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  • Cientistas usam vírus da herpes para curar câncer de pele

    Cientistas usam vírus da herpes para curar câncer de pele

    Uma versão geneticamente modificada do vírus que causa herpes pode curar câncer de pele, de acordo com pesquisadores.
     
    O vírus da herpes modificado é inofensivo para células normais mas, quando injetado em tumores, se replica e libera substâncias que ajudam a combater o câncer.
     
    Resultados de testes divulgados na publicação científica “Journal of Clinical Oncology” mostram que a terapia pode aumentar a sobrevivência dos pacientes por anos –mas apenas para alguns portadores de melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele. O tratamento ainda não foi licenciado.
     
    “Quando o vírus da herpes infecta uma célula ele cresce dentro dela e a faz explodir, infectando as células ao redor. Por isso a ferida, são as células morrendo na sua pele”, explica Richard Marais, do Cancer Research UK.
     
    “Eles modificaram o vírus de três maneiras. Primeiro, fizeram com que parasse de causar herpes. Segundo, fizeram com que crescesse apenas nas células cancerígenas. Por último, fizeram ele ser atraente para o sistema imunológico. Por isso, quando injetado em um tumor, ele mata o tumor e ativa o sistema imunológico, que caça outros tumores para matá-los”, conclui.
     
    Para ele, a técnica poderá ser usada, no futuro, para combater outros tipos de câncer. Tratamentos semelhantes de imunoterapia para melanoma já estão disponíveis nos Estados Unidos e na Europa, mas os pesquisadores acreditam que o vírus modificado, conhecido como T-Vec, poderia se somar a isso.
     
    Seria também o primeiro tratamento para melanoma que usa um vírus. O estudo é o maior teste aleatório de um vírus anticâncer e envolveu 436 pacientes de 64 centros nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e África do Sul que tinham melanomas malignos inoperáveis.
     
    “Há um crescente entusiasmo com o uso de tratamentos virais como T-Vec para o câncer, porque eles podem lançar um ataque duplo nos tumores – matando células cancerígenas diretamente e colocando o sistema imunológico contra elas”, diz o coordenador dos testes no Reino Unido, Kevin Harrington, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres.
     
    “E, como o tratamento viral pode ter como alvo células cancerígenas especificamente, há uma tendência a ter menos efeitos colaterais que a quimioterapia tradicional ou algumas das novas imunoterapias.”
     
    MAIS PESQUISA
     
    “Estudos anteriores mostraram que o T-Vec poderia beneficiar algumas pessoas com câncer de pele avançado, mas este é o primeiro estudo a provar um aumento de sobrevivência”, disse Hayley Frend, gerente de ciência da informação do Cancer Research UK.
     
    “O próximo passo vai ser entender por que apenas alguns pacientes respondem ao tratamento com T-Vec, para ajudar a identificar quais pacientes poderiam se beneficiar disso”, diz.
     
    De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil (25% dos casos), o melanoma –que é mais grave, devido à possibilidade de metástase– representa 4% dos tumores malignos de pele. Os riscos de desenvolver câncer de pele aumentam com a exposição a raios UV.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Estudo confirma risco alto de trombose em mulheres que tomam pílula

    Estudo confirma risco alto de trombose em mulheres que tomam pílula

    As pílulas anticoncepcionais mais recentes têm um risco aumentado de acidentes devido à trombose venosa (formação de coágulos) – confirmou um estudo publicado nesta terça-feira (26) na revista especializada “The BMJ Today”.
     
    Conduzida por pesquisadores britânicos, o novo estudo mostra que as mulheres que tomam contraceptivos orais combinados que contêm drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona têm um risco de trombose venosa quadruplicado em relação àquelas que não tomam pílula.
     
    O risco é quase duplicado (1,5 a 1,8 vez superior) em relação às mulheres que tomam contraceptivos orais de estrogênio mais antigos, que contêm levonorgestrel, noretisterona ou norgestimata.
     
    Na França, os riscos cardiovasculares das pílulas de nova geração à venda no mercado – também chamadas de pílulas de terceira e quarta geração – foram bastante explorados pela mídia no final de 2012 e início de 2013.
     
    A mediatização e um plano de ação das autoridades sanitárias levaram a uma redução de quase 25% das vendas destes comprimidos em favor das pílulas mais antigas, também chamadas de primeira e segunda geração.
     
    Os pesquisadores da Universidade de Nottingham trabalharam sobre duas grandes bases de dados médicos e traçaram uma relação entre o uso de contraceptivos orais e as tromboses venosas observadas nas mulheres com idades entre 15 e 49 anos.
     
    Foi possível mostrar que o número de tromboses a mais por 10 mil mulheres tratadas por ano foi menor (6 casos relatados) entre aquelas que tomam as pílulas mais velhas em comparação com aquelas (14 casos) que tomam desogestrel e ciproterona (encontrados na pílula Diane, por exemplo).
     
    Mas os pesquisadores também observam que o risco absoluto permanece baixo e que os contraceptivos orais são “extremamente seguros”, com um risco de trombose multiplicado por 3 para todas as pílulas combinadas, enquanto uma mulher grávida tem um risco multiplicado por dez.
     
    O estudo confirma os resultados de um estudo dinamarquês publicado em 2011 e um estudo abrangente do sistema de saúde francês, que tinha mostrado uma duplicação do risco de embolia pulmonar (a consequência mais grave da formação de um coágulo nas veias) em usuárias das pílulas de nova geração.
     
    A pedido da França, a Agência Europeia de Medicamentos (AEM) fez uma reavaliação dos riscos, mas concluiu que os benefícios dos anticoncepcionais de terceira e quarta gerações continuavam superiores aos riscos.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • OMS busca plano global contra resistência crescente a antibióticos

    OMS busca plano global contra resistência crescente a antibióticos

    Os antibióticos foram uma das maiores invenções da medicina e salvaram milhares de vidas. Mas há um temor crescente quanto ao uso excessivo destes medicamentos, que está fazendo com que eles se tornem menos efetivos à medida que bactérias se tornam mais resistentes.
     
    A preocupação é que infecções que eram facilmente tratáveis com antibióticos voltem a ser uma grande ameaça à saúde.
     
    Nesta segunda-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde) inicia um encontro que tem entre seus objetivos criar um plano global para a contenção da resistência antimicrobiana.
     
    No mês passado, o órgão lançou um relatório alertando que 75% dos países não tinham um plano para evitar que vírus e bactérias resistam a medicamentos.
     
    Entre os 133 países consultados – entre eles o Brasil – , apenas 34 tinham projetos para conter a resistência. A OMS não detalhou quais.
     
    Entre 2000 e 2010, segundo estudo da Universidade de Princeton publicado na revista científica The Lancet, o consumo de antibióticos aumentou 36%. Os países dos Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – foram responsáveis por 76% desse aumento.
     
    Já a venda de antibióticos sem prescrição cresceu 50%.
     
    A OMS tem alertado que o mundo está se dirigindo a uma era pós-antibiótico, em que a maior parte da medicina moderna perde sua utilização.
     
    É da natureza de micróbios desenvolver resistência a drogas usadas contra elas.
     
    Se os remédios pararem de funcionar, infecções comuns como tuberculose podem voltar a matar. Cirurgias e tratamentos de câncer também dependem de antibióticos.
     
    Embora os antibióticos sejam muito discutidos, também há alertas sobre a resistência do HIV a medicamentos antivirais e sobre o parasita que provoca a malária, que está ficando mais resistente a tratamentos.
     
    Fundo
     
    Na semana passada, um relatório liderado pelo economista Jim O'Neill – famoso pela invenção da sigla Brics e que hoje é consultor do governo britânico – pediu que a indústria farmacêutica investisse US$ 2 bilhões em um fundo de inovação para o desenvolvimento de novos antibióticos.
     
    O'Neill afirmou que a resistência a antibióticos pode matar 300 milhões de pessoas prematuramente nos próximos 35 anos.
     
    “Podemos acabar morrendo de algo tão simples quanto um corte feito ao se barbear”, disse.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Medicamento chinês que desacelera Alzheimer entrará em testes clínicos

    Medicamento chinês que desacelera Alzheimer entrará em testes clínicos

    Cientistas tiveram resultados positivos em testes com animais.
    Fármaco teve efeito na melhora da memória e das habilidades cognitivas.
     
    Um medicamento elaborado por cientistas chineses que conseguiu resultados positivos na desaceleração do avanço do Alzheimer em animais entrará em breve em fase de testes clínicos, anunciaram os responsáveis pelo projeto.
     
    O fármaco, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Saúde e Biomedicina de Cantão da Academia Chinesa de Ciências, vem mostrando efetividade na melhora da memória e das habilidades cognitivas de animais, explicou o diretor da equipe responsável pelo projeto, Hu Wenhui, à agência estatal de notícias “Xinhua”.
     
    Após uma bem-sucedida experiência em porcos da Guiné, foi decidido que na fase seguinte de desenvolvimento deste composto, chamado AD16, serão feitos testes com humanos.
     
    O AD16 desacelera o avanço do Alzheimer, ao funcionar como um agente antineuroinflamatório que pode aliviar os danos causados pelas proteínas beta-amiloides nos neurônios.
     
    Os fragmentos desta proteína são acumulados no cérebro das pessoas que sofrem de Alzheimer, formando depósitos que impedem que as células possam se conectar entre si e transmitir os impulsos nervosos, o que acaba afetando suas habilidades cognitivas e sua memória.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Rússia vive epidemia silenciosa de Aids

    Rússia vive epidemia silenciosa de Aids

    O termo “epidemia de Aids” é uma memória distante em lugares onde as taxas de infecção estão em queda há anos, como Austrália, Américas e a maior parte da Europa.
     
    Mas o termo seria adequado para descrever a situação na Rússia, apesar do silêncio das autoridades. Leia abaixo o depoimento do ex-ministro da Saúde britânico Norman Fowler (que ocupou a pasta entre 1979 e 1990, durante o governo de Margaret Thatcher), que visitou a Rússia e esteve em contato com várias instituições de saúde e autoridades.
     
    Durante anos, o país permaneceu calado sobre os seus níveis de infecção pelo vírus HIV. Mas um infectologista que trabalha nesta área há mais de 20 anos rompeu este silêncio e contou que a situação é uma “catástrofe nacional”.
     
    Vadim Pokrovsky, chefe do Centro Federal de Aids em Moscou, observou o grande crescimento dos números nos últimos anos.
     
    A Rússia tem cerca de um milhão de pessoas vivendo com o HIV e a taxa de infecção está crescendo ano a ano, diferente da situação da África subsaariana, onde a taxa de crescimento está desacelerando. E isto de acordo com os números do governo, que, quase todos concordam, subestimam a situação real do país.
     
    No ano passado, cerca de 90 mil russos contraíram o HIV, comparados com menos de 3 mil pessoas infectadas na Alemanha, que uma das menores taxas de infecção por HIV da Europa. O país tem metade da população da Rússia, mas 30 vezes menos casos de infecção.
     
    “Precisamos gastar dez vezes mais na prevenção. Precisamos de muito mais recursos e precisamos de algumas decisões políticas – e mudanças na lei em conexão com a metadona e as vidas particulares das pessoas”, me disse Pokrovsky recentemente.
     
    Diagnóstico e ideologia
     
    Um dos problemas é que a visão de Pokrovsky vai de encontro à política do governo e da cada vez mais poderosa Igreja Ortodoxa Russa.
     
    Em uma entrevista neste mês com a agência de notícias France Presse, Pokrovsky disse que a estratégia do Kremlin, de apostar na promoção de valores tradicionais da família, não conseguiu parar o vírus.
     
    “Nos últimos cinco anos de abordagem conservadora o número de pessoas infectadas pelo HIV dobrou”, afirmou.
     
    Quando Pokrovsky pediu a introdução de educação sexual nas escolas — se opondo ao comissário presidencial dos direitos das crianças, Pavel Astakhov, que é contra a medida — a chefe do comitê do Conselho de Saúde da cidade de Moscou, Lyudmila Stebenkova, chamou Pokrovsky de “típico agente trabalhando contra os interesses nacionais da Rússia”.
     
    Stebenkova afirmou ao jornal russo Kommersant que a abordagem de Pokrovsky apenas aumentaria o interesse das crianças por sexo e levaria a um aumento na infecção por HIV e outras doenças.
     
    “Ao invés de distribuir preservativos, devemos promover fidelidade sexual e famílias saudáveis – isto é muito mais eficaz”, disse.
     
    No entanto, os números sugerem outra coisa. Pokrovsky alertou as mulheres do país de que as chances de se casarem com um homem que tenha o HIV são altas.
     
    “Existem entre 80 e cem casos de infecção por HIV entre as mulheres por dia. Isto não é piada – é por dia. Elas são, na maioria, mulheres jovens entre 25 e 35 anos e estão no principal grupo de risco”, disse o especialista.
     
    Agulhas e metadona
     
    Quase 60% dos portadores do HIV na Rússia são usuários de drogas injetáveis e um outro grupo são os de parceiros sexuais destes usuários. O vírus HIV se espalhou como no incêndio em uma floresta através de seringas e agulhas contaminadas.
     
    Por isso, muitos países do mundo fornecem seringas ou distribuem metadona, que é tomada via oral, no lugar das drogas injetáveis.
     
    Quando fui ministro da Saúde na Grã-Bretanha esta política começou em 1987 e, desde então, os números de pessoas recém-infectadas por agulhas contaminadas foi reduzido para quase zero.
     
    Os mesmos resultados foram observados em vários países da Europa e na Austrália, que foi uma pioneira nestas políticas para reduzir os riscos nestes grupos.
     
    A Organização Mundial de Saúde vê a droga como essencial no combate à dependência da heroína, mas, na Rússia, qualquer um flagrado usando ou distribuindo a metadona pode ser condenado a até 20 anos de prisão.
     
    Autoridades de saúde contam exclusivamente com a “narcologia”, uma forma tradicional de tratamento que data da época em que Pedro, o Grande, tentava lutar contra o alcoolismo no país, no começo do século 18.
     
    Esta abordagem, na essência, consiste em isolar o usuário de drogas durante um mês para desintoxicação. Depois, ele passa pela reabilitação, incluindo palestras, grupos de autoajuda, fisioterapia, aconselhamento de dieta e assim por diante.
     
    O diretor do departamento de narcologia da Rússia, o médico Evgeny Brun, é contra o uso de metadona, pois, para ele, é uma droga que causa dependência.
     
    É verdade que a metadona causa dependência, mas vem de uma fonte confiável, o serviço público de saúde, em doses controladas e sem agulhas, o que em muitos casos permite que o usuário tenha uma vida razoavelmente normal e se mantenha no emprego.
     
    Mas o principal e o mais notório desse método russo é que não funciona.
     
    Dedicação
     
    Quando caminhei pelas enfermarias do Centro de Pesquisa e Prática em Narcologia de Moscou, não tive dúvidas da dedicação da médica chefe Elena Sokolchik.
     
    O hospital, nos arredores de Moscou, é considerado um dos melhores centros do país, apesar de apenas 10% ou 15% dos pacientes tratados aqui seguirem voluntariamente para a reabilitação.
     
    Elena visitou vários centros de reabilitação de usuários de drogas em outros países, mas não aprovou o que viu.
     
    “Quando uma usuária chega, junto com os filhos, a um centro onde ela pode conseguir metadona, sinto que é errado e hipócrita. Não quero que uma criança veja drogas viciantes distribuídas como se fossem remédio”, disse.
     
    A médica também afirmou que se orgulha de seu trabalho.
     
    “Posso dizer com certeza que, dos pacientes que passam pelo nosso programa de reabilitação, 48% ficam livres das drogas durante um ano, 35% conseguem dois anos e 8% ficam livres por oito anos”, afirmou.
     
    Mas estas estatísticas indicam que cerca de metade daqueles que passam pela reabilitação não ficam livres das drogas por um ano e não falam nada sobre os 80% a 90% dos que não ficam para a reabilitação. Pesquisas e mais pesquisas mostram que muitos pacientes logo voltam a injetar drogas e, mais uma vez, espalham o vírus.
     
    “Ninguém acredita quando falo que o governo russo não está fazendo nenhum trabalho de prevenção para dar um fim à epidemia de HIV”, disse Ana Sarang, diretora da Fundação Andrey Rylkov, pequena organização de caridade em Moscou dedicada a ajudar usuários de drogas.
     
    “Não há nenhum esforço para parar a epidemia entre pessoas que injetam drogas e, sem surpresa, a Rússia continua sendo um dos poucos países do mundo onde a epidemia de HIV ainda está crescendo.”
     
    Também não há apoio para as organizações de voluntários que tentam ajudar.
     
    Sarang afirma que a organização dela é a única fazendo trabalho de contenção de danos nas ruas de Moscou. Mas é uma organização que sobrevive com pouco dinheiro.
     
    Ponto positivo
     
    No entanto, há alguns pontos positivos. A alguns quilômetros de São Petersburgo há uma clínica para doenças infecciosas, construída no século 19 pelo czar Alexandre 2º e que agora funciona como uma unidade especial para crianças com HIV, algumas delas órfãs, outras, abandonadas.
     
    O trabalho dedicado dos funcionários dá às crianças os cuidados necessários – e ainda mudou a atitude dos que moram próximos.
     
    Na década de 1980, havia o temor generalizado de que o HIV poderia ser contraído pelo toque ou mesmo a proximidade com uma pessoa infectada. O presidente Boris Yeltsin chegou na receber um petição pelo fechamento da clínica para crianças – que chegou a ser fechada, mesmo que por apenas 24 horas. Mas, o hospital foi reaberto, o comportamento mudou e hoje muitas crianças são até adotadas.
     
    Outros preconceitos continuam: adultos com HIV são isolados. Prostitutas que levam preservativos são ameaçadas ou devem pagar subornos para a polícia.
     
    A recente legislação do governo contra o que vê como “promoção da homossexualidade” estimula o preconceito e dificulta a impressão de panfletos para o aconselhamento sobre sexo seguro.
     
    Muitos temem fazer o exame para descobrir se estão infectados por que temem a ameaça da discriminação.
     
    Talvez, por estas razões, Vadim Pokrovsky se mostra pouco otimista quanto à situação no país.
     
    “(Para) a vitória contra a infecção pelo HIV serão necessários outros 25 anos”, afirmou.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Campanha de vacinação contra a gripe só atinge 30% do público-alvo no país

    Campanha de vacinação contra a gripe só atinge 30% do público-alvo no país

    A cinco dias do fim da campanha, apenas 29,24% do público-alvo foi vacinado contra a gripe no país, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Ministério da Saúde.
     
    Ao todo, já foram vacinadas 14,5 milhões de pessoas. A meta, no entanto, é vacinar até 80% do público-alvo, estimado em 49,7 milhões de brasileiros.
     
    Iniciada no dia 5 de maio, a campanha de vacinação contra a gripe termina na próxima sexta-feira (22).
     
    Até agora, a maior cobertura ocorre para mulheres até 45 dias após o parto, com 40% deste grupo já imunizado, segundo o Ministério da Saúde.
     
    Em seguida, estão idosos, onde os índices de vacinação alcançam 32% do total, e crianças de seis meses a menores de cinco anos, com 29,8%.
     
    O público-alvo é composto ainda por gestantes, trabalhadores de saúde indígenas. Nestes grupos, a cobertura vacinal atinge 15% a 27%. A vacina também é recomendada para pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, além de presos e funcionários do sistema carcerário.
     
    ESTADOS
     
    Nos Estados, o índice de vacinação varia entre 13% do público-alvo (cobertura alcançada em Roraima) a 48% (caso do Rio Grande do Sul, que iniciou a campanha antecipadamente).
     
    Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é recomendada antes do inverno para que haja proteção contra o vírus –o período de maior circulação da doença vai do final de maio a agosto. O corpo também leva, em média, de duas a três semanas para gerar os anticorpos necessários contra a gripe.
     
    Neste ano, a vacina protege contra três subtipos do vírus, que apresentam mais chance de complicações: A/H1N1, A/H3N2 e influenza B. Ao todo, foram investidos R$ 487,6 milhões na aquisição de 54 milhões de doses.
     
    A imunização, porém, é contraindicada para pessoas que já tiveram reações em doses anteriores ou para aqueles que tem alergia a ovo de galinha e derivados.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo 
     
  • Cientistas testam diagnóstico rápido para doença de Chagas em 5 países

    Cientistas testam diagnóstico rápido para doença de Chagas em 5 países

    Seis testes altamente eficazes e confiáveis foram descritos em estudo.
    Doença de Chagas mata 12 mil pessoas por ano; inseto transmite a doença.
     
    Pesquisadores expressaram otimismo com a perspectiva de aprovação de um teste rápido para a Doença de Chagas no começo de 2016, o que revolucionaria o diagnóstico e garantiria um tratamento mais veloz para a moléstia que afeta sete milhões de pessoas, a maioria na América Latina, informou a entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF).
     
    Desde 2010, pesquisadores avaliaram 11 testes rápidos para Chagas e descobriram seis altamente eficazes e confiáveis, cujos resultados foram publicados no periódico “Journal of Clinical Microbiology” no início deste mês.
     
    Agora os seis testes estão sendo avaliados em quase duas mil pessoas em cinco países latino-americanos, parte da segunda fase da pesquisa que deve ser finalizada até o final deste ano.
     
    A Doença de Chagas, que mata 12 mil pessoas por ano, é transmitida por um inseto conhecido como barbeiro, que é endêmico na América Latina e que se oculta nas casas de barro nas quais vivem muitos dos pobres das áreas rurais da região.
     
    Difícil de detectar
     
    Os profissionais da organização afirmam que a doença parasitária é difícil de detectar, que só 5% dos infectados foram diagnosticados ou tratados, e que novos remédios não são desenvolvidos há 40 anos.
     
    “Hoje um grande obstáculo para o tratamento de pessoas em áreas rurais é que muitas vezes elas precisam viajar a um hospital de uma grande cidade para fazer um exame de sangue. O diagnóstico exige um certo grau de conhecimento e tempo”, explicou o doutor Martin Cazenave, chefe da missão do MSF na Bolívia, que tem a maior incidência de Chagas nas Américas.
     
    Os médicos têm esperança de que o tempo para se diagnosticar a doença possa ser reduzido das semanas ou meses atuais para alguns minutos, e com precisão, em resultado de uma pesquisa realizada pela MSF e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
     
    “Isso poderia revolucionar a abordagem do diagnóstico, porque você consegue uma confirmação em 15 minutos e não precisa de um laboratório e de técnicos especializados. Qualquer um em uma clínica de saúde rural pode confirmar Chagas usando testes rápidos”, afirmou Cazenave.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
  • Uso de remédio que previne HIV ganha adeptos no Brasil e pode chegar ao SUS

    Uso de remédio que previne HIV ganha adeptos no Brasil e pode chegar ao SUS

    Há seis meses o bancário Roberto*, 22, toma um comprimido do medicamento Truvada todos os dias para evitar se contaminar com o HIV. Ele mora na capital paulista com o seu namorado, o designer Cláudio*, 32, portador do vírus.
     
    “Eu vi que era uma maneira de a gente se proteger mais porque não gostamos de usar camisinha, já que a carga viral dele é indetectável. Pesquisei sobre o assunto e vi que na Europa já tinha muita gente que tomava”, diz Roberto.
     
    A precaução tem base científica. Segundo os estudos mais recentes, o medicamento que combina dois antirretrovirais (tenofovir e emtricitabina), conhecido como PrEP (profilaxia pré-exposição), protege em quase 100% contra o vírus, se tomado diariamente.
     
    O Truvada ainda não está disponível no Brasil, mas o Ministério da Saúde estuda a possibilidade de incluir a sua distribuição no SUS (Sistema Único de Saúde) para pessoas que apresentam riscos elevados de infecção.
     
    Para isso, o governo financia desde o ano passado dois estudos que tem como objetivo verificar a viabilidade e a melhor forma de oferecer o remédio na rede pública. Um deles é coordenado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, e o outro pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
     
    Juntos eles formam o projeto “PrEP Brasil”, que acompanhará, por um ano, 500 homens que fazem sexo com parceiros sem camisinha, em um comportamento de risco de exposição ao vírus. Os voluntários recebem medicamentos, fazem exames clínicos e se consultam com psicólogos. Os primeiros resultados devem ser apresentados em 2016.
     
    Remédio traz segurança no sexo
     
    Roberto é voluntário do projeto e começou a tomar o Truvada em novembro de 2014. Para não se esquecer de tomar o comprimido, ele usa um despertador e carrega sempre algumas unidades na mochila.
     
    “Passei a me sentir bem mais seguro quando comecei a tomar e fiquei sem peso na consciência. Se eu me contaminasse, seria muito ruim para mim, assim como seria para ele, porque eu poderia contaminá-lo de novo”, diz.
     
    Segundo a infectologista Beatriz Grinsztejn, que coordena o projeto no Rio de Janeiro, o Truvada tem tido alta adesão entre os voluntários. No entanto, a chefe do laboratório de pesquisa clínica em DST/Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas afirma que o medicamento não deve ser considerado um substituto da camisinha. “O uso do Truvada é uma estratégia de prevenção adicional contra o HIV, mas não deve substituir o preservativo”, afirma a médica.
     
    A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, e a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV publicaram orientações sugerindo que a PrEP pode ser considerada como uma das várias opções de prevenção para aquisição do HIV entre as populações de alto risco, recomendando seu uso como parte de um programa abrangente de prevenção ao HIV, como uso da camisinha, a circuncisão e não amamentação pelas mulheres soropositivas, entre outras formas.
     
    SP tem lista de espera
     
    O uso de um medicamento para quem não está doente ainda é considerado controverso pela possibilidade de ter efeitos colaterais. Mas, segundo a infectologista, uma das vantagens do Truvada é que seus efeitos colaterais só permanecem nas primeiras semanas.
     
    “Os efeitos colaterais são muito leves e são caracterizados por náuseas, dores de cabeça e diarreias. Eles tendem a desaparecer em até três semanas”, afirma.
     
    A ausência de fortes efeitos colaterais e o aumento das evidências positivas sobre o Truvada têm aumentado o interesse de pessoas pela droga. Em São Paulo, há uma lista de espera com 200 nomes de pessoas que querem participar do projeto, de acordo com o infectologista Ricardo Vasconcelos, coordenador médico do projeto “PrEP Brasil” em São Paulo.
     
    “O que eu sinto ao conversar com os pacientes é que eles se sentem seguros com o Truvada. Há uma demanda reprimida pelo medicamento porque quem quiser fora do programa tem que importar. Uma caixa com 30 comprimidos pode custar R$ 2.000”, diz.
     
    Entretanto o infectologista adverte sobre o uso recreativo do medicamento.
     
    “Um grande medo que existe em relação à PrEP é o seu uso irregular. Se a pessoa não tomar direito, pode causar a falsa impressão de estar protegido e começar a transar sem camisinha. As pessoas têm que ter consciência que tem que tomar direito, senão o risco aumenta”, afirma.
     
    Casal sorodiscordante prefere camisinha
     
    Casados há um ano, o analista técnico João Geraldo Netto, 32, é portador do HIV, mas André Moreira, 31, não tem o vírus. Apesar disso eles não cogitam usar o Truvada para evitarem uma possível transmissão.
     
    “Sempre ouvi falar dos avanços do Truvada, porém eu não gostaria de colocar isso na nossa vida porque o André é muito sensível a medicamentos e eu tenho medo que ele traga efeitos colaterais de longo prazo. Eu prefiro manter meu tratamento e adotar outros métodos como a camisinha”, afirma Netto.
     
    Para evitar contaminar o marido, Netto toma o coquetel antirretroviral diariamente e usa camisinha em todas as relações sexuais. 
     
    “O que mais aflige o soropositivo é infectar alguém, principalmente um companheiro de vida. Mas, se a gente se trata, já é meio caminho andado, porque diminui em mais de 90% a chance de isso acontecer”, diz. 
     
    * Os nomes são fictícios.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • USP Ribeirão testa objeto menor que grão de arroz para combate a cegueira

    USP Ribeirão testa objeto menor que grão de arroz para combate a cegueira

    Dispositivo colocado no globo ocular libera medicamento regularmente.
    Tecnologia reduz em 4 vezes o custo de tratamento de doenças na retina.
     
    Pesquisadores da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (SP) evidenciaram a eficácia de um dispositivo mais fino do que um grão de arroz no tratamento de doenças como a retinopatia diabética, que pode levar à cegueira, por um custo quatro vezes menor do que implantes importados.
     
    Desenvolvida pelo professor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Armando da Silva Cunha Junior, a tecnologia é testada desde 2014 pela Faculdade de Medicina no campus da USP no interior de São Paulo.
     
    Na primeira fase de testes, classificada como de segurança, a inovação foi aplicada em dez pacientes com oclusão da veia da retina, com hemorragias que afetam o fundo dos olhos e um inchaço na região central da retina, explica o médico e pesquisador Rodrigo Jorge. Os resultados mostraram vantagens em relação a outros métodos de combate a doenças vasculares da retina.
     
    “Esse inchaço é o principal responsável pela piora da visão nesses casos. Uma das drogas que funcionam para diminuir o inchaço da retina é o corticoide, justamente a droga que é colocada nesse pequeno comprimido que implantamos na parte de trás do olho. Esse comprimido libera essa droga de forma lenta e contínua, em doses apropriadas para o problema”, afirma.
     
    No decorrer da pesquisa, Jorge constatou que, além de reduzir a inflamação da retina, a tecnologia melhorou a acuidade visual dos pacientes e os poupou de receber injeções mensais de outros medicamentos tradicionais. Também demonstrou ter menos efeitos colaterais.
     
    “Esse estudo teve como objetivo principal mostrar que o implante não ia machucar o olho do paciente. Não teve nenhum efeito ruim para o olho desses dez pacientes que foram tratados.”
     
    O tratamento também se mostrou mais barato e duradouro em relação ao implante já existente e desenvolvido por um laboratório na Califórnia, nos EUA. “O custo do implante desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais é em torno de R$ 600 e o importado é de R$ 2,4 mil. O efeito do implante pode durar de quatro a seis meses. Ele libera lentamente a droga. Isso é muito melhor do que o que é feito atualmente, que é a injeção de outros fármacos, cujos efeitos duram em média de um a dois meses”, diz.
     
    A próxima etapa, segundo o médico responsável pela pesquisa, é ampliar o número de pacientes testados para até 60 e focar na redução do inchaço e na melhora da qualidade da visão. O andamento depende de uma autorização da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), em Brasília (DF).
     
    Também são necessários investimentos, que podem partir da iniciativa pública e privada, explica Jorge. “Vamos tentar o recurso público, federal ou estadual, ou às vezes, por já ter sido testado em humanos, alguma empresa tenha interesse.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Sem sintomas, cresce ameaça de gordura no fígado

    Sem sintomas, cresce ameaça de gordura no fígado

    Rio – Foi durante os exames de rotina que a dona de casa Marilene Valese Pantarotte, hoje com 69 anos, descobriu que algo não ia bem com seu fígado. Acima do peso, diabética, ela fazia acompanhamentos semestrais. 
     
    Depois de muitos especialistas e exames veio o diagnóstico de cirrose e tumor. O fígado estava perdido. Marilene está há dois anos à espera de transplante. Ao contrário do senso comum, que associa cirrose a consumo de álcool, Marilene nunca bebeu. A doença foi causada pelo acúmulo de gordura no fígado, a esteatose hepática. A longo prazo, a gordura acumulada pode levar a processo inflamatório crônico até, por fim, desencadear cirrose ou câncer. 
     
    “A esteatose há até dez anos não representava causa importante no transplante de fígado. Hoje, a curva é ascendente”, afirma o hepatologista Carlos Terra, presidente do Grupo de Fígado do Rio e médico do Hospital Federal da Lagoa. “Não é difícil entender a razão. Metade da população tem sobrepeso, o principal fator de risco. Se considerarmos que 20% dos pacientes com esteatose podem desenvolver cirrose, a gente entende que o impacto no transplante do fígado vá aumentar progressivamente nas próximas décadas.”
     
    Dados do Ministério da Saúde mostram que 52,2% da população adulta tem excesso de peso. Nove anos atrás, a taxa era de 43% – o aumento da população acima do peso foi de 23%. “É preciso conscientizar as pessoas de que o sobrepeso não é problema de ordem estética. É questão de saúde, que pode impactar muito seriamente a qualidade de vida”, diz Terra. 
     
    A gordura no fígado não tem sintoma nenhum. O paciente não sente dor, enjoo, nenhum incômodo. Costuma ser descoberta por acaso. Entre as mulheres, quando fazem o exame periódico e o ginecologista pede ultrassom abdominal. Nos homens, quando as enzimas do fígado aparecem alteradas em exames de sangue feitos em check-ups. Não há remédio para acabar com a gordura acumulada no fígado, mas o quadro é reversível com alimentação adequada e exercícios. 
     
    “Dos pacientes com gordura no fígado, entre 10% e 15% desenvolverão a inflamação crônica em 10 anos. Desses, nos 10 anos seguintes, 20% terão cirrose; o tipo de cirrose que predispõe ao câncer de fígado”, diz o hepatologista Carlos Eduardo Sandoli Baía, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. 
     
    Sem aviso 
     
    Como o paciente não sente dor ou desconforto, muitas vezes não entende a gravidade do problema. Nem acredita que está com cirrose. “Surpreendeu muito quando o médico disse que Marilene tinha cirrose. É uma pessoa que não bebe, nunca bebeu”, diz o militar reformado João Eduardo Pantarotte, de 72 anos. “Há uma ignorância muito grande da população. Quando digo que ela tem cirrose, a gente nota que a pessoa tem uma reação, vê como coisa pejorativa. Minha mulher adoeceu por causa da alimentação mal feita durante a vida. Ela foi criada passando gordura de porco em tudo, até no pão. Mas o costume adquirido desde o início da vida é difícil mudar. Nesse ponto é que nem o álcool. A pessoa não consegue mudar.”
     
    Hoje, as principais causas de transplante de fígado são a cirrose provocada pelas hepatites B e C, com 30% dos casos, e cirrose alcoólica, 20%. “As novas drogas que estão para ser aprovadas para o tratamento da hepatite C resolverão a questão da fila de transplantes. Os pacientes com cirrose por esteatose se tornarão a maioria”, disse Baía. Em 2011, os transplantes por cirrose em decorrência da esteatose respondiam por 0,6% dos transplantes de fígado. Em 2014, essa proporção passou para 2,3% – crescimento de 283%. 
     
    Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo.