesterol e o risco cardiovascular.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Medicamentos mais eficazes para hepatite C serão distribuídos pelo SUS

    Medicamentos mais eficazes para hepatite C serão distribuídos pelo SUS

    Três novos medicamentos para hepatite C serão oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até o final do ano, na previsão do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, os remédios – daclatasvir, sofosbuvir e simeprevir – aumentam as chances de cura e reduzem o tempo de tratamento.
     
    A adoção dos medicamentos foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. O novo tratamento tem taxa de cura de 90%, enquanto o usado atualmente tem eficácia de cura que varia entre 50% e 70%.
     
    Outra vantagem do tratamento, segundo o ministério, é a duração de 12 semanas, contra as 48 semanas da terapia atual. Os novos remédios provocam menos desconforto aos pacientes, já que todo o tratamento é por via oral.
     
    Conforme o Ministério da Saúde, os medicamentos serão adquiridos de maneira centralizada pela pasta para distribuição aos estados. Segundo o ministério, os remédios poderão ser indicados tanto para pacientes que acabaram de receber o diagnóstico de hepatite C quanto para aqueles que já completaram o tratamento atual, mas que não se curaram.
     
    No primeiro ano de uso dos medicamentos, será adquirido o suficiente para o atendimento de 15 mil pacientes. A estimativa do ministério é que a compra seja num valor de R$ 500 milhões.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
     
  • Cigarro é responsável por quase 50% das mortes por 12 tipos de câncer

    Cigarro é responsável por quase 50% das mortes por 12 tipos de câncer

    O cigarro foi responsável por quase metade das mortes por 12 tipos de câncer em 2011 nos Estados Unidos – revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (15) pela revista JAMA Internal Medicine.
     
    Segundo a pesquisa, 48,5% das quase 346.000 mortes atribuídas a um dos 12 tipos de câncer entre adultos de ao menos 35 anos durante esse período foram fumantes de cigarro.
     
    Nesse grupo, a maioria das mortes relacionadas ao tabaco (74,9% ou 129.799) foram produto de câncer de pulmão, dos brônquios e da traqueia. Os tumores de laringe representaram 1,7% ou 2.856 casos.
     
    Cerva da metade das mortes por câncer da cavidade bucal, do esôfago e da bexiga também foram resultado do consumo de tabaco, concluíram os investigadores, entre eles Rebecca Siegel, da American Cancer Society em Atlanta, uma das principais autoras da pesquisa.
     
    “Fumar cigarro continua sendo a causa de um grande número de mortes por câncer apesar dos 50 anos da luta anti-tabagista”, ressalta o estudo.
     
    Mais de 20 milhões de norte-americanos morreram prematuramente por causa do cigarro nos últimos 50 anos, segundo o último informe do ministério da Saúde dos Estados Unidos publicado este ano.
     
    Apesar dos espetaculares avanços registrados – 18% da população norte-americana ainda fuma na atualidade, contra 42% em 1964 – 443.000 americanos morrem todos os anos vítimas de doenças relacionadas ao tabagismo.
     
    Fonte: Uol Saúde